Setor sucroenergético

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Desembolsos do BNDES para usinas vão diminuir até 42%

Os desembolsos do BNDES às usinas sucroalcooleiras deverão cair em 2015 para entre R$ 3,5 bilhões e R$ 4 bilhões, afirmou ao Valor o chefe do departamento de biocombustíveis do banco de fomento, Carlos Eduardo Cavalcanti. Se confirmado, será o menor desembolso anual desde 2007, no início do último "boom" do etanol e ano em que a instituição liberou R$ 3,6 bilhões a empresas da área.

Em 2014, o BNDES desembolsou R$ 6 bilhões ao segmento, patamar ainda elevado que refletiu as taxas de juros mais baixas das linhas de renovação de canaviais e estocagem de etanol, além dos programas de inovação industrial e agrícola, também com juros subsidiados. No início deste ano, antes do agravamento da situação econômica do país, o banco chegou a projetar desembolsos de R$ 5 bilhões em 2015. Mas passados dois terços do ano, a instituição ajustou suas expectativas. "Ninguém está investindo", afirmou Cavalcanti.

A baixa previsão de desembolsos em 2015 reflete a fraca demanda das companhias sucroalcooleiras por expansão de capacidade e também os custos mais elevados para a captação de recursos. Pesa, ainda, o elevado nível de endividamento de empresas do segmento, que vem aumentando a taxas de dois dígitos nos últimos anos e tende a ser potencializado com a elevação da taxa Selic e da valorização do dólar em relação ao real.

Segundo Cavalcanti, os desembolsos deste ano devem incluir R$ 500 milhões em contratações do Prorenova, linha de crédito para renovação de canaviais que, segundo ele, vai começar a ser operacionalizada no início de outubro, após dois meses de atraso. Também haverá desembolsos para projetos protocolados no ano passado, alguns deles relacionados à ampliação da capacidade industrial já existente e de cogeração.

Nos anos anteriores, as usinas tiveram acesso a crédito do BNDES com taxas de juros mais atrativas, o que estimulou a demanda, em especial para renovação de canaviais e estocagem de etanol. As taxas do Programa de Sustentação do Investimento (PSI) também atraíram o interesse dos grupos por aportes em expansão de capacidade existente. Os juros do PSI chegaram a 3% ao ano em 2013, quando as taxas do Prorenova foram de 5,5%.

Para este ano, em que os custos médios de algumas dessas linhas (considerando a remuneração do BNDES e dos bancos repassadores) foram calculados pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) em cerca de 14% ao ano, a expectativa é que a procura por recursos do banco seja baixa. "Podem não ser as melhores taxas. Mas, dadas as dificuldades de se obter juros subsidiados no país, conseguimos após muito esforço atrelar uma parte das linhas à TJLP", disse Cavalcanti, que ontem participou de evento promovido pela Datagro em São Paulo.

Desde 2007, quando foi criado o departamento de biocombustíveis do BNDES, o banco liberou R$ 45 bilhões ao segmento, distribuídos em mais de 100 projetos. O pico foi em 2010 (R$ 7,6 bilhões).

As perspectivas de recuperação do segmento no Brasil dependem dos preços do açúcar e do etanol. Segundo o chefe sênior da plataforma de açúcar da Louis Dreyfus Commodities, Jacques Gillaux, os preços do açúcar em real para 2016 já indicam uma remuneração acima da esperada para o etanol, mesmo que haja uma elevação da alíquota da Cide na gasolina.

Mas a crise perdura e a parcela das usinas em dificuldades tende a manter os preços do etanol pressionados e uma safra mais "alcooleira" também em 2016/17. "Muitas usinas continuarão produzindo mais etanol mesmo com o açúcar mais atrativo, pois o biocombustível permite gerar recursos mais rapidamente", disse Andy Duff, do Rabobank. (Valor Econômico 23/09/2015)

 

Dreyfus projeta preços do açúcar em real mais remuneradores em 2016

O chefe sênior da plataforma de açúcar da Louis Dreyfus Commodities, Jacques Gillaux, afirmou hoje que, em 2016, a combinação entre os futuros do açúcar em dólar na bolsa de Nova York e a cotação da moeda americana frente ao real deverá resultar em preços da commodity em real muito acima da paridade com o etanol. Segundo ele, essa vantagem resistirá mesmo que haja um aumento da alíquota da Cide cobrada na gasolina.

Em evento promovido pela consultoria Datagro em São Paulo, o executivo afirmou que essa tendência de aumento dos preços do açúcar em real em 2016 deveria estimular o Brasil a produzir, no ano que vem, um volume maior do produto que em 2015.

Alguns grupos já estão vendendo açúcar para o ano que vem no mercado futuro e, portanto, maximizando seu "mix" da próxima safra para o açúcar, conforme o diretor da consultoria Archer Consulting, Arnaldo Luiz Correa. “De 25% a 35% das usinas estão maximizando o seu mix para açúcar para o ano que vem. Isso pode trazer até uma falta de etanol em 2016”, afirmou Correa.

Mas na visão do banco holandês Rabobank, no Brasil, a crise financeira do segmento sucroalcooleiro está fazendo com que o mix de produção seja definido não só pela arbitragem entre etanol e açúcar, mas, principalmente, pela necessidade do fluxo de caixa das empresas. “Essa safra 2015/16 está mostrando isso: o mix está muito influenciado pela necessidade de fazer caixa. E nesse ponto, o etanol gera recurso mais rapidamente do que o açúcar”, afirmou o especialista de açúcar do Rabobank, Andy Duff. (Valor Econômico 22/09/2015 às 17h: 18m)

 

Açúcar: Queda em NY

O tempo quente e seco na virada do inverno para a primavera no Brasil, aliado à alta histórica do dólar ante o real, aprofundou a queda dos preços do açúcar ontem na bolsa de Nova York.

Os contratos do demerara para março de 2016 fecharam com recuo de 10 pontos, a 11,57 centavos de dólar a libra-peso.

