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Usinas sofrem para processar restante da safra de cana por tempo chuvoso

Usinas de cana-de-açúcar no centro-sul do Brasil estão tendo problemas para processar o volume restante da safra 2015/16 em meio à intensificação das chuvas que dificultam as operações.

Chuvas que se iniciaram na parte final de outubro em áreas importantes de produção como Piracicaba e Ribeirão Preto praticamente não têm permitido operações de colheita, já que as máquinas não conseguem entrar nas lavouras.

Usinas buscam aproveitar qualquer janela de tempo seco para colher o máximo que puderem e deixarem menos cana nos campos para ser processada somente na safra que vem, a chamada cana bisada.

Mas essa tarefa parece cada vez mais difícil. De acordo com o sistema de acompanhamento do clima Thomson Reuters Agricultural Dashboard, choveu 60 milímetros na região de Ribeirão Preto desde 30 de outubro, com precipitações praticamente todos os dias, e deve chover mais 90 milímetros até 20 de novembro.

"Eu ainda não moí nem uma tonelada de cana este mês", disse Antonio Eduardo Tonielo Filho, diretor-geral do Grupo Viralcool, que possui três usinas em São Paulo e é associado da Copersucar.

Tonielo disse que ainda vai tentar processar todo volume disponível na unidade de Pitangueiras (SP), perto de Ribeirão Preto, mas que já dá como certo que ficará cana no campo na área de outra usina do grupo em Castilho (SP), divisa com Mato Grosso do Sul.

"Lá choveu mais. Vai ficar 10 por cento da cana no campo, umas 200 mil toneladas".

Essas chuvas de primavera são mais um agravante para uma temporada que já sofreu com precipitações acima do normal, com o fenômeno climático El Niño atuando fortemente e resultando em mais umidade ao sul do país.

As expectativas para o volume final de moagem estão recuando, mesmo com a safra se estendendo além do normal e a próxima devendo iniciar mais cedo.

Luiz Gustavo Junqueira Figueiredo, diretor comercial do grupo Alto Alegre, afirmou que o volume final de processamento do centro-sul deverá ficar abaixo de 600 milhões de toneladas, mesmo com uma disponibilidade total nesta safra estimada em 630 milhões de toneladas.

"Nós tínhamos esse ano (safra 2015/16) 16 milhões de toneladas de cana disponíveis, mas devemos moer entre 15 e 15,5 milhões", disse Figueiredo.

Para ele, o clima continuará sendo um fator chave do setor também na nova safra.

"Como a influência do El Niño ainda é muito forte, tanto aqui como na Ásia, o mercado de açúcar vai ficar muito voltado ao clima até o início da safra do ano que vem. Vai ficar cana para ser moída no início do ano que vem, mas tem que ver se o clima vai deixar moer".

A maior parte dos meteorologistas acredita que o El Niño vai continuar atuando no início do ano que vem.

Mas muitas usinas vão tentar seguir com operações para aproveitar os bons preços recentes.

Roberto Hollanda, presidente da Biosul, associação que congrega usinas do Mato Grosso do Sul, diz que as empresas vão reduzir manutenções ao mínimo necessário para poder aproveitar os períodos secos e colher cana que já está pronta nos campos.

"Se por exemplo um grupo tem duas usinas, ele para uma para manutenção e continua operando com a outra. Depois troca", afirmou. (Reuters 05/11/2015)

 

Rumo ALL reverte lucro em prejuízo de R$ 43,7 milhões no 3º trimestre

A operadora de logística ferroviária Rumo ALL registrou um prejuízo líquido de R$ 43,7 milhões no terceiro trimestre, revertendo lucro de R$ 68,2 milhões em 2014, quando considerado o resultado combinado das duas empresas fundidas, para permitir a comparação.

Segundo a empresa, parte do grupo Cosan, o resultado líquido foi afetado por maiores custos e despesas operacionais devido à adoção de novas políticas contábeis e por maiores despesas financeiras, como efeito da alta de juros no período. O resultado financeiro foi negativo em R$ 399,4 milhões, num salto de 50%.

