Setor sucroenergético

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Usinas Itamarati

Ana Claudia Moraes, herdeira do saudoso Olacyr de Moraes, tem sido aconselhada por seus executivos a paralisar temporariamente as atividades da Usinas Itamarati.

Sairia mais barato colocar todos os funcionários em casa do que engolir os seguidos prejuízos operacionais da sucroalcooleira.

Oficialmente, a empresa afirma que a produção será mantida. (Jornal Relatório Reservado 21/09/2015)

 

ICMS: Usinas são investigadas em Nova Fase da Operação ‘Inadimplentes’

No total, 18 usinas acumulam débitos não recolhidos que superam os R$ 70 milhões.

Uma usina localizada em Ariranha é investigada na nova fase da operação “Inadimplentes” da Secretaria da Fazenda que foi deflagrada ontem (16). De acordo com a assessoria de comunicação do setor, esta etapa tem como objetivo recuperar Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) que já foi declarado e não pago por 18 empresas do setor sucroalcooleiro. Juntas as usinas acumulam débitos não recolhidos que superam os R$ 70 milhões.

No total, 34 agentes fiscais de renda de sete Delegacias Tributárias em 17 municípios participam da ação. Informações sobre a usina de Ariranha e o valor declarado e não pago não foi divulgado, já que a informação é resguardada por sigilo fiscal. Nesta operação, será reavaliado o credenciamento das usinas que estabelecem normas específicas de pagamento do ICMS. As usinas credenciadas podem apurar o imposto e quitar no início do mês seguinte, além de pagarem o tributo sobre a cana-de-açúcar no momento da saída do produto (etanol hidratado carburante - EHC).

As regras do credenciamento que constam na Portaria CAT 224/2009 prevêem o cancelamento no caso de falta de pagamento do imposto ou ocorrência de infração à legislação tributária. No caso de suspensão, o estabelecimento passará a recolher o IMCS a cada operação, quando emitir a nota fiscal de saída do etanol hidratado carburante. Neste caso também o contribuinte perde também o chamado diferimento do imposto na aquisição de cana-de-açúcar, que permite quitar o tributo apenas no momento da saída do produto final, o etanol hidratado. Caso seja feito o cancelamento do credenciamento, a usina terá de recolher o ICMS no momento de entrada do insumo em sua linha de agroindustrial.

Está incluída nesta operação a execução de procedimentos ficais que tem como objetivo verificar os estoques de insumos e produtos acabados, além da situação fiscal e contábil das empresas.

Além de Ariranha, usinas de Araçatuba, Bocaina, Brejo Alegre, Cafelândia, Cerqueira César, Clementina, Dois Córregos, General Salgado, Guariba, Itapira, Itápolis, José Bonifácio, Monções, Parapuã, Santo Antônio do Aracanguá e Sertãozinho estão sendo investigada. (Brasil Agro 21/09/2015)

 

Posto acompanha usina e reajusta preço do etanol

O indicador diário de preços do etanol hidratado apontou alta de 9,3% na semana passada.

O reflexo foi imediato nos postos de abastecimento da cidade de São Paulo nesta semana. O consumidor pagou, em média, 2,8% mais pelo álcool hidratado.

Os dados do indicador diário são do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) e da BM&FBovespa. Já a pesquisa nos postos é da Folha, que acompanha preço semanalmente em 50 estabelecimentos na capital paulista.

Apesar dessa alta, que levou o preço médio do litro de álcool hidratado para R$ 1,972, o combustível ainda tem vantagem em relação à gasolina em São Paulo. O derivado de petróleo vale, em média, R$ 3,124. Com isso, o valor do hidratado passou a ser 63% do da gasolina.

Pesquisa indica que, em média, esse etanol perde competitividade quando a paridade superar 70%.

Antonio de Pádua Rodrigues, diretor da Unica, diz que a alta de preços nas usinas foi um evento pontual, ocasionado pelas chuvas na primeira quinzena do mês.

Sem moagem, a oferta diminuiu, e os preços subiram. Mas, nesta semana, o etanol já começa a cair, aponta o indicador diário do Cepea.

A moagem da primeira quinzena deverá ficar 45% inferior à da anterior, segundo o diretor da Unica.

Cana: A moagem deverá ser de 646 milhões de toneladas nesta safra. Desse total, 590 milhões serão no centro-sul. A previsão é de Julio Borges, da consultoria JOB.

Menores: As chuvas que ocorreram no centro-sul, de abril de 2014 a março de 2015, foram 10% abaixo da média. As do Norte e Nordeste ficaram 12% abaixo da média dos últimos 20 anos no período de setembro de 2014 a agosto.

