Setor sucroenergético

Notícias

Atolada em dívida, indústria do açúcar vive o dilema de outros emergentes

O grupo Virgolino de Oliveira SA, produtor de açúcar e etanol, está atravessando um caminho bem conhecido por muitas outras empresas de mercados emergentes que ampliaram sua capacidade para suprir a alta demanda da China apenas para vê-la desmoronar.

A empresa, localizada na região açucareira do Estado de São Paulo, não conseguiu renegociar os termos de sua dívida com os credores depois de não pagar títulos que venceram em fevereiro, segundo a agência de classificação Fitch Ratings. A empresa provavelmente entrará com pedido de recuperação judicial, unindo-se a várias usinas de açúcar e etanol do Brasil, cerca de 20% do total, que já estão tentando reestruturar suas dívidas, diz Claudio Mori, analista da Fitch Ratings no país.

"[A Virgolino de Oliveira] parou de pagar os produtores de cana-de-açúcar", diz Miori. "Eles pararam de pagar os bancos. Eles estão a um passo de uma moratória."

Os executivos da Virgolino de Oliveira não puderam ser encontrados para comentar.

Os problemas do setor de cana-de-açúcar brasileiro oferecem um exemplo duro das dificuldades enfrentadas pelos mercados emergentes. A combinação da desaceleração do crescimento na China e o excesso de capacidade de produção de muitas commodities derrubou os preços das matérias-primas nos últimos anos.

Isso provocou a desvalorização das moedas de países que dependem de exportação de commodities. Agora, as empresas estão tendo dificuldade para honrar os títulos de dívida que emitiram para ampliar a capacidade no período de vacas gordas.

A Virgolino de Oliveira emitiu US$ 300 milhões em dívida em dólar em 2012 para expandir suas operações, prevendo que os preços do açúcar naquele período ­ de US$ 0,25 por libra-peso, permaneceriam naquele nível. Outros executivos do setor no Brasil, o maior produtor mundial de açúcar, fizeram a mesma aposta: que uma crescente classe média em todo o mundo manteria os preços dos alimentos, principalmente o açúcar, elevados.

Eles estavam errados. Os preços do açúcar atingiram uma mínima de sete anos em agosto e agora estão em torno de US$ 0,12 por libra-peso.

"Não foi apenas a corrida do açúcar no Brasil", diz Rashique Rahman, diretor de dívida de mercados emergentes da Invesco Ltd., que administra um portfolio de US$ 776,4 bilhões. "Foi uma corrida ampla na direção dos mercados emergentes. Você tinha juros baixos, a China estava comprando tudo à vista. Foram dias felizes. Acreditamos que esse ciclo agora se encerrou."

Desde o início de 2010, investidores injetaram mais de US$ 1 trilhão em títulos de dívida nos mercados emergentes, segundo o Instituto de Finanças Internacionais (IFI). Dez por cento desse total foi para o Brasil.

Mas o fluxo de recursos em direção a títulos de dívida dos mercados emergentes caiu de forma expressiva este ano, para US$ 53,8 bilhões líquidos nos primeiros oito meses do ano, segundo o IFI, 49% menos que um ano antes.

À medida que a ansiedade sobre o crescimento de mercados emergentes aumentava, os investidores começaram a retirar dinheiro do mercado de títulos brasileiro em junho, com US$ 5,9 bilhões deixando esses ativos no trimestre encerrado em agosto.

A expectativa de juros mais altos nos Estados Unidos este ano, sinalizada pela presidente do Federal Reserve, Janet Yellen, na semana passada, reduziu ainda mais a atratividade dos títulos de dívida de risco e com alta rentabilidade dos mercados emergentes. No Brasil, a turbulência política tem elevado a pressão sobre os títulos do governo e de empresas, assim como sobre o real. No início de setembro, a agência de classificação de risco Standard & Poor's Ratings Services foi a primeira a rebaixar o Brasil para a categoria de "alto risco".

O real já se desvalorizou 33% ante o dólar este ano, ficando entre as moedas com pior desempenho dos mercados emergentes.

O epicentro do massacre está na região Centro-Sul do Brasil, que processa 90% da cana-de-açúcar do país. Desde que o boom das commodities do início dos anos 2000 começou a desinflar, 80 das 300 usinas da região já fecharam, segundo a Unica, a associação do setor de açúcar e etanol do país. Outras dez devem encerrar a produção este ano, segundo a Unica.

As mesmas usinas que produzem açúcar também produzem etanol. E, no mesmo período em que os preços do açúcar começaram a cair, a demanda por etanol no mercado interno brasileiro também recuou porque os preços da gasolina, então controlados pelo governo, tornaram o biocombustível menos competitivo. Segundo o relatório "O Futuro do Etanol", do Rabobank, como muitas usinas investiram no aumento de capacidade de produção de etanol na expectativa de um crescimento do mercado com os carros flex, a retração provocada pela perda de competitividade do etanol aprofundou a crise de endividamento.

