Setor sucroenergético

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ADM põe à venda usina em Limeira do Oeste (MG)

A ADM está com um pé fora do setor sucroalcooleiro no Brasil.

Colocou à venda sua única usina em Limeira do Oeste (MG), com capacidade de moer 1,5 milhão de cana por safra. (Jornal Relatório Reservado 21/10/2015)

 

Endividada, Rumo ALL busca recursos no mercado para financiar expansão

Além de valor que será financiado pelo BNDES, empresa precisa captar recursos complementares para planos de investimento.

Os acionistas da Rumo ALL, controlada pelo grupo Cosan, estão discutindo como vão levantar recursos no mercado para colocar em prática o plano de expansão da companhia ferroviária, apurou o Estado. O levantamento desse dinheiro poderá ser feito com emissão de títulos de dívida (debêntures), mas o formato dessa captação e o valor ainda não estão fechados. O mercado coloca em xeque a capacidade de a companhia conseguir captar recursos no curto prazo por conta de sua dívida.

Em meio à turbulência da economia, com maior restrição de crédito e risco para as empresas, as ações da Rumo ALL estão altamente voláteis. Nesta quarta, caíram 4,3%, negociadas a R$ 7,51, chegando a ficar entre as maiores quedas do dia. Em outubro, os papéis acumulam alta de 24,6%, mas neste ano registram queda de 57,3%.

Em relatório a clientes, o UBS destaca preocupação com o calendário pesado de amortização da dívida da companhia em meio a um mercado de crédito restrito e diante de um ambicioso plano de investimentos. "Esses fatores têm levantado a bandeira vermelha em relação à necessidade de dinheiro da empresa", destacou o banco. O alerta ocorre em despeito da melhora operacional da empresa prevista pela instituição para os próximos trimestres.

A união da Rumo, do grupo Cosan, com a ALL, aprovada pelo Cade em fevereiro, criou a maior companhia de logística integrada do País

A dívida líquida da companhia encerrou o segundo trimestre em R$ 7,1 bilhões. Com isso, a alavancagem medida pela dívida líquida e Ebtida (lucro antes de juros, impostos e amortizações) está em 4,97 vezes.

Entre abril e maio, pouco tempo após a fusão entre a Rumo com a América Latina Logística (ALL) ter sido aprovada, a expectativa era de que a captação poderia ser entre R$ 1 bilhão e R$ 1,5 bilhão. Mas muita coisa mudou desde então. Esses recursos que deverão ser levantados serão complementares aos que a ferrovia negocia com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que vai financiar uma parte do plano de investimento e expansão da companhia nos próximos anos. 

O Estado apurou que o BNDES tem uma linha de crédito já aprovada de R$ 1,7 bilhão para o projeto da Rumo ALL, mas esses desembolsos só são liberados aos poucos, à medida que o projeto de expansão for colocado em prática. Procurada, a Rumo ALL não comenta o assunto.

A Rumo ALL tem um plano de investir de R$ 7 bilhões a R$ 10 bilhões nos próximos anos para promover a expansão da companhia. No entanto, a nova administração tem pela frente desafios maiores, que são corte de custos e melhoria operacionais de sua atual malha ferroviária, que está sucateada.

Fontes familiarizadas com o assunto afirmam que os cortes de custos dessa ferrovia estão em andamento e a companhia ferroviária já colocou em prática plano para elevar o escoamento de grãos. "Com o dólar alto, negócios voltados para o agronegócio (baseados em commodities agrícolas, que são exportadas) têm maior facilidade de captação de recursos."

Chancela. A fusão entre Rumo e ALL foi bem vista no governo, uma vez que a ALL enfrentou nos últimos anos diversos problemas para conseguir honrar os seus contratos. "A sinalização do governo é de que a nova administração da companhia deverá entregar um resultado operacional muito melhor, considerando o passado turbulento da ALL", afirmou uma fonte do governo ao Estado.

Com uma malha ferroviária de cerca de 12 mil km, a Rumo ALL é responsável por boa parte do escoamento de grãos do Centro-Oeste até Santos. (O Estado de São Paulo 21/10/2015)

 

Açúcar: Chuvas no Centro-Sul

Os preços do açúcar subiram ontem na bolsa de Nova York, em meio a um cenário apertado para a oferta.

