Setor sucroenergético

Notícias

Agronegócios Monsanto: Dupla utilidade

A Monsanto costura com outros fabricantes de sementes a criação de uma organização não governamental para levantar a bandeira dos transgênicos. Há quem veja outras utilidades na iniciativa.

A ONG seria um caminho para apoiar campanhas eleitorais caso o financiamento de empresas seja efetivamente proibido. Tudo, ressalte-se, absolutamente dentro da lei. (Jornal Relatório Reservado 30/10/2015)

 

Açúcar: Tensão com oferta

O açúcar demerara disparou ontem na bolsa de Nova York, diante das previsões de oferta apertada e apostas altistas por parte dos investidores.

Os lotes para maio de 2016 fecharam em expressiva elevação de 54 pontos, a 14,71 centavos de dólar por libra-peso.

Desde o fim de agosto, as cotações vêm subindo devido às estimativas de déficit da commodity na atual temporada 2015/16.

Na sexta-feira, a Comissão de Comércio de Futuros de Commodities (CFTC) informou que os gestores de recursos encerraram a semana de 27 de outubro com um saldo líquido de compra, que indica a aposta na alta da commodity, de 137.221 contratos, alta de quase 10% em relação à semana anterior.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 50 quilos do açúcar cristal ficou em R$ 73,46 na sexta-feira, com valorização de 1,23%. (Valor Econômico 03/11/2015)

 

Após 40 anos e três crises, etanol vê a luz no fim do túnel

Proálcool foi criado com finalidade econômica, mas hoje a agenda ambiental tem um peso maior.

Quando nasceu, em 1975, o Proálcool tinha uma missão prioritariamente econômica. Com o preço do petróleo disparando no mundo, o desafio proposto pelo então presidente Ernesto Geisel era criar um combustível que pudesse substituir parte da gasolina. Hoje, 40 anos após o lançamento do programa, o etanol já conseguiu substituir aproximadamente 2,5 bilhões de barris de gasolina, segundo cálculos da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica). E se lá na origem do programa de incentivo ao biocombustível o foco era econômico, agora essa fonte de energia alternativa chega a sua quarta década com um forte apelo ambiental e será destaque nas discussões da 21ª Conferência das Nações Unidas sobre o Clima (COP 21), que acontecerá em dezembro em Paris, na França.

De acordo com o presidente da Associação das Indústrias Sucroenergéticas de Minas Gerais (Siamig), Mário Campos, depois de uma amarga temporada nos últimos cinco anos, o etanol está retomando os rumos do desenvolvimento. “A melhora vem tanto do aumento da competitividade, com a redução do ICMS, que barateou o produto, como da agenda ambiental. O Brasil tem uma meta de reduzir, até 2030, 43% das emissões de gases do efeito estufa. Até lá, a projeção do governo é elevar o consumo anual de biocombustíveis de 28 bilhões de litros para 50 bilhões de litros”, afirma.

Segundo dados do Carbonômetro, ferramenta criada pela Unica, para cada litro de etanol usado no lugar da gasolina, 2,2 kg de gás carbônico (CO2) deixam de ir para a atmosfera. “Não existe nenhuma outra forma de retirar tanto CO2 da atmosfera de maneira tão imediata como usar o etanol”, afirma o consultor em emissões e tecnologia da Unica Alfred Szwarc.

História

Na avaliação de Campos, durante os 40 anos do Proálcool, o etanol passou por três grandes dificuldades. A primeira delas aconteceu na segunda metade da década de 80, quando a frota de carros movidos a álcool cresceu e não havia oferta suficiente do combustível. Campos destaca depois um momento de desregulamentação, na década de 90. “No governo Collor, fecharam o Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA), e o setor ficou descoberto. As coisas só melhoraram com a tecnologia do carro flex, em 2003. De 2005 a 2010 foi o ápice, chegamos a ter 440 usinas”, lembra.

Campos destaca que a terceira grande dificuldade foi a descoberta do pré-sal, junto com a política de proteção de preços para derivados do petróleo e a perda de competitividade do etanol. “O setor, que tinha investido pesado em novas usinas e expansão de antigas unidades, parou de ter retorno e ficou totalmente endividado”, ressalta.

Ele afirma que só agora a situação começa a melhorar, e o setor sucroalcooleiro vê uma luz no fim do túnel. “O governo federal liberou os preços da gasolina, e o estadual baixou o ICMS do etanol. O preço voltou a ser competitivo, e isso vai paralisar o fechamento de usinas. Mas, para voltar a investir, primeiro o setor tem que pagar suas dívidas, que chegam a R$ 90 bilhões, o equivalente a 120% do faturamento”, afirma Campos.

Cide

A saída, segundo ele, é taxar o carbono. “Isso pode ser feito com a volta da Cide. O governo trabalha com uma Cide de R$ 0,10 por litro, mas o setor defende que seja elevada para R$ 0,60, o que vai gerar uma receita de R$ 15 bilhões e ainda vai mostrar para a comunidade internacional a preocupação do Brasil em cumprir as metas de redução dos gases que provocam o efeito estufa”, destaca Campos.

Alíquota cai, mas arrecadação cresce 35% em nove meses

Recentemente, a Petrobras reajustou os preços da gasolina. Mas o que deixou o álcool mais competitivo para o consumidor foi a redução da alíquota de ICMS em Minas Gerais. Em março deste ano, o imposto caiu de 19% para 14%, deixando o litro do álcool cerca de R$ 0,12 mais barato. Apesar de o imposto ter encolhido, o Estado ganhou no volume vendido. A arrecadação subiu 35%, e, em apenas nove meses, o etanol já rendeu aos cofres mineiros mais do que no ano de 2014 inteiro, quando foram recolhidos R$ 35,33 milhões.

De acordo com a Secretaria da Fazenda de Minas Gerais, de janeiro a setembro foram recolhidos R$ 35,63 milhões, contra R$ 26,39 milhões no mesmo período de 2014. “Desde o início da safra, até agora, o consumo cresceu 48%”, destaca o presidente do Siamig, Mário Campos. (O Tempo 01/11/2015)

 

Alta produtividade é desafio para `Cana de Três Dígitos´

O Centro de Cana do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), localizado em Ribeirão Preto (SP), lançou um desafio para o setor da "Cana de Três Dígitos": atingir uma produtividade média superior ou igual a cem toneladas de colmos de cana-de-açúcar por hectare, considerando todos os cortes e buscando a sustentabilidade do segmento sucroenergético do País.

Segundo Ricardo Augusto Dias Kanthack, pesquisador da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo (SAA), o Brasil tem cerca de dez milhões de hectares de cana em exploração, praticamente o dobro se comparado há uma década. No entanto, a produtividade de colmos por hectare não acompanhou a evolução da área plantada, que hoje varia de 45 a 115 toneladas.

"O potencial biológico da produtividade, quando não há limitações hídrica, de nutrientes, nem de fatores climáticos e de operações agrícolas inadequadas, é superior a 300 toneladas por hectare", afirma Kanthack.