No momento, as usinas inadimplentes estão tentando vender todo o açúcar possível para fazer caixa, dizem operadores e produtores, o que aumenta ainda mais a oferta que está derrubando os preços mundiais. Os estoques de açúcar estão em seu nível mais elevado em 35 anos em meio a essa corrida para elevar a produção, segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA, na sigla em inglês).

A produção brasileira de açúcar atingiu um recorde de 38,4 milhões de toneladas em 2010, o dobro do volume de dez anos antes. A estimativa é que a próxima safra tenha uma produção de 36 milhões de toneladas, segundo o USDA.

Por outro lado, há sinais de que a demanda está caindo. A China reduziu em 25% suas importações de açúcar em agosto ante o mesmo mês de 2014, segundo o Price Futures Group.

"O Brasil depende demais das commodities", diz Michael Mcdougall, diretor da mesa de commodities do Société Générale em Nova York. "Agora temos os efeitos colaterais."

Algumas usinas brasileiras estão prosperando, apesar do aumento da inflação e dos juros dentro do país.

"Este é um setor muito grande", diz Andy Duff, diretor do departamento de pesquisa de alimentos e de agronegócio do Rabobank Brazil. "Há uma tremenda diversidade em termos de modelos de negócios, em termos de condições financeiras."

As usinas que estão se saindo melhor tendem a ser mais diversificadas, têm matrizes maiores para mantê-las à tona e estão mais próximas dos portos, afirma a Fitch.

Ainda assim, o cenário para o setor é duro. Na média, as usinas estão com um volume de dívida em moeda local 27% maior este ano que em 2014 por tonelada de açúcar, segundo o Rabobank.

E a desvalorização do real em relação ao dólar desde o começo do ano não tornou a exportação brasileira substancialmente mais competitiva, afirmou a Fitch. (Valor Econômico 28/09/2015)

 

Açúcar: Reviravolta no dólar

As cotações do açúcar ganharam um forte impulso na bolsa de Nova York na sexta-feira com a correção para baixo do dólar ante o real. Os lotes para março de 2016 subiram 55 pontos, a 12,41 centavos de dólar a libra-peso. Após ação coordenada do Banco Central e do Tesouro, o dólar passou a recuar ante o real, desestimulando as exportações do Brasil. Os preços já haviam encontrado suporte na queda da produção do Centro-Sul na primeira metade do mês, reportada pela União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica) no dia anterior. As previsões apontam para possíveis chuvas em áreas do Paraná e Mato Grosso nesta semana, o que pode mais uma vez interromper a moagem de cana. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal subiu 0,7%, para R$ 53,28 a saca de 50 quilos. (Valor Econômico 28/09/2015)

 

Etanol subiria 18% com Cide a R$ 0,30, calcula Credit Suisse

O Credit Suisse calcula que os preços do etanol para os produtores poderiam subir em torno de 18% caso ocorresse um aumento de R$ 0,30 na Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) na gasolina.

Para essa estimativa, o banco leva em conta que a capacidade de produção das usinas é limitada e que também há no horizonte a entressafra de cana-de-açúcar, quando as cotações do biocombustível sazonalmente reagem.

Atualmente, a Cide incidente sobre a gasolina é de R$ 0,10 por litro. Nas últimas semanas, contudo, cresceram especulações de que o tributo poderia ser elevado para impulsionar a receita do governo, de modo a evitar um déficit nas contas públicas no ano que vem.

Cálculos do setor sucroernergético mostram que se a Cide fosse para R$ 0,60, a arrecadação federal aumentaria em até R$ 14,9 bilhões. Para o Credit Suisse, empresas com capacidade para carregar estoques de etanol tendem a ser as mais beneficiadas pela recuperação dos preços do etanol.

Atualmente, o litro do anidro nas usinas de São Paulo está cotado em torno de R$ 1,40, enquanto o do hidratado, em R$ 1,30, ambos sem impostos, de acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP). (Agência Estado 25/09/2015)

 

Paulistanos pagaram em média R$ 1,992 pelo litro do etanol hidratado

Os consumidores paulistanos pagaram, em média, R$ 1,992 pelo litro de etanol hidratado nesta semana, 1% mais do que na anterior. Os dados são da Folha, que pesquisa semanalmente o valor dos combustíveis na cidade de São Paulo.

O aumento nos postos reflete reajuste nas usinas. Dados do Cepea indicam que o etanol hidratado esteve a R$ 1,30 na porta da indústria nesta semana, o maior valor desde fevereiro último. O anidro foi a R$ 1,43 por litro.

Com o aumento de preços desta semana, o etanol tem paridade de 63% em relação ao valor da gasolina na capital paulista. Nesse percentual, o etanol ainda é mais vantajoso para o consumidor do que o derivado do petróleo, apontam pesquisas.

