Setor sucroenergético

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Mercado futuro reduziria volatilidade do etanol

Segundo Datagro, rentabilidade dos produtores está limitada por falhas no mercado.

O presidente da consultoria Datagro, Plínio Nastari, defendeu a maior utilização do mercado futuro para a comercialização do etanol como forma de reduzir a volatilidade desta commodity e garantir a longevidade da cadeia sucroalcooleira. Nos bastidores do evento de lançamento do Global Agribusiness Forum 2016, em São Paulo, Nastari alertou que os produtores estão com a rentabilidade limitada porque há uma "falha de mercado".

Embora o consumo de álcool hidratado esteja 40% maior este ano (considerando o período de janeiro a julho ante 2014), esse aumento não se traduz em preços melhores porque todos os produtores fazem suas ofertas ao mesmo tempo no mercado à vista, afirmou Nastari.

Segundo ele, isso contribui para que haja quedas e altas de preços mais acentuadas, prejudicando inclusive o consumidor final e retirando previsibilidade da cadeia produtiva.

Isso pode ser solucionado com a visão de que o setor precisa contratar e comercializar álcool no mercado futuro, e não no spot, disse.

Nastari defendeu a definição de regras que garantam o livre mercado entre o etanol e a gasolina e a isonomia na tributação dos combustíveis.

Há necessidade de definir regras estáveis, o que trará maior segurança para que investimentos ocorram, afirmou.

Para 2015, a Datagro estima a produção de 30,3 bilhões de litros, alta de 9% ante os 27,8 bilhões do ano passado. O avanço é devido à queda dos preços internacionais do açúcar, que levou produtores a diversificarem mais o seu mix.

Biomassa

Para Nastari, o governo federal também precisa reconhecer o potencial do setor para a geração de energia. O presidente da Datagro afirma que 125 das 354 usinas em operação no País em 2014 atuaram na produção de 14,3 mil gigawatts-hora (GWh).

É muito pouco em relação ao potencial, que é estimado entre 16 mil GWh e 22 GWH, opinou.

Nastari disse que falta infraestrutura para aproveitar o potencial, além de tarifas que viabilizem investimentos e ampliação da cogeração.

O uso da biomassa seria absolutamente complementar à energia hidrelétrica disponível nos meses de chuva, comentou. (Canal Rural 02/09/2015)

 

Muda o perfil da distribuição de etanol no país

Uma explosão do consumo de etanol hidratado no Nordeste e em Minas Gerais, influenciada, como no país em geral, pelo aumento dos preços da gasolina, está provocando mudanças na estratégia de abastecimento das distribuidoras de combustíveis. O mercado mineiro, "exportador" do produto nos tempos de demanda mais fraca, já está prestes a se tornar "importador". E o Nordeste, que trazia de outras regiões cerca de 20% de suas necessidades, tende a ver esse percentual subir para pelo menos 50%.

Usado diretamente no tanque dos veículos, o hidratado é um concorrente direto da gasolina C, que subiu quase 10% na média nacional desde fevereiro, quando voltou a incidir sobre o derivado fóssil a cobrança da Cide. Mas em Minas Gerais não foi só esse aumento que incentivou uma migração da gasolina para o etanol. A guinada também foi estimulada por uma mudança tributária no Estado que estabeleceu uma diferenciação de 15 pontos percentuais entre as alíquotas de ICMS cobradas sobre os dois produtos e tornou o biocombustível nos postos ainda mais competitivo.

Conforme o parâmetro mais aceito pelo mercado, essa vantagem existe quando o preço do hidratado equivale a menos de 70% do preço da gasolina. Em Minas, essa relação, que historicamente era da ordem de 75%, recuou para 64%. Com isso, o consumo de hidratado no Estado somou 892 milhões de litros de janeiro a julho, volume já superior à demanda de 750 milhões de litros registrada em todo o ano passado, conforme dados a ANP. No país, o consumo de hidratado totalizou 9,9 bilhões de litros nos sete primeiros meses deste ano, aumento de 40%.

