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Cosan anuncia ‘dança das cadeiras’ entre altos executivos do grupo

A Cosan, conglomerado com negócios nas áreas de energia, logística, infraestrutura e gestão de propriedades agrícolas, anunciou nesta terça­feira uma série de mudanças entre os mais altos executivos do grupo.

Vasco Dias, diretor-presidente da produtora de etanol Raízen desde sua formação em 2011, deixa a posição em 31 de março de 2016. Executivo ligado ao grupo Shell, Dias chega ao fim de um mandato de cinco anos.

Luis Henrique Guimarães, atual diretor-presidente de relações com investidores (RI) da distribuidora paulista de gás natural Comgás, assume o lugar de Dias na presidência da Raízen, a partir de 1º de abril. Com a vacância da presidência da Comgás, Nelson Gomes, atual diretor-presidente e de RI da holding Cosan S.A., assume o posto, a partir de 1 º de janeiro. (Valor Econômico 03/11/2015 às 15h: 40m)

 

Açúcar: Chuvas no Brasil

As cotações do açúcar voltaram a subir ontem na bolsa de Nova York, com uma nova série de compras especulativas em meio aos receios com a oferta brasileira.

Os lotes para maio de 2016 subiram 34 pontos, a 15,05 centavos de dólar a libra-peso. As chuvas que caem no Centro-Sul atrasam o processamento de cana e a produção de açúcar.

Com isso, intensifica-se a idéia de que boa parte da produção da commodity será perdida e uma maior parte do caldo da cana será destinada para a produção de etanol, segundo Thomas Kujawa, da Sucden Financial.

As previsões meteorológicas indicam que a região canavieira deve seguir com chuvas até a próxima semana. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo subiu 0,38%, a R$ 73,74 a saca de 50 quilos. (Valor Econômico 04/11/2015)

 

Chuvas fortalecem tendência de alta do etanol

Abastecer com etanol hidratado, que é usado diretamente no tanque dos veículos, ficou ainda mais caro aos motoristas brasileiros na última semana. A alta foi registrada em postos de 21 Estados, e somente em São Paulo, maior centro consumidor do país, a valorização acumulada desde o início de outubro chegou a 14,5%. Mais reajustes ao motorista são esperados para os próximos dias, uma vez que nas usinas produtoras os preços seguem em curso ascendente.

Os preços do etanol já vinham registrando algum aumento no mês de setembro, mas foi em outubro, com o reajuste da gasolina nas refinarias feito pela Petrobras, que a valorização se acentuou. Pesou nessa equação a aquecida demanda pelo produto no mercado interno e uma percepção de que a oferta não seria suficiente para atender aos níveis atuais da demanda, na casa de 1,5 bilhão de litros por mês.

Assim, desde o início de outubro o preço médio do etanol nos postos do Estado de São Paulo acumulou valorização de 14,5%. Na última semana, a alta nesse Estado foi de 0,57% e a paridade com o preço da gasolina foi a quase 69%. Para ser considerado vantajoso ao consumidor, o etanol tem que valer menos de 70% do preço do concorrente fóssil.

Nos Estados onde essa relação costuma ser vantajosa, as maiores valorizações nos postos da última semana foram observadas em Mato Grosso (1,93%) e em Goiás (1,91%). Em Minas Gerais, o aumento médio foi de 0,33%. Na usinas em São Paulo, o preço do etanol segue em ascensão. Desde o início de outubro, a valorização acumulada atingiu 23,8%, para R$ 1,61 o litro até o dia 30 de outubro, conforme a referência do indicador Cepea/Esalq ­ e ontem os preços subiram novamente com força, pressionados pela redução da oferta do produto nas usinas que não conseguiram colher cana-de-açúcar diante das chuvas intermitentes ocorridas nos últimos quatro dias.

Conforme traders, o etanol hidratado foi vendido ontem pelas usinas às distribuidoras com valorização de 1,9%, a patamares de R$ 1,67 o litro. "Em torno de 90% das usinas da região estão paralisadas por causa da impossibilidade de colher cana com essa umidade. Para os próximos dias, a tendência é de continuidade de chuvas", afirmou um trader. (Valor Econômico 04/11/2015)

 

Há 'exagero' sobre papel do BNDES na economia, diz presidente do banco

Desde o governo Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010), o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) assumiu o papel de principal provedor de crédito no Brasil.

