Setor sucroenergético

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Canaplan prevê pressão maior sobre etanol após aumento da gasolina

O aumento sazonal de preços do etanol no quarto trimestre do ano, quando a colheita da safra de cana-de-açúcar entra na reta final no Centro-Sul do País, tende a ser mais intenso em 2015 após o reajuste da gasolina pela Petrobras, divulgado na noite desta terça-feira, 29, e válido a partir de hoje.

A avaliação é do presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) e sócio-diretor da consultoria Canaplan, Luiz Carlos Corrêa Carvalho. "Entramos agora em uma fase em que os valores devem aumentar, porque há limite de oferta", disse em entrevista ao Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado.

O etanol é o concorrente direto da gasolina nos postos de combustíveis, e qualquer mudança de preço no derivado de petróleo provoca impacto na cotação do biocombustível.

Pelo levantamento mais recente do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP), o hidratado atualmente está cotado, sem impostos, a R$ 1,30 por litro nas usinas de São Paulo, principal polo consumidor do País. Na última entressafra de cana, o litro de álcool para o produtor chegou a bater em R$ 1,41.

Mais cedo, o banco Credit Suisse divulgou relatório em que prevê aumento de 3,5% para o preço da gasolina nas bombas e de aproximadamente 5% para o hidratado, passando de R$ 1,30 para R$ 1,36.

Cide

Para Corrêa Carvalho, a alta da gasolina, embora positiva para o setor sucroenergético, não deve esvaziar pleito do segmento pela recomposição integral da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) no combustível fóssil. "Essa demanda continua forte, após a fala da presidente Dilma Rousseff na ONU (Organização das Nações Unidas) e em meio à expectativa da COP 21", afirmou.

No último domingo, 27, durante discurso na Conferência da ONU para Desenvolvimento Sustentável, em Nova York, Dilma propôs que o Brasil corte as emissões de gases do efeito estufa em 37% até 2025 e em 43% até 2030, ambos os valores relativos aos níveis de 2005. O item faz parte da INDC brasileira, sigla em inglês no jargão climático para o conjunto de compromissos que os países têm de propor para mudanças climáticas. (Agência Estado 30/09/2015)

 

Para usinas, alta da gasolina terá efeito restrito

Apesar do barulho, o reajuste de 6% da gasolina "A" na refinaria, anunciado pela Petrobras, terá um efeito limitado sobre os preços do etanol hidratado, concorrente direto do derivado fóssil no mercado de carros flex fuel. A brasileira Copersucar, maior trading de etanol do mundo, calcula em 5 centavos de real por litro, ou 5% na usina, o impacto direto da medida. O comportamento do consumidor frente a esse reajuste ainda é uma incógnita. E os preços do hidratado na usina, devido à oferta apertada e uma demanda forte, já haviam começado a subir há 15 dias e acumularam uma valorização de 10% em setembro.

O efeito psicológico da medida anunciada pela Petrobras é difícil de ser mensurado. Ontem mesmo, no fim da tarde, o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq) enviou um comunicado informando que um dos seus indicadores para o hidratado (posto em Paulínia-SP) subiu 7,05% apenas ontem, e que a principal razão era o reajuste da gasolina, apesar da menção, como fatores secundários, à ocorrência de chuvas e à proximidade da entressafra da cana-de-açúcar.

O cenário hoje indica que só há etanol hidratado suficiente para abastecer o mercado até 31 de março do ano que vem, quando terminará a safra 2015/16, se a demanda mensal encolher dos atuais 1,5 bilhão de litros para 1,2 bilhão. É consenso que, para isso, o preço do hidratado nos postos terá que subir a ponto de superar a paridade de 70% do preço da gasolina, de forma a causar, de fato, um impacto mais forte no consumidor, levando-o a migrar para o derivado fóssil, explicou o diretor da SCA Trading, Martinho Seiiti Ono. "Com o reajuste da gasolina nessa reta final da safra, o espaço para o etanol subir se amplia", afirmou.

Independentemente do tamanho do impacto, a alta da gasolina deverá beneficiar, majoritariamente, as usinas sucroalcooleiras mais capitalizadas. Aquelas que estão com problemas financeiros já venderam praticamente tudo o que produziram até o momento a preços abaixo dos praticados no ano passado para fazer caixa e pagar as contas.

Mas, mesmo companhias mais capitalizadas, como a Copersucar, estão levando menos estoques para vender na entressafra, dados os custos financeiros mais altos de financiar essa operação. "No ano passado, as linhas do BNDES ofertavam crédito a 9% ao ano. Neste ano, esses custos estão em 15%. Ainda que, em termos de fundamentos, o cenário seja mais favorável ao carregamento de estoques, o risco aumentou", afirmou o presidente do conselho de administração da Copersucar, Luís Roberto Pogetti.

