Setor sucroenergético

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Como aperfeiçoar o Consecana?

A revisão deveria ter saído para o início da safra 15/16.

“Em 1983 foi implantado o pagamento de cana por qualidade. O bom é que era um sistema tripartite, com representantes das indústrias, fornecedores e governo (Planalsucar).

Os representantes do governo resolviam os impasses e conseguíamos caminhar. Hoje o principal problema do Consecana é o fato de ser independente do governo.

No começo, o Consecana foi bem, mas não houve as devidas revisões.

Quando deve se fazer a revisão, há uma rixa, pois não existe a figura do árbitro intermediando as demandas. A safra atual teria que ter começado com o sistema já revisado, mas já está chegando ao fim e nada. Combinamos de avançar no Consecana em novembro, mas nada andou. Na nossa última reunião ficou acordado que a indústria levaria o que entende que deveria ser implementado para que o trabalho começasse a fluir. Parece que agora destravamos o processo dessa revisão”.

Manoel Ortolan, presidente da Orplana e da Canaoeste. (Cana Online 29/09/2015)

 

Açúcar: semana começa com preços estáveis e viés de baixa

Nesta segunda-feira (28), os preços do açúcar ficaram mistos nas bolsas internacionais.

Em Nova York, no vencimento outubro/15, a commodity foi negociada a 11,75 centavos de dólar por libra-peso. Ficou praticamente estável, com alta de um ponto. No lote março/16 e maio/16, houve retração de três e um ponto, respectivamente. Do lote julho/16 a março/17, foi registrada uma reação positiva que oscilou de um a três pontos.

De acordo com o boletim da H.Commcor, entre os fatores altistas que ajudaram a sustentar os preços do açúcar está o relatório da Unica que apontou uma produção 11% inferior no acumulado da safra até o momento e um mix mais alcooleiro do que o mercado esperava na quinzena. A chuva na região Cnetro-Sul no final de semana trouxe mais atraso em algumas unidades, além de favorecer e intensificar a tendência de uma safra mais alcooleira na região.

Na Índia, a ISMA revisou para baixo a produção de açúcar do país na safra 15/16 para 27 m/t. Entretanto, o país deve ter um net do balanço superavitário por mais uma safra consecutiva, ainda segundo o boletim. Devido aos ciclos de produção superavitária, o país soma um volume de estoque de 9,6 m/t. Porém, de acordo com a Kingsman, o país só será capaz de aumentar sua exportação para o mercado após março, quando provavelmente os preços estarão mais elevados.

Em Londres, na tela de dezembro/15, o açúcar caiu 0,20 cents, com negócios firmados em US$ 359,80 a tonelada. No vencimento março/16, ele teve um recuo de 0,60 cents e no lote maio/16, de 0,50 cents.

Mercado doméstico

Em São Paulo, os preços do açúcar também começaram a semana valorizados. Segundo índices do Cepea/Esalq, da USP, os negócios foram firmados em R$ 53,80 a saca de 50 quilos do tipo cristal, alta de 0,98%.

Etanol

Os preços do etanol hidratado se mantiveram em alta nesta segunda-feira. De acordo com os índices da Esalq/BVMF, o metro cúbico foi negociado a R$ 1.285,00. Uma valorização de 4,26% no comparativo com a véspera. (UDOP 29/09/2015)

 

Usinas limitam oferta e preço do etanol se mantém firme

Os preços dos etanóis hidratado e anidro seguem firmes no mercado paulista. Entre 21 e 25 de setembro, o Indicador CEPEA/ESALQ (estado de São Paulo) do hidratado permaneceu estável, em R$ 1,3001/litro (sem impostos), ligeiro aumento de 0,07% em relação à semana anterior.

Para o anidro, o Indicador semanal foi de R$ 1,4306/litro, alta de 1,24%, a maioria dos negócios envolvendo este combustível continua sendo realizada via contrato.

