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Juros e câmbio pressionam dívidas das usinas

O aumento das taxas de juros no país e a valorização do dólar em relação ao real tendem a elevar ainda mais o endividamento das companhias sucroalcooleiras instaladas Centro-Sul do país até o fim desta safra (2015/16), em 31 de março.
Levantamento do Itaú BBA com 65 grupos, que representam uma moagem de 427 milhões de toneladas por safra, ou 75% do total da região, mostra que, no fim do ciclo 2014/15, a dívida líquida conjunta já chegou a R$ 56,8 bilhões, 23% mais que um ano antes (R$ 46,3 bilhões). Esses resultados serão apresentados hoje em evento promovido pela consultoria Datagro em São Paulo.
"Ao término da safra 2014/15 [em 31 de março deste ano], o dólar estava em R$ 3,20, e neste momento está em quase R$ 4. Além disso, no ciclo passado a taxa Selic ficou, em média, a 11,5%, e agora está em 14,25%", pondera Alexandre Figliolino, diretor de agronegócios do Itaú BBA.
A alta de R$ 10,5 bilhões do endividamento do fim da safra 2013/14 para o término do ciclo 2014/15 é resultado de um fluxo de caixa livre negativo de R$ 5,4 bilhões e do efeito da variação cambial sobre o passivo em dólar, que representa 42% da dívida total (sem considerar bonds).
No que depende do câmbio, a pressão está maior, apesar dos reflexos positivos sobre a receita no médio e longo prazos. E, do ponto de vista de fluxo de caixa, o cenário nos primeiros meses desta temporada 2015/16 não se mostrou muito diferente do observado em 2014/15.
Até o início do mês passado, por exemplo, os preços do etanol pagos às usinas continuavam abaixo dos níveis de igual intervalo da temporada anterior, apesar de o consumo de etanol hidratado estar elevado no mercado interno e de ter havido uma recomposição parcial da Cide na gasolina no início deste ano.
"A condição financeira ruim das empresas do segmento fez com que o etanol fosse vendido a baixos preços para fazer caixa. Assim, todos os ganhos ao etanol resultantes da cobrança da Cide na gasolina foram repassados para outros elos da cadeia, como distribuição, varejo e consumidor", afirma Figliolino.
E, diferentemente do que aconteceu na safra 2014/15, a cogeração não deverá trazer retornos elevados às usinas neste ciclo 2015/16. O governo reduziu o Preço de Liquidação de Diferenças (PLD), que serve de referência no mercado livre de energia, de mais de R$ 800 para R$ 388 o megawatt-hora, o que reduz o "incentivo econômico" da atividade.
Conforme o levantamento do Itaú BBA, a relação entre a dívida líquida e o Ebitda dos 65 grupos que compõem a amostra da instituição saiu de 3,8 vezes, em 2013/14, para 4,3 vezes em 2014/15. Já a relação entre a dívida líquida e o volume de cana processado subiu para R$ 133 por tonelada, um aumento de 24% na comparação com 2013/14.
Nesse contexto, as despesas financeiras do grupo de usinas que faz parte do trabalho do Itaú BBA, com a Selic em 11,5% e a taxa de câmbio a R$ 3,20, subiu 21% em 2014/15, para R$ 11,9 por tonelada de cana-de-açúcar processada.
Mas Figliolino vê sinais positivos no horizonte. Um deles é o próprio dólar valorizado, que tem tornando o açúcar brasileiro mais competitivo no mercado internacional e tende, com isso, a trazer benefícios no futuro, que poderão ser maiores se as previsões de déficit mundial se confirmarem e as cotações internacionais subirem por causa disso.
Ele também lembra que existe uma expectativa em torno da elevação da alíquota da Cide na gasolina. "Esperávamos que [a medida] fosse entrar nesse pacote de ajuste fiscal. Não entrou. Ainda há esperanças". (Valor Econômico 22/09/2015)
 