Ele destaca algumas atividades que vêm sendo desenvolvidas para melhorar os resultados da atividade. "A Coordenadoria do Procana IAC tem nos orientado a propagar o desafio da `Cana de Três Dígitos´, junto às nossas parceiras, nas diversas regionais onde procuramos desenvolver propostas de trabalhos, incentivando o uso de novos cultivares, além da utilização da matriz ambiental, gestão do número de colmos, bem como outras boas práticas agrícolas", conta.

De acordo com o pesquisador do Instituto Agronômico, existem algumas ferramentas já disponíveis para otimização de resultados, como o Ambicana, um programa de classificação de ambientes de produção, que visa adequar e potencializar a produtividade em função da cultivares e dos ambientes. Também há o PreviclimaCana, que fornece previsões precisas e atualizadas da produção da safra; além do Biofábrica, que disponibiliza materiais de origens certificadas e com alta qualidade genética e vigor, e diagnóstico de doenças.

"O pacote tecnológico inclui a Matologia (estratégia para racionalizar o controle de plantas daninhas) com estudos de manejo integrado; fertilidade dos solos e nutrição de plantas; manejo integrado de pragas e doenças; núcleo de produção de mudas pré brotadas, voltado para a adoção acelerada desses novos cultivares, além de cursos e eventos técnicos e científicos", cita Kanthack.

Sites de seleção

A avaliação de variedades de cana-de-açúcar em dez diferentes regiões do Brasil, sendo sete somente no Estado de São Paulo, chamadas de sites de seleção, possibilita a seleção de clones promissores e os validam como novas variedades para determinadas condições edafoclimáticas.

"Considerando que existem peculiaridades em relação às características edafoclimáticas (solos e climas) e épocas de colheitas nas diferentes regiões canavieiras do Brasil, a estratégia de utilização de sites regionais minimizam as diversidades, permitindo a seleção de indivíduos superiores, que apresentam ganhos significativos para cada região em estudo", informa o pesquisador.

Ele ainda exemplifica que, para início de safra (abril a junho) em ambientes restritivos (com baixa fertilidade do solo e pouca disponibilidade hídrica), as cultivares indicadas são IACSP93-2060 e IACSP97-4039. Para o meio da safra (junho a setembro), nos mesmos ambientes recomenda-se IAC87-3396, IAC91-1099 e IACSP97-4039.

"Estas cultivares possibilitam maiores produtividades em TCH (toneladas de cana por hectare), com maior teor de ATR (Açúcar Total Recuperável), resultando em mais ganhos para o setor, sem que haja acréscimo de custos", comenta.

"Seguindo este raciocínio, teremos para cada site de seleção e de produção uma indicação técnica, que proporcionará a otimização dos potenciais produtivos, rumo ao desafio de estabelecer canaviais com três dígitos de produtividade, considerando todos os cortes", salienta.

Maior teor de sacarose

O pesquisador ressalta que o grande desafio é a obtenção de uma cultivar que expresse maior acúmulo de sacarose, alto TCH, bem como tolerância às principais doenças e pragas. Também existem outros, alguns específicos para os seguintes sites das regiões paulistas, como o aumento do potencial de produção agrícola e tolerância ao íon Al+++ (agente tóxico relacionado com a baixa produtividade agrícola de cereais em solos ácidos e com doenças degenerativas em animais) na sub-superfície (região de Piracicaba); maior brotação em período de estresse hídrico (Ribeirão Preto e Pindorama); maior capacidade de produção em solos de baixa fertilidade (Jaú); maior potencial de maturação sob baixo estresse hídrico (Mococa e Assis); capacidade de acumular massa verde no período vegetativo (Adamantina); suportar estresse hídrico e ausência de florescimento (na região Centro-Oeste, em Goianésia-GO).

"Existem outros sites nos quais o IAC trabalha para obtenção de cultivares. Em todos eles, busca-se cultivares que sejam adequados também para os plantios e colheitas mecanizados, pois essa condição tem imposto novos desafio ao setor", explica Kanthack.

Canavicultura moderna

Segundo pesquisas do Programa Cana IAC, os ganhos genéticos apresentados pelas novas cultivares, em relação às variedades comerciais, equivalem a 1% a 2,5% ao ano.

"O índice pode parecer baixo, porém, se considerarmos que uma variedade leva de 12 a 15 anos para ser lançada e outros tantos para serem utilizadas pelos produtores, então os ganhos passam a ser na casa de 12 a 15 %, tornando os valores expressivos", calcula o especialista.

Kanthack também comenta que este ganho de produção, associado às chamadas adicionalidades, que são as características acrescentadas pelo melhoramento genético %0 como o maior perfilhamento, maior longevidade, porte, adaptabilidade aos plantios e colheitas mecanizadas, e bons níveis de tolerância a doenças e pragas, só para citar algumas delas %0, podem agregar valores à canavicultura moderna.

"Acreditamos que um programa de melhoramento genético será sempre necessário devido às constantes pressões de ocorrências adversas às cultivares em cultivo. No trabalho de buscar alternativas que deem sustentabilidade ao segmento, verificamos que a obtenção dos novos genótipos serão, em todas as situações, o ponto de partida", observa. (Brasil Agro 03/11/2015)

 

Petrobras dá fôlego a papéis de dívida de gigante do etanol

Os US$ 500 milhões em bonds da Cosan SA com vencimento em 2023 tiveram valorização de 14,9 por cento desde 30 de setembro, quando o aumento surpresa do preço do combustível pela Petrobras deu novo impulso à demanda pelo etanol como alternativa mais barata..

O primeiro aumento no preço da gasolina promovido pela Petrobras desde novembro de 2014 foi uma dádiva para os detentores da dívida da Cosan, a maior produtora de etanol do Brasil. Antes da decisão da estatal de elevar os preços da gasolina, os papéis da Cosan haviam caído 18 por cento neste ano.

Outros fatores dão ânimo aos investidores da Cosan. A perspectiva de uma escassez global de oferta de açúcar está desencadeando uma recuperação nos preços do produto da cana-de-açúcar, também usada para fabricar etanol. Os baixos preços da gasolina e do açúcar haviam feito com que 67 usinas brasileiras de etanol apresentassem pedidos de recuperação judicial desde 2011. Usinas deram um calote de US$ 1,3 bilhão em detentores de bonds neste período.

"A perspectiva para a Cosan está mudando para melhor", disse Omar Zeolla, analista de crédito corporativo da Oppenheimer Co., por e-mail, de Nova York.

O governo brasileiro permitiu que a Petrobras elevasse os preços da gasolina em 6 por cento em 30 de setembro, uma medida pensada para ajudar a produtora de petróleo, que se recupera de um escândalo de corrupção sem precedentes. O governo havia buscado anteriormente manter os preços baixos para ajudar em sua luta contra a inflação.

Os preços do etanol no Brasil deram um salto de 13,5 por cento neste mês, para o nível mais alto desde 2011, de acordo com dados do Cepea. A demanda pelo biocombustível vem subindo desde que o governo elevou os impostos aplicados sobre a gasolina, em janeiro, levando mais motoristas a optarem pelo etanol. Com isso, a demanda por etanol no Brasil, segundo maior produtor de biocombustível do mundo, saltou 42 por cento neste ano até setembro, segundo a Agência Nacional do Petróleo.

