Setor sucroenergético

Notícias

Governo dá sinais de que subirá impostos

O governo deve aumentar até o fim deste ano alíquotas de impostos existentes para tentar cobrir ao menos parte do déficit de R$ 30,5 bilhões previsto no Orçamento da União enviado ao Congresso.

Sem dar detalhes, a própria presidente Dilma Rousseff admitiu nesta quarta (2) a possibilidade de elevar ou mesmo criar novos tributos, afirmando que não fugirá da responsabilidade de resolver o saldo negativo nas contas do governo federal.

Apesar de dizer que não gosta da CPMF, a presidente não descartou a criação de um imposto semelhante. No domingo (6), ela reunirá sua equipe e o vice-presidente Michel Temer (PMDB) para discutir um cardápio de medidas para elevar as receitas.

Segundo a Folha apurou, o governo cogita elevar alíquotas de impostos vigentes. Os considerados mais fáceis de se mexer, por não dependerem de aprovação do Congresso, são os chamados regulatórios, caso da Cide (tributo que incide sobre combustíveis), IPI (produtos industrializados) e IOF (operações financeiras).

Também não estão descartados aumentos pontuais nos impostos gerais, como CSLL (Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido), Imposto de Renda e PIS/Cofins.

Ao contrário do que ocorreu com a CPMF, Dilma não decidirá nada antes de submeter sua proposta ao mundo político e ao setor privado.

O governo ensaiou recriar a CPMF, o chamado imposto do cheque, mas desistiu diante da repercussão negativa entre políticos e empresários. Nesta quarta, Dilma fez questão de dizer que "não gosta" do tributo, mas deixou claro que "não afasta" a necessidade de novas fontes de receita.

"Acho que a CPMF tem suas complicações. Mas não estou afastando a necessidade de fontes de receita, não estou afastando nenhuma fonte de receita. Quero deixar isso claro para depois, se houver a hipótese de a gente enviar essa fonte, nós enviaremos", disse.

IDAS E VINDAS

Na terça (1º), Dilma havia pedido ajuda ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), este rompido formalmente com o governo, para propor medidas que cubram o rombo de R$ 30,5 bilhões. Depois do encontro, ambos disseram que "não cabe ao Congresso" resolver o problema.

"O governo vai de fato mandar [um adendo à proposta de Orçamento de 2016], e é responsabilidade dele [...] Nós não fugiremos às nossas responsabilidades de propor a solução ao problema. O que queremos, porque vivemos em um país democrático, é construir essa alternativa", disse Dilma nesta quarta, em resposta aos peemedebistas.

Pela Constituição, o governo só pode enviar ao Congresso mensagem de alteração do projeto de Orçamento se a votação do texto ainda não tiver sido iniciada. Depois disso, as alterações têm de ser negociadas politicamente. Ajustes recomendados pelo Executivo são rotineiros em tramitações de projetos de Orçamento no Congresso.

Para Dilma, o governo "não está errado" quanto ao tamanho do rombo, ao contrário do que diz a oposição, que apontou saldo negativo de R$ 70 bilhões nas contas públicas. A presidente, porém, disse discordar da avaliação do ministro Joaquim Levy (Fazenda), que se referiu ao rombo como"desastroso". (Folha de São Paulo 03/04/2015)

 

Açúcar: Cide em pauta

Os preços do açúcar dispararam ontem na bolsa de Nova York em meio a novas notícias sobre o setor no Brasil e na Índia, além do recrudescimento do El Niño.

Os lotes para março de 2016 subiram 50 pontos, a 12,25 centavos de dólar a libra-peso.

Os traders foram pegos de surpresa com a notícia de que o governo do Brasil avalia elevar a Cide sobre a gasolina para aumentar a arrecadação.

A medida seria benéfica para os produtores de etanol, na medida que elevaria a rentabilidade do produto e tornaria a safra no Centro-Sul ainda mais alcooleira do que o esperado.

A falta de chuvas na Índia e as previsões de chuva nos próximos dias no Centro-Sul do Brasil também ofereceram impulso. No mercado interno, o indicador Cepea/ Esalq para o açúcar cristal subiu 0,75%, para R$ 48,10 a saca de 50 quilos. (Valor Econômico 04/09/2015)

 

Energia de biomassa tem espaço para crescer

O francês Antoine Lavoisier ficou famoso por cunhar, ainda no século 18, uma das leis mais conhecidas da química moderna: “Na natureza, nada se cria e nada se perde. Tudo se transforma”. Mais de 200 anos depois, seu ensinamento ajuda a entender o mecanismo da terceira fonte de energia mais usada no Brasil, a biomassa.