Em 7 Anos, 80 Usinas de cana-de-açúcar foram fechadas na Região Centro-Sul

Apesar da alta produção, setor sofre com falta de reajuste nos preços.
Na última sexta-feira Catanduva recebeu a visita de Antonio Pádua Rodrigues, diretor Técnico da ÚNICA (União da Indústria de Cana-de-Açúcar). Ele ministrou uma palestra, a convite da Biocana (Associação de produtores de açúcar, etanol e energia da região).
Durante a palestra, Pádua falou sobre a safra 15/16, que já ultrapassou 65%, além de produção, produtividade, comportamento de preço e cenário de médio e longo prazo e como a situação da crise poderá ser resolvida.
Ele afirma que desde o ano de 2008 foram fechadas 80 unidades produtoras na região Centro-Sul, a qual Catanduva pertence. “Somente neste ano foram fechadas 10 unidades e o ano que vem algumas empresas também podem fechar”.
Mas a grande questão neste ano é se terão tempo disponível para processar toda a cana que está no campo. “A safra, mesmo com o canavial mais velho pelo menor nível de reforma nos últimos quatro anos. As condições climáticas vão fazer com que a produtividade fique maior de 5 a 6 toneladas por hectare, mas com redução na quantidade de produtos por cana produzida. A cana cresce, diminui o teor de sacarose. A grande dúvida é o mês de setembro. Na primeira quinzena houve uma perda significativa de moagem, 5 ou 6 dias em toda a região Centro-Sul. Em agosto também tivemos algumas regiões muito afetadas. Tem uma previsão de chuva para a segunda quinzena de setembro, que de novo pode paralisar”.
Já em relação à quantidade de cana e o quanto será processado, ele afirma que a disponibilidade deve ultrapassar 620 milhões de toneladas, sendo que no ano passado foram 570 milhões de toneladas. “O número que será processado dependerá muito das condições climáticas. É uma safra longa e poucas unidades vão parar as atividades em novembro. Muitas unidades vão até a véspera do Natal e algumas estão até falando que terão atividades até o início da próxima safra, que é o mês de março do próximo ano. Isso, no ponto de vista de produção é altamente positivo”.
POR QUE A CRISE?
Apesar do setor estar com alta produção, o lado negativo e que leva à crise é que os produtos não têm preços que possam levar ao lucro, novamente. “O preço hoje é formado por um grande número de produtores que não têm condições financeiras de segurar o produto, de segurar o estoque, que não tem condições de tomar um novo financiamento. Esse pessoal é que está formando um preço”.
Ele afirma que atualmente o produtor está vendendo o líquido do produto (etanol hidratado), pouco mais de R$ 1,20. “Isso não remunera nem o produtor e nem a indústria. Por isso estamos batendo recorde de vende todos os meses. Enquanto o consumo de outros combustíveis não está aumentando, o etanol está crescendo 50%”.
“ Isso é devido à relação de competitividade de preço de bomba do etanol em relação à gasolina. Em média tem ficado de 60% a 65% do preço da gasolina. Varia de posto para posto e isso faz com que as pessoas continuem usando etanol. Porque tem um espaço muito grande para crescer”.
Pádua explica que o setor não tem problemas com produção. “A questão que fica é que em algum momento o preço terá de se ajustar. Mesmo a safra crescendo, terminando mais tarde, mesmo que a safra comece mais cedo, o volume de vendas em algum momento vai ficar muito acima da oferta. E nesse momento vai haver uma reação de preço ao produtor”.
Ressalta que essa safra vai aumentar o endividamento das empresas e que provavelmente terá os preços iguais. “Há cinco anos não temos reajuste de preços, o faturamento das usinas diminui e o setor terá de conviver com o aumento de custos. Essa é a principal causa dessa situação difícil pela qual o setor passa”.
“É uma atividade que tem de continuar, tem que reformar canavial, tem que adubar, reformar máquinas, usinas. Os gastos aumentam e a conta não fecha. Aqueles que podem fazem empréstimo e vão se endividando ainda mais. Aqueles que não podem, não fazem nada, não reformam, não adubam, reduzem a cana e acabam fechando as portas”.
Explica que muitas empresas fazem de tudo para ganharem produtividade, reduzir custo da produção, mas não tem fôlego e perspectiva.
CRISE
Pádua ainda conta que a situação difícil não é somente em Catanduva e região. “O problema é geral. Existem unidades em melhor situação e unidades e situação crítica. As usinas que estão em situação de dificuldade são aquelas que acreditaram muito no período de 2003 a 2008 e que expandiram muito a sua produção. Tem grupos que dobraram o número de unidades. Esse pessoal se endividou muito, porque tinha um ambiente favorável a essa expansão. Esse ambiente foi cortado em 2008. O Governo mudou a regra do jogo a partir da crise financeira mundial, quando houve mudanças nas condições de financiamento”.
O Governo mudou a forma do preço da gasolina no mercado interno e isso teria levado a um desajuste do setor, explica o diretor técnico.
“O endividamento do setor é 1,2 vezes o seu faturamento. Levou a uma situação difícil que foi repassada aos produtores de cana e também ao fechamento de tantas empresas de bens capitais”.
Toda a cadeia que é envolvida na atividade, tem sofrido as consequências da crise. No ano passado o setor perdeu 87 mil empregos. Evidentemente é pelo crescimento da mecanização, do plantio, da colheita, além do fechamento das unidades. Isso tudo levou às demissões
EXPECTATIVA
Pádua lembra que o setor ainda tem uma expectativa, uma esperança. “Nesse momento temos uma grande aposta, que é a oportunidade de retomar a expansão de rentabilidade do setor. A alternativa que o Governo teria era voltar o imposto ambiental na gasolina, que é a CIDE, tirada em 2012 e voltou no dia 1º de maio deste ano por R$ 0,10. O mundo todo discute a questão ambiental, do efeito estufa. O Brasil tem uma proposta de aumentar a participação do etanol na matriz do combustível. Não vemos nenhuma política pública favorável ao etanol. Precisamos de uma CIDE a R$ 0,60. É isso que a gasolina teria de pagar por sua poluição. O etanol não emite carbono na atmosfera. Tínhamos essa expectativa, mas surpreendidos, porque nada sobre a CIDE foi falado”.
E finaliza afirmando que o etanol continua sendo a grande solução e esperança. “Dependemos de uma sinalização do Governo. Hoje o setor está estagnado, com previsão de diminuição, devido à falta de previsibilidade”. (O Regional 21/09/2015)
 