O aumento nos preços do etanol ajudará a aumentar o Ebitda da Cosan em 8 por cento no ano que vem, disse o Bank of America Corp. em um relatório no dia 30 de setembro.

A Cosan e a Shell, que tem sede em Haia, controlam em conjunto a produtora sucroalcooleira Raizen Energia e a distribuidora de energia Raizen Combustíveis.

Os contratos futuros de açúcar bruto negociados na bolsa ICE Futures U.S. subiram 19,6 por cento neste mês, zerando as perdas do ano. As usinas do Brasil também estão tirando proveito da desvalorização da moeda do país, que está ajudando a reforçar a receita com as exportações de açúcar. O real perdeu 35,3 por cento de seu valor em relação ao dólar neste ano, maior declínio entre as moedas de mercados emergentes.

As notas da Cosan para 2023 atingiram o maior valor em dois meses, a 84,85 centavos de dólar, o que fez o rendimento (yield) dos papéis cair para 7,73 por cento.

"Estamos mais otimistas em relação à Cosan após as medidas recentes", disse Soren Bertelsen, gestor de recursos em Copenhague da BI Asset Management, que supervisiona US$ 1 bilhão em bonds corporativos de mercados emergentes. "Vale a pena pescar créditos de boa qualidade no Brasil e isso inclui a Cosan". (Bloomberg 30/10/2015)

 

Petrobras Biocombustível conclui investimento na Guarani, confirma Tereos

A Tereos Internacional terminou com o suspense no início desta tarde. A companhia de origem francesa informou que a Petrobras Biocombustível realizou subscrição de ações relativa ao último aporte de capital na Guarani, conforme previsto no acordo de investimento assinado entre as empresas em abril de 2010.

O prazo para a realização do aporte de R$ 268,1 milhões se encerrava hoje (30). O valor representa o último pagamento da subsidiária estatal para completar a participação de 45,9% na Guarani, grupo com sete usinas, que é controlado pela francesa Tereos, detentora de 54,1% do capital social da empresa.

O investimento do braço de biocombustíveis da Petrobras era aguardado com certa apreensão pelo mercado, apesar da Tereos já ter informado que estava confiante com o cumprimento do acordo. O temor era de que a crise financeira enfrentada pela estatal – agravada pelo escândalo de corrupção detonado pela operação Lava-Jato – pudesse comprometer o aporte. Além disso, a expectativa de que a Petrobras se retire do mercado de etanol e biodiesel, com a venda de suas participações acionárias em usinas do ramo, colocou mais suspense sobre a operação.

Em comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), nesta sexta-feira, a empresa informa que este último aporte de capital será integralizado até 5 de janeiro de 2016 e conclui um investimento total de R$ 1,611 bilhão, ajustado pela inflação.

Assim como a estatal, a Tereos não vive seu melhor momento. Nesta semana, a companhia foi notificada pela BM&F Bovespa devido ao valor das suas na bolsa estarem abaixo do mínimo, de R$ 1 por ação. A comapanhia precisa recuperar sua cotação para acima do piso para continuar sendo negociada na bolsa de valores.

Com sete usinas no noroeste paulista, a Guarani tem capacidade para processar até 23 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por safra. (Nova Cana 30/10/2015)

 

Setor sucroalcooleiro espera crescimento no Triângulo Mineiro

Presidente de cooperativa de produtores fala sobre a expectativa.

'Expectativa é que a indústria volte a ter seus lucros' disse presidente.

A cana-de-açúcar, matéria-prima na produção do etanol, saiu do patamar de “ouro verde” para “preço de banana” nos últimos tempos. Os produtores rurais têm trabalhado no vermelho há cerca de cinco anos. O campo sente os efeitos da crise na indústria sucroenergética. Mesmo diante das atuais condições do setor, há sinais de recuperação.

No país, cerca de 60 usinas foram fechadas nos últimos anos, de acordo com a Sindicato da Indústria de Fabricação do Álcool no Estado de Minas Gerais (Siamig). Minas Gerais, o terceiro maior produtor de etanol do Brasil, teve oito usinas desativadas.

O ex-funcionário de uma usina, Lázaro Roque Ferreira, foi demitido no ano passado. Na casa dele o impacto foi grande, já que a mulher e a filha também trabalhavam na indústria de etanol. “Quando a gente saiu já estava com duas férias atrasadas. O FGTS não foi depositado todo e o 13º nós também não recebemos”, disse o ex-funcionário.

Uma das usinas desativas fica no município de Capinópolis, no Triângulo Mineiro. No local, a situação é de abandono. A estrutura vai sendo consumida pelo tempo.

Mas o setor dá sinais de recuperação. O volume de álcool vendido neste ano nos postos de Minas Gerais aumentou 130% até agosto, na comparação com igual período de 2014, segundo a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Para o presidente da Cooperativa de Produtores na região, Rodrigo Piau, o recorde histórico veio acompanhado de outra boa notícia.

“Esse ano nós tivemos a redução do ICMS do etanol dentro do estado de Minas Gerais, tivemos o aumento da tributação da gasolina dentro do estado e, consequentemente, o etanol passou a ser mais competitivo", contou Rodrigo Piau.

A expectativa para os próximos meses é melhor ainda. Minas Gerais terá este ano safra recorde. A produção de etanol deve chegar a três bilhões de litros. Reflexo da abertura de mercado para o produto no estado e que poderá reverter em novos investimentos para o setor a médio e longo prazos.

"A expectativa nossa é que a indústria volte a ter seus lucros e que volte a investir no setor”, ressaltou Rodrigo Piau. G1 02/11/2015)

 

ADM conclui a compra de processadoras de milho da Eaststarch C.V.

A Archer Daniels Midland (ADM) anunciou hoje a conclusão da compra de ativos no segmento de milho da Eaststarch C.V., empresa que é uma joint venture entre a companhia americana e a inglesa Tate & Lyle.

A ADM é agora proprietária de unidades de processamento de milho na Bulgária e na Turquia, destinadas à fabricação de produtos para uso alimentício e industrial. A múlti passou a possuir também uma participação de 50% em uma processadora na Hungria.

Juntas, as instalações nesses três países têm uma capacidade de moagem diária de aproximadamente 200 mil bushels (5,1 mil toneladas), com a produção principalmente voltada para adoçantes e amidos. A unidade na Hungria também produz etanol para uso industrial, em bebidas e combustíveis. (Valor Econômico 02/11/2015 às 12h: 54m)

 

FPA: O agronegócio brasileiro incomoda muita gente

Os avanços de nossa tecnologia agropecuária causam ciúmes nos concorrentes.

Os fóruns sociais indígenas, com apresentação de painéis e debates, fizeram parte da programação dos Jogos Mundiais dos Povos Indígenas (JMPI), promovidos semana passada em Palmas, capital do Tocantins.  Chamou atenção no evento a figura de um estrangeiro, que se apresentou como representante do Panamá na Aliança pela Soberania Alimentar na América Latina, Jorge Stanley.

