Setor sucroenergético

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Posição de traders e câmbio no Brasil influenciam mercado de açúcar

Dois eventos que ocorreram na sexta-feira, após o fechamento do mercado, podem influenciar as cotações de açúcar nesta segunda-feira, 19, afirmou Tobin Gorey, economista agrícola do Commonwealth Bank of Austrália.

Segundo ele, os dados da Comissão de Comércio de Futuros de Commodities (CFTC) mostraram que investidores reduziram ainda mais a posição vendida na semana encerrada no dia 13 de outubro. Agora, especula o analista, o número de contratos vendidos pode ser ainda menor.

"A recompra de posições vendidas foi responsável por grande parte do rali observado recentemente. Os dados sugerem que esse movimento deve estar acabando, ou perto disso", afirmou Gorey.

Entretanto, ele aponta que os investidores também adquirem contratos para tomar uma posição comprada na commodity – o que ainda pode dar suporte ao mercado. Além disso, a desvalorização do real frente ao dólar pode impactar as cotações de açúcar. Tobin Gorey alerta, entretanto, que ainda há dívidas se "a queda do real vai continuar a ter efeito negativo no mercado". (Agência Estado 19/10/2015)

 

Usinas indianas exportam açúcar branco mas passam longe de meta do governo

Usinas indianas contrataram a exportação de quase 100 mil toneladas de açúcar branco produzido no país, mas deverão ter dificuldades para cumprir uma ambiciosa meta do governo, disseram operadores.

A Índia tem estimulado as usinas a vender açúcar no mercado internacional e usar o faturamento para liquidar dívidas que têm com produtores de cana.

O segundo maior produtor global de açúcar anunciou, no mês passado, novas regras que tornam obrigatório que produtores de açúcar elevem as exportações para pelo menos 4 milhões de toneladas na atual temporada, para reduzir estoques.

Os subsídios para exportações de açúcar bruto na atual temporada não deverão ser aprovados antes das eleições estaduais no mês que vem, e as indústrias estão forcadas na exportação do açúcar refinado para elevar os recursos em caixa.

Mesmo produzindo com prejuízo, usinas indianas contrataram exportação de 90 mil toneladas de açúcar branco para países asiáticos como Mianmar, Afeganistão e Sri Lanka entre 390 e 410 dólares por tonelada (FOB), para carregamento entre outubro e novembro, com as empresas buscando dinheiro para financiar a nova temporada de moagem, que começou em 1º de outubro, disseram fontes do mercado.

"Operadores estão fechando contratos perto de 400 dólares. Há boa demanda nesta cotação para Afeganistão e Mianmar", disse um operador de Mumbai em uma trading internacional.

Contudo, o analista de açúcar Robin Shaw, da Marex Spectron, disse não esperar ver um grande fluxo de açúcar branco da Índia para exportações, uma vez que os incentivos financeiros não são suficientes para as usinas.

"Eu acredito que o governo indiano está abandonando a ideia de forçar as exportações por decreto, e também a idéia de subsidiar as exportações, para algum tipo de sistema voluntário em que as usinas são estimuladas a exportar", disse ele. (Reuters 19/10/2015)

 

MG: Consumo de etanol dispara e pode puxar investimentos

Terceiro produtor de etanol no Brasil, Minas Gerais passou de exportador líquido do insumo para outros estados a grande consumidor neste ano. A demanda atendida do combustível verde em terras mineiras alcançou 1,076 bilhão de litros de janeiro a agosto, volume 130,4% superior ao registrado no mesmo período do ano passado, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O recorde histórico veio acompanhado de outra boa notícia para as empresas do setor, a melhor remuneração obtida pelos produtores, informa a Associação das Indústrias Sucroenergéticas de Minas Gerais (Siamig).

Com a conquista tão esperada dentro do estado, está confirmada a meta de produção também sem precedentes de 3 bilhões de litros de álcool anidro e hidratado, com expansão da cana-de-açúcar destinada às usinas em apenas 1,5 milhão de toneladas, estima o presidente da Siamig, Mário Campos. Em 2014, as usinas mineiras produziram 2,7 bilhões de litros de etanol. Nos primeiros oito meses do ano passado, a demanda atendida em Minas limitou-se a 466,99 milhões de litros.

O consumo deslanchou depois da plena redução, no atual governo do estado, do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) sobre o etanol, de 19% para 14%. A medida elevou a tributação sobre a gasolina, de 27% para 29%. Outro fator decisivo para o novo cenário de atuação do setor foi a recomposição da alíquota da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide)/Combustíveis, o que levou ao aumento dos preços da gasolina. Como resultado, o etanol ficou mais competitivo.

