Setor sucroenergético

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BNDES terá crédito de até R$ 20 milhões com TJLP no ProRenova

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) já tem a estrutura do Programa de Apoio à Renovação e Implantação de Novos Canaviais (ProRenova) para a safra 2015/2016, cuja liberação para as instituições financeiras está prevista para os próximos dias.

Diante das dificuldades de concessão de crédito, serão até R$ 20 milhões financiados com taxas de juros de longo prazo (TJLP) e o restante estará atrelado à taxa básica de juros (Selic).

As declarações foram dadas ontem (22) pelo chefe do departamento de biocombustíveis do BNDES, Carlos Eduardo Cavalcanti, durante a 15ª Conferência Internacional Datagro. "O programa deste ano terá moldes similares aos aplicados no ano passado", disse o executivo a jornalistas. Para esta temporada, o Plano Safra destinou R$ 1,5 bilhão ao Prorenova, valor 50% inferior quando comparado aos R$ 3 bilhões disponibilizados pelo Ministério da Agricultura no ciclo de 2014/ 2015.

Em um momento econômico adverso, Cavalcanti reconheceu que as condições de financiamento não são favoráveis. Portanto, houve uma negociação entre o banco e o governo federal para que parte das tarifas fosse mantida em TJLP.

No final de agosto foi feita a liberação dos R$ 2 bilhões referentes à estocagem de etanol, semelhante à safra anterior. O secretário de Política Agrícola do Ministério, André Nassar, disse que faltavam apenas detalhes para que o Prorenova estivesse disponível ao mercado. Enquanto as definições sobre a recomposição total da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) não vêm, o setor não pode ficar de braços cruzados.

Sobrevivência

Atualmente, em um contexto de crise, os principais grupos do setor sucroenergético têm recorrido a financiamentos para investir. "Se não houver eficiência de produção na usina, não haverá aumento de produtividade. Temos que fazer a lição de casa com aplicação de tecnologia", afirma o vice-presidente da Raízen, Pedro Mizutani.

No ano passado, a companhia inaugurou sua primeira planta comercial de etanol de segunda geração (2G) no município de Piracicaba, no interior paulista. Segundo Mizutani, a Raízen está confiante de que nos próximos dois e três anos será possível produzir 50% a mais de etanol na mesma área do biocombustível tradicional, por conta do incremento vindo do 2G.

A curto prazo, o vice-presidente acredita que o etanol tem potencial para aumentar cerca de R$ 0,20 no preço. Entretanto, o movimento do câmbio tem feito com que a remuneração pelo açúcar exportado seja superior à comercialização do biocombustível em cerca de 5%. "O dólar alto aumenta os custos, mas é positivo", comenta.

Com relação à renovação dos canaviais, a Raízen deve diminuir neste ano, mas porque os níveis de produtividade têm se mostrado muito positivos. Tanto, que a estimativa é estender a moagem até quando as condições climáticas permitirem. O mesmo deve ser visto no grupo São Martinho.

A jornalistas, o presidente da São Martinho, Fabio Venturelli, afirmou que a safra da companhia também terminará tarde e, para ele, talvez outros grupos nem parem com a moagem durante a entressafra, mesmo suscetíveis a uma "explosão" nos custos de produção que geralmente acontece naquele período. (DCI 24/09/2015)

 

Açúcar: Tombo na produção

A queda da produção de açúcar na primeira quinzena de setembro no Centro-Sul do Brasil ofereceu forte impulso aos preços do açúcar demerara na bolsa de Nova York.

Os lotes para março de 2016 subiram 31 pontos, a 11,86 centavos de dólar a libra-peso.

O recuo de 32,7% na produção de açúcar deveu-se às chuvas, que interromperam a moagem da cana por alguns dias, e do direcionamento ainda maior da cultura para a produção de etanol, como reportou ontem a União das Indústrias de Cana-de-Açúcar.

Desde o início da safra, a produção já está 2,5 milhões de toneladas abaixo do mesmo período da safra passada, somando agora 20,8 milhões de toneladas.

