Setor sucroenergético

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TRT condena Raízen Energia por terceirização ilícita de atividade-fim

A 3ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região, em Campinas, condenou a Raízen Energia, empresa controlada pela Shell e Cosan e a maior companhia sucroalcooleira do país, por terceirização ilícita de atividade-fim, conforme informações divulgadas hoje pelo Ministério Público do Trabalho (MPT).

A decisão da qual ainda cabe recurso ao Tribunal Superior do Trabalho, mantém as obrigações impostas em sentença pela 2ª Vara do Trabalho de Araraquara, a qual determina à empresa o fim da subcontratação de terceirizados para o transporte, plantio, colheita e carregamento de cana-de-açúcar, o chamado CCT.

“Fica proibido também celebrar contratos de prestação de serviços com estes objetos ou permitir que a terceirização irregular seja executada nas propriedades da ré” , informou o MPT.

Procurada, a Raízen afirmou que não concorda com a decisão do Tribunal Regional do Trabalho, pois entende que transporte, plantio, colheita e carregamento de cana-de-açúcar são atividades especializadas, sendo parte delas regulada por lei própria e, portanto, totalmente possíveis de serem terceirizadas. “A companhia reforça que cumpre a legislação trabalhista e irá recorrer”.

Pelos danos morais causados à coletividade, a Raízen pagará indenização no valor de R$ 3 milhões em prol da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Araraquara. O descumprimento da decisão acarretará multa diária de R$ 5 mil por item, multiplicada por trabalhador prejudicado.

A ação foi movida pelo MPT em Araraquara após investigação feita pelo órgão de todas as unidades da Raízen na região central do Estado de São Paulo. Nessas investigações se constatou, conforme o MPT, que o grupo contratava pequenas empresas, inidôneas financeiramente, para transportar cana-de-açúcar. Foram flagrados casos de abuso de jornada de motoristas, que muitas vezes dirigiam 12 horas por dia, 7 dias por semana, sem o direito sequer ao descanso semanal remunerado. (Valor Econômico 18/10/2015 às 18h: 13m)

 

Brookfield deixa as usinas de cana para investir em construtoras?

Companhia canadense diversifica apostas em construtoras e em logística.

A canadense Brookfield, que por meio da coligada Brookfield Assed Management negociava a compra das 4 usinas da Renuka Brasil, e também estaria negociando a aquisição de outra usina de cana-de-açúcar do interior paulista, aposta seus investimentos em outros segmentos do Brasil.

Ao que tudo indica, a gigante canadense, que opera no Brasil a concessionária Arteris, de administração de rodovias paulistas, e tem inclusive o controle de pequenas geradoras de energia em Minas Gerais, ampliou o foco de investimentos.

Um desses focos é apostar em empresas de logísticas como a Prumo, que controla o Porto Açu, no litoral fluminense. Conforme divulgado por este portal, a canadense negociou a emissão de títulos da Prumo.

Outra indicação de aportes da Brookfield foi anunciada pela companhia de construção civil OAS.

A OAS informou que o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) autorizou a empresa que está em recuperação judicial, a receber empréstimo de R$ 500 milhões dos R$ 800 milhões negociados com a Brookfield Infrastructure. “A decisão contribui de maneira significativa para a sustentabilidade do caixa da empresa e para a continuidade das obras e dos pagamentos aos fornecedores”, disse a empresa em nota.

Dos R$ 500 milhões, R$ 200 milhões foram liberados imediatamente, enquanto R$ 300 milhões ficarão sujeitos à autorização do juiz de primeira instância responsável pela recuperação judicial. A assembléia de credores também será consultada.

O tribunal autorizou ainda a OAS a oferecer, como garantia do empréstimo, a alienação fiduciária de 18,42% de sua participação na Invepar, grupo que administra o Aeroporto Internacional de Guarulhos. A assembléia de credores da OAS está agendada para 14 de outubro.

A OAS é alvo da Operação Lava Jato, que investiga desvios e corrupção na Petrobras, o que resultou na interrupção das linhas de crédito à empresa. Seus clientes chegaram a suspender pagamentos e novas contratações. As agências de risco rebaixaram a nota de crédito da empresa, levando ao vencimento antecipado de suas dívidas. (Jornal Cana 08/10/2015)

 

Cana ainda terá pesquisa de ponta, avalia Unica

A saída da multinacional Monsanto do setor de cana no Brasil não significa o fim do "trabalho de ponta" para o desenvolvimento da cultura. É o que sugere a nota divulgada pela União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), reconhecendo que esse tipo de investimento é de alto risco e exige maiores aportes de recursos em comparação com outros segmentos.

Nesta quarta-feira (7/10), a Monsanto comunicou o encerramento das atividades da CanaVialis, com a qual operava no segmento. De acordo com a companhia, a decisão foi tomada em função de mudanças no mercado de energia e bioenergia, que levaram a empresa a manter o foco em seus negócios principais, como sementes. Até 150 funcionários podem ser demitidos.

"O produtor e a indústria seguem contando com entidades que realizam um trabalho de ponta, como o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), em Piracicaba, a Rede Interuniversitária para o Desenvolvimento do Setor Sucroenergético (RiDESA), que reúne 10 universidades federais, e o Instituto Agronômico (IAC), de Campinas", ressaltou a Unica, em seu comunicado.

