Setor sucroenergético

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Rubens Ometto - Pragmatismo

A exemplo de Jorge Gerdau, conforme esta coluna publicou ontem, Rubens Ometto Silveira Mello também tem dito a interlocutores que até aceita um aumento de impostos para ajudar a equilibrar as contas do governo federal e tirar o Brasil da crise aguda.

Entretanto, bate o pé no corte de gastos do governo como precondição: uma coisa tem que estar atrelada à outra, cada uma fazendo sua parte.

“Se deixarem, Levy fará um bom trabalho”, aposta o controlador do Grupo Cosan. (Por Sonia Racy - O Estado de São Paulo 12/09/2015)

 

Açúcar: Foco na oferta

Passado o susto causado pela perda do grau de investimento conferido pela agência de classificação de risco Standard & Poor's ao Brasil, que fez o dólar subir e pressionar as cotações do açúcar, a commodity voltou a subir na sexta-feira em Nova York, com a volta do foco à produção.

Março subiu 18 pontos, a 12,45 centavos de dólar a libra-peso.

Além da expectativa de que o Centro-Sul brasileiro produza menos em razão das chuvas atuais, que reduzem o teor de açúcar na cana e dão maior competitividade do etanol, ainda há possibilidade de oferta menor em países como Índia, Tailândia e China, segundo Nick Penney, trader sênior da Sucden Financial.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo subiu 0,96 %, para R$ 50,42 a saca de 50 quilos. (Valor Econômico 14/09/2015)

 

Mercado de açúcar em crise pode enfrentar ameaça de rival revitalizado: Cuba

Como se as condições baixistas do mercado não fossem suficientemente ruins, os produtores de açúcar nos países que mais produzem a commodity, Brasil, Tailândia e Índia, podem enfrentar em breve uma competição mais robusta de um antigo rival: Cuba.

As exportações anuais de açúcar de Cuba podem praticamente dobrar para quase 2,5 milhões de toneladas em 2020, disse um analista agrícola da Platts nesta sexta-feira, conforme o país reconstrói uma indústria de açúcar em dificuldades e faz uma mudança para recuperar ao menos uma porção de seu legado no setor.

A produção do país pode aumentar para 3 milhões de toneladas, disse a analista agrícola da Platts Maria Nunez, em uma conferência em Miami, marcando o retorno da presença de Cuba como um significativo fornecedor global.

Cuba já foi o maior exportador mundial, mas a produção despencou de um pico de mais de 8 milhões de toneladas em 1990, para apenas 1,9 milhões de toneladas na safra de 2014/15, embora nos últimos anos o país tenha lançado uma iniciativa para reconstruir sua indústria de cana.

Estados Unidos, Canadá e Haiti seriam os destinos mais prováveis para a produção adicional de Cuba, disse Maria Nunez.

Ainda assim, Nunez alertou que recuperar uma parcela de importações pode se mostrar complicado e lento, tornando o Haiti e a Venezuela mais propensos a se tornarem mercados essenciais para o crescimento a curto prazo. (Reuters 11/09/2015)

 

Relação etanol/gasolina sobe a 61,84% na 1ª semana de setembro em SP

Dados da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) mostram que a relação entre o preço do etanol e o da gasolina na capital paulista acelerou ligeiramente entre a última semana de agosto e a primeira de setembro, passando de 60,11% para 61,84%. Na comparação com a primeira semana do nono mês de 2014, no entanto, houve desaceleração, já que, naquela ocasião, o resultado apurado foi de 66,18%.

Apesar da aceleração na primeira semana de setembro, o dado ainda segue abaixo de 70%. Para especialistas, o uso do etanol deixa de ser vantajoso em relação à gasolina quando o preço do derivado da cana-de-açúcar representa mais de 70% do valor da gasolina. A vantagem é calculada considerando que o poder calorífico do etanol é de 70% do poder do combustível fóssil. Com a relação entre 70% e 70,5%, é considerada indiferente a utilização de gasolina ou etanol no tanque.

Em outro levantamento, a Fipe mostra que os preços do etanol e da gasolina diminuíram o ritmo de queda entre o fechamento de agosto e a primeira quadrissemana de setembro (últimos 30 dias terminados na segunda-feira, 7) no âmbito do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) - que mede a inflação na capital paulista.

