Setor sucroenergético

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O futuro do agronegócio é agora - Por Luiz Carlos Corrêa Carvalho

A natureza não espera pelos atrasados. Tudo faz pelo seu tempo, não pelo dos homens. O agronegócio segue esse conceito, pois não tem alternativa. O tempo é o rei do processo de produção, mesmo que um entregador de alface em restaurantes não saiba disso. Muitas vezes a inflação é pressionada pelos desvios do tempo, no processo de produção e uso dos alimentos.

O que muito impressiona os que vivem da produção no Brasil é a distância da política pública desse fato predominante da natureza, como se fosse uma perturbação dela ao mundo dos homens. São agressivas para quem convive com o tempo da natureza as dúvidas que tem o homem urbano sobre a importância dessa lógica.

Importantes aspectos têm caracterizado o desenvolvimento científico na agricultura, como a introdução de cultivares em regiões novas no Brasil, com resultados excepcionais. Veja-se, por exemplo, a produção excepcional da borracha no Estado de São Paulo, hoje responsável pela maior parcela da produção nacional.

Ações público-privadas, como a paralisação da queima dos canaviais para colheita, também têm os mais variados reflexos na permanente luta pela sustentabilidade do agronegócio. Este exemplo é claro: o processo de mecanização da colheita da cana sem queimar trouxe ao produtor, em seu aprendizado, impactos difíceis no curto prazo, mas positivos no longo. Os corredores verdes e florestas restauradas nessas áreas estão contribuindo para salvar a onça parda do perigo de extinção e aumentaram sua presença nessas áreas produtivas, controlando a população de roedores e outros da cadeia alimentar. Assim, é uma política pública que pode apresentar impactos favoráveis, se olhada para o todo.

A borracha substitui importações ou melhora a balança comercial brasileira; a cana-de-açúcar, com a produção do etanol, substitui a gasolina, limpando o ar nas cidades e reduzindo as emissões de gases que causam o aquecimento global. No primeiro caso é claro o impacto direto na economia brasileira. No segundo - questão energética - há uma distorção econômica, que é a necessidade de equilibrar os preços entre os concorrentes gasolina, fóssil e com impactos negativos, e etanol, renovável e com impactos positivos.

A forma encontrada criativamente pelo Brasil foi efetivada em 2002, com a introdução de um mecanismo para cobrar da gasolina as suas contribuições negativas à poluição local, já muito estudadas pela área de saúde da Universidade de São Paulo, e, no nível global, pelas emissões de CO2 com seu uso combustível, por meio da introdução da Cide, contribuição de intervenção na economia incidente em cada m3 de gasolina e diesel consumido, em valores diferentes.

Essa medida, implantada na subida dos preços de energia no mundo, atraiu para o Brasil o capital externo nesse setor, expandindo investimentos, empregos e toda uma extensa cadeia produtiva. Mais que isso, delineou um futuro extraordinário de agregação de valor, na área química, na lógica das perspectivas da economia verde. Porém desde 2006 o governo iniciou uma redução dos valores da Cide até que em 2012 ela foi zerada, na esteira de populismo tarifário, voltando com valor três vezes menor em 2015, empobrecendo a política consistente de 2002 e trazendo impactos altamente negativos ao produtor e à Petrobrás, em face do congelamento dos preços da gasolina.

São exemplos de assegurar ou perder um futuro valioso para o País. O tempo é o senhor da razão e esta, sem dúvida, é que descreve o senso de urgência. Cria-se, com isso, um ciclo de ações necessárias que se somam: ao tempo requerido pela agricultura se adicionam as ações fundamentais da política pública. Ou isso, ou se perde o futuro.

Não há por que adiar decisões-chave como a correção da Cide, que define o futuro do etanol, a mudança da política do crédito rural para a agricultura de duas ou três safras ou a implementação efetiva do plano que incentiva a integração lavoura pecuária floresta!

Pouco tempo atrás o mundo entendeu o nosso plano ABC - Agricultura de Baixo Carbono -, quando viu a redução das emissões de gases de efeito estufa e o aumento da oferta de alimentos que este país poderia realizar. Em suas metas já encaixadas no que o Brasil levará à COP-21, a próxima reunião da Conferência do Clima, em Paris, no final deste ano, deve-se dar saliência à política energética brasileira, em que a Cide será certamente saudada por todos os países.

