Setor sucroenergético

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O réu perpétuo e o vampiro de Curitiba

Marcelo Odebrecht deve representar um perigo horrível: o risco de se escafeder para os confins do mundo, levando consigo a caixa de Pandora do Lava Jato. Se vacilar, Sérgio Moro vai evoluir dessa versão tupiniquim de Guantánamo para o panóptico, do filósofo Jeremy Benthan.

Esta última geringonça era um idealizado cárcere, transparente e permanentemente vigiado de forma que o presidiário não tivesse privacidade sequer para piscar os olhos – ou fazer suas necessidades.

A prisão preventiva do empresário, que não admite a presunção de inocência a despeito das provas incitarem mais dúvidas do que confirmações, é fundamentada nos cuidados para que Marcelo não “dê sinais capazes de colocar em risco a investigação”

Como os computadores, celulares e arquivos do empreiteiro já foram varridos, a preocupação deve ser com métodos incomuns, tipo batucar com o lápis em algum bloquinho, que pode muito bem ser interpretado como código morse.

Por esses critérios, Marcelo pode ficar preso até ao fim da vida, basta não ter cometido ilicitude e, por uma questão de hombridade, recusar-se a confessar o crime que não cometeu. Bem, pelo menos Moro deu uma aliviada e, graças a uma determinação do STF, excluiu o “risco a ordem pública” como justificativa para a permanência do réu na prisão.

Se Moro tirasse aquela camisa preta para higienizar o pensamento, talvez chegasse à conclusão de que deixar Marcelo Odebrecht obrar (atuar) seria mais vantajoso para o país do que tratá-lo como Dillinger. Era capaz de ele já ter colocado mais de 1% do PIB nos canteiros de obras do Brasil (Relatório Reservado, 22/10/1)

 

Chuva e Cide fazem açúcar subir em NY

As cotações internacionais do açúcar voltaram a subir ontem por causa da chegada das chuvas ao Centro-Sul do Brasil e em virtude da possibilidade de aumento da alíquota da Cide sobre a gasolina no país, que aumentaria a competitividade do etanol em relação ao combustível fóssil e poderia levar as usinas a destinar uma parcela maior da moagem de cana para elevar sua produção.

Na bolsa de Nova York, os contratos do açúcar demerara com vencimento em maio encerraram a sessão cotados a 14,26 centavos de dólar a libra-peso. Em relação ao fechamento anterior, a alta foi de 2,1%, ou 30 pontos. Desde o início do mês, o contrato já subiu 10%, ou 138 pontos.

As precipitações nas áreas canavieiras tendem a atrasar a moagem de cana das usinas brasileiras, o que reduz as chances de recuperação da produção até o fim da safra, de acordo com Ana Carolina Ferraz, gerente de análise de mercado da trading Czarnikow. O fortalecimento do fenômeno El Niño acentua as preocupações com a oferta não apenas no Brasil, mas também em outros importantes países produtores, como Índia e Tailândia.

Já a influência do "fator Cide" voltou a aumentar porque o relator do Orçamento de 2016, deputado Ricardo Barros (PP), aventou a possibilidade de elevar a alíquota incidente sobre a gasolina caso o governo não emplaque a CPMF no Congresso. "Mesmo sem a Cide, o hidratado já está em patamar muito alto em função de demanda forte", disse Ana Carolina Ferraz. (Valor Econômico 23/10/2015)

 

Chineses podem levar 25% da BR Distribuidora

O conselho de administração da Petrobras avalia nesta sexta (23) as duas primeiras grandes operações de venda de ativos para enfrentar sua crise financeira, que envolvem a BR Distribuidora e a Gaspetro.

A Folha apurou que a distribuidora está sendo negociada com um parceiro chinês.

A ideia da Petrobras é vender uma fatia de até 25% da subsidiária, para arrecadar recursos enquanto aguarda melhores condições para lançar ações dela no mercado.

A abertura de capital da BR Distribuidora foi suspensa diante do cenário econômico adverso.

A Gaspetro está sendo negociada com a japonesa Mitsui. A companhia tem participação em 19 distribuidoras de gás canalizado espalhadas pelo país.