A partir da crise internacional de 2008, as operações do banco federal de fomento passam por um boom sem precedentes, infladas por transferências de recursos feitas pelo Tesouro Nacional - o governo emprestou R$ 511 bilhões ao BNDES de 2008 a julho deste ano.

A medida, contudo, contribuiu para derrubar as contas do governo - a dívida pública subiu quase meio trilhão de reais no período. A aposta no BNDES como indutor do desenvolvimento também não impediu a queda geral no investimento (que no ano passado teve o pior resultado desde 1999) e a recessão mais grave dos últimos 25 anos.

À frente do banco desde 2007, o economista Luciano Coutinho afirmou, em entrevista à BBC Brasil, que há "certo exagero" sobre o papel do BNDES na economia nacional. "A gente não influencia 100% do investimento".

Para o presidente do banco, o desânimo dos empresários - pela primeira vez desde 2002 os pedidos de financiamento ao BNDES foram menores do que os desembolsos do órgão - reflete a "grande incerteza reinante" no cenário econômico do país.

"O BNDES é um banco grande, poderoso, mas há um certo exagero. A gente não influencia 100% do investimento. Há um pedaço grande feito por empresas muito pequenas, ou relacionado a áreas com as quais temos pouco relacionamento, ou porque são empresas em áreas mais difíceis, que não têm histórico (de crédito)", disse.

ETANOL

Um dos "campeões nacionais" entre os setores privilegiados pelo banco na concessão de crédito foi o etanol, que hoje enfrenta uma grave crise, com endividamento e fechamento de empresas. Ao menos 60 usinas fecharam as portas e outras 70 se tornaram insolventes desde 2008. Um dos principais responsáveis pela retração foi a política do Planalto de congelamento do preço da gasolina, que tornou o etanol menos atraente ao consumidor.

Responsável pela aceleração dos estímulos ao setor, Coutinho diz que essa indústria está "começando a respirar" e defende as ações do banco - foram R$ 11 bilhões em crédito a usinas em sua gestão.

"O banco teve um papel importante em financiar a expansão do setor. Depois, com a crise internacional, trabalhou com o sistema bancário para evitar uma quebra sistêmica. O setor enfrentou um período mais recente de margens comprimidas por conta do preço da gasolina, mas o banco permaneceu sempre como um esteio, especialmente com os programas para renovação de canaviais", disse Coutinho, que fala com entusiasmo de financiamento do banco para produção de etanol de segunda geração (produzido da palha e bagaço da cana) e para genética da cana.

E diante de reclamações de usineiros sobre as novas linhas do BNDES para financiamento de estocagem, Coutinho diz que agora o dinheiro barato vai para "coisas muito nobres", e não mais para capital de giro. "O banco não tem folga em TJLP, porque o Tesouro cessou a transferência de recursos ao BNDES. Então o banco tem que priorizar a TJLP para projetos novos, de infraestrutura, com prazo de maturação longo, leiloados publicamente ou inovação tecnológica, coisas muito nobres. Foi feito o melhor esforço possível dentro do que estava ao alcance da instituição nas circunstâncias de 2015".

CPI

Com a economia em baixa, o banco foi lançado no meio da atual crise política - a Câmara dos Deputados criou uma CPI em agosto para investigar a atuação do BNDES de 2003 a 2015, citando indícios de "empréstimos eivados de corrupção e com critérios questionáveis do ponto de vista do interesse público".

O presidente do banco, no entanto, prefere não abordar temas polêmicos, como a investigação no Congresso e o papel da instituição nas chamadas "pedaladas fiscais", suposto uso de bancos públicos para financiar o Tesouro (o que é ilegal) e maquiar contas públicas.

Em geral, Coutinho rebate as críticas sobre o custo fiscal das injeções de dinheiro do Tesouro no BNDES citando o retorno das operações em impostos, empregos e investimentos. "Os empréstimos de longo prazo do BNDES financiam investimentos que em boa medida não ocorreriam na ausência desse crédito", escreveu, em artigo recente.