No mercado interno, o indicador Cepea/ Esalq para o açúcar cristal em São Paulo subiu 0,19%, para R$ 52,91 a saca de 50 quilos. (Valor Econômico 25/09/2015)

 

Tudo indica que a entressafra canavieira será mais uma vez caótica

Quem acredita que a crise perversa imposta pelo (des) governo petista sobre a cadeia produtiva sucroenergética já chegou ao fundo do poço em razão dos reiterados conceitos emitidos em eventos ‘chapa-branca’ ou através de manifestações falsas e inconsistentes veiculadas por pseudo-lideranças pela mídia, que se prepare para a entressafra que se aproxima.

Na visão dos otimistas, tudo indica que os pedidos tão aguardados pela indústria de base para a manutenção industrial das usinas tardarão a chegar. Já os realistas se alinham aos pessimistas e têm certeza de que os pedidos não chegarão. Ou se chegarem, serão muito aquém da expectativa.

Em entrevista ao TV BrasilAgro, que será veiculado neste domingo pela STZTV (www.stztv.org.br) e que estará disponibilizado na WEB TV dowww.brasilagro.com.br a partir da tarde desta próxima segunda-feira, o consultor Marcos Antonio Françóia, da MBF Agribusiness e Organize, afirma que os empresários e a sociedade civil devem estar preparados para uma situação de expressivo grau de dificuldades.

Ele concorda que grande número de usinas estão descapitalizadas e evitarão investimentos em manutenção industrial. Há de se relembrar que a crise na indústria de base decorre do fechamento de usinas e também de dezenas de unidades que já recorreram ao processo de recuperação judicial, onde os pagamentos aos fornecedores ficam congelados e depois são negociados com deságio.

Ao mesmo tempo, começam a ganhar força notícias envolvendo grandes usinas que estariam na iminência de não voltarem a produzir depois do final desta safra. Durante a semana, repercutiu a notícia neste sentido publicada pelo Relatório Reservado e veiculada pelo BrasilAgro e que envolve a Usinas Itamarati.

Segundo a notícia, a proprietária da Usinas Itamarati, Ana Cláudia de Moraes, filha do ex-rei da soja e já falecido Olacyr de Moraes, estaria avaliando a estratégia de demitir todos os seus funcionários e deixar de moer cana nas próximas safras. As tentativas para vender os ativos da usina iniciadas em 2012 não deram resultado.

A mesma estratégia estaria sendo avaliada por um dos maiores grupos produtores de açúcar, etanol e bioenergia do país. Tecnicamente, com a falta de políticas públicas a partir do início do segundo mandato do ex-presidente Lula e que se mantiveram no primeiro mandato e início do segundo da presidente Dilma, não há nenhum fundamento para se investir num setor que já foi a jóia rara da coroa e que caminha, celeremente, para seu desmonte total.

As crises ética, política e econômica que se agravaram a partir da reeleição da presidente Dilma pioraram o que já estava muito ruim. Por parte dos empresários, não se vê um só movimento no sentido de se buscarem saídas para a situação. Desarticulada, a cadeia produtiva canavieira não demonstra nenhuma sinergia para tentar mudar os rumos da nau que se encontra à deriva desde 2007. Faltam líderes que liderem!

Os que sobreviveram até aqui que se preparem, pois tudo leva a crer que o pior ainda está para vir. Resta saber se haverá coragem e esperança para enfrentar a tempestade que já se avizinha no horizonte sombrio que há pela frente (Ronaldo Knack é Jornalista e bacharel em Administração de Empresas e Direito. É também fundador e editor do BrasilAgro;ronaldo@brasilagro.com.br)

 

[Unica] Chuvas na 1ª quinzena de setembro promovem redução da moagem no Centro-Sul

A colheita de cana-de-açúcar pelas usinas e destilarias do Centro-Sul foi severamente prejudicada pelas chuvas intensas registradas nas principais regiões produtoras na primeira quinzena de setembro.

Com isso, a quantidade esmagada nesse período atingiu apenas 29,58 milhões de toneladas, queda de 25,93% em relação ao valor registrado na mesma quinzena de 2014 (39,93 milhões de toneladas) e expressiva retração de 37,39% no comparativo com o volume processado na segunda metade de agosto deste ano (47,24 milhões de toneladas).

No acumulado desde o início da safra 2015/2016 até 15 de setembro, a moagem alcançou 403,81 milhões de toneladas, contra 412,62 milhões de toneladas registradas na mesma data da safra anterior.

