Setor sucroenergético

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Programa de armazenamento de etanol frustra usinas

O programa de apoio ao setor sucroalcooleiro foi comemorado no período de divulgação do Plano Agrícola e Pecuário da safra 2015/16.

Ele prometia R$ 2 bilhões para armazenamento de etanol, não impunha limite para a tomada dos recursos e estipulava TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo) mais 2,5%.

Exatos três meses depois, o setor viu que as coisas não são bem assim. O volume financeiro permanece em R$ 2 bilhões, mas há um limite máximo por tomador de R$ 500 milhões -ou até 20% da receita operacional bruta. O mínimo é de R$ 10 milhões.

O problema está no pacote financeiro. Diante das restrições da política econômica, o BNDES não tem como bancar volume como esse.

A solução foi manter o volume financeiro, mas alterar substancialmente as taxas de financiamento.

A empresa que tomar o recurso pagará 25% do valor em TJLP, mas os outros 75% serão a juros de mercado.

Nesse pacote é preciso incluir, ainda, os custos financeiros do BNDES de 1,775% ao ano e os dos agentes financeiros.

"O setor ficou frustrado", diz Antonio Padua Rodrigues, diretor da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar).

A expectativa era boa após a divulgação do programa no plano agrícola e se esperavam condições mais favoráveis, diz o diretor da Unica.

Dentro do novo cenário de custos, essa política pública não vai trazer o efeito que poderia ter sobre o armazenamento de etanol, diz Padua.

O etanol a ser armazenado é para a utilização na entressafra, que começa a partir de dezembro e se intensifica nos primeiros meses do ano.

Nas novas condições do BNDES, o custo do dinheiro vai ser de 105% do CDI (Certificado de Depósito Interbancário), afirma Pádua.

A taxa não tem nenhuma atratividade para as usinas. Muitas, aliás, têm fôlego para negociar condições até melhores do que essa e vão buscar alternativas fora da burocracia do BNDES.

Outras, no entanto, podem não ter as garantias exigidas pelo mercado financeiro, diante da crise que o setor tem vivido nos últimos anos.

Com taxa de 25% baseada na TJLP e o restante na do mercado, o custo médio do dinheiro será de 14% a 15%.

Essa taxa faz as usinas avaliarem o risco de tomar empréstimo e de carregar os estoques de etanol até a entressafra.

SAFRA LONGA

O problema é que essa será uma safra longa e a próxima vai começar mais cedo. Ou seja, como estarão os preços na próxima entressafra?

As empresas dificilmente vão correr o risco de segurar estoques com essa taxa de juros, afirma Pádua.

Diante das dificuldades de armazenamento, uma das opções para as empresas é vender agora a produção.

A demanda está aquecida, e os preços são favoráveis aos consumidores. O problema, diz Pádua, é que as empresas operam no prejuízo.

O litro do etanol a R$ 1,20 nas usinas gera uma receita de R$ 96 por tonelada de cana. As empresas necessitam de R$ 120 por tonelada.

Preços a R$ 1,40 por litro gerariam receitas de R$ 112 por tonelada, facilitando a vida das usinas e ainda mantendo uma paridade do etanol, em relação à gasolina, inferior a 70%.

Acima desse percentual, a utilização da gasolina é mais favorável para o consumidor.

A queima da produção de etanol em ritmo acelerado como vem ocorrendo -cerca de 1,5 bilhão de litros por mês- e a dificuldade de estocagem pelas usinas farão com que o ajuste de preços da próxima entressafra seja em condições mais abruptas, de acordo com Pádua. (Folha de São Paulo 05/09/2015)

 

Açúcar: Leve alta em Londres

O açúcar refinado registrou ganhos bastante modestos na bolsa de Londres ontem, onde as atenções do mercado agrícola se concentraram em função do feriado do Dia do Trabalho nos EUA.

Os lotes para dezembro fecharam em alta de 0,02%, a US$ 352,10 por tonelada.

As cotações estão fortalecidas diante da previsão de chuvas ao longo desta semana para o Centro-Sul do Brasil, que deve atrasar os trabalhos de colheita e moagem.

Além disso, a Organização Internacional do Açúcar (ISO, na sigla em inglês) prevê que, pela primeira vez em cinco anos, a demanda irá superar a oferta na safra 2015/16, tendo em vista que a produção global deve recuar.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 50 quilos do açúcar cristal ficou em R$ 48,41 na sexta-feira, em elevação de 0,64%. (Valor Econômico 08/09/2015)

 

Aumentar a Cide poderia ajudar

É preciso saudar a renovada disposição da presidente Dilma Rousseff de assumir o protagonismo que cabe ao Poder Executivo sem o qual, num regime de presidencialismo imperial como o nosso, a tendência da governabilidade é dissolver-se no ar. Ela tem dado demonstrações de que introjetou a situação fiscal extremamente delicada em que se encontra a economia brasileira. Os seus movimentos, entretanto, não indicam um objetivo estratégico bem definido, conscientemente apoiado em movimentos táticos adequados. Por exemplo, o envio ao Congresso de um projeto orçamentário para 2016 com um déficit primário de R$ 30,5 bilhões, ao lado de revelar um primarismo político assustador, nega a disposição de um olhar de longo prazo para enfrentar o gravíssimo problema do déficit "estrutural" em que estamos metidos. A reação de estupefação da sociedade foi tal, que obrigou a presidente a declarar que "não fugiria à responsabilidade de propor a solução do problema", o que salvou o fim do dia, mas não sem antes ter provocado um aumento da volatilidade em todos os mercados.