E questionado sobre as "pedaladas fiscais" em sessão na CPI do BNDES em agosto, Coutinho rejeitou o uso do termo e defendeu as operações do banco com o Tesouro. "O BNDES não adiantou recursos próprios, operou em um programa com dotação estabelecida em lei, e com recursos providos pelo próprio Tesouro para a operação do programa, de maneira que não é de forma alguma uma operação de financiamento do BNDES à União", disse na ocasião.

BNDES E AUSTERIDADE

Diante da queda livre da demanda por crédito do BNDES (a retração recente é de quase 50%), o presidente do banco prefere não estimar até quando o investimento irá segurar a retomada da economia? fala em "virar o jogo um pouco mais para a frente".

Ex-professor da presidente Dilma Rousseff na Unicamp, Coutinho afirma que o banco "já se adaptou" aos tempos de ajuste fiscal. "Racionalizamos o uso do recurso mais precioso, que é TJLP (taxa de juros de longo prazo, a mais baixa oferecida pelo banco), para infraestrutura, energia, porque o mercado não consegue prover empréstimos de prazo longo suficiente".

Por novas regras anunciadas neste ano para tentar aumentar o financiamento privado, o BNDES atrelou a captação de recursos com base na TJLP à emissão de debêntures (títulos de crédito para captar recursos). Quem buscar 50% do empréstimo via TJLP terá que levantar 25% no mercado de capitais com emissão de debêntures.

"Hoje a debênture está muito cara, porque a (taxa) Selic está alta, mas nossa expectativa é quando virar o jogo, um pouco mais para a frente, essa parceria com o mercado de capitais será muito relevante. Essa é uma inovação no campo financeiro: estimular um ganha-ganha com o mercado de capitais", disse o presidente.

DÚVIDA SOBRE FUNDO

Coutinho esteve em Londres na semana passada. Uma de suas tarefas na capital britânica foi buscar novos financiadores para o Fundo Amazônia, criado em 2008 para bancar iniciativas de combate ao desmatamento e uso sustentável da floresta.

Em setembro, o governo da Noruega, principal doador do fundo gerenciado pelo BNDES, anunciou o repasse da última parcela. Até 2014, o fundo somava doações de R$ 2 bilhões - 96% da Noruega, 3% do governo da Alemanha e 1% da Petrobras.

"A preocupação hoje é muito mais com o futuro e a sustentação do fundo, diante do reconhecido desempenho positivo. A grande dúvida é se conseguiremos assegurar um outro ciclo de avanço profundo", disse Coutinho, citando compromisso recente de apoio feito pelo governo alemão.

"Claro que fundraising (levantamento de fundos) para tomar dinheiro emprestado é moleza para o BNDES. O BNDES levanta dinheiro com muita facilidade, mesmo agora após o downgrading do Brasil. Outra coisa é você levantar grana doada. É bem mais difícil, porque em geral vai ter que vir do orçamento aprovado de algum país".

TRANSPARÊNCIA

O requerimento de criação da CPI do BNDES na Câmara, assinado por deputados de oposição, critica a existência de "contratos secretos" no banco e cobra transparência da instituição. Maior financiador da usina de Belo Monte, o banco também foi acusado de sonegar informações sobre relatórios ambientais da obra de R$ 30 bilhões.

O presidente do BNDES cita restrições legais para a divulgação de certas informações. "Muitas vezes pede-se acesso a documentos internos do banco que revelam a intimidade do cliente, um problema do cliente. Somos obrigados por lei a resguardar certas informações. Não podemos opor sigilo aos órgãos de controle, à Justiça, mas para uma entidade privada temos que ser cautelosos". (BBC 03/11/2015)

 

Preço interno do açúcar tem maior patamar desde safra 12/13, diz Cepea

Em SP, indicar do açúcar cristal teve alta de quase 30% frente a setembro. Aumentos mais acentuados ocorreram a partir do reajuste da gasolina.

A alta observada em outubro fez o preço interno do açúcar atingir o maior patamar desde a safra 2012/13. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP), no mês passado o Indicador Cepea/Esalq do cristal teve média de R$ 64,98 por saca de 50 kg no mercado paulista, 27,3% superior à de setembro (R$ 51,06/saca) e 25,6% acima da de outubro de 2014 (R$ 51,75/saca), em termos reais.

