Setor sucroenergético

Notícias

Vai ter rabanada no Natal de Dilma Rousseff

O Natal de Dilma Rousseff deverá surpreender a ela própria. Graças a uma imprevista combinação de fatos, alguns criados pelo próprio governo e outros surgidos praticamente por combustão espontânea, a presidente deverá tirar uma folga da crise que a vem afogando desde o início do segundo mandato.

No território político, o acordão com o PMDB e a consequente abdução do Congresso, por mais que não se saiba ao certo quem capturou quem, aumentaram suas chances de sobrevivência. Na noite da última quinta-feira, enquanto Dilma dava a definitiva demão de tinta na reforma ministerial, um cada vez mais fragilizado Eduardo Cunha, aliás, um raro "presente" de Sergio Moro para o Planalto, arquivava outros dois pedidos de impeachment.

O arresto do Legislativo se dá em um momento crucial também pela iminente reprovação das contas de Dilma em 2014. Se o troca-troca ministerial foi o “toma lá”, o governo espera que o Congresso e, em especial, a bancada do PMDB saibam retribuir com o “dá cá” ao apreciar o parecer do TCU. O mesmo se aplica à votação das medidas para o ajuste fiscal.

As propostas fundamentais para o re-ordenamento das contas públicas, como a CPMF, a repatriação de recursos e o adiamento do reajuste de servidores, dependem dos parlamentares. Para os brindes de fim de ano serem feitos antecipadamente, fica faltando só o encerramento do processo no TSE, previsto para esta terça-feira.

Há pontos de descompressão, digamos assim, involuntários, que passam ao largo de ações deliberadas do governo. Antes mesmo que o eventual desanuviamento do ambiente político se espraiasse pela economia, a crise engendrou seu próprio ajuste parcial. Quanto maior a crueldade do binômio desemprego/queda do salário real, maior a blindagem da inflação ao passthrough do câmbio. A própria disparada do câmbio foi mal que veio para o bem.

A balança comercial projeta superávits cada vez maiores, com o aumento das exportações e a substituição de importações. De quebra, o câmbio tem promovido uma arrumada dos estoques das empresas, principalmente na indústria. Previsões indicam aumento nas vendas natalinas do comércio de até 2% em relação a 2014, o que há pouco tempo não era esperado. O agrobusiness continua bombando.

E o desemprego, que deu um salto de cerca de um ponto percentual em um único mês, deve ser amainado pelo presente da maior absorção de mão de obra que Noel traz todos os anos para os trabalhadores. Ressalte-se que estes fatos somados trazem a expectativa de um alívio apenas para o curtíssimo prazo.

Os tijolos que Dilma Rousseff conseguiu juntar não permitem a construção de uma ponte muito longa. O Natal da presidente está salvo? Hoje é uma aposta razoável, não obstante a impressionante volatilidade que caracteriza o atual governo. Mas do Dia de Reis para a frente, tudo é incógnita.

A agenda para 2016 é sombria: todas as projeções para a economia dão o ano como perdido, a começar pela expectativa de uma queda do PIB de 1%, sobre uma redução prevista de 2,8% em 2015, aumento do déficit nominal, aumento da relação dívida bruta/PIB de 2,5%, expansão do desemprego, queda da renda e do salário real, mais impostos etc.

Mas mesmo nesse oxigenado interstício que vai de agora até o Natal, não se pode desprezar a notória capacidade de auto-sabotagem da própria presidente da República. Dilma está sempre pronta para colocar mais um bode na sala de cada brasileiro. Mesmo que seja no período de festas. (Jornal Relatório Reservado 06/10/2015)

 

Comissão vai discutir as perspectivas do setor sucroalcooleiro

A Comissão de Minas e Energia vai discutir em audiência pública nesta quarta-feira (7) a situação e as perspectivas do setor sucroalcooleiro no Brasil. O deputado Rodrigo de Castro (PSDB-MG), que solicitou o debate, argumentou que a indústria sucroenergética contribui decisivamente para a sustentabilidade, ambiental e econômica, de nossa matriz energética. Castro ressaltou que os produtos da cana-de-açúcar representam 16,3% da oferta interna de energia no Brasil.