A receita líquida da Rumo ALL somou R$ 1,36 bilhão ao fim de setembro, numa alta de 22,2% na base anual. O volume total transportado atingiu 12,5 bilhões de toneladas por quilômetro útil (TKU), 6% superior ao terceiro trimestre de 2014, principalmente devido ao aumento de 14% no transporte de produtos agrícolas

Por outro lado, os custos avançaram 30%, a R$ 921,4 milhões, e as despesas cresceram 42%, a R$ 95,2 milhões. Assim, apesar do avanço das receitas, os lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) cresceram em menor ritmo, de 3%, a R$ 551,6 milhões.

A dívida líquida chegou a R$ 7,29 milhões ao fim de setembro, numa alta de 3%. A alavancagem, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda, chegou a 4,85 vezes no terceiro trimestre, abaixo das 4,97 vezes de junho. (Valor Econômico 05/11/2015 às 18h: 51m)

 

Tradings se unem para construir a 'Ferrogrão'

A ferrovia mais desejada pelo agronegócio para o escoamento de grãos do Centro-Oeste está perto de virar realidade. As tradings Cargill, Bunge, Louis Dreyfus e Amaggi, consorciadas com a empresa de estruturação de negócios EDLP, já entregaram ao governo federal sua Proposta de Manifestação de Interesse (PMI) para a construção do trecho entre os municípios de Sinop, em Mato Grosso, e Miritituba, no Pará.

A ferrovia, chamada pelo consórcio das tradings de "Ferrogrão", foi incluída na segunda fase do Programa de Investimentos em Logística, após pressão do agronegócio. Com custo estimado em R$ 11,5 bilhões, 70% financiados pelo BNDES, o trecho de 930 quilômetros terá capacidade para escoar 30 milhões de toneladas de grãos por ano, principalmente soja e milho, de Mato Grosso aos portos do Norte. Para o agronegócio, a redução estimada no frete chega a 40%.

Com mais de 4 mil páginas, a PMI é um levantamento minucioso da viabilidade técnica, econômica e ambiental do empreendimento e servirá de base para o lançamento do edital de licitação. Agora, o documento deverá ser avaliado pelo governo para que sejam convocadas audiências públicas sobre o projeto. Por fim, o estudo será encaminhado ao Tribunal de Contas da União (TCU).

A expectativa do consórcio é que o edital seja publicado no primeiro semestre do ano que vem. Caso a concessão se realize em 2016, a ferrovia entraria em operação entre cinco e sete anos, ou seja, na safra 2022/23. (Valor Econômico 05/11/2015)

 

Destilaria Alcoeste capta R$ 35 milhões com recebíveis de cana

A Alcoeste Destilaria, pertencente ao grupo Arakaki e com sede em Fernandópolis (SP), realizou uma captação de R$ 35 milhões por meio da emissão de certificados de recebíveis do agronegócio (CRA). Os recursos serão usados para capital de giro e tiveram um custo financeiro à empresa de CDI mais 2,5% ao ano.

Os papéis, emitidos pela securitizadora Ecoagro e distribuídos pela XP Investimentos, foram lastreados em CPRs (Cédula de Produto Rural) de venda de cana-de-açúcar pelo grupo. Conta ainda com garantias, tais como terras e contratos de venda de etanol.

A operação foi estruturada pela consultoria financeira FG Agro, que também assessorou a usina no negócio.

No exercício encerrado em 31 de dezembro de 2014, a destilaria Alcoeste teve um prejuízo líquido de R$ 7,397 milhões, ante o resultado líquido positivo de R$ 7,829 milhões do ano anterior.

A empresa teve uma receita bruta de R$ 189 milhões, sendo R$ 48,8 milhões com a venda de matéria-prima (principalmente, cana).

Em 31 de dezembro de 2014, a destilaria informava uma dívida com bancos de R$ 254,3 milhões, sendo R$ 92 milhões com vencimento em até 12 meses. (Valor Econômico 05/11/2015 às 17h: 04m)

 

Déficit global de açúcar pode superar 3,5 milhões de toneladas

O cenário de menor oferta de açúcar na atual safra 2015/16 foi reforçado ontem, depois que a Organização Internacional do Açúcar (ISO, na sigla em inglês) elevou sua estimativa para o déficit global a 3,527 milhões de toneladas, colaborando para manter os preços da commodity em patamares relativamente altos na bolsa de Nova York.

