Setor sucroenergético

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Esta é uma boa hora para investir em etanol, diz BTG Pactual

Para o banco BTG Pactual está na hora de olhar para dois setores sempre rejeitados pelos investidores: etanol e açúcar.

"Nós reiteramos nossa visão que vem desde o começo do ano: o ciclo está se aproximando de um ponto de virada e tanto as ações de etanol quanto açúcar têm as melhores perspectivas de preços", diz um relatório publicado pelo banco no último domingo (04).

Para os analistas que assinam o relatório, Thiago Duarte e Jose Luis Rizzardo, três ações do setor representam um ótimo investimento: Cosan (preço alvo 31 reais), São Martinho (preço alvo 55 reais) e Adecoagro (preço alvo 12 dólares), listada na bolsa de Nova York (NYSE).

Etanol

Segundo os analistas, a demanda por etanol aumentou 22% nos últimos 8 meses, liderada pela procura do etanol hidratado, que acumula uma alta de 41% no período.

"Consumidores estão respondendo rapidamente ao melhor custo do etanol em comparação com a gasolina em vários estados brasileiros", afirmam os analistas.

Apesar da alta na procura, os preços ainda não subiram em conformidade porque os estoques permaneceram bem elevados durante toda a temporada entressafra e só agora começam a normalizar.

"Nossa visão é que não haverá produção suficiente de etanol com a alta procura e nós calculamos que os preços vão subir (em dois dígitos) antes do fim da safra. E se nós acertarmos o fato de que o governo vai aumentar o CIDE sobre a gasolina, então os preços da perspectiva a médio prazo podem ficar ainda melhores", afirmam os analistas.

Açúcar

O Brasil é o formador de preço tanto no mercado de etanol quanto no de açúcar. Para o BTG, o preço de um afeta, no médio prazo, o abastecimento do outro, já que ambos são derivados da cana de açúcar.

"No caso do açúcar a queda do mercado está prestes a acabar. A produção global deaçúcar deve, em breve, deixar de atender a demanda, gerando déficit já em 2016 e um maior em 2017. Então, qualquer tendência ascendente nos preços do etanol deverá desencadear rapidamente um aumento dos preços do açúcar", explica o banco. (Exame.com 06/10/2015)

 

Dados da Safra

Açúcar: A safra 2014/15 caminha para o final e, pelo quinto ano consecutivo, haverá um superávit da produção em relação à demanda, agora de 3,7 milhões de toneladas. As estimativas são do Rabobank, banco especializado em agronegócio.

2015/16: Os fundamentos dessa safra pararam de deteriorar, segundo o banco. Queda de produção nos líderes e áreas menores de plantio na China e na União Europeia devem auxiliar na ocorrência do primeiro deficit entre oferta e demanda.

Brasil: O país, líder mundial, deverá ter produção de 31,5 milhões de toneladas, 1,5% menos do que na safra 2014/15, segundo estimativas do Rabobank.

Índia: Com produção logo abaixo da brasileira, os indianos vão obter uma safra de 28,3 milhões de toneladas, com recuo de 6%. Já a produção europeia cai 20%. (Folha de São Paulo 06/10/2015)

 

Açúcar: Etanol mais atrativo

Os futuros do açúcar ganharam fôlego ontem na bolsa de Nova York, ainda sustentados pelos fundamentos e por fatores macroeconômicos.

Os contratos do açúcar demerara para entrega em maio de 2016 subiram 12 pontos, a 13,45 centavos de dólar a libra-peso.

Nos últimos cinco pregões, com altas consecutivas, os preços acumularam valorização de 134 pontos.

O aumento da competitividade do etanol no Brasil tem reduzido as previsões para a produção de açúcar até o fim da safra 2015/16 e reforçado as expectativas de déficit global de oferta.

A nova queda do dólar em relação ao real ocorrida ontem também colaborou para impulsionar as cotações.

No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo subiu 1,65%, para R$ 57,14 a saca de 50 quilos. (Valor Econômico 06/10/2015)

 

El Niño pode fazer Rabobank elevar projeção de déficit para açúcar

O banco holandês Rabobank avaliou em relatório divulgado hoje que o déficit global de açúcar para 2015/16, estimado pela instituição em 4,8 milhões de toneladas, pode ser revisado para cima a depender da intensidade da incidência do fenômeno El Niño.

