Setor sucroenergético

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Cargill perto de comprar mais duas usinas

A Black River, gestora de recursos da multinacional americana Cargill, está em negociações avançadas para adquirir as duas usinas do grupo paulista Antônio Ruette Agroindustrial, conhecido como Grupo Ruette. A due diligence já foi praticamente concluída e o foco agora é definir os últimos detalhes financeiros do negócio, que deve ficar próximo de R$ 700 milhões. O Grupo Ruette chegou a pedir recuperação judicial em fevereiro, mas mudou de idéia e assinou, em março, um acordo com credores que previa a "entrega" das usinas para venda e liquidação dos débitos.

À época, quando as usinas foram colocadas à venda, além da Black River, outros quatro players assinaram acordos de confidencialidade e entraram na disputa, a gestora Brookfield e as sucroalcooleiras Nardini, Guarani e Santa Isabel. Mas a proposta da Black River é que foi aceita.

Conforme apurou o Valor, a gestora americana colocou na mesa, ao todo R$ 680 milhões, sendo R$ 530 milhões em assunção de dívida e R$ 150 milhões em investimentos. A proposta feita pela Black River de incorporar dívidas de R$ 530 milhões já considera um desconto de 30% (sobre um passivo total de cerca de R$ 750 milhões). Os bancos que optarem por esse percentual de abatimento terão um prazo de dez anos, com dois de carência, para receber a parte que lhes cabe, segundo fonte familiarizada com a operação. A gestora americana também propôs pagar à vista os credores que aceitarem um desconto de 50% da dívida.

Neste momento, os bancos e a Black River estão costurando os últimos detalhes do negócio e ajustando o valor final da aquisição. "Faz parte do jogo: a Black River vai tentar baixar o valor, assim como os bancos vão tentar elevá-lo", disse a fonte. Não há prazo estabelecido para a conclusão das negociações, já que se trata de um grupo heterogêneo formado por cerca de 30 instituições credoras, com perfis de tomada de decisão diferentes. Além do Santander, principal credor e mandatário da venda das usinas, estão na negociação o fundo americano Amerra Agri Opportunity, o banco holandês ABN Amro e a ED&F Man Capital Markets, além de BTG Pactual, Banco BBM e Banco do Brasil.

Com duas unidades industriais no Estado de São Paulo, que somam uma moagem de 3,7 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por safra, o Grupo Ruette causou grande desconforto no mercado financeiro quando protocolou seu pedido de recuperação judicial. Meses antes, havia recebido novos aportes de fundos e bancos, e não apresentava dívidas vencidas. Além disso, às vésperas de acionar a Justiça, suspendeu contratos de exportação de açúcar que haviam sido dados em garantias de alguns empréstimos.

No fim das contas, os dois lados sentaram e firmaram um acordo que "blindou" o grupo de cobranças e protestos (pelos credores signatários) por 180 dias, prorrogáveis por mais 180. Dois bancos não aceitaram o acordo e movem ações de execução de bens contra o grupo. Entre eles, o francês BNP Paribas, que cobra na Justiça R$ 50 milhões do Grupo Ruette, que tem a assessoria jurídica do escritório Dias Carneiro Advogados. Esse credor ainda tem a possibilidade de aderir ao acordo ou seguir com a execução de bens na Justiça.

Se a aquisição das usinas do Grupo Ruette pela Black River for concretizada, a operação dos ativos ficará à cargo da área de açúcar e etanol da Cargill no Brasil. Procurada pela reportagem, a multinacional respondeu que não comentaria o assunto "até a conclusão do processo".

No Brasil, a americana detém participação em três usinas, que somaram em 2014/15 uma moagem de 9,2 milhões de toneladas de cana. Na paulista Cevasa, tem 63%, e em duas unidades em Goiás que administra em parceria com a SJC Bioenergia, tem 50%. A múlti também prevê concluir em 2016 a ampliação da capacidade de produção de etanol em uma das usinas goianas a partir da utilização do milho como matéria-prima durante a entressafra da cana.