Os contratos de segunda posição do açúcar demerara fecharam com elevação de 10 pontos, a 14,41 centavos de dólar a libra-peso.

Em agosto, a expectativa da ISO era de um déficit de 2,487 milhões de toneladas. A revisão reflete uma queda na estimativa de produção na Índia, União Européia e Ucrânia.

Os dados da organização, porém, tiveram pouca influência nas negociações dos futuros, diz Gabriel Elias, trader da Olam International. Para ele, a valorização esteve mais relacionada à recompra de posições por parte dos fundos, que na quarta-feira fizeram uma liquidação em massa para a realização de lucros.

Os fundos vêm aumentando suas posição comprada (aposta na alta dos preços) desde meados de setembro. A valorização da commodity, porém, precede esse movimento e vem ocorrendo desde o fim de agosto, quando os fundos começaram a cobrir suas posições vendidas, explica Elias.

Dados da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC, na sigla em inglês) apontam que, desde julho do ano passado, os gestores de recursos ("managed money") não detinham um saldo líquido de compra do açúcar tão alto em Nova York. De acordo com o órgão, os investidores encerraram a semana de 27 de outubro com uma posição líquida de compra de 137.221 contratos, entre futuros e opções.

O recorde anterior remete à semana encerrada em 1º de julho de 2014, quando o saldo líquido de compra do açúcar somou 153.869 contratos. À época, os preços da commodity eram impulsionados pelos rumores de que o governo brasileiro aumentaria o percentual de etanol anidro adicionado à gasolina. A elevação da mistura de 25% para 27% no Brasil acabou oficializada em março deste ano. (Valor Econômico 06/11/2015)

 

FCStone reduz previsão de safra de soja do Brasil para 100,45 mi t

A consultoria INTL FCStone reduziu nesta quinta-feira sua previsão para a safra 2015/16 de soja no Brasil para 100,45 milhões de toneladas, ante 101,08 milhões da estimativa de outubro, citando redução de produtividade devido ao déficit hídrico em importantes Estados produtores como Mato Grosso, Goiás e Bahia. (Reuters 05/11/2015)

 

Cresce a participação de MS no valor da produção agrícola brasileira

Em 2014, estado respondeu por 4,6% do valor da produção agrícola. Estado também tem dois municípios entre os 20 de maior valor na produção.

Pesquisador diz que informações ajudaram a prevenir disseminação da Helicoverpa armigera na soja (Foto: Anderson Viegas / Agrodebate)

Cresceu de 4,2%, em 2013, para 4,6%, em 2014, a participação de Mato Grosso do Sul no valor da produção agrícola brasileira. A informação é da Pesquisa Agrícola Municipal (PAM 2014), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que foi divulgada nesta quinta-feira (5).

Segundo a PAM, o valor da produção agrícola do estado no ano passado, somando os dados das culturas temporárias e permanentes, foi de R$ 11,4 bilhões, enquanto que o do país atingiu os R$ 251,2 bilhões.

Apesar do crescimento, Mato Grosso do Sul permaneceu na oitava posição no ranking nacional do valor da produção agrícola, ficando atrás de São Paulo (com 14,8% do total), Mato Grosso (13,5%), Paraná (12,9%), Rio Grande do Sul (12,2%), Minas Gerais (10,3%), Goiás (7,1%) e da Bahia (6,4%).

Na relação dos 20 municípios do país com maior valor de produção agrícola no ano passado, dois foram de Mato Grosso do Sul, Maracaju, na 14ª posição, com R$ 1 bilhão e Ponta Porã, em 18º, com R$ 917,2 milhões.

A PAM reiterou ainda que no estado a principal cultura no ano passado foi a soja, com R$ 6 bilhões de produção agrícola (52,74% do total), seguido pela cana-de-açúcar, com 2,6 bilhões (22,99%) e o milho, com R$ 2 bilhões (18,08%). (Reuters 05/11/2015)

 

CPI aprova acesso a contrato de empréstimo entre BNDES e usina de Bumlai

Indústria de amigo de Lula teria recebido empréstimo de R$ 101,5 milhões em 2012 após ter pedido falência à Justiça um ano antes.