Os contratos do demerara para maio subiram 9 pontos, para 13,96 centavos de dólar a libra-peso.

A Climatempo prevê chuva nos próximos dias no Centro-Sul do Brasil.

"O clima chuvoso vai persuadir as usinas a fazerem etanol, ao invés de açúcar", em um momento em que o hidratado já está em alta, disse Nick Penney, da Sucen Financial.

A China reportou que as importações de açúcar em setembro subiram 80% na base anual, para 656,2 mil toneladas.

Desde o início do ano, as importações foram de 3,7 milhões de toneladas, alta de 55%.

No mercado nacional, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal subiu 1,48%, para R$ 68,05 a saca de 50 quilos. (Valor Econômico 22/10/2015)

 

Usina de cana de Bumlai está à beira da falência

A Justiça do Mato Grosso do Sul deve decidir nas próximas semanas se decreta ou não a falência da Usina São Fernando, localizada no Mato Grosso do Sul e controlada pelo empresário José Carlos Bumlai, mencionado por delatores na operação Lava-Jato como possível intermediário em licitação que teria desviado recursos da Petrobras. O pedido foi feito pelo maior credor da empresa, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que tem a receber mais de R$ 300 milhões, um quarto da dívida da São Fernando, estimada em R$ 1,2 bilhão.

O pedido de falência foi protocolado na 5ª Vara Cível de Mato Grosso do Sul no dia 3 de agosto. À época, as parcelas em atraso com o BNDES somavam R$ 18 milhões. Procurado, o banco de fomento confirmou o pedido e justificou que foi feito dada a "inadimplência da empresa com os compromissos assumidos na recuperação". Depois do BNDES, o maior credor da São Fernando é o Banco do Brasil, que tem a receber R$ 81 milhões da usina.

Conhecido no agronegócio pela produção pecuária, Bumlai entrou no setor sucroalcooleiro em 2007 durante o "boom do etanol", período de euforia com o biocombustível e que teve como um entusiasta o próprio Lula, presidente do país à época e amigo do pecuarista. Naquele momento, não somente a família Bumlai se aventurou no setor, mas uma dezena de empresas, muitas estrangeiras, fizeram apostas de milhões de dólares em etanol e perderam muito dinheiro.

A crise do setor sucroalcooleiro, que abateu também a São Fernando, teria afetado o negócio de criação de gado da família, que chegou a ser dona de 150 mil cabeças no início da década passada. Propriedades da família, tais como fazendas e imóveis urbanos, foram dadas como garantias aos empréstimos contraídos pela usina. Em uma eventual decretação de falência, os bens serão transferidos à massa falida, para pagamento dos credores.

A São Fernando é controlada por duas holdings, a São Marcos Energia e a São Pio Empreendimentos e Participações, que têm como administradores os filhos de José Carlos, Guilherme e Maurício Bumlai.

Uma liderança política do Mato Grosso do Sul, que acompanhou toda a ascensão e o declínio dos negócios de João Carlos Bumlai, conta que agricultores da região de Dourados que arrendavam terras para o cultivo de cana-de-açúcar usada na produção da usina São Fernando têm tantos pagamentos a receber dele que não estão mais renovando os contratos firmados com a empresa. Estima-se que os produtores locais chegaram a arrendar cerca de 70 mil hectares para a usina. "A situação financeira da usina está muito ruim, não estão adubando mais as lavouras de cana arrendadas e estão com vários pagamentos atrasados", disse a fonte, que preferiu falar em condição de anonimato.

A dívida extra concursal, ou seja, contraída pela usina após a entrada da empresa em recuperação judicial, em abril de 2013, está na casa dos R$ 350 milhões, a maior parte com fornecedores, conforme a administradora judicial da São Fernando, a Vinícius Coutinho Consultoria e Perícias.

No ano passado, o Sindicato Rural de Dourados tentou fechar um acordo com Guilherme Bumlai, um dos filhos do pecuarista, para renegociar dívidas que a empresa contraiu com os arrendatários. Cada produtor da região que arrendava propriedades para a São Fernando tem em média seis meses de pagamentos atrasados a receber.