Stanley veio ao Brasil (não se sabe qual Ong financiou sua vinda) para  lamentar a situação pela qual passam os indígenas brasileiros. "Sem território, não é possível ter soberania alimentar. Existe acordo internacional pelos direitos dos povos indígenas, é preciso apenas ratificar, mas a luta se faz no campo, se faz todo dia", disse. Estaria ele pregando também o conflito?

Matéria produzida pela Agência Brasil mostra que críticas à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 215, que transfere a decisão sobre demarcação de terras indígenas do Ministério da Justiça para o Congresso Nacional, e ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), deram a tônica dos discursos durante o painel internacional sobre agricultura familiar indígena.

Parcelas expressivas da sociedade ignoram os reais interesses envolvendo a questão indígena em nosso país. Pois saibam que há uma forte estrutura logística de apoio internacional, representada por ONGs indigenistas e ambientalistas e fundações vinculadas a igrejas financiadas pelos concorrentes do Brasil na área do agronegócio, setor que cresce a olhos vistos e por isso mesmo provoca neles temor.

A pergunta que não quer calar: por que a Funai insiste em ignorar a Constituição Federal de 1988?  Nela está dito, em seu artigo 231,  que "são reconhecidos aos índios ...os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam". Onde está a dúvida?  Na verdade, a Funai radicalizou na defesa de sua visão caolha sobre a demarcação das terras indígenas.

Hoje os 850 mil indígenas ocupam 110 milhões de hectares - 13% do território nacional. Deste total, cerca de 500 mil vivem nas aldeias e os outros 350 mil nas cidades. Não satisfeita com tamanha área, a Funai trabalha diuturnamente para aumentá-la para mais de 200  milhões de hectares, ou seja, 25% do nosso território, o que corresponderia a seis estados da federação.

Para alcançar seus objetivos e atender a cobiça das Ongs financiadas por organismos internacionais, a Funai analisa hoje 342 reivindicações para demarcações de novas aldeias. Isso sem contar os 150 processos administrativos em curso com essa mesma intenção. Se essas demarcações se concretizarem, muitos estados produtores de alimentos serão esquartejados por meio de portarias.

Um dia desses, cartazes foram expostos pedindo o boicote mundial à nossa carne, soja, álcool, biodiesel etc, sob o deplorável argumento de que tais produtos são manchados de sangue indígena. Quanta ofensa. Não se exagera em  imaginar que possa haver um plano internacional que se utiliza dos índios para boicotar nossos produtos e com isso enfraquecer nossa economia. Essa gente não se conforma em saber que o Brasil exporta próximo a U$S 100 bilhões para mais de 200 mercados. É de assustar mesmo.

É público e notório que a biodiversidade e os avanços da tecnologia da nossa agropecuária despertam cada vez mais ciúmes de potências econômicas. Temos que estar vigilantes na defesa de qualquer olho gordo em cima de nossas riquezas, sejam no céu, na terra ou no mar. Nesse cenário, é conveniente lembrar o que disse tempos atrás o ex-vice-presidente dos Estrados Unidos, Al Gore: "Ao contrário do que os brasileiros pensam, a Amazônia não é só deles, mas de todos nós".

Não faz muito tempo que um estudo publicado nos Estados Unidos causou polêmica ao afirmar que a preservação das matas tropicais significa menor produtividade para o Brasil e mais espaço para o agronegócio norte-americano. O título do relatório: "Farms here, forests there" (Fazendas aqui, florestas lá) faz uma interessante relação entre a degradação da floresta tropical no Brasil, o crescimento do agronegócio brasileiro e as perdas que essa expansão acarreta para a economia dos EUA.

Com 48 páginas, o documento foi encomendado pela ONG Avoided Deforestation Partners (Parceiros contra o desmatamento) e a National Farmers Union (Sindicato Nacional dos Fazendeiros). Quando foi divulgado por aqui, o relatório recebeu contundentes críticas, como as do atual ministro da Defesa  ex-deputado federal Aldo Rebelo, na ocasião relator do Código Florestal: "... Na cabeça deles não passamos de um fundo de quintal que precisa ser preservado para que eles possam destruir o resto do mundo com a consciência tranquila e, principalmente, com o bolso cheio". É preciso dizer mais?

Por essas e outras é que os integrantes da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), também conhecida como bancada ruralista, defendem com unhas e dentes, aqui e alhures, o segmento mais exitoso da nossa economia: o setor produtivo rural.  E tal procedimento está incomodando muita gente. (FPA 02/11/2015)

 

Preços do petróleo geram disputas internas dentro da Opep

As disputas internas na Opep estão crescendo com membros argumentando em favor de uma política para sustentar um preço justo para o petróleo e aumentar as receitas, na medida que os produtores sentem o efeito dos preços baixos da commodity, mostrou um documento interno da Organização dos Países Exportadores de Petróleo obtido pela Reuters nesta semana.

Um esboço do relatório estratégico de longo prazo do cartel traz comentários do Irã, Argélia e Iraque, e sugestões do Irã e Argélia para medidas de apoio aos preços, tais como um preço-alvo ou preço mínimo ou a volta de um sistema de cotas da Opep.

Os preços do petróleo caíram para menos da metade, abaixo de 50 dólares por barril, desde junho de 2014, em uma queda que se aprofundou após a Opep ter mudado em 2014 a estratégia com o objetivo de proteger sua participação no mercado, em vez de reduzir a oferta para sustentar preços, como fez no passado.

A mudança de estratégia foi liderada pela Arábia Saudita, apoiada por outros membros relativamente ricos do Golfo. Outros, incluindo Venezuela, Irã e Argélia, continuam a pedir cortes de produção.

"A Opep deve estar preparada para estabelecer e defender um preço mínimo, em particular, e para aceitar um troca temporária entre menor participação de mercado e receitas mais elevadas", comentou Argélia no esboço do relatório.

"É nossa recomendação acertar um preço justo e razoável (banda), em seguida, tentar apoiá-lo, desde que esse preço seja justo e razoável " disse um dos comentários do Irã.

Principal produtor de petróleo, a Arábia Saudita, no entanto, diz que o mercado determina os preços do petróleo. O reino não fez um comentário sobre o esboço do relatório.

Governadores da Opep, representantes oficiais dos países-membros, vão se reunir na sede do grupo em Viena esta semana para chegar a acordo sobre a versão final do relatório. (Reuters 02/11/2015)

 

BNDES dribla norma para emprestar R$ 102 mi a empresa de amigo de Lula

O BNDES contornou uma norma interna que o proíbe de conceder empréstimos a empresas cuja falência tenha sido requerida na Justiça e concedeu crédito de R$ 101,5 milhões ao pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva que se tornou um dos alvos da Operação Lava Jato.

O empresário conseguiu o apoio do BNDES em julho de 2012, num momento em que seus negócios enfrentavam sérias dificuldades financeiras. Nove meses depois da operação, a empresa de Bumlai entrou na Justiça com pedido de recuperação judicial por não conseguir pagar as dívidas que tinha no mercado.