O diretor Técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Antonio de Padua Rodrigues, explica que “o volume final de cana-de-açúcar a ser processado na safra 2015/2016 vai depender do ritmo de moagem observado no Estado de São Paulo nos próximos meses, pois a moagem está bastante atrasada”. A quantidade de cana-de-açúcar processada pelas unidades paulistas até o momento está 20 milhões de toneladas aquém do índice verificado na safra 2014/2015, explicou Rodrigues.

Qualidade da matéria-prima

A quantidade de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) por tonelada de cana-de-açúcar processada atingiu 149,26 kg nos primeiros 15 dias de setembro, ante 145,92 kg registrados na segunda metade de agosto e 149,64 kg verificados na mesma quinzena da safra 2014/2015.

No acumulado desde o início da moagem em 2015/2016 até 15 de setembro, o teor de ATR por tonelada de matéria-prima totalizou 130,90 kg, contra 134,48 kg apurados em igual período do ano passado.

Produção de açúcar e de etanol

Seguindo a tendência observada nas últimas quinzenas, a proporção de matéria-prima destinada à fabricação de açúcar na primeira quinzena de setembro (40,01%) manteve-se consideravelmente abaixo do nível observado na mesma data da safra 2014/2015 (43,94%).

Com isso, a produção de açúcar nos primeiros quinze dias do mês atingiu apenas 1,68 milhão de toneladas, com recuo de 32,73% em relação as 2,50 milhões de toneladas verificadas em 2014. A produção de etanol, por sua vez, atingiu 1,56 bilhão de litros na quinzena, sendo 597,66 milhões de etanol anidro e 959,08 milhões de hidratado.

Para Rodrigues, “apesar da desvalorização do Real observada nas últimas semanas, os números indicam que as unidades continuam priorizando a produção de etanol, confirmando a expectativa de safra mais alcooleira”.

No acumulado desde o início da safra até 15 de setembro, a produção de açúcar alcançou 20,89 milhões de toneladas, com queda de 10,92% no comparativo com a safra 2014/2015. A produção de etanol, em sentido contrário, totalizou 18,21 bilhões de litros, com leve alta de 0,54% no comparativo com igual período da safra anterior.

Do volume total de etanol produzido, 6,69 bilhões de litros referem-se ao etanol anidro e 11,52 bilhões de litros ao etanol hidratado, cuja produção até 15 de setembro de 2015 registra alta de 11,25% na comparação com o mesmo período da safra 2014/2015.

Vendas de etanol

As vendas de etanol pelas unidades produtoras da região Centro-Sul continuam aquecidas. Na primeira quinzena de setembro, o volume comercializado pelos produtores atingiu 1,24 bilhão de litros, com crescimento de 19,65% em relação ao montante vendido na mesma quinzena de 2014.

Deste total comercializado nos primeiros quinze dias de setembro, 72,12 milhões de litros direcionaram-se à exportação e 1,17 bilhão de litros ao mercado doméstico.

Especificamente em relação ao volume de etanol hidratado comercializado no mercado interno, este somou 767,45 milhões de litros na primeira metade de setembro deste ano, frente a 560,47 milhões de litros registrados no mesmo período da safra 2014/2015 – crescimento de 36,93%.

As vendas internas de etanol anidro, por sua vez, totalizaram 404,15 milhões de litros na primeira quinzena de setembro, contra 423,72 milhões de litros apurados no mesmo período de 2014.

O diretor da Unica esclarece que “o ritmo de vendas de etanol hidratado no mercado doméstico durante esses meses de safra decorre da ampliação da competitividade do biocombustível frente a gasolina e da dificuldade de armazenagem do produto por muitas unidades produtoras sem caixa para manter a operação”. A linha de financiamento disponibilizada para a estocagem de etanol chegou tarde e apresenta condições pouco atrativas, dificultando a tomada do recurso pelos produtores aptos, acrescentou o executivo. (Unica 24/09/2015)

 

Disparada do dólar trava negociação de produtos agrícolas

A alta do dólar em relação ao real, que vinha acelerando as negociações de commodities agrícolas no país, passou a ter efeito contrário nos últimos dias. Muitos produtores, principalmente de soja, milho e café, começaram a reter as vendas após a moeda americana romper a barreira psicológica dos R$ 4, à espera de que fique mais claro até onde o câmbio pode chegar.

