Setor sucroenergético

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Açúcar dispara em outubro e usinas brasileiras aproveitam

Sob o efeito da conjuntura positiva para o etanol no Brasil, as cotações do açúcar atingiram em outubro a maior alta entre as principais commodities agrícolas negociadas em bolsas internacionais. A guinada, iniciada em agosto e potencializada nos meses seguintes pelo reajuste da gasolina, causou uma corrida das usinas brasileiras por garantir esses preços mais altos, vendendo a commodity na bolsa de Nova York para entrega em 2016.

Estimativas de mercado indicam que as indústrias do Brasil tenham vendido na bolsa nova-iorquina o equivalente a 27% do açúcar que será exportado da safra 2016/17 que, oficialmente, começa em 1º de abril. O padrão médio para esse momento, seis meses antes do início da temporada seguinte, é de um hedge abaixo de 10% do que será embarcado. Maior exportador global da commodity, com metade dos volumes transacionados no mundo, o Brasil vem exportando por safra em torno de 24 milhões de toneladas.

E a valorização observada em outubro foi fundamental para consolidar essa venda antecipada, conforme traders. Neste mês, os contratos de segunda posição de entrega na bolsa de Nova York se valorizaram 14,18% em comparação com a média de preços de setembro, conforme o Valor Data. Desde o último dia de agosto, essa alta supera 21%.

A guinada da commodity começou em agosto, após cinco ciclos consecutivos de retração puxada por sucessivos superávits globais. Tomou força após o reajuste da gasolina, que elevou os patamares de remuneração ao etanol. Desde o fim de agosto, o litro do hidratado, que é usado diretamente no tanque dos veículos, subiu quase 33%, a R$ 1,54, conforme referência do indicador semanal Cepea/Esalq para o produto. Vem pesando, ainda, a ocorrência de chuvas neste fim de ciclo, o que vem atrapalhando a moagem de cana no Centro-Sul. "É preciso lembrar que ronda o mercado a possibilidade de alguma recomposição da Cide na gasolina, o que impulsionaria ainda mais os preços do etanol", disse um trader.

A disparada das cotações do açúcar, que em 12 meses ainda acumulam retração de 17% em dólar, resulta da percepção de que a safra global 2015/16, iniciada em 1º de outubro, deve ser a primeira com déficit após cinco ciclos de sobra.

Esse déficit vem se consolidando no fato real de que as usinas brasileiras conseguem "enxugar" açúcar do mercado, produzindo mais etanol, quando o preço da commodity está baixo. Nos últimos cinco anos um volume de 5 milhões de toneladas de açúcar foi retirado do mercado mundial pelo Brasil, que destinou mais caldo da cana para o etanol.

A mudança na trajetória dos preços do açúcar está refletida no aumento pelos fundos de commodities de suas posições compradas (que aposta na alta) em açúcar. Na semana móvel encerrada dia 20 de outubro, os "managed money", ou gestores de recursos, estavam com uma posição líquida comprada em 124.752 contratos, de acordo com o último relatório da Comissão de Negociações de Futuros de Commodities (CFTC). Desde 9 de agosto, quando os fundos deixaram de ter uma posição líquida vendida (que aposta na baixa dos preços) e passaram a acreditar na alta, o saldo líquido comprado aumentou 67 vezes.

A incerteza sobre se a Índia de fato exportará as 4 milhões de toneladas que o governo quer obrigar as usinas a embarcarem nesta safra também oferece suporte ao mercado. Analistas acreditam que a indústria indiana pode não embarcar todo esse volume se não houver incentivo. "Nos últimos três anos, o mercado reagiu com queda de preço ao risco de exportação pela Índia. Essa possibilidade não se transformou em fato e, agora, a questão é vista com mais cautela", afirmou um trader. (Valor Econômico 30/10/2015)

 

Reajuste dos combustíveis se evapora no ar

Melou o lobby petrobrasiano pela concessão de um aumento de preços dos combustíveis (ver RR edição de 21 de outubro). Aldemir Bendine e seus legionários queriam começar a negociação a partir de 14%, usando essa margem como hedge contra uma eventual aprovação da Cide – as duas medidas colidem: a que sair primeira inviabiliza a outra devido ao impacto inflacionário.

Mas, neste ano, ponto final: não haverá aumento dos preços do diesel e da gasolina. O recado veio do Planalto, Bendine tem interlocução direta com a presidente Dilma Rousseff. O que deverá sair é um reajuste para o gás de cozinha, que continua com uma grande defasagem. E olhe lá!