Com o aumento do preço do etanol nas bombas nas últimas semanas, a pesquisa da Folha registrou que os valores mais elevados para o produto são de R$ 2,199. Já os menores estão em R$ 1,799. (Folha de São Paulo 26/09/2015)

 

Açúcar orgânico conquista espaço

O grupo Jalles Machado, que espera processar 4,3 milhões de toneladas de cana na safra 2015/16 nas duas usinas que opera em Goianésia (GO), vinha "namorando" o mercado asiático há longo tempo. A oportunidade surgiu de forma mais concreta a partir do ano passado, quando o grupo identificou, segundo seu diretor comercial, Henrique Penna de Siqueira, "um crescimento importante na região" e iniciou a venda de açúcar orgânico para Japão, Coréia do Sul e, a partir deste ano, também para a China.

O grupo alcançou no fim de janeiro a certificação para vender o produto aos chineses, depois de um processo que consumiu "dois a três meses", de acordo com Penna, incluindo a visita de auditores daquele país às usinas e à área de produção de cana orgânica, iniciada pela Jalles Machado ainda em 2003. Sob a marca Itajá, a produção de açúcar orgânico representa, atualmente, em torno de 20% da produção total e 90% são destinados a mais de 20 países.

Até o momento, a Jalles fechou dois contratos de fornecimento de açúcar orgânico: o primeiro, com um produtor chinês de gengibre orgânico e, o segundo na área de varejo. Uma terceira entrega está ainda em negociação.

"São volumes pequenos, mas consideramos a China um 'gigante adormecido', com potencial enorme de crescimento no setor de açúcar. Se houver uma mudança nesse mercado, pode haver uma explosão [da demanda]", avalia Penna. Trata-se de um mercado de nicho, diz, que oferece mais estabilidade e possibilidade de maior remuneração. Em grandes números, estima Penna, o mercado global de açúcar orgânico gira em torno de 300 mil toneladas por ano, algo como 0,1% a 0,2% de todo o consumo mundial de açúcar, previsto em 172,5 milhões de toneladas para o ciclo 2015/16 pela Organização Internacional do Açúcar (ISO, na sigla em inglês).

O planejamento do grupo leva em conta a perspectiva de crescimento médio de 10% para o mercado de açúcar orgânico. "Temos crescido ano a ano, mas de forma planejada, pois a abertura de novas áreas está sujeita a períodos de quarentena (sem aplicações de produtos químicos) de dois anos, pelo padrão brasileiro, de três anos nos termos exigidos pela Europa e de quatro anos para os Estados Unidos", detalha Penna.

A China tem respondido, nos últimos anos, por 9% a 10% do açúcar exportado pelo Brasil, afirma o diretor técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Antônio de Pádua Rodrigues. Entre 2013 e 2014, as vendas brasileiras para aquele mercado saíram de 3,496 milhões para 2,281 milhões de toneladas, em queda de 34,7%, o que reduziu a participação chinesa de 12,9% para menos de 9,5%.

Mas as exportações reagiram neste ano, pelo menos em volume, crescendo 13,8%, para 1,574 milhão de toneladas no acumulado até agosto, representando 10,9% do total exportado pelo país. A expectativa de déficit entre a oferta e o consumo mundiais nas safras 2015/16 e 2016/17, acredita Pádua, tende a estimular um novo ciclo de exportações crescentes para o setor, estimuladas ainda pelo câmbio extremamente favorável para os exportadores. "A China é um grande importador de açúcar e já teve participação mais importante em nossas exportações", acrescenta ele, projetando um cenário mais positivo para o mercado daqui para frente. (Valor Econômico 28/09/2015)

 

Real fraco acelera vendas de açúcar brasileiro da próxima safra

Vendas antecipadas de açúcar da próxima safra do Brasil progrediram rapidamente devido à queda do real para uma mínima recorde nesta semana, e grande parte do travamento de preços pode já ter sido realizada, disseram operadores europeus nesta sexta-feira.

A vantagem de uma forte queda do real frente ao dólar para as usinas brasileiras é que elas podem maximizar retornos em moeda local com vendas do açúcar, cotado em dólares, para cumprir com obrigações como salários, impostos e juros sobre dívidas.

Operadores europeus disseram que operações de hedge por produtores para a safra 2016/17 no Brasil começaram cedo neste ano e seguiram em ritmo acelerado, conforme produtores travaram o retorno de vendas de açúcar na moeda local.

O real atingiu uma mínima recorde de 4,2482 frente ao dólar na quinta-feira, e caiu mais fortemente ante a moeda norte-americana nos últimos meses do que a moeda de qualquer outro dos grandes produtores mundiais de açúcar.

"As usinas estão tirando proveito do real fraco antes da próxima safra", disse o analista sênior para agricultura da Platts, Claudiu Covrig.

Um operador em Londres disse que "as usinas estão buscando fixar o preço da safra 2016/17. É atrativo para os produtores fazer o hedge".

Segundo outro operador, a expectativa é de que as usinas brasileiras vendam não mais do que entre 40 e 45 por cento na próxima safra neste momento, e a percepção de uma correlação menor entre o real e o preço do açúcar pode indicar que muito desse travamento de preços já foi feito.