“O etanol evita a queima de grande volume de combustíveis fósseis e, por conseguinte, a emissão de extraordinária quantidade de gases de efeito estufa. Também favorece o equilíbrio de nossas contas externas, pois diminui as necessidades de importação de gasolina. A bioeletricidade, por sua vez, propicia o aumento da segurança no suprimento do mercado brasileiro de energia elétrica. Segundo a Aneel, já dispomos de 10,4 gigawatts de capacidade instalada de geração de energia elétrica a partir do bagaço da cana, que muito ajudaram para evitar o racionamento do consumo no recente período de baixíssimos níveis dos reservatórios de nossas hidrelétricas”.

Apesar desses benefícios energéticos e ambientais, Castro reclama que o setor sucroalcooleiro tem passado por um período de graves dificuldades, decorrentes da ausência de uma política adequada, que permita a manutenção da produção em níveis satisfatórios. “Em razão desse quadro, assistimos, desolados, ao fechamento de inúmeras unidades de produção, e, consequentemente, de grandes números de postos de trabalho, com o agravamento dos problemas sociais que ainda persistem no Brasil”.

Foram convidados para o debate: Secretário de Estado da Agricultura e Abastecimento de São Paulo, Arnaldo Jardim; Diretor do Departamento de Combustíveis Renováveis do Ministério de Minas e Energia, Ricardo de Gusmão Dornelles; Presidente-executivo da Associação das Indústrias Sucroenergéticas de Minas Gerais (Siamig), Mário Ferreira Campos Filho; Diretora-presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Elizabeth Farina; Presidente da Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco, Alexandre Andrade Lima; Presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool no Estado de Alagoas (Sindaçúcar-AL), Pedro Robério de Melo Nogueira; Presidente do Fórum Nacional Sucroenergético, André Luiz Baptista Lins Rocha; e Presidente da Comissão Nacional de Cana de Açúcar da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Ênio Jaime Fernandes Junior.

A audiência pública está marcada para as 10 horas, no plenário 14. (Agência Câmara 06/10/2015)

 

Cana:Resultados do Protocolo Agroambiental após sete anos de implantação

A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, por meio do Instituto de Economia Agrícola – IEA/Apta, realizará nesta quarta-feira, 07 de outubro, a partir das 14 horas, a palestra: “Protocolo Agroambiental do Setor Sucroenergético Paulista: dados consolidados das safras 2007/08 a 2013/14”, ministrada por Carolina Roberta de Matos, mestre em Geoquímica e Meio Ambiente pela Universidade Federal da Bahia e Ecóloga pela Universidade Estadual Paulista “Julio de Mesquita Filho” (Unesp), especialista ambiental no Projeto Etanol Verde, da Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo e Rejane Cecília Ramos, engenheira agrônoma, pesquisadora científica do IEA. O evento faz parte do Ciclo de Seminários IEA e tem participação gratuita. Os interessados podem se inscrever no site: www.iea.sp.gov.br.

De acordo com a organização, o objetivo do evento é apresentar a evolução da performance das signatárias desde o início do Protocolo, em 2007. O Protocolo Agroambiental surgiu como um acordo pioneiro entre o governo do Estado de São Paulo, representado pelas Secretarias da Agricultura e Abastecimento (SAA) e do Meio Ambiente (SMA), e o Setor Sucroenergético, representado pela União da Indústria da Cana-de-açúcar (Unica) e pela Organização dos Plantadores de Cana da Região Centro-Sul do Brasil (Orplana), visando a criação de mecanismos para estimular e consolidar o desenvolvimento da produção sustentável de cana-de-açúcar no Estado. Por meio de suas diretivas, o Protocolo não se limitou a induzir a mecanização da colheita, mas representou a consolidação de uma nova estrutura produtiva, baseada na adoção de melhores práticas de sustentabilidade ambientais e sociais pelo setor produtivo.

Entre os resultados positivos observados com a implantação do Protocolo Ambiental, as pesquisadoras citam o aumento no número de colhedoras de 917 em 2007, para 2856 em 2013/14, o que representou acréscimo de mais de 310% em investimentos pelas usinas signatárias; a redução da queima da palha, o que resultou na não emissão de mais de 26,7 milhões de toneladas de poluentes e de 4,4 milhões de toneladas de gases de efeito estufa e o aumento de mais de três mil hectares de áreas ciliares entre as safras 2009/10 e 2013/14, assim como a redução do consumo de água no processamento industrial da cana de açúcar.