Para a entidade que reúne as usinas do Centro-sul do Brasil, mesmo em um cenário de crise, como o que enfrenta o setor, é necessário um investimento constante. Segundo a Única, ainda há espaço para a ampliação de áreas de cultivo de cana e a aplicação de novas tecnologias.

A CanaVialis havia sido adquirida pela Monsanto em 2008, incorporando a cana-de-açúcar a um portfólio já conhecido em áreas como soja, milho e algodão. Na mesma época, a empresa comprou a Alellyx, do mesmo controlador da CanaVialis. O negócio foi avaliado em R$ 290 milhões. Por meio da CanaVialis, a Monsanto opera no mercado com quatro variedades da planta. (Globo Rural 08/10/2015)

 

Açúcar atinge máxima de 7 meses em NY

Os contratos futuros do açúcar bruto subiram para máximas de sete meses na bolsa ICE nesta quinta-feira, após dados do Brasil ficarem dentro das expectativas.

Os dados bimestrais da associação da indústria de açúcar Unica mostraram que o principal cinturão de açúcar do Centro-Sul do Brasil esmagou 40,47 milhões de toneladas de cana na segunda metade de setembro, o que ficou dentro do esperado pelo mercado.

O açúcar bruto para março encerrou em alta de 0,03 centavo de dólar, ou 0,2 por cento, a 14,01 centavos de dólar por libra-peso, chegando a 14,05 centavos de dólar em negociações ao final do dia, a maior cotação desde o fim de fevereiro.

Já o açúcar branco para dezembro teve queda de 2 dólares, ou 0,5 por cento, encerrando a 386,70 dólares por tonelada.

Os preços do café dispararam conforme os operadores continuaram a monitorar o tempo seco em muitas das áreas produtoras do Brasil, o que pode reduzir a florada da safra no maior produtor mundial.

O café arábica para dezembro encerrou em alta de 2,4 centavos, ou 1,9 por cento, a 1,2845 dólar por libra-peso.

Já o café robusta para novembro encerrou em alta de 23 dólares, ou 1,5 por cento, a 1.582 dólares por tonelada. (Reuters 08/10/2015)

 

Venda de etanol cai no Centro-Sul

As vendas de etanol hidratado (usado diretamente nos tanques dos veículos) das usinas sucroalcooleiras às distribuidoras de combustíveis caíram em setembro pela primeira vez desde o início da safra 2015/16 no Centro-Sul. Foram comercializados na região 1,586 bilhão de litros do produto no mês, em queda de 2,1% em relação aos 1,621 bilhão de litros vendidos em agosto, de acordo com dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica). Na comparação com setembro do ano passado, o volume aumentou 42,2%.

Segundo o diretor da trading de etanol Bioagência, Tarcilo Rodrigues, o recuo de setembro sobre agosto teve relação com o menor número de dias úteis. "Agosto teve 27 dias úteis, contanto com o sábado, o que dá uma média diária de venda de 60 mil litros. Em setembro, foram 25 dias, uma média de 63 mil". Ele acredita que a venda de hidratado até tende a cair nos próximos meses, com o reajuste de preços em curso nas usinas e que já começou a ser repassado ao consumidor.

Ontem, a Unica também divulgou os números de moagem de cana no Centro-Sul na segunda quinzena de setembro. O volume processado cresceu 40,4%, para 40,47 milhões de toneladas, por causa do clima mais seco A produção de açúcar cresceu 46%, para 2,387 milhões de toneladas e a de etanol 27%, para 1,989 bilhão de litros. (Valor Econômico 09/10/2015)

 

Adido dos EUA eleva previsão de moagem de cana 15/16 do Brasil para 659 mi t

A moagem de cana do Brasil em 2015/16 foi estimada em 659 milhões de toneladas, uma alta de 2 por cento ante a estimativa anterior de 648 milhões de toneladas, por chuvas acima da média em fevereiro/março e maio/julho no centro-sul, o que favoreceu o desenvolvimento das lavouras, disse o adido agrícola dos Estados Unidos nesta quinta-feira.

Aproximadamente 40,6 por cento da safra deve ser convertida em açúcar, uma queda de 3 pontos percentuais comparada à temporada anterior, uma consequência direta da maior demanda doméstica por etanol, segundo o adido.

O adido, com sede em São Paulo, estimou a produção total de cana-de-açúcar do país em 2015/2016 em 684 milhões de toneladas, uma alta de 6 por cento ante a estimativa anterior, e o total de moagem está estimado em 659 milhões de toneladas.

A produção total de cana de açúcar no centro-sul foi revisada para cima, para 625 milhões de toneladas. No entanto, espera-se que um volume de 600 milhões de toneladas seja colhido durante a atual temporada, enquanto os 25 milhões restantes serão deixados nos canaviais para a moagem em 2016/17.

O início da temporada de chuvas em novembro/dezembro de 2015 provavelmente causará obstáculos logísticos para a colheita, limitando a moagem, disse o adido.

O Nordeste deve moer 59 milhões de toneladas de cana, uma queda de 2,1 milhões de toneladas comparada à temporada de moagem anterior, por causa de chuvas abaixo da média durante o período de abril/agosto, como consequência do fenômeno climático El Niño.

Já as exportações de açúcar para o ano comercial 2015/2016 foram estimadas em 23,75 milhões de toneladas, em valor bruto, similar ao ano 2014/2015, com 23,95 milhões de toneladas, acrescentou o adido. (Reuters 08/10/2015)