Setor sucroenergético

Notícias

Cide, se vier, pode sustentar preço do açúcar

A notícia de que o governo poderá mexer com a Cide (o imposto sobre os combustíveis), elevando a taxa, segura um pouco mais os preços do açúcar.

Embora ainda sejam especulações, um eventual aumento dessa taxa encarece a gasolina, o que estimula ainda mais o consumo de etanol hidratado.

Mais competitivo do que o combustível derivado do petróleo, esse etanol baliza o açúcar.

Os dados até agora não são favoráveis para o mercado de açúcar. Com 63% da safra já moída, a produção total desse produto recuou para 19,2 milhões de toneladas neste ano, 8% menos do que em igual período anterior.

Já produção de etanol somou 16,7 bilhões de litros, 3% mais do que no ano passado. O destaque fica para o álcool hidratado, cujo crescimento é de 15% neste ano.

A verdade é que não se imaginava uma safra tão alcooleira. Na segunda quinzena de agosto, apenas 43% da cana moída foi destinada à produção de açúcar.

Um dos pontos favoráveis em favor da produção de açúcar é a safra paulista. A moagem está atrasada, e o Estado é um dos principais produtores do produto.

O ponto negativo, no entanto, é que, se o tempo continuar chuvoso, as usinas terão dificuldades para a colheita da cana.

De abril ao final de agosto, a produção paulista de açúcar foi de 13,2 milhões de toneladas, 12% menos do que no ano anterior.

Com relação ao etanol, no entanto, a produção paulista de hidratado já atinge 4,8 bilhões de litros, 7% mais. Já a do centro-sul teve evolução de 15%; e a dos demais Estados, 23%.

Essa aceleração de produção é uma resposta ao consumo. As usinas do centro-sul venderam 1,7 bilhão de litros no mês passado, 47% mais do que em agosto de 2014.

Mudanças na Cide –se ocorrerem–, safra mais alcooleira e problemas climáticos, tanto no Brasil como na Índia, deverão influenciar os preços do açúcar.

Nesta quarta-feira (9), o primeiro contrato do produto negociado em Nova York foi a 11,43 centavos de dólar por libra-peso, 3,3% mais do que no dia anterior. Esse valor é, no entanto, 23% inferior ao de há um ano. (Folha de São Paulo 10/09/2015)

 

Dilma demonstra 'receio' com aumento da Cide

A idéia vem sendo avaliada pela equipe econômica como uma das maneiras de recompor o caixa do governo.

A presidente Dilma Rousseff demonstrou preocupação com a proposta de elevação da Cide, imposto que incide sobre combustíveis. Segundo interlocutores da petista, ela tem "receio" do impacto inflacionário que o aumento da alíquota poderia causar.

A ideia vem sendo avaliada pela equipe econômica como uma das maneiras de recompor o caixa. Desde que o Orçamento de 2016 foi apresentado ao Congresso com déficit de R$ 30,5 bilhões, o governo tem defendido que é preciso buscar novas fontes de recursos para cobrir o rombo.

Depois de a proposta da recriação da CPMF não ter conseguido avançar, a área econômica já admite a possibilidade de recorrer à elevação das alíquotas de tributos que não precisam de aprovação do Congresso, apenas de uma "canetada" da presidente. Uma delas seria a Cide, mas também há estudos sobre o aumento do IPI e IOF.

Segundo um auxiliar palaciano, porém, todas essas alternativas, por enquanto, são "especulações". Segundo ele, qualquer decisão de Dilma será tomada depois de amplo debate com os parlamentares e representantes da sociedade.

O vice-presidente Michel Temer chegou a cogitar a possibilidade de defender o aumento da Cide. O vice teria ficado "impressionado" com a argumentação do ex-ministro da Fazenda Delfim Netto sobre a ampliação do imposto, o que geraria receita para Estados e a União. Ele, no entanto, recuou depois de a ideia ser rejeitada pela cúpula do PMDB no Congresso. (O Estado de São Paulo 10/09/2015)

 

Açúcar: Safra "alcooleira"

Os preços do açúcar subiram ontem em Nova York diante da queda na produção do Centro-Sul do Brasil e do recuo do dólar ante o real.

Os contratos do açúcar demerara para março de 2016 subiram 33 pontos, para 12,39 centavos de dólar a libra-peso.