Arnaldo Jardim, secretário de Agricultura e Abastecimento, lembra que o estado de São Paulo foi pioneiro em pesquisas e desenvolvimento nesta área e detém uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo. “O governador Geraldo Alckmin reconhece a importância do apoio à produção canavieira e trabalha para implementar políticas públicas para ampliar a referência do etanol na matriz energética ”, destacou.

Serviço:

Protocolo Agroambiental do Setor Sucroenergético Paulista: dados consolidados das safras 2007/08 a 2013/14 

Data: 7 de outubro

Horário: 14 horas

Local: Auditório da Secretaria de Agricultura - Praça Ramos de Azevedo, 254, 4º andar - São Paulo. (Brasil Agro 06/10/2015)

 

TPP ameaça vendas de indústria e agronegócio

Produtores dos EUA, Canadá e Austrália estimam que vão ganhar importantes fatias no mercado agrícola da Parceria Transpacífico (TPP) em produtos de interesse do exportador brasileiro, como carnes, açúcar e soja. Enquanto os 12 países do acordo vão negociar entre eles com tarifas reduzidas, o Brasil e outros vão enfrentar alíquotas mais elevadas e provavelmente barreiras sanitárias para exportar para o futuro bloco de 800 milhões de consumidores.

Os EUA comemoram a eliminação de tarifas de importação que chegam a 40% sobre o frango americano, 35% sobre soja e 40% sobre frutas. Americanos, australianos e canadenses antecipam um potencial de vendas milionárias de carne bovina para o Japão e o Vietnã. Os japoneses vão baixar de 50% para 9% a tarifa sobre certos cortes de carne bovina.

O acordo deve afetar também os planos da indústria brasileira de elevar os embarques para os EUA. A venda de manufaturados aos americanos cresceu 3,72% até setembro. Atualmente, o único país para o qual a exportação de manufaturados cresce, entre os parceiros relevantes, são os EUA. (Valor Econômico 07/10/2015)

 

Fundos apostam em alta dos preços do açúcar com estimativas de déficit

Fundos de hedge estão cada vez mais confiantes em uma recuperação dos preços de açúcar, que vêm se desvalorizando há anos. Na semana encerrada em 29 de setembro, gestores de capital inverteram sua posição em açúcar bruto na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) e passaram a deter um saldo líquido comprado de aproximadamente 25 mil contratos, segundo dados da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC).

"Pela primeira vez desde o verão de 2014 (no Hemisfério Norte), investidores de curto prazo inverteram significativamente sua posição para um saldo comprado", disseram em nota analistas do Commerzbank.

Desde 21 de agosto, quando atingiu mínima de 10,40 cents/lb na ICE, o açúcar já subiu mais de 30%. A valorização foi motivada pelo clima desfavorável no Brasil e na Índia e pelo aumento da gasolina no País, anunciado na semana passada. A produção global de açúcar deve ser afetada pelo atraso das monções na Índia e por chuvas que prejudicaram a moagem de cana no Brasil. Além disso, o aumento da gasolina no País deve levar usinas a destinar mais cana à produção de etanol em detrimento do açúcar.

Mais cedo, o banco Morgan Stanley projetou déficit de açúcar de 3,7 milhões de toneladas na safra internacional 2015/16 (de 1º de outubro de 2015 a 30 de setembro de 2016). A estimativa se soma à de outras empresas que projetam consumo maior do que a produção nesta temporada. Caso se confirme, este será o primeiro déficit após cinco anos.

A consultoria Kingsman-Platts prevê déficit de 3,2 milhões de toneladas, enquanto a INTL FCStone estima que a produção será 3,8 milhões de toneladas menor que a demanda. Já a Czarnikow prevê déficit de 4,1 milhões de toneladas.

De acordo com a Marex Spectron, o déficit no mercado de açúcar deve persistir pelos próximos anos, mas a alta recente das cotações pode perder força. "A alta foi muito rápida e acentuada, então é normal esperar que ela perca fôlego", disse em nota a corretora. "Mas achamos que as perspectivas de médio e longo prazos são bastante altistas". (Dow Jones 06/10/2015)

 

Queda na venda de máquina agrícola atinge emprego

O setor de máquinas agrícolas continua amargando a desaceleração de vendas no Brasil. O cenário hoje é bem diferente do dos anos recentes, quando a quebra de safra nos Estados Unidos, a queda dos estoques mundiais de grãos e a demanda aquecida permitiram uma aceleração das vendas de máquinas e de implementos agrícolas no país.