O processo enfrenta a resistência de sócios da estatal nas distribuidoras estaduais: o governo da Bahia e a Termogás, do empresário Carlos Suarez (um dos fundadores da OAS), já notificaram a companhia de que entendem que a venda fere acordos de acionistas das distribuidoras.

A Petrobras já levou ao mercado a proposta de venda de um terceiro grande ativo, a Transportadora Associada de Gás (TAG), que controla a malha brasileira de gasodutos. (Folha de São Paulo 23/10/2015)

 

Mais um petista e homem de confiança de Lula atrás das grades

Ao mesmo tempo em que Henrique Pizzolato, ex-diretor de marketing do Banco do Brasil e um dos expoentes da quadrilha que se instalou no governo com Lula com o objetivo de transformar recursos públicos em privados, é devolvido ao Brasil pela Itália para cumprir a pena que lhe foi imposta no processo do ‘mensalão’, uma das mais modernas usinas de açúcar e etanol, a São Fernando, está na iminência de ir à falência nos próximos dias.

Vale lembrar que o ex-sindicalista bancário Pizzolato, para fugir do Brasil, violou a memória de um irmão já falecido e com seus documentos falsos viajou à Itália onde acabou preso. Isto dá uma dimensão do que esta gente é capaz. Nem os mortos são respeitados. A mesma lógica se aplica ao amigo de Lula, José Carlos Bumlai, que até conhecer o ex-presidente, era um dos maiores e bem sucedidos pecuaristas do país.

A derrocada da cadeia produtiva sucroenergética, tem o dedo e o DNA de Lula, pois a opção de deixar quebrar o setor em benefício das falcatruas e do assalto à Petrobras, tiveram início no começo do seu segundo mandato e foram perpetuadas quando Dilma o sucedeu. Isto já faz parte da história da nossa economia e deixou claro que a quadrilha do PT e sua base aliada, também formada por ladrões contumazes, tinha outros objetivos em mente do que aqueles que sempre propagavam e defendiam em suas campanhas eleitorais.

A grave situação e a possível falência da usina do amigo de Lula, a São Fernando, mostra também que esta gente, além de não ter limites para assaltar os cofres públicos, não dá a mínima a quem lhes ajudou a chegar ao poder. Bumlai e sua família que o digam, assim como José Dirceu e outros próceres políticos do PT e dos partidos da base aliada já presos e outros tantos sendo investigados pela Justiça.

O impacto desta roubalheira, a maior na história mundial, ainda será sentido pelas próximas gerações. Infelizmente nossos filhos, netos e bisnetos, serão sempre lembrados de que foi a nossa geração que permitiu que bandidos assumissem o papel de dirigentes das mais altas instituições deste Brasil varonil. E muitos dos nossos bateram palmas a eles...

E pensar que desde o início da crise do setor canavieiro, em 2007, a posição inflexível das lideranças dos usineiros e isto foi reiteradamente e cansativamente repetido em entrevistas à imprensa, era esperar que Dilma, que chegou a ser elogiada como ‘patriota’, embora tivesse quebrado o País, viesse a público dizer o que esperava do setor.

Talvez hoje, mais do que nunca, a resposta tenha sido compreendida, infelizmente com centenas de indústrias quebradas e fechadas, com centenas de milhares de postos de trabalho extintos e com centenas de municípios produtores de cana em situação dramática pela falta de recursos e aumento dos problemas sociais (Ronaldo Knack é Jornalista e bacharel em Direito e Administração de Empresas. É também fundador e editor do BrasilAgro;ronaldo@brasilagro.com.br)

 

Justiça vem bloqueando contas do grupo Bertin para garantir pagamento de trabalhadores da Usina Infinity

Desde junho o pagamento dos trabalhadores da usina Infinity Bioenergia, em recuperação judicial há seis anos, tem sido feito à base de bloqueios judiciais.

Depois da Justiça do Trabalho bloquear, em agosto, R$ 3,6 milhões das contas bancárias do grupo econômico Bertin, na semana passada foi determinada a transferência de mais R$ 2,7 milhões de contas bloqueadas para o pagamento de salários atrasados referentes a agosto e setembro dos empregados da usina Infinity, no município de Naviraí, no Mato Grosso do Sul.