Segundo pesquisadores do Cepea, o mercado foi sustentado pela oferta limitada das usinas, que estão atentas à previsão de chuvas para esta semana nas principais regiões produtoras do estado de São Paulo. Mesmo com o período de fim de mês, quando geralmente usinas têm mais necessidade de “fazer caixa”, vendedores continuam firmes nos preços de venda.

Alguns agentes, inclusive, acreditam em novas altas nos preços dos etanóis, fundamentados na possibilidade de continuidade das chuvas, influenciadas pelo El Niño. (Cepea / Esalq 29/09/2015)

 

Investidores dizem à Petrobras: aumente a gasolina antes que seja tarde

Nos últimos dias, executivos da Petrobras têm seu reunido com investidores brasileiros numa tentativa de vender 3 bilhões de reais em títulos de cinco anos, um dinheiro que vai ajudar a Petrobras a refinanciar dívida que está vencendo este ano.

Os investidores têm respondido com uma mensagem clara: aumente o preço da gasolina, ou pague juros maiores.

Depois de se debruçarem sobre os números da empresa, os investidores chegaram à conclusão de que a conta simplesmente não fecha. Com o dólar a R$4, o endividamento da empresa em 5 vezes sua geração de caixa, e a dívida em dólar custando 10% ao ano, a Petrobras deve apresentar nos próximos meses um fluxo de caixa negativo, um buraco que precisa ser financiado, de 10 a 15 bilhões de reais.

Para os investidores, uma empresa nesta situação deveria pagar uma taxa de juros ainda maior do que aquela que Petrobras está oferecendo para quem comprar seus títulos neste momento. O rendimento máximo que a Petrobras aceita pagar nos títulos é a taxa CDI mais juros de 1,85% ao ano, o que dá cerca de 112% do CDI ao ano, considerando a curva de juros de cinco anos na BM&F.

“A esta taxa, não faz sentido emprestar para a Petrobras,” diz um gestor. “Sem aumento de combustíveis, e um corte de verdade nos gastos e investimentos, há muito risco em emprestar para eles.”

Para se ter uma idéia de como o ‘risco Petrobras’ está sendo precificado com muita boa vontade na taxa oferecida pela empresa, é possível comprar, no mercado, uma letra financeira do Bradesco que paga 106% ou 107% do CDI com vencimento em apenas dois anos e bastante liquidez no mercado secundário. “Não vou me incomodar com Petrobras para ganhar um pouquinho a mais (112%) mas ter que ficar num papel de cinco anos,” diz um gestor.

Para manter seu endividamento estável, a Petrobras precisaria aumentar em 10% a gasolina e o diesel, assumindo o dólar a 4,10 e o petróleo a 45 dólares o barril. Nas contas de um investidor, se o aumento ficar restrito à gasolina, ele teria que ser da ordem de 30%.

“Se o [CEO da Petrobras Aldemir] Bendine se posicionar como banqueiro, e não como petroleiro, ele vai propor ao conselho um aumento de combustíveis e cortes de investimentos com venda de ativos antes dessa emissão de debêntures,” disse um gestor, refletindo o pensamento de vários. “Sem essas medidas anunciadas rápido, ele não captará ao custo pretendido, e corre o risco de ver a operação ‘micar’, ficando sem acesso ao mercado de capitais nacional e internacional.”

Muitos investidores disseram à coluna nunca imaginar que um dia receberiam funcionários da Petrobras para uma conversa sobre uma emissão de dívida no Brasil, já que a empresa sempre teve as portas do mercado internacional abertas para ela. Pior: disseram nunca imaginar, se este dia chegasse, que teriam receio em dar crédito para a empresa.

“A sensação ao falar com executivos de carreira da Petrobras é que eles tinham vergonha do que está acontecendo,” disse um gestor. “Muitas vezes eles ficavam sem jeito, sem ter o que explicar. Eles mesmos pareciam não acreditar na situação que a empresa está passando e eles mesmo estão vivendo.”

Com os investidores se mostrando refratários, a Petrobras pode ter que aumentar o rendimento que está oferecendo, ou, como costuma acontecer no Brasil quando o mercado rejeita alguma coisa, os fundos de pensão podem ser chamados a comprar boa parte da emissão de dívida da empresa.