ATR: O rendimento industrial no centro-sul será de 133 quilos de ATR (açúcares teoricamente recuperáveis). No Norte e Nordeste, de 130.

Mix: O volume nacional de cana destinado ao etanol será de 53,7%. Borges prevê, ainda, produção de 33,2 milhões de toneladas de açúcar e de 30 bilhões de litros de etanol.

Arroz: O projeto Brazilian Rice quer elevar a fatia das exportações do cereal beneficiado, branco ou parboilizado para 50% neste ano. Hoje esse percentual está em 42%.

Agregado: A exportação desse tipo de arroz gera maior valor agregado. Já a venda externa de arroz em casca soma 18%, enquanto a de produto quebrado -de menor valor- atinge 40%. (Folha de São Paulo 19/09/2015)

 

Descartada, elevação da Cide passa a ser carta na manga do governo

A maioria do mercado financeiro ainda não incorporou em seus cenários de inflação o risco de aumento da Contribuição Sobre o Domínio Econômico (Cide) sobre os combustíveis, mas economistas alertam para o forte impacto na inflação que tal medida pode provocar, estimado em até 0,8 ponto porcentual no IPCA. Por isso, profissionais consultados pelo Broadcast acreditam que o ajuste da Cide não entrou no pacote fiscal anunciado pelo governo na última segunda-feira, mas segue como carta na manga caso a recriação da CPMF não seja aprovada no Congresso.

Para dar mais competitividade ao etanol, o setor quer que o governo eleve a Cide de R$ 0,10 para R$ 0,60 por litro. Porém, de acordo com o presidente da frente parlamentar do Setor Sucroenergético, Sérgio de Souza (PMDB-PR), o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, disse que é preciso esperar um melhor momento político para a medida. Qualquer mudança na Cide está sujeita à noventena, ou seja, só pode entrar em vigor três meses depois do anúncio.

Para o analista Márcio Milan, da Tendências Consultoria Integrada, a chance da Cide subir este ano é bastante reduzida. "Mesmo que aconteça, devido à noventena, o efeito só começaria a valer em dezembro, deixando algum resíduo para a inflação de 2016", disse. Caso os R$ 0,60 se confirmem, Milan estima impacto de 0,70 ponto porcentual no IPCA. Se a alta vier ainda este ano, elevará a projeção de IPCA da Tendências de 9,60% para 10,30%. Já se o reajuste ficar concentrado em 2016, a previsão passa de 5,40% para 6,10%, conforme a consultoria.

Por enquanto, o economista Fábio Romão, da LCA Consultores, acredita ser mais provável uma elevação nos preços da gasolina na faixa de 7% na bomba no final deste ano pela Petrobras, em vez de reajuste na Cide. Com isso, o aumento total no valor do combustível em 2015 somaria 18%. "Um dos dois deve acontecer até o final do ano. No caso da Petrobras, tem uma questão de reputação, tem alguma defasagem, o câmbio desvalorizou, o que deve levar a uma postura diferente da tomada no passado recente de não repassar. E também tem uma preocupação enorme do governo de aumentar a arrecadação, principalmente em 2016", considerou.

Romão disse não acreditar na aplicação dos dois aumentos este ano, pois entende que o governo tentará evitar entregar uma inflação de dois dígitos em 2015. "Nesse cenário, 9,9% seria bem menos pior que 10%. Sei que é absolutamente psicológico", disse o economista, que estima IPCA de 9,60% em 2015.

Se o aumento de R$ 0,60 for autorizado, o economista da LCA prevê impacto de 0,80 ponto no IPCA, com a gasolina subindo 19,4%. No entanto, Romão acredita que um aumento da Cide virá no ano que vem e ser da ordem de R$ 0,40. "Nosso cenário base para 2016 já leva em conta esta segunda hipótese (de R$ 0,40). Esperamos alta de cerca de 9,0% para a gasolina no ano que vem, em um IPCA de 5,5%", explicou.

Para o economista-sênior do Haitong, Flávio Serrano, a alta da Cide pode ser a alternativa do governo em caso de fracasso da aprovação da CPMF e, por isso, ainda não está contemplada nas suas projeções de inflação. E, se vier, deve ocorrer somente no próximo ano. De todo modo, caso se concretize o aumento para R$ 0,60 por litro, resultaria em aumento de 14% no preço da gasolina ao consumidor e 0,55 ponto de impacto no IPCA. "Nesse caso, o IPCA iria para em torno de 6%", disse Serrano, que atualmente espera IPCA de 5,6% em 2016.