Há relatos de que inclusive o grupo empresarial de Bumlai usava os contratos de arrendamento como garantia para levantar financiamentos junto a bancos, prática incomum no setor agropecuário. Na prática, usava o nome dos produtores para tomar empréstimos rurais e girar sua atividade produtiva.

"Ele já esteve entre os maiores pecuaristas do país no passado, mas hoje tem vendido muita cabeça de gado e vem se desfazendo inclusive de bens para pagar as dívidas com a usina. Nuca mais foi visto nos grandes leilões no Estado", disse a liderança política.

Quando entrou no setor sucroalcooleiro, Bumlai não foi sozinho. Tinha como sócio o Grupo Bertin, com 50%. Em 2011, dois anos depois de a usina entrar em operação, o parceiro do ramo de infraestrutura e que também detinha frigoríficos, vendeu sua participação. O Bertin, no entanto, se mantem como o controlador de um outro grupo de usinas de cana-de-açúcar em dificuldades financeiras, a Infinity Bioenergia, há seis anos em recuperação judicial.

A São Fernando vai tentar evitar a falência. A empresa já reconheceu perante o titular da 5ª Vara Cível de Mato Grosso do Sul, o juiz Jonas Hass Silva Júnior, que não consegue cumprir o cronograma de pagamento de seus credores. A estratégia da defesa, feita pelo escritório Dias Carneiro Advogados, foi a de pedir a realização de uma nova assembléia para aprovar um outro plano.

A Justiça, neste momento, está recebendo depoimento das partes envolvidas no processo para subsidiar sua decisão. Ainda que seja aceita a realização de uma nova assembléia, a São Fernando pode ir à falência caso os credores não aceitarem o novo plano. Fontes do mercado acreditam que tudo caminha para esse desfecho.

O relatório final da administradora Vinícius Coutinho Consultoria e Perícias deve ser entregue à Justiça até o início de novembro. O advogado da administradora, Pedro Mévio Coutinho, diz que pesa a favor da empresa o fato de ainda estar operando e gerando empregos. Segundo ele, o pagamento dos salários dos cerca de 2 mil funcionários está em dia, assim como os débitos trabalhistas contraídos antes da recuperação judicial.

A moagem de cana da usina, no entanto, está em declínio. Com capacidade para 4,5 milhões de toneladas, a unidade processou ano passado 2,4 milhões, e, nesta temporada, foram 1,6 milhão até setembro. (Valor Econômico 22/10/2015)

 

Energia da biomassa representou 8% do consumo nacional de eletricidade em agosto

Em agosto de 2015, segundo dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), 3.207GWh de energia produzida a partir da palha e do bagaço da cana–de-açúcar abasteceram o Sistema Interligado Nacional (SIN).

Apresentando um expressivo crescimento de 9,5% em relação ao mesmo mês do ano anterior, este foi o maior volume energético mensal ofertado pela biomassa, representando, no período, 24% da geração térmica no País - 30% do total de eletricidade consumida pelas residências ou 8% do consumido em todo o País.

O gerente em Bioeletricidade da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Zilmar José de Souza, explica que esta marca histórica alcançada pela bioeletricidade sucroenergética está intimamente atrelada a investimentos realizados no setor em meados da década passada, quando o cenário econômico brasileiro e sucroenergético era atrativo. “Esses números são bons porque a biomassa, nos últimos cinco anos, instalou mais de 6 mil MW novos na rede elétrica, o que corresponde a mais da metade de uma Belo Monte. Isto foi resultado de decisões de investimentos tomadas quando havia um cenário institucional mais favorável à expansão de projetos sucroenergéticos como um todo”, observa o executivo.

De acordo com a CCEE, de janeiro a agosto de 2015, o bagaço e a palha da cana produziram 13.740 GWh para o SIN, um aumento de 14% em comparação ao mesmo período do ano passado. Apesar deste crescimento, Souza alerta que a falta de uma política pública específica para a bioeletricidade já está comprometendo a expansão do segmento canavieiro na matriz elétrica.