Na avaliação de Rui Chammas, CEO da Biosev, segunda maior companhia do segmento, é preciso lembrar ainda que o anúncio da Petrobras trouxe também um aumento do preço do diesel, de 4% ­ o que, no fim das contas, reduz ainda mais o efeito positivo para as usinas sucroalcooleiras, grandes consumidoras de diesel em suas operações agrícolas. "A cada 10 litros de etanol que produzimos, consumimos 1 de diesel", comparou o executivo da Biosev, controlada pela francesa Louis Dreyfus Commodities.

A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), entidade de maior representatividade no segmento, divulgou nota em que afirma acreditar que o reajuste tornará o biocombustível mais competitivo frente à gasolina, mas que esta ainda está muito longe de ser uma solução efetiva para o crescimento do setor sucroenergético do Brasil.

A medida não estimula novos investimentos em expansão da capacidade, disse ao Valor Pedro Mizutani, vice-presidente da maior companhia de açúcar e etanol do país, a Raízen Energia. "Esse reajuste vai mudar muito pouco o preço do etanol. Melhora um pouco, mas não muda o patamar de rentabilidade do produto, que está muito baixo", afirmou o executivo da empresa, joint-venture da Cosan com a Shell. Na visão de Mizutani, o que de fato faria a diferença seria a recomposição da Cide para R$ 0,60 por litro na gasolina.

O CEO da São Martinho, Fábio Venturelli, observou que não há sequer crédito para investimento, ainda que essa fosse a visão do setor. "Até há recursos disponíveis no exterior, mas o país não tem credibilidade para atrair esse capital", avaliou.

No início deste ano, o governo federal autorizou a retomada da Cide e o aumento do PIS/Cofins na gasolina, o que significou um reajuste nos postos na casa dos 22 centavos de real por litro no preço do combustível fóssil. O potencial para o hidratado era de um aumento de pelo menos 15 centavos por litro, mas esse cenário não se confirmou. Desde o início da safra, em abril, até o início de setembro, o preço do etanol hidratado na usina ficou abaixo do preço do ano passado.

Isso porque muitas usinas em condições financeiras ruins ofertaram muito produto no mercado, pressionando os preços para baixo durante toda a safra. "Tudo depende muito de como esse reajuste vai se estabelecer ao longo da cadeia, desde a usina, até as distribuidoras, postos e consumidor", avaliou o CEO da São Martinho.

Ontem, os papéis de todas as companhias com operação sucroalcooleira subiram na BM&FBovespa. Os da São Martinho subiram 3,54%; os da Cosan, 5,95%; Biosev, 0,82% e os da Tereos, que têm menor liquidez, tiveram forte variação de 60,98%. (Valor Econômico 01/10/2015)

 

Má notícia: preço da eletricidade feita da cana seguirá baixo no mercado spot Valor de compra do MWh chegará a R$ 100 em dezembro

O bagaço é a principal matéria-prima das usinas para fazer eletricidade.

O Preço da Liquidação das Diferenças (PLD), que serve de indicador para remunerar o megawatt-hora (MWh) produzido pela biomassa da cana-de-açúcar, deverá chegar a dezembro com valor 56,60% inferior ao praticado nesta semana, ou seja, entre 26/09 a 02/10.

Segundo a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), que faz a gestão do PLD, projeção preliminar aponta que o preço do PLD deve atingir o patamar de R$ 100/MWh em dezembro próximo, valor 56,60% inferior aos R$ 206,68/MWh praticados nesta semana.

Pior: o PLD deverá alcançar R$ 30/MWh a partir de abril de 2016, que o valor do piso mínimo estabelecido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Segundo a CCEE, além de influenciar na redução dos valores do PLD, as afluências contribuíram para a manutenção dos níveis de armazenamento nos respectivos sub-mercados.

“As afluências de setembro, no Sudeste e Sul, foram bastante favoráveis quando comparamos com os índices do mês anterior e foram essenciais para a manutenção do PLD bem abaixo do teto estabelecido para 2015, além de ajudar nos níveis de armazenamento dos reservatórios dessas regiões”, destaca o gerente de Preço da CCEE, Rodrigo Sacchi.

Armazenamento

A situação oposta foi observada na análise dos reservatórios do Nordeste e, principalmente, do Norte que registrou queda de 24,7% no nível de armazenamento.

“Essa diminuição dos níveis foi causada pela maior quantidade de geração hidráulica no Norte, realizado para possibilitar a exportação de energia para o Sudeste”, lembra Sacchi.

No Sul, também houve exportação no limite de intercâmbio entre os sub-mercados, mas a boa afluência na região manteve os níveis dos reservatórios em 76,2%, uma leve queda (-1,5%) na comparação com agosto.

O fator de ajuste do MRE esperado para setembro é de 88,3%, enquanto para outubro deve ficar em torno dos 93,3%, o que contribui para a média de 84,6% em 2015. “Por conta do aumento da temperatura e o consequente aumento do consumo, o sistema necessitará de maior geração, vinda exatamente das hidrelétricas”, explicou Sacchi. (Jornal Cana 30/09/2015)

 

Açúcar: Alta expressiva

A alta inesperada da gasolina, a queda do dólar e o vencimento do contrato para outubro impulsionaram os preços do açúcar demerara ontem na bolsa de Nova York.