As ações estão sendo cobradas de um país que é tão importante na busca pela segurança alimentar e qualidade ambiental. O Código Florestal, com o esforço na implementação do Cadastro Ambiental Rural (CAR) até 2016 e os mecanismos de valorização econômica do carbono mitigado, nesse texto apresentado, são urgentes e fundamentais.

Em menos de dez meses todas as propriedades rurais do Brasil deverão ter realizado o CAR, o qual permitirá identificar com maior precisão as ações necessárias para a efetivação do, quem sabe, maior projeto de conservação e restauração da vegetação de que se tem conhecimento. O Código Florestal deve trazer ganhos importantes para a mitigação da mudança do clima global e para a proteção dos recursos hídricos do País. É preciso trabalhar para que sua implementação seja feita de forma inteligente, com soluções que considerem as particularidades de cada região e otimizem os custos de regularização.

No Congresso Brasileiro da Abag, um mês atrás, pôde-se notar a receptividade de todos às políticas citadas, na busca da competitividade e do desejável protagonismo do Brasil nesse campo. A urgência está clara e não agir será omissão.

Vamos seguir aprovando já, o que nos garantirá um futuro promissor. Não há como ser líder sem assumir esse papel, com medidas que serão exemplos globais (Luiz Carlos Corrêa Carvalho é presidente da Associação Brasileira de Agronegócio)

 

Setor de cana-de-açúcar consegue aumento médio da produtividade das lavouras para a safra 2015/16

Essa é a conclusão dos técnicos do Projeto Campo Futuro da CNA, que finalizou a coleta de dados de 2015. Foram realizados 15 painéis nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Alagoas.

Nas últimas safras de cana-de-açúcar a adversidade climática foi um dos grandes fatores de restrição na produção. Para a safra 2015/2016 observa-se uma reversão nesta tendência com um aumento médio da produtividade das lavouras. Esta é uma das conclusões geradas á partir dos 15 painéis de Levantamento de Custos de Produção de Cana-de-Açúcar, Açúcar, Etanol e Bioeletricidade do Projeto Campo Futuro da Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Os painéis foram realizados em 15 municípios dos estados de São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná e Alagoas. Mais de 150 produtores rurais participaram dos eventos. A iniciativa é uma parceria da CNA com o Programa de Educação Continuada em Economia e Gestão de Empresas (Pecege), ligado à Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (ESALQ/USP).

De acordo com o assessor técnico da Comissão Nacional de Cana-de-açúcar da CNA, Rogério Avellar, a próxima etapa é validar os documentos com análise de todas as informações colhidas nos estados participantes. “Além da coleta presencial de dados, realizamos mais 10 painéis online para atualizar os dados dos levantamentos de informações feitos do ano passado. Dessa forma, estamos sempre bem informados das questões do setor”, ressalta.

Com as informações obtidas, a CNA vai formar uma rede atualizada de dados de custo de produção em várias atividades agropecuárias. São contemplados no Projeto Campo Futuro: bovinoculturas de corte e de leite, arroz, algodão, soja, milho, trigo, silvicultura, piscicultura, avicultura, suinocultura e fruticultura (laranja e cacau). Estas informações obtidas a partir de painéis servirão para orientar o produtor rural na gestão da sua propriedade rural e na tomada de decisões em sua atividade.

O projeto Campo Futuro, criado pela CNA, faz desde 2007 o levantamento de informações econômicas para contribuir nas decisões do produtor rural. (CNA 15/09/2015)

 

Tecnologia reduzirá custos na produção de cana-de-açúcar

Em Goiás, meta é apresentar tecnologias para aumento da produtividade e redução de custos da canavicultura do estado.

O 1º Dia de Campo sobre tecnologias de produção de cana-de-açúcar no Cerrado busca reduzir custos e riscos da canavicultura no Estado de Goiás. O evento será realizado no dia 8 de outubro na Usina Jalles Machado, no município de Goianésia (GO). A iniciativa busca apresentar tecnologias para o aumento da produtividade e, dessa forma, contribuir para a sustentabilidade e expansão do setor sucroalcooleiro na região. As pré-inscrições para o Dia de Campo estão abertas até 5 de outubro.