A União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica) reportou queda na produção de açúcar na segunda metade de agosto por causa do mix mais alcooleiro da moagem de cana.

Perante a primeira quinzena, o porcentual da cana usado para produzir etanol cresceu 2,05 pontos, para 56,79%, enquanto os analistas esperavam uma queda.

Segundo a Capital Economics, as usinas estão preferindo produzir etanol para gerar fluxo de caixa.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo subiu 1,27%, para R$ 49,45 a saca de 50 quilos. (Valor Econômico 10/09/2015)

 

Raízen amplia logística para combustíveis em SP e MS

A Raízen, joint venture entre Shell e Cosan, vai ampliar a capacidade de armazenagem de combustíveis, com investimentos em duas unidades da companhia.

O pacote de R$ 70 milhões inclui a expansão do terminal de Ourinhos (SP) e a modernização do entreposto de Campo Grande (MS), desativado há 15 anos. Nos dois casos, as bases terão interligação rodo-ferroviária.

A unidade do interior de São Paulo, que antes operava só com etanol, passará a receber outros combustíveis.

"Ourinhos é um entroncamento logístico histórico entre Sul e Sudeste. Vamos trazer biodiesel [do Sul] para o interior paulista e fazer o caminho contrário com etanol", diz o diretor Nilton Gabardo.

A base sul-mato-grossense permitirá uma movimentação semelhante, com fluxo de diferentes produtos entre a região Centro-Oeste e o Estado de São Paulo.

R$ 65,1 bilhões foi a receita operacional líquida do grupo no exercício encerrado em 31 de março de 2015.

30 mil são os funcionários.

63 é o número de terminais de distribuição de combustíveis da companhia no país (Folha de São Paulo 10/09/2015)

 

Empresas e metalúrgicos criam pacto para evitar demissões em Sertãozinho

Acordo prevê que indústrias esgotem alternativas antes de efetivar dispensas.

Em um ano e meio, 3,6 mil postos de trabalho foram fechados no município.

Empresários e trabalhadores de Sertãozinho (SP) se unem mais uma vez para evitar que as demissões continuem crescendo no município, que enfrenta a pior crise da história do setor sucroalcooleiro. Em um ano e meio, entre janeiro de 2014 e julho desse ano, 3,6 mil postos de trabalho foram fechados na cidade, segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

O novo acordo assinado entre o Sindicato dos Metalúrgicos, o Centro Nacional das Indústrias do Setor Sucroenergético e Biocombustíveis (Ceise-Br) e a Secretaria de Indústria e Comércio estabelece uma série de medidas que devem ser adotadas pelos empresários, antes de os empregados serem dispensados.

Quinze empresas já assinaram o “Pacto do Emprego”, como está sendo chamado. A partir de agora, antes de demitir um funcionário, elas precisarão considerar possibilidades como o uso de banco de horas, a concessão de férias ou licenças remuneradas, a suspensão temporária do contrato, ou ainda a redução da jornada de trabalho.

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Samuel Márcio Marqueti, explica que a intenção é garantir que os postos de trabalho existentes não sejam fechados. “Nós estamos sentando, conversando, dialogando e estabelecendo metas que venham favorecer o trabalhador, para que ele continue mantendo seu emprego e que a gente consiga passar por essa crise”, diz.

Outras ações

Essa não é a primeira medida adotada na cidade para minimizar os efeitos da crise econômica.Em dezembro, um “Pacto Social” determinou a venda de cestas básicas sem margem de lucro aos supermercados. As operadoras de plano de saúde também se comprometeram a manter as mensalidades aos desempregados, pelos valores cobrados nos contratos corporativos.

Já o novo pacto, que entrou em vigor em setembro, foi baseado no Programa de Proteção ao Emprego (PPE), criado pela presidente Dilma Rousseff em julho desse ano. O advogado do Ceise-Br, João dos Reis Oliveira, explica, no entanto, que o acordo em Sertãozinho foi adaptado à realidade municipal.

“A Medida Provisória nos motivou a buscar uma solução caseira. Para utilizar a MP, o trabalhador tem que esgotar o banco de horas. Como é que a gente vai esgotar um banco de horas, se você tem ociosidade nas empresas? Essa MP não atende aos interesses nem das empresas, nem dos trabalhadores, pelas suas exigências”, afirma.