Os lotes para março de 2016 avançaram 42 pontos, para 12,88 centavos de dólar a libra-peso.

Ainda que a elevação de 6% da gasolina na refinaria promovida na virada da noite de terça para quarta-feira pela Petrobras possa ter baixo impacto no preço do etanol, a surpresa foi suficiente para motivar a alta.

Quanto ao vencimento do contrato de outubro, foram entregues 23 mil lotes equivalentes a 1,2 milhão de toneladas à trading asiática Wilmar International de açúcar brasileiro.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo subiu 0,09%, para R$ 54,42 a saca de 50 quilos. (Valor Econômico 01/10/2015)

 

Black River, da Cargill, que negocia usinas da Ruette, será dividida em três novas companhias

A Cargill pretende se separar da maior parte de suas operações com fundos de hedge, no momento em que luta contra condições de mercado difíceis e com o fraco interesse dos investidores. A maior trading agrícola do mundo informou na segunda-feira que vai desmembrar e transferir para funcionários três operações de fundos de sua divisão Black River Asset Management, enquanto os dois fundos remanescentes, que negociam produtos agrícolas e energia, serão absorvidos pela Cargill. A Black River gerenciava, em junho, US$ 7,4 bilhões em ativos.

A decisão ocorre no momento em que a Cargill se esforça para melhorar seu retorno em meio a mercados voláteis e à fraqueza das economias emergentes, onde a empresa é ao mesmo tempo fornecedora e grande compradora. Este ano, a companhia americana divulgou seu primeiro prejuízo trimestral desde 2001, e o executivo-chefe David MacLennan disse que os resultados não ficaram dentro das expectativas.

Em julho, a Black River fechou quatro outros fundos de hegde devido ao que chamou de "demanda limitada do investidor". Parte do apelo da Black River é que ela está dentro da Cargill, cuja rede internacional de operadores tem a reputação de gozar de vantagens únicas nos mercados.

Um consultor de fundos de pensão que recomendava investimentos no fundo Global Agriculture Absolute Return Fund (Gaarf) da Black River, escreveu em 2012: "Como resultado da posição dominante que a Cargill tem no mercado global de agricultura, esse fundo tenta tirar vantagem dos insights sobre os fundamentos do mercado e repetir o posicionamento de carteira própria da firma nos mercados futuro e de opções. Os mercados negociados incluem trigo, milho, soja e produtos de soja e sementes oleaginosas."

Mas as estratégias de commodities da Cargill estão tendo problemas de desempenho, segundo uma fonte a par do assunto. Apenas um investidor permanece no fundo Gaarf. O Gaarf e o fundo lançado mais recentemente chamado Cargill Energy, Transportation & Metals (ETM) serão transferidos para a Cargill Risk Management, uma divisão que negocia derivativos para produtores de commodities e investidores institucionais.

A Black River foi formada em 2003 e tinha funcionários em 13 países, segundo seu site na internet. Sua folha de pagamentos de 205 pessoas vem encolhendo desde o fechamento do fundo, em julho.

Os três negócios que serão transformados em companhias individuais são o principal fundo da Black River, um fundo de renda fixa de valor relativo de US$ 2,2 bilhões liderado pelo diretor de investimentos Jeff Drobny; uma operação de crédito para mercados emergentes; e uma firma de private equity que gerencia três fundos voltados para alimentos, terras agrícolas e metais e mineração, informou a Black River.

Após meses de análises, o conselho e a equipe administrativa da Black River decidiram "que uma firma independente e controlada pelos funcionários atenderia melhor aos investidores, incluindo a Cargill", disse uma porta-voz da companhia. A Cargill também controla uma operação de investimentos separada chamada CarVal, sediada nos arredores de Minneapolis. Ela não foi afetada pelas mudanças, segundo informou a porta-voz. (Financial Times 30/09/2015)

 

Produtores de etanol do Brasil vão se beneficiar de reajuste de preço da gasolina

Produtores brasileiros de etanol vão se beneficiar a médio prazo da decisão da Petrobras de aumentar os preços da gasolina, que vai impulsionar a demanda pelo biocombustível e permitir que as usinas elevem suas margens, disseram especialistas nesta quarta-feira.

"Acredito em impacto imediato (nos preços do etanol)", disse o analista de açúcar e etanol João Paulo Botelho, da INTL FCStone, em Campinas (SP), após a Petrobras anunciar na noite de terça-feira alta de 6 por cento na gasolina e de 4 por cento no diesel.

Foi o primeiro reajuste da gasolina e do diesel desde novembro e o primeiro da atual diretoria, num momento em que a forte alta do dólar frente ao real impacta custos de importação e eleva o endividamento em moeda estrangeira da companhia.