“O cenário agora é diferente. Segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), até 2019, a previsão é de que a biomassa instale somente 2.770 MW no SIN, menos da metade do que foi instalado entre 2010 e 2014. Sem medidas adequadas para a bioeletricidade sucroenergética, o seu potencial seguirá subaproveitado”, conclui o consultor da UNICA. (Unica 21/10/2015)

 

Importação de açúcar pela China sobe 80% em setembro

Compras foram incentivadas por preços mais interessantes no exterior. Brasil embarcou 1,5 milhão de toneladas de açúcar para a China até agosto.

As importações chinesas de açúcar em setembro subiram 80% sobre o mesmo mês do ano anterior, para 660 mil toneladas, mostraram dados da alfândega nesta quarta-feira (21), com as compras sendo incentivadas por preços mais interessantes no exterior.

Mas comerciantes disseram que até metade do açúcar importado pode acabar em entrepostos aduaneiros, depois de muitos compradores não conseguirem autorização para retirar o produto.

As compras do maior importador de açúcar do mundo subiram 55,2% nos primeiros nove meses do ano, para 3,73 milhões de toneladas.

O Brasil, maior exportador global, embarcou 1,5 milhão de toneladas de açúcar para a China de janeiro a agosto, alta de 14% na comparação anual, segundo dados do governo brasileiro.

Com os preços do açúcar chineses apoiados por políticas de preços governamentais e restrições a importações, os importadores têm consistentemente obtido mais de 200 dólares por tonelada em compras externas do adoçante em boa parte deste ano.

Isso tem alimentado negócios antecipados, bem à frente da demanda real.

A China introduziu no ano passado um sistema de registro exigindo que compradores de açúcar sem cota obtenham autorização, em uma tentativa de proteger sua indústria.

Não há dados disponíveis sobre a quantidade de açúcar que entrou nas zonas francas até agora este ano, mas fontes comerciais acreditam que poderia haver até 800 mil toneladas.

Cerca de metade das chegadas de setembro pode acabar nos entrepostos aduaneiros, à medida que Pequim tenta limitar as importações em 2015 a 3,8 milhões de toneladas. (Reuters 21/10/2015)

 

MS: Justiça destina R$ 2,7 mi do Bertin para pagar funcionários de usina

Decisão em ação proposta pelo MPT determinou transferência do dinheiro das contas da empresa Contern Construções e Comércio Ltda., também pertencente do Grupo Bertin.

A Justiça do Trabalho determinou nova transferência de valores bloqueados para pagamento dos salários atrasados de agosto e setembro dos empregados da usina Infinity Agrícola, no município de Naviraí, a 366 km de Campo Grande. A decisão foi tomada em ação proposta pelo MPT (Ministério Público do Trabalho) e determina a transferência de R$ 2,7 milhões das contas da empresa Contern Construções e Comércio Ltda., que assim como a Infinity pertence ao Grupo Bertin.

Conforme a assessoria do MPT, a medida ocorre dois meses após a decisão judicial que garantiu o pagamento dos salários de junho e julho. Em decisão anterior, do dia 17 de agosto, R$ 3,6 milhões, referentes à soma dos salários de junho e julho de 2015 já tinham sido transferidos das contas dessa mesma empresa do grupo.

Na semana passada o juiz da Vara do Trabalho em Naviraí, Leonardo Ely, determinou nova transferência para garantir o pagamento dos salários de agosto e setembro.

Situação de calamidade

Para o MPT, o atraso nos salários dos empregados da usina gerou “situação de calamidade pública em Naviraí”, com prejuízos para os trabalhadores e suas famílias e também para o comércio local.

Com a decisão da semana passada, a folha de pagamento de agosto e setembro foi encaminhada para a instituição bancária para a transferência dos valores vinculados até o limite de R$ 2,7 milhões. O dinheiro foi disponibilizado na conta dos trabalhadores, da mesma forma como ocorreu para quitação dos salários de junho e julho.

Venda de cana

Na audiência do dia 10 de setembro a Justiça do Trabalho também determinou a venda da cana plantada pela empresa em Naviraí e região, em torno de 700 mil toneladas. O objetivo foi assegurar a disponibilidade de valores em prol dos empregados.

Conforme o MPT, a cana será vendida por R$ 30 a tonelada e o dinheiro ficará à disposição da Justiça para ser posteriormente destinado ao pagamento das verbas trabalhistas e de outras ações que tramitam contra a usina. “O valor será revertido para pagamento dos salários e, se houver sobra, para quitação de outras dívidas trabalhistas e do FGTS”, afirma a assessoria. A colheita começou neste mês.