Na primeira leitura de setembro, o álcool combustível teve variação negativa de 1,14%, após ceder 1,37% no fim de agosto. Já a gasolina teve queda de 0,35%, depois de ter recuado 0,65%. Apesar de terem diminuído o ritmo de baixa, a taxa do grupo Transportes no IPC-Fipe manteve-se com alta de 0,05% ante a leitura anterior. (Agência Estado 11/09/2015)

 

Clima ajuda e usinas de MS aceleram moagem da cana em agosto

Usinas já processaram 28,04 milhões de toneladas nesta safra. Somente na segunda parte do mês foram 3,84 milhões de toneladas.

Mato Grosso do Sul fechou a segunda quinzena de agosto com uma moagem de 3,84 milhões de toneladas de cana. No acumulado do ciclo 2015/2016, que começou em abril deste ano, as usinas do estado já processaram 28,04 milhões de toneladas, uma quantidade 18,47% maior que a do mesmo período da temporada anterior.

Segundo o presidente da Associação dos Produtores de Bioenergia do estado (Biosul), Roberto Hollanda, na segunda metade do mês o clima ajudou o setor a acelerar o processamento. “Novamente tivemos uma quinzena sem problemas com chuvas e avançamos para recuperar parte do tempo perdido até o momento, sobretudo por conta das chuvas de junho e julho”, comenta.

Segundo a entidade, o índice que mede a qualidade da matéria-prima, o açúcares totais recuperáveis (ATR por tonelada de cana), atingiu 127,45 quilos no acumulado do ano, o que indica um volume 1,46% maior que o do ciclo anterior.

Com maior disponibilidade de cana, o produção das usinas também cresceu. Até a segunda quinzena de agosto foram fabricadas 791 mil toneladas de açúcar, quantidade 163,3% maior que registrada no mesmo intervalo de tempo da safra passada. (G1 11/09/2015)

 

Produção de cana-de-açúcar será de 705,8 milhões de toneladas

Alta é de 2,5% ante 2014. A estimativa ainda é 0,4% maior do que a referente a julho.

A produção de cana-de-açúcar deve totalizar 705,816 milhões de toneladas em 2015, alta de 2,5% ante 2014, segundo o Levantamento Sistemático de Produção Agrícola (LSPA) divulgado nesta sexta-feira, 11, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A estimativa ainda é 0,4% maior do que a referente a julho.

De acordo com o órgão, os dados refletem aumento nas estimativas de produção em Alagoas (9,6% em relação ao levantamento de julho), Maranhão (10,9%) e Paraná (2,8%). Nos últimos dois Estados, o clima mais chuvoso durante o ciclo contribuiu para aumentar o rendimento da safra.

Em São Paulo, o maior produtor de cana (responsável por mais da metade da produção), o clima seco tem facilitado a colheita, inclusive aumentando o teor de sacarose nas plantas e elevando o rendimento industrial, apontou o IBGE. No Estado, a produção deve crescer 4,2% em relação a 2014. (Agência Estado 11/09/2015)

 

Planalto estuda alternativas para ampliar arrecadação e reduzir gastos

O anúncio do rebaixamento da nota do Brasil pela agência de classificação de risco Standard & Poor's levou o Palácio do Planalto a correr com os estudos para tentar mostrar que está trabalhando para melhorar a eficiência arrecadatória, a redução de gastos com cortes de despesas nas áreas de pessoal e de ministérios, além da otimização de programas do governo e até a criação de novos impostos ou aumento de alíquotas de outros existentes.

O objetivo é mostrar que o governo não está parado. Não bastasse a má notícia da S&P, hoje chegou a notícia do rebaixamento da nota da Petrobras. Este é considerado mais um motivo para o governo apressar no anúncio de medidas. A conta do corte a ser feito é de R$ 64 bilhões para garantir o superávit de 0,7% do PIB e não apenas os R$ 30,5 bilhões do rombo do orçamento.

No caso da Cide, contribuição que incide sobre os combustíveis, a ideia, ainda não fechada, é de que o aumento poderia chegar até a R$ 0,65, apenas sobre a gasolina, deixando de fora o diesel, para que não atinja a estrutura econômica. Mas há sugestões de que este aumento seja de apenas R$ 0,50. Com o valor maior, a arrecadação seria de R$ 15 bilhões, sendo R$ 10,6 bilhões para a União e R$ 4,3 bilhões para Estados e municípios que, com a cobrança de ICMS, teriam mais R$ 5,5 bilhões. Assim, governos federal, estaduais e municipais receberiam quantias similares.