Cálculo parecido tem o economista da Parallaxis, Rafael Leão. "A gasolina sairia de R$ 3,27 para R$ 3,77, aumento de 15,3%. Isso geraria um impacto no IPCA de até 0,6 ponto. Praticamente o dobro do impacto do reajuste da gasolina de fevereiro", afirmou. O economista-chefe da Kinea Investimentos, Luís Fernando Horta, não descarta a possibilidade de aumento da Cide este ano, em novembro. "Não é meu cenário base", admitiu. Segundo ele, um reajuste de R$ 0,60 provocaria uma elevação de 17% nos preços da gasolina e efeito na inflação seria de 0,70 ponto.

Em tese, o aumento da Cide na gasolina teria efeito expressivo e direto no IPCA, diferentemente do que ocorreria no caso de um aumento da contribuição no óleo diesel. A gasolina tem peso de 3,8762% no IPCA contra 0,13% do diesel.

Por outro lado, dizem os profissionais, um aumento no preço do diesel tem impactos indiretos importantes, que se disseminam na economia em razão do repasse do custo maior com frete. "O impacto menor (do aumento da Cide) no diesel que na gasolina é autoengano, pois sobem os custos de transporte e o risco de elevação de tarifas de transporte urbano, por exemplo", disse o economista-chefe do Banco ABC Brasil, Luis Otávio Souza Leal. Em suas simulações, o impacto da alta da Cide para R$ 0,60 por litro da gasolina no IPCA pode chegar a 0,80 ponto. (Agência Estado 18/09/2015)

 

Pesquisas avaliam produção de etanol 2G com capim-elefante

Experimentos conduzidos na Embrapa avaliam as melhores variedades e condições para obter etanol com capim-elefante. Um estudo apresentado no início de setembro em Fortaleza, durante o XX Simpósio Nacional de Bioprocessos, avaliou quatro genótipos da planta na produção do biocombustível. “O volume de etanol e rendimento da fermentação obtidos foram semelhantes para todas as biomassas, embora na avaliação de quantidade de biocombustível obtido por área cultivada os genótipos Cameron e 10 ADRJI tenham se destacado”, conta a analista Thályta Pacheco, da Embrapa Agroenergia.

Uma das características do capim-elefante que leva o centro de pesquisa a apostar nele como matéria-prima para produção de etanol 2G é a alta produtividade. Estudos indicam que a produção por hectare pode ficar entre 150 e 200 toneladas de massa fresca, considerando-se dois cortes anuais, o que tem sido visto como ideal para o mercado de energia. A primeira colheita pode ser feita apenas seis meses após o plantio e, se bem manejada, uma área cultivada pode continuar rebrotando por alguns anos.

Há que se ponderar, contudo, que o capim-elefante é produzido em áreas pequenas para ser usado com alimento para o gado, atualmente. Plantios em grandes áreas que gerem biomassa para bioenergia precisam de sistemas de produção diferenciados, que também já estão em estudo na Embrapa.

O trabalho com os quatro genótipos de capim-elefante desenvolvidos pela Embrapa Gado de Leite, avaliou, para cada um deles, a produção de etanol com biomassa de um corte anual e de dois cortes anuais. Os resultados mostraram que, independentemente do genótipo selecionado, a recomendação é fazer dois cortes por ano, para se obter melhor rendimento tanto no campo quanto na produção do biocombustível. No manejo de um corte único no ano, mesmo as biomassas mais produtivas apresentam menor potencial para a produção de etanol, em razão da inferior conversão da celulose em glicose. “Este fato pode ser associado ao maior teor de lignina que, em geral, materiais mais maduros apresentam”, analisa Thályta.

Em outra frente das pesquisas com etanol celulósico a partir de capim-elefante, tem-se testado diferentes métodos de pré-tratamento, primeira etapa para a produção do etanol 2G. Nesse processo, produtos químicos combinados com alta temperatura e, por vezes, pressão, atuam sobre a biomassa, “afrouxando” a estrutura. Com isso, consegue-se utilizar enzimas para agir sobre a celulose, “quebrando” as moléculas e gerando glicose. Esta, então, é fermentada e passa pelos processos já consolidados de produção de etanol.

Os cientistas da Embrapa Agroenergia, em parceria com a Universidade de São Paulo (Esalq/USP), testaram diferentes condições do pré-tratamento com ácido e com base, utilizando variedades de capim-elefante em estudo na Embrapa Cerrados. A partir dos materiais obtidos, os pesquisadores conseguiram extrair glicose em quantidade idêntica ao gerado com bagaço de cana. Esta é a matéria-prima mais visada para a produção de etanol 2G no Brasil, uma vez que já está disponível nas usinas. Ainda serão feitos testes futuros com o pré-tratamento por explosão a vapor, em parceria com a Embrapa Agroindústria Tropical.