“Assistimos, hoje, à atuação de uma Petrobras com certa independência na formulação de preços. Há menor interferência do governo, e, com isso, o mercado sinaliza futuro promissor para o etanol”, afirma o presidente da Siamig. A taxação, que havia sido retirada em 2012, retornou progressivamente até os R$ 0,10 por litro, hoje.

A indústria sucroenergética passa a trabalhar numa condição inédita de equilíbrio, de acordo com Mário Campos, produzindo ao ritmo da demanda do mercado mineiro e vendendo em Minas. Para o consumidor, no entanto, qualquer avaliação sobre os rumos que os preços na bomba vão tomar é, ainda, precipitada.

Em corredores da distribuição disputados em Belo Horizonte, como a Via Expressa e o Bairro Santa Lúcia, o etanol era vendido na sexta-feira entre R$ 2,290 e R$ 2,690 o litro, de acordo com levantamento feito pelo Estado de Minas. Pesquisa da ANP indicou preço médio do combustível em Minas Gerais de R$ 2,401 na semana passada, representando elevação de 17,2% frente ao preço médio registrado de 20 a 26 de setembro, de R$ 2,048 por litro. O custo da gasolina – que sofreu queda no consumo em Minas de 11,4% entre janeiro e agosto, frente a idêntico período de 2014 – subiu 8%, com base na evolução dos preços médios do litro de R$3,240 no fim de setembro e R$ 3,499 de 11 a 16 deste mês. (Brasil Agro 20/10/2015)

 

Brasil tem 66 milhões de hectares irrigáveis, aponta Esalq

O Brasil tem 66 milhões de hectares de áreas aptas para a agricultura irrigada. A informação está em estudo feito pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), ligada à Universidade de São Paulo (USP). É mais do que tudo o que é plantado a cada safra de grãos no país, que hoje, está abaixo de 60 milhões, e mais que o dobro do que o estimado pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) a respeito de áreas irrigáveis no território brasileiro.

Os resultados da pesquisa, chamada de “Análise Territorial no Brasil para o Desenvolvimento da Agricultura Irrigada”, foram apresentados nesta semana pela diretoria da instituição à ministra da Agricultura, Kátia Abreu, durante reunião, em Brasília. E, de acordo com a Esalq, o trabalho será usado como referência para a adoção de políticas do Plano Nacional de Irrigação.

Apesar do potencial de crescimento da agricultura irrigada no Brasil, apenas 6 milhões de hectares produtivos no país são integrados a alguma tecnologia de uso de água nas plantações. "Se podemos sair dos atuais 6 milhões para 66 milhões de hectares irrigados, precisaremos investir em infraestrutura, estradas, gerar energia, ou seja, dar condições para chegarmos a esse valor no futuro", afirma o professor Gerd Sparovek, responsável pela pesquisa, no comunicado da Esalq. (Revista Globo Rural 19/10/2015)

 

Gasolina e energia puxam IPCA-15, dizem analistas

Uma nova rodada de aumentos de preços administrados em outubro, com destaque para gasolina e energia elétrica, deve adicionar pressão sobre a inflação no mês, o que levará a prévia do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15) a se aproximar de 10% no acumulado em 12 meses, segundo economistas. De acordo com a média das estimativas de 17 instituições financeiras e consultorias ouvidas pelo Valor Data, o IPCA-15 subiu 0,67% em outubro, após alta de 0,39% em setembro.

As projeções para a prévia da inflação oficial, a ser divulgada amanhã pelo IBGE, vão de aumento de 0,58% a 0,71%. No acumulado em 12 meses, o índice vai continuar a acelerar, estimam os economistas. Após alta de 9,57% até setembro, o IPCA-15 deve subir 9,78% nos 12 meses encerrados em outubro.

Fabio Romão, economista da LCA Consultores, estima alta de 0,68% do índice entre setembro e outubro e avalia que o grupo transportes deve explicar boa parte dessa aceleração. No mês passado, comenta, esse grupo subiu 0,78%, variação que deve acelerar para 1,29% nesta leitura. Além do reajuste de 6% da gasolina nas refinarias anunciado no fim de setembro, diz Romão, os preços do etanol também estão bastante pressionados.

"Grande parte da frota de veículos hoje é flex e os produtores de etanol estão aproveitando para recuperar margem. Além disso, a sazonalidade favorece aumentos", comenta. Para o etanol, Romão estima alta de 6% no IPCA-15, avanço até maior do que o esperado para a gasolina, para o qual o economista projeta elevação de 2,5%.

Até o fim do mês, essas variações devem se acentuar, com a captura completa do reajuste anunciado pela Petrobras, diz. As passagens aéreas, afirma, devem ter alta mais branda do que os 23% registrados no mês anterior, mas vão continuar a subir em outubro.