As previsões meteorológicas indicam que o céu deve continuar aberto no Centro-Sul brasileiro, permitindo o avanço da colheita e da moagem da safra 2015/16.

A alta do dólar colabora para manter a pressão sobre as cotações. Alguns analistas citam a queda das importações chinesas em agosto, tanto na base mensal como anual, como motivo de receios com a demanda.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal subiu 0,34%, para R$ 52,46 a saca de 50 quilos. (Valor Econômico 23/09/2015)

 

Cana: Dívida do setor cresceu com alta do dólar

A escalada do dólar ante o real, para perto de R$ 4, fez a dívida do setor sucroenergético brasileiro “crescer demais”, avaliou ao Broadcast o diretor do Itaú BBA, Alexandre Figliolino.

O executivo participa nesta segunda-feira da 15ª Conferência Internacional Datagro sobre Açúcar e Etanol, em São Paulo.

Ele não citou números, mas destacou que as usinas estão expostas à moeda norte-americana em 42% do endividamento. Ao fim do ciclo 2014/15, em 31 de março, a dívida era da ordem de R$ 57 bilhões no Centro-Sul do País.

Figliolino ponderou, contudo, que o dólar fortalecido ajuda nas receitas com exportação de açúcar.

“É ruim no curto prazo, mas no médio prazo é bom”, disse.

Segundo ele, a libra-peso do açúcar em reais está atualmente no maior nível em 12 meses, em R$ 0,45.

Na Bolsa de Nova York, os contratos do açúcar são negociados em torno de 12 centavos de dólar por libra-peso. (Agência Estado 23/09/2015)

 

Faeg discute inadimplência e linhas de crédito aos produtores de cana

Novidades da produção de etanol de milho e visita da Embrapa Agroenergia a Goiás também estiveram em pauta.

As linhas de crédito rural para os fornecedores de cana-de-açúcar e as dificuldades enfrentadas por eles em relação às instituições financeiras de crédito foram debatidos pela Comissão de Cana-de-Açúcar e Bioenergia da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), durante reunião na última semana. O evento também serviu como espaço de debate sobre a inadimplência das indústrias para com os produtores. Sobre o problema, o presidente da Comissão, Joaquim Sardinha, fez questão de ressaltar que o ideal é que se consiga “um processo político para brecar a inadimplência”.

Sobre o crédito de que os produtores tanto necessitam, Sardinha explica que o grande problema em relação à liberação é que, na atual conjuntura, o setor canavieiro não é muito bem visto pelas instituições financeiras, justamente por conta de problemas de quitação que afetam o Brasil. Para Joaquim, o grande problema é que as instituições tendem a generalizar a nível nacional a situação de uma determinada região, e no caso do centro-sul do país, onde encontra-se a produção goiana, não há praticamente problemas de quitação por parte dos fornecedores. “O que se pretende é mostrar para a superintendência das instituições financeiras, em especifico a do Banco do Brasil, que as regiões ou municípios canavieiros de Goiás não possuem esse problema”, acrescenta Joaquim Sardinha.

Inadimplência das indústrias

Visando mitigar problemas de inadimplência por parte das usinas goianas em relação aos fornecedores de cana-de-açúcar e arrendantes de terra em Goiás, a Comissão fez questão de destacar que a indústria é muita protegida pelo governo e que possui representes em todas as áreas. Já no caso específico do produtor rural, há uma discrepância enorme e ele acaba, em muitas das vezes, não tendo o mesmo volume de representação.  “A partir de agora vamos buscar no meio político o auxílio para resolver a questão das inadimplências. Isso ocorre não somente no setor canavieiro, mas em todas as áreas do agronegócio, pois há um peso das indústrias sobre os que produzem”, esclarece Sardinha, dando exemplos de outras cadeias produtivas como frigoríficos e laticínios.

“Precisamos que o produtor esteja muito mais atento ao seu negócio e mais unido com os seguimentos nos quais ele está inserido para poder achar o caminho. Se não tivermos representantes, nunca iremos conseguir luz no meio. Nós podemos, sim, traçar estratégias e ter representantes no setor político. Porém, não só a título de verba ou para bancar o lado ‘A’ ou ‘B’, mas afim de legalizar aquilo que é direito do produtor”, finaliza Joaquim Sardinha.

“Em Goiás, 12% da área total colhida com cana-de-açúcar pertence aos produtores independentes e mais de 50% são áreas arrendadas pelas usinas, isso evidencia um volume muito considerável e que preocupa bastante quando se pensa em um colapso do setor, levando muita gente à grandes dificuldades” completou o assessor técnico da Faeg para a área de Cana-de-açúcar e Bioenergia, Alexandro Alves.

Etanol de milho

“Percebemos aí uma oportunidade interessante para os produtores rurais diversificarem a cultura na propriedade”, informou o assessor técnico da Faeg, Alexandro Alves, sobre as possibilidades do etanol de milho e do projeto de usina flex que está sendo desenvolvido pela SJC Bionergia, uma joint venture entre a americana Cargill e o grupo sucroalcooleiro Usina São João (USJ), em Quirinópolis. Com a criação da usina flex, que utiliza o milho e a cana-de-açúcar para a fabricação de biocombustível, o objetivo é incentivar a produção de grãos na região sul do estado.

Para a incrementação da produção de etanol e outros derivados do milho, a empresa pretende processar 1650 toneladas (t) de milho por dia, o que equivale a cerca de 250 hectares (ha), para processamento tanto na safra quanto na entressafra de cana. A estimativa da quantidade de milho necessária será da ordem de 650 mil toneladas/ano. Outro destaque para tal iniciativa refere-se ao fato de que será a primeira indústria do mundo a separar quatro produtos distintos do milho, sendo o amido-etanol, a fibra úmida, o óleo industrial e o DDG de milho (um concentrado proteico usado, muitas vezes, como alternativa economicamente viável à alimentação animal).