Para a pesquisadora Mônica Damaso, da Embrapa Agroenergia, os resultados obtidos confirmaram que, mais do que o tipo de biomassa avaliada, o determinante para se obter maior concentração de açúcar, após a hidrólise enzimática, foi o tipo de pré-tratamento utilizado. “É esta etapa que define a quantidade de celulose disponível para obtenção de glicose”, explica.

Medir a quantidade de glicose, contudo, não basta, já que inibidores gerados no pré-tratamento podem comprometer a obtenção do produto final, o etanol. Por isso, as pesquisas para avaliar e aprimorar todo o processo de produção de etanol com capim-elefante continuam na Embrapa Agroenergia. (Embrapa 18/09/2015

 

Perda de grau de investimento afeta agricultura

As consequências da perda do grau de investimento pelo país ainda não são claras para a agricultura. Mas os efeitos sobre a economia já indicam para uma redução de margem do produtor no próximo ano.

A avaliação é do ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues. Para ele, câmbio e crédito são dois pilares fundamentais para o setor neste momento, e o rumo deles ainda gera dúvidas.

O câmbio, no ritmo atual, beneficia a agropecuária, que plantou com um dólar menor e está vendendo com um dólar mais elevado.

As negociações das commodities são basicamente feitas em dólar, o que traz mais reais para os produtores.

O problema, segundo Rodrigues, é que a safra atual já está sendo plantada com um dólar mais elevado. Ou seja, custos maiores. E com qual dólar vamos negociar no final da safra?, pergunta ele. Se o dólar estiver abaixo dos patamares atuais, a conta não vai fechar.

A questão do crédito, que preocupava os produtores, começa a ser resolvida com as liberações que vêm ocorrendo nas últimas semanas, diz Rodrigues.

A agropecuária sentirá os reflexos dos rumos da governabilidade. Os erros cometidos pelo governo começam a ser pagos agora pela sociedade. À exceção do setor sucroenergético, que já está pagando há mais tempo.

Apesar de admitir que há problemas na condução política e econômica do governo federal, o ex-ministro afirma que a agricultura está em boas mãos.

"A Kátia Abreu, que conseguiu um bom Plano Safra, conhece o setor e tem representatividade no governo."

Sobre a possibilidade de a ministra da Agricultura assumir a Casa Civil, Rodrigues diz que, "seria melhor ainda. Com a Kátia na Casa Civil, teríamos dois ministros. Ela e quem ela indicar".

Mesmo com os problemas atuais, o ex-ministro se diz esperançoso. "É preciso olhar para a frente."

Os investimentos na agricultura com certeza serão menores daqui para a frente. É só ver o resultado das compras de máquinas e equipamentos pelos produtores nas feiras realizadas pelo país.

Mas, um alívio poderá vir de possíveis quedas nos preços de fertilizantes, máquinas e agroquímicos.

O lado bom é que o produtor aprendeu que, para competir, tem de ter tecnologia e produtividade.

Para discutir esses momentos do cenário agrícola e principalmente as questões institucionais da agricultura, o setor se reúne neste sábado (19) em Campinas (SP).

Rodrigues, presidente do Lide Agronegócios, que promove o evento, diz que o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, fará uma avaliação de como o Judiciário vê o agronegócio.

Na sequência, haverá um debate com representantes do Congresso para avaliar o que está sendo feito em diversas áreas como vendas de terras para estrangeiros e questões ambientais e indígenas. (Folha de São Paulo 19/09/2015)

 

Gasolina pode ser 32% mais eficiente que etanol, revela pesquisa

Uma pesquisa de campo conduzida pela especialista em gestão de frotas Arval revelou que a gasolina chega a ser 32% mais eficiente que o álcool. Ou seja, um litro de gasolina roda 32% a mais que um litro de álcool quanto analisado o consumo médio, na comparação quilômetro por litro. Os dados foram extraídos de um experimento realizado durante quatro meses, utilizando 8 modelos diferentes de automóveis. Durante dois meses, os veículos testados usaram apenas gasolina e nos outros dois meses, somente álcool.

Por outro lado, quando avaliou o custo para rodar um quilometro, os dados da pesquisa da Arval relatam que o álcool se mostra mais vantajoso quando representa 76% do preço da gasolina. Isso significa que se, hipoteticamente, o litro da gasolina custasse R$ 1,00, seria mais vantajoso utilizar o álcool se preço do litro fosse no máximo R$ 0,76.