Usinas favorecerão açúcar em 16/17 a menos que valor da gasolina suba, diz Datagro

As usinas brasileiras favorecerão a produção de açúcar na safra 2016/2017 se o governo não elevar o preço da gasolina e tornar as vendas de etanol mais interessantes, afirmou a consultoria Datagro nesta segunda-feira.
O setor pode direcionar mais cana para a produção de açúcar ou etanol, dependendo do produto que está remunerando mais. Nesta temporada, usinas com problemas financeiros têm favorecido o biocombustível devido à maior liquidez.
"O mix em 2016/17 deve ser menos alcooleiro, sem uma mudança no preço da gasolina ou no valor da Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico)", disse Guilherme Nastari, analista da Datagro, durante conferência internacional da consultoria em São Paulo.
A alta da Cide, reivindicada pelo setor sucroalcooleiro junto ao ministro da Fazenda, Joaquim Levy, na semana passada, elevaria o custo da gasolina na bomba e tornaria o etanol ainda mais competitivo em alguns Estados.
Para especialistas, o etanol é vantajoso para o consumidor quando o preço do combustível é de no máximo 70 por cento do preço da gasolina na bomba.
Nastari disse que a aguda depreciação do real frente ao dólar e a recente recuperação dos preços do açúcar estavam fazendo a balança pender lentamente em favor do açúcar para as usinas. (Reuters 21/09/2015)
 

Safra 2016/17 de cana-de-açúcar deve ser menos alcooleira, diz Datagro

O diretor da consultoria Datagro, Guilherme Nastari, afirmou que a safra 2016/17 de cana-de-açúcar que começará em abril do próximo ano no Centro-Sul do Brasil deve ser menos alcooleira caso não haja nenhuma mudança no preço da gasolina ou elevação da incidência da Cide na gasolina. Isso porque o cenário para o açúcar tende a melhorar caso se confirme o déficit no ciclo mundial 2015/16. “A previsão de déficit mundial de açúcar no ciclo 2015/16, que inicia em 1 de outubro, deve, no médio prazo, ser um fator de alta nas cotações”, afirmou Nastari.
Para a safra 2015/16 no Brasil, a consultoria manteve sua estimativa para a produção de açúcar no Centro-Sul em 31,4 milhões de toneladas e de produção de etanol de 28,2 bilhões de litros. Para a moagem de cana, a consultoria também manteve sua estimativa de agosto, de 604,7 milhões de toneladas.
“Nossa visão é a de que haverá um volume de cana bisada maior de 2015 para 2016. Mas isso vai depender do clima e também do preço. A tendência é de o preço do etanol subir para ajustar a oferta com a grande demanda pelo biocombustível no país. Se a alta de preço realmente se concretizar, as usinas vão ter incentivo para iniciar a próxima safra, a 2016/17, antes”. (Valor Econômico 21/09/2015 às 16h: 49m)
 