“A Faeg vê com bons olhos esse tipo de iniciativa, já que sempre temos orientado o produtor sobre a necessidade da máxima diversificação da produção dentro de sua propriedade. Isso é oque proporciona segurança econômica em caso de um dos produtos sofrer com questões relacionadas a preços baixos e aumento de custos, o que pode inviabilizar o negócio de alguma forma”, finaliza o assessor técnico da Faeg.

Cide

No caso das Contribuições de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), o diretor técnico da Federação dos Plantadores de Cana do Brasil (Feplana) destaca a importância de recomposição da mesma aos patamares que foram feitos em anos anteriores, para que haja retorno da competitividade do etanol. “Praticamente os preços dos combustíveis estão estabilizados durante 7 anos, estão abaixo da inflação. Nesse período, o setor sucroenergético teve uma inflação 3 vezes superior ao que foi registrado em relação ao aumento do combustível, no caso a gasolina”, diz.

“Então, o que aconteceu nesse período foi a perda da competitividade. Hoje, os produtores de etanol estão vendendo com margens negativas, e isso impacta nos preços dos produtores de cana que recebem atualmente pelo álcool e o açúcar. Essa recomposição do etanol é importantíssima e é essencial que tenha um efeito em cadeia e reverta a situação em preços para a tonelada de cana ao fornecedor”, explica José Ricardo. 

Embrapa Agroenergia

Além das discussões em torno de questões mais econômica, a reunião serviu de espaço para acentuação de questões relativas à pesquisa. O diretor técnico da Feplana, José Ricardo Severo, comentou sobre a visita da Embrapa Bioenergia a Goiás. Segundo ele, o evento será um dia de campo inverso, onde ao invés de os pesquisadores mostrarem suas criações, serão os produtores que irão demonstrar suas atividades e o que desenvolvem em termos tecnologias, além de esclarecer o que ele necessita, dentro da sua atividade, da pesquisa.  

Demais especificações, como local de realização do encontro, serão discutidos em eventos ou reuniões próximas. “Isso será uma forma de aproximar mais a pesquisa da necessidade e, até mesmo, com a melhoria que os produtores tem feito em campo. As soluções dos produtores serão mostradas para os pesquisadores e eles, por sua vez, poderão atuar sob essa perspectiva da pesquisa”, explica José Ricardo. (FAEG 22/09/2015)

 

Modelo de comercialização do etanol é engessado e frágil

Os desafios do etanol nos mercados brasileiro e norte-americano foram tema de debate nesta terça-feira (22) em encontro do setor sucroenergético em uma conferência internacional promovida pela Datagro, em São Paulo.

Martinho Ono, da SCA Corretora S/A, diz que entre os problemas fora da porteira para o setor está a precificação do etanol anidro com base no hidratado.

As usinas que vendem anidro estão capitalizadas, enquanto as que vendem hidratado, de uma forma geral, estão descapitalizadas.

A necessidade de vendas de hidratado não permite uma alta nos preços.

Ono diz, ainda, que o anidro deveria ser tratado como aditivo e que o preço justo de comercialização deveria ser R$ 2 por litro na usina. Na semana passada, o etanol anidro -o que vai misturado à gasolina- foi negociado, em média, a R$ 1,41 por litro nas usinas. O hidratado -o que vai diretamente ao tanque- esteve a R$ 1,23, segundo o Cepea.

O anidro não deve ser redutor dos preços da gasolina, mas seguir a gasolina A (de maior valor), afirma ele.

O sistema de comercialização também não atua a favor do etanol. Esse sistema está engessado a um modelo que utiliza o retrovisor para definir preços.

Sem negociações no mercado futuro, os preços não evoluem, uma vez que há muitos vendedores e poucos compradores.

Apenas quatro distribuidoras ficam com 80% das vendas de 300 usinas, segundo Juscelino Sousa, do grupo Coruripe.

A não evolução do mercado futuro de etanol no Brasil existe porque é muito cômodo para as distribuidoras, que, assim como está o mercado, não assumem riscos, segundo Ono.

Elas compram um produto que as usinas têm necessidade de vender e têm demanda garantida para ele.

Sem rentabilidade, o setor não consegue trazer investimentos. E esse é um problema gravíssimo, diz Tarcilo Ricardo Rodrigues, da Bioagência.

Plinio Nastari, da Datagro, diz que a comercialização do etanol ainda é frágil no país. O anidro reflete a pouca competitividade do hidratado, negociado à vista no mercado.

O setor tem dificuldades na comercialização, mas é preciso elevar também a eficiência na produção, que serve de redução de custos.

Na avaliação de Pedro Mizutani, da Raízen, o setor tem de elevar a utilização de tecnologia e se conscientizar de que o principal competidor do etanol é a gasolina.

Claro que é necessária uma política de governo mais eficiente, acrescenta ele.

Para Jacyr Costa Filho, da Tereos S/A, o país precisa reconhecer as externalidades do etanol, ou seja, os benefícios extras do produto.

Isso inclui os efeitos ambientais, os relacionados à saúde e os econômicos.

Este último significa a manutenção da indústria descentralizada pelo interior do país, mais emprego, desenvolvimento regional e "saúde financeira" de pelo menos 70 mil produtores do setor de cana.

Estados Unidos

No mercado norte-americano, um dos entraves que o setor de etanol encontra é a queda nos preços do petróleo.

Ela provoca redução nos preços da gasolina, o que acaba afetando também o álcool, segundo Joseph Harroun, da Advance Trading Inc.

Além disso, a produção norte-americana de etanol supera a demanda interna e o setor tem dificuldades em exportar.

Do lado agronômico, a queda nos preços do milho desencoraja produtores, e a evolução da mistura do etanol na gasolina é lenta.

Mas o setor tem também uma série de pontos favoráveis. Um deles é a queda nos preços do milho, matéria-prima básica da indústria.