Fatia importante dos produtores de soja vendeu antecipadamente boa parte da recém-iniciada safra 2015/16, mas em real, ou seja, a preços bem inferiores aos que estão sendo pagos no momento. Assim, com a agressiva volatilidade cambial, fechar hoje uma venda pode significar a perda de R$ 1 a R$ 2 por saca amanhã, num momento em que alguns agricultores ainda tentam cobrir os custos desta temporada e outros já se preocupam com os gastos da safra que vem.

"Muitos têm vendido a R$ 60 por saca num dia, e no outro vêem que haveria liquidez para vender a R$ 61 ou 62", diz Ramicés Luchesi, da MT Corretora de Grãos, de Nova Mutum (MT). Na região, ele estima que apenas entre 15% e 20% das negociações tenham sido fechadas em dólar e nesses casos, o valor da soja, inflado pelo câmbio, surpreende. "Alguns produtores travaram a saca a US$ 17 há cerca de 60 dias. Levando em conta o dólar futuro em R$ 4,40, a saca vale agora mais de R$ 74". Segundo Luchesi, as primeiras vendas da temporada saíram entre R$ 52 a R$ 54 por saca.

O produtor Silvésio de Oliveira, de Tapurah (MT), negociou 25% da soja que pretende colher em 2015/16, o plantio deverá começar nos próximos dias. Mas como negociou tudo em real, só conseguiu travar os custos em moeda brasileira, restando em aberto os custos em dólar. "Estou esperando [o preço em] Chicago melhorar para que a trading me ofereça algo mais e em dólar", diz.

Na avaliação de Anderson Galvão, CEO da consultoria Céleres, como adiantaram bastante as vendas e já cobriram parte importante dos custos deste ciclo, é natural que os sojicultores desacelerem as negociações. Em todo o país, ele estima que, em média, 25% da safra 2015/16 de soja esteja comprometida, ante 10% há um ano. Mas a postura mais cautelosa já reflete a preocupação com o valor dos insumos na próxima safra, 2016/17. "Com essa 'paulada' do dólar, tudo vai subir. Então, o agricultor não vai vender porque não tem certeza do custo lá na frente", analisa.

Sem sinais consistentes de que a soja reagirá de forma expressiva em Chicago (as cotações já caíram 14,75% este ano), o mercado tende a seguir imprevisível porque o agricultor continuará refugiado no dólar, avalia Jerson Carvalho Pinto, da Diversa Corretora de Cereais, de Rondonópolis (MT). "A situação indica que o valor do dólar vai aumentar. Mas é um jogo, e o produtor precisará saber fazer a escolha certa".

A situação do milho se assemelha à da soja: há compradores na praça e as cotações estão sustentadas internamente, embora pressionadas em Chicago. Tanto o grão disponível quanto para entrega futura estão na casa dos R$ 20 por saca, tomando como base Nova Mutum. "Como o normal seria de R$ 13,50 a R$ 14, há produtor aproveitando para vender alguma coisa e melhorar a média da comercialização. Mas os negócios estão mais pausados", diz Luchesi.

Segundo ele, os reajustes dos preços nos portos do país (o milho está no período de pico de embarques) têm sido tão frequentes em decorrência do câmbio que muitos compradores resolveram "segurar" um pouco os prêmios de exportação.

No caso do café, a estirada do dólar também impactou os negócios nos últimos dias, embora o ritmo de comercialização ainda esteja dentro da média, avalia Rodrigo Costa, diretor de café do Société Générale. Contudo, a menor oferta brasileira já tem limitado o recuo da commodity no mercado internacional. "Os preços do café na bolsa de Nova York não estão tendo uma queda tão acentuada como se imaginaria com o real caindo tão rápido", afirma.

Costa ressalta que o cenário ficou confortável para os produtores com o encerramento da colheita de 2015/16 e a consequente menor necessidade de caixa. Já Haroldo Bonfá, diretor da Pharos Commodity Risk Management, lembra que o forte avanço nas vendas no primeiro semestre, quando o dólar já vinha em trajetória ascendente, reforçou a capitalização dos cafeicultores. "A maioria vendeu bem acima do custo. No caso dos produtores do conilon, mais ainda", afirma.

Mas as indefinições ligadas à próxima temporada de café têm dado uma contribuição adicional para reduzir o compasso de comercialização. "O produtor está com medo de quais podem ser os efeitos reais do El Niño sobre a safra 2016/17", observa Tiago Ferreira, diretor da mesa de café da consultoria FCStone. O fenômeno pode provocar chuvas irregulares na região Sudeste e prejudicar o desenvolvimento das floradas.