O Dia de Campo é desenvolvido desde 2009 por uma equipe multidisciplinar da Embrapa Cerrados. Serão cinco estações técnicas apresentadas por pesquisadores da Embrapa Cerrados e Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna, SP). Entre os temas das estações estão: correção da acidez do solo, manejo da adubação fosfatada, plantio direto, impacto agronômico do recolhimento de palha, respostas e estratégias de irrigação.

As pesquisas da Embrapa Cerrados têm se concentrado em algumas prioridades levantadas junto ao setor produtivo da região Centro-Oeste. Entre elas, o aprimoramento do sistema de produção atual em relação aos aspectos da correção da acidez do solo e adubação, manejo cultural (espaçamento, rotação de culturas e adubação verde) e fitossanidade, assim como o desenvolvimento de novos sistemas de cultivo, como o plantio direto, sistema de produção irrigada e sistemas com recolhimento do palhiço para fins energéticos.

A ação é promovida pela Embrapa Cerrados, de Planaltina (DF) e a Usina Jalles Machado (GO). As vagas são limitadas.

Serviço:

1º Dia de Campo – Tecnologias para Produção de Cana-de-Açúcar no Cerrado

Data: 8/10/2015

Horário: das 8h às 12h30

Local: Usina Jalles Machado / Fazenda São Pedro – Rodovia GO-080, Km 75,1 Zona Rural – Goianésia (GO)

Mais informações pelo endereço: cerrados.eventos@embrapa.br. (Agência Brasil 15/09/2015)

 

Alvean é compradora de pequena entrega de açúcar branco na ICE, dizem operadores

A Alvean, uma joint venture entre Cargill e Copersucar, deverá ser a única recebedora das 101 mil toneladas de açúcar branco contra o vencimento outubro da bolsa ICE Futures Europe que expirou nesta terça-feira, disseram operadores.

A entrega de 2.020 lotes foi a menor contra um vencimento de açúcar branco desde março e, se confirmada, ficará amplamente em linha com as projeções, disseram operadores.

Representantes da Alvean não foram encontrados imediatamente para comentar o assunto devido ao horário avançado em Genebra.

Os detalhes oficiais da entrega deverão ser publicados pela bolsa na quarta-feira.

O volume de açúcar vale pouco mais de 35 milhões de dólares, baseado nos preços de encerramento da terça-feira, e veio semanas após operadores dizerem que as usinas de cana estavam ampliando a capacidade para capturar um aumento no prêmio pelo açúcar branco.

O contrato do açúcar refinado para outubro na ICE encerrou em alta de 4,30 dólares, ou 1,3 por cento, a 346,90 dólares por tonelada em seu último dia de negociações. (Reuters 15/09/2015)

 

Clima ajuda e usinas de MS aceleram moagem da cana em agosto

Mato Grosso do Sul fechou a segunda quinzena de agosto com uma moagem de 3,84 milhões de toneladas de cana. No acumulado do ciclo 2015/2016, que começou em abril deste ano, as usinas do estado já processaram 28,04 milhões de toneladas, uma quantidade 18,47% maior que a do mesmo período da temporada anterior.

Segundo o presidente da Associação dos Produtores de Bioenergia do estado (Biosul), Roberto Hollanda, na segunda metade do mês o clima ajudou o setor a acelerar o processamento. “Novamente tivemos uma quinzena sem problemas com chuvas e avançamos para recuperar parte do tempo perdido até o momento, sobretudo por conta das chuvas de junho e julho”, comenta. (G1-MS 15/09/2015)

 

DuPont Brasil expande Centro de Pesquisa & Desenvolvimento no interior de São Paulo

A DuPont Brasil inaugurou nesta terça-feira (15) novos laboratórios para atender as demandas do mercado latino-americano da Agricultura, Biociências Industriais e Impressão Flexográfica. As novas instalações fazem parte do projeto de expansão do seu Centro de Pesquisa & Desenvolvimento, localizado em Paulínia, interior do estado de São Paulo.