De qualquer forma, o posicionamento dos gestores mostra que, depois da Lava Jato, depois da prática de preços inferiores aos do mercado internacional, depois das decisões de investimentos erradas, e em meio a este cenário de câmbio para cima e petróleo para baixo, não há espaço para mais erros na Petrobras. Se o Governo pagar pra ver, vai acabar precisando capitalizar a empresa – desta vez com dinheiro, e não barris do pré-sal.

O conselho de administração da Petrobras se reúne nesta quarta-feira. A pauta deveria incluir tudo o que for possível para estabilizar o balanço da empresa: cortes de custos, mais cortes no programa de investimentos, o cronograma de venda de ativos e, claro, o aumento dos combustiveis. Antes que seja tarde demais. (Veja.com 29/09/2015)

 

Síntese de mercado e notícias: Mundo e Brasil – Base-29-set-15

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Alta do IGP-M surpreendeu para cima nossas estimativas, diante da maior pressão vinda dos preços industriais

O IGP-M avançou 0,95% em setembro, ficando acima da nossa expectativa e da mediana das projeções do mercado, de 0,81% e 0,79% respectivamente, conforme divulgado há pouco pela FGV. O índice voltou à trajetória de aceleração verificada nos últimos meses, que tinha sido interrompida em agosto, quando a alta foi de 0,28%. Esse movimento é reflexo do comportamento dos preços agrícolas, que saíram da estabilidade para uma elevação de 2,08% neste mês. O IPA industrial, no mesmo sentido, subiu 1,01%, mostrando aceleração frente à alta de 0,28% exibida em agosto. A surpresa em relação à nossa expectativa foi explicada exclusivamente pelos preços industriais, diante da maior pressão de produtos metalúrgicos, químicos, alimentícios, além de etanol. Os preços ao consumidor também aceleraram, passando de uma elevação de 0,24% para outra de 0,32%, entre agosto e setembro. O INCC, por sua vez, desacelerou de uma alta de 0,80% para 0,22% no mesmo período. Para as próximas leituras, prevemos ainda pressão dos preços no atacado, que devem voltar a ceder na passagem de outubro para novembro.

 

Atividades

Anatel: Número de linhas fixas habilitadas em agosto recuou em 21 das 27 unidades federativas do País

O total de linhas de telefonia fixa habilitadas no País somou 44,13 milhões em agosto, o que representa uma queda de 0,8% ante julho, conforme divulgado ontem pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). No mesmo sentido, na comparação com o mesmo mês do ano passado, houve retração de 2,3%. Esse comportamento resultou da queda do número de linhas em 21 dos 26 estados do País, mais o Distrito Federal. Com isso, todas as regiões, com exceção da Centro-Oeste, registraram redução na comparação com agosto de 2014. O Sudeste, que concentra 61% dos acessos, apresentou retração de 2,3% nessa métrica. Para os próximos meses, prevemos continuidade do enfraquecimento do setor, diante da perspectiva de acomodação adicional da renda das famílias brasileiras e da retração da atividade econômica, que impacta as atividades comerciais. Ademais, principalmente para as famílias, a tendência de troca de telefones fixos para móveis permanecerá nos próximos anos.

 

