Setor sucroenergético

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Grupo Moreno tenta negociar R$ 1,3 bilhão com credores

Pressionada por processos de execução e penhora de bens movidos por credores, a Central Energética Moreno, mais conhecida por Grupo Moreno, tenta uma negociação extrajudicial com as instituições credoras, antes de partir, de fato, para uma recuperação judicial. A empresa, com quatro usinas capazes de processar 13 milhões de toneladas de cana por safra, tem dívidas próximas de R$ 1,3 bilhão.

Procurados, os acionistas do Grupo Moreno não retornaram os contatos da reportagem. Conforme apurou o Valor, a empresa está tentando convencer os credores, a maior parte bancos, a sentarem-se à mesa de negociações, em especial os que já acionaram a empresa na Justiça. Se não obtiver sucesso nessa empreitada, a empresa, uma das mais tradicionais do setor, pode ter que partir para um pedido de recuperação judicial, disseram fontes próximas ao grupo.

Entre as ações de execução em trâmite na Justiça contra a empresa, a maior delas é a do Banco Votorantim, que cobra do Grupo Moreno R$ 91,4 milhões. A ação foi protocolada em 3 de setembro passado na Vara Cível de Monte Aprazível (SP).

Uma ação semelhante foi protocolada no dia 4 deste mês pelo Banco Indusval, no valor de R$ 13,9 milhões. A companhia se defende ainda de um processo semelhante movido pelo ABN Amro Bank, que cobra dela R$ 28,8 milhões.

Neste ano, alguns bancos credores de usinas de cana-de-açúcar resolveram acionar na Justiça as garantias recebidas em empréstimos, após meses de negociações sem êxito. Foi o caso do Bradesco e do Itaú BBA, que protocolaram no início deste mês um pedido de arresto de produtos (etanol e açúcar) e de canaviais dados como garantia de empréstimos da Renuka do Brasil. Juntos, os dois bancos cobram da empresa, controlada pela indiana Shree Renuka Sugars, uma dívida já vencida de R$ 40,8 milhões. (Valor Econômico 24/09/2015)

 

CTC reorganiza variedades de cana e anuncia duas novas cultivares

O Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) anunciou nesta quarta-feira, 23, em Ribeirão Preto (SP), a reorganização das variedades de cana-de-açúcar da companhia em três famílias e o lançamento de duas novas cultivares.

As variedades serão disponibilizadas de acordo com as características principais da cultura: riqueza em açúcar, na família Sweet; maior produtividade, na família Power e, ainda, na família Value, a mescla de alto teor de açúcar e de produtividade.

As duas novas variedades de cana do CTC são a Power 9004M e a Sweet 9005HP. A Power 9004M é uma variedade para a colheita no meio da safra, entre junho e outubro, destinada aos ambientes restritivos de cultivo.

Segundo Luiz Antonio Dias Paes, gerente nacional de vendas do CTC, a variedade já foi testada em mais de 5 mil hectares e mostrou alta produtividade nos ambientes testados.

A outra nova variedade é a Sweet 9005HP, cuja sigla HP remete à hiper-precocidade da planta, aliada à riqueza em açúcar para a colheita no início da safra, a partir de março, além de ser resistente a todas as principais doenças da cultura. (Agência Estado 23/09/2015)

 

Prorenova será anunciado nos próximos dias

O chefe do Departamento de Biocombustíveis do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Carlos Eduardo Cavalcanti, afirmou que as condições para acesso ao Prorenova 2015 serão anunciadas "nos próximos dias".

"O programa já foi para a diretoria (da instituição) e deve ser semelhante ao do ano passado", disse em rápida entrevista a jornalistas nos bastidores da 15ª Conferência Internacional Datagro sobre Açúcar e Etanol, em São Paulo.