A decisão foi tomada em ação proposta pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) e determina que os valores sejam transferidos das contas da empresa Contern Construções e Comércio Ltda., que assim como a Infinity pertence ao grupo Bertin.

A medida ocorre dois meses após outra decisão judicial com o mesmo intuito. Na determinação anterior, do dia 17 de agosto, R$ 3,6 milhões, referentes à soma dos salários de junho e julho de 2015 já tinham sido transferidos das contas dessa mesma empresa do grupo.

Na semana passada o juiz da Vara do Trabalho em Naviraí, Leonardo Ely, determinou nova transferência para garantir o pagamento dos salários de agosto e setembro.

Pelo menos 900 trabalhadores estão há dois meses sem receber salários e enfrentam dificuldades até para o sustento da família. O Bertin é um conglomerado de empresas nas áreas de energia, infraestrutura, alimentação, equipamentos de proteção, agronegócio e hotelaria. Possui 35 mil funcionários em todo o país.

Para o MPT, o atraso nos salários dos empregados da usina gerou “situação de calamidade pública em Naviraí”, com prejuízos para os trabalhadores e suas famílias e também para o comércio local.

Com a decisão da semana passada, a folha de pagamento de agosto e setembro foi encaminhada para a instituição bancária para a transferência dos valores vinculados até o limite de R$ 2,7 milhões. O dinheiro foi disponibilizado na conta dos trabalhadores, da mesma forma como ocorreu para quitação dos salários de junho e julho.

Venda de cana

Na audiência do dia 10 de setembro a Justiça do Trabalho também determinou a venda da cana plantada pela empresa em Naviraí e região, em torno de 700 mil toneladas. O objetivo foi assegurar a disponibilidade de valores em prol dos empregados.

Conforme o MPT, a cana será vendida por R$ 30 a tonelada e o dinheiro ficará à disposição da Justiça para ser posteriormente destinado ao pagamento das verbas trabalhistas e de outras ações que tramitam contra a usina.

“O valor será revertido para pagamento dos salários e, se houver sobra, para quitação de outras dívidas trabalhistas e do FGTS”, afirma a assessoria. A colheita começou neste mês.

Demissões

No dia 14 de setembro a usina Infinity iniciou a demissão de 70% do quadro de empregados, com aviso prévio indenizado. Conforme o sindicato de trabalhadores, devem ser demitidos 500 empregados sem justa causa e serão ajuizadas ações pela entidade para cobrar os pagamentos e demais direitos trabalhistas.

A procuradora do trabalho Cândice Gabriela Arosio, autora da ação, informou que serão mantidos apenas os empregados que farão o corte da cana plantada destinada à venda. Com atividades comerciais no Centro-Oeste, Sudeste e Nordeste, a Infinity está em recuperação judicial. Em março de 2010 foi adquirida pelo grupo paulista Bertin. (Campo Grande News 22/10/2015)

 

Importação de açúcar branco pela Indonésia deve atingir 100 mil t em 2015 com El Niño

A Indonésia deve importar 100 mil toneladas de açúcar branco em 2015, depois de não ter importado nada do adoçante no último ano, disse um representante da indústria, com o tempo seco causado pelo fenômeno climatológico El Niño reduzindo a produção local.

Isso pode ajudar a elevar os preços globais, que dispararam nos últimos meses devido a preocupações sobre um déficit internacional de suprimento, mas é um golpe para o esforço do governo do presidente Joko Widodo para atingir autossuficiência em alimentos.

A produção de açúcar branco da nação do Sudeste Asiático deve cair 4 por cento, para 2,5 milhões de toneladas neste ano, ante 2,6 milhões em 2014, disse à Reuters o diretor-executivo da Associação de Açúcar da Indonésia, Tito Pranolo. Ele prevê uma queda para 2,4 milhões de toneladas em 2016.

"O preço (doméstico) é bom, mas os retornos estão caindo", disse o executivo da associação nesta quinta-feira. "Esperamos que os estoques finais sejam menores neste ano porque a produção vai cair devido ao tempo seco".

A Indonésia normalmente entra no período de chuvas em outubro e novembro, mas espera-se que o país enfrente um clima seco neste ano devido ao El Niño. (Reuters 22/10/2015)

 

Globo Rural: Empresários do agronegócio mantêm otimismo

Globo Rural: Empresários do agronegócio mantêm otimismo Agronegócios.