O mercado tem notado uma tensão no preço do açúcar, com a queda do real, que deveria pesar sobre os preços futuros, e preocupações sobre um tempo adverso em diversos produtores, notadamente na Ásia, que apoiam as cotações.

"Todos têm percebido que o mercado está mais altista do que baixista", disse Covrig, da Platts.

Nesta sexta-feira, no entanto, o açúcar bruto registrava alta de mais de 4 por cento em Nova York, com uma recuperação do real ante uma mínima recorde. (Reuters 25/09/2015)

 

BNDES aprova R$ 1,5 bilhão para renovação e implantação de canaviais

A diretoria do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou a reedição do Programa de Apoio à Renovação e Implantação de Novos Canaviais (BNDES Prorenova) com orçamento de R$ 1,5 bilhão. Se utilizado integralmente pelo setor, o BNDES Prorenova viabilizará o plantio de mais de 400 mil hectares de cana-de-açúcar, contribuindo para o aumento da produtividade agrícola do setor sucroenergético.

Lançado no início de 2012, o BNDES Prorenova tem como objetivo incentivar a produção de cana-de-açúcar por meio de financiamento à renovação de canaviais antigos e à ampliação da área plantada.

Para esta edição de 2015, o Prorenova sofreu algumas alterações, com destaque para o limite de financiamento por hectare de cana-de-açúcar plantado, que passou para R$ 7 mil.

Do total da dotação orçamentária de R$ 1,5 bilhão, R$ 500 milhões terão como base a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), e o restante terá como custo financeiro a Selic. Além disso, manteve-se o limite de financiamento por grupo econômico de até R$ 150 milhões, dos quais até R$ 20 milhões poderão ser baseados em TJLP.

A taxa de juros também mudou, com condições mais favoráveis para micro, pequenas e médias empresas. A composição da taxa passou a ter duas possibilidades, uma para financiamentos de até 20 milhões e outras que excederem o limite em TJLP.

Para os financiamentos de até R$ 20 milhões, o custo financeiro será referenciado em TJLP, a remuneração básica do BNDES será de 1,5% ao ano, a taxa de intermediação financeira será de 0,1% ao ano para micro, pequenas e médias empresas (MPME) e de 0,5% ao ano para médias grandes e grandes empresas e a remuneração das instituições financeiras credenciadas será de até 1,7% ao ano.

Para os valores financiados que excederem o limite em TJLP, o custo financeiro referenciado em Selic, a remuneração básica do BNDES será de 1,2% ao ano, a taxa de intermediação financeira de 0,1% ao ano para MPME e de 0,5% ao ano para médias grandes e grandes empresas e a remuneração das instituições financeiras credenciadas a será negociada livremente.

Segundo nota divulgada pelo banco de fomento, as solicitações de financiamento superiores a R$ 10 milhões deverão ser realizadas na modalidade indireta não automática e já podem ser protocoladas no BNDES. No caso das demais solicitações, serão efetuadas por meio da modalidade indireta automática. Os pedidos deverão ser encaminhados aos agentes financeiros tão logo seja publicada a Carta Circular para as instituições financeiras credenciadas, o que deve ocorrer nos próximos dias.

Somente poderão ser financiados, no âmbito do BNDES Prorenova, os projetos de plantio de cana-de-açúcar realizados entre 1º de janeiro e 31 de dezembro de 2015. Entretanto, todos os gastos para a preparação do plantio que tenham sido feitos a partir de 1º de julho de 2014 poderão ser reembolsados no âmbito do programa. O prazo para protocolo das solicitações de financiamento encerra-se em 31 de dezembro próximo. (Valor Econômico 25/09/2015 às 18h: 56m)

 

CTC anuncia duas novas cultivares de cana-de-açúcar

O Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) anunciou na semana passada, em Ribeirão Preto (SP), a reorganização das variedades de cana-de-açúcar da companhia em três famílias e o lançamento de duas novas cultivares. As variedades serão disponibilizadas de acordo com as características principais da cultura: riqueza em açúcar, na família Sweet; maior produtividade, na família Power e, ainda, na família Value, a mescla de alto teor de açúcar e de produtividade.

As duas novas variedades de cana do CTC são a Power 9004M e a Sweet 9005HP. A Power 9004M é uma variedade para a colheita no meio da safra, entre junho e outubro, destinada aos ambientes restritivos de cultivo. Segundo Luiz Antonio Dias Paes, gerente nacional de vendas do CTC, a variedade já foi testada em mais de 5 mil hectares e mostrou alta produtividade nos ambientes testados.

A outra nova variedade é a Sweet 9005HP, cuja sigla HP remete à hiperprecocidade da planta, aliada à riqueza em açúcar para a colheita no início da safra, a partir de março, além de ser resistente a todas as principais doenças da cultura. (Embrapa 27/09/2015)

 

Aprosoja quer incentivo para ampliar produção de etanol à base de milho

O conselheiro consultivo da Associação, Glauber Silveira, argumenta que, para impulsionar a produção, o grupo solicitou que o Governo Pedro Taques crie uma linha de incentivo voltado ao setor.