Demanda forte deve limitar oferta de etanol no Centro-Sul no fim da safra

Para reduzir a demanda mensal por etanol hidratado no Centro-Sul do país e permitir que a oferta seja suficiente para atendê-la ao longo desta safra 2015/16, os preços do biocombustível na região terão que subir ao menos 10%, ou R$ 0,15 por litro, até dezembro, de acordo com estimativas da Datagro.
Em evento realizado em São Paulo, o diretor da empresa, Guilherme Nastari, afirmou que calcula a disponibilidade de etanol em 2015/16 no Centro-Sul em 16,74 bilhões de litros. Mas, se a demanda continuar em cerca de 1,5 bilhão de litros por mês, serão necessários 18 bilhões de litros para atendê-la nos 12 meses da temporada. "Assim, o preço terá que subir para 'corrigir' esse consumo forte".
Segundo ele, os preços podem se valorizar até mais do que 10% até dezembro caso as exportações brasileiras superem as expectativas do mercado. "O dólar valorizado frente ao real está tornando o etanol brasileiro mais competitivo no exterior", disse.
Nastari também afirmou que, a despeito das projeções de déficit mundial de açúcar na safra internacional 2015/16, que, "oficialmente" terá início em 1º de outubro, as cotações da commodity só deverão registrar alguma reação expressiva quando a relação entre estoques e consumo mundial recuar para 41%.
Nas projeções da Datagro, em 30 de setembro de 2016, quando terminará a safra internacional 2015/16, essa relação ainda estará em 46%. "Seria preciso que o déficit mundial acumulado atingisse cerca de 9 milhões de toneladas para que a relação saísse de 46% para 41%", afirmou Nastari.
A Organização Internacional do Açúcar (ISO) projeta déficit de 2,487 milhões de toneladas de açúcar na safra internacional 2015/16. Mas a tendência para 2016/17 é de um déficit ainda maior, de 6,2 milhões de toneladas, conforme afirmou o diretor-executivo da entidade, José Orive, durante o evento da Datagro.
"As projeções consideram um padrão normal de clima. O El Niño pode mudar o cenário", disse ele. Mas Orive concorda que os estoques globais estão elevados, o que mantém as cotações do açúcar sob pressão. "Em cinco temporadas mundiais de superávit, os estoques mundiais alcançaram 25 milhões de toneladas".
Para a região Centro-Sul do Brasil, a Datagro manteve sua estimativa para a produção de açúcar em 2015/16 em 31,4 milhões de toneladas, a moagem de cana está projetada em 604,7 milhões de toneladas e a produção de etanol, em 28,2 bilhões de litros.
"Uma próxima revisão [dessas estimativas] vai depender do clima. Se o El Nino de fato for forte, com maior incidência de chuvas, poderemos revisar. Mas, a tendência é que a safra no Centro-Sul do Brasil seja mais longa diante da tendência de alta dos preços do etanol, que deverão estimular as usinas a moer cana após dezembro", disse Nastari. (Valor Econômico 22/09/2015)
 

EPE: Possível aumento da Cide vai beneficiar etanol

Um possível aumento da alíquota da Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico), imposto que incide nos combustíveis fósseis, pode beneficiar o setor de etanol, aumentando a competitividade do produto frente à gasolina, afirmou nesta segunda-feira o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim.
“Para o mercado do etanol, seria muito importante sair a [elevação da] Cide. Outra coisa importante é que a desvalorização do real ajuda o etanol, já que o etanol é produzido em reais no Brasil e o petróleo é alinhado ao mercado externo”, disse Tolmasquim, em conferência internacional de energia Câmara de Comércio Americana do Rio de Janeiro (Amcham).
Por outro lado, Tolmasquim lembrou que a queda vertiginosa do preço do petróleo afetou a competitividade do etanol. “Vindo a Cide, tende a melhorar um pouco”, afirmou. (Valor Econômico 21/09/2015 às 16h: 13m)
 