Neste momento, conforme a instituição, o clima vem exercendo uma pressão altista para as cotações, na medida que os canaviais no Brasil estão sendo afetados pelo clima chuvoso e as áreas de cana da Índia e da Tailândia, pela seca.

Do lado das influências de baixa, o Rabobank menciona em relatório a proposta do governo indiano de estabelecer uma cota de exportação de 4 milhões de toneladas, cujos detalhes ainda não são conhecidos e que podem pesar no mercado.

Ainda, conforme o Rabobank, apesar de o déficit projetado para 2015/16 parecer modesto em comparação com os estoques de 22 milhões acumulados nos últimos cinco anos de superávit, esse cenário de produção menor que o consumo tende a por um fim no longo período de sobra de açúcar no mundo, assim como na tendência de baixa das cotações que vigora desde 2011. (Valor Econômico 05/10/2015 às 17h: 06m)

 

Preços do etanol deverão subir mais nos postos do país

A pesquisa de preços de combustíveis apresentada ontem pela Agência Nacional de Petróleo (ANP) ainda não refletiu a realidade do mercado no país após o reajuste de 6% da gasolina anunciado na última quarta-feira pela Petrobras. Em linhas gerais, a gasolina e o etanol ficaram de 4 centavos a 6 centavos de real por litro mais caros ao consumidor final entre os dias 27 de outubro e 3 de novembro na comparação com a semana anterior. No entanto, o mercado estima que o "real" reajuste deve chegar nas próximas semanas e superar 15 centavos.

"O mercado, num primeiro momento, fica tumultuado. O varejo e as distribuidoras ainda têm estoques com preço antigo. Entre os postos de combustíveis, ninguém quer ser o primeiro a repassar para não perder market share. Leva um tempo para o mercado se estabilizar", explicou ao Valor o diretor da comercializadora de etanol Bioagência, Tarcilo Rodrigues.

O potencial é de o preço médio do litro da gasolina nos postos do Estado de São Paulo, referência no mercado nacional, ir nas próximas semanas a uma faixa de R$ 3,20 a R$ 3,30, ante os R$ 3,13 atuais, não só devido ao reajuste na refinaria, mas também pela forte valorização em curso do etanol anidro, que é misturado à gasolina na proporção de 27%. Na usina em São Paulo, os preços desse biocombustível subiram na última semana 9,8%, ou 14 centavos de real, para R$ 1,5765 o litro, de acordo com referência do indicador semanal Cepea/Esalq. Em quatro semanas, a valorização acumulada alcançou 14,5%, ou 20 centavos.

O etanol hidratado, que é usado diretamente no tanque dos veículos e é concorrente direto da gasolina C no mercado de carros flex, também tem potencial de se valorizar ainda mais nos postos, disse Rodrigues. Em São Paulo, maior Estado consumidor de combustíveis do país, o litro médio do biocombustível nos postos foi vendido na última semana, conforme a ANP, a R$ 2,004. O potencial, na visão de Rodrigues, é de esse valor saltar para uma faixa entre R$ 2,10 e R$ 2,20.

Além do efeito do reajuste da gasolina, de 6 centavos de real por litro, o hidratado também tem influência de seus próprios fundamentos, tais como a ocorrência de chuvas nas áreas produtoras e a proximidade da entressafra. Esses dois fatores, combinados, vêm provocando uma guinada nos preços na usina em São Paulo desde a primeira semana de setembro. Entre os dias 28 de setembro e 2 de outubro, o indicador para o produto subiu 12,3%, para R$ 1,46 o litro, alta, em termos absolutos, de 16 centavos de real por litro. Em quatro semanas, a alta acumulada é de 16%, ou 20 centavos por litro.

Na última semana, o preço médio do litro da gasolina C subiu em relação à semana anterior em 15 Estados, sendo que as maiores valorizações foram observadas em São Paulo (0,96%) e em Santa Catarina (1,07%). Já os preços do etanol hidratado subiram nos postos de combustíveis de 12 Estados, sendo que em Minas Gerais foi registrada a maior alta (2,44%).