Há uma redução das margens no setor, mas a indústria ainda tem uma saúde financeira boa, segundo Harroun. (Folha de São Paulo 23/09/2015)

 

Etanol e preços de alimentos perde relevância em relatório da FAO

Os combustíveis renováveis não são um fator determinante para a alta ou baixa nos preços dos alimentos pelo mundo. O argumento, defendido repetidamente pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA) com base em estudos publicados ao longo dos últimos anos, foi novamente endossado, desta vez pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação em seu Índice de Preços (FAO Food Price Index, em inglês), divulgado em agosto de 2015.

Segundo o levantamento, ao contrário dos falsos mitos que associam a expansão dos biocombustíveis com a queda na produção alimentar, petróleo e energia são, verdadeiramente, os maiores responsáveis pelas variações tarifárias das commodities, especialmente no segmento alimentar. Em sua série histórica, o Índice de Preços da FAO revelou em agosto uma queda de 5,2% nos preços dos alimentos em relação ao mês anterior, índice mais baixo registrado desde dezembro de 2008.

Paralelamente, e não por coincidência, no mesmo período, os preços do petróleo caíram 19%, fechando em US$ 48.25 por barril em 31 de julho. Importante ressaltar também que, neste período continuou havendo aumento dos biocombustíveis no mundo. Somente nos dois últimos anos, verificou-se uma expansão de 10% na produção de etanol no mundo, saltando de 83,5 bilhões de litros para 94 bilhões neste ano.

Para o diretor Executivo da UNICA, Eduardo Leão de Sousa, o boletim divulgado pela FAO reforça a sustentabilidade dos biocombustíveis no cenário internacional, e cita o setor sucroenergético brasileiro como um dos líderes neste processo de conscientização. “O tempo é o senhor da razão. O mito que prevaleceu no final da década passada, de que o etanol seria o grande causador da alta de alimentos, caiu por terra e demonstra que o debate estava fortemente contaminado por uma forte dose de paixão. O caso brasileiro é ilustrativo: somos o segundo maior produtor de etanol no mundo e, para tanto, utilizamos apenas 1% de nossas terras aráveis para fabricá-lo, ao mesmo tempo que vimos batendo recordes consecutivos de produção e exportação de alimentos”, afirma.

O representante da Aliança Global de Combustíveis Renováveis (GRFA, em inglês), Bliss Baker, cuja organização sem fins lucrativos se dedica a promover políticas favoráveis aos biocombustíveis ao redor do mundo, ratifica os argumentos do executivo da UNICA, entidade integrante da GRFA desde julho deste ano.

Em artigo publicado no site Ethanol Producer Magazine, Baker ressalta que a desmistificação “combustíveis renováveis vs alimentos” não é uma surpresa para a indústria de biocombustíveis e nem para a GRFA, que desde 2010 publica um gráfico sobre o tema. “O gráfico compara o índice global de preços de alimentos publicado pela FAO com àqueles do petróleo bruto, e os resultados são inegáveis: A recente queda dos preços do petróleo bruto tem sido seguida por uma baixa no índice de preços global de alimentos”, salienta o porta-voz. O executivo da GRFA cita ainda o estudo “Long-Term Drivers of Food Prices”, lançado pelo Banco Mundial em maio de 2013.

Analisando os períodos 1997-2004 e 2005-2012, o documento demonstra que o preço do petróleo bruto influenciou em mais de 50% a formação os preços dos alimentos, que no caso do milho e do trigo foi de 52% e 64%, respectivamente. “É interessante notar que essa queda recente no índice de preços alimentares enquanto a produção de biocombustíveis cresceu para mais de 90 bilhões de litros por ano,” conclui. (Unica 22/09/2015)

 

Aumento da CIDE, da chuva e a seca na Ásia favorecem cana-de-açúcar

Na safra deste ano 2015/2016 houve um pequeno aumento da produtividade do setor sucroenergético, basicamente pelo volume de chuvas. Esse fator irá proporcionar uma melhor oferta e demanda no mercado. Apesar de muita “cana bisada” (cana que não pode ser colhida e ficou no campo por mais de uma safra) para a próxima safra 2016/2017, o cenário é positivo. O destaque vai para o etanol, que terá uma maior produção em relação ao açúcar, uma vez que o estoque mundial do açúcar é grande e o baixo preço do produto atrapalha as exportações brasileiras. Outro fator que contribui para o destaque do etanol é que as usinas estão com estoque do produto.

A próxima safra 2016/2017 vai contar com canaviais envelhecidos (cortando a mesma cana a cada safra), pois o setor está com problemas de liquidez e não investe em tecnologias. Esse fator pode atrapalhar a produtividade. O normal são seis cortes, ou seja, seis anos colhendo a mesma matéria-prima. Nos próximos anos a tendência é que haja um aumento no número de cortes.

De acordo com o assessor técnico da Comissão Nacional de Cana-de-Açúcar da CNA, Rogério Avellar, em termos mercadológicos três fatores irão influenciar: o aumento da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) sobre a gasolina (vai estimular a competitividade do etanol), o maior número de chuvas (que proporciona mais oferta e maior produção) e a seca na Ásia em razão do fenômeno El Niño (que faz melhorar o preço do produto no mundo e aumenta a produtividade mundial). (Brasil Agro 23/09/2015)

 

Grupo sucroalcooleiro Guarani desiste de tomar recursos do BNDES

A Guarani, grupo sucroalcooleiro controlado pela francesa Tereos Internacional, desistiu de tomar recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para estocagem de etanol.

Ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, o diretor Região Brasil da Tereos Internacional, Jacyr Costa Filho, afirmou que as condições apresentadas pela instituição desestimularam a operação. "Ficou mais caro", comentou ele, que participa da 15ª Conferência Internacional Datagro sobre Açúcar e Etanol, em São Paulo.

No fim de agosto, o BNDES aprovou R$ 2 bilhões para armazenagem de etanol. A taxa de juros foi definida em 25% de TJLP e 75% em referenciais de mercado, acrescido de 1,775% ao ano para o BNDES e da remuneração da instituição financeira repassadora. Além desse custo financeiro, a liberação dos recursos ocorreu mais tarde neste ano, o que também provocou impacto no apetite das empresas pelo crédito.