O dólar valorizado frente ao real vem sendo um atrativo para compra de ativos no Brasil, conforme especialistas. No caso desse negócio, se a Black River adquirir as duas usinas da Ruette por R$ 680 milhões (R$ 530 milhões, mais o investimento de R$ 150 milhões), a gestora estará pagando um múltiplo de R$ 180 por tonelada de cana processada pelo grupo. Para um investidor estrangeiro, como é o caso da Black River, essa aquisição em dólar (ao câmbio de R$ 3,80), sairia por um múltiplo de US$ 48 por tonelada, bem abaixo do múltiplo de US$ 100/tonelada praticado nos últimos anos no segmento. (Valor Econômico 17/09/2015)

 

Açúcar: Ganhos em NY

O açúcar subiu ontem na bolsa de Nova York, sob influência de fatores técnicos e de questões macroeconômicas.

Os lotes para março de 2016 subiram 2 pontos, para 12,33 centavos de dólar a libra-peso.

O vencimento das opções dos lotes de outubro colaboraram para um reposicionamento dos fundos. As expectativas de que o Fed adie a alta dos juros pressionou o dólar, que por sua vez sustentou os preços da commodity.

Também teve impacto a projeção da FCStone de déficit de 3,8 milhões de toneladas em 2015/16.

Além disso, a Indonésia (maior importador global de açúcar bruto) indicou que importará no quarto trimestre mais que o dobro do registrado em igual período de 2014.

No mercado interno, o indicador Cepea/ Esalq para o açúcar cristal subiu 0,67% para R$ 51,09 a saca de 50 quilos. (Valor Econômico 17/09/2015)

 

Consultoria projeta déficit de açúcar na safra 2015/16

Mais uma estimativa de déficit global de açúcar para o ciclo 2015/16, que se iniciará em 1º de outubro, foi divulgada ontem no mercado. A consultoria americana FCStone projetou que a demanda da commodity vai superar a produção em 3,8 milhões de toneladas na próxima safra. Se confirmado, será o primeiro déficit desde o ciclo 2009/10.

De acordo com a consultoria, a produção mundial deve diminuir 0,8%, para 180,5 milhões de toneladas, e a demanda, crescer 1,8%, para 184,3 milhões de toneladas. O déficit projetado pela FCStone é o maior entre as principais estimativas divulgadas até agora para o ciclo 2015/16.

Em agosto, a Organização Internacional do Açúcar (ISO, na sigla em inglês) divulgou que espera, após cinco anos de superávits, um déficit de 2,5 milhões de toneladas de açúcar no ciclo 2015/16.

A trading Czarnikow até o momento foi a que previu números mais conservadores. Em julho, estimou que a demanda por açúcar vai superar a produção em 1,7 milhão de toneladas em 2015/16. (Valor Econômico 17/09/2015)

 

Cide ainda é alternativa, caso CPMF não seja aprovada

Em uma eventual derrota ou desistência de ressuscitar a CPMF, o aumento da Cide sobre gasolina ainda é uma alternativa para o governo conseguir elevar a arrecadação para ajustar as contas públicas. A proposta em estudo pela Fazenda eleva o tributo do combustível de R$ 0,10 para R$ 0,60 por litro, sendo que os recursos arrecadados seriam repartidos com Estados e municípios, o que agrada a governadores e prefeitos.

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, se reuniu ontem com empresários e parlamentares que representam o setor de etanol, que se beneficiaria com a medida visto que a gasolina perderia competitividade. Segundo relatos de participantes do encontro, Levy disse que "está avaliando os desdobramentos do pacote fiscal enviado ao Congresso e que essa possibilidade [elevação da Cide] não pode ser descartada e pode ser uma opção de arrecadação".

O deputado federal Sérgio Souza (PMDB­PR), presidente da Frente Parlamentar pela Valorização do Setor Sucroenergético, disse que Levy sinaliza aprovar a medida, mas demonstra preocupação com o impacto inflacionário. "O ministro disse que o governo está estudando isso há algum tempo e que vê isso com bons olhos", contou. A alta da Cide impacta a inflação, mas pode ser feita por decreto presidencial, sem precisar de aval do Congresso.

Contudo, outra fonte do setor sucroalcooleiro, explicou que, apesar de ter se mostrado simpático à idéia, Levy também ponderou que governo, no momento, tem outras prioridades como lutar pela aprovação de uma nova CPMF no Congresso e ainda impedir que os congressistas derrubem vetos presidenciais.