Com uma produção de 1,6 bilhão de litros de hidratado na safra 2014/15, Minas Gerais, nessa toada, em breve terá que importar o biocombustível de outros Estados. Para isso, basta que o patamar de demanda observado em julho (183 milhões de litros) seja repetido nos próximos meses, o que levaria o consumo em 12 meses a 1,8 bilhão de litros. "Se o mercado mineiro continuar nesse ritmo, vai precisar trazer hidratado de outros Estados", confirmou Luciano Libório, diretor de abastecimento e regulação do sindicato que representa as distribuidoras do país (Sindicom).

Como em todos os anos, o etanol mineiro atendeu, também em 2015, parte da demanda do Nordeste durante a entressafra na região, abril a julho. Mas, segundo Libório, como o consumo em Minas Gerais cresceu, foi preciso buscar hidratado nas usinas de São Paulo para complementar a oferta nos postos do Estado. "A logística de abastecimento do Nordeste teve que ser mais trabalhada, com volumes saindo, ainda que indiretamente, de São Paulo. O que estamos vendo é uma 'ginástica logística', na qual é preciso percorrer distâncias mais longas para garantir o suprimento", afirmou Libório.

Em 2014/15, as usinas do Nordeste produziram 725 milhões de litros de hidratado e, a região demandou de janeiro a dezembro de 2014 um volume 872 milhões de litros, um "déficit" de quase 150 milhões de litros. Mas essa diferença poderá superar 700 milhões de litros no ciclo atual (2015/16). Se o consumo de julho (129 milhões de litros) se repetir nos próximos cinco meses, à demanda de janeiro a julho, que cresceu 70%, para 844 milhões de litros, serão adicionados outros 645 milhões de litros, levando o consumo nos 12 meses do ano a quase 1,5 bilhão.

Para o executivo do Sindicom, o crescimento do mercado nordestino foi surpreendente, já que, diferentemente do que ocorreu em Minas e em outros Estados onde o etanol é mais competitivo, na região como um todo a paridade não é favorável. Nesse caso, além do "susto" provocado pela alta da gasolina, pesou também o hábito do consumidor de encher o máximo possível o tanque com o dinheiro que tem no bolso, disse o diretor da trading Bioagência, Tarcilo Rodrigues. De qualquer forma, ele observou que a relação entre os preços do hidratado e da gasolina no Nordeste ficou menos desfavorável ao biocombustível e não está mais próxima de 80%.

Em janeiro, antes da alta da gasolina, a relação na Bahia era de 78,4%. Em fevereiro, quando o preço médio da gasolina subiu 13% em relação a janeiro, para R$ 3,497 o litro, caiu para 72%. Em Pernambuco, aconteceu o mesmo. No primeiro mês do ano, a paridade era de 81,2%, mas o percentual caiu para entre 72% e 73% desde fevereiro. (Valor Econômico 03/09/2015)

 

Açúcar: No vermelho

Em mais uma sessão volátil, os futuros do açúcar caíram ontem na bolsa de Nova York.

Os contratos do açúcar demerara para março de 2016 tiveram queda de 3 pontos, a 11,75 centavos de dólar a libra-peso.

Já os papéis de primeira posição de entrega subiram, reduzindo o spread entre os dois lotes. Recentemente, esse spread vinha se ampliando porque as usinas estavam começando a dar preferência a fixar suas vendas para o próximo ano e não fazê-lo agora quando os valores estão em seu menor nível em sete anos.

O recuo, porém, foi limitado. Para o Zaner Group, "o açúcar está encontrando algum suporte das áreas chave de produção".