O problema é que há dúvidas sobre o "realismo" dos parâmetros usados no orçamento para 2016 (tanto na receita como na despesa) e há uma probabilidade de que o ano termine com um déficit primário muito maior do que o anunciado, tanto no governo federal quanto nos regionais, os quais, aliás, também estão sofrendo com a recessão e estão à procura de aumento das alíquotas de seus próprios impostos ou, em último caso, de multas de trânsito... E pior: há clara indicação de que os gastos federais vão crescer, em termos reais, em 2016 com relação a 2015!

Não será surpresa para ninguém se essa combinação entregar, em dezembro de 2016, uma relação dívida bruta/PIB superior a 70% do PIB, com todas as suas trágicas implicações. É legítimo especular: o projeto original do governo (estabilizar a relação dívida bruta/PIB) é ainda prioridade, ou estamos voltamos a namorar com a ideia de que o que nos falta é demanda efetiva?

Alta a R$ 0,60/litro traria R$ 15 bi em receitas federais

É hora de deixar de "empurrar com a barriga" e terminar o "disse que me disse" dentro do Executivo e entre ele e o Legislativo. Quem deve preparar o Orçamento e tem condições de vetar os eventuais aumentos de despesas permanentes sem a criação da receita bem definida e permanente, produzidas pelo Legislativo, é o Executivo. E a justificativa é a sua evidente inconstitucionalidade. A presidente já declarou que apresentará uma solução razoável para o problema. A "solução razoável" sustentável no longo prazo fugirá, certamente, dos dois extremos: 1) o cômodo aumento da receita ­ que aumentaria ainda mais a recessão, transformando-a numa estagnação permanente ­ e prepararia um novo desequilíbrio; 2) um insensato corte das despesas que, pela falta de credibilidade do governo, aprofundaria a recessão e seria rejeitado preliminarmente nas urnas de 2016 e, definitivamente, em 2018, porque se revelaria uma não-solução, ou 3) por uma combinação adequada de um aumento condicionado de receita por prazo limitado para dar tempo a uma redução inteligente das despesas, ao mesmo tempo em que melhorará a eficiência na prestação dos serviços públicos. Hoje parece difícil acreditar, mas foi esse o programa que Dilma anunciou no primeiro dia, do seu primeiro mandato: "fazer mais com menos" e que abandonou depois de 2011.

A presidente tem razão quando diz que "não gosta da CPMF, porque ela tem inconvenientes" (veja­se o artigo da competente especialista Maria Helena Zockun, "A Regressividade da CPMF", in Informações Fipe, dezembro de 2007). É, entretanto, difícil de entender porque ainda não se aumentou a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) que tem fantásticas externalidades positivas (redutor de emissão de CO2 eq; gerador de energia renovável; redutor de importação de gasolina e ainda capaz de ampliar os investimentos e o emprego). Ela foi, lamentavelmente, anulada pela política míope de controlar os preços da gasolina e ajudou a destruir a Petrobras e todo o setor sucroenergético. O aumento tem sido discutido pela dinâmica ministra da Agricultura, Katia Abreu. Trata-se de um inteligente imposto ambiental sobre a gasolina, que tem a vantagem de corrigir na direção correta o consumo de combustível fóssil, uma das causas do aquecimento global.

O governo precisa tomar conhecimento do sofisticado e competente estudo preparado pela União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica) sobre o assunto. Uma objeção possível à sugestão de elevar a Cide de R$ 0,10 para R$ 0,60 por litro de gasolina, que produziria um aumento da receita federal de aproximadamente R$ 15 bilhões (metade do que faltou para fechar o Orçamento) e de R$ 5 bilhões de ICMS, seria um aumento menor do que 0,9% na primeira casa decimal do IPCA. É, certamente, um inconveniente menor neste ano de generalizada correção dos preços que foram controlados diante do tremendo estímulo à solução dos problemas do setor, causados, exatamente, por aquele controle e que se esgotaria em 2015. Antonio Delfim Netto é professor emérito da FEA­USP, ex-ministro da Fazenda, Agricultura e Planejamento. (Valor Econômico 08/09/2015)

 

Setor de etanol se reunirá com líderes do governo para discutir aumento da Cide

A cadeia produtiva de açúcar e álcool tem agendada para os próximos dias 9 e 10 uma reunião com as principais pastas do governo para discutir a elevação da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide). De acordo com cálculos do setor sucroenergético, o aumento do tributo pode gerar até R$ 16 bilhões em receita para o governo.