A pesquisa não considerou a utilização do gás como combustível pois, segundo Walter Kirschner, Diretor de Produtos da Arval, a autonomia é baixa e que só compensa em casos onde se roda muito. “O custo total da posse (TCO) do veículo deve ser levado em conta. Isso inclui o tempo de parada para abastecer que é maior, a escassa rede de postos, os custos de instalação e desinstalação dos equipamentos, a necessidade da vistoria do INMETRO e o fato de desvalorizar mais o veículo na hora da revenda”, argumenta o executivo. (Arval SP 18/09/2015)

 

Agronegócio brasileiro, na contramão da crise, cresce 46,5%

O agronegócio continua descolado da maré vazante da economia brasileira.

De janeiro a agosto, representou 46,5% do total das exportações do Brasil. No mesmo período do ano passado, esse percentual era de 43%.

CNA: Quem segurou a soja, se deu bem

Ao segurar a venda da supersafra de soja, diante da disparada diária do dólar após a colheita, os produtores gaúchos fizeram as exportações do grão aumentar 41% em agosto, na comparação com igual período em 2014. Os embarques da oleaginosa somaram 1,25 milhão de toneladas no período, contra 839 mil toneladas no mesmo mês no ano anterior.

A concentração maior das vendas externas em agosto fez o Rio Grande do Sul alcançar o maior crescimento em volume (16,4%) entre os principais Estados exportadores, conforme dados divulgados ontem pela Fundação de Economia e Estatística (FEE).

A soja respondeu por mais de 30% de todo o volume exportado em agosto, compensando boa parte da queda na indústria destaca Tomás Torezani, pesquisador em Economia da FEE.

Um dos fatores que explica o volume maior embarcado em agosto deste ano é a colheita recorde de soja, que superou a marca histórica de 15 milhões de toneladas. Mas a supersafra gaúcha não é o único motivo, explica o consultor em agronegócio Carlos Cogo.

Quando o produtor viu que o dólar não parava de subir começou a reter o grão para tentar vender melhor, já que a alta é transferida 100% para o preço da soja  explica Cogo, acrescentando que em abril e maio ainda se esperava uma redução na safra americana, o que acabou não se confirmando mais tarde.

A estratégia, mesmo que intuitiva, deu certo. Em abril, quando a safra foi colhida, a saca de 60 quilos de soja era vendida no Estado a R$ 65, enquanto o bushel (equivalente a 27,2 quilos) estava cotado a US$ 9,81 no mercado internacional. Em agosto, a mesma saca foi vendida a R$ 76,73, mesmo com o bushel a US$ 8,88.

A valorização do dólar compensou até mesmo a baixa na cotação da commodity. Quem retardou a venda, se deu bem completa Cogo.

Outro fator que ajudou a valorizar o preço foi o prêmio pago no porto de Rio Grande, 40% maior em agosto, na comparação com abril. (CNA / Veja 20/09/2015)

 

Agronegócio vira campo fértil para empresas de TI

Tecnologia da informação e oagronegócio - que, em geral, remetem ao campo, lavouras, produção - podem parecer coisas antagônicas, mas não são. As dificuldades econômicas têm exigido do setor agrícola um alto nível de profissionalização. De olho na demanda de um dos segmentos mais rentáveis do País, soluções para o agro viraram aposta das empresas de TI.

Foi no chamado Innovation Center da multinacional alemã SAP, localizado em São Leopoldo (RS), que nasceu o primeiro sistema da companhia criado especificamente para o agronegócio. "Ouvimos demandas do setor e, após três anos de desenvolvimento, o SAP ACM chegou ao mercado, em 2012", contam o gerente de desenvolvimento, Roberto Kuplich, e o arquiteto de soluções, Marcos Rahmeier, em entrevista ao DCI. "Para nós, a crise se torna uma oportunidade", acrescentam sobre o momento econômico do País.

O ACM consiste em um gerenciador de contratos que considera fatores como a regulamentação, legislação vigente, cotações das commodities em bolsa de valores e no mercado futuro. De acordo com os executivos, no momento em que um caminhão de soja entra na empresa, é possível prever todo o fluxo de caixa de pagamentos, por exemplo.

Bayer, Monsanto e Cargill são algumas das companhias agrícolas que têm algum tipo de relação estabelecida com a solução, seja já em uso ou como possível cliente (prospects). A trading de soja, milho e algodão, Multigrain, finalizou em fevereiro deste ano a implantação de um pacote de 12 soluções da SAP, dentre elas o ACM. As aquisições fizeram parte de um plano de expansão para os próximos cinco anos. "Nossas análises e controles de contratos eram feitos manualmente por meio de planilhas, questão que gerava grande atraso em nossas negociações e limitava nossa busca por melhores oportunidades de negócios", lembra o PMO e responsável pela implementação do SAP na Multigrain, Alexandre Gomiero.