Na época em que conseguiu o crédito do BNDES, o empresário já tinha sido alvo de um pedido de falência, apresentado à Justiça em novembro de 2011 por um fornecedor que levara calote numa dívida de R$ 523,2 mil.

As normas do BNDES proíbem empréstimos a empresas nessas condições, para evitar que o banco dê crédito a quem não tem capacidade de pagar.

 A empresa de Bumlai que recebeu os R$ 101,5 milhões é a São Fernando Energia 1, criada para produzir eletricidade a partir de bagaço de cana. Ela integra um grupo de cinco empresas de Bumlai que vive situação pré-falimentar.

Com dívidas de R$ 1,2 bilhão, o grupo São Fernando, cujo principal negócio é uma usina de etanol em Mato Grosso do Sul, teve a falência requerida na Justiça pelo próprio BNDES e pelo Banco do Brasil mais tarde, porque não tem conseguido honrar os pagamentos que se comprometeu a fazer no processo de recuperação judicial.

O grupo deve R$ 330 milhões ao BNDES, incluindo empréstimos recebidos antes da operação feita em 2012. Parcelas da dívida de Bumlai com o banco estão atrasadas desde o fim do ano passado. Os pedidos de falência feitos pelo BB e pelo BNDES foram apresentados à Justiça em julho e agosto deste ano.

LAVA JATO

Bumlai, que já foi um dos maiores criadores de gado do país, tornou-se alvo das investigações da Lava Jato depois que dois delatores relataram que ele teria repassado recursos para uma nora de Lula e ajudado a quitar dívidas do PT, o que ele nega ter feito.

O balanço da São Fernando Energia em 2011 mostra a empresa em situação dramática. As dívidas da companhia eram 9,5 vezes maiores do que o patrimônio líquido. Seria como um cidadão ter R$ 100 mil em sua conta e, ao mesmo tempo, uma dívida R$ 950 mil.

Após a autorização do BNDES, os R$ 101,5 milhões foram repassados à empresa de Bumlai pelo Banco do Brasil e pelo BTG, que atuaram na operação como agentes intermediários do banco público e assumiram parte dos riscos.

Uma auditoria independente feita no balanço de 2011 da São Fernando Açúcar e Álcool afirmou que o "alto grau de endividamento" da companhia levantava dúvidas sobre a "capacidade de continuidade" da empresa.

A São Fernando Energia está em nome de filhos de Bumlai. A família hoje vê o grupo São Fernando imerso em um patrimônio negativo bilionário e às voltas com cobranças de centenas de credores.

ESTÍMULO

Quando entrou com pedido de recuperação judicial, em 2013, a empresa culpou a política de preços da Petrobras, que desestimulou a produção de álcool combustível, a demora para obter crédito e até prejuízos com geada.

De 2008 a 2009, época de euforia no setor, a São Fernando Açúcar e Álcool era parceira do grupo Bertin e obteve R$ 395,2 milhões de empréstimos do BNDES, sem intermediação de outros bancos.

Bumlai, à época integrante do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social do governo Lula, defendeu publicamente em 2008, durante reunião do órgão, a necessidade de apoio do BNDES para estimular a indústria.

Hoje, o grupo São Fernando é gerido por uma administradora judicial nomeada pela Justiça do Mato Grosso do Sul. Os administradores preparam um relatório sobre a situação financeira do grupo, que será concluído ainda neste mês e deve servir de fonte para a Justiça decidir a respeito do pedido de falência.

Segundo os administradores, o grupo, que já teve 3.000 funcionários, viu seu quadro de pessoal encolher para 2.000 nos últimos dois anos.

OUTRO LADO

Tanto o BNDES quanto o empresário José Carlos Bumlai negam que tenha havido favorecimento nos empréstimos que foram concedidos a ele.

O BNDES confirma que adota uma norma que veta a concessão de empréstimos a empresas que tenham pedido de falência na Justiça, mas essa regra é flexível pelo princípio da razoabilidade, de acordo com a instituição.

"Cabe ao BNDES avaliar se a simples existência de um pedido de falência é ou não um impeditivo para a contratação de financiamento", diz nota do banco. "Se não fosse assim, qualquer credor de uma empresa que protocolasse um pedido de falência poderia impedir a contratação do crédito, com ou sem um motivo razoável para isso."

Um exemplo hipotético: se um credor pedir a falência da Vale por uma dívida de R$ 1 mil, o BNDES não irá brecar a concessão do empréstimo porque sabe que esse valor é insignificante para o tamanho da companhia.

No caso da São Fernando Energia, no entanto, a instituição de fomento sustenta que, por se tratar de uma operação indireta, nas quais outros bancos fizeram o repasse e assumiram o risco do crédito, caberia ao Banco do Brasil e ao BTG "proceder a análise cadastral e exame das certidões das beneficiárias finais, conforme as regras do BNDES".

Em nota, o Banco do Brasil nega que tenha sido omisso na análise financeira da São Fernando Energia: "A operação de julho de 2012 foi efetuada exclusivamente para liquidar crédito contratado junto ao BB em 2010. Não houve qualquer liberação de recursos novos para a Usina São Fernando em 2012".

Na oportunidade, segue o texto, "foram analisadas, entre outros fatores econômico-financeiros, todas as restrições existentes, além de terem sido agregadas novas garantias à operação, melhorando seu posicionamento como credor".

Ainda de acordo com o banco, nenhuma das normas que regulam as boas práticas bancárias foram desrespeitadas. O BB diz ainda que não pode fornecer outras informações sobre a operação com a São Fernando Energia porque elas estão protegidas por sigilo bancário.

Procurado pela Folha, o BTG não quis comentar a operação que intermediou entre o BNDES e a empresa de energia de Bumlai.

Em maio de 2013, um mês após ingressar na Justiça com o pedido de recuperação judicial, o grupo São Fernando entregou ao BTG para quitar dívidas a fazenda predileta de Bumlai, chamada Cristo Rei, de 116 mil hectares e avaliada em R$ 580 milhões.

O advogado de José Carlos Bumlai, Arnaldo Malheiros Filho, diz que não houve favorecimento nos empréstimos que o BNDES concedeu ao empresário, e que as operações não seriam aprovadas por bancos privados.

"Banco público e de fomento existe justamente para conceder crédito para quem não consegue tomar recursos no mercado", afirma.

Malheiros diz que seria um equívoco supor que o corpo técnico do BNDES, "de alto nível", segundo ele, aprovaria um "crédito temerário".

Ele afirma ainda que a prova maior de que o empresário não se beneficiou da amizade com o ex-presidente Lula é o fato de seu grupo estar em recuperação judicial, com dois pedidos de falência porque não tem conseguido cumprir os pagamentos que acertou com os credores.

"A amizade com o Lula não trouxe benefício algum a Bumlai", diz. (Folha de São Paulo 01/11/2015)

 

O futuro da química é verde

Com investimentos expressivos em pesquisa e desenvolvimento para a produção de biopolímeros, a Braskem se aproxima de encontrar a solução para fazer borracha sintética a partir da cana-de-açúcar.