Ainda segundo Oliveira, o “Pacto do Emprego” vai garantir que os quadros de funcionários se mantenham quando o país voltar a ter estabilidade econômica. “O principal objetivo é preservar a nossa mão de obra, que é extremamente qualificada. Isso vai ter que passar, de alguma forma. Então, na hora que retomar, já teremos essa mão de obra qualificada, preparada”. (G1 09/09/2015)

 

Unidades do Centro-Sul reduzem a produção de açúcar na segunda quinzena de agosto

O volume de cana-de-açúcar processado pelas unidades produtoras da região Centro-Sul atingiu 47,26 milhões de toneladas na segunda metade de agosto. Essa quantidade é praticamente idêntica aos 47,45 milhões de toneladas processadas na mesma quinzena de 2014.

No acumulado desde o início da safra 2015/2016 até 1º de setembro, a moagem alcançou 374,25 milhões de toneladas, contra 372,69 milhões de toneladas registradas em igual período da safra anterior.

O diretor Técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Antonio de Padua Rodrigues, salienta que “no agregado do Centro-Sul a quantidade de cana moída até o momento é praticamente a mesma da safra passada, mas no Estado de São Paulo a safra continua atrasada em mais de 10 milhões de toneladas”. Caso a moagem no Estado não se recupere em setembro, é possível que o volume de cana bisada aumente no final deste ciclo agrícola, acrescentou.

Produção de açúcar e de etanol

Seguindo a tendência observada nas últimas quinzenas, a proporção de matéria-prima destinada à fabricação de açúcar na segunda quinzena de agosto (43,21%) manteve-se consideravelmente abaixo do nível observado na mesma data da safra 2014/2015 (45,26%).

Com isso, a produção de açúcar nos últimos quinze dias do mês atingiu apenas 2,84 milhões de toneladas, recuo de 5,95% em relação as 3,02 milhões de toneladas verificadas em igual data do último ano. A produção de etanol, em sentido contrário, aumentou 2,36% na segunda quinzena de agosto, alcançando 2,3 bilhões de litros este ano contra 2,25 bilhões de litros no mesmo período de 2014.

Do etanol total produzido nos últimos quinze dias de agosto, 920,27 milhões de litros foram de etanol anidro e 1,38 bilhão de litros de etanol hidratado, alta de 7,23% quando comparado aos 1,29 bilhão de litros verificados em igual data de 2014.

Para Rodrigues, “as chuvas observadas na primeira quinzena de setembro devem intensificar o mix de produção mais alcooleiro e dificultar o avanço da moagem”. Em períodos mais úmidos, a matéria-prima perde qualidade e fica mais difícil e caro produzir açúcar, acrescenta o executivo.

No acumulado desde o início da safra 2015/2016 até 1º de setembro, a produção de açúcar alcançou 19,2 milhões de toneladas, queda de 8,31% no comparativo com a safra 2014/2015. A produção de etanol, por sua vez, totalizou 16,65 bilhões de litros, sendo 10,56 bilhões de litros de etanol hidratado e 6,1 bilhões de litros de etanol anidro.

“Estamos com mais de 60% da safra concluída e a produção de açúcar continua com defasagem superior a 1,7 milhão de toneladas no comparativo com o ciclo anterior, indicando que a migração para etanol ao final da safra 2015/2016 será superior àquela esperada no início do ano”, ressaltou o diretor da UNICA.

Qualidade da matéria-prima

A quantidade de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) por tonelada de cana-de-açúcar processada atingiu 145,89 kg nos últimos 15 dias de agosto, ante 141,22 kg registrados na primeira metade do mês e 147,49 kg verificados na mesma quinzena da safra 2014/2015.

No acumulado desde o início da moagem em 2015/2016 até 1º de setembro, o teor de ATR por tonelada de matéria-prima totalizou 129,44 kg, contra 132,85 kg apurados em igual período do ano passado.

Vendas de etanol

As vendas de etanol pelas unidades produtoras da região Centro-Sul continuam aquecidas. Em agosto, o volume comercializado pelos produtores atingiu 2,74 bilhões de litros, alta de 34,26% em relação ao montante vendido no mesmo mês de 2014.

Deste total comercializado em agosto, 258,84 milhões de litros direcionaram-se à exportação e 2,48 bilhões de litros ao mercado doméstico.