A CPI do BNDES aprovou na manhã desta quinta-feira, 5, a transferência de sigilo dos dados referentes à operação feita pelo bancode desenvolvimento com a Usina São Fernando Açúcar e Álcool, do pecuarista José Carlos Bumlai. Os deputados querem ter acesso aos contratos e aos detalhes do empréstimo feito pelo amigo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A usina de Bumlai, em Dourados (MS), teria recebido do BNDES um empréstimo de R$ 101,5 milhões em 2012 após ter pedido falência à Justiça um ano antes. O requerimento aprovado não trata de quebra de sigilo das informações da operação e sim do acesso dos parlamentares aos contratos confidenciais.

A comissão não conseguiu deliberar sobre a convocação de Bumlai. A pauta continha requerimentos para convocação do pecuarista mas, com o início da ordem do dia, não foi possível colocar os pedidos em votação. A convocação do ex-ministro Antonio Palocci foi rejeitada pela comissão. (O Estado de São Paulo 05/11/2015 às 14h: 15m)

 

Após alta no etanol, gasolina sobe até R$ 0,20 em postos; veja preços

Após o reajuste de cerca de 7% no etanol, alguns postos de Porto Alegre e Região Metropolitana já começaram a aumentar o preço da gasolina. O combustível possui 27% de etanol em sua composição e, por isso, também sofre reflexo no preço.

Em Porto Alegre, dos 15 postos pesquisados pela reportagem nesta quinta-feira (5), seis já aplicaram reajuste de até 20 centavos. Em um posto da Avenida Ipiranga, proximo à Silva Só, a gasolina era vendida a R$ 3,49 e agora é encontrada a R$ 3,69. Nos demais estabelecimentos, o aumento foi de dez centavos.

O etanol subiu em todos os postos visitados. O maior valor encontrado foi no Posto Três Figueiras, na Avenida Ipiranga, próximo à PUC. O combustível, que antes era encontrado a R$ 2,99 agora é vendido a R$ 3,29. O diesel também aumentou até 20 centavos em cinco estabelecimentos. A justificativa dos proprietários é o aumento do frete que também teve que ser repassado ao consumidor.

Na Região Metropolitana, a reportagem circulou por outros 15 postos nas cidades de Canoas, Esteio, Sapucaia do Sul, São Leopoldo e Novo Hamburgo. Desses, oito já sofreram reajustes no preço da gasolina de até 20 centavos. Na maioria deles, o combustível custava R$ 3,39 e agora é vendido a R$ 3,59.

O etanol também aumentou até 30 centavos na região. Em um posto Ipiranga da rede Energia localizado na BR-116 em São Leopoldo, o álcool está custando R$ 3,19. 

De acordo com o último levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), que realiza pesquisas semanais dos preços ao consumidor, o preço médio do litro da gasolina em Porto Alegre é de R$ 3,48. O diesel S10 é vendido a uma média de R$ 3,05 na Capital. Já o etanol, conforme a pesquisa, tem preço médio de R$ 2,76. 

Desde a última semana, os consumidores ainda estão pagando mais caro pelo gás natural em postos de Porto Alegre. O valor médio passou de R$ 2,39 para R$ 2,49, mas a Sulgás garante que não houve reajuste. (http://gaucha.clicrbs.com.br/rs/noticia-aberta/apos-reajuste-no-etanol-gasolina-sobe-ate-20-centavos-em-postos-da-capital-e-rm-151440.html 05/11/2015)

 

OIA eleva previsão de déficit global de açúcar

A Organização Internacional do Açúcar (OIA) elevou nesta quinta-feira sua previsão para o déficit global de açúcar em 2015/16 e disse que a escassez pode se prolongar até a temporada seguinte.

Em seu último relatório trimestral, a organização sediada em Londres aumentou sua estimativa de déficit na temporada 15/16 para 3,5 milhões de toneladas, ante projeção anterior de 2,5 milhões de toneladas.

"Isso reflete principalmente a considerável redução da previsão de produção para Índia, União Europeia e Ucrânia", a OIA em relatório trimestral.