O aumento representaria uma atualização monetária do valor original do tributo, de R$ 0,28 por litro, quando foi criado, em 2002. Mais do que isso, o reajuste ajudaria o governo a impulsionar as receitas para evitar o déficit de R$ 30,5 bilhões no Orçamento de 2016.

Fontes ouvidas pelo Broadcast, serviço de informações em tempo real da Agência Estado, relataram que há dois cenários em estudo. No primeiro, é considerado um aumento parcial do tributo, para algo próximo de R$ 0,40 por litro. Nessa perspectiva, o litro do derivado de petróleo iria para R$ 3,49 (11,5% superior ante os R$ 3,13 vigentes), acarretando em quase R$ 10 bilhões para o governo. No segundo caso, leva-se em conta a recomposição integral da alíquota, de R$ 0,22 para R$ 0,62, que colocaria a gasolina em R$ 3,72 (+19%) e resultaria nos R$ 16 bilhões projetados.

A Cide havia sido zerada em 2012, mas voltou a incidir sobre a gasolina em fevereiro deste ano, o que animou o setor sucroenergético. Com o tributo, o etanol retomou parte da competitividade perdida para o combustível fóssil, e suas vendas dispararam. Em julho, por exemplo, o consumo de hidratado, utilizado diretamente no tanque dos veículos, bateu o recorde histórico de 1,55 bilhão de litros, segundo a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).

Reunião

O setor sucroenergético já agendou uma reunião com o governo para discutir a recomposição integral da Cide na gasolina. De acordo com uma liderança do segmento, será nos próximos dias 9 e 10, em Brasília (DF), com a presença de representantes de representantes da Casa Civil e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), além de entidades da cadeia produtiva de álcool.

A movimentação em Brasília é liderada pelo deputado Sérgio Souza (PMDB-PR), presidente da Frente Parlamentar pela Valorização do Setor Sucroenergético. De acordo com a fonte, a ideia para a semana que vem é mostrar que o imposto maior sobre a gasolina melhoraria a demanda por etanol, combustível menos poluente do que o derivado do petróleo. Assim, o setor procurará focar nos benefícios ambientais do álcool, de olho, inclusive, nas metas a serem apresentadas pelo Brasil na Conferência das Nações Unidas para Mudanças Climáticas (COP-21), em Paris, no fim do ano.

A fonte disse acreditar, porém, que a Cide deverá encontrar dificuldades para ser recomposta no curto prazo, devido ao impacto que teria sobre a inflação já elevada. Até julho, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulava alta de 9,56% em 12 meses, bem acima do teto da meta do Banco Central, de 4,5%. (Agência Estado 05/09/2015)

 

Ministra diz 'trabalhar duro' para elevação da Cide sobre os combustíveis

A ministra da Agricultura, Kátia Abreu, disse nesta sexta-feira, 4, que está "trabalhando duro" para que ocorra a elevação da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) sobre os combustíveis, atendendo a uma reivindicação do setor sucroalcooleiro. Segundo ela, a medida representaria um "salto importante" com diferentes efeitos positivos.

Em primeiro lugar, de acordo com Kátia Abreu, um aumento da Cide dos atuais R$ 0,22 centavos por litro para algo em torno de R$ 0 60 representaria uma arrecadação extra para a União, entre R$ 12 bilhões e R$ 15 bilhões. Ela acrescentou que, se o tributo subir para R$ 0,40, a arrecadação extra será menor, mas também expressiva. "E o setor de açúcar e álcool vai ser fortalecido", disse em visita à Expointer, no Rio Grande do Sul, lembrando que o etanol se tornaria mais competitivo frente à gasolina, o que recuperaria a rentabilidade do setor, ajudando tanto o caixa dos usineiros quanto o do governo.

A declaração coincide com o que foi apurado pelo Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, com fontes do setor. A informação é de que de fato há dois cenários em estudo. No primeiro, é considerado um aumento parcial do tributo para algo próximo de R$ 0,40 por litro. Nessa perspectiva, o litro do derivado de petróleo iria para R$ 3,49, acarretando em arrecadação de quase R$ 10 bilhões para o governo. No segundo caso, leva-se em conta a recomposição integral da alíquota, de R$ 0,22 para R$ 0,62, que aumentaria o preço da gasolina a R$ 3 72 e poderia resultar em até R$ 16 bilhões de arrecadação projetados pelo setor.

Na entrevista na Expointer, a ministra acrescentou que a elevação da Cide geraria "um pouco de inflação", mas amenizou o fato, dizendo que o impacto seria de menos de 1 ponto porcentual. "Se nós subirmos para R$ 0,60, dá 0,83 ponto porcentual de inflação", explicou.