A viabilidade da fabricação de etanol de milho em Mato Grosso é tema de debate em encontros feitos pela Aprosoja. O conselheiro consultivo da Associação, Glauber Silveira, argumenta que, para impulsionar a produção, o grupo solicitou que o Governo Pedro Taques crie uma linha de incentivo voltado ao setor.

“Atualmente, para cada real investido pelo produtor, há o prejuízo de R$ 0,64. Com o incentivo, haveria um lucro de até R$ 5,14. Além disso, o governo arrecadaria cerca de R$ 440 milhões”, argumenta Silveira.

Mato Grosso tem potencial para utilizar 10 milhões de toneladas de milho para a produção de etanol, mas atualmente apenas 220 mil toneladas são utilizadas para produzir 88 mil litros de combustível.

Assim, segundo Glauber, o faturamento bruto com milho é de R$ 2,7 bilhões. “Com a transformação do grão em etanol, DDG, cogeração de energia, entre outros, este valor subiria para R$ 14 bilhões. Pense em quanto de imposto isso geraria para o Estado”, sustenta Glauber.

O diretor da Aprosoja acredita aponta ainda a existência de demanda para o etanol de milho, pois são produzidos no Estado um bilhão de litros do combustível - metade é consumida internamente, a outra é exportada. “O contraditório é que em Mato Grosso se consome um bilhão de litros de gasolina porque há instabilidade na produção do etanol. Com maior produção e incentivo ao consumo deste combustível, o mercado absorveria a produção”, afirma.

Além da fabricação de etanol, os produtores que investirem em usinas flex ou full poderão também produzir DDG (subproduto utilizado para ração animal) e cogeração de energia, além de plantio de eucaliptos para alimentar as usinas. “Estamos levando uma oportunidade para o produtor rural de Mato Grosso, incentivando a agregação de valor e a receptividade é muito boa nas reuniões”, finaliza Silveira. (Brasil Agro 25/09/2015)

 

GranBio aumenta capacidade de produção em 50% sem ampliar canaviais

No futuro, iremos utilizar a cana-energia, mais produtiva e resistente.

A GranBio nasceu em 2011, em uma conversa na cafeteria da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) entre Bernardo Gradin (presidente), Gonçalo Pereira (cientista-chefe) e Alan Hiltner (vice-presidente executivo). O trio sonhava em realizar um projeto de alto impacto para o planeta, a partir da união da biotecnologia e da biomassa brasileira. “Seria uma nova revolução industrial, baseada em um novo paradigma de produção, com profundo impacto para a sociedade e o meio ambiente. A ideia transformou-se em um plano de negócios, resultando na fundação da GranBio cinco meses depois”, recorda Gradin.

Em 2013, a BNDESPar, braço de investimentos do banco, aportou R$ 600 milhões na GranBio para a aquisição de 15% de seu capital. Em setembro, a companhia deu início à produção do etanol celulósico (ou de segunda geração - 2G) na fábrica localizada em São Miguel dos Campos (AL). O projeto, considerado pioneiro no Hemisfério Sul, destaca-se por cuidar da matéria-prima à distribuição do produto final, integrando tecnologias próprias e de parceiros no que Gradin chama de “o ciclo industrial mais sustentável do mundo.”

Com capacidade de produção nominal de 82 milhões de litros de etanol por ano, a unidade utiliza palha de cana-de-açúcar (mas também pode ser o bagaço) como matéria-prima para a fabricação do combustível. “Assim, pode-se aumentar a capacidade de produção do biocombustível no país em até 50% por hectare, sem a necessidade de ampliação dos canaviais. No futuro, iremos utilizar a cana-energia, mais produtiva e resistente, que pode ser plantada em áreas degradadas de pasto. O que reduzirá ainda mais a pegada de carbono do processo produtivo”, promete Gradin.

Quando atingir a plena capacidade produtiva, a expectativa é alcançar um custo de produção 20% mais baixo que o etanol de primeira geração, o que torna os projetos de 2G financeiramente sustentáveis e atraentes. Hoje, o empresário garante que o etanol 2G da GranBio é o combustível produzido em escala comercial mais limpo do mundo em intensidade de carbono, índice comprovado pelo Air Resources Board (ARB), da Califórnia. Sua expectativa é tornar a empresa lucrativa a partir de 2017. (Forbes 25/09/2015)

 

Produtores de cana do Nordeste querem prorrogar lei da subvenção

Os produtores de cana-de-açúcar do Nordeste ainda não têm uma resposta sobre se poderão contar ainda neste ano com a subvenção sinalizada na Lei 12.999, de apoio ao setor. Em entrevista, o presidente da União Nordestina dos Produtores de Cana (Unida), Alexandre Andrade, afirmou que o governo ainda não tomou uma decisão a respeito, ao contrário do prometido pela presidente Dilma Rousseff no fim de agosto. "Vamos trabalhar no Congresso Nacional para prorrogar a Lei", destacou Andrade, lembrando que a subvenção de R$ 127 milhões caduca em dezembro próximo. "Acho difícil sair neste ano, porque tem todo o tempo para operacionalizar a linha", acrescentou ele.