Durante entrega do prêmio Melhores do Agronegócio, quase 60% deles disseram acreditar que 2016 será melhor que 2015.

Quase 60% dos empresários do agronegócio brasileiro estão otimistas com relação aos negócios em 2016. Eles acreditam que suas empresas devam faturar mais que no ano corrente. Foi o que revelou pesquisa realizada na entrega do 11º Prêmio Melhores do Agronegócio, na noite de terça-feira (20/10), em São Paulo. Pelo menos 250 empresários e executivos estavam presentes na cerimônia comandada pela revista GLOBO RURAL. A pesquisa elegeu as companhias que apresentaram os melhores resultados financeiros e sócios-ambientais no ano de 2014.

O diretor de redação da revista GLOBO RURAL, Bruno Blecher, apresentou seis questões ao público que lotou as dependências do Leopolldo, em São Paulo. Cada empresário respondia imediatamente as perguntas por meio de um aparelho digital. As respostas eram mostradas em tempo real em dois telões.

Em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) do ano que vem, outro quesito da pesquisa, a grande maioria (60,1%) espera um crescimento de menos de 1%, enquanto 28,4% apontaram crescimento zero e 11% acreditam numa variação maior que 1%.

A expectativa dos empresários do campo em relação à inflação é menos otimista: 36,5% dos convidados responderam que o índice deve ficar em 11%, enquanto 27,4% apostam em 9% e 22,1% acreditam que a inflação deve superar os 11%. Apenas 13,9% dos empresários escolheram a opção 7% para 2016.

Já a taxa de juros para 2016, outra questão crucial levantada na pesquisa, praticamente dividiu as opiniões: 50,2% acreditam que ela irá superar os atuais 14%, enquanto 45% acham que deve variar entre 12% e 14%. Por fim, 4,8% dos pesquisados optaram por 11%.

Finalmente, segundo avaliação de 43,5% dos entrevistados, o dólar pode se conservar na mesma faixa de hoje, ao redor de R$ 4. Para 23,9%, a moeda americana deve ir a R$ 4,50, e 7,7% dos empresários apostam em R$ 5 ou mais. (Globo Rural 22/10/2015)

 

Para cumprir meta, País precisa ‘precificar’ carbono, sugere estudo

Análise considera US$ 50 a tonelada de CO2; para pesquisadores, Brasil teria mais facilidade em migrar para energias renováveis.

Para atingir suas metas de redução de 43% das emissões de gases de efeito estufa até 2030, o Brasil precisa alcançar o desmatamento zero, ter uma agricultura de baixo carbono e considerar que o preço da tonelada de CO2 emitida no setor energético é de US$ 50. Só assim será possível fechar as contas propostas pelo governo.

Esse é o cálculo feito por um grupo de pesquisa da Universidade Federal do Rio de Janeiro, liderado por Roberto Schaeffer, professor de planejamento energético, como parte de um estudo internacional divulgado nesta quinta-feira, 22, que analisou as chamadas INDCs (sigla em inglês para o conjunto de compromissos tendo em vista a Conferência do Clima da Organização da Nações Unidas, em Paris) de Brasil, China, Japão, Índia, Estados Unidos e União Européia.

O estudo analisou quais ações precisam ser tomadas pelos países não só cumprir para as metas apresentadas, mas também para que elas sejam incrementadas com o passar dos anos a fim de que o mundo consiga alcançar a meta de conter o aquecimento do planeta a 2°C.

Schaeffer e equipe levaram em conta as projeções econômicas brasileiras mais recentes, que indicam recessão num primeiro momento, mas retomada do crescimento dentro de alguns anos, para calcular, por exemplo, como a produção agrícola vai se comportar, como será a demanda por energia, transporte, produção de cimento, entre outros dados macroeconômicos.

A partir desses dados eles fizeram uma modelagem para estimar quanto serão as emissões de gases de efeito estufa do Brasil e, assim, propor ações que precisarão ser tomadas para cumprir a meta apresentada pelo governo.