A ministra afirmou que o governo está analisando esses fatores para decidir sobre um possível aumento. "Eu não sei o que o governo deverá fazer. A proposta do Ministério da Agricultura é apoiar a reivindicação do setor. Acho plausível, mas isso envolve coisas muito mais complexas", disse a ministra. "Nós temos que esperar o ministro da Fazenda, que deve dar a penúltima palavra, e a presidenta da República, que deve dar a última palavra sobre o assunto", falou. (Agência Estado 04/09/2015)

 

Arnaldo Corrêa: cenário construtivo adiante

Resumo da ópera: em 2020/2021 vamos precisar de 170 milhões de toneladas de cana adicionais ao que produzimos hoje. Isto é, mesmo usando a capacidade ociosa que o atual parque industrial possui, precisamos no mínimo construir 30 usinas com capacidade de moagem de 5 milhões de toneladas de cana

O mercado futuro de açúcar em NY teve uma excelente semana com os preços subindo em média seis dólares por tonelada para os dois vencimentos remanescentes da safra 2015/2016 e 4,50 e 3,80 dólares por tonelada respectivamente para as duas safras seguintes. Mais importante do que a subida de preço do açúcar em NY é que os valores atingiram quase 1.000 reais por tonelada (NY a 11.27 centavos de dólar por libra-peso e o real a 3.8480). Isso não ocorria havia três anos, mais precisamente em 9/10/2012 quando NY e dólar estavam em 21.47 e 2.0364, respectivamente.

A curva ascendente do dólar, seguindo a correnteza da desgastada situação política do Brasil, propicia às usinas excelente fixação de preços tanto para a safra 2016/2017 quanto para a safra seguinte. É hora de aproveitar as oportunidades. Acredito que a melhor estratégia do momento seja a de travar o câmbio ao longo da curva (via NDF) e comprar uma put de açúcar num preço de exercício compatível ao valor orçado pela usina ou ao custo de produção mais encargos financeiros. Se NY subir, abandona-se a put comprada e a empresa pode acompanhar um eventual fluxo de alta que o mercado tiver. Os dólares travados, no entanto, estão limitados ao valor nocional do preço de exercício da put e precisam ser ajustados.

Nos fundamentos, China e Tailândia com safra menor que o esperado e o Centro-Sul com as fixações praticamente terminadas para outubro/2015, contribuíram para o estreitamento do spread outubro 2015/março 2016 para 94 pontos (esse mesmo que negociou a 160 pontos). Os fundos reduziram a posição vendida para apenas 60.000 lotes. A redução de quase 30.000 lotes (de terça a terça) com o mercado reagindo apenas 70 pontos dá uma ideia da magnitude de fixação que estava aguardando melhores preços e serviram de contraponto à recompra dos fundos. Pode ser que o mercado interprete esse pequeno movimento no preço vis-à-vis a enorme redução na posição dos fundos como baixista.

É muito difícil analisar o mercado no curtíssimo prazo, uma vez que fatores exógenos entram na equação e podem distorcer a realidade. No longo prazo, no entanto, quando podemos traçar cenários realistas e elaborar sobre os efeitos que eles terão na oferta e demanda e, por conseguinte, nos preços, tem-se mais segurança na tomada de decisão. E é parte desse cenário que se delineia que gostaria de dividir com vocês.

O crescimento no consumo de combustíveis no Brasil nos últimos dez anos tem ocorrido de maneira robusta. A taxa composta anual de crescimento é de 7.8%, ou seja, o consumo de combustíveis no país dobra a cada 9 anos. Existe uma correlação com o crescimento do PIB, que em verdade potencializa o crescimento do consumo, mas não é 100% dependente dele. Não é porque a previsão de queda do PIB é de 2.3% esse ano que o consumo vai cair também. Em verdade, a queda do PIB afeta a venda de automóveis, evidentemente vamos vender menos, mas vamos continuar crescendo em termos de frota. E cada novo veículo nas ruas é um ser energívoro que consume perto de 1.400 litros de combustível por ano.

A frota de veículos leves vai continuar crescendo. Em menor intensidade, mas crescendo. Em cinco anos, o mercado de combustível vai passar dos atuais 58.9 bilhões de litros (segundo o último dado publicado pela ANP) para 76.2 bilhões de litros em 2020/2021. Ou seja, se esse aumento de consumo tiver que ser suprido na mesma proporção de hoje, seria necessário um acréscimo na produção de cana para a safra 2020/2021 de nada menos que 110 milhões de toneladas de cana.

Além disso, o mercado de açúcar, tanto internamente quanto lá fora, também cresce. Ainda que sejamos extremamente conservadores no crescimento do consumo mundial, que a maioria das tradings coloca como 2.1% ao ano, mas que a Archer estabeleceu em 1.76% ao ano, necessitaríamos de adicionais 60 milhões de toneladas de cana, sem ganhar um centésimo da fatia de mercado que o Brasil hoje detém.