De maneira similar à temporada anterior, o mercado deve ser fortemente moldado pelos desdobramentos em três gigantes do açúcar --Brasil, China e Índia--, disse a OIA.

"Nenhuma escassez da oferta física no mercado mundial é prevista atualmente, com a disponibilidade de exportações globais e a demanda por importações parecendo bem equilibradas", disse o relatório.

Observando a temporada 2016/17, a OIA disse que, considerando que as condições climáticas serão normais nos próximos 21 meses, foi previsto apenas um aumento limitado da produção global em comparação com a temporada anterior, enquanto o consumo pode crescer cerca de 3 milhões de toneladas. (Agência Estado 05/11/2015)

 

Uberaba é exceção entre as cidades líderes em produção agrícola

A renda na produção de grãos no Brasil se desloca em definitivo para as cidades da região Centro-Oeste e para parte do Nordeste.

Entre os 20 principais municípios que obtiveram os maiores valores de produção no ano passado na produção agrícola, apenas um -o 20º- não fica nessas duas regiões.

Esse posto foi ocupado por Uberaba (MG) e se deve à evolução da cana-de-açúcar, que participou com 40% do valor de toda a produção do município.

Os dados são do PAM (Produção Agrícola Municipal), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), e foram divulgados nesta quinta-feira (5).

A disputa pelo primeiro lugar nos últimos anos continua sendo entre São Desidério (BA) e Sorriso (MT).

O primeiro, que se destaca pela produção de algodão, liderou o valor da produção neste ano. Já Sorriso está no segundo posto, principalmente pela produção de soja.

Por dois anos, em 2010 e em 2013, o município de Cristalina (GO), impulsionado pelos bons preços do tomate, avançou para a segunda posição desse ranking.

A concentração municipal do valor de produção é tão grande no Centro-Oeste -e avança pelo Nordeste- que o primeiro município de São Paulo a aparecer na lista das maiores produções está no 36º posto. Paraná tem o primeiro na 40ª posição, à frente do Rio Grande do Sul -42ª.

A presença maciça de municípios do Centro-Oeste na lista dos que obtiveram os maiores valores de produção se deve ao avanço da soja.

A oleaginosa liderou a renda de 41 municípios entre os principais 50 listados pelo IBGE.

Algodão, cana-de-açúcar, café e milho e café aparecem na liderança de outros nove.

O valor da produção agrícola subiu para R$ 251 bilhões no ano passado, 8,1% mais do que em 2013.

Essa aceleração ocorreu devido à produção de 86,8 milhões de toneladas de soja, cuja renda foi a R$ 84,4 bilhões, segundo o IBGE.

Com uma produção tão acentuada e preços em alta, a soja em grãos participou com 34% de toda a geração do valor agrícola no ano passado. Cana-de-Açúcar (17%), milho (10%) e café (6%) vieram a seguir.

Apesar de as receitas com as culturas temporárias caminharem para o Centro-Oeste, São Paulo ainda mantém a liderança na participação do valor total do país.

Essa liderança vem, em parte, das culturas perenes, como citricultura. Esse valor é engrossado, ainda pela cana-de-açúcar e pelo café.

Mato Grosso, que havia perdido a segunda posição para o Paraná em 2013, devido à quebra de safra, voltou a esse posto, com 14% do valor de produção do país.

O valor da produção nacional de cereais, leguminosas e oleaginosas subiu para R$ 137 bilhões, enquanto o da fruticultura foi a R$ 25 bilhões.

Banana e laranja são as principais frutas do país, com valores de R$ 5,5 bilhões cada uma, enquanto Petrolina (PE) e São Joaquim (SC) são os líderes no valor da produção no setor. (Folha de São Paulo 06/11/2015)

 

El Niño castiga NE e Dilma mantém broqueio à subvenção da cana

Estimativa é de que haja um déficit de 15% da atual safra em relação à anterior.

Alexandre Andrade Lima, presidente da Unida.