O Prorenova é a linha de financiamento do BNDES para a renovação de canaviais. Neste ano, o projeto foi anunciado junto com o Plano Safra 2015/16, em junho, com montante total de R$ 1,5 bilhão. Em relação aos anos anteriores, a divulgação das regras para tomada de recursos está atrasada. As condições para estocagem de etanol, no valor de R$ 2 bilhões, por exemplo, só foram anunciadas no fim de agosto, o que reduziu o interesse do setor sucroenergético pelo dinheiro.

Cavalcanti reconheceu que em 2015 as condições financeiras para acesso ao crédito "não estão tão favoráveis", mas ainda assim o BNDES conseguiu junto ao governo que parte da taxa de juros fosse em TJLP. Dados do BNDES apresentados por Cavalcanti durante painel no evento mostram que entre 2012 e 2014 o Prorenova contribuiu para a renovação de 1 milhão de hectares de canaviais.

O banco também financiou a armazenagem de 2 bilhões de litros de etanol. No total, o desembolso da instituição para o setor sucroenergético foi de R$ 7,66 bilhões nesses três anos. (Agência Estado 24/09/2015)

 

Variedades RB de cana respondem por 65% da área cultivada no Brasil

Levantamento do Programa de Melhoramento Genético da Cana-de-Açúcar (PMGCA) da Rede Interuniversitária para o Desenvolvimento do Setor Sucroenergético (Ridesa) aponta que as variedades RB de cana-de-açúcar respondem por 65% da área cultivada no Brasil na safra 2015.

O censo varietal de 2015 foi realizado em 138 usinas de São Paulo, maior estado produtor, e Mato Grosso do Sul, com 3,92 milhões de hectares ou 73% das área total com cana nos dois estados, de 5,36 milhões de hectares.

As variedades RB são seguidas pelas SP e CTC, respectivamente com 19% e 13% de área cultivada. As duas siglas são de variedades do Centro de Tecnologia Canavieira. Com 26% da área cultivada, a RB7515, desenvolvida pela Ridesa, segue como a variedade mais cultivada na região apurada, seguida pela RB6928, com 9,7%.

Já para o plantio em novas áreas ou replantio, as posições se invertem e a RB6928 lidera, com 17,3%, seguida pela RB7515, com 16,7%. Com 40 anos de variedades RB lançadas e 25 anos da Ridesa, o centro de cana mantido por universidades e centros de pesquisa lançará, no próximo dia 25 de novembro, 16 novas cultivares em um evento em Ribeirão Preto (SP). (Agência Estado 23/09/2015)

 

Vantagem do etanol sobre gasolina em SP atinge maior nível em cinco anos

A paridade entre os produtos foi de 61,2%, porcentual mais favorável desde setembro de 2010, quando atingiu 58,5%.

A relação de competitividade do etanol hidratado em comparação com a gasolina nos postos de São Paulo atingiu na semana passada o maior nível em cinco anos. A paridade entre os produtos foi de 61,2%, porcentual mais favorável desde setembro de 2010, quando atingiu 58,5%.

Os dados são da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e foram compilados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP). O biocombustível é mais vantajoso para o consumidor quando a relação é menor do que 70%.

Ainda de acordo com o Cepea, o etanol hidratado, utilizado diretamente nos tanques dos veículos, tem se mantido competitivo ante a gasolina há 16 meses consecutivos em São Paulo. A última vez em que a relação ficou acima de 70% foi em abril do ano passado, quando o preço do biocombustível equivaleu a 70,1% do valor do derivado de petróleo.

De 13 a 19 de setembro, a cotação média do hidratado nas bombas do Estado de São Paulo foi de R$ 1,893 o litro. A gasolina teve média de R$ 3,074 o litro. Além de São Paulo, o etanol continua competitivo também em Mato Grosso, Minas Gerais, Paraná, Goiás e Mato Grosso do Sul. (O Estado de São Paulo 24/09/2015)

 

Volume de chuva em 2015 aumenta a safra de cana-de-açúcar

A safra 2015/2016 terá um pequeno aumento da produção e produtividade, basicamente em função do maior volume de chuvas. Apesar de muita “cana bisada” (cana que não pode ser colhida e fica no campo para a próxima safra) e o envelhecimento do canavial, a safra 2016/2017, segue com o cenário produtivo semelhante ao da safra 2015/16.