Especificamente em relação ao volume de etanol hidratado comercializado no mercado interno, este somou 1,62 bilhão de litros em agosto deste ano, frente a 1,12 bilhão de litros registrados no mesmo mês da safra 2014/2015 – crescimento de 43,89%.

As vendas internas de etanol anidro, por sua vez, totalizaram 862,79 milhões de litros em agosto, contra 826,11 milhões de litros apurados no mesmo período de 2014.

O diretor da UNICA esclarece que “o crescimento nas vendas de etanol ao mercado doméstico decorre da ampliação da competitividade do biocombustível frente à gasolina, fato que também ajuda a explicar a preferência das unidades pelo produto na decisão sobre o mix de produção”.

Com efeito, dados apurados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) na última semana indicam que o preço pago pelo consumidor para o etanol hidratado foi inferior a 70% daquele praticado para a gasolina nos Estados de São Paulo, Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Goiás. Juntos esses Estados representam mais de 60% da frota total de veículos leves do Brasil. (Unica 09/09/2015)

 

Vendas de etanol pelas usinas cresceram em agosto

As vendas de etanol hidratado, que é usado diretamente no tanque dos veículos, feitas pelas usinas do Centro-Sul no mercado interno alcançaram 1,617 bilhão de litros no mês de agosto, 1,63% mais que em julho deste ano e 43,8% acima do realizado em agosto do ano passado, conforme dados divulgados há pouco pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).

A comercialização feita pelas usinas de etanol anidro, que é misturado à gasolina, atingiu no mercado interno em agosto 862,790 milhões de litros, um leve aumento de 0,81% frente a julho e de 4,43% em relação a agosto do ano passado.

As usinas venderam para o exterior 182,5 milhões de litros de anidro em agosto, 54% mais que em julho e 4,35% mais que em agosto do ano passado.

Em relatório divulgado hoje, a Unica informou também que a produção de açúcar na região Centro-Sul foi, na segunda quinzena de agosto, de 2,839 milhões de toneladas, 5,95% menor que em igual período do ciclo passado, o 2014/15. No acumulado da temporada vigente, a 2015/16, o volume produzido da commodity acumula queda de 8,31%, a 19,204 milhões de toneladas.

A queda reflete o movimento das usinas de destinar mais cana para fabricar etanol, em detrimento do açúcar. Na quinzena, esse “mix” foi de 56,79% para o etanol, 2,05 pontos percentuais maior do que o mix de igual quinzena do ano passado. No acumulado da safra, esse mix está em 58,40% para o biocombustível, 2,79 pontos acima do registrado no acumulado do ciclo até a segunda quinzena de agosto do ano passado.

Conforme a Unica, o volume de cana processado pelas usinas do Centro-Sul atingiu 47,26 milhões de toneladas na segunda metade de agosto. Trata-se de uma quantidade semelhante aos 47,45 milhões de toneladas processadas na mesma quinzena de 2014.

No acumulado da temporada, a moagem alcançou 374,25 milhões de toneladas, contra 372,69 milhões de toneladas registradas em igual período da safra anterior. O diretor técnico da Unica, Antonio de Pádua Rodrigues, afirmou em nota que, “no agregado do Centro-Sul, a quantidade de cana moída até o momento é praticamente a mesma da safra passada, mas no Estado de São Paulo a safra continua atrasada em mais de 10 milhões de toneladas”. Conforme ele, caso a moagem no Estado não se recupere em setembro, é possível que o volume de cana bisada aumente no final deste ciclo agrícola.

A produção de etanol no Centro-Sul na 2ª quinzena de agosto caiu 2,36%, a 2,299 bilhões de litros. Apesar da retração geral, a produção de etanol hidratado, que é usado diretamente no tanque dos veículos e cuja demanda está 40% mais alta neste ano (até julho), cresceu 7,23% no mesmo intervalo, para 1,379 bilhão de litros. Por outro lado, a produção de etanol anidro, que é misturado à gasolina, caiu 4,15%, para 920 milhões de litros, na 2ª quinzena de agosto.

No acumulado da safra, a produção de hidratado cresceu 15,22%, para 10,555 bilhões de litros, e a de anidro recuou 12,69%, para 6,096 bilhões de litros. (Valor Econômico 09/09/2015 às 18h: 27m)

 

Produção de açúcar da UE deve diminuir com queda no plantio de beterraba

A produção de açúcar da União Europeia deve diminuir neste ano comparado a 2014 após uma queda brusca nas plantações de beterraba, com rendimento menor previsto para a maioria dos principais produtores.