A subvenção de R$ 12 por tonelada de cana foi sancionada por Dilma em junho de 2014 e vale para até 10 mil toneladas, beneficiando produtores do Nordeste e do Rio de Janeiro que fornecem a matéria-prima para usinas locais. O objetivo do recurso é compensar financeiramente agricultores afetados pela estiagem na safra 2012/13. Outra Lei, a 13.000/14, também previa uma subvenção de R$ 0,25 por litro de etanol para produtores dessas regiões, mas igualmente não saiu do papel.

Em 2012/13, as usinas do Nordeste processaram 52 milhões de toneladas de cana. Nas últimas safras, o volume moído na região se manteve entre 50 milhões e 55 milhões de toneladas. (Agência Estado 25/09/2015)

 

ATR Paraná projetado sobe 2,19% em setembro

O Conselho dos Produtores de Cana-de-Açúcar, Açúcar e Álcool do Estado do Paraná (Consecana-PR) divulgou, nesta sexta-feira (25), os dados referentes ao ATR para o mês de setembro/2015. De acordo com os números, o ATR projetado para o mês de setembro subiu 2,19%, passando de R$ 0,4912 em agosto para R$ 0,5020 neste mês.

O ATR acumulado fechou com alta de 0,16% em relação ao mês passado, cotado em R$ 0,4882 o quilo contra R$ 0,4874 do mês de agosto. O ATR mensal teve retração de 1,81%, cotado a R$ 0,4911 contra R$ 0,5000 do mês anterior.

Os contratos de parceria baseados no índice de cana campo fecharam em R$ 54,82 a tonelada, alta de 2,19% ante os R$ 53,64 a tonelada no mês passado. A cana esteira subiu: 2,20%. Ela foi negociada a R$ 61,23 a tonelada contra os R$ 59,91. (UDOP 25/09/2015)

 

Escalada recente do dólar eleva preço interno de produtos agrícolas

Vendas para o exterior aumentam, e preços no mercado interno sobem.

Levantamento é do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada.

A escalada recente do dólar em relação ao real deu suporte aos preços domésticos de produtos agropecuários tradicionalmente exportados, apontou levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) divulgado nesta sexta-feira (25).

De acordo com os pesquisadores, soja, milho, açúcar, algodão, carne suína e de frango são alguns dos itens que têm se valorizado no mercado interno em consequência do aquecimento das vendas para o exterior.

Para a soja, em termos reais, as cotações do grão são as maiores desde dezembro de 2013, segundo o Cepea. Só neste mês, até o dia 24, o preço médio da soja no Paraná, conforme o indicador Cepea/Esalq subiu 9%.

Os derivados acompanham as altas do grão. O farelo de soja acumula alta de 11%, e o óleo de soja, de 8,4% no mesmo período. Quanto ao milho, mesmo com a colheita recorde no Brasil, os preços têm elevação expressiva desde agosto. Para a região de Campinas (SP), o indicador Esalq/BM&FBovespa acumula alta de 15,8% em setembro.

No caso do açúcar, o indicador Cepea/Esalq tem aumento expressivo de 12,3% na parcial de setembro, mesmo com a colheita em bom ritmo na região Centro-Sul. Quanto ao algodão, os preços seguem firmes no mercado interno, em linha com a paridade de exportação e apesar do fraco ritmo da atividade industrial brasileira. Em setembro, o indicador Cepea/Esalq com pagamento 8 dias, referente à pluma 41.4, posta em São Paulo, acumula ganho de 4%.

A reação da demanda interna por carne suína aliada às exportações crescentes tem elevado os preços do animal vivo e da carne. No mercado atacadista da Grande São Paulo, as carcaças especial e comum se valorizam 28% e 29,5% no acumulado de setembro.

No mercado de frango, o movimento de alta dos preços se intensificou em meados deste mês, e a elevação já está próxima dos 20% tanto para o frango inteiro congelado quanto resfriado no atacado da Grande São Paulo.

"Além do bom desempenho das exportações, a demanda interna pela carne de frango vem sendo favorecida pelos elevados valores da bovina e pelas recentes valorizações da suína", assinalou o Cepea. A carne bovina, apesar de também ter se tornado mais competitiva no mercado internacional, não tem apresentado aumentos de volume exportado, porque é tradicionalmente adquirida por países emergentes, que também estão tendo desvalorizações de suas moedas.

Importações

Ainda de acordo com o Cepea, o dólar também puxa o preço do trigo. Mas, neste caso, o Brasil importa cerca de metade do que consome, e as compras externas a valores maiores têm causado reajustes dos preços ao produtor brasileiro mesmo neste momento em que está começando a colheita de uma safra que pode ser recorde.