O aventado caixa negativo da Petrobras em 2016 não foi considerado um argumento suficiente para a correção dos preços dos combustíveis. Afinal, trata-se somente de uma simulação, que dependeria de um zilhão de variáveis, entre as quais preço do petróleo, venda dos ativos, redução de custos, cotação do dólar etc. Em defesa de Bendine e da diretoria da Petrobras, fica o registro de que a tal história do caixa negativo foi vazada por um ‘muy amigo’ diretor de uma associação de funcionários da estatal. (Jornal Relatório Reservado 29/10/15)

 

Bunge vê situação da indústria de cana do Brasil melhorando em 2016

A multinacional Bunge afirmou nesta quinta-feira que os negócios de açúcar e bioenergia do Brasil deverão ter uma melhora em 2016, destacando que o segmento já está em situação mais favorável ante o ano passado, considerando menores custos de produção devido à fraqueza do real frente ao dólar.

Em comentários por ocasião da divulgação de resultados, executivos da Bunge afirmaram que a safra 2016/17, a ser iniciada em abril do ano que vem, terá o Brasil como o produtor mais competitivo do mundo de etanol.

A empresa está entre as líderes no processamento de cana do Brasil, com oito usinas com capacidade combinada de aproximadamente 21 milhões de toneladas por ano.

A companhia citou que o câmbio deixou a produção de açúcar do país novamente com menores custos em dólar.

"A demanda por etanol no Brasil tem sido forte; o recente aumento dos preços da gasolina tem dado suporte aos preços do etanol; e a significativa desvalorização do real colocou novamente o Brasil em seu lugar de tradicional produtor açúcar de baixo custo no mundo", afirmou o presidente-executivo Soren Schroder.

No acumulado do ano até setembro, as vendas de etanol hidratado aumentaram 42,2 por cento no Brasil, para 13,14 bilhões de litros, o que tem incentivado alguns grupos a retomarem investimentos.

A Bunge, que no passado chegou a considerar a venda de ativos de açúcar e etanol, afirmou que está à procura de maneiras de reduzir a exposição ao setor, mas ainda leva tempo para que uma solução certa seja encontrada.

Segundo Schroder, o custo de produção de açúcar na nova safra está perto de 12 centavos de dólar por libra-peso, "bem abaixo" do valor obtido em negócios futuros, disse o executivo.

Nesta quinta-feira, o contrato de açúcar bruto na bolsa de Nova York para entrega em maio de 2016, quando a nova colheita já estará em andamento, está em cerca de 14 centavos de dólar.

"Eu diria que pela primeira vez, quando você olha para a safra futura, você consegue garantir margens razoáveis como produtor de açúcar e então a questão é realmente até que ponto o etanol vai acompanhar", argumentou o presidente da Bunge, em teleconferência com analistas.

Apesar de ver melhoras na divisão sucroalcooleira, a companhia divulgou uma queda em seu lucro trimestral devido à fraqueza em seus negócios de açúcar, fertilizantes e alimentos e ingredientes.

O lucro líquido atribuível aos acionistas no terceiro trimestre caiu para 229 milhões de dólares, ou 1,56 dólar por ação, contra 284 milhões de dólares, ou 1,90 dólar por ação no mesmo período do ano passado.

“Forte demanda interna”

No entanto, o grupo estava otimista sobre as perspectivas para a divisão sucroenergética.

"A forte demanda interna e uma perspectiva de melhoria dos preços para o etanol no Brasil nos dão a confiança de que vamos terminar o ano com rentabilidade e fluxo de caixa livre positivos", disse o diretor financeiro do grupo, Drew Burke.

Schroder afirmou que "a demanda por etanol no Brasil tem sido forte", apoiada por recentes aumentos dos preços da gasolina, que aumentaram a competitividade e possibilitaram também recuperação dos preços do biocombustível.

Além disso, a "desvalorização significativa do real brasileiro devolveu ao Brasil seu papel tradicional como produtor de baixo custo do mundo de açúcar", com a moeda mais fraca tornando o país mais competitivo.