Depois de anos de crise, em parte devido ao controle de preços da gasolina pelo governo, numa tentativa de evitar alta na inflação, as pequenas margens de lucro dos produtores de etanol estão se recuperando.

Ainda não está claro se as usinas de cana do Brasil serão capazes de atender imediatamente qualquer aumento significativo na demanda pelo biocombustível.

Dois terços da atual safra de cana já foram processados no centro-sul, principal região produtora do país, onde a colheita costuma terminar em dezembro.

A maioria das usinas não estocou etanol, ao contrário, vendeu o biocombustível para levantar recursos.

As usinas também têm compromissos para entrega de açúcar comercializado, o que limita uma eventual mudança mais expressiva no mix de produção.

O diretor da consultoria de açúcar e etanol Canaplan, Caio Carvalho, disse que não acredita que o governo tentou ajudar o setor de etanol ou estimular o investimento na produção de biocombustíveis ao concordar com a elevação.

"Esta é claramente uma política dirigida à Petrobras, o que irá ter um impacto positivo indireto no setor de açúcar", disse ele.

A Petrobras tem um quase monopólio nas vendas de combustíveis fósseis por atacado no Brasil e está em grandes dificuldades financeiras desde a Polícia Federal e o Ministério Público Federal deflagraram a operação Lava Jato e passaram a investigar corrupção em contratos da estatal, em março de 2014.

O principal concorrente da Petrobras no mercado de gasolina local é a indústria de etanol, que pode oferecer aos motoristas uma alternativa de combustível mais barata, quando os preços da gasolina ficam caros demais.

"Os consumidores são muito sensíveis a qualquer aumento de preço, então acredito que isso terá o efeito de aumentar a demanda por etanol", disse o superintendente de abastecimento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Aurélio Amaral.

De 2010 a 2014, o governo federal manteve os preços dos combustíveis fósseis no Brasil abaixo das cotações internacionais, com a ajuda da Petrobras, para segurar a inflação.

Esta política destruiu os lucros da produção de etanol e nocauteou dezenas de usinas de açúcar e etanol, além de indústrias de apoio. (Reuters 30/09/2015)

 

Para ministra, alta da Cide é necessária

Segundo a titular da Agricultura, Kátia Abreu, 'ninguém pode reclamar' do aumento dos combustíveis anunciado pela Petrobrás, porque o governo está deixando preços fluírem segundo as condições do mercado.

Uma das ministras mais próximas da presidente Dilma Rousseff, a titular da Agricultura, Kátia Abreu, afirmou nesta quarta-feira que “ninguém pode reclamar” do aumento dos combustíveis anunciado pela Petrobrás porque o governo está deixando os preços fluírem de acordo com as condições do mercado.

Defensora dentro do governo do aumento da Cide combustíveis para garantir competitividade ao etanol, a ministra disse que a alta da gasolina e do diesel tem impacto positivo para o setor. Mas, segundo ela, a elevação do tributo - que não precisa do aval do Congresso e pode ser feito por meio decreto - continua sendo necessária. Ela avalia, agora, que a alta da Cide pode ser menor para ajudar o setor do etanol.

“A política do governo não é de controle de preços de combustível, e está deixando as coisas fluírem de acordo com o mercado, era tudo o que nós queríamos. O mercado de preços está livre”, disse em entrevista ao Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado. Segundo ela, o fato de a gasolina ter subido 6% efetivamente diminui a necessidade da Cide chegar a R$ 0,60 por litro. A ministra afirmou que o consumidor que quiser abastecer com álcool não vai pagar o imposto. “Tem uma opção”, disse. (O Estado de São Paulo 30/09/2015 às 23h: 09m)

 

Alta da gasolina para consumidor deve ser de R$ 0,16 a R$ 0,18, diz sindicato

O reajuste de 6% no preço da gasolina nas refinarias a partir desta quarta-feira (30) deve ser totalmente repassado para o consumidor nas bombas, segundo José Alberto Gouveia, presidente do Sincopetro (sindicato dos postos de combustível de São Paulo).

O impacto na inflação deve ser de até 0,16 ponto percentual, concentrados em outubro, segundo analistas consultados pela Folha.

"Acreditamos que, para o consumidor, a alta deverá ficar entre R$ 0,16 e R$ 0,18 [por litro]. Além dos 6%, que deverão ser repassados, há a incidência do PIS/Confins e do ICMS sobre uma base de compra maior", afirmou.

A Folha apurou que alguns postos já cogitam elevar o preço em R$ 0,20.

O preço nas bombas é livre e costuma ser reajustado à medida que o combustível com preço novo chega aos postos, mas o presidente do Sincopetro admite que pode haver aumento imediato para fazer caixa para a próxima compra.

"Não vai haver o lucro do tipo 'eu paguei mais barato, vou vender mais caro'. Ninguém sabia dessa alta, ninguém se preparou. O estoque é pequeno. Então o dono do posto vai repassar a alta imediatamente, já que ou ele aumenta agora ou não vai ter caixa para a próxima compra", disse. Os estoques, completa, duram entre dois e três dias

Para o Sindicato das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes (Sindicom), o repasse ficará entre 3% e 4% na média nacional.