Os agricultores nordestinos observam, sem nada poder fazer, os efeitos negativos da seca em razão da ocorrência do fenômeno El Niño. O setor canavieiro, por exemplo, é um dos afetados. A estimativa da entidade regional da classe (Unida), que reúne 23 mil produtores, é de que haja um déficit de 15% da atual safra em relação à anterior, devido a significância da força do El Niño deste ano - classificado como um dos maiores pela área meteorológica. Tal fenômeno agravará ainda mais os canaviais, que, três anos antes, foram afetados pela maior seca dos últimos 50 anos na Região. À época, o governo federal havia prometido uma subvenção para amenizar os prejuízos causados pela estiagem. O setor espera o subsídio até hoje, mesmo com os impactos da nova seca. A Unida, por sua vez, reclama que a presidente Dilma, ao invés de vir hoje à Alagoas para anunciar o pagamento da subvenção, sobretudo diante do atual quadro de estiagem, vem fazer novas promessas.

"A Unida diz sentir-se traída por confiar na presidente, e conta que, apenas não fará uma grande manifestação contra sua presença em Alagoas, porque, infelizmente, sua visita ao Estado foi anunciado bem em cima da hora, inviabilizando qualquer articulação e organização do merecido protesto", diz Alexandre Andrade Lima (foto), presidente da Unida. Alagoas é o maior estado produtor de cana do Nordeste. Lima diz que reconhece a relevância do Canal do Sertão, que Dilma vem hoje, possivelmente, inaugurar o trecho 3 no Sertão de Alagoas, mas a seca também atinge a Zona da Mata, onde se concentra a cana. Ele a critica pela falta de ações estruturantes contra a estiagem para esta localidade, e, sobretudo, até quando há políticas, mesmo que pontuais, como a Lei da subvenção da cana (12.999/14), o governo trava o seu pagamento.

Subvenção

A Lei Federal 12.999, de julho de 2014, autoriza o pagamento de R$ 12 ao canavieiro nordestino por tonelada de cana-de-açúcar, fornecida na safra 2012/2013 às usinas da região - período auge da maior seca dos últimos 50 anos no Nordeste. A subvenção, que também é destinada aos produtores de cana do Estado do Rio de Janeiro, é limitada a 10 mil toneladas por cada agricultor do RJ e do NE. Desde a promulgação da lei que a Unida reivindica ao governo federal a regulamentação da mesma. Sem isso, o pagamento fica proibido. O problema é que a lei perde a validade no fim deste ano. "E, se nada for feito pela presidente Dilma Rousseff, o canavieiro do NE, o mesmo que ela hoje vem anunciar 'bondades' em Alagoas, ficará penalizado mesmo com as novas promessas do governo federal", critica Lima. (Tribuna Hoje 05/11/2015)

 

Gigantes do agronegócio entram em ciranda de fusões e aquisições

Com seus lucros pressionados por três anos de queda nos preços de produtos agrícolas, algumas das maiores empresas de agronegócio do mundo estão cogitando se unir umas às outras, no que pode ser a primeira grande transformação do setor em pelo menos uma década.

A Syngenta AG está negociando uma potencial fusão com a divisão agrícola da DuPontCo., dizem pessoas a par das conversas. A DuPont também está discutindo um outro possível acordo na área agrícola com a Dow Chemical Co., que está explorando a venda de sua unidade de sementes e pesticidas, diz uma pessoa a par do assunto.

As discussões estão nos estágios iniciais e podem não resultar em negócios, dizem as fontes.

Mas essas conversas ganharam força desde que a Monsanto Co. desistiu, em agosto, de tentar adquirir a Syngenta por até US$ 46 bilhões, depois de ter sido rejeitada pela empresa suíça. Se tivesse sido fechado, o negócio teria criado a maior fornecedora mundial de sementes e pesticidas. Agora, porém, a Monsanto pode enfrentar a ameaça de concorrentes muito maiores se suas rivais acabarem se unindo, dizem analistas.

Os executivos têm indicado publicamente seu interesse na consolidação do setor, sem serem específicos. Edward Breen, que se tornou diretor-presidente da DuPont em 16 de outubro, depois da saída de Ellen Kullman, disse na semana passada que vem discutido acordos com outras empresas do setor.

“Todo mundo está conversando com todo mundo”, disse o diretor-presidente da Dow Chemical Co., Andrew Liveris, numa teleconferência em 22 de outubro, quando a empresa anunciou que estava estudando possibilidades de negócios para sua divisão agrícola.