Fiscal

Tesouro: Estoque da dívida pública federal atingiu R$ 2,686 trilhões em agosto

A dívida pública federal (DPF) em poder do público atingiu R$ 2,686 trilhões em agosto, de acordo com o divulgado ontem pelo Tesouro Nacional. Desse montante, R$ 2,551 trilhões são dívida interna e R$ 134,32 bilhões, dívida externa. O estoque atual está dentro dos limites estabelecidos pelo governo na meta revisada do Plano Anual de Financiamento (PAF) no mês passado. Na meta vigente, o limite mínimo é R$ 2,65 trilhões e o máximo R$ 2,80 trilhões. O estoque da DPF em agosto foi composto por 41,59% de títulos prefixados (aumento de 0,27 p.p. em relação a julho), 32,0% de títulos indexados à inflação (queda de 1,02 p.p. na mesma base de comparação), 21,28% em títulos pós-fixados (alta de 0,65 p.p.) e 5,14% de títulos vinculados à taxa de câmbio (0,10 p.p. acima de julho). O prazo médio passou de 4,63 anos para 4,56 anos, sendo que a dívida interna teve o prazo médio reduzido de 4,49 para 4,43 anos, entre julho e agosto, e a dívida externa passou de 7,26 para 7,20 anos. Já o custo médio da dívida aumentou novamente e atingiu 15,93% no acumulado dos 12 últimos meses, se aproximando do pico da série histórica, de 16,44% atingido em fevereiro de 2009. Dos detentores de títulos públicos federais da dívida interna, os não-residentes diminuíram a sua participação em agosto, passando de 19,6% em julho para 19,1% no mês passado. Essa é a terceira redução desde maio, quando essa participação era de 20,8%.

Internacional

Área do Euro: Melhora do sentimento econômico em setembro reforça momento favorável da economia européia

O índice de sentimento econômico na Área do Euro subiu de 104,1 para 105,6 pontos entre agosto e setembro. Essa foi a terceira alta seguida do indicador, levando-o ao maior nível desde junho de 2011. Tal desempenho foi impulsionado pela melhora da confiança da indústria, dos serviços e, em menor grau, do comércio varejista. Por outro lado, houve ligeira piora da confiança dos consumidores e do setor de construção. Entre os maiores países do bloco, destaque positivo para a Itália, a Alemanha e a França, enquanto a Espanha apresentou o pior desempenho. Na mesma direção, o clima de negócios na região exibiu ligeira melhora em relação a setembro. De qualquer forma, a recuperação da economia europeia ainda é bastante gradual, o que sugere novo crescimento do PIB ao redor de 0,4% neste trimestre.

EUA: Dados de atividade sugerem continuidade do crescimento do PIB norte-americano no terceiro trimestre

O índice de atividade mensurado pelo Fed Dallas subiu de -15,8 para -9,5 pontos na passagem de agosto para setembro, de acordo com os dados divulgados ontem pela instituição. O resultado ficou abaixo do esperado pelo mercado, que previa alta para -9,0 pontos. No mesmo sentido, o indicador de expectativas alcançou 4,8 pontos neste mês, acima dos 3,4 pontos observados em agosto. Ademais, os gastos com consumo das famílias norteamericanas registraram elevação de 0,4% na margem em agosto, conforme divulgado ontem pelo Departamento do Comércio dos EUA. Na mesma direção, o rendimento pessoal cresceu 0,3% nesse período. Dessa forma, os dados sugerem continuidade do crescimento do PIB norte-americano no terceiro trimestre, ainda que em menor magnitude do que nos três meses anteriores. Além disso, reforçam nossa expectativa de que o início da normalização da política monetária terá início no final deste ano.

Tendências de mercado

Impulsionadas pela surpresa positiva do indicador de confiança da Área do Euro, a maioria das bolsas européias opera em alta nesta manhã. No mesmo sentido, os índices futuros norte-americanos registram ganhos neste momento, à espera da divulgação do índice de confiança do consumidor, às 11h. Em contrapartida, os mercados acionários asiáticos encerraram o pregão de hoje em queda, ainda refletindo as preocupações com a desaceleração da economia chinesa.

O dólar permanece forte em relação às principais moedas, com exceção do rublo, da libra e do rand, que recuperam parte da queda dos dias anteriores. Entre as commodities, o petróleo é cotado no campo positivo, diante da expectativa de redução dos estoques semanais de petróleo dos EUA, a serem divulgados hoje pelo American Institute of Petroleum. Já as principais agrícolas e as metálicas industriais apresentam recuo em seus preços. No mercado doméstico, as atenções estarão voltadas à divulgação do resultado primário do governo central de agosto, para o qual projetamos déficit de R$ 13,8 bilhões. Além disso, os principais ativos deverão reagir à aceleração do IGP-M de setembro.