A Cide tem a vantagem que ela ajuda aos governadores e prefeitos que também estão com problemas de caixa. Mas a desvantagem é que ela encarece a gasolina e o Brasil já está exportando gasolina, atingindo a Petrobras, empresa que precisaria ser fortalecida neste cenário, ainda mais com esta notícia negativa que acaba de chegar. Outro problema é que a Cide provoca um impacto inflacionário de 0,84 ponto porcentual. A decisão dependerá de uma avaliação custo-benefício. A Cide pode ser elevada por decreto.

Outra alternativa em estudo é o imposto transitório sobre movimentação financeira, que é considerado o mais eficiente de todos. Uma espécie de CPMF transitória, cuja alíquota ainda é objeto de discussão e poderia ser da ordem de 0,35%, menor que a anterior, que era de 0,38%. O mais importante é que há consenso que esta contribuição provisória não será vinculada a qualquer gasto obrigatório, como foi antes a CPMF que era destinada à saúde. O governo quer este dinheiro para cobrir o rombo do orçamento. Quanto ao tempo de contribuição, há divergência na área econômica. O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, teria optado por um ano e o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, queria três anos. O Planalto, além de ter ouvido queixas do Congresso e até do vice-presidente Michel Temer sobre o longo período, ouviu queixas do empresariado e uma sinalização de que até aceitaria o novo imposto, mas por um período bem curto. Jamais pelos três anos restantes de mandato da presidente Dilma.

O Planalto sabe também que terá de enfrentar uma grande batalha no Congresso para aprovar a nova CTMF, ainda mais que ela precisa ser encaminhada para votação como PEC, proposta de emenda constitucional.

Na reforma administrativa, o governo pensa em tentar repartições públicas e programas que estão distribuídos em vários ministérios, ou no mesmo, mas que poderiam ser unificados para se tornarem mais eficientes. É o caso, por exemplo, da Apex e da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), ambas do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), que poderão ser unificadas. A Apex-Brasil promove produtos e serviços brasileiros no exterior e atrai investimentos estrangeiros e a ABDI promove a execução da política industrial, também no exterior.

No caso dos programas sociais, o alvo número um é o seguro defeso, que é o cadastro considerado completamente desorganizado e descontrolado. Uma completa reestruturação será feita neste programa. Ao pensar na eficiência arrecadatória, o governo pensa em verificar problemas que hoje existem no Refis, já que empresas preferem não pagar impostos e aguardam o refinanciamento para pagar. O governo quer mudar esta lógica.

O governo está em busca de impostos que atinjam o mínimo à economia. Há uma forte preocupação com este rebaixamento pela S&P e agora com o da Petrobras, mas todos acreditam que irá demorar a chegar a avaliação das outras duas agências de classificação, a Fitch e a Moody's.O governo conta com isso e com as conversas que pretende ter neste período, com a execução de novas medidas, para que as demais agências reconheçam o esforço que está sendo feito e acreditem no Brasil. No caso da S&P, o governo não acreditava que sua posição fosse sair agora e acreditava que ia conseguir convencê-los com a grife de Joaquim Levy e os seus sucessivos anúncios e medidas. Só que não deu certo. Agora, o governo está correndo para reverter o prejuízo. (Agência Estado 11/09/2015)

 

Exportações do agronegócio renderam 17,4% menos em agosto

As exportações brasileiras do agronegócio continuaram a cair em agosto, e de forma mais acentuada, pressionadas pelas quedas das cotações da maior parte das commodities agrícolas no mercado internacional.

Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex/Mdic) compilados pelo Ministério da Agricultura, os embarques do setor somaram US$ 7,34 bilhões, 17,4% menos que no mesmo mês de 2014. Na mesma comparação, as importações registraram tombo maior, de 31,5%, atingindo 967 milhões. Como resultado, o superávit setorial diminuiu 14,8%, para US$ 6,4 bilhões.

No caso do chamado “complexo soja” (inclui grão, farelo e óleo), que lidera o ranking das exportações do agronegócio brasileiro, as vendas externas registraram em agosto deste ano redução de 16% sobre o mesmo mês de 2014, para US$ 2,6 bilhões. Até o item mais vendido nessa lista, a soja em grão, contabilizou queda de 6,1% na mesma comparação, para US$ 2 bilhões.