A França terá uma colheita menor neste ano, após agricultores reduzirem o plantio e o tempo quente e seco deste verão limitar o potencial de rendimento.

Como outras culturas semeadas na primavera, a beterraba para açúcar sofreu com as ondas de calor e seca do começo do verão, ainda que chuvas em agosto tenham trazido algum alívio para as plantas.

"A temporada de desenvolvimento começou muito bem com plantações antecipadas e um bom desenvolvimento de primavera, e então nós tivemos a seca, particularmente a leste de Paris, o que prejudicou as culturas...", disse o diretor do grupo de produtores CGB, Alain Jeanroy.

O CGB vê o rendimento médio, assumindo um teor de açúcar de 16 por cento, em torno de 88 toneladas por hectare, abaixo das 93 toneladas por hectare em 2014, mas próximo da média dos últimos cinco anos.

A Alemanha também espera uma colheita menor este ano, após a colheita recorde do ano passado, com área plantada e rendimento menores do que as do ano passado, quando atingiram níveis excepcionalmente altos, disse o presidente-executivo do grupo de indústria do açúcar WVZ, Guenter Tissen. (Reuters 09/09/2015)

 

O balanço do fim de uma época do BNDES

No primeiro semestre, o BNDES desembolsou R$ 68,7 bilhões, 18% menos do que em igual período do ano passado, ao mesmo tempo que os tomadores mostravam menos interesse nos empréstimos da instituição. O balanço semestral revela o esgotamento de uma época de crédito farto, em que o Tesouro federal emitia títulos e se endividava para carrear recursos para o banco de fomento.

Agora, nem a fonte de recursos continua aberta nem há tomadores. É o que mostram as diversas fases das operações entre as empresas e o BNDES. A primeira etapa é a das consultas, cujo montante de R$ 60,7 bilhões foi inferior em 47% ao do primeiro semestre de 2014. Nos mesmos períodos de comparação, o enquadramento pelo BNDES, segunda fase das operações, caiu 51%, para R$ 53,6 bilhões, e as aprovações (terceira fase) diminuíram 50%, para R$ 43,1 bilhões.

A intensidade das quedas surpreendeu os especialistas. “Isso mostra que houve um colapso nos investimentos”, disse ao Estado o sócio da consultoria Inter.B Cláudio Frischtak. O professor da Unicamp Júlio Gomes de Almeida também enfatizou a dimensão da queda: “A consulta de hoje é o investimento de amanhã: isso sinaliza que a intenção de investimento é fraquíssima no País”.

Além da recessão e da falta de confiança quanto ao futuro, entre os fatores que explicam o distanciamento dos empresários do crédito está o custo das operações, expresso na Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP). Esta aumentou de 5% ao ano até dezembro para 5,5% no primeiro trimestre, 6% no segundo e 6,5% ao ano no trimestre em curso. A inflação alta poderia compensar o acréscimo, mas a política oficial é aproximar as taxas do BNDES das taxas de mercado. Mais importante, diminuiu a parcela dos empréstimos sujeita à TJLP, em que o juro é subsidiado.

Entre janeiro e junho, os desembolsos para infraestrutura foram de R$ 26 bilhões e representaram 37,8% do total das operações. Energia elétrica, ferrovias, transportes metroviário, aéreo, aquaviário e dutoviário se destacaram. Mas o montante das aprovações de crédito para infraestrutura é preocupante: apenas 29,7% do total.

Se esse porcentual se mantiver na última fase, a dos desembolsos, haverá uma queda de recursos para a infraestrutura, onde é maior a carência de investimentos. Apenas para manter a infraestrutura seria preciso dobrar os investimentos do primeiro mandato de Dilma. (O Estado de São Paulo 10/09/2015)

 

Collor ou Dilma, a solução é o impeachment – Por Tarcisio Angelo Mascarim

Comparando a situação econômica quando do pedido de impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Mello, em 01.09.1992, feito por Barbosa Lima Sobrinho, presidente da Associação Brasileira de Imprensa, e Marcelo Lavenére, presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, acolhido pelo então presidente da Câmara dos Deputados, Ibsen Pinheiro (RS), e do pedido de impeachment da atual presidente Dilma Rousseff, apresentado no Congresso Nacional pelo jurista Helio Bicudo, um dos fundadores do PT, que escolheu o mesmo dia - 1 de setembro último - para tal, posso afirmar que as razões do pedido atual são mais graves do que o pedido de impeachment feito em 1992.