Sem revelar os aportes e resultados exatos com o ACM, Kuplich e Rahmeier destacam que a solução está em uso por tradings e companhias de insumos de todos os continentes, exceto África. A próxima novidade do sistema é sua adaptação às operações de barter, um tipo de venda com base na troca de insumos por grãos, que tem assumido um papel importante na composição do custeio desta safra - que teve as despesas encarecidas pela alta do dólar. "Fizemos nossas considerações e estamos em fase de aprovação com as empresas", afirmam, sobre a nova adequação.

Só em 2014, a SAP investiu 2,331 milhões de euros em pesquisa e desenvolvimento.

Outras soluções

Após a implementação do projeto de TI da empresa de serviços digitais Atos, realizada a partir do ano passado, a cooperativa paranaense Agrária-Agroindustrial obteve resultados em eficiência e qualidade no serviço de atendimento.

Houve um aumento de 60% de satisfação dos usuários, maior segurança com a implementação de sistemas de informação, além de abraçar duas certificações ISO 9001 (em um período de um ano). A unidade cooperativista conta com cerca de 600 cooperados, 1.100 colaboradores e faturou, em 2014, R$ 2,2 bilhões.

Em São Paulo, desde 2013, a Usina Alta Mogiana começou a buscar alternativas para melhoria nos processos e chegou ao georreferenciamento fornecido pela companhia Imagem, especializada em soluções de Inteligência Geográfica.

"A solução possibilitou uma considerável aceleração das atividades, permitindo melhorar a qualidade e aumentar a produtividade das tarefas, por meio da integração dos processos de planejamento e mapas, do preparo do solo, do plantio e da colheita", conta o gerente de desenvolvimento agrícola da usina, Luis Augusto Contin. De acordo com o executivo, a unidade fabril otimizou em até 60% no tempo de planejamento e análises de operações agrícolas.

O gerente de agronegócios da Imagem, Alexandre Marques, ressalta que o segmento representa entre 15% e 20% dos resultados da empresa. Para a implementação da Inteligência Geográfica, o aporte de um produtor vai de R$ 10 mil a R$ 50 mil e de uma agroindústria, até R$ 200 mil, com retorno entre 30% e 70% no aumento de produtividade.

"No momento de crise, o mercado de agro é o que mais solicita porque aparecem as dores de gestão", comenta Marques. Para ele, por mais que o cenário seja de recessão, o ambiente de negócios está favorável, tanto que os níveis de crescimento têm sido mantidos. A empresa deve avançar 20% na média anual. (DCI 18/09/2015)

 

Com petróleo em baixa, setor tenta inovar para sobreviver

Em tempos de crise financeira e mudanças na indústria de óleo e gás, o mercado aposta na inovação como alternativa para reduzir custo, melhorar a eficiência dos negócios e promover novas estratégias. O sucesso da exploração comercial de uma boa ideia, entretanto, requer engajamento de toda a companhia, segundo o consultor global da Shell, Peter Lednor. De outra maneira, avalia, as empresas sucumbirão em um mercado em transformação.

"O futuro de nenhuma companhia está garantido, e elas deveriam pensar em como a inovação pode ajudar a sobrevivência", diz Lednor. Na última semana, o executivo ministrou no Rio um curso para o Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP), que aposta na inovação como chave para driblar incertezas conjunturais do País, e mudanças estruturais na cadeia global de petróleo.

"Algumas ideias eram boas com o barril a US$ 100, mas não são mais viáveis agora. Com óleo a baixas cotações, as pessoas tendem a ser mais focadas nas atribuições do dia a dia. Mas precisam acreditar, em todos os níveis da companhia, que a inovação é tão importante quanto cortar gastos e gerar novas receitas", complementa o consultor, responsável por mais de 28 patentes no setor.

Anos 80

O executivo compara o momento atual da indústria com o final da década de 80, quando as cotações de petróleo chegaram abaixo de US$ 20. Naquela época, a Shell cortou segmentos, como a área petroquímica - atuação semelhante à proposta hoje pela Petrobrás para superar a crise financeira. "O desinvestimento força a pensar no que se deve manter, mas não gera inovação. Qual o elemento novo para reestruturar a empresa? É preciso pensar estratégias que levem a caminhos diferentes."

Para inovar, é fundamental o consenso sobre o conceito de inovação na empresa. "Quando se fala em inovação, o topo e a base da companhia são entusiastas, mas os executivos de cargos médios são resistentes, pois isso consome recursos. Por que separar tempo e dinheiro para construir algo para daqui a dez anos quando há resultados a entregar no mês seguinte?", questiona. "É importante tornar a organização mais coesa em relação a essas estratégias de como fazer a inovação", completa.