De janeiro a setembro, as vendas internas de máquinas agrícolas e rodoviárias recuaram para 36,9 mil unidades, 30% menos do que em igual período do ano passado.

Considerando apenas o mês passado, a maior retração entre os produtos agrícolas ficou para os tratores, cujas vendas venderam caíram para 3.245 unidades, 10,5% menos do que em agosto.

Nesse mesmo período, as vendas de colheitadeiras atingiram 309 unidades, 14% mais.

A situação do setor que fornece máquinas agrícolas é ainda mais complicada quando se olha para os dados acumulados do ano.

Até setembro, as vendas internas de tratores de rodas somaram 30,9 mil unidades, 28% menos do que o total vendido em igual período do ano passado.

As colheitadeiras, mesmo com o aumento de vendas no mês passado, também têm grande perda na comercialização deste ano. Foram vendidas 2.925 unidades nos nove primeiros meses do ano, 34,8% menos do que no mesmo período de 2014.

A retração no setor era esperada, uma vez que as vendas foram aquecidas nos últimos dois anos e os produtores fizeram uma intensa renovação da frota. A intensidade da queda, no entanto, está acima do esperado pelo setor.

A queda nas vendas, e consequentemente na produção de máquinas, afeta também o mercado de trabalho nas indústrias do setor.

Em setembro, a indústria de máquinas agrícolas e rodoviária empregava 15,9 mil trabalhadores, um número 18% inferior ao do mesmo mês do ano passado.

Nesse mesmo período, a desaceleração do emprego na indústria automobilística teve intensidade bem menor, com queda de 8%.

*

Queimadas: Desde 2006, pelo menos 7,2 milhões de hectares de cana-de-açúcar deixaram de ser queimados com a implantação do Protocolo Ambiental do Setor Sucroenérgito.

Poluentes: Essa parceria entre o setor sucroenérgitico e o governo paulista resultou na não emissão de 26,7 milhões de toneladas de poluentes e de 4,4 milhões de toneladas de gases de efeito estufa.

Relatório: Será apresentado nesta quarta-feira (7), no Instituto de Economia Agrícola, um relatório com esses e outros resultados obtidos pela parceria, inclusive os referentes às recuperações de áreas florestais. (Folha de São Paulo 07/10/2015)

 

Alta no tributo da gasolina em Alagoas vai tornar viável uso do etanol, diz Sefaz

Secretário esclarece proposta de aumentar arrecadação de impostos. Estado tenta aprovação de ajustes fiscais que devem impor novo aumento.

Representantes do governo de Alagoas se reuniram na manhã desta terça-feira (6), na Assembleia Legislativa (ALE), para esclarecer aos deputados estaduais a proposta de aumentar a arrecadação sobre impostos e tributos, encaminhada ao Parlamento no último dia 28 pelo governador Renan Filho (PMDB).

Antes do encontro, o secretário de Estado da Fazenda, George Santoro, destacou que um dos tributos que podem sofrer alteração é o da gasolina, que terá alíquota elevada de 27% para 29%. Aliada a essa medida, existe a proposta de diminuir o imposto do álcool de 25% para 23%.

Essas medidas devem incorrer em novo aumento no preço da gasolina a partir de 2016, quando os ajustes fiscais passarão a valer, se a proposta passar pelos deputados estaduais. Segundo o secretário, isso deve provocar o crescimento da procura pelo etanol como combustível, fazendo com que o setor sucroenergético tenha um incremento da atividade.

"Estamos dando uma força para aumentar a diferença entre o álcool e a gasolina para incentivar a pessoa a migrar para o álcool, mas quem vai decidir é o consumidor. Os postos também terão que se adequar a essa tributação", disse.

Segundo a Sefaz, o objetivo principal dos reajustes propostos "é a redistribuição da carga tributária estadual, tornando a tributação mais justa em todos os níveis sociais, em alinhamento com medidas e propostas apresentadas em outros estados do Nordeste que, consequentemente, traz maiores perspectivas de arrecadação para Alagoas".