Governo estuda reduzir compulsório para aumentar crédito agrícola

CNA e UNICA pedem aumento da CIDE (gasolina) para equilibrar etanol.
O governo federal estuda reduzir os depósitos que os bancos são obrigados a recolher diariamente aos cofres do Banco Central como forma de ampliar o volume de recursos disponíveis para o agronegócio, disseram à Reuters duas fontes a par do assunto.
"É bem provável que saia. É um setor que já não responde como antes, mas tem tido um desempenho ainda superior a outros setores da economia", disse uma fonte com conhecimento das discussões, falando em condição de anonimato.
O governo recebeu sinalização positiva de representantes do próprio setor financeiro, disse uma das fontes. Isso porque parte dos recursos para o agronegócio vem dos depósitos à vista, que têm diminuído em função da crise econômica.
Mas o governo tem tratado o assunto com cuidado e ainda não bateu o martelo a favor da flexibilização por duas razões, disse a mesma fonte. Uma delas é a forma de comunicar a decisão, para evitar críticas de que está praticando expansão monetária.
A outra é para certificar-se de que os recursos que seriam liberados com a redução do compulsório bancário iriam mesmo para o agronegócio em vez de os bancos usarem-nos para aplicar em títulos públicos.
Procurado, o BC não comentou o assunto.
A iniciativa é debatida num momento em que o setor agrícola tem conseguido escapar da recessão. No segundo trimestre, a atividade agropecuária teve expansão de 1,8 por cento sobre igual período de 2014, enquanto o Produto Interno Bruto (PIB) caiu 2,6 por cento na mesma comparação.
Ainda assim, produtores vêm relatando dificuldade na análise de crédito para financiamento, num momento de juros mais altos e bancos mais restritivos na concessão de empréstimos.
Em julho, primeiro mês de vigência do Plano Safra 2015/2016, a concessão de crédito rural para pessoas jurídicas teve queda de 36,8 por cento sobre junho, a 4,4 bilhões de reais, segundo dados mais recentes do BC.
Produtores rurais e bancos vinham travando uma disputa de bastidores, com os primeiros tentando antecipar a tomada de recursos, enquanto os últimos tentando a atrasar o processo de análise de financiamentos para cobrar taxas maiores.
Para pessoas físicas, houve um incremento na mesma base de 10,2 por cento, a 7,3 bilhões de reais.
De olho na demanda por crédito do setor, o Conselho Monetário Nacional (CMN) anunciou no fim de maio alteração no depósito compulsório referente à poupança rural para a liberação direcionada de 2,5 bilhões de reais.
Ao mesmo tempo, o BC anunciou alíquota maior o compulsório sobre depósitos a prazo, buscando a neutralidade monetária em um momento em que combate a inflação com juros mais altos. (Reuters 21/09/2015)
 

MS: Usinas devem demitir 1,3 mil e têm dificuldade para pagar rescisões

Trabalhadores das duas indústrias de álcool e açúcar da região sul reclamam de atraso em salários e nas rescisões dos demitidos.
Usina São Fernando, em Dourados, já dispensou 120 e deve demitir mais 600 até outubro.
Em crise financeira, duas usinas de álcool e açúcar da região sul de Mato Grosso do Sul estão demitindo funcionários e enfrentam dificuldade até mesmo para pagar as rescisões. O problema ocorre na sina Bio Energy, em Naviraí, a 366 km de Campo Grande, e na São Fernando, em Dourados, a 233 km da Capital. A crise setor deve causar o fechamento de 1,3 mil vagas só em duas empresas.
Nos últimos três meses, a usina de Naviraí demitiu pelo menos 730 funcionários e não pagou o acerto dos demitidos. Muitos deles têm procurado o MPT (Ministério Público do Trabalho) em Dourados, para tentar receber os direitos trabalhistas.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Açúcar e Álcool de Naviraí e Região, Altair Custódio, informou que em setembro foram 500 trabalhadores demitidos. Segundo ele, a esperança é que a usina utilize o dinheiro da próxima moagem de cana para pagar as rescisões.
Leandro Luís Francisco, 32, trabalhou como motorista da usina de Naviraí durante quatro anos. Na semana passada ele procurou a Justiça para tentar receber o acerto e dar baixa na Carteira de Trabalho. “Eu fiquei com salário atrasado e duas férias. Têm muitos nessa situação”.
São Fernando
Na usina localizada em Dourados a crise é semelhante. Pelo menos 600 funcionários devem ser demitidos até a metade do mês de outubro. Semana passada, 120 já foram dispensados.
A empresa também enfrenta dificuldades até para colher a cana-de-açúcar. Em plena época de safra, a indústria está moendo apenas 10 mil toneladas por dia, menos da metade da capacidade de 25 mil toneladas/dia. Até mesmo o pagamento para os proprietários de terras arrendadas para o plantio de cana está atrasado.
Éder da Silva Leite, 34, espera há dois meses para receber pelos 30 dias trabalhados e pela baixa na Carteira de Trabalho. Ele diz que constantemente entra em contato com a empresa, mas não consegue saber quando vai receber. A maior preocupação é com a rescisão, pois já arrumou outro emprego e precisa da liberação da Carteira de Trabalho.
Comandada pelo Grupo Bumlay, a São Fernando precisa de pelo menos R$ 200 milhões para sanear as dívidas do dia-a-dia. (Campo Grande News 21/09/2015)
 