As exportações de carnes recuaram 14,5% para US$ 1,3 bilhão, as de açúcar e etanol diminuíram 43%, para US$ 637 milhões, e as de café caíram 16%, para US$ 477 milhões. Dos grupos que lideram a balança do agronegócio, apenas os produtos florestais tiveram resultado mensal positivo. Seus embarques renderam 2,7% mais, para US$ 816 milhões.

Principal mercado para as exportações brasileiras do agronegócio, a China importou do setor US$ 2,1 bilhões em agosto, leve queda de 0,8% frente ao mesmo mês de 2014, embora sua participação na balança comercial brasileira tenha se ampliado de 23,6% para 26,1% no mês passado.

De janeiro a agosto, as vendas externas do agronegócio nacional também caíram 11,7%, para US$ 59,7 bilhões. As importações renderam US$ 9,18 bilhões, uma queda de 18,5% nesse período, e o superávit setorial recuou 0,1%, para US$ 50,5 bilhões.

Sempre na comparação entre os oito primeiros meses deste e do ano passado, as exportações de soja e derivados recuaram 17,4%, para US$ 22,5 bilhões, as de carnes caíram 14,4%, para US$ 9,7 bilhões e as de açúcar e etanol diminuíram 18,8%, para US$ 5,3 bilhões. Entre os principais grupos da pauta, houve altas nos casos de produtos florestais (3,1%, para US$ 6,7 bilhões) e do café (1%, para US$ 4,1 bilhões).

Nos primeiros oito meses deste ano, a China absorveu 27,8% das exportações do agronegócio brasileiro, ou US$ 16,5 bilhões, resultado 11,7% menor que em agosto do ano passado. (Valor Econômico 11/09/2015 às 16h: 32m)

 

Brasil eleva produção de grãos em 8,2% em 14/15

A safra de grãos e oleaginosas do Brasil 2014/15 foi estimada nesta sexta-feira em um recorde de 209,5 milhões de toneladas, com um crescimento de 8,2 por cento ante a colheita passada, devido ao aumento na produção de soja e milho do país, especialmente por ganhos de produtividade, acordo com o último levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para a temporada.

O Brasil colheu históricas 96,2 milhões de toneladas de soja, número estável ante previsão de agosto e crescimento de 10 milhões de tonelada ante a safra passada, quando o clima não foi tão favorável em algumas áreas, segundo levantamento da Conab. A estatal apontou aumento de 5,1 por cento na produtividade média do país, para quase 3 toneladas por hectare.

A safra de milho do Brasil também foi estimada em recorde, de 84,7 milhões de toneladas, ante 84,3 mi t na previsão de agosto, e um crescimento de 5,8 por cento na comparação com a temporada passada. O aumento na produtividade média de 6,4 por cento ano a ano, para 5,38 toneladas por hectare, mais do que compensou leve redução de área plantada.

Na segunda safra, o ganho de produtividade do milho foi ainda maior, registrado nos Estados do Sudeste, Centro-Oeste e no Paraná, ainda que a média do país ainda esteja longe de atingir os melhores níveis de outros países produtores do mundo. A produção daquela que já foi denominada "safrinha" do cereal atingiu 54,5 milhões de toneladas, ante 48,4 milhões 2013/14, disse a Conab em relatório.

Ainda que o país tenha obtido recordes, está distante da produção dos Estados Unidos, líder global no cereal, que deve colher apenas de milho mais de 340 milhões de toneladas neste ano, o dado mostra também que o Brasil, com grandes áreas agricultáveis, tem muito espaço para avançar na produção.

As colheitas de milho e soja do Brasil 14/15 já estão praticamente finalizadas, enquanto os produtores começaram recentemente a colher trigo, cuja safra também foi apontada em recorde pela Conab.

Para esse cereal, a produção do Brasil em 2015 foi estimada em recorde de 7,1 milhões de toneladas, ante 7 milhões na previsão de agosto, embora haja preocupações recentes sobre a qualidade do grão e doenças fúngicas, em meio a chuvas intensas no Sul. Segundo a Conab, a colheita cresceria 1 milhão de toneladas ante 2014.