Resumo da ópera: em 2020/2021 vamos precisar de 170 milhões de toneladas de cana adicionais ao que produzimos hoje. Isto é, mesmo usando a capacidade ociosa que o atual parque industrial possui, precisamos no mínimo construir 30 usinas com capacidade de moagem de 5 milhões de toneladas de cana. Vai ser difícil convencer investidores a colocarem seu dinheiro num empreendimento dessa magnitude e com a falta de transparência que esse governo inábil trata o assunto energia no pais.

Ah, dirão alguns, a Europa vem com tudo em 2017 inundando o mercado internacional com açúcar. O fato é que nós não temos hoje nenhum vislumbre de que o Brasil vai conseguir alcançar essa produção necessária para atender apenas às condições normais de mercado.

A solução dessa equação terá que vir basicamente da combinação de alguns desses fatores: a) redução da demanda por combustível via preço; b) importação de mais gasolina; c) importação de etanol de milho. Tivéssemos um governo com um mínimo de competência e desenvoltura para fazer simples sinapses, já seria metade do caminho para a solução. No entanto, temos uma presidente disléxica que não consegue pensar e falar ao mesmo tempo sem provocar vergonha alheia para quem assiste aos seus discursos desconexos e não faça parte da plateia amestrada. Bastaria introduzir uma política de transparência na formação de preços dos combustíveis que permitisse ao mercado se antecipar e se proteger, da mesma forma como o setor tem habilidade de sobra para pensar em travar o preço de açúcar para as próximas duas safras. Apesar dessas agruras, o cenário adiante é demasiadamente construtivo para o preço do açúcar em NY.

Marcos Masagão, analista da Future Analysis Consultoria (www.futureanalysis.com.br) faz um interessante trabalho cobrindo vários ativos financeiros e commodities, entre elas o açúcar. Marcos informa que o preço médio das posições vendidas por parte dos fundos contra o vencimento outubro/2015 está em 14.09 centavos de dólar por libra-peso, ou seja, seria aproximadamente perto desse nível que os fundos começariam a agir, isto é, recomprariam suas posições vendidas. Estamos muito longe disso ainda. No entanto, segundo o analista, o grande ponto de resistência por parte dos fundos é no nível de 11.63 centavos de dólar por libra-peso, que o mercado testou nesta sexta-feira e não conseguiu ultrapassar. Esperam-se dias de perder o fôlego daqui até a expiração do contrato futuro de açúcar de outubro, dia 30 de setembro. Interessante que, baseado no fechamento da sexta-feira, de 11.27 centavos de dólar por libra-peso e considerando que os fundos estão vendidos a descoberto uns 60.000 lotes, se o ponto médio de venda deles foi 14.09 centavos de dólar por libra-peso, existe aí um lucro ainda não realizado de quase 200 milhões de dólares.

 

RP: Região é a única com avanço na geração de empregos no setor canavieiro

12.148 vagas foram geradas pelo setor no 1º semestre deste ano, somando 25 municípios.

Enquanto o setor sucroalcooleiro perdeu 2,8 mil postos de trabalho formais no primeiro semestre deste ano em todo o estado de São Paulo, com redução de 7% no saldo de vagas em relação ao mesmo período de 2014, a Região Administrativa de Ribeirão Preto foi a única que manteve o ritmo de contratações e ainda superou o desempenho do ano anterior.

Além de vocação, a região tem tradição no setor sucroalcooleiro, o que proporciona um processo de profissionalização muito grande. Mesmo com a mecanização, que reduz a demanda por trabalhadores no corte da cana, a demanda se mantém porque a região está à frente nesse processo”, explica Alberto Borges Matias, professor da FEA-RP/USP.

O diretor do Sindicato dos Empregados Rurais de Ribeirão e Região, Silvio Palviqueres, confirma que boa parte da mão de obra do corte tem sido absorvida em outros processos, como operação de máquinas e transportes. “Ainda existem algumas áreas sem mecanização, mas muito pouco. O que vemos é um aumento de contratações para a execução de outros processos mesmo.”

Recuperação

m um saldo de 8,4 mil empregos gerados no setor sucroalcooleiro no primeiro semestre, a região ampliou em 18% o quadro de trabalhadores em relação ao mesmo período de 2014, o melhor desempenho entre as 15 pesquisadas no Estado.

O especialista em agronegócio José Carlos de Lima Junior, professor de pós-graduação da USP, explica que o setor está melhor neste ano. “As condições climáticas melhoraram, com mais chuvas, e a competitividade do etanol no mercado interno também. Isso aumentou a demanda de produção e de profissionais no campo e na indústria”, diz.