Com 30 anos de carreira na Shell, Lednor cita iniciativas da empresa que trouxeram mudanças para a companhia, como o incentivo a ideias de pessoas fora da empresa.

"Há muitas idéias que se deixa pra trás, fora do funil. Você descarta ou espera para tentar de novo. Há uma escala do tempo das mudanças. Há mais de dez anos, a Shell começava a investir em eólica, solar e gás. Hoje, ela produz mais gás que petróleo. É uma grande mudança. É como se em dez anos evoluíssemos do modelo Ford T, o primeiro veículo, para uma Ferrari. É uma revolução", resume. (O Estado de São Paulo 19/09/2015)

 

Ponha a culpa na Índia - Por Arnaldo Luiz Corrêa

O açúcar derreteu nesta sexta-feira em NY depois que notícias vindas da Índia davam conta que o governo indiano estabelecera quotas de exportação devido ao crescimento dos estoques de açúcar naquele país. O volume de exportação, de acordo com o governo indiano, seria de 4 milhões de toneladas obrigatórias para diminuir os estoques excedentes que já superam os 10 milhões de toneladas. E a notícia da Índia pegou os fundos posicionados na compra que devem ter vomitado suas posições ao longo desta semana de quedas, potencializando o derretimento visto hoje.

Muito embora esse volume de exportação obrigatória represente pouco mais de 8% do total de açúcar negociado no mercado internacional, o impacto num mercado que carece de boas notícias oriundas do seu principal exportador, o Brasil, que apresenta a segunda taxa de câmbio mais baixa da história de sua moeda, só poderia ter esse desfecho trágico. Assim, o vencimento outubro/2015 encerrou a sexta-feira negociando a 10.96 centavos de dólar por libra-peso, uma queda semanal de 70 pontos, ou 15 dólares por tonelada. A pressão foi praticamente da mesma magnitude nos meses do próximo ano safra. Já o spread outubro/2015 março/2016 estreitou para 74 pontos, com carregamento implícito de 17% ao ano, que deve ter incentivado a realocação parcial de hedges que estavam em março de volta para outubro.
O mercado aposta que a entrega de açúcar no final do mês, contra o vencimento outubro/2015 na bolsa de futuros de NY vai ser próxima a um milhão de toneladas. O recebedor? A mesma trading asiática que tem monopolizado os recebimentos nos últimos vencimentos.

Não podemos diminuir o fato de que para as usinas, o fechamento de sexta-feira foi de quase R$ 1.000 por tonelada, ou seja, a trajetória descendente do real vai implicar em maior pressão nos meses de vencimento da safra 2016/2017, que oferecem a oportunidade para aqueles que sabem usar os mecanismos de hedge disponíveis no mercado de fixar preços que se aproximam dos R$ 1.300 por tonelada FOB.

Oportunidades de hedge em reais em níveis altos como agora, podem começar a desenhar uma safra mais açucareira para o próximo ano. E aí teremos um agravamento da disponibilidade de etanol cujo consumo interno tem crescido de maneira robusta. O consumo de hidratado de abril a agosto deste ano, no Centro-Sul, cresceu 29% em relação ao mesmo período do ano passado. O consumo total de etanol nesse período cresceu 10% em relação ao ano passado e estabeleceu um recorde de 10.3 bilhões de litros. Nunca a arbitragem entre os dois produtos, açúcar e etanol, será tão sensível como se espera no próximo ano. Difícil esperar que o açúcar apresente custo e carrego tão atraentes como vimos nessa safra, mesmo porque o déficit mundial estará de certa forma refletido e o estreitamento dos spreads deverá ser a tônica. Do lado das usinas, há chance de melhoras no prêmio do mercado spot. Do lado do consumidor, pode ser que os preços tão baixos vistos recentemente não se repitam em 2016/2017.

Não importa para onde se olhe, se para o mercado interno de combustíveis que sustenta preços e acirra a arbitragem com o açúcar; se para o mercado de açúcar que deve apresentar déficit mundial; se para a desvalorização do real que aumenta os custos de importação da gasolina e favorece o etanol; o fato é que o pêndulo do mercado está mais propenso para preços mais construtivos para as usinas.