Alta da Cide teria impacto pequeno nas vendas de gasolina da Petrobras, diz EPE

Um eventual aumento na Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) teria um pequeno impacto nas vendas de gasolina da Petrobras, segundo o presidente da estatal Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim.
A alta da Cide, reivindicada pelo setor sucroalcooleiro junto ao ministro da Fazenda, Joaquim Levy, na semana passada, elevaria o custo da gasolina na bomba e tornaria o etanol ainda mais competitivo em alguns Estados.
Para especialistas, o etanol é vantajoso para o consumidor quando o preço do combustível é de no máximo 70 por cento do preço da gasolina na bomba.
"Para o mercado de etanol, acho que seria muito importante sair a Cide. Isso ajudaria e seria uma medida relevante para tornar o etanol competitivo", declarou o presidente da EPE a jornalistas em evento da Câmara de Comércio Americana, no Rio de Janeiro.
Atualmente, o tributo é de 10 centavos de real por litro de gasolina. Se a Cide fosse elevada, seria o segundo aumento do tributo após essa cobrança ser retomada em janeiro, com o governo tentando aumentar a sua arrecadação.
O eventual novo aumento da Cide causaria, segundo Tolmasquim, uma migração da parte dos consumidores de gasolina para o mercado de etanol e consequentemente diminuiria a necessidade de a Petrobras de importar gasolina para atender ao mercado interno.
"A Petrobras importa parte da gasolina, e, se o que ela reduzir (a venda) for a parte importada, não é algo tão problemático assim para empresa", frisou ele.
"A importação de gasolina foi fonte de prejuízo (para a Petrobras nos últimos anos) porque ela teve que vender a preço mais baixo (que o internacional)... não vejo para a Petrobras prejuízo com o aumento de venda de etanol. Acho que não é uma preocupação”, complementou. (Reuters 21/09/2015)
 

Redução da oferta de açúcar deve sustentar preços no médio prazo

A perspectiva de déficit de açúcar para a safra global 2015/16, que se inicia em outubro, tende a sustentar os preços da commodity no médio prazo, avalia o diretor da consultoria Datagro, Guilherme Nastari. Ele participa nesta segunda-feira, 21, da 15ª Conferência Internacional Datagro sobre Açúcar e Etanol, em São Paulo.
Segundo Nastari, o preço da saca de açúcar, hoje abaixo de R$ 50, pode se aproximar de R$ 60 até o final do ano que vem e bater em R$ 69,45 em outubro de 2018. Nastari destacou que o déficit esperado se deve à queda de produção global por conta das cotações atualmente em níveis baixos e também em razão do El Niño.
Para a Datagro, o déficit de açúcar no ano que vem pode ser de 2,3 milhões de toneladas, encerrando um ciclo de cinco temporadas consecutivas de excedente.
Quanto à relação entre estoques e consumo, Nastari disse que esta deve diminuir de 48,3% neste ano para 46% no próximo. Isso significa dizer que 46% de todo o consumo mundial pode ser suprido apenas pelas reservas existentes.
Centro-Sul
Nastari reafirmou ainda as projeções da Datagro para a safra 2015/16 no Centro-Sul do Brasil, iniciada em abril. A expectativa é de moagem de 604,65 milhões de toneladas, 6% acima das 571 milhões de toneladas de 2014/15. Devem ser fabricados 28,17 bilhões de litros de etanol e 31,09 milhões de toneladas de açúcar. Além disso, de 15 milhões a 16 milhões de toneladas de cana devem ficar em pé para processamento no ano que vem. (Agência Estado 21/09/2015)
 