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo subiu 0,72%, para R$ 47,74 a saca de 50 quilos. (Valor Econômico 03/09/2015)

 

Alcopar (PR) elabora proposta para rolagem de dívida do setor sucroenergético

A Associação dos Produtores de Bioenergia do Estado do Paraná (Alcopar) elaborou uma proposta para que as usinas locais possam sanar suas dívidas. Em entrevista ao Broadcast, o presidente da entidade, Miguel Rubens Tranin, explicou que a ideia é rolar 50% do endividamento que vence entre 2015 e 2017 para pagamento entre 2018 e 2020. "Já conversamos com o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e esperamos ter uma reunião em breve com a Febraban (Federação Brasileira de Bancos)", disse.

De acordo com Tranin, a estratégia por trás de rolar as dívidas está nas perspectivas favoráveis ao setor sucroenergético. "As projeções para (os preços do) açúcar e os investimentos em cogeração devem colocar o setor em um patamar para pagamento", destacou.

Ainda segundo o presidente da Alcopar, embora a proposta tenha sido direcionada às unidades produtoras do Paraná, ela também valeria em âmbito nacional. Conforme cálculos recentes do Itaú BBA, só as usinas do Centro-Sul do País, região responsável por 90% de toda safra de cana, possuem dívidas que ultrapassam os R$ 50 bilhões.

Com mais de 30 usinas, o Paraná é o quinto maior produtor de cana. Na temporada 2014/15, encerrada em 31 de março, foram 43,1 milhões de toneladas, volume que deve ir a 45,7 milhões de toneladas no ciclo atual, de acordo com projeções da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). (Agência Estado 02/09/2015)

 

'Importação' desagrada a usineiros nordestinos

O aumento do volume de etanol "importado" para abastecer a demanda do Nordeste neste ano não agradou às usinas sucroalcooleiras da região. O presidente do Sindicato da Indústria de Cana-de-Açúcar de Pernambuco (Sindaçúcar-PE), Renato Cunha, afirmou ao Valor que as distribuidoras não estão mais fechando contratos com as usinas locais, o que vem causando uma grande insegurança no segmento.

Luciano Libório, diretor de abastecimento e regulamentação do sindicato que representa as distribuidoras de combustíveis do país (Sindicom), disse que as estratégias de compra das empresas da área respeitam uma racionalidade econômica. "Se o preço é viável e há disponibilidade de etanol no Nordeste, compramos lá mesmo para abastecer o mercado local. Caso contrário, vamos buscar em outro Estado".

Ocorre que, apesar de a demanda por etanol hidratado estar em expansão no país, as usinas da região Centro-Sul estão ofertando muito o produto para gerar caixa e, com isso, pressionam os preços e afetam a remuneração das indústrias instaladas no Nordeste.

Entre os dias 17 e 21 de agosto, o preço de venda na usina em Goiás do hidratado destinado a outros Estados ficou em R$ 1,1408 por litro, conforme o indicador Cepea/Esalq, 1,7% abaixo de igual período de 2014. Trata-se de um preço por litro R$ 0,34 menor que o cobrado pelo hidratado no mercado de Pernambuco (R$ 1,4837).

"Considerando que o custo do frete entre Goiás e Pernambuco é de cerca de R$ 0,20 por litro, há uma margem de R$ 0,14 nessa operação de compra do etanol goiano para abastecer o mercado nordestino", afirmou Tarcilo Rodrigues, da trading Bioagência.

Além disso, disse Rodrigues, é preciso considerar que é bem diferente levar do Centro-Sul para o Nordeste 150 milhões de litros, que foi o déficit de hidratado em 2014 no mercado nordestino ou 700 milhões, que é a estimativa para o déficit neste ano.