Na Bolsa de Nova York, a valorização dos preços futuros no mês foi de aproximadamente 13%. "O movimento de alta segue desde o final de agosto de 2015, quando a exportação passou a remunerar mais que a venda doméstica", informou o Cepea em nota divulgada nesta terça-feira, 3.

"Porém, os aumentos mais acentuados ocorreram a partir do reajuste da gasolina (autorizado no final de setembro) que, por sua vez, elevou a demanda pelo etanol e resultou em maior direcionamento da cana-de-açúcar para produção do biocombustível em detrimento do açúcar", aponta o Cepea. Além disso, nas últimas semanas, a perspectiva de déficit na oferta de açúcar na temporada 2015/16 também deu suporte à commodity, cujo volume interno de vendas em outubro foi o maior do atual ciclo.

Em meio a esse cenário, as exportações perderam vantagem sobre o spot paulista na segunda quinzena de outubro. Mesmo assim, representantes de usinas têm mantido firmes os valores pedidos. De 26 a 30 de outubro, a remuneração com as vendas de açúcar cristal no spot paulista foi 5,31% superior à obtida com as vendas externas. Enquanto a média semanal do Indicador de Açúcar Cristal Cepea/Esalq foi de R$ 72,05/saca, as cotações do contrato com vencimento em março na Bolsa de Nova York equivaleriam a R$ 68,42/saca. (Agência Estado 03/11/2015)

 

Consumidores estão pagando até 40% mais caro pelo açúcar

Valor da saca já é o mais alto dos últimos quatro anos. Veja as explicações para disparada do preço na prateleira.

O Brasil produz mais da metade do açúcar vendido no mundo todo. Mas, nas últimas semanas, o consumidor brasileiro está pagando até 40% a mais pelo produto.

Os doces ficaram mais amargos nas últimas semanas. Pelo menos para o bolso. "Pelo preço do açúcar, os doces também subiram bastante", diz uma mulher.

Subiram mesmo. Em um supermercado, os produtos à base de açúcar estão de 15% a 20% mais caros. E o açúcar cristal aumentou ainda mais. O saco de 5kg passou de R$ 6,29, pra R$ 8,90. Aumento de 41%, só em outubro.

"As coisas vêm subindo numa velocidade maior do que o salário das pessoas”, comenta o bancário Thiago Ferreira.

A explicação para o aumento está nas usinas. Este ano, o setor decidiu produzir mais álcool que açúcar. Como houve aumento de 20% no consumo de álcool em todo o país, a produção de açúcar ficou um pouco de lado.

Com a oferta menor no Brasil e a desconfiança de que a Índia, segundo maior produtor de açúcar do mundo, não consiga cumprir todos os acordos de exportação, os preços dispararam no mercado internacional. A saca de 50kg do açúcar cristal que era vendida a R$ 55,82 no início de outubro, atingiu R$ 70,84, o valor mais alto dos últimos quatro anos.

"Como a gente exporta dois terços da produção, o preço do mercado interno do açúcar é atrelado ao mercado externo e com isso aumentou", afirma o diretor de usina Antônio Eduardo Tonielo Filho.

A alta do dólar também influenciou no aumento de preços do açúcar. "No mercado interno, o dólar teve uma valorização. Então, as exportações acabaram beneficiando o setor que até então tinha sido prejudicado nos anos anteriores", explica o professor de economia da USP José Carlos de Lima Júnior.

Esta loja de doces não conseguiu segurar os preços. "Não tem como. A indústria hoje, principalmente a pequena e média indústria, ela não tem estoque de açúcar, como nós também não conseguimos fazer o estoque de todos os produtos", diz o comerciante João Pedro de Oliveira.

Para não pagar mais caro, o consumidor só tem uma alternativa: diminuir. (JN 03/11/2015)

 

Exportação de açúcar e etanol crescem em outubro, diz MDIC

O Brasil exportou em outubro 2,558 milhões de toneladas de açúcar bruto e refinado, volume 45,1% maior que as 1,763 milhão de toneladas embarcadas em setembro, mas 6,5% inferior ante as 2,735 milhões de toneladas registradas em igual mês de 2014.