Costa Filho já havia dito ao Broadcast no mês passado que a Guarani estava utilizando recursos próprios para armazenar etanol, na expectativa de preços mais remuneradores na entressafra.

No primeiro trimestre da temporada 2015/16 (abril, maio e junho), a companhia comercializou 128 milhões de litros de etanol, levemente abaixo dos 131 milhões de litros de igual período do ano passado.

Os volumes levam em conta 100% da Usina Vertente, em Guaraci (SP). Embora a Guarani detenha apenas metade da unidade, um acordo com os acionistas possibilitou que todas as operações da indústria fossem consideradas dentro do balanço. (Agência Estado 22/09/2015)

 

Guarani desiste de tomar recursos do BNDES para estocagem de etanol

A Guarani, grupo sucroalcooleiro controlado pela francesa Tereos Internacional, desistiu de tomar recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para estocagem de etanol. Ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, o diretor Região Brasil da Tereos Internacional, Jacyr Costa Filho, afirmou que as condições apresentadas pela instituição desestimularam a operação.

"Ficou mais caro", comentou ele, que participa da 15ª Conferência Internacional Datagro sobre Açúcar e Etanol, em São Paulo.

No fim de agosto, o BNDES aprovou R$ 2 bilhões para armazenagem de etanol. A taxa de juros foi definida em 25% de TJLP e 75% em referenciais de mercado, acrescido de 1,775% ao ano para o BNDES e da remuneração da instituição financeira repassadora. Além desse custo financeiro, a liberação dos recursos ocorreu mais tarde neste ano, o que também provocou impacto no apetite das empresas pelo crédito.

Costa Filho já havia dito ao Broadcast no mês passado que a Guarani estava utilizando recursos próprios para armazenar etanol, na expectativa de preços mais remuneradores na entressafra.

No primeiro trimestre da temporada 2015/16 (abril, maio e junho), a companhia comercializou 128 milhões de litros de etanol, levemente abaixo dos 131 milhões de litros de igual período do ano passado. Os volumes levam em conta 100% da Usina Vertente, em Guaraci (SP). Embora a Guarani detenha apenas metade da unidade, um acordo com os acionistas possibilitou que todas as operações da indústria fossem consideradas dentro do balanço. (Agência Estado 22/09/2015)

 

Preço do etanol hidratado está bem abaixo do projetado, diz SCA

O CEO da trading SCA, Martinho Ono, afirmou nesta terça-feira, 22, que o preço do etanol hidratado neste ano está bem abaixo do potencial projetado após a reintrodução da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) e do aumento da mistura de anidro na gasolina.

Conforme ele, hoje o álcool está com preço médio de R$ 1,17, inferior ao de R$ 1,45, com pico de R$ 1,60, estimado por ele. O valor refere-se ao produto retirado na usina, e o incremento de oferta responde, em parte, por esse cenário.

Ainda de acordo com o executivo, o anidro deveria se tratado como aditivo da gasolina e não ter nenhum tipo de indexação ao hidratado. Pelos cálculos do Ono, o litro da gasolina, hoje em torno de R$ 3,09, poderia ir a R$ 3,27, garantindo mais competitividade ao etanol nos postos de combustíveis.

Mercado futuro

Ono avaliou que o mercado futuro de etanol ainda não "deslanchou" no Brasil porque as distribuidoras não querem assumir riscos. "Há hoje uma comodidade por parte das distribuidoras. Não aparece comprador (na Bolsa)", disse durante painel da 15ª Conferência Internacional Datagro sobre Açúcar e Etanol, em São Paulo. Para ele, esse cenário tem suas raízes no Regime Militar, quando o setor era mais controlado. (Agência Estado 22/09/2015)

 

Raízen deverá processar 61 milhões de toneladas de cana em 2015/16

O vice-presidente de Açúcar e Etanol da Raízen, Pedro Mizutani, afirmou que a companhia, que lidera o processamento de cana do país, deverá moer nesta safra 2015/16, que começou em abril, cerca de 61 milhões de toneladas, volume próximo do teto do guidance divulgado pela empresa no início desta safra.

Mizutani reconhece que as chuvas de setembro atrasaram um pouco o ritmo de moagem das usinas do grupo, foram perdidos cinco dias de trabalho na primeira quinzena de setembro. Mas ele acredita que, com o clima agora mais seco, haverá uma recuperação.

O executivo da Raízen, empresa controlada por Cosan e Shell, afirmou que há potencial para os preços do etanol hidratado (usado diretamente no tanque dos veículos) aumentarem de R$ 0,20 a R$ 0,25 por litro na entressafra. Esse aumento, se confirmado, faria com que houvesse um maior equilíbrio entre oferta e demanda do produto, elevando a paridade do hidratado com a gasolina no Estado de São Paulo a 70%, ante os 63% atuais. (Valor Econômico 22/09/2015 às 17h: 20m)

 

Raízen diz que perdeu 5 dias de moagem de cana em setembro por causa das chuvas

A Raízen, maior processadora de cana do Brasil, perdeu cinco dias de operações de moagem em setembro por causa das fortes chuvas, mas ainda tem expectativa de alcançar sua meta e processar cerca de 61 milhões de toneladas na temporada 2015/16, disse nesta terça-feira o vice-presidente de operações Pedro Mizutani.

"Está atrasado o cronograma, pelas chuvas de setembro, que a gente não esperava. Espero que até o final de setembro não chova mais", disse Mizutani a jornalistas no intervalo de conferência de açúcar e etanol da Datagro.

De acordo com ele, os números de moagem para a primeira metade de setembro a serem divulgados pela associação da indústria de cana (Unica), nos próximos dias, possivelmente mostrarão um total abaixo de 30 milhões de toneladas na quinzena para o centro-sul do Brasil, conforme alguns agentes do mercado haviam sugerido.