No mercado de açúcar, também se percebe alguma retenção nas vendas, mas mais discreta. Para Gabriel Elias, analista da trading Olam International, a menor cadência das negociações se dá porque "nem todas empresas tem acesso a instrumento de hedge cambial". Já Bruno Lima, consultor da FCStone, vê como fator mais forte a proximidade de vencimento do contrato para outubro em Nova York. "A volatilidade [do dólar] está assustando, mas não inibindo que se façam as vendas", afirma.

Lima realça que, nas duas primeiras semanas de setembro, a combinação entre o dólar valorizado e a maior cotação da commodity em Nova York fez a comercialização da próxima safra de açúcar (2016/17) avançar para 15% da safra, ou cerca de 4,8 milhões de toneladas, considerando uma estimativa de produção de 32 milhões de toneladas. (Valor Econômico 25/09/2015)

 

Etanol lidera produção da indústria

As usinas do Centro-Sul do Brasil destinaram 40,01% da oferta de matéria-prima para produção de açúcar na primeira quinzena de setembro, porcentual bem menor do que o de 43,94% registrado em igual intervalo do ano passado. Com isso, o mix relacionado ao etanol passou de 56,06% para 59,99%. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira, 24, pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).

Com isso, a produção de açúcar nos primeiros quinze dias do mês atingiu 1,68 milhão de toneladas, com recuo de 32,73% em relação às 2,5 milhões de toneladas verificadas em 2014. A produção de etanol, por sua vez, atingiu 1,56 bilhão de litros na quinzena (-20,84%), sendo 597,66 milhões de anidro (-23,06%) e 959,08 milhões de hidratado(-19,40%).

Para o diretor técnico da Unica, Antonio de Pádua Rodrigues, "apesar da desvalorização do real observada nas últimas semanas, os números indicam que as unidades continuam priorizando a produção de etanol, confirmando a expectativa de safra mais alcooleira".

No acumulado da safra 2015/16 até 15 de setembro, a produção de açúcar alcançou 20,89 milhões de toneladas, com queda de 10,92% no comparativo com a safra 2014/15. A produção de etanol, em sentido contrário, totalizou 18,21 bilhões de litros, com leve alta de 0,54% no comparativo com igual período da safra anterior. Do volume total de etanolproduzido, 6,69 bilhões de litros referem-se ao anidro (-13,75%) e 11,52 bilhões de litros ao hidratado (+11,25%). (Agência Estado 24/09/2015)

 

Odebrecht descarta reestruturação de dívidas do grupo

Endividamento da empresa soma aproximadamente R$ 88 bilhões.

Petrobras confirmou fim de contrato com unidade de óleo e gás.

O Grupo Odebrecht S.A. disse nesta quinta-feira (24) que está buscando alternativas para os bônus da Odebrecht Óleo e Gás, incluindo novo afretamento de sondas ou devolução de algumas delas, mas descartou que esteja buscando uma renegociação de dívidas de todo o conglomerado, que soma aproximadamente R$ 88 bilhões.

"Não faz sentido mencionar uma negociação consolidada em nome do Grupo Odebrecht", afirmou a companhia, em nota à Reuters.

Segundo o conglomerado, apenas os negócios do grupo que possuem receitas e fluxos de caixa atrelados ao dólar podem captar dívidas na moeda norte-americana. E, com exceção dos papéis da Odebrecht Óleo e Gás, os demais bônus de empresas do grupo não são alvos de "reestruturações neste momento".

O desempenho dos bônus da Odebrecht Óleo e Gás, de US$ 2,2 bilhões, emitidos pela Odebrecht Offshore Drilling, têm sido afetados pela possibilidade de devolução de uma das quatro sondas que fazem parte do pacote de garantias do financiamento. Neste ano, a cotação desses papéis já caiu mais de 50%, segundo dados da Reuters.

Nesta quinta-feira, a Petrobras confirmou ter rescindido contrato de afretamento da unidade de sondas ODN TAY IV com a Odebrecht Óleo e Gás. Segundo a estatal, a rescisão ocorreu "com base em fundamento contratual expresso".

"Estamos considerando alternativas, e ainda temos 90 dias para decidir", disse à Reuters a vice-presidente financeira da Odebrecht S.A., Marcela Drehmer.