Dados do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC) divulgados nesta terça-feira, 3, mostram que do total embarcado no mês passado, 2,071 milhões de toneladas foram de açúcar demerara e 487 mil toneladas, de refinado.

A receita obtida com a exportação total de açúcar em outubro último foi de US$ 751,3 milhões, 40% maior que a registrada em setembro (US$ 536,5 milhões), mas 26,6% abaixo do US$ 1,023 bilhão computado em outubro de 2014.

No acumulado de 2015, foram exportadas 18,229 milhões de toneladas de açúcar (-8,1%), com receita de US$ 5,899 bilhões (-24,6%).

Etanol

De acordo com o MDIC, o Brasil exportou em outubro 259,1 milhões de litros de etanol, avanço de 155,5% na comparação com os 101,4 milhões de litros embarcados em outubro de 2014. Em relação a setembro deste ano, quando foram embarcados 172,7 milhões de litros, o volume é 50% maior.

A receita cambial com a venda do biocombustível alcançou US$ 111,5 milhões em outubro, aumento de 44,4% ante os US$ 77,2 milhões registrados em setembro. Em relação aos US$ 61,4 milhões de outubro de 2014, houve aumento de 81,6%.

No acumulado de 2015, as exportações somam 1,380 bilhão de litros (+18,1%), com receita de US$ 672,7 milhões (-12,5%). (Agência Estado 03/11/2015)

 

Pernambuco reativa três usinas e gera 12 mil empregos em plena crise

Pumaty, Cruangi e Pedroza reabriram na Zona da Mata nos últimos meses.

Já foram produzidos 6 milhões de litros de etanol e 3 toneladas de açúcar.

Fechada há dois anos em Timbaúba, Cruangi foi reaberta em setembro no sistema de cooperativa e empregou três mil pessoas, moeando a cana de açúcar que estava acumulada na região (Foto: Divulgação / COAF)

Desativados há pelo menos um ano, os moinhos de três usinas pernambucanas voltaram a moer nesta safra de 2015. Eles foram reativados nos últimos dois meses, justamente no auge da crise econômica que tem derrubado as perspectivas de crescimento e fechado indústrias em todo o país. Parecia arriscado, mas o negócio deu mais do que certo. Ao todo, já foram produzidos mais de seis milhões de litros de etanol, 800 toneladas de mel e três de açúcar. A expectativa é que, ao final do ano, cada unidade fature pelo menos R$ 30 milhões.

As indústrias de alimentos e cosméticos também registraram crescimento nos últimos meses.

Situadas na Zona da Mata, as usinas já geraram 12 mil empregos diretos e indiretos e foram uma das principais responsáveis pela boa colocação de Pernambuco no último ranking do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged): o estado foi apontado como o maior gerador de vagas do Brasil em setembro. Com uma grande produção de açúcar e etanol, os negócios ainda devem ampliar os bons resultados da produção industrial pernambucana, que cresceu acima da média nacional até agosto deste ano.

“Estamos quebrando paradigmas, porque dizem que usina que fecha não abre mais e 80 unidades industriais fecharam no Brasil nos últimos cinco anos”, diz Alexandre Andrade Lima, presidente da Cooperativa do Agronegócio dos Fornecedores de Cana dePernambuco (Coaf), que reabriu as usinas de Cruangi e Pumati. Foi justamente a crise que possibilitou a reabertura. “Enquanto outros estados fecham, nós abrimos. E abrimos na hora certa. Havia um milhão de toneladas de cana sobrando na região e o preço do açúcar reagiu, porque a safra da Índia quebrou. Agora, estamos moendo fila atrás de fila e já estamos exportando até para a Europa”, comemora Gerson Carneiro Leão, sócio da usina Pedroza.

A economista Amanda Aires confirma que o setor canavieiro tem muito a lucrar, mesmo nesta situação de crise. “Este momento é vantajoso porque que as usinas podem exportar mais açúcar e também podem produzir álcool, já que a gasolina está muito cara e o álcool pode substituí-la. É um setor que pode se beneficiar dos dois lados: no câmbio e na venda doméstica”, afirma. “As usinas voltaram a ter um cenário positivo por causa do aumento da gasolina, mas Pernambuco também é muito forte no setor de açúcar e de seus derivados. Muito da produção pernambucana vai para outros estados e isso gera bons lucros”, reforça Thobias Silva, economista da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Pernambuco (Fiepe).