"Há mais risco em concentrar esse volume adicional nos cinco meses da entressafra do Nordeste. É possível que as distribuidoras tentem dividir os carregamentos ao longo de mais meses", avaliou Rodrigues. Para transportar 150 milhões de litros, são necessários 3,3 mil caminhões. Para 700 milhões, são mais de 15 mil caminhões. (Valor Econômico 03/09/2015)

 

Parlamentares propõem a Dilma elevar Cide sobre gasolina e diesel

A pressão para que o governo aumente a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) sobre combustíveis (gasolina e diesel) aumentou sob argumento de aliviar o déficit orçamentário previsto para 2016. Encampada pela ministra da Agricultura, Kátia Abreu, a ideia ­ que beneficiaria a indústria de etanol ­ foi levada à equipe econômica e à presidente Dilma Rousseff, que ontem disse não "afastar" nenhuma fonte de receita.

A alta no valor da Cide pode ser feita por decreto presidencial, sem precisar do aval do Congresso Nacional. Fontes que acompanham as negociações, porém, relatam que o governo quer ter certeza do apoio da Câmara e do Senado em relação a esta medida para não correr o risco de um agravamento da crise política.

Foram parlamentares da Frente Sucroalcooleira do Congresso que apresentaram à Katia Abreu as propostas de elevação tributária sobre gasolina e óleo diesel. Os produtores de etanol, setor que enfrenta grave crise. sairiam ganhando porque os outros combustíveis perderiam competitividade.

Uma fonte do setor sucroenergético, que vem participando das conversas com o governo, disse que o Ministério da Fazenda estuda de maneira delicada elevar mais um tributo. "O governo não vê com maus olhos o aumento da Cide porque está precisando de arrecadação, mas tem preocupação natural com o impacto inflacionário. Dentro do governo tem gente que está com medo de isso gerar uma reação negativa da opinião pública", relatou.

Por causa da difícil aceitação dessa proposta pela população, o governo prefere dividir com o Congresso a responsabilidade de anunciar um aumento de imposto. Diante desse quadro, pode demorar um pouco para que seja assinado o decreto, avalia a fonte.

Uma das hipóteses colocadas ao governo prevê a recomposição total da Cide, que ficou zerada até o início do ano. Isso, segundo contas do setor, renderia R$ 10,6 bilhões aos cofres da União por ano. Estados e municípios teriam um incremento de R$ 4,3 bilhões na arrecadação, sem contar com a receita de ICMS que também subiria. Com isso, autores da idéia contam com o possível apoio de governadores e prefeitos.

Essa proposta, contudo, teria um impacto "mais forte" na inflação. Por isso, há ainda uma idéia de aumento intermediário, que renderia R$ 6,8 bilhões para a União e R$ 2,8 bilhões para Estados e municípios. "Essa seria menos 'danosa' para o índice de preços, mas vamos insistir na maior elevação possível da Cide", afirmou um parlamentar com trânsito no Ministério da Agricultura.

A alta da Cide sobre combustíveis é uma demanda antiga da União da Indústria de Cana de Açúcar (Unica). Diante da previsão de rombo de R$ 30,5 bilhões no Orçamento do próximo ano, a Frente Sucroalcooleira argumenta que esse seria "uma das soluções" para o problema fiscal e seria um incentivo para os produtores de etanol voltarem a investir e a contratar.

Os parlamentares ligados à proposta pretendem conversar com os ministros Joaquim Levy (Fazenda) e Nelson Barbosa (Planejamento) em busca de apoio para a elevação do tributo que, apesar de não depender de votação no Congresso, não deve ser feito à revelia do restante da Câmara e do Senado. (Valor Econômico 03/09/2015)

 

Usinas do grupo João Lyra devem ser arrendadas até dezembro

Parte da renda será para quitar os credores, informa juiz.

Três das cinco usinas de cana-de-açúcar que compõem a massa falida do grupo Laginha, de propriedade do empresário e ex-deputado federal João Lyra, estão prestes a serem arrendadas. Já suas vendas podem acontecer no próximo ano. Com os processos de arrendamento e venda avançados, as usinas Vale do Paranaíba e Triácool, localizadas em Capinópolis e Canápolis (MG), respectivamente, serão as primeiras a deixarem de pertencer ao antigo império de Lyra. Em Alagoas, apenas a Usina Uruba, situada na cidade de Atalaia, está apta para a transação.