As propostas incidem sobre o alinhamento de alíquotas do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), ampliação da lista de produtos com incidência do Fecoep, ajustes nas alíquotas do Imposto sobre Veículos Automotores (IPVA) e regulamentação das alíquotas do Imposto sobre Causa Mortis e Transmissão de Bens (ITCD) de acordo com valores doados.

Sobre esse aumento no tributo da gasolina, o secretário de Estado do Planejamento, Crhistian Teixeira, disse, que assim como os outros, é uma maneira que o executivo tem de superar o momento de crise. "A partir do momento que fizermos um incremento nos impostos, vamos fazer um saneamento nas contas do Estado".

Santoro também falou sobre os demais tributos, mas disse que, diferente da gasolina, o restante é de produtos supérfluos ou que vão atingir uma população com maior valor aquisitivo. "Uma boa parte do que estamos incluindo na tributação reconhece a situação de quem não pode pagar, e uma outra a gente está colocando para quem pode pagar", explicou.

Segundo a Sefaz, todas as propostas, se aprovadas, terão validade a partir de janeiro de 2016. Durante a reunião, os deputados pretendem ouvir as propostas dos secretários. "Ficaram algumas dúvidas a respeito dessa série de propostas de redistribuição de carga tributária, por isso pedimos a explicação dos representantes do governo antes de darmos o parecer", falou o deputado Ronaldo Medeiros (PT). (G1 06/10/2015)

 

Preços dos combustíveis etanol deverão subir mais nos postos do país

A pesquisa de preços de combustíveis apresentada ontem (5) pela Agência Nacional de Petróleo (ANP) ainda não refletiu a realidade do mercado no país após o reajuste de 6% da gasolina anunciado na última quarta-feira (30) pela Petrobras. Em linhas gerais, a gasolina e o etanol ficaram de 4 centavos a 6 centavos de real por litro mais caros ao consumidor final entre os dias 27 de outubro e 3 de novembro na comparação com a semana anterior. No entanto, o mercado estima que o "real" reajuste deve chegar nas próximas semanas e superar 15 centavos.

"O mercado, num primeiro momento, fica tumultuado. O varejo e as distribuidoras ainda têm estoques com preço antigo. Entre os postos de combustíveis, ninguém quer ser o primeiro a repassar para não perder market share. Leva um tempo para o mercado se estabilizar", explicou ao Valor Econômico o diretor da comercializadora de etanol Bioagência, Tarcilo Rodrigues.

O potencial é de o preço médio do litro da gasolina nos postos do Estado de São Paulo – referência no mercado nacional – ir nas próximas semanas a uma faixa de R$ 3,20 a R$ 3,30 – ante os R$ 3,13 atuais – não só devido ao reajuste na refinaria, mas também pela forte valorização em curso do etanol anidro, que é misturado à gasolina na proporção de 27%. Na usina em São Paulo, os preços desse biocombustível subiram na última semana 9,8%, ou 14 centavos de real, para R$ 1,5765 o litro, de acordo com referência do indicador semanal Cepea/Esalq. Em quatro semanas, a valorização acumulada alcançou 14,5%, ou 20 centavos.

O etanol hidratado, que é usado diretamente no tanque dos veículos e é concorrente direto da gasolina C no mercado de carros flex, também tem potencial de se valorizar ainda mais nos postos, disse Rodrigues. Em São Paulo, maior Estado consumidor de combustíveis do país, o litro médio do biocombustível nos postos foi vendido na última semana, conforme a ANP, a R$ 2,004. O potencial, na visão de Rodrigues, é de esse valor saltar para uma faixa entre R$ 2,10 e R$ 2,20.

Além do efeito do reajuste da gasolina, de 6 centavos de real por litro, o hidratado também tem influência de seus próprios fundamentos, tais como a ocorrência de chuvas nas áreas produtoras e a proximidade da entressafra. Esses dois fatores, combinados, vêm provocando uma guinada nos preços na usina em São Paulo desde a primeira semana de setembro. Entre os dias 28 de setembro e 2 de outubro, o indicador para o produto subiu 12,3%, para R$ 1,46 o litro, alta, em termos absolutos, de 16 centavos de real por litro. Em quatro semanas, a alta acumulada é de 16%, ou 20 centavos por litro.