Mitzuni disse que é certeza que Raízen, uma joint venture entre a brasileira Cosan e a Royal Dutch Shell, estenderá o esmagamento além de novembro, quando a safra usualmente termina no centro-sul, para poder esmagar a maior parte da cana disponível.

"Com certeza vamos estender tempo de moagem, mas não vamos sacrificar o canavial então vamos parar quando as condições climáticas indicarem", ele disse.

Mizutani disse que o centro-sul do Brasil teria potencial para esmagar mais de 610 milhões de toneladas de cana se dezembro fosse um mês sem chuvas, mas ele vê que é quase impossível, particularmente considerando o El Niño.

"Nós (centro-sul) provavelmente esmagaremos 590 milhões esta temporada."

Para a nova safra, ele não vê condições para um aumento, a menos que as chuvas durante novembro, dezembro e fevereiro sejam muito favoráveis.

Mas, se o clima for seco, a nova safra pode estar próxima de 570 milhões de toneladas, ele disse.

Mizutani disse que a Raízen não tem interesse em possíveis oportunidades de aquisições de outros grupos no Brasil. "Nós já temos capacidade extra. Nosso foco agora é melhorar produtividade e eficiência". (Reuters 22/09/2015)

 

Safra de cana da Índia definha e amplia riscos para mercado global de açúcar

Milhares de acres da safra de cana da Índia estão sofrendo severos danos com a ausência de chuvas de monções, com alguns produtores no segundo maior produtor de cana do mundo vendo-se forçados a alimentar o gado com a cana ressecada no maior estado produtor.

Após uma sequência de colheitas recorde que criaram um excesso de açúcar na Índia, a seca pode cortar a oferta no ano de mercado que se iniciará em outubro, e há um risco de que a produção caia abaixo do consumo pela primeira vez em sete anos na próxima temporada de 2016/17.

E mesmo que a Índia ainda esteja buscando impulsionar exportações na próxima temporada para diminuir estoques, este cenário pode se transformar rapidamente com uma escassez na produção impulsionando os preços globais, que estão pairando ao redor de mínimas de sete anos.

Executivos da indústria dizem que milhares de hectares de cana foram danificados após a Índia enfrentar secas consecutivas pela primeira vez em três décadas, com produtores também se abstendo de plantar cana para a próxima temporada por causa da escassez de água.

Em Maharashtra, o maior estado produtor, uma recente visita da Reuters mostrou um impacto da seca.

"As usinas de açúcar não comprarão esta cana pequena com pequenos brotos", disse o produtor Vijay Nazirkar, conforme cortava a cana para suas 22 cabeças de gado, uma de suas poucas fontes de renda, uma vez que outras colheitas como milho e cebola também foram atingidas por uma seca prolongada relacionada ao fenômeno climático El Niño.

Até o momento, ele alimentou o gado com quase metade de sua cana no vilarejo de Nazare, cerca de 200 km ao sudeste de Mumbai. (Reuters 22/09/2015)

 

Açúcar atinge maior valor do ano favorecido pelo dólar

Aumento de exportações de açúcar e da demanda por etanol estimula recuperação do setor sucroenergético.

O preço do açúcar no mercado interno atingiu o maior valor do ano com alta de 11%. O levantamento é do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), referente ao acumulado de setembro em relação ao fechamento de agosto. A valorização se deve ao aumento das exportações e também à maior produção de etanol. Para o setor sucroenergético, este é um momento de recuperação da crise vivida nos últimos anos.

Nesta semana, o preço do açúcar cristal em São Paulo está na casa dos R$ 52 a saca de 50 Kg, de acordo com levantamento do Cepea. A valorização do dólar tem compensado a queda do preço do açúcar no mercado internacional e deixado o produto brasileiro mais competitivo, o que vem estimulando as exportações.

Como o Brasil tem uma participação relevante no mercado internacional, num primeiro momento, o preço do açúcar em dólar cai. De qualquer forma, nós estamos vendo uma valorização este ano em reais por tonelada de açúcar em torno de 10% em relação ao ano passado. O que é uma boa notícia, um bom indício, diz Jacyr Costa Filho, diretor do Grupo Tereos.

Outro fator é que o Brasil vem aumentando a produção de etanol. Para a safra 2015/2016, quase 60% da produção nacional deve ser destinada à fabricação do biocombustível.

Enquanto o mercado mundial de açúcar continuar superavitário, o Brasil vai ter como opção, sem dúvida alguma, o etanol. Pelo quinto ano consecutivo, nós reduzimos a produção de açúcar, reduzimos a exportação, e a safra 2015/2016 se desenha aí com uma redução de até dois milhões de toneladas de açúcar em relação ao ano anterior – calcula Antonio de Pádua Rodrigues, diretor técnico da Unica.

A demanda pelo etanol também vem aumentando e o setor já pensa em aumento de preço do combustível na entressafra da região Centro-Sul, que acontece entre o final deste ano e o início do ano que vem.

Exatamente pela forte venda que já realizamos no mercado interno, pela provável quantidade de cana bisada que nós vamos manter no campo e as condições climáticas não vão permitir. Então, nós vamos ter que frear uma boa parte da demanda que está existindo hoje através do preço, afirma o CEO da SCA Corretora, Martinho Ono.

Nos últimos cinco anos, aproximadamente 80 usinas fecharam no país. Mas durante a Conferência Internacional Datagro sobre açúcar e etanol, em São Paulo, os participantes estimaram a recuperação do setor sucroenergético, puxada pela menor oferta mundial de açúcar.

Os demais países, onde não houve uma desvalorização tão grande da moeda, esses preços se tornaram insuportáveis, são preços em que ele [o etanol] não é competitivo. Então, há uma tendência, no médio prazo, de uma redução de produção. Reduzindo produção, reduzindo a oferta, o preço volta a subir. Aí nós vamos capturar o ganho da mercadoria, independente do câmbio, projeta Tarcilo Rodrigues, diretor executivo da Bioagência. (Embrapa 22/09/2015)

 

Cide favorece a economia verde, diz Levy

Sem detalhar as medidas do ajuste fiscal que começaram a ser enviadas nesta segunda-feira (21) pelo governo federal ao Congresso Nacional, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, mencionou durante seminário em São Paulo que colocar a cobrança de Cide (o imposto sobre os combustíveis) sobre a gasolina favorece a economia verde.