Resultado geral

No resultado geral de seus negócios, a Bunge apresentou um lucro líquido mais modesto no último trimestre. O ganho caiu 19%, para US$ 239 milhões, o equivalente a US$ 1,90 por ação, valor acima das expectativas de analistas que projetavam $ 1,56 por ação. (Reuters 29/10/2015)

 

FI-FGTS deve liberar R$ 1 bi para Rumo ALL

A Rumo ALL, controlada pela Cosan Logística, recebeu ontem o primeiro sinal verde para conseguir aporte de R$ 1 bilhão do fundo de investimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Os membros do comitê de investimento do FI-FGTS deram o aval para que a Caixa Econômica Federal, responsável pela gestão do fundo, estruture a operação de financiamento, por meio da emissão de debêntures (dívida de longo prazo) que podem ser convertidas em ações.

O aporte do FI-FGTS deverá ajudar a Rumo ALL a resolver seu problema de curto prazo, segundo apurou o Estado. Além desse recurso da Caixa, que poderá ser liberado até o fim do ano, de acordo com fontes familiarizadas com o assunto, a companhia pretende levantar mais dinheiro no mercado. Essa nova captação também deverá ser feita por meio de emissão de debêntures. O valor a ser captado ainda não foi definido, mas é estimado em até R$ 1 bilhão.

Os recursos do FI-FGTS serão destinados para o plano de recuperação da malha ferroviária, além de renovação e aquisição de locomotivas e vagões.

Na primeira fase, os investimentos chegarão a R$ 2,8 bilhões. Em uma segunda etapa, ainda sem data de implementação, os investimentos estão estimados em R$ 8,6 bilhões para a construção e expansão de pátios, duplicação de trechos, aquisição de outras locomotivas e vagões, ampliação dos acessos aos terminais portuários de Santos (SP), Paranaguá (PR), São Francisco do Sul (SC) e Rio Grande (RS). A Rumo ALL negocia com o governo estender as concessões da ferrovia.

O plano de expansão da Rumo ALL também será, em parte, financiado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O banco de fomento tem uma linha de crédito já aprovada de R$ 1,7 bilhão para o projeto da empresa, mas esses desembolsos tem sido liberados aos poucos, à medida que o projeto de expansão é colocado em prática.

Compromisso. Com a aprovação da fusão entre Rumo, do grupo Cosan, e América Latina Logística (ALL), no primeiro semestre deste ano, os novos controladores se comprometeram a fazer pesados investimentos para expandir a capacidade da ferrovia. Mas, o atual cenário macroeconômico, com crédito mais restrito, não tem permitido ao grupo levantar os recursos na velocidade imaginada.

Alavancada, a Rumo ALL tem uma dívida líquida de R$ 7,1 bilhões, de acordo com os resultados da companhia divulgados no segundo trimestre. Com isso, a alavancagem medida pela dívida líquida e Ebtida (lucro antes de juros, impostos e amortizações) está em 4,97 vezes, patamar considerado desconfortável pelo mercado.

A Cosan detém 27,5% do capital da Rumo ALL. O grupo se tornou a maior operadora de ferrovias do País. A ferrovia conta com 12,9 mil quilômetros de malha sob o regime de concessão, 19 milhões de toneladas de capacidade de elevação no porto de Santos, 966 locomotivas, 28 mil vagões e 11,7 mil empregados diretos e indiretos. Procurada, a Rumo ALL não comentou.

Renovável

O comitê do FI-FGTS ainda deu aval para que a Caixa estruture o financiamento de R$ 180 milhões a Ventos de São Clemente Energias Renováveis. A empresa deve usar os recursos para implementar até oito parques eólicos em Pernambuco.R$ 7,1 bi é a dívida líquida da companhia no segundo trimestre R$ 1 bi é o aporte previsto pelo FI-FGTS para expansão da companhia; Rumo ALL pretende levantar mais recursos no mercado. (Folha de São Paulo 29/10/2015)

 

Estoques de etanol até setembro atingiam 7,21 bi de litros

O presidente da Datagro, Plínio Nastari, informou nesta quinta-feira, 29, durante teleconferência com jornalistas, que os estoques de etanol em 30 de setembro no Centro-Sul do Brasil totalizavam 7,21 bilhões de litros, 20% menos na comparação com igual data do ano passado.

Segundo ele, é necessário haver uma correção de preços para que o consumo se ajuste à oferta, de modo que não haja problemas de abastecimento durante a entressafra de cana-de-açúcar, que vai de dezembro a março. Para Nastari, a demanda mensal tem de sair dos atuais 1,6 bilhão de litros para algo próximo a 1,15 bilhão de litros.