Parlamentares defendem inclusive que a Cide seja elevada logo já que o governo ainda busca uma solução ao pacote fiscal. A recriação da CPMF, principal medida anunciada e que arrecadaria R$ 32 bilhões, encontra resistência no Congresso.

Levy aproveitou para negociar. Uma nova reunião com o setor de etanol está prevista no fim do mês ­ depois de o Congresso analisar os vetos da presidente Dilma Rousseff a projetos aprovados pelo Legislativo. Alguns têm forte impacto nas contas públicas e, se derrubados, atrapalhariam os planos do ministro. Levy pediu o apoio da Frente, que reúne mais de 200 parlamentares, nessas votações, previstas para o dia 22 de setembro.

A alta da Cide arrecadaria R$ 15 bilhões por ano, sendo cerca de R$ 10 bilhões para a União e o restante para Estados e municípios, contemplando governadores e prefeitos.

Segundo Souza, o aumento do tributo deve ficar restrito à gasolina, porque o diesel afetaria de maneira mais forte os preços na cadeia produtiva. O impacto inflacionário da medida seria de 0,84 ponto porcentual no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Ele argumenta que o setor sucroalcooleiro, que passa por dificuldades, voltaria a investir, a contratar e o preço do frete dos produtos no país não seria afetado. "É uma saída para o governo", declarou. (Valor Econômico 17/09/2015)

 

Setor sucroenergético defende aumento da Cide

Categoria alega que imposto eleva competitividade do etanol em relação à gasolina.

O setor sucroenergético pressiona para que o governo aumente o valor da Contribuição de Intervenção do Domínio Econômico (Cide) sobre a gasolina, medida que era esperada no anúncio do pacote de ajustes anunciado esta semana pela equipe econômica da presidente Dilma Rousseff.

A categoria alega que, no período sem a cobrança da contribuição, o etanol perdeu competitividade para a gasolina. Nos últimos quatro anos, cerca de 100 usinas foram fechadas, gerando a perda de 100 mil empregos diretos. Um estudo encaminhado para o governo mostra que um aumento da Cide para R$ 0,60 o litro da gasolina poderia gerar uma receita de R$ 14,9 bilhões ao governo.

Para que haja sustentação daqueles que ainda estão em funcionamento, das unidades que se mantém produzindo, tem que se ter uma contribuição que, neste momento, também é benéfica ao governo, mas dará uma competitividade ao etanol e permitirá que tenha esta sustentação ao reconhecimento aos fatos positivos do meio ambiente e a saúde, afirma o presidente da Associação de Produtores de Bioenergia do Estado do Paraná (Alcopar), Rubens Tranin.

No curto prazo, a saída para retomada do crescimento, segundo as lideranças do setor, está no aumento do imposto, mas eles acreditam que a Cide só não entrou no novo pacote orçamentário do governo por pressão da Petrobras.

A Petrobras não vai poder aumentar a gasolina, mas a Cide é importante porque recupera nosso setor e o governo arrecada, então tem que entrar para salvar nosso setor. A aceitação é boa, depende só de um decreto da presidente e acho que sairá, porque é a salvação do setor, diz o presidente da Associação dos Plantadores de Cana de Alagoas (Asplana), Edgar Leahy Antunes.

As entidades que participam da Câmara Setorial de Açúcar e Álcool já conseguiram apoio dos Ministérios da Agricultura e do Desenvolvimento, Indústria e Comercio Exterior (MDIC) e agora buscam convencer a equipe econômica do governo.

A gente acredita muito que vamos ter sucesso neste pleito. [a Cide] Trás enormes benefícios para os municípios em arrecadação, porque tem uma parcela que vai direto para os municípios e nesse momento é importante fortalecer os municípios. Tem uma parcela que vai para o estado e tem uma parcela que fica no governo federal, afirma o presidente da Câmara Setorial, Ismael Pirina Junior. (Canal Rural 16/09/2015)

 

Adiada no STJ decisão sobre caso Abengoa

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) adiou o julgamento que estava previsto para acontecer ontem envolvendo a empresa espanhola Abengoa e a paulista Adriano Ometto Agrícola. A Corte Especial (órgão máximo do tribunal) terá que decidir sobre a validade de uma arbitragem feita em Nova York que estipulou que a Abengoa tem direito a uma indenização de US$ 100 milhões da Adriano Ometto referente a um negócio fechado em 2007.