"O Brasil deu sinalização importante neste ano sobre a Cide. Sem dúvida nenhuma, ela é um indicador importante para a economia verde quando se aplica à gasolina", disse o ministro, ao participar do encerramento do Seminário Internacional - Sistema Financeiro, Economia Verde e Mudanças Climáticas.

Ele não explicou a declaração feita no discurso, mas deu a entender que, com a cobrança e a alta do preço da gasolina, o consumo de etanol se favorece, o que teria impacto maior na economia verde.

Em seu discurso, Levy ressaltou ainda que é preciso ampliar a participação do mercado financeiro na economia com baixa emissão de carbono. Ele citou que quase 10% dos empréstimos do setor financeiro às empresas se destinaram no ano passado ao setor de economia verde. "Ainda há muito trabalho a fazer no setor de seguros e de investimentos imobiliários. Mas o índice de sustentabilidade da BMF&Bovespa é um bom exemplo de ação positiva."

O ministro disse ainda que o Brasil é o país que fez a maior contribuição para a redução das emissões de carbono e gases de efeito estufa.

"O Brasil vem prestando significativa contribuição voluntária para a redução das emissões e gases de efeito estufa no mundo, tendo reduzido as emissões em mais de 40% entre 2005 e 2012, notadamente devido a uma queda de mais de 80% nas taxas de desmatamento da Amazônia. Trata-se da maior contribuição de um pais ao esforço global de mitigação, repito, a maior."

Agenda Brasil

Sobre seu encontro com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), o ministro reafirmou que apresentou "de maneira informal" alguns itens de contribuição para a Agenda Brasil, particularmente, o tema de facilitação de grandes projetos de infraestrutura".

"Como tenho falado, é um processo contínuo. A gente está construindo e convergindo naqueles elementos para a gente acelerar o crescimento da retomada do Brasil."

Em relação ao projeto de lei que altera e unifica a cobrança do PIS e da Cofins, Levy voltou a afirmar que o objetivo é "simplificar a vida das empresas, aumentar a segurança jurídica e dar mais transparência a essa contribuição e assim ajudar a melhor alocação de recursos do Brasil de maneira que a produtividade da nossa economia aumente".

"É exatamente isso que tem de fazer. Aumentar a produtividade para que os salários e a renda continuem crescendo de maneira sustentável."

Cide

Também questionado sobre o papel que teria a Cide, o imposto dos combustíveis, para reduzir o consumo de combustíveis fósseis, Murilo Portugal, presidente da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), afirmou que não devem ser confundidos os potenciais de arrecadação e sustentabilidade na criação de tributos.

"O objetivo de reduzir as emissões não é um objetivo que vise aumentar a arrecadação. Ele é de longo prazo e visa reduzir os impactos que os combustíveis fósseis têm sobre o aquecimento global", disse o executivo durante a tarde desta segunda no seminário sobre economia verde e mudanças climáticas em São Paulo.

Segundo Portugal, que, se recusou a dar declarações sobre a crise econômica e o retorno da CPMF, a forma de tributação usada para reduzir a emissão é "completamente irrelevante".

"É irrelevante para o objetivo que estamos tratando aqui discutir o tipo de mecanismo que vai ser adotado para a redução das emissões do ponto de vista estritamente tributário."

A ideia de sugerir a elevação da Cide, o imposto dos combustíveis, proposta feita publicamente pelo vice-presidente Michel Temer na semana retrasada, veio de Delfim Netto, principal conselheiro de Temer na área econômica.

O governo não encampou a sugestão, temendo impacto na inflação. Preferiu patrocinar a recriação da CPMF.

Na ocasião da divulgação da proposta da CPMF, a Febraban disse que compreende a necessidade de se elevar tributos. (Folha de São Paulo 22/09/2015)

 

Mix da safra de cana 2015/16 não deve ser afetado por alta do dólar, diz Pádua

O diretor técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Antonio de Padua Rodrigues, avaliou há pouco que a disparada do dólar em relação ao real não tende a alterar o mix de produção da atual safra de cana 2015/16 no Centro-Sul do Brasil.

Conforme ele, as usinas já fecharam suas programações de fabricação de produtos, com foco no etanol.

A afirmação foi dada nos bastidores da 15ª Conferência Internacional Datagro sobre Açúcar e Etanol, em São Paulo.

O dólar fortalecido é um estímulo às exportações de açúcar, pois os produtores brasileiros acabam recebendo mais reais no momento da conversão de moedas.

Nesta terça-feira, a moeda norte-americana trabalha acima de R$ 4. “A alta do dólar é ruim para quem está apenas no mercado interno, que vê os custos aumentarem. O grande benefício é para quem exporta”, disse Rodrigues. (Agência Estado 22/09/2015)

 

Cotação do dólar simboliza agravamento da crise econômica e política

O rompimento da barreira de R$ 4,00 na cotação do real frente ao dólar tem um forte componente simbólico da gravidade da crise econômica e política. Mas esse movimento do câmbio não pode ser considerado uma surpresa diante do aprofundamento sistemático das incertezas que cercam a economia brasileira. A reação dos mercados financeiros globais a esse quadro é a realocação de recursos antes destinados ao país para outros destinos considerados mais seguros.

Os gatilhos que dispararam a cotação hoje foram a perspectiva de um iminente rebaixamento da nota de crédito brasileira pela agência de classificação de risco Fitch, que ainda mantém o país na condição de grau de investimento. E a possibilidade de que os vetos da presidente Dilma Rousseff às chamadas pautas-bomba aprovadas pelo Congresso Nacional sejam derrubados, o que comprometeria ainda mais a gestão fiscal do governo.