Responsável por pouco mais de 9% da eletricidade consumida no país, a energia de biomassa é aquela obtida pela queima de materiais orgânicos. Entre os materiais mais usados estão bagaço de cana, casca de arroz, cavaco de madeira e caroço de açaí. Também é possível usar os gases resultantes da decomposição ou incineração de lixo em usinas especializadas.

Em comparação com os combustíveis fósseis, como os derivados de petróleo, esses resíduos geram menos emissões de gases causadores do efeito estufa. Por isso, a biomassa é considerada um tipo de energia sustentável. “A combustão de materiais orgânicos devolve à natureza apenas o carbono que a planta usou para crescer, o que não gera prejuízos ambientais”, diz Manoel Regis Lima Verde Leal, gerente de relações institucionais do Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE).

Só as usinas de biomassa cadastradas na Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) produziram 17,5% mais eletricidade entre janeiro e maio de 2015 do que no mesmo período do ano passado. Estimativa da Agência Internacional de Energia mostra que a biomassa deve representar 11% da matriz mundial até 2020.

Grande potencial

Há espaço para que a energia de biomassa cresça no Brasil. Segundo o relatório Energy Outlook, produzido pela Bloomberg, o setor deve receber 26 bilhões de dólares em investimentos no Brasil até 2040. Junto com a geração eólica e solar, a biomassa deve ser um dos tipos de energia que mais vai se desenvolver nos próximos anos.

A boa perspectiva também se deve à descoberta desse tipo de energia por parte das indústrias. Grandes empresas que produzem sua própria energia estão substituindo os combustíveis fósseis que moviam suas plantas por fontes alternativas. Entre os principais benefícios está o de alcançar metas de redução de emissão de poluentes.

A biomassa começou a se tornar uma fonte mais atrativa graças ao avanço da tecnologia. Com o aperfeiçoamento dos equipamentos usados na combustão, a eficiência do processo tem aumentado. Um dos principais desafios da indústria é conseguir tirar proveito máximo da biomassa, já que as condições de umidade e conservação dos resíduos impactam diretamente na geração de energia.

Hoje, a biomassa mais utilizada no Brasil é o bagaço de cana-de-açúcar. Segundo os especialistas, ainda há muito espaço para que se aproveite o potencial de outro subproduto da planta, a palha. “A taxa de conversão da cana em energia é de 32% quando utilizamos apenas o bagaço”, afirma Leal, do CTBE. “Com a palha, essa conversão seria da ordem de 37%.”

Outro fator que permite manter uma perspectiva otimista para o futuro da biomassa no Brasil é a disponibilidade de espaço para produzir os resíduos usados nas caldeiras. Atualmente, há 6,5 milhões de hectares sendo utilizados para o cultivo de biomassa de origem florestal. “Pode parecer bastante em números absolutos, mas é pouco se pensarmos que há 200 milhões de hectares de áreas florestais cujos resíduos poderiam gerar biomassa”, diz Mateus Cerqueira, gerente de combustíveis da Bolt Energias, empresa de geração e comercialização de energia.

A Bolt é um bom exemplo de como esse mercado pode se desenvolver no Brasil. A empresa está construindo em São Desidério, na Bahia, a maior usina térmica movida por biomassa da América Latina. Batizada de Campo Grande BioEletricidade, a usina será abastecida com cavaco de eucalipto proveniente de uma floresta dedicada.

Serão 150 megawatts de capacidade. De acordo com Cerqueira, a previsão de início da operação é janeiro de 2018. “A biomassa é uma fonte de energia que se adapta aos preceitos da economia de baixo carbono. Além disso, o desenvolvimento desse mercado pode ter um impacto importante na geração de empregos e no melhor aproveitamento de nossas áreas verdes”, diz Cerqueira.

Exemplo para o mundo

No cenário internacional, a Dinamarca é uma referência na geração de energia por meio de biomassa. De toda a energia renovável consumida no país, 76% vêm dessa fonte, segundo a Associação Dinamarquesa de Energia.

A biomassa popularizou-se na Dinamarca por causa de um ambicioso plano de redução de emissão de gases derivados do carbono. Até 2035, o objetivo é que 100% da energia usada para aquecimento seja proveniente de biomassa. Hoje, pouco mais da metade do sistema de calefação usa esse combustível.

Para cumprir seu plano de incentivo a essa energia sustentável, a partir de 2016, a Dinamarca deve começar a importar lixo da Polônia e da Alemanha. “Na Europa, a coleta seletiva é um processo avançado, e, por isso, o lixo está se tornando um combustível mais comum para a geração de energia”, diz Manoel Leal, do CTBE.