INFLAÇÃO

Flávio Serrano, economista do banco chinês Haitong, estima um aumento de 4% a 4,5% do preço da gasolina nas bombas. Isso significa um impacto de 0,16 ponto percentual no IPCA, o índice oficial de inflação.

"Qualquer inflação a mais num ano tão ruim é negativo. E fomos pegos de surpresa, não esperávamos o aumento por agora", disse Serrano, que elevou sua previsão de inflação para este ano de 9,4% para 9,5%.

O peso da gasolina na formação do IPCA é de 3,84 pontos percentuais, enquanto que o do diesel é de 0,15 ponto. Com isso, Serrano disse ainda que o reajuste de 4% no preço do diesel nas refinarias não terá impacto relevante sobre a inflação. O combustível é muito usado na frota de caminhões e seu impacto é menor e mais demorado sobre os preços aos consumidores.

A partir de outubro o preço do etanol anidro, um dos componentes da gasolina tipo C, vendida nos postos, pode subir por causa da entressafra da cana-de-açúcar, colocando um pouco mais de pressão nos preços dos combustíveis daqui para frente.

Pelos cálculos do banco chinês Haitong, o impacto do reajuste dos combustíveis na refinaria somado ao aumento do etanol deverá elevar o preço da gasolina de 5% a 6% em outubro. Isso significará mais 0,21 na inflação.

"O impacto do etanol era previsto, é sazonal. O impacto do reajuste é que não estava no nosso radar", disse Serrano.

Nas contas do banco, o preço da gasolina vendida pela Petrobras nas refinarias estava defasada em 1% na comparação ao praticado no Golfo do México. Após o reajuste, o resultado estaria agora positivo em 4% para a estatal.

Márcio Milan, economista da consultoria Tendências, estimou em 0,13 ponto percentual o impacto do reajuste sobre a inflação deste ano. Ele disse que está revendo sua projeção de IPCA no ano, atualmente em 9,6%.

"O reajuste pegou todo mundo de surpresa e claro a tendência é de alta na projeção. Mas vai ser um pico em outubro e depois o ritmo dos preços volta a um comportamento padrão", disse o economista.

SURPRESA

Os aumentos foram aprovados em reunião de diretoria realizada na terça (29), mas os comunicados oficiais só foram divulgados ao mercado na manhã desta quarta-feira (30).

"Ficamos sabendo pelos jornais", disse um executivo de uma distribuidora de combustíveis.

"Estou há 42 anos no mercado e nunca vi algo assim", reclamou o presidente do Sincopetro, José Alberto Paiva Gouveia. Segundo ele, os postos geralmente estão com estoques vazios no meio da semana e terão que comprar produtos para o fim de semana a preços mais altos.

Isso significa que o repasse às bombas deve ser imediato, para compensar o impacto negativo no fluxo de caixa dos postos. Geralmente, os reajustes são anunciados no fim de semana, quando os estoques estão mais cheios. O último aumento, em novembro do ano passado, por exemplo, entrou em vigor em um sábado.

Em relatório distribuído esta manhã, analistas do JP Morgan dizem que o mercado ficou "positivamente surpreso", mas que o reajuste é insuficiente para acalmar os investidores, diante da crise financeira da estatal.

Para o analista Flavio Conde, da Whatscall, os aumentos terão um impacto de R$ 9 bilhões na geração de caixa da companhia este ano - um aumento de 11% com relação à projeção anterior.

Nos cálculos do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), a Petrobras tem agora uma margem de 2,9% sobre a gasolina importada - antes do reajuste, havia uma defasagem de 3%. No caso do diesel, a margem subiu de 11,7% para 16,2%.

DIESEL

O peso da gasolina na formação do IPCA é de 3,84 pontos percentuais. Já o diesel tem peso de 0,15 ponto no índice, o que torna o impacto direto do reajuste de 4% pouco significativo.

O economista André Braz, da FGV/IBRE, diz, porém, que o aumento do diesel vai contaminar toda a cadeia de bens transportados por rodovias, modal predominante no país.

"O efeito do diesel [na inflação] acaba sendo até maior que o da gasolina, mas é difícil de mensurar", afirma.

Segundo cálculos da Associação Nacional do Transporte de Cargas & Logística, a alta de 4% do diesel nas refinarias deve elevar o custo final do transporte rodoviário de carga em 1,27%, em média. No caso de trajetos mais longos, em que o combustível tem maior peso na planilha de custos, o impacto é maior. (Folha de São Paulo 30/09/2015)

 

Etanol hidratado dispara 7% no interior de SP com reajuste da gasolina

O preço do etanol hidratado no interior de São Paulo subiu 7,05 por cento nesta quarta-feira na esteira do reajuste da gasolina que entrou em vigor nas refinarias da Petrobras.