Na média de setembro, os valores pagos ao produtor do Paraná estão 12,5% superiores aos de setembro de 2014 e, no Rio Grande do Sul, 10% maiores. No mercado de lotes, na mesma comparação, a alta chega a 29% no Rio Grande do Sul, a 23% em São Paulo e a 28,8% no Paraná.

Os pesquisadores ressaltaram também a disparada do preço de insumos importados. "Importadores (distribuidores) de fertilizantes chegam a relatar que estão sem parâmetros de preços para o mercado nacional, tamanha a variação do câmbio", apontou o Cepea.

O centro informou que, em agosto, o custo médio com fertilizantes e defensivos da soja em Mato Grosso aumentou 27% em Sorriso e Campos Novos do Parecis e 41% em Primavera do Leste ante agosto do ano passado. No Paraná, o encarecimento médio de adubos e defensivos foi de 22% em Londrina, 32% em Cascavel e 41% em Castro.

"O impacto da desvalorização mais recente do real deve começar a ser sentido nas compras, principalmente de defensivos, que ainda precisam ser feitas para a temporada de verão". (Agência Estado 25/09/2015)

 

Mercado de açúcar: FUNDAMENTOS MOSTRAM A CARA

A agenda de negócios da semana foi bastante movimentada devido aos diversos eventos ocorridos em São Paulo por ocasião da Semana do Açúcar e do Jantar de Gala promovido pelo Sugar Club. O mundo sucroalcooleiro estava na cidade e não houve um só minuto de trégua para as férteis discussões de ideias e perspectivas futuras seja durante a Conferência da Datagro ou nos outros eventos que inundaram a semana. O sentimento geral pareceu mais construtivo. Houve sempre muito cuidado por parte dos interlocutores em não parecerem desmedidamente altistas, mesmo porque o cenário politico fiscal do Brasil desencoraja essa atitude em função da volatilidade da moeda brasileira que chegou a negociar a espantosos 4,2500. O sentimento de um cenário construtivo leva em consideração que açúcar e etanol estarão muito sensíveis a arbitragem nos meses que se seguem.

A explosão do dólar acelerou a fixação de preços do açúcar de exportação em reais para a safra 2016/2017 e também para a 2017/2018. Embora operações estruturadas como essas demandem crédito e gestão de risco competente, mais e mais usinas estão aproveitando a oportunidade e travando a rentabilidade das vendas de açúcar para os próximos anos. Para os bancos seria uma oportunidade de trazer para si as empresas do setor (que são suas clientes) com problemas de caixa, garantindo a elas uma melhor rentabilidade na venda de seus açúcares e assegurando que as mesmas tenham condições de pagar seus débitos. Melhor do que pisar no tubo de oxigênio ou cortar o crédito de vez, a estruturação de operações em reais por tonelada pode funcionar para os bancos como um seguro de que o credor não vai deixar de cumprir suas obrigações, pois tem uma vantajosa venda fixada em reais nas mãos dos bancos.

O contrato futuro de açúcar na bolsa de NY encerrou o pregão de sexta-feira mostrando uma valorização substancial do vencimento outubro/2015 (que expira na próxima semana), que subiu 78 pontos na semana (17 dólares por tonelada), cotado a 11.74 centavos de dólar por libra-peso. A correlação inversa que o açúcar em NY tinha com o dólar desapareceu. Os fundamentos começam a falar mais alto a partir de agora.

O enorme volume de fixações de preço de açúcar de exportação no contexto de um dólar mais forte começa a delinear uma safra mais açucareira para 2016/2017. O spread março/maio 2016, no entanto, começa a estreitar, tendo passado de 10-15 pontos de desconto para 10 pontos de prêmio do março em relação ao maio. O mercado parece acreditar que pode haver atraso no início da próxima safra do Centro-Sul, ou que o longo período de entressafra após a expiração do contrato outubro/2015 na próxima semana, inibe os vendidos de continuarem mantendo suas posições e preferiram rolá-la para maio/2016 para evitar surpresas. Por enquanto, apenas conjecturas, mas parece que já vimos a mínima desse mercado de açúcar.

Acende uma luz amarela o fato de o acumulado de cana moída no Centro-Sul até a primeira quinzena de setembro ser inferior aos dois últimos anos. 403.8 milhões de toneladas foram moídas contra 412.6 milhões na 2014/2015 e 408.5 milhões na 2013/2014. Será que vamos atingir os 590 milhões de toneladas que muitos preveem? Nosso número continua sendo de 581.2 milhões de toneladas muito embora o desempenho atual da moagem aos olhos do que ocorreu no passado podem reduzir também nossa estimativa.

Apenas para lembrar alguns pontos que foram exaustivamente comentados e analisados nesse espaço: dissemos que a compra do spread outubro/2015 março/2016 aos escorchantes 28-35% ao ano sob os quais eles estavam sendo negociados, era como tirar biscoito da boca de uma criança. O spread encerrou a sexta-feira cotado a 67 pontos, enquanto no inicio de junho ele negociava a 133 pontos, ou seja, houve uma apreciação de mais de 14 dólares por tonelada no período! Também insistimos que o valor FOB do açúcar em reais por tonelada deveria sempre que ser observado e mencionamos que nos três últimos anos a média havia sido de R$ 880 por tonelada e, portanto, não se justificava fixar preços abaixo desse nível. Por último, dissemos que em outubro começaríamos a ver uma recuperação de preços em NY. Vamos ver se acertaremos mais uma.