Por ora, com a pouca alteração nos preços da gasolina C e do hidratado, a relação entre os preços dos dois produtos ficou praticamente estável nos Estados onde o etanol já é mais vantajoso, isso ocorre, conforme parâmetro mais aceito pelo mercado, quando o preço do hidratado equivale a menos de 70% do da gasolina. Em São Paulo, essa paridade ficou em 63,9%, no Paraná, 66,9% e, em Minas, 64,2%. (Valor Econômico 06/10/2015)

 

Etanol hidratado nas usinas de SP tem maior alta semanal em 5 anos

O preço médio do etanol hidratado nas usinas do Estado de São Paulo teve a maior alta semanal em cinco anos e meio na semana passada, impulsionado pelo aumento do preço da gasolina e por chuvas que prejudicaram a moagem de cana em algumas áreas, informou nesta segunda-feira o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

Entre 28 de setembro e 2 de outubro, o Indicador Cepea/Esalq do hidratado subiu 12,3 por cento em relação à semana anterior, indo para 1,4600 real/litro (sem impostos).

O indicador do anidro foi para 1,5765 real/litro, alta de 10,2 por cento na semana, a maior em quatro anos e meio.

Com a alta da gasolina, de 6 por cento nas refinarias da Petrobras, anunciada na semana passada, o etanol hidratado ganhou espaço para subir, é vantagem para o motorista abastecer com o biocombustível se o valor na bomba for de até 70 por cento do preço da gasolina.

Com a alta da gasolina e as interrupções de colheita pelas chuvas, compradores se apressaram em adquirir o combustível antes que se valorizasse ainda mais, disse o órgão da USP.

Conforme levantamentos do Cepea, o volume de negócios de hidratado captado no mercado "spot" foi o quarto maior já registrado pelo Cepea em uma semana desde 2002.

Na avaliação de alguns agentes do mercado, a expressiva valorização da última semana representa uma recuperação dos preços.

"Isso porque a atual temporada tem sido caracterizada por ritmo de negócios mais acelerado em função da necessidade de venda e de capitalização de algumas usinas", disse o centro, comentando as consequências das dificuldades financeiras do setor.

Na média da parcial da safra 2015/16 (abril/setembro), porém, o hidratado no Estado de São Paulo (considerando-se os indicadores mensais) acumula baixa real de 6,1 por cento e o anidro, de 8,2 por cento, em relação à média do mesmo período da temporada anterior (valores deflacionados pelo IGP-M de setembro). (Reuters 05/10/2015)

 

Chuva atrasa colheita e prejudica produtividade da cana em São Paulo

Umidade nas lavouras pode reduzir a quantidade do ATR dos canaviais.

A chuva das últimas semanas atrasou a colheita da cana-de-açúcar no interior de São Paulo. O excesso de umidade também pode reduzir a quantidade do açúcar total recuperado (ATR), dos canaviais e prejudicar a rentabilidade da cultura.

No setor sucroalcooleiro, o valor pago aos produtores leva em conta o ATR, e quanto menor for a quantidade, mais baixa vai ser a rentabilidade.

Os três meses de pico de ATR são junho, julho e agosto. Neles nós encontramos maiores índices na cana. Quando essa chuva se antecipa um pouco, como foi esse ano, acaba prejudicando tanto a colheita como a maturação da cana, que volta a vegetar, perdendo assim um pouco de qualidade do produto na indústria, explica o engenheiro agrônomo, Pedro Carvalho Wiezel.

Em 2014, o produtor José Eduardo de Mello recebeu R$ 53 por tonelada de cana. Este ano, ele acredita que este valor pode reduzir em 10%. Já o custo de produção nesta safra teve aumento de 20% em relação ao ciclo anterior.

A gente trabalha com um futuro incerto. A única coisa certa é que o etanol vai continuar sendo consumido pelas pessoas e nós não temos uma definição do que vai ser o próximo ano, esta cada vez mais difícil tocar o setor, lamenta o produtor.

Entre os itens que mais subiram estão os fertilizantes, sustentados pela alta do dólar. O custo de produção com os tratos culturais nas lavouras chega a R$ 1.500 por hectare.

Atualmente procuramos técnicas diferentes, como adubo orgânico, para suprir a necessidade de nutrientes da planta. Nessa situação a gente tenta manter a produção com o custo mais baixo. Partimos para uma técnica de meiose no plantio do canavial para reduzir mão de obra e melhorar a qualidade da muda que nós estamos plantando, conclui o agrônomo. (Cana Rural 05/10/2015 às 16h: 48m)

 

Austrália eleva cota de exportação de açúcar para EUA sob Parceria Transpacífico

A Austrália receberá uma cota adicional de 65 mil toneladas anuais para exportar açúcar para os Estados Unidos sob o Acordo Transpacífico fechado nesta segunda-feira, disse uma autoridade australiana com conhecimento das negociações.