Consumo

Nastari comentou ainda que a comercialização total de etanol até setembro atingia 21,19 bilhões de litros, 21,8% mais na comparação com igual período do ano passado. O hidratado apresentava demanda 42,2% maior, com 13,14 bilhões de litros, enquanto o anidro, 1,3% menor, com 1,05 bilhão de litros. Na mesma base de comparação, a utilização de gasolina C caiu 6,7%, para 30,46 bilhões de litros. Com isso, a participação do etanol no chamado Ciclo Otto (álcool e gasolina) chega a 41,7%.

O biocombustível, aliás, contribui para que o Ciclo Otto como um todo apresente crescimento de 1,4% até agora, mesmo com a atividade econômica patinando.

Açúcar

Nastari reafirmou a projeção de déficit de açúcar na temporada global 2015/16, iniciada em 1º de outubro. A consultoria prevê que a demanda supere a produção em 2,57 milhões de toneladas, o que não ocorria há cinco temporadas.

Para suprir o consumo, será necessário utilizar maior parcela das reservas globais. Assim, a Datagro prevê que a relação entre estoques e consumo varie de 48,3% em 30 de setembro deste ano para 45,9% em igual do ano que vem. Esse porcentual indica quanto da demanda mundial pode ser suprido apenas pelas reservas de açúcar.

Chuvas

A Datagro informou ainda que a safra 2015/16 de cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil computava, até 26 de outubro, 27,3 dias perdidos de moagem por causa da chuvas. Em igual intervalo de 2014/15, eram pouco mais de 20 dias. Como cada dia representa o processamento de aproximadamente 3,2 milhões de toneladas, a atual temporada está com um atraso de moagem de aproximadamente 20 milhões de toneladas. (Agência Estado 29/10/2015)

 

Pesquisa mostra que povo está contra tudo o que está aí

Pesquisa divulgada nesta última terça-feira (27) pelo Ibope, aponta o ranking de rejeição dos brasileiros em relação aos principais nomes da política nacional, muitos dos quais já em franca campanha para as eleições presidenciais de 2018.

O que chama a atenção é o índice de rejeição, senão vejamos:

1º Lugar, Lula (PT) com 55% de eleitores que dizem que não votariam nele de “jeito algum”;

2º) José Serra (PDSB) com rejeição de 54%

3º) Geraldo Alckmin, com rejeição de 52%, mesmo índice de Ciro Gomes (PDT)

4º) Marina Silva (Rede) com rejeição de 50%;

5º) Aécio Neves (PSDB) com rejeição de 47%.

Este altíssimo índice de rejeição é resultado dos movimentos de rua que eclodiram no final do primeiro semestre do ano passado e, principalmente, com o advento da ‘Lava Jato’ que já colocou atrás das grades figuras que ocupavam as páginas das editorias de política pelas de polícia.

Hoje, qualquer conversa em qualquer lugar com pessoas minimamente informadas, leva a discussão dos escândalos promovidos pelos políticos, notadamente do PT e da base aliada do governo Dilma Rousseff.

Isto mostra que, estávamos enganados quando todos pensávamos que a rapinagem e a ladroagem com o assalto aos cofres públicos haviam se extinguido com o impeachment de Fernando Collor que foi varrido da presidência da República.

Com efeito, o que temos assistido com as ações já denunciadas envolvendo a gangue do PT & Cia. é fichinha com o que ainda será revelado. As instituições brasileiras estão frágeis e já não causa mais assombro a revelação de desvios e assaltos. Haja vista a extradição anunciada para as próximas horas do ex-governador de São Paulo e também ex-presidente da CBF, José Maria Marin, preso na Suíça e que será deportado aos EUA.

Embora brasileiro e preso na Suíça, Marin que tomou para si os mesmos princípios adotados por seu antecessor na CBF (Ricardo Teixeira), deve pagar fiança de US$ 40 milhões para cumprir pena em seu apartamento em Nova Yori avaliado em US$ 10 milhões. Vale lembrar que Marin foi vice ao mesmo tempo em que o governo de São Paulo foi ocupado por Paulo Maluf.

E vem aí a delação premiada de Marin que deve, tal como efeito dominó, levar à prisão Ricardo Teixeira e o atual presidente da CBF Marco Polo del Nero. Há poucos dias, um dos maiores clubes do País, o São Paulo, foi palco da renúncia de seu presidente (Carlos Miguel Aidar) que saiu depois de denunciado em diversas irregularidades.