O indicador Esalq/BM&FBovespa posto Paulínia atingiu 1.389,50 reais por metro cúbico, acumulando alta de quase 13 por cento na semana.

"O principal motivo é o aumento do preço da gasolina, que funciona como teto para o etanol", destacou o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Universidade de São Paulo (USP), em nota.

Em média, o biocombustível é competitivo quando seu preço fica em até 70 por cento do valor da gasolina nos postos varejistas, lembrou o Cepea.

A Petrobras elevou os preços da gasolina em 6 por cento e os do diesel em 4 por cento, num momento em que a forte alta do dólar frente ao real impacta custos de importação e eleva o endividamento em moeda estrangeira da companhia.

O Cepea acrescentou que outro fator de alta para o etanol são as chuvas no centro-sul, que interrompem a colheita de cana e, com isso, limitaram a oferta das usinas no mercado à vista. (Reuters 01/10/2015)

 

Com reajuste, Petrobras ganha R$ 513 mi por mês e ajuda etanol

A Petrobras, que praticamente aniquilou o setor sucroenergético nos últimos anos, começa a dar um alívio às usinas.

Com uma política errática e de contenção de reajustes do governo para segurar a inflação, a empresa provocou uma perda de competitividade do etanol e colocou os custos de produção acima dos valores de venda.

Agora, com a nova visão da direção atual, a Petrobras começa a reajustar preços para diminuir o rombo causado nos últimos anos. Pior, eles se acentuariam ainda mais com o câmbio a R$ 4.

Com o aumento de 6%, o litro de gasolina sai da empresa a R$ 1,75, com valorização de R$ 0,0869 desde esta quarta-feira (30).

Esse mesmo valor poderá ser incorporado pelo etanol, uma vez que a alta do derivado de petróleo permite um ajuste também no derivado de cana sem perda de competitividade.

O valor, no entanto, ainda é bem pequeno em relação ao que o setor perdeu com o período em que a Petrobras praticou preços internos de combustíveis defasados em relação aos do mercado internacional.

No caso do diesel, cujo valor do litro sobe para R$ 1,75 nas refinarias com o reajuste de 4% anunciado na terça-feira (29), o aumento do produto será de R$ 0,0675 por litro.

A nova pressão de preços na gasolina colocará o etanol ainda mais competitivo em várias regiões do país. Com isso, o consumo, que é crescente, deverá acelerar ainda mais. A demanda e o volume de etanol disponível vão determinar os novos preços do produto.

Com a corda no pescoço, a Petrobras viu a necessidade desse reajuste de preços. A gasolina, cujo consumo é de 2,4 bilhões de litros por mês, deverá trazer receitas extras de R$ 209 milhões por mês para a empresa.

Já o reajuste do diesel, cujo consumo mensal é de 4,5 bilhões de litros, dará um alívio de R$ 304 milhões nas contas da estatal. Ou seja, o reajuste dos dois produtos vai gerar receitas extras de R$ 513 milhões para a empresa.

Os novos patamares de preços internos vão colocar novamente a gasolina e o diesel com valores superiores aos do mercado internacional.

No caso da gasolina, a defasagem de 3%, verificada na semana passada, passa a ser positiva em 2,9% a partir de agora. Já o diesel, que tinha ganho de 11,7% na vantagem dos preços internos em relação aos externos, sobe esse percentual para 16,2%.

Esses novos percentuais, com o câmbio nos patamares atuais, vão gerar uma margem positiva sobre os preços internacionais de R$ 1,2 bilhão para a Petrobras.

Esse aumento de preços nos combustíveis poderá ser um caminho aberto para o reajuste da Cide (o imposto dos combustíveis).

Até então, um aumento da Cide -que não traz vantagens à estatal- dificultaria essa elevação de preços atual, que injeta recursos no caixa da estatal. (Folha de São Paulo 01/10/2015)

 

Wilmar vai receber mais 1,2 milhão de toneladas de açúcar em NY

Relatório extra oficial divulgado hoje indica que a expiração do contrato de açúcar bruto com vencimento em outubro na bolsa de Nova York resultou na entrega de 1,2 milhão de toneladas da commodity. Todo o volume será recebido pela trading asiática Wilmar International. Esse é o terceiro vencimento consecutivo de tela em Nova York que tem como único recebedor essa trading. Somando-se a expiração desse contrato de outubro, com a de maio e junho, nas quais a Wilmar também ficou com a totalidade, o volume total recebido pela asiática este ano alcançou 3,6 milhões de toneladas da commodity.

Segundo especialistas, trata-se de um volume dentro das expectativas de mercado. Todo o açúcar do vencimento do contrato de outubro será entregue pelo Brasil, pelas tradings Alvean, Bunge, Noble e Louis Dreyfus Commodities.