Mas, ainda segundo ele, isso não significa que o setor está em plena recuperação, pois a base de comparação é fraca. “No ano passado, o cenário estava ainda mais complicado. Agora, o que houve foi uma estabilidade, não que o setor tenha se recuperado.” 

Análise: Setor ainda passa por crise

O primeiro semestre no setor sucroalcooleiro é o período com maior número de admissões de trabalhadores envolvidos nas mais diferentes etapas da cadeia produtiva. Assim, o primeiro semestre de 2015, mesmo com alta demanda de mão de obra, teve desempenho inferior ao ano anterior. Reflexos da crise instaurada no setor, que vem diminuindo suas contratações ano a ano, seja por conta de inovações tecnológicas introduzidas no sistema produtivo, como é o caso da colheita mecanizada que tem substituído o corte manual e eliminando a figura do cortador de cana-de-açúcar do setor, seja pelo fechamento de usinas processadoras de cana-de-açúcar e também dos fornecedores que deixaram a atividade. (A Cidade 05/09/2015)

 

Produção de máquinas agrícolas cai 37,9% em agosto

Produção acumula baixa de 29,1% em 2015 até agosto. Já as vendas acumulam recuo de 28,3% nos oito primeiros meses.

A produção total de máquinas agrícolas e rodoviárias no Brasil atingiu 5.006 unidades em agosto, o equivalente a queda de 2,3% na comparação com julho e a recuo de 37,9% ante o mesmo mês do ano passado, divulgou nesta sexta-feira (4), a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Com o resultado, a produção acumula baixa de 29,1% em 2015 até agosto ante o mesmo período de 2014.

Já as vendas internas de máquinas agrícolas e rodoviárias no atacado totalizaram 4.237 unidades em agosto deste ano, alta de 5,7% na comparação com julho, mas retração de 34,8% frente o mesmo mês do ano passado. Com o resultado, as vendas de máquinas agrícolas acumulam recuo de 28,3% nos oito primeiros meses de 2015 na comparação com igual período de 2014.

As exportações de máquinas agrícolas em valores, por sua vez, totalizaram US$ 137,418 milhões em agosto, alta de 13,6% na comparação com julho, porém queda de 34,7% ante igual mês do ano passado. Com o montante, as vendas externas de máquinas agrícolas recuam 40,5% neste ano até agosto em relação ao mesmo período de 2014.

Em agosto, foram exportadas 719 máquinas agrícolas e rodoviárias, recuo de 14,7% na variação mensal e baixa de 45,9% na comparação anual. No ano até agosto, o total de máquinas exportadas acumula queda de 24,9% em relação ao mesmo período do ano passado. (Agência Estado 04/09/2015)

 

MS amarga queda de 15,47% na receita com exportações em 2015

Dos quatro principais produtos exportados, três faturaram menos. Açúcar foi o único que registrou aumento de receita e volume.

Mato Grosso do Sul amarga uma queda de 15,47% na receita com exportações no acumulado entre janeiro e agosto de 2015 frente ao mesmo período de 2014. O faturamento retrocedeu de US$ 3,846 bilhões para US$ 3,251 bilhões, o que representou uma redução de US$ 594,761 milhões, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic).

Dos quatro produtos que lideram o ranking de receita com exportações do estado, sendo responsáveis por 69,76% do faturamento total com essas operações nestes oito meses deste ano, três registraram queda no resultado financeiro ante o desempenho no mesmo intervalo de tempo do ano passado.

A soja, que lidera a listagem, teve queda de receita, no acumulado do segundo quadrimestre de 2015 na comparação com o de 2014, de 3,05%. O faturamento caiu de US$ 1,202 bilhão para US$ 1,165 bilhão, apesar do volume embarcado neste ano ter crescido 27,14%, subindo, na comparação da parcial dos dois anos, de 2,376 milhões de toneladas para 3,021 milhões de toneladas.

Já a celulose, segundo produto do ranking, contabilizou uma queda de faturamento de 9,25 %, com o resultado financeiro retrocedendo de US$ 718,096 milhões para US$ 651,707 milhões. Em quantidade, a diminuição foi de 1,71%, de 1,547 milhão de toneladas para 1,521 milhão de toneladas.

Em terceiro no ranking vem as carnes desossadas e congeladas de bovinos. O produto registrou uma redução de 43,14% na receita na contraposição dos dados de janeiro a agosto de 2015 com os de 2014, passando de US$ 410,969 milhões para US$ 233,717 milhões. Em volume a retração também foi expressiva, 43,14%, de 92,881 mil toneladas para 56,735 mil toneladas.