Pois bem, fica claro que a roubalheira já não se limita mais apenas aos cofres públicos. O futebol, até então uma das maiores preferências nacionais, também está mergulhado neste clima de “leva vantagem” instituído por nós brasileiros. Triste esta nossa sina, né não? (Ronaldo Knack é Jornalista e bacharel em Administração e Direito. É também fundador e editor do BrasilAgro; ronaldo@brasilagro.com.br)

 

Datagro eleva previsão para produção de cana do Centro-Sul em 2015/16

A Datagro elevou nesta quinta-feira, 29, sua projeção para a moagem de cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil na safra 2015/16, de 604,6 milhões para 605,9 milhões de toneladas, volume 4% maior na comparação com a temporada anterior.

Para o Norte/Nordeste, em virtude da seca, a consultoria reduziu sua estimativa de 59,18 milhões para 52 milhões de toneladas. Os dados foram apresentados nesta quinta-feira, 29, pelo presidente da consultoria, Plínio Nastari, em teleconferência com jornalistas.

Em relação à fabricação de açúcar, a Datagro prevê 31,89 milhões de toneladas para o Centro-Sul, contra aproximadamente 32 milhões de toneladas no ano passado. O Norte/Nordeste deve produzir 3,11 milhões de toneladas do alimento.

No caso do etanol, o Centro-Sul deve produzir 28,04 bilhões de litros e o Norte/Nordeste, 1,98 bilhão de litros, levando a produção nacional para um recorde de 30,02 bilhões de litros em 2015/16 - em 2014/15 foram 28,5 bilhões de litros. O atual ciclo se encerra em 31 de março do ano que vem.

As projeções da Datagro levam em consideração um mix de produção no Centro-Sul de 58,8% da oferta de matéria-prima para álcool e de 51% no Norte/Nordeste.

De acordo com Nastari, a redução de moagem prevista para o Norte/Nordeste acarretará em menor produção de etanol, levando a região a depender de maior transferência do biocombustível do Centro-Sul para lá. Além disso, a importação de etanol pelo País tende a aumentar na temporada, de 530 milhões de litros há um ano para 765 milhões agora, justamente para atender à demanda de Norte/Nordeste.

Quanto às exportações de álcool, estas foram estimadas pela Datagro em 1,8 bilhão de litros. (Agência Estado 29/10/2015)

 

Conheça cinco tecnologias brasileiras que transformam o agronegócio

Os Drones contra as pragas são uma delas.

O Exame Fórum Agronegócios, que aconteceu nessa segunda-feira (26), em São Paulo, teve foco no desenvolvimento da tecnologia no agronegócio. Os palestrantes falaram do uso de drones, computação em nuvem e da biotecnologia para aumentar a produtividade.

“A avenida de tecnologia e de bioeficiência ainda vai crescer muito no Brasil. A enormidade de dados, o poder computacional e o monitoramento 24 horas ajudarão a aumentar a produção”, disse Roger Ingold, presidente da Accenture, uma empresa que oferece consultoria de gestão e serviços de tecnologia.

Paulo Herrmann, presidente da John Deere Brasil, compartilha do mesmo ponto de Ingold. Segundo ele, a biotecnologia para o agronegócio avançou muito e as empresas não estão tirando todo o potencial do que já existe.

“Não devemos fazer tecnologia pela tecnologia. Precisamos gerenciar o que já temos para aumentar a produção agrícola”, acrescenta Herrmann.

Mas quais são essas tecnologias? Quem respondeu essa pergunta, durante o evento, foram startups brasileiras, que estão oferecendo produtos e serviços que facilitam o trabalho de agricultores e proprietários de agronegócios.

Rastreamento de carne

Uma das startups que se apresentaram foi a Safe Trace. Com o lema “do pasto ao prato”, a companhia criou um aplicativo de rastreabilidade de carne.

O rastreamento é feito desde a identificação do boi na fazenda, quando ele recebe um brinco eletrônico. Depois disso, quando o animal atinge os sete meses, um chip é colocado nele. Desse modo, o histórico genético, sanitário e de manejo dos animais é armazenado e atualizado por um software.