A espanhola pediu a indenização sob alegação de que foi prejudicada na aquisição de duas usinas da Adriano Ometto. Após a conclusão da transação, a Abengoa reclamou que a capacidade de produção das unidades era inferior à prevista no acordo. Durante a arbitragem, a Ometto concordou em pagar US$ 18 milhões, mas a empresa espanhola pediu mais e obteve o direito a US$ 100 milhões em sentença arbitral.

Mas a Ometto alegou que o advogado americano David W. Rivkin, que presidiu a Comissão de Arbitragem, é sócio de um escritório (Debevoise & Plimpton LLP) que recebeu US$ 6,5 milhões em honorários da Abengoa. Para Fernando Eduardo Serec, advogado do escritório Tozzini Freire, que representa a Adriano Ometto, a sentença arbitral deve ser anulada, pois "o árbitro violou os princípios da imparcialidade e da independência". O advogado Sérgio Bermudes, que defende a Abengoa, disse que a arbitragem foi válida e que o escritório de Rivkin não recebeu honorários da Abengoa diretamente, mas a partir de uma ação em que atuou como parte interessada. (Valor Econômico 17/09/2015)

 

Angola busca espaço na produção de açúcar

Angola já foi potência na produção de café e algodão, dois dos principais produtos que alavancaram a sua economia nas duas últimas décadas que antecederam a independência do país.

Habituado a fortes desafios e com os olhos num futuro risonho, o país trabalhou por largas décadas para criar alternativas consistentes ao algodão, ao diamante e ao petróleo, sua maior fonte de receita nos últimos 20 anos.

Hoje, volvidos 40 anos desde a conquista da sua liberdade, Angola vira-se para um novo produto para atacar em força o mercado internacional e fazer crescer as receitas.

É no Pólo Agro-Industrial de Capanda, município de Cacuso, província de Malanje, onde as autoridades do país fazem crescer uma plantação de cana-de-açúcar, numa área de 42.500 hectares.

O projeto está a posicionar o país entre os produtores mundiais de açucar, bioenergia e etanol.

A atividade de homens e máquinas, no perímetro equivalente a 42.500 campos de futebol, abre hoje espaço à auto suficiência na produção alimentar, ao fomento da cadeia produtiva e à aceleração do processo de diversificação da economia nacional.

O projeto, uma iniciativa público-privada, ganhou impulso com a aprovação do Decreto Presidencial número 230/13, que aprova a Adenda do Projecto de Investimento da Unidade Agro-industrial de Cacuso-Malanje.

A aprovação deste diploma permitiu nova injecção financeira ao projecto agro-industrial gerido pela Companhia de Bioenergia de Angola, Lda (Biocom).

A vontade de transformar esse "pedaço" de Cacuso ganhou corpo e, hoje, da produção de cana-de-açúcar, resultam seis mil metros cúbicos de etanol, 205 gigawatts/hora de energia elétrica, além de seis mil toneladas de açúcar.

A transformação centra-se na necessidade de alavancar a economia nacional e na redução da dependência do sector petrolífero.

Para acelerar essa transformação, a administração da Biocom tem na tecnologia um dos grandes diferenciais competitivos. Os processos de plantação e colheita são totalmente mecanizados.

Com olhos na melhoria contínua da sua produção agrícola, a empresa angolana de direito privado investe em estudos, pesquisas de laboratório e de campo, bem como em testes de equipamentos de ponta.

Um dos investimentos nessa direção é o viveiro onde são multiplicadas as variedades de canas cultivadas pela companhia.

O objetivo é ter mudas de cana-de-açúcar com alto potencial de produtividade agrícola e alta qualidade, enquanto matéria prima.

"O nosso foco atual é a adaptação da variedade com o solo, clima e manejo agrícola de pragas e doenças locais", de acordo com João Gomes, responsável pelo viveiro que tem em experimentação 30 espécies, quatro delas de Angola e as outras importadas do Brasil, África do Sul e Índia.