O professor Rubens Penha Cysne, da Escola Brasileira de Economia e Finanças (EPGE), ligada à Fundação Getúlio Vargas (FGV), considera a existência de uma conjunção de fatores que levaram à situação atual, com reflexos no câmbio. A crise política e a maior fragilidade fiscal devem ser analisadas, segundo ele, de forma abrangente para que se possa entender o momento por que passa a economia brasileira.

No passado, o país conviveu com inúmeras crises financeiras em que a economia apresentava um processo de leniência fiscal ao lado da regra do câmbio fixo. O resultado dessa equação foram as maxidesvalorizações da moeda brasileira, com mudança repentina de patamar do câmbio. Agora, como ele chama atenção, a trajetória de leniência fiscal está conjugada à regra do câmbio flexível, que faz com que esse processo de desvalorização da moeda seja gradual.

- Com o câmbio fixo, tínhamos algo semelhante a um infarto agudo e agora temos esse avanço progressivo, que comparo à cirrose hepática, que debilita gradualmente o paciente. Nós ainda estamos aprendendo a conviver com essa nova realidade. Mas não é o fim do mundo, temos condições de reverter essa situação e nos valermos do grande potencial da economia do país, afirmou o economista.

O processo corrosivo que atingiu a economia brasileira tornou-a mais frágil e vulnerável. De acordo com Rubens Cysne, os sintomas seriam o quadro de desindustrialização que o país tem enfrentado, com a queda da dinâmica de inovação que caracteriza as economias mais saudáveis. O efeito positivo que se poderia esperar de um câmbio mais desvalorizado, pelo estímulo às exportações, dificilmente se aplica ao atual momento brasileiro, diante do receio dos agentes econômicos de realizarem novos investimentos.

O ingrediente que o economista adiciona a esse cenário é o nervosismo que tomou conta dos mercados financeiros pela dificuldade de se enxergar um horizonte para a melhoria das condições atuais. Em 2002, quando a cotação do dólar chegou a um passo de R$ 4,00, o que pesava no comportamento dos agentes econômicos era basicamente o temor pela eleição do candidato Luiz Inácio Lula da Silva, e que se desfez quando ele assumiu a cadeira de presidente.

Agora, a debilidade fiscal se somou às incertezas também de origem política, mas que não apontam um desfecho previsível. Mesmo que o professor da FGV evite projetar o comportamento futuro do real, não é difícil avaliar que, sem uma reversão do panorama atual, a tendência é que o câmbio continue a dar o sinal de alerta sobre o desajuste brasileiro. (G1 22/09/2015)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Queda em NY: O tempo quente e seco na virada do inverno para a primavera no Brasil, aliado à alta histórica do dólar ante o real, aprofundou a queda dos preços do açúcar ontem na bolsa de Nova York. Os contratos do demerara para março de 2016 fecharam com recuo de 10 pontos, a 11,57 centavos de dólar a libra-peso. As previsões meteorológicas indicam que o céu deve continuar aberto no Centro-Sul brasileiro, permitindo o avanço da colheita e da moagem da safra 2015/16. A alta do dólar colabora para manter a pressão sobre as cotações. Alguns analistas citam a queda das importações chinesas em agosto, tanto na base mensal como anual, como motivo de receios com a demanda. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal subiu 0,34%, para R$ 52,46 a saca de 50 quilos.

Café: Dólar nas alturas: A elevação histórica do dólar em relação ao real pesou mais uma vez sobre os preços do café na bolsa de Nova York ao incentivar as exportações brasileiras. Os lotes do arábica com vencimento em março de 2016 caíram 185 pontos, a US$ 1,1875 a libra­peso. "Um colapso contínuo na moeda brasileira continua a fonte principal de pressão nos preços do café e manteve os vendedores ativos", avaliou o Zaner Group, em nota. O dólar também subiu ante o dong vietnamita. O Vietnã é o maior exportador de café robusta e seus produtores têm segurado as vendas em busca de melhores preços, mas em breve terão que começar a colheita da nova safra. No mercado doméstico, o preço do café de boa qualidade oscilou entre R$ 480 e R$ 490 a saca de 60,5 quilos, de acordo com o Escritório Caravlhaes.

Soja: Tempo colabora: Os contratos da soja registraram forte tombo ontem na bolsa de Chicago em meio a um pessimismo geral nos mercados financeiros globais e diante das boas perspectivas para a safra dos Estados Unidos. Os lotes para janeiro recuaram 12,25 centavos, a US$ 8,665 o bushel. O Departamento de Agricultura do país (USDA) havia reportado no dia anterior que a colheita alcançara 7% da área plantada no domingo e que as condições das lavouras melhoraram, com 63% da área plantada em situação "boa" a "excelente", alta de 2 pontos percentuais. O clima deve favorecer o avanço da colheita nesta semana, com tempo firme no MeioOeste e poucas chuvas no noroeste da região, segundo a empresa de meteorologia DTN. No Paraná, a soja subiu 0,63%, para R$ 70,45 a saca, segundo o Deral/Seab.

Milho: E colheita avança: As cotações do milho perderam terreno ontem na bolsa de Chicago diante do avanço da colheita nos Estados Unidos e do tom negativo nos mercados globais. Os lotes para março de 2016 recuaram 3,75 centavos, para US$ 3,9225 o bushel. A colheita está um pouco atrasada nas lavouras americanas, mas analistas ponderam que o ritmo está bom, considerando que houve atrasos no plantio em junho. Até o domingo, 10% da área plantada havia sido colhida, contra 15% na média das últimas safras. Os relatos sobre a produtividade são mais desencontrados, o que limitou uma queda mais expressiva. Analistas citam índices menores em Illinois, mas rendimento elevado no Kentucky e no Tennessee. No Paraná, o preço médio do cereal subiu 1,95%, para R$ 24,09 a saca, de acordo com o Deral/Seab. (Valor Econômico 23/09/2015)