Conseguir sobreviver às burradas da política econômica comandada por Dilma e sua legião de mortos-vivos é algo que o setor tem que se orgulhar. Infelizmente, neste momento sofrível da economia brasileira, em que a CIDE traria enorme alivio ao setor, o ministro Levy achou que não era o momento. E continuamos a subsidiar a gasolina via preços mais baixos do que o mercado internacional. Nesta semana, o preço médio da gasolina no mercado internacional foi de R$ 4.1552 por litro, o que traria competitividade para o hidratado a R$ 2.7000 por litro na bomba.

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Nesta segunda-feira inicia-se em São Paulo a Semana do Açúcar com o ponto alto sendo o Jantar de Gala que vai acontecer na quarta-feira, dia 23 de setembro, na Sala São Paulo, Estação Júlio Prestes, na Capital. Esta é a 8ª. Edição de um dos eventos mais importantes no mundo do açúcar, organizado pelo Sugar Club, entidade que é hoje presidida por Paulo Roberto Garcia. Também concorre em nível de importância a 15ª Conferência Internacional Datagro sobre Açúcar e Álcool que reúne líderes do setor e palestrantes de mais de 30 países. Este ano fui gentilmente convidado pelo Presidente da Datagro, Plinio Nastari a fazer parte do painel sobre o mercado mundial de açúcar. Nos vemos lá (Arnaldo Luiz Corrêa é diretor da Archer Consulting - Assessoria em Mercados de Futuros, Opções e Derivativos Ltda.)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Produto da Índia: Os preços do açúcar cederam na bolsa de Nova York na sexta-feira diante da influência de fatores macroeconômicos e de fundamentos. Os contratos do açúcar demerara para março de 2016 caíram 52 pontos, a 11,70 centavos de dólar a libra-peso. O governo da Índia definiu uma meta de exportação de 4 milhões de toneladas em 2015/16. A medida impactou o mercado porque o país é o maior consumidor de açúcar do mundo e costuma importar o produto, não exportar. A alta do dólar sobre o real também pressionou, além do sinal de cautela com relação à China dado pelo Fed na quinta-feira. Além disso, o tempo seco no Centro-Sul colabora para a moagem. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal subiu 0,9%, a R$ 51,85 a saca de 50 quilos ­ alta de 10,04% no mês.

Algodão: Trajetória descendente: As cotações do algodão perderam terreno na bolsa de Nova York na sexta-feira em meio ao avanço da colheita nos Estados Unidos e às incertezas com a demanda da China. Os lotes para dezembro caíram 185 pontos, para 60,55 centavos de dólar a libra-peso. O clima tem favorecido a colheita da safra 2015/16 nas áreas produtoras dos EUA. Além disso, na quinta-feira, o Fed citou as fraqueza da economia chinesa como um dos fatores de manutenção dos juros baixos. A indicação reavivou os temores com a demanda da China por algodão. Porém, há analistas que dizem que os juros próximos a zero nos EUA podem seguir incentivando o consumo de roupas. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a pluma com pagamento em oito dias caiu 0,03%, para R$ 2,3331 a libra-peso.

Soja: EUA e China no radar: A preocupação expressada pelo Federal Reserve com a China acentuou a pressão sobre a soja, que já vem caindo com a colheita nos Estados Unidos. Os lotes para janeiro de 2016 recuaram 17,25 centavos, a US$ 8,715 o bushel. A empresa de meteorologia DTN previa chuvas para o Meio-Oeste no fim de semana, mas com pequeno impacto no ritmo de colheita. Também houve novos relatos dos produtores do país que apontam para índices de produtividade mais altos do que informados inicialmente. Os investidores esperam agora pelo levantamento sobre a evolução da colheita nos EUA, que será divulgado hoje após o fechamento do pregão. No mercado doméstico, o indicador Cepea/ Esalq para a soja em Paranaguá subiu 0,17%, para R$ 80,33 a saca. O aumento é de 3,66% no mês.

Trigo: Egito vai às compras: Os futuros do trigo ganharam fôlego na sexta-feira nas bolsas dos Estados Unidos depois que o Egito anunciou uma oferta de compra do cereal no mercado internacional. Em Chicago, os lotes para março de 2016 subiram 5 centavos, a US$ 4,935 o bushel. Em Kansas, onde se negocia o trigo de melhor qualidade, os papéis também para março avançaram 3 centavos, para US$ 4,965 o bushel. A agência de grãos do governo egípcio divulgou um leilão para adquirir 55 mil a 60 mil toneladas de trigo. O país é o maior importador mundial do cereal e costuma sustentar as cotações quando realiza grandes aquisições. No mercado doméstico, o preço médio do trigo no Rio Grande do Sul apurado pelo Cepea/Esalq subiu 0,22%, para R$ 671,25 a tonelada, acumulando alta de 4% no mês. (Valor Econômico 21/09/2015)