O francês Antoine Lavoisier, considerado o pai da química moderna, popularizou o conceito de que na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma. Mais de dois séculos após as experiências de Lavoisier com a conservação das massas, estudiosos de todo o mundo têm comprovado que essa frase é a chave para promover avanços importantes em diferentes áreas. Num condomínio criado para receber incubadoras de alta tecnologia na cidade paulista de Campinas, a cerca de 100 quilômetros da capital, a Braskem, maior produtora de resinas termoplásticas das Américas e líder mundial na produção de biopolímeros, divide o espaço com empresas como a americana HP e a Venturus, especializada em soluções eletrônicas para dispositivos móveis.

Enquanto suas vizinhas se preocupam com hardwares e softwares, o laboratório da Braskem trabalha na química do futuro. Ali, cerca de 34 profissionais estudam, desenvolvem e testam a transformação do açúcar vegetal, a partir da cana-de-açúcar, em butadieno e isopreno renováveis. O objetivo é produzir borracha sintética utilizando uma matéria-prima renovável. “O Brasil está para o açúcar assim como a Arábia Saudita está para o petróleo”, diz Mateus Schreiner Lopes, gerente de inovação em biotecnologia da Braskem, ao comparar a competitividade do agronegócio brasileiro com a produção de combustíveis fósseis dos países árabes.

“Há uma enorme fronteira a ser explorada no agronegócio e o País tem todas as condições de encontrar e desenvolver as principais descobertas nesse campo.” Com investimento de, aproximadamente, R$ 30 milhões, o laboratório da Braskem em Campinas foi inaugurado em junho do ano passado e recebeu os mais modernos equipamentos para a pesquisa de químicos renováveis. Há, por exemplo, um robô de alto desempenho capaz de executar diversos experimentos ao mesmo tempo, o que economiza o precioso tempo dos pesquisadores, que podem se dedicar às atividades intelectuais ao invés das manuais.

Para medir o ganho de produtividade, o robô Hamilton (nome do fabricante americano do aparelho, uma coincidência com o tricampeão mundial de Fórmula 1) substitui 96 pessoas. Outro aparelho que se diferencia é o cromatógrafo de alta sensibilidade, que consegue separar as misturas em fase líquida para facilitar a identificação de compostos. Essas duas tecnologias fazem parte de uma cadeia de processos, que tem início no computador, com o desenho da molécula que vai ser transformada. Ali são indicados os caminhos e as etapas da reação esperada, que os biologistas moleculares vão reproduzir.

Ao se alcançar o resultado, manda-se o gene modificado para uma empresa especializada em sintetização. Como essa etapa é realizada fora do País, a Braskem recebe o seu gene sintético em até 60 dias. A partir daí, começa um longo trabalho de infinitas possibilidades até encontrar a solução que poderá ser reproduzida em larga escala, com o menor custo e a maior produtividade possível. “Os impactos para o mercado podem ser em relação ao custo, performance e sustentabilidade do produto”, afirma Patrick Teyssonneyre, diretor de tecnologia e inovação corporativa da Braskem. “Outro benefício é a captura de gás carbônico da atmosfera”.

Os projetos da Braskem estão sendo desenvolvidos com dois parceiros americanos. A pesquisa colaborativa é uma maneira de aumentar as chances de sucesso, além de ter agilidade e dinamismo na troca de informações e no cruzamento de tecnologias. Há dois anos, dois pesquisadores da Braskem estão no laboratório da americana Genomatica, em San Diego. Eles foram para os Estados Unidos em 2013, quando a empresa brasileira firmou um acordo com essa startup de biotecnologia para a pesquisa do biobutadieno.

Nesse período, diversos avanços foram alcançados e a expectativa é construir uma planta-piloto no início do ano que vem. O butadieno renovável, que será usado pelo mercado de borracha sintética em substituição ao produto a base de nafta, terá uma importância imensa para o Brasil. De acordo com a central inglesa de informações petroquímicas ICIS, o consumo de butadieno terá uma expansão agressiva no País até 2020 e a importação do composto dos Estados Unidos deverá aumentar 60% antes de fontes alternativas entrarem em produção.

Assim como o butadieno, o isopreno é um composto muito utilizado pela indústria da borracha, principalmente para a fabricação de pneus. Para chegar ao isopreno verde, a Braskem assinou um acordo de cooperação tecnológica com a americana Amyris e a francesa Michelin para a substituição da borracha natural por um insumo químico feito, também, do açúcar da cana. Se os avanços mostrados pelos testes do pneu verde conseguirem ser reproduzidos pela indústria, os ganhos de sustentabilidade serão enormes.

Há desde um equilíbrio no ciclo de sete anos para a produção de borracha até uma durabilidade maior do produto, o que seria um importante aliado para a indústria automotiva no combate às emissões de gás carbônico. “Esses dois químicos estão na rota dos renováveis a partir da cana-de-açúcar, com custos competitivos”, diz Alexandre Elias, diretor de químicos renováveis da Braskem.

ESTRATÉGICO

Uma das maiores petroquímicas do mundo, a Braskem, que alcançou faturamento de R$ 53 bilhões no ano passado, tem a inovação como parte estratégica de seus negócios, desde 2002. Até o ano passado eram 850 patentes documentadas, o que faz da empresa uma das principais pesquisadoras do País. Só em 2014, foram investidos R$ 230 milhões em pesquisa e desenvolvimento. O maior exemplo do sucesso dessa estratégia está na fábrica do plástico verde, inaugurada há cinco anos na cidade gaúcha de Triunfo, com investimentos de US$ 290 milhões.

Pioneira na produção em escala industrial do polietineno da cana-de-açúcar em substituição ao derivado de petróleo, a pesquisa com essa substância teve início em 2007, comandada pelo cientista Antonio Morschbacker. Hoje, a marca “I’m Green”, criada pela Braskem para assinar o plástico verde, está presente em mais de 80 embalagens de alimentos a higiene pessoal, com empresas como J&J, Tramontina e Faber-Castell. No ano passado, a Tetra Pak expandiu a utilização do plástico verde para todas as suas embalagens produzidas no Brasil. A empresa foi a primeira a utilizar um produto feito a base de fonte renovável para envasar alimentos, em 2011. (Isto É Dinheiro 31/10/2015)

 

Lavouras de milho perdem espaço para as de soja no Paraná

Nesse verão, Paraná deve plantar pouco mais de 440 mil hectares de milho.

É a menor área cultivada com o grão no estado.

As lavouras de soja estão avançando sobre terras que antes eram ocupadas pelo milho noParaná. O estado é responsável por 20% do milho brasileiro. Até uma década atrás, a maior parte da safra era colhida no verão, num sistema de rotação com a soja. O restante vinha da chamada safrinha, feita no inverno. Entretanto, nos últimos anos, a situação se inverteu. Entre 2014 e 2015, quase 70% da produção paranaense foi colhida na safrinha.