O destaque vai para o etanol, com crescimento do mercado interno, via aumento da mistura na gasolina, retorno parcial da CIDE e diminuição de alíquotas de ICMS em alguns estados, além do aumento das exportações.

Outro fator que contribui para a importância do etanol é a necessidade das usinas equilibrarem seu fluxo de caixa, o que pode ser feito mais rapidamente com a venda desse produto.

Quanto ao açúcar temos: altos estoques mundiais; preços baixos pressionados pela desvalorização do real; preços subsidiados na Índia e Tailândia e seca na Ásia com a ocorrência do El Ninho. Mesmo assim, dependendo da relação entre a desvalorização do real e a queda do preço do produto em dólar, podem surgir boas oportunidades de comercialização para as usinas brasileiras.

Na safra 2016/2017, a persistente diminuição do investimento em tecnologia e dos gastos na manutenção dos canaviais, em função da baixa liquidez dos produtores, pode refletir em menores ganhos de produtividade do que é esperado.

De acordo com o assessor técnico da Comissão Nacional de Cana-de-Açúcar da CNA, Rogério Avellar, em termos mercadológicos, três fatores podem influenciar o setor: o aumento da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) sobre a gasolina (estimula a competitividade do etanol), o maior volume de chuvas no Brasil (proporciona maior produção e produtividade da cana-de-açúcar) e a seca na Ásia em razão do fenômeno El Niño (reduz a oferta de grandes produtores/exportadores de açúcar). (Cana Online 24/09/2015)

 

Embrapa sofre com a falta de irrigação

Nem mesmo a proximidade entre a ministra da Agricultura, Katia Abreu, e a presidente Dilma Rousseff tem sido suficiente para amortecer o impacto do ajuste fiscal sobre a Embrapa. Um dos maiores centros de inovação do país, a estatal foi atingida em cheio pelos cortes no orçamento federal.

A crise nas contas públicas já ceifou mais de 30% das verbas previstas para este ano, da ordem de R$ 3 bilhões. Para 2016, o ancinho vai cavar ainda mais fundo: o orçamento da Embrapa deve ficar abaixo de R$ 1,5 bilhão. A aridez financeira já resseca alguns dos principais planos da Embrapa.

O projeto de montar centros de pesquisa e representações no exterior se transformou numa semente plantada no cimento. O Centro de Estudos Estratégicos e Capacitação em Agricultura Tropical (Cecat), desenvolvido no governo Lula com o objetivo de capacitar profissionais da área de agro ciência, murchou.

Os investimentos na distribuição e comercialização da Cultivance, soja transgênica desenvolvida com a Basf, também estão sob risco. Isso justo no momento em que a dupla aguarda a autorização da Comunidade Europeia para a venda da semente no continente.

Na Embrapa, já se fala até mesmo na interrupção de outras parcerias com multinacionais, como Dow e Syngenta. (Jornal Relatório Reservado 24/09/2015)

 

Fila para embarque de açúcar aumenta de 46 para 50 navios na semana

O total de navios que aguardam para embarcar açúcar nos portos brasileiros aumentou de 46 para 50 na semana encerrada nesta quarta-feira, 23, segundo levantamento da agência marítima Williams Brazil. O relatório considera embarcações já ancoradas, aquelas que estão ao largo esperando atracação e também as que devem chegar até o dia 21 de outubro.

Foi agendado o carregamento de 1,55 milhão de toneladas de açúcar. A maior quantidade será embarcada no Porto de Santos, de onde sairão 1,07 milhão de toneladas, ou 69% do total. Paranaguá responderá pelos 31% restantes (480,93 mil toneladas). Em Santos, o terminal da Copersucar deve embarcar 355,35 mil toneladas. No da Rumo, estão agendadas 580,01 mil toneladas, e no Teag, da Cargill/Biosev, 138,30 mil toneladas no período analisado.