O método de multiplicação adotada é o sistema de “muda-pré-brotada” (MPB), que alcança altas taxas de multiplicação, se comparado com a plantação mecanizada convencional.

O diretor para as Relações Institucionais da Biocom, Luís Bagorro, que, durante três dias, mostrou à imprensa a nova vida na extensa área de produção, explica que a plantação de 42.500 hectares será aumentada para 80 mil na segunda fase, dentro de quatro anos.

O aumento de capacidade permitirá ao país ser auto-suficiente na produção de açúcar, produto que o mercado interno consome na ordem das 400 mil toneladas anuais, na maioria de importação, estando prevista uma nova duplicação da capacidade de produção, até 2025.

A produção de etanol está estimada, a partir de 2019, em 30 milhões de litros, e a energia eléctrica gerada será utilizada para reforçar a linha de alta tensão de Capanda / Cacuso.

Área industrial

A 370 quilômetros de Luanda, principal centro econômico do país, a unidade industrial tem capacidade para processar, na primeira fase, 2,2 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por safra, matéria-prima base para a produção industrial.

A unidade industrial é operada por meio de uma Central de Operações Industriais (COI), com sistemas de automação, controlos e câmaras que garantem um acompanhamento em tempo real de todas as etapas do processo de fabricação.

Do processo industrial resultam três produtos principais: o açúcar, a energia elétrica e o etanol.

Produção de Açúcar

A Biocom produz e comercializa açúcar, atendendo a clientes de todo o país.

O açúcar produzido é o cristal branco, que é comercializado em embalagens de um e 50 quilogramas.

Para produzir açúcar, o sumo da cana-de-açúcar é extraído através de um sistema difusor e passa pelas etapas de peneiração, clarificação, concentração, cristalização, centrifugação e secagem, por meio do qual a sacarose se transforma em cristais de açúcar.

Para Bartolomeu Gonga, responsável pelo processo de fabricação de açúcar, é motivador participar desse processo que tem como média diária uma produção de mil sacos, de 30 quilogramas cada.

Energia elétrica

A energia elétrica é produzida a partir da biomassa (pequenos pedaços de madeira resultantes de trituração) e do bagaço da cana-de-açúcar, provenientes do processo de supressão vegetal, da produção de açúcar e de etanol.

"A geração de energia elétrica é realizada por meio do vapor gerado nas caldeiras de alta pressão, alimenta as turbinas que transformam essa energia térmica em mecânica e que os geradores convertem em energia elétrica", esclareceu Simão Conde, técnico angolano operador de geração de energia.

A energia produzida é suficiente para abastecer a unidade industrial e o excedente é vendido à Empresa Nacional de Distribuição de Eletricidade (ENDE, E.P.).

A capacidade plena de comercialização de energia eléctrica será atingida na safra de 2019/2020, com 235 Gigawatt/hora (GWh) de energia elétrica.

Produção de etanol

O etanol (álcool etílico) ou simplesmente álcool, no processo de fabricação da Biocom, é obtido da fermentação de açúcar.

O processo utilizado na produção do Etanol Anidro é o Metil Etileno Glicol, informou Emílio Lourenço Adão, da área de produção desta substância.

Na safra de 2019/2020, momento em que será atingida a maturidade da unidade industrial, está prevista a produção de 28 mil metros cúbicos de etanol anidro.

Preservação ambiental e projetos sociais

A empresa, que hoje emprega mais de 2,5 mil angolanos nas suas operações agro-industriais, reserva 5.579 hectares à preservação permanente de vegetação nativa, além de re-utilizar os resíduos gerados no processo industrial.

A educação, cultura, o desporto e lazer estão entre as prioridades da empresa, que, além de gerar mais de cinco mil empregos indiretos e beneficiar acima de 30 mil pessoas, promove, junto da comunidade local, acções de apoio à educação básica para eliminar o analfabetismo.

Com um investimento final estimado em 750 milhões de dólares norte-americanos, o maior investimento agro-industrial recente no país tem como acionistas as empresas brasileiras Cochan (40%), Odebrecht (40%) e a angolana Sonangol (20%). (Angola Press 16/09/2015)

 

Usinas venderam 34,26% a mais de etanol em agosto

A venda de etanol pelas unidades produtoras da região Centro-Sul registrou incremento de 34,26% em agosto deste ano na comparação com o mesmo mês de 2014, segundo a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).