“Considerando tudo isso, imaginamos que se o Brasil alcançar o desmatamento zero e adotar uma agricultura de baixas emissões, como proposto no Plano ABC (Agricultura de Baixo Carbono), sobra para a energia uma boa fatia de ações para fechar a conta das metas. E isso só será alcançado se o País atribuir um valor ao carbono na hora de optar se não vai fazer mais usinas termoelétricas e migrar para a eólica ou solar, ou trocar o diesel por biocombustíveis no transporte”, diz Schaeffer.

Para ele, esse número é de US$ 50 a tonelada de CO2-equivalente, que considera os impactos causados pelos combustíveis fósseis no aquecimento do planeta. “Estamos falando no custo que a economia teria de estar disposta a pagar pelo carbono, seja em uma taxação propriamente dita ou em uma inversão dos subsídios, senão o sistema não vai mudar o seu perfil”, defende.

De acordo com o pesquisador, há várias maneiras de abordar essa precificação. De um lado, por exemplo, poderia ser um aumento direto no valor dos combustíveis, com a gasolina e o diesel mais caros na bomba. “É uma penalidade pelo que o carbono que está ali dentro”, diz Schaeffer. Ou o etanol poderia ser subsidiado para ser mais barato, também levando essa taxa do carbono em consideração. O mesmo valeria para as usinas de energias renováveis, que poderiam ser subsidiadas tendo essa taxa em mente.

“A pergunta que nos foi feita nesse estudo é: o que o Brasil propõe é possível? A INDC brasileira não diz com todos os detalhes como chegar lá. Nos nossos modelos, esse é um caminho possível. Ao valorar o carbono a US$ 50 a tonelada, o setor se redireciona. Sem isso, o desmatamento zero, e o plano ABC cumprido na íntegra, a conta não vai fechar”, diz.

Resultados globais

A análise das INDCs de Brasil, China, Japão, Índia, Estados Unidos e União Europeia reforça que as metas não são suficientes para segurar o aquecimento em no máximo 2°C, como já foi dito por outros trabalhos, mas é um pouco mais otimista ao opinar que elas trazem uma aceleração sem precedentes e uma consolidação de ação contra as alterações climáticas nas principais economias do mundo.

Conduzido por 14 institutos de pesquisa, o trabalho sugere que as metas poderão servir como um ponto de partida para a transformação profunda rumo a uma economia de baixo carbono caso o Acordo de Paris inclua um mecanismo para fortalecer e ampliar esses compromissos políticos.

O estudo Além dos Números, Entendendo a Transformação Induzida pelas INDCs defende que o acordo pode construir uma ponte entre o que foi proposto agora e os 2°C se estabelecer um mecanismo previsível que incremente as metas com regularidade, sendo o primeiro reforço já em 2020, aumentando a ambição proposta nas INDCs.

Para os autores, neste cenário, um fortalecimento de políticas e compromissos até 2020 reduziria as emissões em mais de 5 Gt CO2 em 2030 em comparação com o nível atual das INDC, permitindo uma trajetória menos onerosa e mais viável rumo aos 2°C. Segundo os pesquisadores, isso permitiria uma redistribuição mais suave do investimento em tecnologias de baixa emissão de carbono e em novas infraestruturas.

Se isso não for pensado já a partir de 2020 e as INDCs seguirem o rumo proposto agora até 2030, depois disso seria necessária uma mudança muito mais brusca para conseguir manter o aquecimento do planeta a no máximo mais 2°C até o final do século. (O Estado de São Paulo 22/10/2015)

 

Alta da gasolina e do etanol torna GNV até 40% mais competitivo, diz Abegás

A elevação dos preços da gasolina e do diesel aumentou a competitividade do Gás Natural Veicular (GNV) em relação aos demais combustíveis, de acordo com levantamento divulgado pela Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás). O estudo aponta que, em alguns casos, o custo por metro quadrado rodado (R$/km) pode apresentar uma diferença superior a 40%.

O levantamento, o primeiro de um boletim que será divulgado mensalmente pela Abegás, aponta que, nos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro, a economia gerada com o consumo de GNV pode alcançar 44%, quando comparado com a gasolina. Na região Sudeste como um todo, a diferença é de 40%. Esse número cai para aproximadamente 35% nas demais regiões do País.

No caso do etanol, a competitividade do GNV é menor, rondando na casa dos 10% nas regiões Sudeste e Nordeste e em patamares inferiores para as demais regiões do País.