A maior parte do açúcar a ser embarcado é da variedade VHP, açúcar bruto de alta polarização, com 1,46 milhão de toneladas. O embarque de cristal B-150 soma 21,50 mil toneladas e o de A-45, 70,45 mil toneladas. (Agência Estado 24/09/2015)

 

Commodities Agrícolas

Café: Recuperação em NY: As cotações do café arábica subiram ontem na bolsa de Nova York, após três quedas consecutivas. Os contratos do grão para março de 2016 subiram 70 pontos, para US$ 1,1945 a libra-peso. Alguns analistas acreditam que a alta histórica do dólar sobre o real e volatilidade da moeda podem tornar os produtores do Brasil mais cautelosos nas vendas. "Os produtores podem parar de vender até que a moeda mostre alguma estabilidade", disse Jack Scoville, da Price Futures Group. Além disso, a Organização Internacional do Café (OIC) avaliou que a China deve elevar a demanda por café na ordem de dois dígitos e entrar na lista dos dez maiores consumidores da bebida no mundo. No mercado interno, o indicador Cepea/ Esalq para o café arábica subiu 2,56%, para R$ 464 a saca.

Cacau: De olho na África: Os futuros do cacau voltaram a subir apenas marginalmente ontem na bolsa de Nova York, ainda sustentados pelos receios com a produção no oeste da África na safra 2015/16. Os contratos para março de 2016 tiveram alta de US$ 7, para US$ 3.310 a tonelada. Os agentes do mercado que participam de um encontro do setor em Londres avaliam que a produção africana deve cair na próxima colheita, mas que as últimas chuvas nas lavouras podem limitar as perdas. A trading Cocoanect avalia que o processamento de cacau no terceiro trimestre no mundo caiu 5% na base anual, puxado por uma redução de 10% na atividade da América do Norte. No mercado interno, o preço médio em Ilhéus e Itabuna continuou em R$ 147 a arroba, de acordo com a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Suco de laranja: Sem furacões: As cotações do suco de laranja registraram ontem a quinta sessão consecutiva de desvalorização em Nova York, com a progressiva retirada do "prêmio climático" relacionado à temporada de furacões nos EUA. Os contratos para janeiro fecharam em forte baixa de 460 pontos, a US$ 1,1225 por libra-peso. A temporada de furacões americana termina em 30 de novembro, mas o período mais crítico já passou, o que diminui o risco aos pomares da Flórida. Ainda assim, a safra 2015/16 de citros da Flórida deve ser a menor em 50 anos, conforme projeções privadas divulgadas até o momento. O motivo é o ataque de greening, uma grave doença bacteriana. No mercado spot de São Paulo, a caixa de 40,8 quilos destinada à indústria ficou em R$ 12,44, em alta de 1,72%, segundo o Cepea/Esalq.

Trigo: Falta de chuvas: O clima seco nas áreas produtoras do Leste Europeu chamou a atenção dos investidores americanos e motivou compras nas bolsas ontem. Em Chicago, os contratos para março de 2016 subiram 12,25 centavos, a US$ 5,15 o bushel. Em Kansas, onde se oferta o trigo de melhor qualidade, os contratos com igual vencimento avançaram 13,5 centavos, a US$ 5,16 o bushel. Segundo a empresa de meteorologia DTN, áreas produtoras do Leste Europeu têm recebido poucas chuvas e o solo está com pouca umidade, o que prejudica as áreas onde ocorre o plantio do trigo de inverno. Na Rússia, estima-se que 25% da área possa ser comprometida caso se confirme a previsão de mais 10 a 14 dias sem chuva. No Paraná, o preço médio do trigo subiu 0,2%, para R$ 34,54 a saca, de acordo com o Deral/Seab. (Valor Econômico 24/09/2015)