Outro reajuste de itens monitorados, dessa vez da energia elétrica, terá peso sobre o grupo habitação, observa Romão. A conta de luz deve ficar 0,69% mais cara nesta leitura, após deflação de 0,37% em setembro. "Não são aumentos expressivos como vimos no início do ano, mas dado o peso da energia elétrica no índice, essa mudança é importante", ressalta.

O Itaú calcula que a alta de preços administrados deve ser de 1,17% em outubro, diante dos reajustes de transportes e habitação. O IPCA­15 deve subir menos, 0,68% nas projeções do banco, por causa do comportamento dos preços livres, para o qual os economistas estimam avanço de 0,53%. Nesse caso, a principal fonte de pressão vem de alimentos e bebidas, que devem adicionar 0,13 ponto ao índice deste mês.

Romão, da LCA, nota que, dentro desse grupo, são vários os produtos com alta. "Arroz, feijão e frutas, por exemplo, que estavam em campo negativo, voltaram a subir. Carnes, aves e ovos devem ter aumentos maiores do que há um mês, assim como bebidas", diz. Ele projeta alta de 0,41% para alimentos e bebidas este mês. (Valor Econômico 20/10/2015)

 

Commodities Agrícolas

Café: Brasil e Colômbia: As cotações do café arábica tombaram pela segunda sessão consecutiva ontem na bolsa de Nova York ante a possibilidade de chuvas no Brasil e notícias da Colômbia. Março caiu 190 pontos, para US$ 1,273 a libra-peso. Os mapas da Climatempo indicam que a região do Triângulo Mineiro pode receber chuvas até sexta-feira, o que pode oferecer um alívio aos cafezais. "As idéias são de que a produção pode ser muito melhor se as chuvas vierem como previsto", afirmou Jack Scoville, analista da Price Futures Group. Também influenciou o mercado a determinação da Colômbia de reduzir a o padrão de qualidade exigido para exportação do arábica, após a seca afetar a safra local. No mercado interno, o indicador Cepea/ Esalq para o café arábica registrou queda de 1,18%, para R$ 474,27 a saca.

Suco de laranja: Disparada sem fim: Os preços do suco de laranja avançaram pela décima primeira sessão seguida na bolsa de Nova York, ainda refletindo o cenário pessimista para produção da Fórida. Os papéis do suco concentrado e congelado para janeiro subiram 235 pontos, a US$ 1,348 a libra-peso. O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) estimou duas semanas atrás que a safra da Flórida em 2015/16 será de 80 milhões de caixas, o pior resultado em 52 anos. Após a projeção, os fundos reduziram suas apostas de queda dos preços. Os gestores de recursos encerraram a semana do dia 13 com um saldo líquido de 3.311 posições vendidas, queda de 14% ante a semana anterior. No mercado interno, o preço da laranja à indústria apurado pelo Cepea/Esalq continuou em R$ 12,95 a caixa de 40,8 quilos.

Soja: Pressão climática: O clima favorável às lavouras de soja dos EUA pressionaram as cotações da oleaginosa na bolsa de Chicago. Os lotes para janeiro de 2016 fecharam ontem em baixa de 6,50 centavos, a US$ 8,9550 por bushel. Previsões indicam que o tempo permanecerá seco no Meio-Oeste americano nos próximos três dias, o que continuará beneficiando os trabalhos de colheita ­ que atingiu 77% da área plantada até domingo, conforme o Departamento de Agricultura do país (USDA). Chuvas também são esperadas no Centro-Oeste do Brasil, o que tende a favorecer o plantio de soja na região. No front externo, o PIB chinês veio acima do esperado para o terceiro trimestre, o que contribuiu para evitar perdas maiores na soja. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a saca no Paraná ficou em R$ 78,51, alta de 0,26%.

Trigo: Chuvas bem vindas: O mercado do trigo seguiu a toada dos demais grãos nas bolsas americanas e fechou no vermelho, influenciado pela alta do dólar e por previsões de chuva nas lavouras americanas. Em Chicago, os contratos para março caíram ontem 6,75 centavos, a US$ 4,9325 o bushel. Em Kansas, onde se negocia o trigo de melhor qualidade, os lotes para março recuaram 11 centavos, para US$ 4,875 o bushel. A empresa de meteorologia DTN previa chuvas para esta semana nas Planícies do Sul dos EUA, o é "favorável para a germinação e o desenvolvimento precoce do trigo de inverno, com chuvas pesadas do sudoeste de Kansas ao longo de Oklahoma e o norte do Texas". O plantio do trigo de inverno nos EUA alcançou no domingo 76% da área esperada. No Paraná, o preço seguiu a R$ 36,96 a saca, segundo o Deral/Seab. (Valor Econômico 20/10/2015)