Para chegar a esses números, a Abegás levou em consideração o consumo padrão de um veículo modelo Fiat Siena, cujo consumo por combustível é identificado no manual do veículo. O consumo é de 13,2 quilômetros por metro cúbico (km/m3) no caso do GNV. A gasolina faz 10,7 quilômetros por litro (km/l) e o etanol, 7,5 km/l.

O preço dos combustíveis foi obtido entre os dias 10 e 17 de outubro, com base em dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Foram avaliados os preços de 19 Estados e um ambiente no qual o rodagem mensal do veículo é de 2.500 km. (Agência Estado 22/10/2015)

 

Risco de inadimplência coloca em alerta revendas de insumos agrícolas no país

As vendas de importantes insumos para a safra de grãos 2015/16, como sementes e fertilizantes, estão praticamente concluídas, mas revendas de todo o país colocam-se em estado de alerta com o aperto no fluxo de caixa dos produtores e riscos de inadimplência, afirmaram importantes executivos do setor.

"Num ano desses, de custos aumentando e o preço das commodities caindo, o mais difícil é você fazer essa seleção de clientes", disse à Reuters o vice-presidente da Agro Amazônia, uma das maiores distribuidoras de insumos do Centro-Oeste, Roberto Motta.

Produtores brasileiros têm enfrentando dificuldades com o crédito este ano, com menos subsídios do governo federal aos financiamentos, no contexto do ajuste fiscal capitaneado pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy.

Além disso, os preços internacionais de commodities como a soja e o milho recuaram cerca de 30 por cento desde os picos de 2014. Com os preços de insumos como fertilizantes e defensivos também atrelados ao mercado externo, os benefícios da desvalorização do real vêm sendo limitados.

"Em ano de margens apertadas, o foco é o fluxo de caixa. Vender à prazo é fácil... mas se você não tiver atenção ao fluxo de caixa, você não sobrevive para chegar lá na frente e receber essas contas", afirmou o presidente da Terrena Agronegócios, de Minas Gerais, Marco Antônio Nasser de Carvalho.

Segundo ele, o momento atual, de implementação e manejo das lavouras de grãos, é o que mais exige capital de giro nas fazendas, com necessidade de pagamento de combustíveis, maquinário e compra de alguns insumos, como defensivos. É neste estágio que começam a surgir dificuldades de fluxo de caixa para produtores menos capitalizados ou com pouco acesso a crédito bancário, com possibilidade de repercussão também para seus fornecedores.

"A falta do recurso de custeio é grave... Nós somos altamente impactados. Se ele está apertado aqui, como ele vai liquidar (suas dívidas) lá na frente?", ponderou Carvalho.

A Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários (Andav), entidade que reuniu executivos do setor esta semana em São Paulo para marcar seus 25 anos de atuação, já vem registrando casos de empresas com problemas financeiros e pedidos de falência.

"Já começou a aparecer... Todos os que vinham com gestão arriscada no passado, estão começando a aparecer agora com algumas quebras", disse o presidente da Andav, Carlos Henrique Nottar, citando problemas em Mato Grosso, mas sem dar outros detalhes.

"BARTER"

No contexto de crédito apertado e maiores riscos, as revendas buscam selecionar com mais cuidado o perfil dos clientes para quem vendem a prazo.

Na Agro Amazônia, por exemplo, é aplicado um questionário com 70 perguntas para avaliar anualmente as condições dos compradores.

Na avaliação de Motta, cerca de metade das vendas de defensivos de Mato Grosso são feitas com operações de crédito das próprias revendas.

Outra estratégia que volta com força em anos de crédito bancário mais difícil e caro é o "barter", no qual o agricultor paga pelo insumo com a entrega do grão após a colheita.

"Em anos de crise, isso se acentua.... Na próxima safra (2015/16) de soja devemos ter algo em torno de 50 por cento dos negócios em barter", revelou o sócio-gerente da Ferrari Zagatto, Ferreirinha Costa, com forte atuação na distribuição de insumos no centro-norte do Paraná.

Segundo ele, as operações de "barter" representavam 25 a 30 por cento dos negócios das revendas da região em anos anteriores.