Importação de açúcar pela China recua 25% em agosto com atraso de entregas

A China importou 275.703 toneladas de açúcar em agosto, queda de 24,75 por cento ante o mesmo mês do ano passado, mas operadores dizem que a redução foi causada pelo atraso na chegada de alguns carregamentos, com uma recuperação nos volumes sendo esperada para setembro.
A queda ocorre após meses de altas nas importações pela China, que deverá fechar o ano como o maior comprador global da commodity.
A China importou mais de 3 milhões de toneladas de açúcar nos oito primeiros meses do ano, mostraram dados da alfândega nesta segunda-feira, alta de 51 por cento ante o mesmo período de 2014.
Com os preços globais operando perto das mínimas de sete anos e com os preços domésticos elevados por uma projeção de queda na produção do país, importadores podem lucrar até 300 dólares por tonelada.
"Setembro será de números muito elevados, perto de máximas históricas", disse uma fonte do mercado, que pediu para não ser identificada.
As importações no próximo mês podem alcançar entre 500 mil e 600 mil toneladas, disse ele, com ajuda de cargas atrasadas de agosto. (Reuters 21/09/2015)
 

Déficit global de açúcar pode aumentar para 6,2 mi t em 2016/17, diz OIA

A Organização Internacional do Açúcar (OIA) reafirmou sua previsão de déficit de açúcar de 2,4 milhões de toneladas para a safra global 2015/16 e projetou novo déficit, de 6,2 milhões de toneladas, para a temporada 2016/17. As estimativas foram feitas pelo diretor executivo da entidade, José Orive, durante a 15ª Conferência Internacional Datagro sobre Açúcar e Etanol, em São Paulo.
Caso se concretizem, esses dois déficits encerrarão uma sequência de cinco temporadas consecutivas de superávit, sendo que a safra 2012/13 foi o que apresentou maior excesso de oferta, com quase 10 milhões de toneladas de excedente.
O ano-safra considerado pela OIA vai de 1º de outubro de um ano até 30 de setembro do seguinte. Orive ponderou, contudo, que não há riscos de aperto da oferta. Isso porque os estoques continuam elevados, com a relação entre reservas e consumo em torno de 50%.
Para o ano que vem, esse porcentual deve diminuir para 40%, o que significa dizer que 40% de toda a demanda mundial poderia ser suprida apenas pelos estoques existentes. "No cabo de guerra entre oferta e demanda de açúcar, a mão da oferta é mais forte", comentou ele. (Agência Estado 21/09/2015)
 

Setor de etanol concentrou exportação entre julho e setembro

A disparada do dólar ante o real neste mês, para perto de R$ 4, deve ter pouco impacto nas exportações de etanol até o fim do ano, disse Martinho Ono, CEO da trading SCA.
Segundo ele, produtores já aproveitaram a janela de embarques nos meses de julho, agosto e início de setembro e agora focam na entressafra de cana-de-açúcar, a partir de dezembro, quando o biocombustível sazonalmente se valoriza no mercado interno. "O produtor enxerga mais a entressafra", disse ele ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, nos bastidores da 15ª Conferência Internacional Datagro sobre Açúcar e Etanol, em São Paulo.
Ainda segundo Ono, as chuvas nos primeiros dias deste mês prejudicaram a colheita de cana, impulsionaram os preços do etanol e "neutralizaram o efeito do câmbio". O executivo afirmou que entre 300 milhões e 400 milhões de litros a mais foram exportados de julho até agora. Com isso, as exportações brasileiras de etanol devem fechar 2015 em torno de 1,5 bilhão de litros, acrescentou. (Agência Estado 21/09/2015)
 

Chuva na 1ª quinzena de setembro paralisou moagem por até seis dias no Centro-Sul