O açúcar, que fecha a relação dos quatro principais itens exportados por Mato Grosso do Sul, é o único da lista que apresentou crescimento tanto em receita quanto em volume embarcados. Em faturamento o incremento foi de 2,30%, subindo de US$ 212,707 milhões para US$ 217,600 milhões e em quantidade de 21,89%, de 539,478 mil toneladas para 657,598 mil toneladas. (G1 07/09/2015)

 

Projeto Sugarcane Bioenergy promoveu mais de 650 encontros de negócios

O Projeto Brazil Sugarcane Bioenergy Solution, parceria entre o Arranjo Produtivo Local do Álcool (Apla) e Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) trouxe 14 delegações internacionais para o espaço de negócios da 23ª Feira Internacional de Tecnologia Sucroenergética (Fenasucro), na semana passada, em Sertãozinho/SP.

As rodadas de negócios durante o evento contaram com a participação de 61 empresas brasileiras e 30 convidados internacionais. Durante o evento, foram registrados mais de US$ 288 milhões em expectativas de negócios que podem ser efetivados em até 12 meses.

O diretor executivo do Apla, Flavio Castelar ressaltou que em apenas quatro dias foram gerados 691 encontros de negócios para promoção de toda a cadeia produtiva da cana-de-açúcar brasileira. "Nesta oportunidade, atraímos clientes em potencial vindos da África do Sul, Argentina, Bolívia, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Equador, Honduras, México, Nicarágua, Paraguai, Peru, Sudão e Venezuela, o que mostra o interesse global nos produtos, soluções, tecnologias e serviços ofertados pelo mercado brasileiro", avaliou.

Pela primeira vez no evento, Glória Slava Laiza, superintendente do Engenho Casa Grande, do Grupo Glória do Peru, participou das rodadas de negócios em busca de novas tecnologias na área de produção de açúcar, etanol e energia. "Temos uma planta nova para usina de açúcar e etanol que será inaugurada em 2016 e como já conhecemos a tecnologia brasileira, pensamos em continuar adquirindo equipamentos e produtos do Brasil", disse.

O gestor da Apex-Brasil, Marcio Almeida, acompanhou o evento e destacou o importante papel desenvolvido através do projeto. "O Programa Comprador é o que mais dá retorno e condições de mostrar nossos produtos e equipamentos.Quando conseguimos trazer compradores qualificados, é quase certeza de negócios", destacou. Uma das funções da Apex-Brasil é apoiar tecnicamente as empresas e ajudá-las a entender e posicionar seus produtos no mercado internacional.

Mais do que vendas imediatas, o Projeto Brazil Sugarcane Bioenergy Solution tem a finalidade de aumentar os destinos da exportação brasileira, construir mercado externo e ampliar o relacionamento com potenciais clientes. "O processo de compra de nossos produtos e serviços é um processo de médio prazo, neste primeiro momento a intenção é mostrar nossa tecnologia, inovação e eficiência em produção e processamento da cana-de-açúcar", declarou Castelar.

Na ação comercial do Projeto Brazil Sugarcane, os compradores estrangeiros fizeram visitas técnicas na região de Ribeirão Preto. Os visitantes internacionais conheceram as instalações da Usina Viralcool e do Instituto Agronômico Campinas (IAC) onde acompanharam palestra proferida pelo diretor do instituto, Marcos Landell, e também visitaram os campos de pesquisa em cana-de-açúcar da unidade. (Brasil Agro 08/09/2015)

 

Governo cogita subir imposto por decreto

Sem CPMF, equipe econômica estuda aumento de tributos que não dependem do Congresso, como Cide, IPI e IOF, para cobrir rombo.

Diante da dificuldade de fechar as contas de 2016 sem a recriação da CPMF, a área econômica do governo já admite a possibilidade de recorrer à elevação das alíquotas de tributos que não precisam de aprovação do Congresso para tentar reduzir o rombo no Orçamento da União. Estão nessa lista a Cide, incidente sobre combustíveis; o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI); e o sobre Operações Financeiras (IOF).

Esses tributos dependem apenas da “caneta” do Executivo e são usados como instrumento regulatório de política econômica para enfrentar determinadas situações conjunturais da economia. Nenhum aumento precisaria de aprovação de deputados e senadores – basta um decreto presidencial para a entrada em vigor.

Há consenso no governo sobre a necessidade de elevação da carga tributária. Caberá à presidente Dilma Rousseff decidir sobre o tributo com menor efeito colateral na economia ou um “mix” de alta das alíquotas de todos eles.

Os estudos mais avançados no Ministério da Fazenda são o que envolvem a alta da Cide-Combustíveis, segundo fontes. Um aumento dos atuais R$ 0,22 por litro para algo em torno de R$ 0,60 representaria uma arrecadação extra para a União de cerca de R$ 12 bilhões. O aumento menor para R$ 0,40 é outra opção em estudo. A dificuldade para a Fazenda é calibrar a alíquota sem fazer um estrago gigantesco na inflação.

Uma fonte da equipe econômica reconheceu ao Broadcast, da Agência Estado, que nenhum dos tributos que podem ser elevados pela presidente tem capacidade de garantir sozinho uma arrecadação em torno de R$ 64 bilhões. Esse é o tamanho do rombo que o governo precisa cobrir no Orçamento de 2016 para fechar as contas com superávit de R$ 34,4 bilhões e, somando-se ao resultado previsto de Estados e municípios de R$ 9,4 bilhões, fechar o ano dentro da meta de 0,7% do PIB.