Conforme a analista da trading inglesa Czarnikow, Ana Carolina Ferraz, o sinal com a expiração do contrato de outubro foi positivo, uma vez que coincidiu com o anúncio do aumento da gasolina de 6% na refinaria da Petrobras, no Brasil.

“A safra 2015/16 começa em um tom mais construtivo, com estimativa de inflexão de uma temporada de superávit global para déficit e com essa tendência de enxugamento de oferta no Brasil, dado o incentivo para as usinas maximizarem a produção de etanol”, afirmou o responsável pela área de trading da Czarnikow, Diego Dourado.

Hoje, o contrato de outubro na bolsa de Nova York fechou em 12,17 centavos de dólar por libra-peso, alta de 41 pontos. (Valor Econômico 30/09/2015 às 18h: 21m)

 

EUA: Processo contra Monsanto por herbicida que teria causado câncer

Um trabalhador rural e um assistente de horticultura processaram a Monsanto nos Estados Unidos alegando que o herbicida Roundup teria causado câncer e que a empresa intencionalmente enganou público e reguladores sobre os perigos do produto.

As ações judiciais ocorrem seis meses depois de a unidade de pesquisas sobre câncer da Organização Mundial da Saúde dizer que o glifosato, ingrediente presente no herbicida Roundup e em outros, como "provavelmente cancerígenos para humanos".

Um dos processos, apresentado no Tribunal Distrital de Los Angeles em 22 de setembro, cita como demandante Enrique Rubio, 58 anos, ex-trabalhador rural na Califórnia, Texas e Oregon, que trabalhou durante anos em campos de pepinos, cebolas e outros cultivos de vegetais.

Robin Greenwald, uma das advogadas do caso de Rubio, disse nesta terça-feira esperar que mais processos ocorram, porque o Roundup é o herbicida mais amplamente utilizado no mundo e a classificação de câncer da OMS dá credenciais para as já antigas preocupações sobre o produto químico.

A porta-voz da Monsanto, Charla Lord, disse que as alegações não têm mérito e que o glifosato é seguro para humanos quando usado como recomendado.

"Décadas de experiências dentro da agricultura e resenhas regulatórias utilizando as mais extensivas bases de dados do mundo todo sobre saúde humana da história compiladas em um produto agrícola contradizem as alegações do processo que serão vigorosamente refutadas". (Reuters 29/09/2015)

 

Suíça diz ter achado contas secretas de Eduardo Cunha

Recursos atribuídos a presidente da Câmara e parentes foram bloqueados, e inquérito, remetido para Brasília. Acusado por delatores da Lava Jato, deputado é alvo de investigação por suspeita de corrupção desde abril.

Autoridades da Suíça enviaram para o Brasil dados de contas secretas atribuídas ao presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e seus familiares naquele país. O volume de recursos encontrado –que é mantido em sigilo– foi bloqueado pelas autoridades.

O peemedebista tornou-se alvo de um inquérito aberto pelo Ministério Público suíço, em abril deste ano, por suspeita de corrupção e lavagem de dinheiro, conforme antecipou a Folha nesta quarta (30). O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, informou que pretende dar continuidade à investigação iniciada pela Suíça.

O fio da meada que levou a registros bancários de Cunha na Suíça foi o rastreamento de recursos que circularam por contas do lobista João Augusto Henriques. Ligado ao PMDB e preso pela Operação Lava Jato em 21 de setembro, ele admitiu ter depositado dinheiro numa conta que tinha Cunha como beneficiário.

Henriques disse à Polícia Federal que não sabia que a conta era do deputado. Ele afirmou que só soube que Cunha era o favorecido mais tarde, quando confrontado pelas autoridades suíças. Em depoimento à PF, ele não citou o valor nem a data em que teria feito o depósito.

O pagamento, segundo o lobista, era referente a uma comissão para o economista Felipe Diniz, filho do deputado federal Fernando Diniz (PMDB-MG), morto em 2009. Diniz teria direito aos recursos por ter ajudado no negócio que levou à aquisição, pela Petrobras, de campo de exploração em Benin, na África.

A Procuradoria-Geral da República acusa Cunha de receber propina do esquema de corrupção descoberto na Petrobras, mas a denúncia ainda não foi aceita pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

Ele foi citado por dois delatores da Lava Jato –os lobistas Julio Camargo e Fernando Soares, o Baiano– como destinatário de US$ 5 milhões que teriam sido pagos para garantir contratos de navios-sondas da Petrobras.

Segundo a Procuradoria, a transferência da investigação criminal da Suíça para o Brasil foi acertada pelos governos dos dois países. As autoridades suíças renunciaram à jurisdição para investigar Cunha, que é brasileiro nato, para que o inquérito prossiga em seu país. (Folha de São Paulo 01/10/2015)

 

Documentos apontam ‘compra’ de medida provisória no governo Lula

Documentos obtidos pelo O Estado de S.Paulo indicam que medida provisória editada em 2009 pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva teria sido ‘comprada’ por meio de esquema de lobby e corrupção para favorecer montadoras, revelam Andreza Matais e Fábio Fabrini.