Desse total, 258,84 milhões de litros foram para o mercado externo e 2,48 bilhões de litros ficaram no mercado doméstico.

No caso do etanol hidratado (combustível), a comercialização no mercado interno chegou a 1,62 bilhão de litros em agosto deste ano, frente a 1,12 bilhão de litros registrados no mesmo mês da safra 2014/2015, o que representa alta de 43,89%. E as vendas internas de etanol anidro totalizaram 862,79 milhões de litros em agosto deste ano, contra 826,11 milhões de litros apurados no mesmo período de 2014.

O diretor técnico da Unica Antonio de Pádua Rodrigues diz que o crescimento nas vendas de etanol no país decorre da ampliação da competitividade do biocombustível frente à gasolina, fato que também ajuda a explicar a preferência das unidades pelo produto na decisão sobre o mix de produção.

Preferência. O presidente da Associação das Indústrias Sucroenergéticas de Minas Gerais (Siamig), Mário Campos, confirma a preferência pelo etanol hidratado nas usinas instaladas no Estado. "Afinal, com o preço mais competitivo, o que está sendo produzido, está sendo vendido".

Entretanto, apesar de estar ganhando cada vez mais a preferência do consumidor na hora de abastecer, o etanol ainda não está no patamar adequado em termos de rentabilidade para os produtores, conforme Campos. "O litro do etanol hidratado, sem impostos, está sendo vendido por R$ 1,17, R$ 1,18. O valor é menor que o vendido na mesma época do ano passado, na casa dos R$ 1,25. O atual valor não paga o custo operacional e o custo financeiro", observa. O custo de produção é de R$ 1,45 por litro.

Aumento da Cide é bom para produto

O aumento da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) para a gasolina, cogitada pelo Ministério da Fazenda, foi avaliada de forma positiva pelo presidente da Siamig, Mário Campos. "Se a Cide for recomposta nos patamares de quando foi criada, o etanol fica mais competitivo", diz.

Ele observa que apesar de representar uma arrecadação importante para o governo, existe o receio da alta da Cide na inflação. A previsão é de arrecadação extra de R$ 12 bilhões para a União. (Brasil Agro 17/09/2015)

 

Tendência é de alta para preços do açúcar em Nova York, mas dólar pode pressionar mercado

O desempenho do dólar deu ontem a direção para os contratos futuros de açúcar demerara na Bolsa de Nova York (ICE Futures US). A alta da moeda norte-americana pressionou o mercado, que ainda continua com sinais positivos, principalmente no médio e longo prazos.

O dólar se recuperou ontem em relação ao real, depois da queda na segunda-feira, com investidores prevendo dificuldades para o governo aprovar no Congresso Nacional as medidas do pacote fiscal, que inclui a volta da CPMF. No exterior, a divisa dos EUA apresentava leve alta, em reação à expectativa da reunião do Federal Reserve (banco central dos EUA), ainda nesta semana.

Com relação aos fundamentos do açúcar, os participantes continuam atentos ao clima nas regiões produtoras brasileiras, que volta a ficar seco nos próximos dias, favorecendo a colheita e moagem da cana-de-açúcar. Segundo a Climatempo, no oeste e no norte de São Paulo, principal Estado produtor do Brasil, não há previsão de chuva significativa até o próximo fim de semana. Na região central do Estado, o volume acumulado deve ficar entre apenas 2 mm e 10 mm.

Apesar da tendência de retomada da moagem de cana no Brasil, analistas continuam altistas para o mercado de açúcar. O Itaú Unibanco, em boletim mensal sobre commodities, projeta preço internacional de 11 cents para o produto no fim deste ano, embora reconheça "existência de risco de alta, se algum fator se materializar", como perdas de safra na China e na Índia; nova suspensão da moagem no Centro-Sul do Brasil provocada pelo clima adverso e aumento da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide).

No lado da demanda, a analista Judith Ganes Chase, da consultoria J. Ganes Consulting, avaliou que o consumo de açúcar pela China deve continuar firme. "A China pode ser o salvador da pátria, evitando que os preços (do açúcar) escorreguem cada vez mais", afirmou ela, em recente nota.