Na última semana, o preço médio do litro da gasolina C subiu em relação à semana anterior em 15 Estados, sendo que as maiores valorizações foram observadas em São Paulo (0,96%) e em Santa Catarina (1,07%). Já os preços do etanol hidratado subiram nos postos de combustíveis de 12 Estados, sendo que em Minas Gerais foi registrada a maior alta (2,44%).

Por ora, com a pouca alteração nos preços da gasolina C e do hidratado, a relação entre os preços dos dois produtos ficou praticamente estável nos Estados onde o etanol já é mais vantajoso – isso ocorre, conforme parâmetro mais aceito pelo mercado, quando o preço do hidratado equivale a menos de 70% do da gasolina. Em São Paulo, essa paridade ficou em 63,9%, no Paraná, 66,9% e, em Minas, 64,2%. (Siamig 06/10/2015)

 

Commodities Agrícolas

Suco de laranja: À espera do USDA: Os preços do suco de laranja subiram ontem na bolsa de Nova York com o impulso de cobertura de posições vendidas, na primeira valorização desde 16 de setembro. Os lotes do suco concentrado e congelado (FCOJ, na sigla em inglês) para janeiro de 2016 subiram 145 pontos, a US$ 1,0905 a libra-peso. Os investidores buscam recuperar algumas perdas e se posicionar antes que o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgue, na próxima sexta-feira, sua primeira estimativa para colheita da safra 2015/16 na Flórida. A expectativa é de uma previsão de queda na safra por causa do avanço do greening. No mercado doméstico, o preço médio da laranja à indústria apurado pelo Cepea/Esalq subiu 0,55%, para R$ 12,74 a caixa de 40,8 quilos.

Algodão: Furacão Joaquín: A passagem do furacão Joaquín pela costa leste dos Estados Unidos provocou alguns estragos em lavouras de algodão e foi motivo para mais uma alta dos preços da pluma ontem na bolsa de Nova York. Os contratos para dezembro avançaram 21 pontos, a 62,08 centavos de dólar a libra­peso. Os Estados da Carolina do Norte e Carolina do Sul foram os mais afetados, e houve regiões que receberam 50 mm de chuva. "A inundação espalhou­se para algumas plantações de algodão e provavelmente vai provocar prejuízo às lavouras", sinalizou o Zaner Group. O prejuízo, porém, não deve ultrapassar 2% da produção, avalia Jack Scoville, da Price Futures Group. No mercado interno, o preço da pluma na Bahia ficou em R$ 76,05 a arroba, segundo a associação de agricultores locais, a Aiba.

Soja: Nova valorização: As cotações da soja subiram ontem na bolsa de Chicago ante expectativas com o próximo relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) e com a demanda. Os contratos para entrega em janeiro subiram 3,75 centavos, para US$ 8,92 o bushel. Analistas avaliam que o órgão reduzirá suas estimativas para a área que será colhida nos EUA e, consequentemente, para a produção e os estoques nesta temporada. A Parceria TransPacífico (TPP, na sigla em inglês) continuou oferecendo um impulso "psicológico", já que pode ampliar as exportações de grãos dos EUA em 11%, segundo o Conselho de Grãos do país. A demanda mais aquecida já tem oferecido suporte aos preços nos últimos dias. No Paraná, o valor da soja caiu 0,01%, para R$ 70,78 a saca, segundo o Deral/Seab.

Trigo: Seca no Leste Europeu: A falta de chuvas no Leste Europeu voltou a dar impulso às cotações do trigo nas bolsas americanas ontem. Em Chicago, os lotes para março de 2016 subiram 11,25 centavos, para US$ 5,33 o bushel. Em Kansas, onde se oferta o trigo de melhor qualidade, os lotes de igual vencimento avançaram 13,5 centavos, para US$ 5,2975 o bushel. As condições de clima seco seguem dominando as áreas de trigo da Rússia e Ucrânia, cenário que é desfavorável para o crescimento do trigo de inverno, segundo a empresa de meteorologia DTN. O governo da Ucrânia estimou que a produção de grãos em geral no país vai cair neste ano, mas avaliou que as exportações devem crescer de novo. No mercado doméstico, o preço do trigo teve alta de 0,03%, para R$ 35,99 a saca, de acordo com o Deral/Seab. (Valor Econômico 07/10/2015)