Demissões

No dia 14 de setembro a usina Infinity iniciou a demissão de 70% do quadro de empregados, com aviso prévio indenizado. Conforme o sindicato de trabalhadores, devem ser demitidos 500 empregados sem justa causa e serão ajuizadas ações pela entidade para cobrar os pagamentos e demais direitos trabalhistas.

A procuradora do trabalho Cândice Gabriela Arosio, autora da ação, informou que serão mantidos apenas os empregados que farão o corte da cana plantada destinada à venda. Com atividades comerciais no Centro-Oeste, Sudeste e Nordeste, a Infinity está em recuperação judicial. Em março de 2010 foi adquirida pelo grupo paulista Bertin. (Campo Grande News 21/10/2015)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Chuvas no Centro-Sul: Os preços do açúcar subiram ontem na bolsa de Nova York, em meio a um cenário apertado para a oferta. Os contratos do demerara para maio subiram 9 pontos, para 13,96 centavos de dólar a libra-peso. A Climatempo prevê chuva nos próximos dias no Centro-Sul do Brasil. "O clima chuvoso vai persuadir as usinas a fazerem etanol, ao invés de açúcar", em um momento em que o hidratado já está em alta, disse Nick Penney, da Sucen Financial. A China reportou que as importações de açúcar em setembro subiram 80% na base anual, para 656,2 mil toneladas. Desde o início do ano, as importações foram de 3,7 milhões de toneladas, alta de 55%. No mercado nacional, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal subiu 1,48%, para R$ 68,05 a saca de 50 quilos.

Cacau: Vendas técnicas: Após três altas seguidas, os contratos do cacau na bolsa de Nova York perderam terreno ontem, sob o peso de vendas especulativas e expectativas com os dados de moagem da Ásia. Os lotes para março de 2016 recuaram US$ 49, para US$ 3.153 a tonelada. Apesar do receio com os efeitos do fortalecimento do El Niño na produção do oeste da África e do sudeste da Ásia, o mercado não conseguiu sustentar uma nova alta de preços. Thomas Hartmann, da TH Consultoria, observou em nota no site "Mercado do Cacau que houve "um surto de vendas especulativas" que "eliminou cerca de metade dos ganhos" registrados no início da sessão. No mercado interno, o preço médio em Ilhéus e Itabuna caiu R$ 1, para R$ 138 a arroba, de acordo com a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Algodão: Qualidade em xeque: Os preços do algodão subiram ontem na bolsa de Nova York, ainda como reflexo dos receios com a qualidade da produção americana. Os papéis para março subiram 39 pontos, para 64,05 centavos de dólar a libra-peso. As áreas produtoras do sul dos EUA, entre elas o Texas, têm recebido chuvas que podem afetar a qualidade da fibra, já que as "maçãs" estão abertas em campo. As previsões indicam possibilidade de mais chuvas na região nos próximos dias. A China reportou ontem que suas importações da pluma em setembro caíam 59% na base anual, para 50,5 mil toneladas. No acumulado do ano, as importações caíram 42%, 1,2 milhão de toneladas. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a pluma com pagamento em oito dias caiu 0,04%, para R$ 2,3524 a libra-peso.

Milho: Atraso na colheita: Pelo segundo dia consecutivo, os preços do milho negociado bolsa de Chicago fecharam em alta. Os contratos futuros com vencimento em março subiram 3 centavos de dólar por bushel no pregão de ontem, fechando a US$ 3,9025 por bushel. De acordo com analistas, essa valorização refletiu a maior cautela dos investidores com algumas chuvas nas regiões produtoras de milho dos EUA, que podem retardar a colheita do grão. Além disso, o maior consumo de milho para a produção de etanol nas usinas americanas na semana passada também ajudou a sustentar para as cotações da commodity. No Brasil, o indicador Esalq/BM&FBovespa apontou valorização de 1,02% no preço do milho ontem, com a saca cotada a R$ 32,53. No acumulado de outubro, porém, o indicador registra baixa de 3,44%. (Valor Econômico 22/10/2015)