Para que o Brasil siga os passos da Dinamarca, ainda precisamos avançar. “O lixo seletivo não é facilmente armazenável por períodos longos. Por isso, é preciso estabelecer um processo logístico eficiente para transformar esse material em energia”, diz Leal. Disponibilidade de resíduos não deve ser um problema. Dados do Banco Mundial mostram que, entre 2005 e 2025, a produção de lixo no Brasil deve crescer 50%, ante 25% da média mundial. (Revista Exame 03/09/2015)

 

15% da área cultivada de cana-de-açúcar AINDA está infectada com ferrugem alaranjada

Detectada pela primeira vez no Brasil em dezembro de 2009, na região de Araraquara, SP, a Ferrugem Alaranjada (Puccinia kuehnii) vem causando duros danos econômicos aos produtores canavieiros e, por isso, é atualmente considerada a pior doença da cultura.

Estima-se que cerca de 1,3 milhão de hectares (15% da área cultivada) no Brasil já estejam infectados pela doença.

Os mais afetados são os estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul, Paraná, Goiás e Minas Gerais. Estudos apontam que a doença causa redução na produção agrícola na ordem de 30% a 50% em TCH (toneladas de colmos/ha) e de 15 a 20% no teor de sacarose dos colmos.

O uso de variedades tolerantes à doença é o método mais eficiente e economicamente viável para o controle da doença. Porém, existe ainda uma grande parcela de produtores que ainda cultivam variedades com boas características agronômicas, mas que são suscetíveis à Ferrugem Alaranjada como é o caso da SP81-3250 que ainda ocupa cerca de 10% da lavoura do Centro-Sul do Brasil.

Nesse cenário, surge uma dúvida: seria interessante lançar mão de outras medidas de manejo que impeçam altos níveis de dano econômico com a doença e que permitam que estas variedades continuem sendo utilizadas pela empresa? Os resultados tem sido surpreendentes, pois o controle da doença está devolvendo a produtividade a esta variedade. Em alguns casos as produtividades têm superado as médias regionais. (Cana Oeste 03/09/2015)

 

Preocupado com afastamento de Temer, Lula vai ao encontro de Dilma

O encontro da presidente Dilma Rousseff com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na noite desta quinta-feira (3) no Palácio da Alvorada, ressalta o agravamento das crises política e econômica.

Há algumas semanas, Lula fez uma reaproximação pragmática com a presidente para tentar ajudar Dilma a recuperar a governabilidade.

Nos bastidores, o ex-presidente Lula já vinha externando preocupação com o afastamento do PMDB do Palácio do Planalto, especialmente com os gestos do vice-presidente Michel Temer.

E, não por acaso, enquanto Lula jantava com Dilma no Alvorada, Temer afirmava a empresários em São Paulo que é difícil Dilma resistir até o fim do mandato com baixa popularidade.

De forma reservada, o vice já vinha reforçando essa posição. Para interlocutores, ele tem afirmado que Dilma tem, no máximo, seis meses de prazo para reverter a impopularidade e retomar o controle da situação.

No PMDB, a fala de Temer foi comemorada. A interpretação no partido é que o vice oficializou o seu afastamento da presidente Dilma, abrindo espaço para que a legenda vá para oposição até o final do ano.

Na economia, Lula tem sido um dos principais críticos do ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Em conversas com petistas, o ex-presidente tem deixado claro que a insistência de Levy pela política de cortes vai agravar ainda mais a recessão. Essa opinião é compartilhada por ministros petistas. Mas, nesta quinta, Dilma teve que reforçar a posição de Levy.

Outro ponto da preocupação da cúpula petista tem sido o desdobramento da Operação Lava Jato. A revelação do empreiteiro Ricardo Pessoa, da UTC, que em delação premiada confirmou que pagou propinado esquema de corrupção da Petrobras em forma de doações oficiais ao PT acendeu a luz amarela no Palácio do Planalto e no PT. (G1 03/09/2015)

 

CEISE Br reivindica ações para retomada do setor sucroenergético ao BNDES

Empresários associados ao CEISE Br participaram de reunião na sede do BNDES, no final da tarde de terça-feira, 01, com a chefe do Departamento de Energias Alternativas, Lígia Chagas; com a gerente de Infraestrutura; Ana Raquel Martins; e com o gerente do Departamento de Biocombustíveis, Rafael Feijó, para reivindicar medidas específicas para a retomada da cadeia produtiva da cana-de-açúcar, em especial da indústria de base e serviços.