Na estimativa de Motta, da Agro Amazônia, essa modalidade para a safra 2015/16 pode chegar a 30 por cento das vendas de alguns produtos pelas revendas de Mato Grosso. (Reuters 22/10/2015)

 

Collor pressionou por compra de R$ 1 bi em etanol, diz delator

Cerveró, que era diretor da BR Distribuidora, falou sobre pressão a lobista.

O lobista Fernando Soares, o Baiano, um dos delatores da Operação Lava-Jato, afirmou ter ouvido de Nestor Cerveró, que o senador Fernando Collor estava pressionando a BR Distribuidora a comprar usinas indicadas por ele, uma enorme quantidade de álcool de uma safra futura. O valor da operação girava em torno de R$ 1 bilhão. Cerveró foi diretor financeiro da BR Distribuidora, além de diretor da área Internacional da Petrobras. A informação foi dada por Baiano ao falar sobre a compra de um Range Rover Evoque vermelho, feita para Cerveró, com quem tinha bastante contato. O carro seria um presente para a mulher do ex-diretor da Petrobras e, na avaliação da Polícia Federal, teria sido pago por Baiano como forma de pagamento de propina.

Em nota, o senador negou ter feito qualquer tipo de pressão ou exercido ingerência sobre a Petrobras ou a BR Distribuidora. “O senador não se dignará a responder a especulações infundadas de delator a partir do que supostamente ouviu dizer de terceira pessoa, e que não apontam concretamente qualquer fato específico, nem lhe atribuem prática de qualquer ilegalidade”, diz a nota.

Baiano afirmou ter feito a encomenda do carro para Cerveró numa concessionária em São Paulo, onde costumava comprar seus veículos, e, quando o veículo chegou e avisou Cerveró, este lhe pediu para providenciar o transporte de valores em espécie do Rio para São Paulo para fazer parte do pagamento. O veículo teria custado cerca de R$ 230 mil e Cerveró queria pagar R$ 170 mil em dinheiro vivo. O lobista diz que recorreu então a um doleiro e operador de contas em São Paulo, chamado Diego Candolo, com quem tinha créditos no exterior, para que o pagamento do carro fosse feito.

Ele disse ter recebido o dinheiro de Cerveró um mês depois, em notas de R$ 50 e R$ 100 agrupadas em maços de R$ 10 mil e que gastou em despesas pessoais, pois costumava usar dinheiro em espécie. Baiano não exclui a possibilidade de Cerveró ter recebido o dinheiro a título de propina em contratos, mas que não sabe dizer se havia irregularidades na BR Distribuidora.

COSTA DESVIOU DINHEIRO DO PP, DIZ LOBISTA

Baiano confirmou ainda ter recebido dinheiro da construtora Andrade Gutierrez sem ter prestado serviços, apenas para que intermediasse contato com o diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa. Segundo ele, foi assinado um contrato de R$ 3 milhões entre a construtora e uma de suas empresas, a Techinis - ele ficou com 70% do valor e 30% teria sido destinado a um diretor da própria empreiteira, Luis Mattoni, que se beneficiaria da propina e seria o representante da empresa na Petrobras.

Baiano diz que, até o julgamento do mensalão, quem operou recebimento de valores para Paulo Roberto Costa foi João Cláudio Genu, que foi chefe de gabinete da liderança do PP. Na avaliação dele, Paulo Roberto Costa e Genu teriam se associado para desviar dinheiro de propina que deveria ser paga ao PP, partido que indicou o diretor da Petrobras.

O lobista acredita que Costa passou a apontá-lo como operador do PMDB para justificar o desvio de recursos que deveriam ir para o PP. Contou que, certa vez, chegou a ser apresentado ao então deputado Pedro Corrêa, do PP, que lhe disse: "Então você é o Fernando Baiano que está levando o dinheiro da gente para o PMDB", referindo-se às propinas de contratos da Petrobras.