O volume soma-se às 87,4 mil toneladas já destinadas à Austrália sob o regime de tarifas vigente para o ano comercial que começou em 1º de outubro.

A Austrália poderá enviar 400 mil toneladas de açúcar para os Estados Unidos anualmente até 2019, no cenário mais otimista, disse a fonte.

Sob os termos do acordo, a Austrália também receberá 23 por cento da cota arbitrária, que é baseada na demanda norte-americana sob o regime de tarifas, disse a autoridade. O percentual compara-se aos atuais 8 por cento. (Reuters 05/10/2015)

 

Estrangeiro já aposta na reestruturação de dívida de companhias brasileiras

Os preços dos bônus de empresas ligadas ao governo, bancos, siderúrgicas, mineradoras e envolvidas na Lava Jato estão operando em níveis considerados ‘estressados’ no mercado, sinal de que o humor do investidor em relação a elas mudou

Os investidores estrangeiros que compram bônus de companhias brasileiras emitidos no exterior já veem a possibilidade de uma grande parte delas reestruturarem as suas dívidas. A sensação está explícita nos preços de vários desses títulos, que operaram cotados entre 50% e 70% do valor de face, níveis considerados estressados. Nesse grupo estão empresas ligadas ao governo, bancos, do setor de aço e minério de ferro e relacionadas às investigações da Operação Lava Jato.

Odebrecht

A Odebrecht Oil & Gas deve fechar nesta semana a contratação de um assessor financeiro para estudar como resolver a quebra de uma das cláusulas do contrato dos bônus com vencimento em 2022, que têm como garantia navios-sonda afretados, entre os quais o ODN Tay IV, cujo contrato foi cancelado pela Petrobrás no fim de setembro. A empresa tem 90 dias para reverter a situação e evitar um default nos bônus, que provocariam o resgate antecipado de outras dívidas.

A Odebrecht pode substituir o contrato por um novo ou renegociar essa cláusula. A segunda opção é a mais viável, segundo profissionais do mercado. A Odebrecht tem US$ 2,1 bilhões em bônus com vencimento em 2022, sendo US$ 1,5 bilhão pagando cupom de 6,75% e US$ 580 milhões com cupom de 6,625%.

Por meio de sua assessoria de imprensa, a Odebrecht Óleo e Gás informou que está em processo de contratação de um instituição financeira para acompanhamento e aconselhamento. “As ações que serão tomadas em função do cancelamento (do contrato pela Petrobrás) ainda estão em estudo”, diz a nota. 

A agência de classificação de risco Standard & Poor's rebaixou na semana passada os ratings da Odebrecht Oil & Gas, em função da menor expectativa de distribuição de dividendos vindos de suas subsidiárias operacionais, por causa do cancelamento do contrato pela Petrobrás. (O Estado de São Paulo 06/10/2015)

 

Crise é hora de mostrar soluções, diz presidente da John Deere

É exatamente no momento em que as pessoas passam por dificuldades que devem ser apresentadas soluções para os problemas delas.

Com essa visão, Paulo Herrmann, presidente da John Deere Brasil, justifica os recentes investimentos da empresa em fábricas de material de construção, linha de tratores de alta potência, aquisição de empresas de tecnologia e, nesta terça-feira (6), a inauguração de um centro de treinamento de pessoal e de distribuição de peças.

"Estamos vivendo um momento importante no país, o que gera reflexos na política e incertezas nos rumos da economia."

A visão de futuro e planejamento, no entanto, nos permite atravessar oscilações de mercado, afirma o executivo.

Para o presidente da John Deere, o agronegócio tem fundamentos alinhados e a agricultura brasileira vai continuar competitiva.

Alguns desafios se apresentam, no entanto, tanto para produtores como para empresas ligadas ao setor.

Herrmann diz que, dominadas as técnicas de plantio direto e da safrinha, o país caminha agora para uma nova fase: a da integração entre lavoura, pecuária e floresta.

O produtor pode aumentar produtividade e renda com otimização dos seus ativos e não tem a necessidade de uma expansão de áreas.

Mas ele terá nas mãos uma complexidade de coisas para gerir, principalmente com a adoção de novas tecnologias e a diversidade de culturas.