Segundo a executiva, o conglomerado está tomando medidas para ampliar sua posição de liquidez, incluindo contenção de novos investimentos no Brasil e otimização da estrutura do grupo. Algumas empresas da Odebrecht, por exemplo, passaram nos últimos meses a usar várias áreas de suporte da holding, como jurídica e administrativa.
Enquanto isso, operações no exterior têm ganhado força e já representaram 52% das receitas consolidadas da Odebrecht no primeiro semestre, ante 49% em 2014. (G1 24/09/2015)

 

E2G: A vez da biotecnologia na biomassa

A palha da cana-de-açúcar deixada no campo após a colheita é a principal matéria-prima da GranBio na produção de etanol. Em setembro de 2014 a empresa foi a primeira a produzir no Brasil, em escala fabril, o etanol celulósico ou de segunda geração (2G) fabricado a partir de biomassa por um processo biotecnológico. A forma tradicional, de primeira geração, produz o combustível com base no caldo da cana. Com sede na capital paulista, a empresa de biotecnologia industrial foi fundada em 2011 e atua do começo ao fim da cadeia produtiva, procurando soluções científicas e tecnológicas em diversas frentes do sistema de produção agrícola e industrial.

A empresa já obteve conquistas tecnológicas importantes como uma levedura modificada geneticamente e uma variedade de cana voltada à produção de etanol 2G. A fábrica Bioflex 1 foi instalada em São Miguel dos Campos, Alagoas, ao lado da Usina Caeté, produtora de etanol de primeira geração. É dela e de três outras usinas da região que são obtidas as palhas da cana. O etanol celulósico é produzido de forma experimental em poucas usinas comerciais no mundo. São duas nos Estados Unidos, que usam como matéria-prima caules e folhas de milho; uma na Itália, com folhas de trigo; e em julho deste ano a Raízen, em Piracicaba, inaugurou uma usina que usa bagaço e palha de cana.

A estratégia inicial da GranBio foi trazer tecnologia do exterior para acelerar o processo produtivo. Foram escolhidos ingredientes como leveduras da DSM, da Holanda, e enzimas da dinamarquesa Novozymes. Ao mesmo tempo, a empresa montou a área de pesquisa e desenvolvimento (P&D), localizada em Campinas. “O que fazemos é converter ciência em tecnologia”, diz Gonçalo Amarante Guimarães Pereira, sócio e cientista-chefe da empresa. Aos 51 anos, é professor há 18 anos do Laboratório de Genômica e Expressão do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Do grupo de pesquisadores que lidera, a maioria foi recrutada na universidade. Atualmente são 18 pesquisadores e técnicos trabalhando diretamente com P&D: oito doutores, dois mestres e quatro doutorandos.

Levedura especial

A equipe foi responsável pelas duas conquistas tecnológicas anunciadas recentemente. A primeira é a elaboração de uma levedura capaz de processar a xilose, açúcar presente na hemicelulose, uma das três principais fibras das folhas e do colmo da cana, junto com a celulose e a lignina. “Na primeira geração, a cepa de levedura industrial [da espécie Saccharomyces cerevisiae] consome a sacarose e a frutose existente de forma solúvel no caldo da cana para produzir etanol; no bagaço, os açúcares das fibras das folhas, como xilose e pentose, não estão solúveis e a levedura não os reconhece”, explica Gonçalo. Para tornar a levedura apta a processar a xilose, a equipe da GranBio desenvolveu uma linhagem geneticamente modificada com um gene de outro microrganismo – que preferem não revelar – e alguns genes modificados da própria Saccharomyces.

O organismo já foi aprovado para uso comercial pela coordenação-geral da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) em abril e seu uso é objeto de uma patente depositada no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). “Vamos começar a usar a levedura geneticamente modificada em 2016 na linha de produção.” O aproveitamento da xilose, segundo Gonçalo, representa um ganho de cerca de R$ 50 milhões anuais para a empresa, que pretende processar 400 mil toneladas de biomassa por ano. “A glicose representa 40% desse material e a xilose, 25% [a pentose compõe cerca de 35%], o que significa cerca de 100 mil toneladas. Para a segunda geração ser rentável é preciso processar a xilose e outros açúcares encontrados na palha e no bagaço.”