EXPORTAÇÕES

Com grandes safras, demanda razoável e um câmbio favorável, as exportações de soja e milho do Brasil também terão volumes recordes na temporada 2014/15, segundo a Conab.

Os embarques de soja foram estimados em 50 milhões de toneladas, alta de quase 1 milhão de toneladas ante a previsão de agosto e crescimento de mais de 4 milhões de toneladas ante a temporada passada.

No caso do milho, a Conab projetou exportações de 26,4 milhões de toneladas, estável ante agosto e versus 21 milhões na safra passada, que superariam o recorde de 2012/13 (26,2 milhões de toneladas).

O Brasil, um importador líquido de trigo, deverá exportar 1,5 milhão de toneladas do cereal em 2015 (estável ante agosto), ante 1,68 milhão em 2014. Já as importações foram projetadas em 5,4 milhões neste ano, leve alta ante 2014. (Reuters 11/09/2015)

 

Sob Dilma, Petrobras já encolheu US$ 200 bilhões

Estatal caiu do 2º para o 9º lugar no ranking das petroleiras das Américas. Ações recuaram quase 4% nesta sexta-feira e atingiram valor equivalente ao de novembro de 2004.

O valor de mercado da Petrobras –dado pelo valor total de suas ações– encolheu em US$ 200 bilhões desde o início do governo Dilma Rousseff, levando a empresa a despencar sete posições no ranking das maiores petroleiras das Américas.

Em 31 de dezembro de 2010, um dia antes da posse de Dilma, a empresa valia US$ 228,211 bilhões. Ao final do pregão desta sexta-feira, US$ 28,032 bilhões –uma queda de quase 90%.

O movimento se explica tanto pelas dificuldades financeiras e políticas da empresa quanto pela desvalorização do real frente ao dólar.

Segundo levantamento feito pela consultoria Economática, a retração de 86% no valor de mercado da Petrobras foi o pior desempenho entre as petroleiras das Américas no período.

Em segundo lugar, está a colombiana Ecopetrol, que perdeu 69% de seu valor entre o fim de 2010 e esta sexta-feira.

As outras empresas pesquisadas são norte-americanas e se beneficiaram, nos últimos anos, do crescimento da produção de petróleo e gás não convencionais.

No ranking elaborado pela consultoria, a Petrobras está hoje em nono lugar entre as maiores empresas do continente. No fim de 2009, era a segunda maior, atrás da ExxonMobil.

As ações da estatal atingiram nesta sexta (11) valor equivalente ao verificado em novembro de 2004. No dia seguinte ao rebaixamento pela Standard & Poor's, os papéis preferenciais, mais negociados e sem direito a voto, fecharam o pregão a R$ 7,66, queda de 3,89%.

Já os ordinários caíram 5,37%, para R$ 8,81. O mau desempenho reflete incertezas do mercado com relação ao futuro da companhia.

Após a S&P tirar o selo de bom pagador da estatal, rebaixando suas notas de crédito de BBB- para BB, bancos de investimento começaram a rever para baixo suas projeções de valor da companhia.

O banco Credit Suisse, por exemplo, reduziu sua projeção para o preço das ações da Petrobras negociadas em Nova York de US$ 6 para US$ 3. Para o JPMorgan, os papéis valerão, no próximo ano, US$ 7 –a projeção anterior era de US$ 10,5.

"As ações anunciadas pela gestão da companhia suportavam nossa projeção anterior, mas o cenário macroeconômico derrubou nossa tese", escreveu o analista Marcos Severine.

GREVE

A empresa anunciou nesta semana proposta de redução de salários e de jornada de trabalho de para tentar conter custos, que foi mal recebida pelos sindicatos de petroleiros. "É mais um passo neste processo de fatiamento da empresa", disse o presidente da Federação Única dos Petroleiros (FUP), José Maria Rangel.

A entidade, porém, decidiu adiar para a próxima quinta (17) a decisão sobre greve por tempo indeterminado contra o novo plano de investimentos da companhia.