Após o abatimento, a carne do boi recebe um selo da empresa e um código de barra. “Com o selo da Safe Trace e o código, o consumidor tem acesso total a todo o processo que a carne passou”, contou Vasco Picchi, sócio fundador da Safe Trace.

Segundo Picchi, a vantagem de utilizar o software é que a produção fica mais eficiente e o cliente sente-se mais seguro.

Tablet amigável

Outra startup que utiliza um software próprio é a Strider. O produto oferecido pela empresa é, basicamente, um tablet com um programa que pode ser usado em modo offline. Com ele, o produtor pode manejar pragas, controlar aplicações e monitorar indicadores de fertilidade e umidade.

“Nós queremos ser a peça que falta no ecossistema do agronegócio, que é a tecnologia da informação”, disse Luiz Tângari, fundador e presidente da Strider.

Segundo Tângari, existem quatro fatores que tornam a tecnologia de sua empresa importante: ela é barata e focada na segunda geração de agricultores. “Os nossos aplicativos são voltados para os filhos dos produtores, que serão os donos das fazendas no futuro. Por isso, nossa plataforma é amigável e parecida com o WhatsApp e o Facebook.”

Drones contra as pragas

O rastreamento de áreas agrícolas é o foco da XMobots, uma startup especializada no desenvolvimento, fabricação e operações de drones. De acordo com Giovani Amianti, fundador e presidente da empresa, o foco da XMobots é na agricultura de precisão.

“Com os nossos produtos, o agricultor consegue saber mais sobre a topografia de suas terras, as linhas de plantio e também detectar pragas e fazer a contagem do gado”, disse. Ele ainda conta que é possível fazer o controle do desmatamento em áreas de preservação.

Os veículos da XMobots já têm certificado da ANAC e prestam seus serviços para empresas de agronomia e grandes cooperativas. “A nossa ideia é internacionalizar a empresa e abrir o capital em 2016 ou 2017”, finalizou Amianti.

Agentes biológicos

A BUG aposta no mercado da biotecnologia para ajudar no desenvolvimento do agronegócio brasileiro. A empresa foi criada em 2001 e produz agentes, como vespas, ovos e parasitoides para o controle biológico de pragas.

De acordo com Alexandre Pinto, sócio da BUG, o controle biológico é vantajoso para as empresas, pois visa a sustentabilidade. Com o uso de agentes, o agricultor não precisa utilizar inseticidas, o que diminui as chances de poluição do ecossistema e intoxicação de funcionários.

As vespas e outras pragas são criados nos laboratórios da startup. Mas também são introduzidos insetos selvagens na criação, para que a variabilidade genética aumente e que as populações de pragas sejam mais eficazes.

Plataforma online

Totalmente voltada para o agronegócio, a Osalim é um site para realização de negócios. A partir da plataforma, agricultores e clientes promovem a compra e a venda de grãos de consumo, sementes e insumos agrícolas.

Segundo Antônio Carlos Bentin, sócio fundador da Osalim, as negociações e as transações comerciais são extremamente seguras. Até agora, quatro empresas utilizam a plataforma online. (Brasil Agro 29/10/2015)

 

Bumlai se veste de Nero e taca fogo por onde passa

No sentido figurado, já se sabe que José Carlos Bumlai, o amigo de Lula, é um personagem "incendiário". No entanto, para um grupo de produtores de cana de açúcar do Mato Grosso do Sul, o adjetivo também pode ser aplicado sem as aspas. Agricultores da região de Dourados estão se unindo para acionar o empresário na Justiça. A Usina São Fernando, controlada por Bumlai, é acusada de ter provocado deliberadamente o incêndio ocorrido em julho de 2013 que devastou mais de 22 mil hectares de plantações de cana no município, nas proximidades da BR-463 e da MS-279. A área em questão equivale a 3% de todos os canaviais do Estado.

A queimada é considerada a maior da história da cidade. Agricultores da região cobram do grupo sucroalcooleiro uma indenização pelos prejuízos. Tomando-se como base a área atingida e o preço da matéria prima à época, as perdas são calculadas em mais de R$ 50 milhões – diga-se de passagem, um copo de caldo de cana se comparadas à dívida total da São Fernando, estimada em aproximadamente R$ 1,2 bilhão.

Segundo proprietários de terras da região, a Usina São Fernando, à época já em crise financeira, teria ateado fogo em seus próprios canaviais por não ter recursos em caixa para moer a matéria-prima. As chamas, no entanto, alastraram- se por fazendas de terceiros.