O trabalho de engenharia genética realizado na levedura teve à frente o biólogo Leandro Vieira dos Santos, de 32 anos. “Fizemos um estudo para identificar quais seriam os genes e as combinações favoráveis para a Saccharomyces passar a consumir a xilose”, diz Leandro, que cursa o doutorado na Unicamp. Formado na Universidade Federal de Viçosa (UFV), onde fez mestrado em microbiologia, ele, depois de trabalhar dois anos na empresa de biotecnologia Agrogenética, resolveu fazer o doutorado com leveduras e procurou Gonçalo em 2011, quando o pesquisador montava a equipe da GranBio. Hoje, com a levedura pronta, Santos se dedica a aperfeiçoá-la.

A propagação e o escalonamento do microrganismo são tarefas do engenheiro em biotecnologia Luige Calderon. Peruano formado pela Universidade Católica de Santa Maria, em Arequipa, fez o mestrado na Unicamp e, em 2012, foi convidado a trabalhar na GranBio como pesquisador na área de bioprocesso. “Eu seleciono microrganismos utilizando engenharia genética e evolutiva, desenvolvendo, por exemplo, o meio de cultivo mais adequado”, explica. A genética de leveduras também levou Osmar de Carvalho Netto para a empresa. Formado em ciência dos alimentos pela Universidade de São Paulo (USP), ele fez o doutorado na Unicamp. Participou do sequenciamento do genoma da Saccharomyces na Unicamp e pensava em montar, junto com Leandro Vieira, uma empresa de leveduras industriais. “Íamos ser fornecedores da GranBio, mas nos convenceram a integrar o quadro da empresa”, conta. Tornou-se, no entanto, coordenador de processos em áreas como fermentação, hidrólise e pré-tratamento da biomassa. Também foi designado para fazer a ponte entre a pesquisa e a área corporativa. “Precisava ser alguém que entendesse a linguagem dos cientistas e passei a fazer isso em 50% do meu tempo. Nos outros 50% trabalho na coordenação dos processos”, diz. Ele trata, por exemplo, de organizar testes, entregas de material e contatos com a usina, tudo para que os pesquisadores se concentrem na pesquisa.

Volta ao princípio

Além da levedura, outra novidade da GranBio foi a cana-energia apresentada em agosto. É uma variedade nova, não transgênica, desenvolvida com cruzamentos tradicionais entre vários outros cultivares em colaboração com a Rede Universitária para o Desenvolvimento do Setor Sucroenergético (Ridesa) de Alagoas e o Instituto Agronômico de Campinas (IAC). “Voltamos ao início do melhoramento genético da cana. Em vez de aumentar o açúcar no caldo, aumentamos a quantidade de fibra na planta. Assim temos uma cana mais rústica. Ela é mais alta, tem longevidade de colheita, floresce menos e é mais resistente ao ataque de pragas, além de ser mais dura”, explica o agrônomo José Bressiani, diretor agrícola da empresa. Com graduação, mestrado e doutorado pela USP em melhoramento genético, ele adquiriu experiência na produção de cultivares de cana durante os 15 anos que trabalhou no Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) e mais cinco anos na Canavialis, do grupo Monsanto. “Minha função é equacionar a função de biomassa para plantas de cana. Estamos criando uma planta que deverá ter custo de produção baixo”, afirma.

Os testes com a cana-energia, que tem o nome comercial de Cana Vertix, ocorrem nas regiões Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste. A ideia é de que, no futuro, variedades específicas de cana-de-açúcar sejam usadas apenas na produção de etanol 2G e para gerar energia elétrica por meio da queima de resíduos. Inicialmente, da Cana Vertix será utilizada apenas a palha. Depois do corte por máquinas colheitadeiras, a palha fica no solo e seca após alguns dias, quando é recolhida e transportada para a usina 2G ou para estoque, onde pode ficar por vários meses.

Os avanços tecnológicos e o crescimento da GranBio ampliaram a importância do centro de P&D, que passou a ser uma subsidiária com o nome de BioCelere. A formação da empresa teve início a partir de uma conversa entre Gonçalo, Bernardo Gradin, presidente, e Alan Hiltner, vice-presidente executivo da GranBio, em março de 2010. Gradin estava saindo da presidência da Braskem e queria investir em biotecnologia e etanol 2G. “Fiz no verso da conta do restaurante em que estávamos um esboço do que poderia ser a futura GranBio no campo científico. Ele gostou e depois me convidou para ser um dos sócios”, conta Gonçalo. Os dois já se conheciam – serviram juntos ao Exército na Bahia e se reencontraram em 2007 quando Gonçalo coordenou um projeto do Programa Parceria para Inovação Tecnológica (Pite) da FAPESP, entre Unicamp e Braskem, sobre propeno (matéria-prima para produção de plásticos) renovável feito com cana-de-açúcar.