Para conhecer as razões do pedido de impeachment de Collor, sugiro que assistam à entrevista dada pelo deputado Ulysses Guimarães ao jornalista Jô Soares, em 21.09.1992, publicada pelo blog de Jorge Bastos Moreno, com o titulo “Ulysses Guimarães e o impeachment”.

Sobre o pedido de impeachment da Dilma, e de acordo com o publicado no site da revista Veja (veja.abril.com.br), cito algumas razões apresentadas pelo jurista Helio Bicudo:

"(...) O jurista argumenta que a presidente Dilma deve ser processada por dolo e não apenas de maneira culposa, conforme entendem outros juristas, 'pois a reiteração dos fatos, sua magnitude e o comportamento adotado, mesmo depois de avisada por várias fontes, não são compatíveis com mera negligência, estando-se diante de uma verdadeira continuidade delitiva'. 'Impossível crer que a Presidente da República não soubesse o que estava passando a sua volta'', afirma.

'À luz da legislação vigente, entende-se que a Presidente da República atentou contra a probidade administrativa, primeiro, por 'não tornar efetiva a responsabilidade dos seus subordinados' e, em segundo lugar, por 'proceder de modo incompatível com a dignidade, a honra e o decoro do cargo'.

Bicudo enumera em trinta páginas uma série de irregularidades descobertas pela Lava Jato e de má administração, como a compra da refinaria de Pasadena, quando Dilma era do conselho da estatal. Ele cita a decisão do Tribunal Superior Eleitoral de reavaliar as contas de campanha de 2014 e os apontamentos do Tribunal de Contas da União sobre violações à lei de Responsabilidade Fiscal.

'A presidente, que sempre se apresentou como valorosa economista, pessoalmente responsável pelas finanças públicas, deixou de contabilizar empréstimos tomados de instituições financeiras públicas (Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil), contrariando, a um só tempo, a proibição de fazer referidos empréstimos e o dever de transparência quanto à situação financeira do país. Em suma, houve uma maquiagem deliberadamente orientada a passar para a nação (e também aos investidores internacionais) a sensação de que o Brasil estaria economicamente saudável e, portanto, teria condições de manter os programas em favor das classes mais vulneráveis', diz o documento. 'O expediente conhecido por pedaladas seria mais do que suficiente para ensejar o impedimento da presidente da República. No entanto, a sucessão de escândalos e o comportamento por ela reiteradamente adotado revelam dolo, consubstanciado na adoção, no mínimo, da chamada cegueira deliberada'.

Ele também questiona a falta de transparência em contratos firmados pelo BNDES para financiar obras em países como Cuba e Angola, realizadas por empreiteiras brasileiras implicadas na Lava Jato. Segundo o ex-petista, a insistência de Dilma em manter o sigilo sobre as operações 'permite inferir que ela conhecia o esquema sofisticadamente criado para drenar os recursos do país, tudo com o fim de perpetuar seu grupo no poder'. (...)

'Durante muitos anos, todos os brasileiros foram iludidos com o discurso de que Lula seria um verdadeiro promotor do Brasil, no exterior, um propagandista que estaria prospectando negócios para as empresas nacionais. No entanto, conforme foram se descortinando os achados da Lava Jato, restou nítido que todo esse cenário serviu, única e exclusivamente, para sangrar os cofres públicos. A Lava Jato jogou luz sobre a promíscua relação havida entre Lula e a maior empreiteira envolvida no escândalo, cujo presidente já está preso. Não há mais como negar que o ex-presidente se transformou em verdadeiro operador da empreiteira, intermediando seus negócios junto a órgãos públicos, em troca de pagamentos milionários por supostas, dentre outras vantagens econômicas'.

Bicudo também combate o discurso falacioso propalado por Lula e pelo PT, que insistem em classificar as investigações como um golpe em curso para prejudicar a Petrobras e uma perseguição orquestrada pela oposição e pela elite brasileira contra o partido. 'Somos negros e brancos, jovens e idosos, homens e mulheres de várias orientações sexuais, nordestinos e sulistas, somos brasileiros querendo resgatar a honra que ainda resta para este país. Os tiranos que dele se apoderaram construíram um discurso de cisão, objetivando nos enfraquecer, para se perpetuarem'."