A tecnologia da semente caminha para o plantio de uma por vez; as moléculas estão evoluindo; o mapeamento do solo permite colocar adubo apenas onde é necessário; as máquinas são gerenciadas por computadores e por satélites; e, finalmente, a agricultura de precisão está cada vez mais presente nas lavouras do produtor.

Isso significa que a administração de todos esses elementos no campo exige uma complexidade de gestão.

Além disso, o produtor deverá ter um melhor fluxo de caixa porque vai haver entradas e saídas ao longo do ano.

Essa complexidade vai exigir também um sistema de crédito rotativo, uma modernização no manejo de ações trabalhistas, inclusive com a criação de bancos de hora.

Em resumo, diz Herrmann, o produtor deverá introduzir conceitos de gestão de qualidade total, sendo eficiente nas tarefas do campo e ter menos improvisos.

VISÃO DE SISTEMA

Esse sistema de agricultura que está chegando vai exigir também uma qualificação maior dos trabalhadores para que sejam multifuncionais. Ou seja, que façam desde o trabalho de aplicar defensivos na lavoura como o de "marcar" gado e fazer uma poda de eucalipto.

Mas o desafio não é apenas dos produtores. Os técnicos e os agrônomos que estão sendo formados tem de ter uma visão de sistema, e não apenas de produtos.

As empresas também terão desafios nesse novo contexto da agropecuária.

"Os agricultores estão nos chamando para a implantação de um sistema complexo. Precisamos entender de muitas coisas que interagem de maneira simultânea", afirma Herrmann.

As máquinas já estão preparadas para esse novo sistema, mas teremos de trabalhar nos múltiplos, diz o presidente da John Deere.

A monocultura, por exemplo, é um conceito de escala. "Quando trabalho escala, quero largura, velocidade das máquinas e não quero árvores", diz ele.

Esse conceito tem aplicação em áreas do Brasil, mas para o futuro esse modelo de negócio não deverá prevalecer porque o país terá dificuldades em abrir novas áreas.

O que vai prevalecer não será mais o modelo mono-cultural, mas o multicultural combinado, acrescenta Herrmann.

As empresas, independentemente da área em que atuam, terão de implementar programas para que o agricultor possa receber todo o conhecimento disponível no mercado e utilizar toda a tecnologia relativa às inovações.

Empresas de pesquisa e indústrias devem fazer o conhecimento chegar mais rapidamente ao produtor, segundo Herrmann.

O produtor vai plantar menos, mas terá mais receitas por unidade de área. Ele terá de olhar o valor agregado e a intensificação de tecnologia. "E parar de chorar porque não tem milhares de hectares de terra", acrescenta o presidente da multinacional no Brasil. Folha de São Paulo 06/10/2015)

 

Após clima, cenário econômico mundial deve impactar mercado de commodities

Do El Niño à desaceleração da China, consultoria INTL FCStone analisa impactos para o mercado nos próximos meses.

A desaceleração da China tem se mostrado mais intensa do que inicialmente se esperava, colocando pressão baixista sobre as commodities. A redução da demanda do gigante asiático tem impactado negativamente as moedas de países emergentes, que exportam para a localidade. É o caso do Brasil, onde a taxa de câmbio chegou a R$ 4,00, com a alta potencializada pela crise política e econômica.

Segundo avalia a coordenadora de inteligência de mercado da INTL FCStone, Lígia Heise, o cenário de alta para o dólar pode se intensificar caso os Estados Unidos decidam subir sua taxa de juros de referência este ano. Por outro lado, ponderando sobre um possível adiamento da primeira alta dos juros para o próximo ano, a influência externa para a taxa de câmbio brasileira seria mais neutra nos meses que seguem.

Com relação ao ambiente doméstico, as perspectivas pessimistas para o cenário político e econômico sugerem que o real poderá continuar perdendo valor neste último trimestre, embora de maneira mais moderada, salvo situação de piora expressiva do cenário político.

“O dólar mais alto e a crise têm mexido com a vida dos produtores brasileiros. O aumento dos custos de produção e o encarecimento do crédito foram compensados em maior ou menor grau a depender da cultura”, disse a INTL FCStone em relatório. No Brasil, a desvalorização cambial e o aumento dos custos logísticos nos portos elevam os preços dos fertilizantes em reais, enquanto a dificuldade de acesso ao crédito rural reduz a demanda dos agricultores.