Nesse verão, o Paraná deve plantar pouco mais de 440 mil hectares de milho – 18% menos do que em 2014. É a menor área cultivada com o grão no estado, desde que se tem registro. “O agricultor tem sua terra, ele planta, ele investe, vê os custos de produção. O que ele quer ver no final: rentabilidade. Então, comparando soja com milho, a cada ano que passa diminui a área de milho plantada na nossa região porque não está compensando para o produtor”, explica o técnico do DERAL Jovelino Pertille.

Na fazenda de Carlos Zuquetto, emCatanduvas, no oeste do estado, não há sequer um pé de milho plantado. Os 720 hectares da propriedade estão ocupados com soja. Agrônomo de formação, Carlos conta que por 35 anos seguiu à risca o que a pesquisa recomenda – plantar milho em 30% da área e soja no restante. Entretanto, nos últimos tempos, o bolso dele fala mais alto do que a técnica.

“A viabilidade hoje tem mostrado cálculos, por mais que você faça, que o soja dá muito mais rendimento, tem muito mais liquidez, venda futura e movimentação muito menor com rendimento maior”, explica.

Carlos tem um controle rígido das contas da fazenda e explica que, nessa região do Paraná, na hora de vender a safra aos preços atuais, num hectare de milho, ele consegue perto de R$ 800 de lucro. Com a soja ele ganha líquido cerca de R$ 2.500. “Economicamente, para você ter o seu negócio sempre crescendo e tendo dinheiro que precisa para seus investimentos, mostra que você não tem condições de plantar milho. Enquanto o soja estiver nesses preços será assim.”

Em outra fazenda, em Cascavel, vive Jonas Frisk. Ele ainda planta milho no verão, mas vem reduzindo a área gradativamente. Ele cultiva, no total, 380 hectares e esse ano plantou 60 hectares de milho. O agricultor explica porque continua plantando milho: “porque tem que fazer a rotação de cultura, né? Ajuda muito na safra seguinte do soja. O resultado é bem expressivo.”

Os técnicos alertam que deixar de fazer a rotação de cultura pode trazer prejuízos para o agricultor. É que o plantio alternado de soja e milho na mesma área, dentro da mesma safra, melhora as características físicas, ajuda a descompactar o solo e também reduz a incidência de pragas e doenças. Carlos sabe disso, mas está disposto a correr o risco.

“Eu tenho poupança no solo vamos dizer assim, armazenada, que me permite. Mas agora eu não tenho dúvida nenhuma de que agora eu estou buscando a partir do ano que vem, na próxima colheita dessa soja que eu estou plantando, algo para eu poder contornar pra essa situação que eu estou dando para a terra que não é tão adequada”, fala. 

É bom lembrar que o Paraná está diminuindo a produção de milho na safra de verão, mas como a segunda safra vem crescendo, a produção anual paranaense é estável. (Globo Rural 01/11/2015)

 

Revolução na lavoura

Como a Odebrecht Agroindustrial quebrou paradigmas do setor sucroalcooleiro levando tecnologia, conhecimento e modernas técnicas de gestão aos canaviais.

Esqueça o facão, as queimadas, a marmita dos boias frias. A imagem moderna do setor sucroalcooleiro brasileiro está na foto abaixo. Em destaque está Lídia Toledo, 30 anos, aluna de Gestão Financeira de uma faculdade no Mato Grosso do Sul e dona de uma trajetória de sucesso no novo universo das lavouras de cana-de-açúcar. Desde 2009, é ali que ela dá expediente. Primeiro, como operadora de trator. Depois, promovida, foi pilotar uma colhedora. Hoje, ocupa uma das mais estratégicas posições na produção da Odebrecht Agroindustrial. É líder de uma frente de colheita.

Da sua atuação e de toda sua equipe, depende toda uma complexa engrenagem que vem quebrando paradigmas do agronegócio brasileiro. Sob o seu comando, está um time de 20 a 30 pessoas que, durante um turno de oito horas, mantém em funcionamento seis colhedoras, quatro tratores, seis caminhões de transbordo, um caminhão pipa e um caminhão oficina, ou seja, mais de R$ 6 milhões em equipamentos de última geração. As colhedoras, por exemplo, possuem computador de bordo com mais de 36 comandos, estão conectadas por GPS, em tempo real, a modernas centrais de operação agrícola, que acompanham a operação ao vivo e a cores.

A telemetria, semelhante à de carros de Fórmula 1, gera uma infinidade de dados, com impacto direto em decisões bilionárias, do consumo de combustível à umidade do solo. Lídia é protagonista de um big brother empresarial vivido em meio a lavouras no coração do Brasil e tem de estar preparada. “O líder de frente tem uma pequena empresa nas mãos. Precisa ter tudo sob controle, tomar decisões em ambiente muitas vezes hostil, fazer o que for necessário para cumprir suas metas”, resume Luiz de Mendonça, CEO da Odebrecht Agroindustrial, empresa para a qual Lídia trabalha há nove anos.

A evolução da carreira dessa “executiva” do campo explica, de forma reduzida, a revolução que o setor atravessou na última década. De vilão das relações trabalhistas, fruto da exploração do trabalho temporário e manual de agricultores desqualificados, avançou para uma espécie de cartão postal da agroindústria brasileira, com a produção 100% mecanizada, realizada por trabalhadores registrados e cada vez mais treinados. “Nenhum setor deu um salto como esse em tão pouco tempo”, afirma Mendonça.

A presença da marca Odebrecht nessa área também tem responsabilidade nessa transformação. O grupo decidiu apostar em bioenergia em 2007 e rapidamente se transformou em um dos líderes do segmento. Com cerca de 450 mil hectares de cana plantados, é hoje o segundo maior produtor de etanol do País e o terceiro em capacidade instalada de moagem, com um total de 36,8 milhões de toneladas em suas nove usinas. Reinventar uma indústria com tradição de vários séculos no Brasil não foi tarefa simples. “Para nós foi um aprendizado do zero”, diz Mendonça.

Diferentemente de qualquer outra indústria, a operação de uma usina de açúcar e álcool exige, além de investimento maciço em equipamentos industriais, um sincronismo perfeito com a produção de matéria-prima, plantada por equipes espalhadas em um raio de até 50 quilômetros, em condições sujeitas a uma infinidade de variáveis. Tudo tem de funcionar como um relógio, com a cana sendo entregue na usina em ritmo constante, 24 horas por dia. Na Odebrecht Agroindustrial, por exemplo, cada unidade depende do trabalho ininterrupto, nas épocas de safra (de abril a dezembro), de seis frentes, em média, de colheita a cada três turnos, ou seja, 18 frentes por dia.

Manter as decisões centralizadas em poucas pessoas, a quilômetros de distância, custava tempo e eficiência. A solução foi dar autonomia a cada fase do processo, a começar pelas equipes de campo até chegar às usinas. “Desenvolvemos um processo de empresariamento das unidades, dando responsabilidades aos seus líderes, com uma delegação planejada”, explica Genésio Lemos Couto, vice-presidente de pessoas, sustentabilidade e comunicação da companhia. Porém, juntamente com a responsabilidade, era preciso oferecer ferramentas para a gestão. Chegou à lavoura e às plantas industriais, então, o choque de gestão da Tecnologia Empresarial Odebrecht.