As obras tiveram início em 2009 e, ao todo, foram investidos US$ 22 milhões na nova construção. "A DuPont está globalmente passando por um processo de transformação muito importante que fortalece seu posicionamento e atuação em 3 pilares estratégicos: Agricultura & Nutrição, Biociências Industriais e Materiais Avançados", afirma o presidente da DuPont para a América Latina, Judd O' Connor.

Apenas no ano passado, cerca de 30% do faturamento da companhia resultou de produtos lançados nos últimos 4 anos. Globalmente, o percentual corresponde a US$ 9 bilhões das vendas totais da DuPont.

Um dos mais importantes para a agricultura, o laboratório de Tratamento de Sementes, será responsável por análises qualitativas dos processos de tratamento e do desempenho das sementes, especialmente soja, milho e algodão. A performance da tecnologia em outras culturas, considerando o clima, solo e umidade registrados em cada região do país também deverá ser analisada.

"O laboratório permitirá testes de novos ingredientes ativos, novas formulações e estudos diversos envolvendo desde a cobertura das sementes, passando pela germinação até a medição do vigor das plantas e das raízes", explica Marcelo Okamura, líder do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Paulínia.

Já os laboratórios de Biociências Industriais deverão atender as necessidades dos mercados de Biotecnologia Industrial (biocombustíveis e Processamento de Grãos), Nutrição Animal e Higiene & Limpeza. No caso de biocombustíveis, o destaque é para a produção de etanol a partir do bagaço de cana-de-açúcar. Outra opção também deverá ser o milho, a companhia investe em pesquisas para a produção do etanol a partir do cereal.

Outra área que também foi beneficiada com a expansão da unidade no interior de São Paulo é o de Impressão Flexográfica. A nova estrutura permitirá as mais diversas combinações de tecnologia no processo de impressão. Ainda de acordo com informações reportadas pela empresa, o laboratório é o primeiro da América Latina dedicado a auxiliar os clientes da região em processos de melhoria, disponibilizando suporte técnico, treinamentos e testes para realizar diferentes tipos de aplicações. (Notícias Agrícolas 15/09/2015)

 

Ministra da Agricultura sugere incluir diesel na CIDE

Ministra Katia Abreu, estranhamente, sugere à Presidente Dilma incluir o óleo diesel no imposto da CIDE - Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, da mesma forma que a gasolina.

Enquanto na França o primeiro ministro Manuel Valls recebe os produtores e promete a eles “nossa meta é dar novas perspectivas e esperanças aos nossos produtores”, no Brasil, celeiro do planeta, a Ministra Katia Abreu, estranhamente, sugere à presidente Dilma incluir o óleo diesel no imposto da CIDE - Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, da mesma forma que a gasolina.

Na França os produtores dirigiram seus tratores para Paris, semana passada, foram 1.500 máquinas tomando o centro parisiense para protestar contra os custos da agricultura francesa, contra o embargo russo, as despesas com investimentos ambientais, encargos sociais crescentes, e a pressão de diminuição de preços, na ponta das bolsas e do consumo.

Incluir o diesel na CIDE significa imposto e, consequentemente, isso vai implicar em maiores custos aos produtores, custos na logística dos insumos como fertilizantes, sementes, defensivos, custo no transporte das safras e custos com impacto na distribuição dos alimentos, e vai para o bolso do consumidor.

Os custos de logística, a burocracia, os impostos, o combustível, penalizam dois setores do agronegócio: produtores rurais, pois esses não conseguem repassar custos para os preços, eles não mandam nos preços, e penalizam consumidores, que recebem o pacote pronto na hora de consumir. Mas o que o povo francês sabe de longa data é que segurança alimentar depende dos seus produtores. Portanto, lá na França, o governo já decidiu afrouxar as exigências ambientais, e oferecer um pacotaço de ajuda aos seus agricultores.

Falar em aumento de custos para o produtor brasileiro através do imposto no diesel, não faz sentido nas atuais circunstâncias nacionais (José Luiz Tejon Megido, Conselheiro Fiscal do Conselho Científico para Agricultura Sustentável (CCAS), Dirige o Núcleo de Agronegócio da ESPM, Comentarista da Rádio Jovem Pan)

Ministra não acompanha Temer em viagem à Rússia

Katia Abreu (Agricultura) desistiu de viajar com o vice Michel Temer para a Rússia para ficar ao lado de Dilma no anúncio das medidas. A área da peemedebista domina as transações comerciais entre os dois países.