Pelas razões citadas, não há dúvidas quanto à importância do impeachment da presidente Dilma. Porém, se trata de uma decisão política. No caso de Collor, ele já tinha perdido praticamente todos os membros do Congresso Nacional, o que o obrigou a renunciar antes da decisão do Senado Federal. Enquanto que a presidente Dilma não tem o total apoio do povo, mas tem uma boa representação junto aos membros do Congresso Nacional.

Esperamos, contudo, que os representantes do Congresso Nacional acordem para a realidade econômica brasileira e votem olhando para o Brasil, pois precisamos reativar a nossa credibilidade juntos aos investidores estrangeiros, para que os nossos projetos sejam implementados, fato que com o atual Governo não será possível.

Por isso, apelamos à nossa presidente: não espere a aprovação do pedido de impeachment, mas faça o melhor para o nosso País. Peça desculpas ao povo e renuncie (Tarcisio Angelo Mascarim é secretário de Desenvolvimento Econômico de Piracicaba e diretor do SIMESPI)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Safra "alcooleira": Os preços do açúcar subiram ontem em Nova York diante da queda na produção do Centro-Sul do Brasil e do recuo do dólar ante o real. Os contratos do açúcar demerara para março de 2016 subiram 33 pontos, para 12,39 centavos de dólar a libra-peso. A União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica) reportou queda na produção de açúcar na segunda metade de agosto por causa do mix mais alcooleiro da moagem de cana. Perante a primeira quinzena, o porcentual da cana usado para produzir etanol cresceu 2,05 pontos, para 56,79%, enquanto os analistas esperavam uma queda. Segundo a Capital Economics, as usinas estão preferindo produzir etanol para gerar fluxo de caixa. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo subiu 1,27%, para R$ 49,45 a saca de 50 quilos.

Cacau: Nova safra preocupa: Os futuros do cacau registraram a terceira alta seguida ontem na bolsa de Nova York em meio a crescentes receios com relação à oferta do produto do oeste da África. Os lotes para dezembro subiram US$ 50, para US$ 3.270 a tonelada, o maior valor em sete semanas. Em agosto, as precipitações no oeste da África ficaram abaixo da média, e as previsões indicam que as chuvas devem continuar com ocorrências isoladas. A proximidade da colheita da safra principal de 2015/16 em outubro em Gana e na Costa do Marfim acirram as especulações em torno da produção da próxima temporada. Na Nigéria, alguns produtores já iniciaram a colheita, mas não há relatos sobre a produtividade. Em Ilhéus e Itabuna, o preço médio seguiu em R$ 134 a arroba, conforme a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Suco de laranja: Clima bom: As cotações do suco de laranja cederam ontem na bolsa de Nova York diante da falta de ameaças aos pomares citrícolas da Flórida relacionadas à temporada de furacões nos Estados Unidos. Os lotes do suco de laranja concentrado e congelado para entrega em novembro caíram 185 pontos, a US$ 1,244 a libra-peso. O Centro Nacional de Furacões do país indicou que as depressões tropicais no Oceano Atlântico perderam força. Neste ano houve poucas formações de ventos que ameaçassem a região produtora. Apenas um ciclone se aproximou da Flórida, mas perdeu força ao alcançar o litoral, provocando inclusive chuvas favoráveis às árvores frutíferas. No mercado doméstico, o preço médio da laranja à indústria apurado pelo Cepea/Esalq continuou em R$ 12,04 a caixa de 40,8 quilos.

Soja: Expectativa com USDA: Os preços da soja perderam terreno na bolsa de Chicago ontem em meio a incertezas com a safra americana. Os papéis para novembro recuaram 7 centavos, a US$ 8,7225 o bushel. Os analistas apostam que o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) cortará sua projeção para o rendimento nos EUA no relatório que de amanhã. Contudo, na semana até domingo, a situação das plantações americanas ficou estável, enquanto os analistas esperavam uma deterioração. As previsões indicam que o clima deve favorecer o desenvolvimento final das lavouras. Também circularam rumores de que importadores chineses estão com problemas para contratar crédito e fechar negócios. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a soja em Paranaguá caiu 0,07%, a R$ 80 a saca. (Valor Econômico 10/09/2015)