Apesar de tantas possibilidades de lucro, não foi isso que fez os pernambucanos reativarem suas usinas. Tanto que a Cruangi e a Pumati funcionam em sistema de cooperativa. A Coaf explica que a ideia surgiu quando os canavieiros ficaram sem ter para onde levar a cana colhida na Zona da Mata por causa da desativação de diversas usinas brasileiras. “Eles estavam impossibilitados de continuar no trabalho. Muitos já estavam até desistindo da atividade”, explica Alexandre de Andrade Lima. “Mas não podíamos deixar nossos fornecedores quebrarem”, completa Gerson Carneiro Leão, lembrando que quase um milhão de toneladas de cana já estava retido na região.

Para resolver esse problema, a Coaf implantou um modelo de cooperativa nas usinas Cruangi e Pumaty, situadas nos municípios de Timbaúba e Joaquim Nabuco, respectivamente. “Elas fecharam há dois pela impossibilidade de vender álcool, por causa da valorização da gasolina. Mas, agora, foram a salvação dos nossos moedores de cana. Eles levam e recebem pela cana nas suas cooperativas. No final do ano, ainda vão receber parte dos lucros das usinas”, conta Alexandre de Andrade Lima.

E o faturamento não será pequeno. Em apenas dois meses, cada usina já produziu seis milhões de litros de etanol. Se o ritmo for mantido, cada uma deve faturar cerca de R$ 35 milhões em 2015. O dinheiro será repartido entre 12 mil agricultores, que, na maior parte, planta no quintal da própria casa, com a ajuda da família. "96% deles são fornecedores pequenos, da economia familiar", conta Gerson Carneiro Leão. Já a usina Pedroza, da cidade de Cortês, foca na produção de açúcar e pertence à iniciativa privada. Mesmo assim, deve lucrar o mesmo valor “Produzimos de seis a oito mil sacas por dia. Já vendemos para os estados vizinhos e até para o exterior”, vibra Gerson. (G1 03/11/2015)

 

Produtor chinês pode trocar açúcar por xarope de milho, avalia Marex

A Marex Spectron avalia que, caso o preço do açúcar continue a subir e o do milho a se enfraquecer, produtores de alimentos chineses tendem a trocar o açúcar por xarope de milho de alta frutose, em um movimento que poderia envolver "milhões de toneladas".

A trading pondera, entretanto, que uma mudança assim levaria tempo, de modo que não pressionaria as cotações do açúcar no curto prazo. Além disso, destaca a Marex, as nomeações de navios chineses para importar açúcar continua elevada.

Perto das 11h40, na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), o contrato de março do açúcar demerara 29 pontos (1,92%), a 15,40 cents por libra-peso. Na Bolsa de Chicago (CBOT), os lotes de milho para dezembro eram cotados a US$ 377,50 por bushel no pregão eletrônico, alta de 1 cent (0,27%). (Agência Estado 03/11/2015)

 

Lucro líquido da ADM caiu 66% no 3º trimestre, para US$ 252 milhões

A americana ADM, maior processadora de milho e também uma das maiores tradings agrícolas do mundo, anunciou hoje lucro inferior no terceiro trimestre do ano em relação ao que o mercado esperava. Em balanço financeiro divulgado hoje, a companhia afirmou que as margens menores no segmento de etanol de milho e a valorização do dólar, que reduziu as exportações americanas do cereal, contribuíram para a queda.

As vendas globais da companhia recuaram de US$ 18,1 bilhões para US$ 16,6 bilhões na comparação entre os mesmos trimestres de 2014 e 2015, ficando aquém, portanto, à estimativa média de US$ 17,5 bilhões dos analistas.

O lucro líquido da ADM ficou em US$ 252 milhões, ou US$ 0,41 por ação, ante os US$ 747 milhões do mesmo trimestre de 2014. Nos nove meses do ano, o lucro líquido foi de US$ 1,2 bilhão contra US$ 1,5 bilhão de 2014.