Neste dia, a Petrobras vai apresentar à categoria a proposta econômica para o reajuste salarial de 2015. (Folha de São Paulo 12/09/2015)

 

As pragas do canavial - Por Arnaldo Luiz Corrêa

O mercado futuro de açúcar em NY fechou a semana em alta de 39 pontos (8.60 dólares por tonelada) no primeiro mês de negociação, o outubro/2015 e com variações positivas mais brandas nos meses seguintes. O spread outubro/2015-março/2016 estreitou para 79 pontos mostrando que aqueles que detinham ou ainda detém posições vendidas a descoberto contra o vencimento outubro/2015 estão recomprando-as talvez temendo que haja menos açúcar disponível no curto prazo do que anteriormente previsto. As usinas que rolaram seus hedges de venda de outubro para março para aproveitar a exorbitante taxa de carrego implícita, pode ser que revertam suas posições caso o spread negocie ao redor de 60-65 pontos. Setembro vai ser um mês interessante.

O estouro do dólar em relação ao real tem incentivado muitas empresas a aumentarem seus hedges de venda para 2016/2017 e mesmo para 2017/2018 aproveitando a curva do câmbio. Como NY também está se descolando do real mais em função do quadro fundamentalista do açúcar (mais construtivo conforme discutimos a semana passada), tem feito mais sentido a compra das puts que garantam um mínimo de rentabilidade do que a venda de futuros que ainda podem subir devido aos fundamentos. Com isso, as usinas têm tempo para fixar mais adiante quando o nível de preço lhes convier e a pressão sobre NY ao longo dos próximos vencimentos diminui. As puts no dinheiro ao longo da curva de preços da safra 2016/2017 (maio/julho/outubro/março) já somam mais de 16.000 lotes, ou seja, quase 1 milhão de toneladas.

O modelo de previsão de preços para os próximos meses do ano mostra um pico em dezembro/2015 (base vencimento março de 2016) de 13.26 centavos de dólar por libra-peso, todo o mais inalterado. Modelos erram embora a correlação desse tenha sido acima de 0.8500.

Não estamos considerando alguns fatores, por exemplo, a possibilidade de introdução da CIDE para que o governo consiga minorar seu déficit orçamentário. A previsão é que uma CIDE de R$ 0,30 por litro de gasolina aumente a arrecadação do governo em R$ 10.5 bilhões. Hoje, o governo arrecada R$ 56 bilhões em impostos sobre combustíveis. A alteração do preço da gasolina vai deixar o etanol ainda mais competitivo e deve direcionar mais cana para a produção do combustível e mudar o planejamento das usinas para o próximo ano com propensão de diminuir a disponibilidade de açúcar.

O assunto não é novo, mas não dá para se calar diante de um governo tão incompetente como esse que temos hoje. Apenas esse ano, a forma inconsequente e irracional com a qual Dilma conduz o Brasil celeremente ao fundo do poço, o endividamento do setor sucroalcooleiro subiu, segundo cálculos da Archer – R$ 14,6 bilhões (R$ 22,86 por tonelada de cana moída). A desvalorização do real reflete o descaso da presidente na direção da economia e do equilíbrio fiscal e o enfraquecimento da moeda representou, conforme comentado aqui há algumas semanas, 84% da razão da queda dos preços do açúcar na bolsa de futuros em NY, ou seja, a perda de receita de exportação de açúcar em dólares motivada pela queda da moeda brasileira soma aproximadamente US$ 565 milhões nos primeiros oito meses do ano. Dilma deveria ganhar uma placa pelos imensos serviços prestados ao setor.

Mas essa “paixão” da presidente, não podemos esquecer, vem de longe. Uma reunião ocorrida em Brasília, em meados de 2012, objetivava aproximar a presidente do setor produtivo e fazê-la ver que o aumento da demanda de combustível em função do crescimento da frota de veículos leves, amplamente financiada pelo crédito fácil iria esbarrar, mais cedo ou mais tarde, na (in)capacidade operacional que o país tinha em aumentar a produção de petróleo. Havia o risco, como alertara na época um especialista da área, de um apagão de combustíveis no Brasil e assim, a necessidade imperiosa de se produzir mais etanol. Mas para isso era necessária transparência na formação de preços dos combustíveis e nas regras do jogo para que os investidores, fossem eles brasileiros ou estrangeiros, se sentissem seguros e estimulados.

Para Dilma, no entanto, o setor deveria “se sacrificar” e “devolver um pouco” do que o pais lhe dera. Com a empáfia que lhe é peculiar aliada à formação marxista-leninista, em que o lucro é pecado, a presidente - hoje detentora de um solitário dígito de popularidade - cutucava um empresário do setor dizendo que o mesmo ficara muito rico. É bom lembrar que nessa época, a Petrobras já enfrentava o assalto aos seus cofres pela quadrilha que está aí sem que ainda houvesse sido descoberto.