A Polícia Civil abriu um inquérito criminal para investigar o caso. As autoridades ambientais foram mais rápidas no gatilho: o Instituto de Meio Ambiente de Dourados (Imam) multou a Usina São Fernando em R$ 490 mil. Consultada pelo RR, a São Fernando informa que desconhece qualquer pedido de indenização.

A empresa diz que, segundo "informações preliminares da Polícia Ambiental", o incêndio "teria se originado em uma trilha de motocross, o que, confirmado, isentará a usina de responsabilidade". A São Fernando nega também que tenha recebido uma multa do Imam e diz que não reconhece o "referido instituto como órgão fiscalizador ambiental".

A companhia afirma ainda que José Carlos Bumlai não é acionista da Usina São Fernando, ao contrário do que dizem toda a mídia e empresários do setor ouvidos pelo RR. Segundo a empresa, o controle pertence aos quatro filhos de Bumlai. (Jornal Relatório Reservado 29/10/2015)

 

Commodities Agrícolas

Algodão: Redução das vendas: A diminuição das vendas externas de algodão pelos Estados Unidos provocou um tombo nas cotações do algodão ontem na bolsa de Nova York. Os papéis para entrega em março fecharam com queda de 25 pontos, a 62,21 centavos de dólar a libra-peso. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reportou que foram vendidas 16,56 mil toneladas de algodão para o mercado externo na semana móvel encerrada dia 22. O volume foi menor do que nas semanas anteriores e ficou abaixo tanto das expectativas dos analistas como do volume médio necessário para se alcançar a projeção do USDA para as exportações da pluma neste anosafra. Na Bahia, o preço médio do algodão ficou em R$ 76,05 a arroba, segundo levantamento da associação local de produtores, a Aiba.

Soja: Brasil sob chuva: A ocorrência de chuvas fortes em importantes áreas produtoras de soja no Brasil, principalmente no Centro-Oeste, e a previsão de mais precipitações nos próximos dias, pesaram sobre os futuros da soja ontem na bolsa de Chicago. Os lotes para janeiro de 2016 caíram 2,5 centavos, a US$ 8,8025 o bushel. Segundo dados da Climatempo, ontem a chuva chegou a acumular mais de 20 milímetros em regiões de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul em apenas uma hora. A umidade do solo permite o avanço da semeadura da safra 2015/16. A queda só não foi maior porque as vendas americanas de soja na semana encerrada dia 22 cresceram perante as semanas anteriores e superaram as expectativas. No Paraná, o preço médio caiu 0,1%, para R$ 70,76 a saca, de acordo com o Deral/Seab.

Milho: Negociações avançam: Os futuros do milho ganharam fôlego ontem na bolsa de Chicago após o dado de aumento expressivo das vendas americanas do grão. Os papéis para março de 2016 subiram 3,75 centavos, a US$ 3,8975 o bushel. Na semana até dia 22, as vendas de milho dos EUA para o exterior quase triplicaram ante semana anterior e alcançaram 708,8 mil toneladas, superando as expectativas. A alta animou os traders, já que o ritmo fraco das exportações americanas desta safra vinha pesando sobre as cotações do cereal ­ além da colheita em ritmo avançado nos Estados Unidos. O dado, do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, provocou uma onda de compras no mercado futuro. No Paraná, o preço médio do milho permaneceu estável em R$ 24,61 a saca, conforme dados do Deral/Seab.

Trigo: Alta nas bolsas: Os preços do trigo subiram ontem nas bolsas americanas diante do aumento das vendas externas pelos EUA e pelos receios com adversidades climáticas em áreas produtoras ao redor do globo. Em Chicago, os papéis para março subiram 7,75 centavos, a US$ 5,195 o bushel. Em Kansas, onde se oferta o trigo de melhor qualidade, os lotes de igual vencimento subiram 3,25 centavos, para US$ 5,045 o bushel. Segundo o Departamento de Agricultura americano (USDA), foram vendidas 550,3 mil toneladas de trigo para o exterior na semana encerrada dia 22, acima do volume negociado nas semanas anteriores e das apostas dos analistas. O tempo seco na Austrália e o frio na Rússia geram incertezas sobre a oferta global. No Paraná, o preço médio subiu 0,16%, para R$ 37,04 a saca, de acordo com o Deral/Seab. (Valor Econômico 30/10/2015)