A ministra foi a única do PMDB a não embarcar. Também não quis gravar para o programa de TV da sigla, que tem o vice como estrela. (Folha de São Paulo 15/09/2015)

 

Entregas de fertilizantes no Brasil caem 0,5% em agosto

As entregas de fertilizantes ao consumidor final no Brasil em agosto caíram 0,5 por cento ante mesmo mês de 2014, para 3,59 milhões de toneladas, em período que antecede o plantio da safra de verão de grãos, informou nesta terça-feira a Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda).

As vendas no país no acumulado do ano até agosto caíram 6,4 por cento ante mesmo período de 2014, ano em que houve uma maior antecipação de negócios no primeiro semestre.

Segundo a Anda, os dados indicam "gradativa recuperação da demanda, visto que no acumulado do semestre havia sido registrada queda de 9,6 por cento".

A Anda havia apontado anteriormente que a sazonalidade de vendas voltou ao normal este ano, com uma maior parte dos negócios sendo realizada no segundo semestre.

Além disso, produtores rurais estão mais retraídos neste ano por um aperto nos financiamentos e custos mais altos, principalmente de produtos importados influenciados pela alta do dólar, como é o caso das matérias-primas dos adubos.

Apesar da expectativa de queda nas vendas neste ano, segundo especialistas, a Agroconsult afirmou à Reuters que o solo bem adubado nos últimos anos, quando as vendas atingiram recordes, deve garantir o potencial produtivo se o clima colaborar. A consultoria espera um recuo de 2 por cento nas entregas neste ano.

Já as importações de fertilizantes intermediários em agosto pelo Brasil, que traz do exterior a maior parte de suas necessidades, caíram 16,8 por cento em agosto, para 2,1 milhões de toneladas. No acumulado do ano, recuaram 10,3 por cento, para 14,3 milhões de toneladas.

Com mais produtores deixando para comprar adubo no segundo semestre, especialistas avaliam que muitas vendas que poderiam ser feitas não vão se efetivar, em função de gargalos logísticos, especialmente nos portos, o que também deverá impactar os números do setor em 2015.

A produção nacional de fertilizantes de janeiro a agosto, por sua vez, foi de 5,95 milhões de toneladas, representando aumento de 4,6 por cento na comparação com o mesmo período do ano passado. (Reuters 15/09/2015)

 

Dirceu e mais 14 viram réus em ação por suspeita de desvios na Petrobras

Preso desde agosto, ex-ministro é acusado de corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa. Ex-tesoureiro do PT vai responder ao terceiro processo da Lava Jato, que também atinge sócios da Engevix.

O juiz federal Sergio Moro aceitou nesta terça-feira (15) denúncia do Ministério Público Federal contra o ex-ministro José Dirceu e outros 14 acusados de envolvimento com desvios na Petrobras.

Preso em agosto na 17ª fase da Operação Lava Jato, Dirceu, chefe da Casa Civil no primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, volta a ser réu em uma ação penal quase três anos após ter sido condenado no julgamento do mensalão.

Desta vez, ele foi acusado pelo Ministério Público Federal de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e associação criminosa. Entre os outros réus estão Luiz Eduardo, irmão dele, e Julio César dos Santos, sócio da JD Consultoria, empresa do petista.

Em despacho em que aceitou a denúncia, Moro afirmou que "parece difícil justificar" uma série de pagamentos feitos a título de consultoria.

Na denúncia, o Ministério Público Federal afirmou que a JD Consultoria recebia de empreiteiras contratadas pela Petrobras sem produzir nenhum tipo serviço de volta.

A suspeita é de que foi pago um total de R$ 11,9 milhões em propina com origem em contratos na estatal, já que Renato Duque, ex-diretor de Serviços da companhia, tinha apoio do ex-ministro. Duque também virou réu na ação.

Outro acusado de destaque dentro do PT é o ex-tesoureiro João Vaccari Neto, suspeito de articular repasses das empresas para o partido, também via doações oficiais.