A defesa do cumprimento da meta de 0,7% foi assumida pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e pelo presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, nas reuniões internas do G-20, na Turquia. Um recuo nesse compromisso comprometerá de vez a permanência de Levy no cargo. O governo tem um mês para enviar ao Congresso um adendo à proposta de Orçamento.

IR

Ainda assim, o governo dependerá de mudanças que terão de ser feitas pelo Congresso para fechar as contas. Uma das propostas em estudo é a criação de uma alíquota mais alta do Imposto de Renda da Pessoa Física para os mais ricos. Hoje, o índice máximo é de 27,5%. Cálculos indicam que uma nova faixa de cobrança, em 35% dos rendimentos, traria mais R$ 7 bilhões à União. Também se estudam a tributação de lucros e dividendos recebidos de empresas e o fim do benefício de Juros de Capital Próprio para grandes empresas.

O espaço de cortes de despesas no curto prazo permanece muito restrito. Nas despesas discricionárias (não obrigatórias), o máximo que poderá ser cortado é de cerca de R$ 2 bilhões, mesmo assim com grande prejuízo para a administração da máquina e dos programas de governo. A previsão de R$ 250,4 bilhões de despesas discricionárias incluída no Orçamento de 2016 é em nível semelhante ao que foi pago em 2012. (O Estado de São Paulo 08/09/2015)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Leve alta em Londres: O açúcar refinado registrou ganhos bastante modestos na bolsa de Londres ontem, onde as atenções do mercado agrícola se concentraram em função do feriado do Dia do Trabalho nos EUA. Os lotes para dezembro fecharam em alta de 0,02%, a US$ 352,10 por tonelada. As cotações estão fortalecidas diante da previsão de chuvas ao longo desta semana para o Centro-Sul do Brasil, que deve atrasar os trabalhos de colheita e moagem. Além disso, a Organização Internacional do Açúcar (ISO, na sigla em inglês) prevê que, pela primeira vez em cinco anos, a demanda irá superar a oferta na safra 2015/16, tendo em vista que a produção global deve recuar. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 50 quilos do açúcar cristal ficou em R$ 48,41 na sexta-feira, em elevação de 0,64%.

Cacau: Clima preocupa: Tensões climáticas continuam a rondar o mercado do cacau. Os contratos da amêndoa para dezembro encerraram ontem em alta de 0,69% em Londres, a 2.171 libras por tonelada. O tempo quente e seco nos últimos dois meses na Costa do Marfim e em Gana, dois dos maiores produtores globais, tem levantado preocupações com o potencial produtivo da próxima safra. Na Nigéria, fortes chuvas estão desacelerando a colheita e deixando as amêndoas úmidas, o que tende a baixar a qualidade do produto. Já no Brasil, previsões indicam tempo seco sobre as regiões produtoras esta semana, o que deve favorecer a colheita da safra intermediária. Em Ilhéus e Itabuna (BA), o valor médio da arroba ficou em R$ 130 na sexta-feira, conforme a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Café: Mais uma queda: Os preços do café robusta caíram ontem em Londres, apesar das preocupações com a oferta do produto ao redor do mundo. Os contratos para novembro fecharam em queda de 1,12%, cotados a US$ 1.581 por tonelada. Importantes produtores da robusta temem os efeitos do fenômeno climático El Niño sobre as lavouras, a exemplo de Uganda, maior exportador do grão da África. Essa hipótese alimenta as preocupações sobre um possível aperto nas reservas mundiais da commodity, tendo em vista que agricultores do Vietnã, maiores produtores desse tipo de café no mundo, continuam a segurar a venda do produto devido aos baixos preços. No mercado doméstico, a saca de 60,5 quilos do café de boa qualidade oscilou entre R$ 470 e R$ 490 na sexta-feira, segundo o Escritório Carvalhaes.

Milho: Fim da safrinha: A colheita da segunda safra (safrinha) de milho chegou ao fim em Mato Grosso, maior Estado produtor do grão no país, indicou levantamento divulgado na sexta-feira pelo Instituto mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). De acordo com a entidade, a produtividade média das lavouras ficou em 106,89 sacas por hectare, 16,7% acima das 91,6 sacas da temporada anterior. Com isso, a produção da safrinha no Estado deve totalizar em torno de 21 milhões de toneladas. A saca de 60 quilos de milho em Mato Grosso variou de R$ 15 e R$ 20 na sexta-feira. O valor mais baixo foi registrado no município de Tangará da Serra, e o mais alto, em Rondonópolis. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa ficou em R$ 29,55 por saca na sexta-feira, alta de 1,2%. (Valor Econômico 08/09/2015)