Não temos bola de cristal, mas nossas análises são consistentes e em linha com os fundamentos do mercado. Nós não vendemos estruturas nem somos afiliados a nenhuma corretora ou banco, nem recebemos comissão de nenhuma espécie por quaisquer estruturas ou recomendações que por ventura façamos. Somos independentes e, por essa razão, nossas opiniões independem dos nossos interlocutores. Não fabricamos histórias ao sabor dos leitores.

O Jantar de Gala do Açúcar promovido pelo Sugar Club na semana que passou foi um dos melhores das últimas décadas. O momento político em que o Brasil vive, consternando seus cidadãos de bem pela inacreditável magnitude de roubalheira, corrupção e descasos patrocinados por um partido que nunca teve um projeto de governo, mas sim “um projeto criminoso de poder”, usando as palavras do Ministro do STF, Celso de Mello, foi o combustível para um discurso duro e memorável do Presidente do Sugar Club, Paulo Roberto Garcia, na abertura do Jantar de Gala. Paulo chamou de “obstinados” os “homens da indústria sucroalcooleira que insistem em não desistir do Brasil, mesmo diante da falência dos princípios éticos e morais que deveriam reger a vida de nossa nação”. Faço minha as suas palavras. ( Archer Consulting 28/09/2015)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Reviravolta no dólar: As cotações do açúcar ganharam um forte impulso na bolsa de Nova York na sexta-feira com a correção para baixo do dólar ante o real. Os lotes para março de 2016 subiram 55 pontos, a 12,41 centavos de dólar a libra-peso. Após ação coordenada do Banco Central e do Tesouro, o dólar passou a recuar ante o real, desestimulando as exportações do Brasil. Os preços já haviam encontrado suporte na queda da produção do Centro-Sul na primeira metade do mês, reportada pela União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica) no dia anterior. As previsões apontam para possíveis chuvas em áreas do Paraná e Mato Grosso nesta semana, o que pode mais uma vez interromper a moagem de cana. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal subiu 0,7%, para R$ 53,28 a saca de 50 quilos.

Café: Impulsiona preços: A correção do dólar ante o real também turbinou as cotações do café arábica na bolsa de Nova York na última sexta-feira. Os contratos do grão para março de 2016 subiram 440 pontos, para US$ 1,259 a libra-peso. "Essa queda [do dólar] tornou-se uma fonte significativa de força para o café, uma vez que cronicamente as moedas fracas das principais nações produtoras têm pesado nos preços durante os últimos meses", avaliou o Zaner Group, em nota. O mercado já estava se sustentando na posição mais retraída dos produtores brasileiros, que resolveram segurar suas vendas à espera de uma estabilização na moeda. No mercado doméstico, os preços do café de boa qualidade subiram para uma faixa entre R$ 500 e R$ 510 a saca de 60,5 quilos, de acordo com o Escritório Carvalhaes.

Soja: Acordo histórico: O acerto realizado na quinta-feira para a compra de um elevado volume de soja dos EUA pela China provocou uma forte alta nos preços da oleaginosa na bolsa de Chicago. Os lotes para janeiro de 2016 fecharam com ganhos de 20,75 centavos na sexta-feira, a US$ 8,9325 o bushel. Os chineses assinaram em Iowa 24 termos de compra no total de US$ 5,3 bilhões em soja, o equivalente a 13,18 milhões de toneladas, para entrega até o fim desta safra, em 31 de agosto de 2016. O anúncio já era esperado, mas o volume superou as expectativas e acredita-se que foi o maior já negociado entre os dois países na história. O cenário externo mais favorável também ofereceu suporte às cotações. No mercado interno, o indicador Cepea/ Esalq para a soja em Paranaguá caiu 1,73%, para R$ 83,27 a saca.

Trigo: Clima adverso: Os futuros do trigo apresentaram alta expressiva nas bolsas americanas na sexta-feira com a retomada dos receios com o clima em importantes regiões produtoras no mundo. Em Chicago, os lotes para março de 2016 subiram 10,75 centavos, a US$ 5,15 o bushel. Em Kansas, onde se oferta o trigo de melhor qualidade, os papéis com igual prazo de entrega avançaram 10,25 centavos, a US$ 5,1475 o bushel. "As condições secas na Ucrânia já impactaram em alguma produção e não está claro ainda se o trigo plantado depois da seca vai efetivamente emergir", disse o Zaner Group. Também há receios com a safra da Rússia e da Austrália. No mercado doméstico, o preço médio do cereal no Rio Grande do Sul apurado pelo Cepea/Esalq teve queda de 1,69%, para R$ 613,25 a tonelada. (Valor Econômico 28/09/2015)