Na oportunidade, o grupo apresentou a solução Retrofit, que consiste na modernização de caldeiras, no aumento da eficiência desses equipamentos para uma maior produção de energia elétrica excedente. No entanto, o trabalho mostrou que a implantação de projetos como esse – os investimentos vão de R$ 10 milhões a R$ 100,00 milhões, em média –, travam pela impossibilidade de acesso aos Programas do BNDES, tendo em vista que a maioria das unidades produtoras está financeiramente comprometida.

Diante do exposto, os empresários solicitaram flexibilização do crédito, criação de um Fundo Garantidor de Investimentos – na fase de implantação do projeto, e garantias do fluxo de caixa, dos recebíveis – venda da energia para a rede, por exemplo. Segundo eles, essas ações beneficiarão tanto usinas quanto indústrias, porque quem produz tecnologia e inovação são as fabricantes de máquinas, equipamentos e sistemas para as unidades.

A equipe do BNDES se comprometeu a encaminhar os apontamentos da reunião para uma discussão mais técnica e ampliada. “Nós vamos levar essa conversa aos departamentos de Bens de Capital, e de Biocombustíveis, e dentro de duas semanas podemos marcar uma nova reunião para darmos andamento a esse fórum”, finalizou Lígia Chagas. (Brasil Agro 04/09/20)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Cide em pauta: Os preços do açúcar dispararam ontem na bolsa de Nova York em meio a novas notícias sobre o setor no Brasil e na Índia, além do recrudescimento do El Niño. Os lotes para março de 2016 subiram 50 pontos, a 12,25 centavos de dólar a libra-peso. Os traders foram pegos de surpresa com a notícia de que o governo do Brasil avalia elevar a Cide sobre a gasolina para aumentar a arrecadação. A medida seria benéfica para os produtores de etanol, na medida que elevaria a rentabilidade do produto e tornaria a safra no Centro-Sul ainda mais alcooleira do que o esperado. A falta de chuvas na Índia e as previsões de chuva nos próximos dias no Centro-Sul do Brasil também ofereceram impulso. No mercado interno, o indicador Cepea/ Esalq para o açúcar cristal subiu 0,75%, para R$ 48,10 a saca de 50 quilos.

Algodão: Exportação maior: O mercado do algodão ganhou fôlego ontem na bolsa de Nova York diante do aumento das vendas americanas ao exterior. Os contratos para dezembro subiram 27 pontos, a 62,76 centavos de dólar a libra-peso. O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) informou que, na semana encerrada dia 27 de agosto, os exportadores do país acertaram a venda de 14,47 mil toneladas de algodão, alta semanal de 9%. A consultoria Zaner Group observou que o Comitê Consultivo Internacional do Algodão (ICAC) reduziu sua projeção para os estoques finais globais para 20,42 milhões de toneladas, mas avaliou que o montante ainda é elevado. Na Bahia, o preço médio da arroba ficou em R$ 73,91, segundo a Associação dos Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba).

Soja: Efeito do clima: As cotações da soja perderam terreno nesta quinta-feira na bolsa de Chicago diante da proximidade da colheita nos Estados Unidos e da previsão de chuvas para algumas partes das áreas produtoras do país. Os contratos para novembro caíram 4,5 centavos, a US$ 8,695 o bushel. A empresa de meteorologia DTN prevê altas temperaturas e poucas chuvas no Meio-Oeste que devem favorecer as lavouras em maturação nos próximos quatro a cinco dias, embora mantendo o estresse hídrico em lavouras em fase final de enchimento. Além disso, as vendas americanas da oleaginosa deram sinais de aquecimento, embora o contexto geral ainda seja de comercialização lenta nesta safra de 2015/16. O indicador Cepea/Esalq para o grão no Paraná subiu 0,80%, para R$ 74,15.

Trigo: Vendas em baixa: Novos sinais de baixa competitividade do trigo americano derrubaram os preços do cereal nas bolsas dos EUA ontem. Em Chicago, os papéis com vencimento em dezembro caíram 13,75 centavos, a US$ 4,6525 o bushel. Em Kansas, os lotes com igual prazo de entrega caíram 7 centavos, a US$ 4,6775 o bushel. O Egito, maior importador mundial de trigo, comprou 170 mil toneladas do cereal da Rússia. Na semana encerrada dia 27 de agosto, o volume de trigo que os exportadores americanos negociaram ficou 48% menor do que na semana anterior e 47% inferior à quantidade da mesma semana do ano passado, segundo o USDA. No mercado interno, o preço médio apurado pelo Cepea/Esalq no Rio Grande do Sul apresentou queda de 0,24%, para R$ 584,16 a tonelada. (Valor Econômico 04/09/2015)