As margens do etanol foram corroídas devido, em grande parte, ao grande volume de milho produzido nesta safra, aos preços mais baixos de biocombustíveis e aos custos de produção agrícola mais altos. O dólar mais caro também tirou competitividade das companhias exportadoras. Segundo o USDA, os embarques de milho desde 1º de setembro, quando teve início o ano safra 2015/16, até o último dia 22 recuaram 28% em relação ao mesmo intervalo do ano passado. (Valor Econômico 03/11/2015 às 18h: 57m)

 

Volume de agrotóxico usado no país é mais que o dobro da média mundial

Região agrícola no Ceará tem índice de câncer 38% maior que no Brasil.

Pesquisas também relacionam agrotóxicos à depressão e má formação.

O Brasil é o campeão mundial no uso de agrotóxicos. Os efeitos disso podem ser vistos na saúde da população.

Ceará

Limoeiro do Norte fica na Chapada do Apodi, no semiárido cearense. Na década de 80, o governo federal criou um projeto de irrigação para desenvolver a agricultura. Hoje a região tem grandes plantações de frutas.

Um estudo na Universidade Federal do Ceará mostra que nesta região agrícola o índice de câncer é 38% maior do que nas cidades onde não há grandes lavouras. “A exposição ocupacional e ambiental aos agrotóxicos na região é tão intensa, que não há como a gente afastar essa possibilidade. Se os agrotóxicos não são os únicos responsáveis pelo desencadeamento destas doenças, eles provavelmente são um dos principais fatores que estão causando estas doenças”, revela Ada Cristina, médica.

A região tem centenas de fazendas produtoras de frutas, que usam milhares de litros de agrotóxicos.

Em 2012, o Globo Rural mostrou o início da pesquisa do doutor Ronald Pinheiro. Ele coletou amostras da medula óssea de 43 trabalhadores rurais da região. Onze deles apresentaram alterações cromossômicas. Segundo a pesquisa, isso pode causar câncer.

Além de tumores, pesquisadores investigam casos de má formação. Nos últimos três anos, quatro crianças de uma mesma comunidade nasceram com problemas físicos. Em Limoeiro do Norte, casos assim são 75% mais comuns do que no restante do Brasil.

Espírito Santo

O Espírito Santo é o estado brasileiro que mais registra casos de intoxicação por agrotóxicos agrícolas.

Na capital, Vitória, um albergue recebe moradores do interior do estado, que estão em tratamento médico. Setenta moradores da área rural podem se hospedar sem pagar nada.

Em 10 anos, a venda de agrotóxicos no Brasil cresceu 190%. Isso é mais que o dobro da média mundial. Dos 50 agrotóxicos mais usados no país, 15 são proibidos na Europa.

O último levantamento da Anvisa achou agrotóxicos em 67% dos alimentos testados, sendo que 25% tinham substâncias proibidas ou acima do permitido.

Rio Grande do Sul

As plantações de tabaco são o símbolo do Vale do Rio Pardo, região de 400 mil habitantes, no interior do Rio Grande do Sul.

Um convênio entre o Ministério do Desenvolvimento Agrário e a Emater, empresa que orienta os agricultores, está incentivando o plantio de outras culturas, mas a maioria dos produtores ainda dependem do tabaco.

Pesquisas relacionam a exposição aos agrotóxicos com o aumento nos casos de depressão, pânico e distúrbios alimentares. A taxa de suicídios em Santa Cruz do Sul é de 28 por 100 mil habitantes. No Brasil, é de 5 por 100 mil habitantes. (Profissão Repórter G1 03/11/2015)

 

Mosaic vê queda nas vendas de fertilizantes

As vendas de fertilizantes provavelmente continuarão a cair pelo resto do ano, disse a produtora norte-americana Mosaic nesta terça-feira, conforme grandes embarques para mercados importantes feitos por rivais em Belarus e na China impulsionam a competição.

A maior produtora mundial de produtos fosfatados divulgou um lucro trimestral maior que o esperado, auxiliada por cortes de custos.