O lobista Milton Pascowitch, que firmou um acordo de delação, diz ter intermediado pagamentos da Engevix para Dirceu e para o PT. Segundo a denúncia, a empreiteira repassou R$ 53,8 milhões à Jamp Engenharia, empresa de Pascowitch.

Além de Dirceu e Vaccari, diz a acusação, receberam parte do valor os irmãos Fernando e Olavo Moura, que também viraram réus.

Camila Ramos, filha de Dirceu, tinha sido denunciada pelo Ministério Público sob a acusação de lavagem, mas Moro entendeu que não há provas de participação e não a incluiu na ação.

O juiz também rejeitou denúncia contra uma arquiteta que trabalhou na reforma de uma casa de Dirceu.

A ação menciona obras da Petrobras em três refinarias e uma unidade de tratamento de gás. (Folha de São Paulo 16/09/2015)

 

Commodities Agrícolas

Café: Influência do dólar: A valorização do dólar perante o real foi A principal responsável pela queda das cotações do café ontem na bolsa de Nova York. Os contratos do arábica para dezembro recuaram 150 pontos, a US$ 1,187 a libra-peso. Impulsionado pelas especulações a respeito da reunião do Fed e pelas incertezas locais, o dólar avançou 1,18% sobre o real ontem, voltando a estimular as exportações do Brasil, que já lidera os embarques globais do grão. Circulam fotografias de cafezais que já registraram a primeira florada, "mostrando um bom potencial para a safra 2016/17", observou Rodrigo Costa, do Société Générale. Porém, o analista ressaltou que são necessárias chuvas contínuas nos próximos dois meses para fixar as flores. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o arábica caiu 1,74%, a R$ 450,97 a saca.

Cacau: Perdas em NY: O mercado do cacau cedeu a pressões técnicas e dos fundamentos na bolsa de Nova York ontem. Os contratos para dezembro caíram US$ 48, a US$ 3.238 a tonelada. Houve liquidação do contrato de setembro na bolsa de Londres, com a entrega física de cerca de 45 mil toneladas. Dificuldades de romper limites de resistência técnica após a alta do dia anterior também pressionaram o contrato. Além disso, houve aumento de 4 mil toneladas de cacau entregues nos portos marfinenses entre 7 e 13 de setembro, após várias semanas de volumes em baixa, segundo o Zaner Group. Porém, no acumulado da safra, as entregas ainda estão menores que em 2013/14 na ordem de 7%. Em Ilhéus e Itabuna (BA), o preço continuou em R$ 137 a arroba, conforme a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Soja: Contra a maré: Os preços da soja nadaram contra a maré do movimento geral das matérias-primas agrícolas ontem e fecharam no em alta na bolsa de Chicago. Os lotes para fevereiro de 2016 subiram 4,75 centavos, para US$ 8,9225 o bushel. O mercado encontrou suporte na leve perda de qualidade das lavouras dos EUA reportada na segunda-feira pelo Departamento de Agricultura do país (USDA). As lavouras em condições "boas" a "excelentes" representavam no último domingo 61% da área plantada no país, 2 pontos percentuais de queda em uma semana. Analistas apontam também para a alta dos preços da soja no mercado spot americano como outro fator de influência. No mercado doméstico, o preço médio da oleaginosa no Paraná caiu 0,04%, para R$ 68,46 a saca, segundo o Deral/Seab.

Trigo: Plantio nos EUA: Os preços do trigo caíram ontem nas bolsas americanas diante da influência da alta do dólar e de sinais favoráveis sobre a produção dos Estados Unidos. Em Chicago, os contratos para março de 2016 caíram 7,5 centavos, a US$ 5,0250 o bushel. Em Kansas, onde se negocia o trigo de melhor qualidade, os contratos com igual prazo de entrega caíram 3 centavos, a US$ 5,07 o bushel. O plantio do trigo de inverno já começou nos EUA e alcançou 9% da área projetada, de acordo com o Departamento de Agricultura do país. As chuvas previstas para o fim da semana em áreas de Kansas, Texas e Oklahoma devem melhorar a umidade do solo e favorecer as condições de semeadura, segundo a empresa DTN. No Paraná, o preço médio da saca caiu 1,05%, para R$ 33,93 a saca, segundo o Deral/Seab. (Valor Econômico 16/09/2015)