As informações são do juiz Kleber Borba Rocha, responsável pelo processo de falência. “A Usina Uruba é a única que tem condições de funcionar de forma imediata, e estamos estudando as propostas de investidores. Quanto às usinas Guaxuma e Laginha, ambas dependem de um aporte financeiro muito alto”, destacou. Apesar do andamento do processo, o prazo de conclusão ainda permanece no vácuo.

“Nosso objetivo é arrendar as unidades de Minas Gerais e a de Atalaia enquanto se avalia uma viabilidade da alienação de bens. Todas as usinas estão paradas e vendê-las dessa maneira faria com que pagassem o mínimo, o que seria insuficiente para quitar todos os credores. Alguém, então, ficaria sem receber. As vendas das usinas vão acontecer, mas a massa falida precisa de um tempo para aferir as questões pendentes de apreciação”.

Sem falar sobre valores do arrendamento, Rocha não descartou a hipótese de que esse dinheiro seja revertido para quitar os débitos com os credores, entre eles, os antigos funcionários de João Lyra. “A massa falida não se refere apenas às cinco usinas. Além do escritório central, há a Mapel, um jatinho, entre outros ativos que podem ser utilizados para o pagamento”, acrescentou o magistrado.

Quanto às duas usinas do interior de Minas Gerais, os autos do processo estipulam que podem ser vendidas por, aproximadamente, R$ 500 milhões durante a inoperância. “O arrendamento dessas usinas deve que acontecer até o fim do ano porque é uma medida necessária. O dinheiro servirá como subsídio à massa falida que tem custos para a preservação do patrimônio e segurança armada”.

Segundo o vereador de Capinópolis, que encabeça a luta dos direitos dos trabalhadores rurais do município mineiro, Cleidimar Zanotto, as usinas Vale do Tijuco e Vale do Verdão demonstraram interesse em adquirir as unidades paralisadas nas duas cidades. “Um estudo na Usina Vale do Paranaíba apontou que seria necessário um investimento de R$ 5 milhões para recomeçar a funcionar”, informou à reportagem.

Conforme publicado na edição passada pelo Extra Alagoas, João Lyra assinou um ofício afirmando que não haverá interposição com relação à tomada de decisão por parte do magistrado. “Não obstante o entendimento diverso ao de Vossa Excelência, não haverá interposição de quaisquer recursos contra a decisão em referência, tendo em vistas a consciência de que, neste momento, importa dar celeridade ao processo falimentar”, disse o usineiro.

“Por fim, motivo maior desta manifestação, apresento minha anuência pessoal com a venda de ativos da Laginha Agroindustrial S/A., localizados no Sudeste do País, para fazer frente ao enorme passivo trabalhista da Massa [falida]. Da mesma forma, apresento minha anuência pessoal aos esforços para arrendar as unidades industriais, em Alagoas ou Minas Gerais, com o propósito de manter valorizados os ativos da empresa, bem como possibilitar renda necessária à manutenção da Massa [falida] e pagamentos dos credores”, lavrou Lyra em documento.

Há menos de três meses frente ao processo, o momento, segundo Rocha, é de estudo da problemática da massa falida. “Estou me inteirando de todas as questões. Agora, tem a questão agrária que avulta o processo”, disse. A Usina Guaxuma, atualmente, virou acampamento para um grupo de sem-terra que, agora, reivindica o direito de continuar produzindo dentro da propriedade. Quanto à Usina Uruba, o juiz analisa a proposta de arrendamento da Associação dos Plantadores de Cana de Alagoas (Asplana). 