As maiores pragas do canavial brasileiro não são a broca-da-cana (Diatreasaccharalis) ou o bicudo-da-cana (Sphenoforuslevis), mas duas outras que destroem setores produtivos, empregos, riquezas, reputações, esperanças e tudo mais que lhes vier pela frente. Chamam-se Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff e o único modo de erradicar o mal que essas duas pragas tem provocado ao setor e ao Brasil inteiro é pelo voto.

Tomo emprestado a frase do amigo e guru de uma geração de economistas, o professor José Roberto Mendonça de Barros: “Nunca antes neste País as coisas andaram tão atrapalhadas e incertas. O governo corre o risco de bater no muro” (Arnaldo Luiz Corrêa é diretor da Archer Consulting - Assessoria em Mercados de Futuros, Opções e Derivativos Ltda.)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Foco na oferta: Passado o susto causado pela perda do grau de investimento conferido pela agência de classificação de risco Standard & Poor's ao Brasil, que fez o dólar subir e pressionar as cotações do açúcar, a commodity voltou a subir na sexta-feira em Nova York, com a volta do foco à produção. Março subiu 18 pontos, a 12,45 centavos de dólar a libra-peso. Além da expectativa de que o Centro-Sul brasileiro produza menos em razão das chuvas atuais, que reduzem o teor de açúcar na cana e dão maior competitividade do etanol, ainda há possibilidade de oferta menor em países como Índia, Tailândia e China, segundo Nick Penney, trader sênior da Sucden Financial. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo subiu 0,96 %, para R$ 50,42 a saca de 50 quilos.

Cacau: Clima na África: Os preços do cacau cederam na sexta-feira em Nova York e "devolveram" parte dos ganhos registrados nos quatro pregões anteriores. Dezembro caiu US$ 22, para US$ 3.254 a tonelada. Mas o mercado ainda encontra sustentação nos receios sobre a produção do oeste da África. "Os recentes eventos ligados ao clima, junto com a possibilidade de um forte El Niño, elevaram o risco de colheitas pobres em 2015/16 na Costa do Marfim e em Gana", diz, em nota, Hamish Smith, da Capital Economics. A consultoria segue a projetar US$ 2.900 para tonelada no fim do ano, mas vê "riscos crescentes para uma alta, que serão monitorados de perto". Em Ilhéus e Itabuna, na Bahia, a arroba da amêndoa permaneceu, em média, a R$ 137, de acordo com a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Suco de laranja: Recuperação parcial: Os preços do suco de laranja fecharam em alta na sexta-feira na bolsa de Nova York e recuperaram parte das perdas registradas nas duas sessões anteriores. Os lotes para janeiro fecharam a US$ 1,243 a libra-peso, uma elevação de 35 pontos. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) ainda não divulgou suas estimativas para a safra 2015/16 de laranja na Flórida, que abriga o segundo maior parque citrícola do mundo. Para a Califórnia, o USDA calcula uma safra de 43 milhões de caixas, 0,8% mais que em 2014/15. Para a região formada por São Paulo e parte de Minas Gerais, o Fundecitrus manteve seu cálculo de 279 milhões de caixas na safra 2015/16. paulista, o preço da caixa de 40,8 quilos da laranja destinada à indústria apurado pelo Cepea/Esalq continuou em R$ 12,04.

Algodão: Tímida revisão: Os preços do algodão subiram de forma expressiva na sexta-feira logo após a divulgação das novas estimativas do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) para a oferta e demanda da pluma, mas o movimento perdeu força e os futuros fecharam em alta apenas modesta em Nova York. Dezembro subiu 8 pontos, a 63,13 centavos de dólar a libra-peso. O USDA elevou sua estimativa para a colheita nos EUA em 2015/16, mas o ajuste ficou aquém do que os analistas esperavam. O novo cálculo do órgão é que a colheita será de 2,92 milhões de toneladas, somente 80 mil a mais que estimativa anterior. Na safra 2014/15, os EUA produziram 3,55 milhões de toneladas. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para a pluma com pagamento em oito dias subiu 0,12% a R$ 2,317 a libra-peso. (Valor Econômico 14/09/2015)