O investimento realizado pela GranBio já atingiu US$ 265 milhões para uma capacidade de produção de 82 bilhões de litros por ano. Até agosto a produção tinha atingido um total de 3 bilhões de litros de etanol. Só não foi maior porque alguns processos industriais precisam de aperfeiçoamentos. “Mas já encontramos as soluções e vamos implementá-las até o início de 2016”, prevê Gonçalo. (Agência Estado 24/09/2015)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Tombo na produção: A queda da produção de açúcar na primeira quinzena de setembro no Centro-Sul do Brasil ofereceu forte impulso aos preços do açúcar demerara na bolsa de Nova York. Os lotes para março de 2016 subiram 31 pontos, a 11,86 centavos de dólar a libra-peso. O recuo de 32,7% na produção de açúcar deveu-se às chuvas, que interromperam a moagem da cana por alguns dias, e do direcionamento ainda maior da cultura para a produção de etanol, como reportou ontem a União das Indústrias de Cana-de-Açúcar. Desde o início da safra, a produção já está 2,5 milhões de toneladas abaixo do mesmo período da safra passada, somando agora 20,8 milhões de toneladas. No mercado interno, o indicador Cepea/ Esalq para o açúcar cristal em São Paulo subiu 0,19%, para R$ 52,91 a saca de 50 quilos.

Cacau: Demanda fraca: Os futuros do cacau cederam ontem na bolsa de Nova York pela primeira vez em sete sessões, refletindo as atenções cada vez mais voltadas para a fraqueza da demanda. Os papéis para março de 2016 recuaram US$ 26, para US$ 3.293 a tonelada. Em um evento do setor em Londres, a trading Cocoanect informou que espera uma queda de 5% na moagem global de cacau no terceiro trimestre. Estima-se que a perda de valor das moedas dos países emergentes possa desestimular o consumo de chocolate nesses mercados, afetando a cadeia do cacau. As associações de indústrias divulgarão os novos dados em outubro. Em Ilhéus e Itabuna, o último preço disponível é de quarta-feira, quando a cotação ficou em R$ 147 a arroba, segundo a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Soja: Negócios da China: Notícias sobre compras chinesas de soja dos Estados Unidos animaram os traders ontem e impulsionaram os preços na bolsa de Chicago. Os contratos para janeiro de 2016 subiram 4,25 centavos, para US$ 8,725 o bushel. Pouco antes do fechamento, a comitiva da China que está nos EUA assinou um termo de intenção de compra de US$ 5,3 bilhões em soja. Além disso, o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) reportou aumento de 44% no volume de soja negociado para o exterior na semana encerrada dia 17, para 1,316 milhão de toneladas, das quais 57% foram para a China. Apenas ontem os EUA venderam 313 mil toneladas de soja para "destinos desconhecidos" (o que o costuma ser interpretado como China). No Paraná, o preço avançou 1,34%, para R$ 71,78 a saca, segundo o Deral/Seab.

Trigo: Menor competitividade: Novos sinais de pouca competitividade do trigo dos Estados Unidos no mercado internacional pesaram sobre as cotações do cereal nas bolsas do país ontem. Em Chicago, os lotes para março de 2016 caíram 10,75 centavos, para US$ 5,0425 o bushel. Em Kansas, onde se oferta o trigo de melhor qualidade, os contratos com igual prazo de entrega recuaram 11,50 centavos, para US$ 5,0450 o bushel. O volume de trigo que os exportadores americanos acertaram na semana até dia 17 caiu 25% na base semanal, para 282,8 mil toneladas. A alta do dólar ante outras moedas tem reduzido a competitividade do cereal americano. Os traders também apostam que a Rússia diminuirá a taxa para exportação de trigo em breve. No Paraná, o preço do cereal subiu 0,84%, a R$ 34,83 a saca, segundo o Deral/Seab. (Valor Econômico 25/09/2015)