Excluídos efeitos não-recorrentes, a Mosaic lucrou 0,62 dólar por ação no terceiro trimestre, acima da estimativa média dos analistas de 0,53 dólar, de acordo com pesquisa da Thomson Reuters.

A Mosaic disse que suas vendas de fosfato e potássio despencaram no terceiro trimestre e parecem ainda mais baixas neste quarto trimestre. Mas, globalmente, a empresa prevê embarques recorde de fosfato este ano e no próximo, além de vendas de potássio encerrando 2015 com o segundo maior volume na história, quando considerados todos vendedores.

O presidente da companhia, Joc O'Rourke, disse que não está particularmente preocupado com a perda de participação no mercado.

"Quando você maximiza a geração de valor, há certos negócios que você deixa de lado porque não estão dando o retorno que você quer", disse o executivo. (Reuters 03/11/2015)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Chuvas no Brasil: As cotações do açúcar voltaram a subir ontem na bolsa de Nova York, com uma nova série de compras especulativas em meio aos receios com a oferta brasileira. Os lotes para maio de 2016 subiram 34 pontos, a 15,05 centavos de dólar a libra-peso. As chuvas que caem no Centro-Sul atrasam o processamento de cana e a produção de açúcar. Com isso, intensifica-se a idéia de que boa parte da produção da commodity será perdida e uma maior parte do caldo da cana será destinada para a produção de etanol, segundo Thomas Kujawa, da Sucden Financial. As previsões meteorológicas indicam que a região canavieira deve seguir com chuvas até a próxima semana. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo subiu 0,38%, a R$ 73,74 a saca de 50 quilos.

Café: Ganhos em NY: Os preços futuros do café chegaram a cair na primeira metade do pregão de ontem na bolsa de Nova York, mas voltaram-se para o campo positivo, acompanhando o movimento das demais commodities. Os papéis do arábica para março de 2016 subiram 145 pontos, para US$ 1,236 a libra-peso. Houve influência do cenário externo, com a alta do petróleo, e da desvalorização do dólar em relação ao real. Do lado dos fundamentos, porém, a perspectiva é de que mais chuvas nas áreas produtoras do Brasil favoreçam o desenvolvimento das floradas. Segundo Rodrigo Costa, do Société Générale, as chuvas na região Sudeste reverteram o estresse do período anterior sem umidade. No mercado interno, o preço do café de boa qualidade ficou entre R$ 490 e R$ 500 a saca de 60,5 quilos, segundo o Escritório Carvalhaes.

Milho: Alta técnica: Após a queda ocorrida na segunda-feira, recompras técnicas conduziram os preços do milho ontem ao campo positivo na bolsa de Chicago, apesar do cenário favorável para a oferta e fraco para a demanda. Os lotes para março de 2016 subiram 3,5 centavos, para US$ 3,8875 o bushel. O movimento ignorou o avanço da colheita nos Estados Unidos, que no domingo chegou a 85% da área no país, à frente da média para a época (79%). Enquanto isso, os americanos seguem com dificuldades para deslanchar as exportações do cereal que, desde o início da safra até 29 de outubro, chegaram a 11,2% do volume que o USDA espera para a safra, contra 16,4% na média das últimas cinco safras, segundo o Zaner Group. No Paraná, o preço médio subiu 0,04%, para R$ 24,62 a saca, segundo o Deral/Seab.

Trigo: Lavouras no radar: O mercado futuro do trigo apresentou ganhos expressivos ontem nas bolsas americanas com movimentos técnicos. Em Chicago, os lotes para março subiram 7,5 centavos, a US$ 5,195 o bushel. Em Kansas, onde se negocia o trigo de melhor qualidade, os papéis com o mesmo vencimento avançaram 4,25 centavos, para US$ 5,0325 o bushel. Segundo analistas, a valorização foi ditada por recompras técnicas, mas há quem cite a situação das lavouras americanas e do clima no Leste Europeu como motivos para a alta. As áreas "boas" e "excelentes" nas lavouras dos EUA ganharam dois pontos percentuais em uma semana e representam 49% do total plantado, mas no ano passado 59% da área estava nessa situação. No Paraná, o cereal subiu 0,89%, para R$ 37,37 a saca, segundo o Deral/Seab. (Valor Econômico 04/11/2015)