O Banco Pine, em relatório sobre o mercado de açúcar, reforça que as perspectivas para a safra chinesa não parecem ser favoráveis. "Não acreditamos em importações excessivas por pressão do governo central para manter volumes comedidos, mas o aumento é inevitável", diz o Pine.

Tecnicamente, o vencimento março/16 em Nova York se afastou da máxima de segunda-feira, a 12,55 cents, que deve ser o próximo objetivo a ser alcançado. O suporte é de 12,07 cents, mínima dos dias 4 e 10 de setembro.

Ontem, o mercado de açúcar em Nova York trabalhou no terreno negativo em boa parte do pregão, pressionado pelo dólar. O vencimento março/16 caiu 7 pontos (0,57%), a 12,31 cents. A máxima foi de 12,47 cents (mais 9 pontos). A mínima bateu 12,16 cents (menos 22 pontos).

O valor à vista em reais do indicador do açúcar Esalq fechou R$ 50,75/saca (+0,20%). Em dólar, o preço ficou em US$ 13,16/saca (-0,75%). (Agência Estado 16/09/2015)

 

Dedini recebe prazo para criar plano de recuperação e escapar de falência

Justiça determinou 60 dias para metalúrgica inverter situação financeira. Em agosto, empresa demitiu 367 em Piracicaba e 270 em Sertãozinho.

O grupo Dedini, que atua na área metalúrgica voltada ao setor sucroalcooleiro, terá até novembro para apresentar um plano para recuperar a saúde financeira e evitar a falência. O prazo foi determinado pela Justiça após a empresa demitir 637 funcionários em Piracicaba (SP) e Sertãozinho (SP) e entrar com pedido de recuperação judicial no final de agosto.

Ao deferir o pedido da Dedini, o juiz Marcos Douglas Veloso Balbino da Silva, da 2ª Vara Cível dePiracicaba, nomeou outra empresa, a Deloitte, como administradora judicial. Na decisão, oficializada no último dia 4, o Judiciário estabeleceu prazo de 60 dias para apresentação do plano de recuperação. Caso a determinação não seja cumprida, poderá ser decretada a falência da companhia.

O plano de recuperação, segundo a Justiça, deve inclui cinco empresas do grupo: Dedini S/A Equipamentos e Sistemas, Codismon Metalúrgica Ltda., Dedini Refratários Ltda., Dedini S/A Indústria de Base e a Dedini S/A Administração e Participações.

Durante o período concedido para a recuperação judicial, o grupo também terá de apresentar judicialmente os demonstrativos de contas mensais, conforme informações do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo.

Dificuldades financeiras

Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de Piracicaba, a dívida da Dedini com bancos, funcionários, fornecedores e Receita Federal é de aproximadamente R$ 300 milhões. A empresa não comenta esse valor.

O grupo metalúrgico enfrenta problemas financeiros desde 2013 e, no início de agosto deste ano demitiu 367 funcionários de Piracicaba e outros 270 da unidade de Sertãozinho, na região de Ribeirão Preto (SP).

No final de agosto, quando a Dedini entrou com o pedido de recuperação judicial, o sindicato que representa os trabalhadores metalúrgicos informou que a empresa sinalizou para uma continuidade das atividades e da produção.

Greve

Em julho, os trabalhadores da Dedini chegaram afazer greve durante uma semana por causa de salários atrasados. Um protesto realizado pelos metalúrgicos fechou uma faixa da Rodovia Fausto Santomauro (SP-147), o que causou congestionamento de 2 quilômetros no sentido Rio Claro-Piracicaba. (G1 16/09/2015)

 

Odebrecht tenta impedir uso de dados da Suíça

Empreiteira vai ao STJ contra ministro Cardozo.

A empreiteira Odebrecht entrou com ação no STJ (Superior Tribunal de Justiça) para tentar impedir o uso de documentos obtidos pelo Ministério Público Federal sobre contas na Suíça empregadas para pagamentos de propina.

Para isso, a Odebrecht ajuizou mandado de segurança contra o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, pedindo que seja obrigado a dar detalhes sobre a cooperação entre o Brasil e a Suíça. Em abril, Cardozo negou pedido feito pela empresa, alegando que a investigação era sigilosa.