Com um amplo programa de qualificação de pessoas e das comunidades envolvidas, que se transformou em um grande instrumento de transformação social no entorno das unidades do grupo. Nas primeiras usinas adquiridas pela empresa (Destilaria Alcídia e Usina Eldorado), a gestão familiar anterior pregava exatamente o contrário – as decisões dependiam sempre do dono. Os líderes tiveram de ser convencidos a assumir e defender suas decisões. Nos projetos seguintes, construídos do zero e em regiões do Centro-Oeste, com pouca cultura no setor sucroalcooleiro, era preciso recrutar praticamente 10% da população local e formar esse contingente para as diversas funções envolvidas na cadeia de produção, de operadores de máquinas a caldeireiros.

“Investimos cerca de R$ 6 milhões por ano em programas de formação, como o Acreditar”, diz Couto. Na safra 2014/2015, foram mais de 80 mil cursos de capacitação, cerca de 9 horas para cada um dos 13 mil funcionários da companhia. Antes mesmo da empresa chegar a uma região, o impacto começa a ser sentido. Com outro programa, o Energia Social, a Odebrecht Agroindustrial discute com a comunidade ações integradas voltadas a promover avanços em outras áreas e elevar a qualidade de vida. Desde 2010, foram realizados 70 projetos, que impactaram 117 mil pessoas. Novos negócios surgiram nas cidades.

Costureiras formadas pelos programas oferecidos pela companhia – em parceria com entidades como o Senai – hoje fornecem, por exemplo, uniformes para os trabalhadores da Odebrecht Agroindustrial. Trabalhar para a empresa transformou-se em projeto de vida para os jovens das regiões. A empresa desenvolveu um plano de carreira dividido em cinco eixos – agrícola, industrial, manutenção, administração e SSMA (saúde, segurança e meio-ambiente) – com amplas possibilidades de movimentação e evolução, inclusive para outras empresas do grupo. Planos de distribuição de resultados e de incentivo para obtenção de metas também foram criados e atingem todos os níveis, chegando até o canavial.

As equipes de campo que atingem os objetivos podem receber até um terço a mais no salário do mês. A possibilidade de crescer dentro do setor, numa das maiores empresas do País, provocou fenômenos que surpreenderam os mais experientes executivos. “Em 2012, quando mudamos o nome da companhia de ETH Bioenergia para Odebrecht Agroindustrial, chegamos a receber 32 mil currículos em uma semana”, conta Genésio Couto. E quem entrou, não pensa em sair. Em alguns anos, a rotatividade de funcionários, que no setor chegava a mais de 90%, caiu para índices abaixo de 20%.

O ritmo é intenso na companhia, mesmo após sete anos de forte expansão garantidos pelo combustível de R$ 10 bilhões em investimentos. No plantio, a velocidade foi reduzida – chegou a um nível de 100 mil novos hectares por ano, mas agora deve ficar em torno de 60 mil. O momento é de consolidar o processo industrial. Em maio passado, a companhia inaugurou a expansão da Usina Eldorado, que passou a ter a maior moenda do mundo em capacidade de produção.

A base para esse novo momento foi construída ao longo dos anos com a profissionalização de toda a cadeia. A produtividade nos primeiros canaviais era de 70 a 75 toneladas por hectare. Hoje, equipes como a liderada por Lídia colhem de 100 a 110 toneladas por hectare. Ela, que comprou casa própria e montou uma família trabalhando no canavial, já pensa em fazer outra faculdade, de administração. O cartão postal do setor ficará ainda mais bonito. (Isto É Dinheiro 29/10/2015)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Tensão com oferta: O açúcar demerara disparou ontem na bolsa de Nova York, diante das previsões de oferta apertada e apostas altistas por parte dos investidores. Os lotes para maio de 2016 fecharam em expressiva elevação de 54 pontos, a 14,71 centavos de dólar por libra-peso. Desde o fim de agosto, as cotações vêm subindo devido às estimativas de déficit da commodity na atual temporada 2015/16. Na sexta-feira, a Comissão de Comércio de Futuros de Commodities (CFTC) informou que os gestores de recursos encerraram a semana de 27 de outubro com um saldo líquido de compra, que indica a aposta na alta da commodity, de 137.221 contratos, alta de quase 10% em relação à semana anterior. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 50 quilos do açúcar cristal ficou em R$ 73,46 na sexta-feira, com valorização de 1,23%.

Café: Pressão das chuvas: Depois dos avanços nos três pregões anteriores, as cotações do café arábica cederam ontem na bolsa de Nova York. Os papéis para março de 2016 fecharam em baixa de 210 pontos, a US$ 1,2215 por libra-peso. As chuvas previstas para importantes regiões produtoras do Brasil (maior fornecedor global), após um intenso período de seca, têm exercido pressão sobre os preços do grão. De modo geral, mais precipitações ainda são esperadas para ajudar no florescimento dos pés de café no Brasil. E previsões meteorológicas indicam um aumento das chuvas nos próximos dias, o que deve contribuir para a melhora das condições das lavouras no país. No mercado doméstico, a saca de 60,5 quilos do café de boa qualidade oscilou entre R$ 490 e R$ 500 na sexta­feira, de acordo com o Escritório Carvalhaes.

Soja: Atenção à demanda: Sinais recentes de demanda aquecida pela soja americana não foram suficientes para manter a oleaginosa no terreno positivo na bolsa de Chicago. Os contratos com vencimento em janeiro de 2016 fecharam ontem em baixa de 7 centavos, a US$ 8,7875 por bushel. O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) relatou a venda de 120 mil toneladas de soja para a China, com entrega durante a atual safra 2015/16. Por outro lado, o órgão reportou que os embarques totais da commodity pelo país recuaram 4% na semana até 29 de outubro, a 2,56 milhões de toneladas. Além disso, os preços em Chicago continuam pressionados pelas recentes chuvas que têm aliviado a tensão com a seca na região central do Brasil. No oeste da Bahia, a saca foi negociada a R$ 68,67 ontem, conforme a Aiba.

Trigo: Influência do clima: As cotações do trigo registraram fortes perdas na bolsa de Chicago, sob o peso de previsões climáticas que indicam chuvas benéficas em importantes regiões produtoras do cereal no mundo. Os lotes para março de 2016 fecharam em baixa de 13,50 centavos ontem, a US$ 5,12 por bushel. Mapas meteorológicos sinalizam precipitações em partes do Meio-Oeste e do sul das Grandes Planícies dos EUA, além da Rússia, o que tende a aliviar as preocupações com a escassez de umidade. A demanda fraca pelo trigo americano também impede uma reação mais sustentada dos preços ­ os embarques do cereal pelos EUA caíram 46% na semana até o dia 29, para 171 mil toneladas, conforme o USDA. No Paraná, a saca de 60 quilos ficou à média de R$ 37,37 na sexta-feira, em alta de 0,89%, de acordo com o Deral/Seab. (Valor Econômico 03/11/2015)