As chuvas durante a primeira quinzena de setembro prejudicaram a colheita de cana no Centro-Sul do País. De acordo com o diretor Técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Antonio de Pádua Rodrigues, as operações foram paralisadas por, em média, seis dias.
“O Estado de São Paulo foi o mais afetado. No início de setembro, a safra paulista estava atrasada em 13 milhões de toneladas, mas esse número deve ter aumentado”, destacou ele a jornalistas antes do início da 15ª Conferência Internacional Datagro sobre Açúcar e Etanol, em São Paulo.
Conforme ele, o excesso de precipitações tende a “esticar” a safra 2015/16 do Centro-Sul para além de novembro, quando normalmente termina. Para Padua, a expectativa é de que muitas usinas continuem moendo cana inclusive durante a entressafra, que vai até 30 de março.
Pelo mais recente relatório de acompanhamento de safra da Unica, o Centro-Sul processou 374,25 milhões de toneladas de cana até 1° de setembro, volume 0,42% maior na comparação com igual período do ano passado. (Agência Estado 21/09/2015)
 

Commodities Agrícolas

Café: Dólar x real: A alta do dólar em relação ao real voltou a pressionar as cotações do café ontem na bolsa de Nova York. Os contratos do arábica para março de 2016 caíram 120 pontos, para US$ 1,206 a libra-peso. Os receios em relação à política fiscal no Brasil levaram a moeda americana a beirar os R$ 4, o que é uma notícia favorável para os produtores brasileiros, já que isso melhora a competitividade do café nacional e incentiva as exportações do grão. A queda dos preços é acentuada pela atuação dos fundos de algoritmo, que vendem posições de forma automática conforme a variação cambial. No mercado interno, as negociações seguiram estáveis, com cotações nominais, e o preço do café de boa qualidade oscilou entre R$ 470 e R$ 490 a saca de 60,5 quilos, de acordo com o Escritório Carvalhaes.
Algodão: Reversão técnica: Embora a China tenha reduzido as importações de algodão e o clima dos Estados Unidos esteja favorável à colheita da safra 2015/16, os preços da pluma subiram ontem na bolsa de Nova York com recompras técnicas, após duas quedas sucessivas. Os contratos para dezembro subiram 24 pontos, a 60,79 centavos de dólar por libra-peso. As importações chinesas de agosto caíram 66% na comparação anual, e no ano o volume adquirido do exterior já é 41% menor que no mesmo período do ano passado, segundo o Zaner Group. Nos EUA, a colheita alcançou no domingo 7% da área plantada, 2 pontos percentuais abaixo da média das últimas cinco safras. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a pluma com pagamento em oito dias caiu 0,01%, a R$ 2,3329 a libra-peso.
Soja: Apetite chinês: As importações de soja da China somaram 7,78 milhões de toneladas em agosto, alta de 29% ante igual mês de 2014, segundo a alfândega do país. No ano, a China importou 52,4 milhões de toneladas, superando em 9,8% o adquirido no mesmo período do ano passado. Nesta semana, membros da comitiva que acompanha o presidente chinês, Xi Jinping, nos EUA devem assinar um termo de intenção de compra de soja do país, e os analistas esperam um volume alto. O termo não deve ser um compromisso, mas um termômetro do apetite chinês. Ontem, outros sinais sobre a demanda e receios com o ritmo do plantio no Brasil turbinaram os preços em Chicago. Os lotes para janeiro subiram 7,25 centavos, a US$ 8,7875 o bushel. No Paraná, o preço subiu 0,39%, para R$ 70,01 a saca, segundo o Deral/Seab.
Milho: Cresce em agosto: A China também aumentou o volume de milho que importou em agosto. Foram adquiridas 607,58 mil toneladas do cereal, um incremento de 140,7% na comparação anual. No acumulado do ano, as importações chinesas de milho superam as do mesmo período de 2014 em 111,1%, totalizando 7,42 milhões de toneladas. No entanto, circula entre os investidores o rumor de que o governo chinês deve reduzir o preço pago ao produtor de milho para incentivar o consumo do cereal que se acumulou nos estoques domésticos nos últimos anos. O banco ANZ acredita que o preço será cortado em 10%. Ontem, porém, o mercado ignorou o boato. Em Chicago, os lotes para março de 2016 subiram 7,5 centavos, a US$ 3,96 o bushel. No Paraná, o preço avançou 0,9%, para R$ 23,63 a saca, segundo o Deral/Seab. (Valor Econômico 22/09/2015)