A empresa pediu ao STJ "ao menos a suspensão do uso dos documentos obtidos junto à autoridade suíça no curso das investigações até decisão final a ser proferida". A ação foi ajuizada em 18 de agosto, mas o tribunal ainda não tomou nenhuma decisão.

As informações da Suíça foram obtidas após pedido da Procuradoria-Geral da República ao Ministério da Justiça, que intermediou o contato com as autoridades suíças.

Segundo a Procuradoria, contas ligadas à empreiteira no exterior estão na origem de pagamentos que somam ao menos US$ 17,6 milhões a ex-dirigentes da Petrobras.

A Odebrecht disse que exerce seu direito de obter informações de órgãos públicos para poder exercer seu direito de defesa. A Procuradoria diz que a cooperação com a Suíça seguiu a legislação em vigor. Cardozo não comentou. (Folha de São Paulo 17/09/2015)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Ganhos em NY: O açúcar subiu ontem na bolsa de Nova York, sob influência de fatores técnicos e de questões macroeconômicas. Os lotes para março de 2016 subiram 2 pontos, para 12,33 centavos de dólar a libra-peso. O vencimento das opções dos lotes de outubro colaboraram para um reposicionamento dos fundos. As expectativas de que o Fed adie a alta dos juros pressionou o dólar, que por sua vez sustentou os preços da commodity. Também teve impacto a projeção da FCStone de déficit de 3,8 milhões de toneladas em 2015/16. Além disso, a Indonésia (maior importador global de açúcar bruto) indicou que importará no quarto trimestre mais que o dobro do registrado em igual período de 2014. No mercado interno, o indicador Cepea/ Esalq para o açúcar cristal subiu 0,67% para R$ 51,09 a saca de 50 quilos.

Café: Importador abastecido: As cotações do café arábica ensaiaram uma recuperação ontem na bolsa de Nova York, mas cederam por conta de incertezas quanto à demanda. Os papéis para dezembro recuaram 60 pontos, a US$ 1,181 a libra-peso. A Associação de Café Verde dos Estados Unidos reportou na terça-feira que, em agosto, os portos americanos detinham 6,1 milhões de sacas, alta de 4% ante julho e de 2% sobre igual mês de 2014. A Federação Européia de Café informou também ontem que os estoques do continente aumentaram 1,5% em julho, para 714,5 mil toneladas. Os dados reforçam a percepção de que os principais centros importadores estão bem abastecidos e podem reduzir o ritmo de compras nos próximos meses. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o café arábica subiu 1%, para R$ 455,47 a saca.

Soja: Pressão americana: As indicações otimistas para a safra americana interromperam ontem a sequência de alta dos preços da soja que se estendeu por quatro sessões até terça-feira na bolsa de Chicago. Os contratos para janeiro de 2016 caíram 1,25 centavo, a US$ 8,91 o bushel. As previsões meteorológicas apontam para chuvas no fim de semana no Meio-Oeste, mas não a ponto de interromper a colheita. A Agência de Serviços Agropecuários dos EUA revisou ontem para cima a área que os produtores do país deixaram de plantar para a safra 2015/16 para 898 mil hectares, mas a extensão foi menor que o esperado. Pelo novo cálculo, o cultivo do grão ocupou 32,65 milhões de hectares no país. No mercado interno, o indicador Cepea/ Esalq para a soja em Paranaguá subiu 0,33%, para R$ 81,60 a saca.

Milho: Alto rendimento: O mercado do milho também foi pressionado ontem por sinais de boa produção nos Estados Unidos. Os lotes para março de 2016 recuaram 4,5 centavos, a US$ 3,9725 o bushel. Analistas citam relatos de altos índices de produtividade no oeste do cinturão do milho, onde o clima favoreceu o desenvolvimento das lavouras, principalmente em Minnesota e Dakota do Sul. A revisão da área plantada nos EUA pela Agência de Serviços Agropecuários veio acima do esperado. Conforme o órgão, os produtores deixaram de plantar 951 mil hectares com milho, que cobriu uma área de 34,11 milhões de hectares na safra atual. Também houve pressão do aumento das vendas por produtores. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa subiu 1,16%, para R$ 31,36 a saca. (Valor Econômico 17/09/2015)