Empresas do setor – Mitsubishi, Ford, Hyundai e Subaru – são acusadas de negociar pagamentos de até R$ 36 milhões a lobistas para conseguir do Executivo um ato normativo que prorrogasse incentivos fiscais de R$ 1,3 bilhão por ano.

Mensagens de envolvidos no negócio citam oferta de propina a agentes públicos, sem falar em nomes, para viabilizar a MP 471, que ampliou de 2011 até 2015 a política de descontos de IPI de carros produzidos nas Regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

Uma delas, de 15 de outubro de 2010, diz que um dos envolvidos pactuou a entrega de R$ 4 milhões a “pessoa do governo, PT”, mas faltou com o compromisso. Para ser publicado, o texto passou pela então ministra da Casa Civil Dilma Rousseff. Anotações de um envolvido descrevem reunião com o então ministro Gilberto Carvalho para tratar da MP quatro dias antes de ser editada.

Firma de filho de Lula recebeu de consultoria

Empresa de Luís Cláudio Lula da Silva, filho do ex-presidente Lula, recebeu pagamentos de uma das consultorias suspeitas de atuar pela MP 471, que estendeu benefícios a montadoras. A Marcondes & Mautoni Empreendimentos fez R$ 2,4 milhões em repasses à LFT Marketing Esportivo, aberta em março de 2011 por Luís Cláudio.

Luis Cláudio confirma os pagamentos. Em nota, informou que a LFT prestou serviços em marketing esportivo. (O Estado de São Paulo 01/10/2015)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Alta expressiva: A alta inesperada da gasolina, a queda do dólar e o vencimento do contrato para outubro impulsionaram os preços do açúcar demerara ontem na bolsa de Nova York. Os lotes para março de 2016 avançaram 42 pontos, para 12,88 centavos de dólar a libra-peso. Ainda que a elevação de 6% da gasolina na refinaria promovida na virada da noite de terça para quarta-feira pela Petrobras possa ter baixo impacto no preço do etanol, a surpresa foi suficiente para motivar a alta. Quanto ao vencimento do contrato de outubro, foram entregues 23 mil lotes equivalentes a 1,2 milhão de toneladas à trading asiática Wilmar International de açúcar brasileiro. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo subiu 0,09%, para R$ 54,42 a saca de 50 quilos.

Cacau: Novo ciclo: Chuvas no oeste da África, às vésperas do início da colheita da nova safra, aumentaram a pressão sobre os preços do cacau na bolsa de Nova York ontem. Os contratos da amêndoa para março de 2016 caíram US$ 68, a US$ 3.117 por tonelada, foi a quinta sessão seguida de baixa. Oficialmente, a safra 2015/16 começa hoje, e a perspectiva é que a produção na África Ocidental sofrerá uma pequena redução, ditada por um possível resultado menor na Costa do Marfim. Na safra recém encerrada, de 2014/15, a colheita da região somou 2,978 milhões de toneladas, de acordo com cálculo do Ecobank, queda de 7% ante o ciclo anterior, mas o terceiro maior volume da história. Em Itabuna e Ilhéus, o preço médio continuou em R$ 147 a arroba, conforme a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Soja: Influência dos estoques: Os preços da soja subiram ontem pela segunda sessão consecutiva na bolsa de Chicago, embalados por estoques menores que o esperado nos EUA. Os lotes para janeiro fecharam em alta de 6,50 centavos, a US$ 8,94 por bushel. Ontem, o Departamento de Agricultura americano (USDA) indicou que estavam estocados no país 5,2 milhões de toneladas de soja em 1º de setembro, o maior volume em quatro anos. Porém, o número ficou abaixo das apostas mais pessimistas dos analistas, de 5,79 milhões de toneladas. O USDA também cortou em 1,1 milhão de toneladas a previsão para a produção da oleaginosa na safra 2014/15 (já encerrada), a 106,87 milhões de toneladas. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para a saca no Paraná ficou em R$ 78,86, com queda de 1,25%.

Trigo: Decepção com oferta: Os números do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) para os estoques e a colheita de trigo no país impulsionaram o trigo nas bolsas americanas ontem. Em Chicago, os lotes para março de 2016 avançaram 8,25 centavos, a US$ 5,195 o bushel. Em Kansas, onde se oferta o trigo de melhor qualidade, os papéis com igual prazo de entrega subiram 6,75 centavos, a US$ 5,1625 o bushel. Segundo o USDA, havia 56,85 milhões de toneladas em estoque no país em 1º de setembro, aquém do esperado. A safra de 2014/15 foi reduzida para 55,85 milhões de toneladas, com 22,5 milhões de toneladas de trigo para panificação. Segundo Terry Reilly, da Futures International, os dados deram "um pouco de apoio" aos preços. No Paraná, o preço médio caiu 0,11%, para R$ 35,63 a saca, segundo o Deral/Seab. (Valor Econômico 01/10/2015)