“Tenho procurado conversar com todos os interessados em trilhar um caminho que seja importante para a massa falida e, principalmente, para os credores. Cada passo tem sido bem refletido. Alienar os bens pode ser uma medida, que, à vista de muitos, seria o mais interessante, mas que causará o travamento do processo. Vejo com bons olhos o caminho que vem sido criado”, destacou o juiz (Extra Alagoas, 2/9/15)

 

Governo da Índia estuda exportar açúcar em troca de outros produtos

A Índia está buscando opções para exportar açúcar em troca de outras commodities, com o objetivo de reduzir os estoques domésticos do alimento, informou o ministro dos Alimentos, Ram Vilas Paswan, nesta quarta-feira (2).

Segundo ele, o governo indiano está "tentando entrar em contato" com diferentes países para discutir a proposta. Uma opção seria identificar países para onde o açúcar pode ser exportado, em troca de itens como lentilhas ou óleos alimentares.

A Índia pretende importar grandes quantidades de lentilhas, para aumentar seus estoques e controlar os preços domésticos. Além disso, o país é o maior importador mundial de óleos vegetais e compra grandes volumes de óleo de palma da Indonésia e da Malásia.

No mês passado, a ministra do comércio, Nirmala Sitharaman, afirmou que o governo indiano está em negociações com Mianmar, Canadá e com alguns países africanos. "Acabamos de começar a trabalhar nessa proposta. Não é como se já tivéssemos uma solução", afirmou Sitharaman.

O governo também considera uma proposta que iria forçar as usinas de açúcar do país a elevar as exportações para 4 milhões de toneladas na próxima safra, que tem início em 1º de outubro. Após cinco anos de produção excedente, os estoques de açúcar na Índia alcançaram 10,2 milhões de toneladas, segundo a associação das usinas de cana-de-açúcar do país. Isso trouxe forte pressão sobre os preços internos da commodity e afetou as usinas, que precisam pagar um preço mínimo estipulado pelo governo pela cana-de-açúcar.

Como o governo define um preço mínimo muito superior ao preço praticado no mercado internacional, a Índia não é um grande exportador de açúcar, pois os preços do produto não são competitivos. De outubro a abril, o país exportou 1,26 milhão de toneladas.

Neste ano, a produção de açúcar na Índia é estimada em 28 milhões de toneladas, acima das 26,5 milhões de toneladas do ano passado. Os volumes superam a demanda interna, de 25 milhões de toneladas. A Índia é o principal país consumidor de açúcar do mundo e o segundo maior produtor, atrás apenas do Brasil. (Agência Estado 02/09/2015)

 

Odebrecht é condenada por condições análogas à escravidão em Angola

A Justiça do Trabalho condenou a construtora Odebrecht e duas subsidiárias ao pagamento de R$ 50 milhões por danos morais e coletivos a trabalhadores que teriam sido submetidos à condição análoga à escravidão nas obras da construção da usina de cana-de-açúcar Biocom, em Angola.

Segundo comunicado do Ministério Público do Trabalho, essa é a maior condenação por condições de trabalho análogas à escravidão da história da Justiça brasileira. A empresa nega as acusações e informa que irá recorrer.

São rés no processo a construtora Norberto Odebrecht, a Odebrecht Agroindustrial (antiga ETH) e a Odebrecht Serviços de Exportação.

Para o juiz Carlos Alberto Frigieri, da 2ª Vara do Trabalho de Araraquara (SP), os operários brasileiros que ergueram a usina, localizada em Malanje (Angola), foram submetidos a condições de trabalho "sem as garantias mínimas de saúde e higiene, respeito e alimentação, evidenciando-se o trabalho degradante, inserido no conceito de trabalho na condição análoga a de escravo".

Na sua decisão, o juiz ainda considerou que a empresa promoveu o "aliciamento de trabalhadores e tráfico de pessoas" por transportar operários para Angola com vistos ordinários, em vez de vistos de trabalho.

Em nota divulgada nesta quarta-feira (3), a Odebrecht nega condições degradantes de trabalho ou análogas à escravidão, aliciamento dos trabalhadores e tráfico internacional de pessoas.