Baiano contou que, por volta de 2007, também passou a ser incumbido por Costa de cobrar propina no Brasil e também receber valores no exterior. O valor movimentado por ele teria ficado entre R$ 20 milhões e R$ 25 milhões - apenas no exterior, teria recebido mais de 20 depósitos. Para fazer o serviço, ficava com 20% da propina. Apesar de receber valores, o lobista diz que não sabia quem pagava. Quando ia receber dinheiro em espécie, recebia de Costa uma "senha", como Fusca ou América, que deveria falar para ser identificado pelo pagador. Geralmente, afirmou, esses pagamentos eram feitos em salas que aparentavam ser estruturas temporárias.

Disse que o doleiro Alberto Youssef lhe pediu para solicitar à Andrade Gutierrez um pedido de doação de R$ 1,5 milhão para a campanha do PP em 2010, que provavelmente seriam provenientes de vantagens indevidas vinculadas a contratos da Petrobras. Como foi negado, Costa teria dito que ele mesmo procuraria a empreiteira. Baiano não soube dizer se a empresa doou, mas disse que logo depois foi buscar em São Paulo uma doação de R$ 500 mil, em dinheiro, num endereço indicado por Costa. (O Globo 22/10/2015)

 

Commodities Agrícolas

Cacau: Sem sustentação: Os futuros do cacau chegaram a buscar uma recuperação nos últimos dias, mas não conseguiram se sustentar até o fim da sessão de ontem e fecharam com ligeira queda na bolsa de Nova York. Os contratos para março caíram US$ 7, a US$ 3.146 a tonelada. No oeste da África, as lavouras receberam chuvas nos últimos dias, oferecendo um alívio para as árvores, que sofreram com a estiagem de julho e agosto. Já no sudeste da Ásia, o clima segue seco, influenciado pelo fortalecimento do El Niño, segundo Jack Scoville, da Price Futures Group. Os investidores esperam agora pelos dados de moagem de cacau da Ásia no terceiro trimestre, que devem ser divulgados hoje. No mercado interno, a arroba da amêndoa ficou estável em R$ 138 em Ilhéus e Itabuna (BA), segundo a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Algodão: Devolvendo ganhos: Apesar das regiões produtoras de algodão dos Estados Unidos ainda estarem sob chuvas que ameaçam a qualidade da fibra, os preços da commodity recuaram ontem na bolsa de Nova York, devolvendo parte dos ganhos acumulados nos últimos dois pregões. Os contratos para março recuaram 168 pontos, a 62,37 centavos de dólar por libra-peso. A preocupação em torno da colheita americana, porém, permanece no radar. "Um terço da colheita foi realizada, mas as previsões indicam chuvas para o Texas e outras áreas das Grandes Planícies, o que pode atrasar a colheita e prejudicar a qualidade", afirmou Jack Scoville, analista da Price Futures Group. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a pluma recuou ontem 0,16%, a R$ 2,3487 a libra-peso.

Soja: Colheita avança: Os novos sinais positivos sobre a demanda pela soja americana não foram suficientes para manter a oleaginosa no campo positivo na bolsa de Chicago. Os contratos para janeiro recuaram 8,50 centavos no pregão americano, a US$ 9,01 o bushel. Os exportadores americanos negociaram apenas ontem um volume expressivo de soja, sendo que 420 mil toneladas deverão ser embarcadas ainda nesta temporada para "destinos desconhecidos", segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Mas o avanço da colheita americana segue avançando e a produção brasileira continua competitiva em relação ao produto dos Estados Unidos. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o grão no Paraná subiu 0,10%, a R$ 79,53 a saca.

Trigo: Cenário benéfico: Um cenário climático mais favorável às lavouras e a redução das venda externas dos Estados Unidos atuaram para derrubar os preços futuros do trigo nas bolsas americanas. Os contratos para março caíram 4,25 centavos no pregão de Chicago, a US$ 4,97 o bushel. Em Kansas, onde se negocia o cereal de melhor qualidade, o mesmo vencimento recuou 5 centavos, a US$ 4,9050 o bushel. As áreas produtoras nos Estados Unidos e no Leste Europeu têm registrado chuvas nesta semana, com previsões de mais precipitações nos próximos dias. Também pressionou o mercado o dado do Departamento de Agricultura do país (USDA) de que houve uma queda de 22% nas vendas externas do cereal na semana encerrada no dia 15. No Paraná, o trigo foi negociado com estabilidade a R$ 36,97 a saca, segundo o Deral/Seab. (Valor Econômico 23/10/2015)