Os produtores de grãos têm sido os mais favorecidos pela desvalorização cambial, que deu suporte ao preço recebido em suas praças no mercado doméstico. Muitas usinas de cana, por outro lado, estão vendo sua dívida crescer a taxas superiores a sua receita, o que agrava a crise do setor.

Clima

No terceiro semestre deste ano, a INTL FCStone havia apontado o clima como principal influenciador do mercado de commodities. No entanto, o efeito do El Niño sobre algumas culturas (como soja e milho) tem sido limitado. “Nos Estados Unidos, o fenômeno se intensificou depois que as lavouras da oleaginosa e do cereal já tinham passado pela fase crítica de desenvolvimento, poupando as plantas”, lembra a analista da consultoria, Ana Luiza Lodi.

O mercado de açúcar tem sofrido mais, com chuvas acima da média no Brasil, e seca em players importantes da Ásia. Ainda assim, mesmo em safras mais impactadas pelo fenômeno climático, os fundamentos de oferta das commodities são em linhas gerais confortáveis, com amplos estoques dificultando altas expressivas dos preços. (INTL FCStone 05/10/2015)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Etanol mais atrativo: Os futuros do açúcar ganharam fôlego ontem na bolsa de Nova York, ainda sustentados pelos fundamentos e por fatores macroeconômicos. Os contratos do açúcar demerara para entrega em maio de 2016 subiram 12 pontos, a 13,45 centavos de dólar a libra-peso. Nos últimos cinco pregões, com altas consecutivas, os preços acumularam valorização de 134 pontos. O aumento da competitividade do etanol no Brasil tem reduzido as previsões para a produção de açúcar até o fim da safra 2015/16 e reforçado as expectativas de déficit global de oferta. A nova queda do dólar em relação ao real ocorrida ontem também colaborou para impulsionar as cotações. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo subiu 1,65%, para R$ 57,14 a saca de 50 quilos.

Café: Avanço em NY: Os preços do café tiveram forte alta na bolsa de Nova York ontem refletindo a queda do dólar ante o real e compras técnicas, em meio à falta de interesse vendedor dos brasileiros. Os contratos do arábica para março subiram 335 pontos, a US$ 1,307 a libra-peso. Têm circulado entre os investidores apostas para a safra 2016/17 no Brasil que vão de 56 milhões a 60 milhões de sacas, segundo Rodrigo Costa, do Société Générale. Ele ressalta, porém, que a florada aberta em setembro precisa de chuvas regulares, e as previsões não mostram esse cenário para o início do mês. Diante da incerteza quanto à safra, os produtores se retraem nas vendas e os compradores recorrem aos estoques, afirma Costa. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o arábica subiu 1,19%, para R$ 487,84 a saca.

Algodão: Embaixo d'água: As chuvas torrenciais que afetam a costa leste dos EUA atrapalham a colheita de algodão, o que impulsionou as cotações da pluma na bolsa de Nova York. Os lotes para dezembro subiram 173 pontos, a 61,87 centavos de dólar a libra­peso. As chuvas são provocadas pelo furacão Joaquín, que alcançou a Carolina do Norte e a Carolina do Sul. Segundo o Zaner Group, "as pesadas chuvas e inundações no fim de semana podem prejudicar a safra regional". Porém, "estimativas são de que apenas 2% da lavoura será perdida", segundo a Price Futures Group. Após o fechamento da sessão, o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) informou que a colheita alcançou 16% da área, atraso de 2 pontos ante a média. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a pluma com pagamento em oito dias caiu 0,05%, a R$ 2,3644 a libra-peso.

Milho: EUA em foco: As cotações do milho subiram na esteira dos demais grãos na bolsa de Chicago, em meio a incertezas com a safra dos Estados Unidos e sob impulso dos demais mercados globais. Os contratos para março de 2016 avançaram 4,25 centavos, para US$ 4,0375 o bushel. Os traders já buscam se posicionar antes do relatório do Departamento de Agricultura do país (USDA). As consultorias Informa Economics e FCStone elevaram suas estimativas para o rendimento nos EUA, mas os relatos dos produtores mantêm muitos traders cautelosos. O USDA informou que a colheita atrasou mais na última semana e chegou a 27% da área plantada no domingo, 5 pontos percentuais atrás da média. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa subiram 0,21%, para R$ 33,43 a saca. (Valor Econômico 06/10/2015)