A empresa afirma que os alojamentos oferecidos aos trabalhadores eram adequados, a alimentação era de qualidade e que o direito de ir e vir dos operários foi sempre respeitado.

Diz ainda que os trabalhadores defendidos pelo MPT foram contratados de forma regular e direta por empresas brasileiras especializadas na construção de usinas de etanol e açúcar que, por sua vez, foram contratadas pela Biocom.

Segundo a companhia, um "amplo material probatório produzido nos autos da ação" suportam a sua defesa. (Folha de São Paulo 02/09/2015 às 20h: 57m)

 

Indústria de defensivos projeta queda nas vendas mesmo com safra recorde

O setor de defensivos agrícolas se prepara para um segundo semestre de vendas reduzidas, mesmo em meio ao plantio de uma safra de grãos recorde, devido a efeitos da alta do dólar e de estoques acumulados pelos produtores rurais.

"Como teve infestação (de pragas) mais baixa que o esperado na última safra, os agricultores estão estocados, principalmente de herbicidas e inseticidas. Isso deve refletir em baixa nas vendas", disse à Reuters a vice-presidente-executiva do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg), Silvia Fagnani.

Ao contrário de sementes e fertilizantes, cujas compras e entregas precisam ser praticamente finalizadas antes do plantio, a demanda por produtos como herbicidas, inseticidas e fungicidas flutua ao longo da safra, de acordo com a ocorrência de pragas e doenças nas lavouras.

O faturamento com as vendas de defensivos entre janeiro e junho ficaram em 2,7 bilhões de dólares, 25 por cento abaixo do mesmo período de 2014, segundo estatísticas recentes do Sindiveg.

"Essa tendência deve se confirmar também no segundo semestre", disse a executiva.

O Brasil começa a plantar em meados deste mês a safra de soja 2015/16, que segundo consultorias deverá ter uma leve elevação de área.

Da queda registrada no primeiro semestre, segundo o sindicato, 15 pontos percentuais aproximadamente foram decorrentes da alta do dólar, que encarece os produtos.

Boa parte das matérias-primas usadas na formulação são importadas. O dólar acumula alta de mais de 60 por cento ante o real nos últimos 12 meses.

As empresas do setor têm tentado manter os preços em reais repassados às revendas e agricultores, o que ajuda a diminuir o faturamento em dólares, disse o Sindiveg.

"O grande impacto é porque a gente não está repassando a taxa do dólar. Até o fim do ano isso deve ser mantido", projetou a executiva.

Entraves na liberação de crédito nos bancos, que respondem por parte do custeio dos insumos, também preocupam a indústria de defensivos.

"A gente tem verificado problema na liberação do crédito. Isso vai refletir nas vendas para a safra", disse Silvia, que preferiu não projetar uma taxa recuo na comercialização no segundo semestre. (Reuters 02/09/2015)

 

Uberaba cria orientação técnica para licenciamento de cana-de-açúcar

A Prefeitura de Uberaba, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semam), lançou a orientação técnico-jurídica para licenciamento ambiental de áreas decana-de-açúcar no Município. O documento foi criado para esclarecer as atividades que dizem respeito à cultura de cana-de-açúcar sem queima.

O documento foi encaminhado às indústrias e está disponível na Semam. O arquivo expõe as medidas que devem ser adotadas e explicita que, em todos os casos de contratos agrários, devem constar especificações minuciosas da área arrendada, cedida ou explorada. O documento deve esclarecer, ainda, o total de hectares destinado ao cultivo dacana. A ação age conforme a Deliberação Normativa do Conselho Estadual de Política Ambienta (Copam) nº 74/2004.

"Notamos haver muita confusão na solicitação do licenciamento, devido à diferença de cada modalidade. As propriedades podem ser arrendadas, comodato ou aluguel, assim como a atividade pode acontecer em forma de parceria entre proprietário e indústria ou como fornecimento", explicou o secretário adjunto de Meio Ambiente, Marco Túlio Prata.

O documento complementar deverá ser apresentado sempre que houver casos de divergências das áreas declaradas. Foi definido ainda que, em todos os casos, o produtor deverá realizar o licenciamento das culturas rotacionadas com a cana. O licenciamento ambiental poderá ser feito em conjunto para ambas as atividades desde que as mesmas sejam realizadas em uma só propriedade.

A queima da cana-de-açúcar é proibida em Uberaba, conforme a Lei Municipal 10.234/2007, e pode acarretar multa ao infrator (G1 02/09/2015)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: No vermelho: Em mais uma sessão volátil, os futuros do açúcar caíram ontem na bolsa de Nova York. Os contratos do açúcar demerara para março de 2016 tiveram queda de 3 pontos, a 11,75 centavos de dólar a libra-peso. Já os papéis de primeira posição de entrega subiram, reduzindo o spread entre os dois lotes. Recentemente, esse spread vinha se ampliando porque as usinas estavam começando a dar preferência a fixar suas vendas para o próximo ano e não fazê-lo agora quando os valores estão em seu menor nível em sete anos. O recuo, porém, foi limitado. Para o Zaner Group, "o açúcar está encontrando algum suporte das áreas chave de produção". No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo subiu 0,72%, para R$ 47,74 a saca de 50 quilos.

Algodão: EUA no foco: Os preços do algodão recuaram ontem na bolsa de Nova York em meio à alta do dólar e a expectativas de avanço de área nos Estados Unidos na próxima safra. Os lotes para dezembro caíram 21 pontos, cotados a 62,49 centavos de dólar a libra­peso. Uma pesquisa do site Farm Futures entre 17 de julho e 3 de agosto mostrou que os produtores americanos planejam expandir a área com algodão em 2016 em 10%, para 3,97 milhões de hectares. A indicação vai na contramão das expectativas dos analistas, que avaliam que os baixos preços da fibra devem desestimular o plantio. Os traders esperam pelos primeiros sinais da colheita nos Estados Unidos. No mercado doméstico, o indicador Cepea/ Esalq para a pluma com pagamento em oito dias teve alta de 0,35%, a R$ 2,2736 a libra-peso.

Milho: Pressão renovada: O milho voltou a recuar ontem na bolsa de Chicago, em meio ao vencimento do contrato de primeira posição, às previsões climáticas mais favoráveis nos EUA e à queda na produção americana de etanol. Os papéis para dezembro fecharam em baixa de 1,5 centavo, a US$ 3,6750 por bushel. A previsão de chuvas para o Meio­Oeste dos EUA alivia os receios com o estresse hídrico. Os americanos também enfrentaram a quarta queda seguida na produção de etanol no país, onde o biocombustível é feito de milho. Segundo a Agência de Informações sobre Energia dos EUA, na semana encerrada em 28 de agosto foram produzidos 948 mil barris por dia, queda de 0,4% na comparação semanal. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para a saca ficou em R$ 29,05, alta de 1,25%.

Trigo: Efeito do câmbio: Os contratos futuros do trigo perderam terreno ontem nas bolsas americanas sob influência da valorização do dólar ante outras moedas. Em Chicago, os contratos para dezembro recuaram 7,25 centavos, para US$ 4,79 o bushel. Em Kansas, onde se negocia o trigo de melhor qualidade, os papéis para dezembro caíram 7,5 centavos, para US$ 4,7475 o bushel. A elevação da divisa americana tem abalado a competitividade do trigo colhido nos Estados Unidos, enquanto a oferta em países concorrentes pressiona as cotações nesses mercados. Desde o início da safra até 1 de setembro, a Rússia já colheu 49,1 milhões de toneladas, acima das 47,9 milhões do mesmo período do ano passado. No Paraná, a saca do trigo ficou estável em R$ 33,60, segundo o Deral/Seab. (Valor Econômico 03/09/2015)