A renda agrícola dos Estados Unidos deve atingir seu nível mais baixo em quase dez anos, reduzindo os lucros no mercado global de sementes geneticamente modificadas e produtos químicos para matar ervas daninhas e insetos. As empresas de agronegócio também estão às voltas com pragas que vêm desenvolvendo resistência aos produtos comumente utilizados. Outro desafio é o aumento das preocupações dos consumidores em relação ao uso de produtos químicos e de sementes modificadas nas lavouras.

“A evolução natural é elas se unirem, cortarem custos, juntarem esforços de pesquisa e desenvolvimento e ganharem escala”, diz Ari Gendason, diretor sênior de investimentos corporativos da Continental Grain Co., holding que se concentra no setor agrícola e possui ações de fabricantes de sementes. “Caso uma [fusão] aconteça, então mais de uma vai acontecer.”

As recentes negociações estão ocorrendo em meio a uma crescente pressão dos investidores por retornos melhores. O fundo ativista Trian Fund Management LP brigou por mudanças na DuPont, assim como seu par Third Point LLC fez com a Dow Chemical Co. Em outubro, alguns acionistas da Syngenta formaram um grupo para protestar contra a recusa da oferta da Monsanto. A Syngenta, cujo diretor-presidente pediu demissão inesperadamente em outubro, afirma que está vendendo sua unidade de sementes de hortaliças e flores e examinando as outras divisões de sementes.

Crédito barato, pressão competitiva para garantir parceiros e outros fatores têm alimentado um boom de grandes negócios que deve tornar 2015 um ano recorde de fusões e aquisições.
No ínicio da década passada, uma série de acordos de bilhões de dólares formou o grupo das “seis grandes” empresas, que também inclui a Bayer AG e a BASF SE, que continuam a dominar o setor global de sementes e pesticidas. O último negócio expressivo do setor foi fechado em 2007, quando a Monsanto adquiriu a fornecedora de sementes de algodão Delta & Pine Land Co. por US$ 1,5 bilhão, segundo dados compilados pela Dealogic.

Na época, produtores viviam um período próspero, graças em parte ao aumento da demanda por grãos pela pecuária em expansão e pelo setor de biocombustíveis. Isso ajudou a elevar de forma expressiva a renda agrícola e possibilitou que as fabricantes de sementes e pesticidas obtivessem margens consideráveis para seus produtos.

Mas três anos consecutivos de safras excepcionais aumentaram os estoques mundiais e pressionaram os preços dos grãos e oleaginosas. O Departamento de Agricultura dos EUA espera que a renda agrícola do país recue 36% neste ano, para seu menor nível desde 2006.

Uma fusão da Syngenta com a unidade agrícola da DuPont controlaria cerca de 27% das vendas globais de pesticidas, segundo dados compilados pelo banco Morgan Stanley.

Analistas dizem que essa fusão pode exigir da Syngenta a venda de sua unidade americana de sementes para facilitar a aprovação do negócio pelos reguladores, uma vez que a DuPont já controla 35% e 33% dos mercados americanos de sementes de milho e soja, respectivamente.

A DuPont e as operações agrícolas da Dow combinadas controlariam cerca de 17% do mercado global de pesticidas, tornando a empresa resultante na terceira maior do mercado, atrás da Syngenta e da Bayer, segundo o Morgan Stanley. A unidade de sementes da Dow também poderia ter que ser vendida no caso de uma fusão.

No ano passado, o Trian pressionou a DuPont a desmembrar sua unidade agrícola, mas Ellen Kullman descartou a medida, dizendo que seria muito caro e traria poucos benefícios claros.
A maioria dos executivos do setor diz que as safras gigantes e os baixos preços das commodities devem continuar, a não ser que uma grande seca ou uma epidemia ocorra, ampliando os desafios para os agricultores e para as empresas fornecedoras.
Brett Wong, analista da Piper Jaffray & Co., diz que o período de preços baixos “pode ser mais longo que as pessoas pensam” (The Wall Street Journal 06/11/2015)

 

Commodities Agrícolas

Café: Oferta incerta: Os futuros do café fecharam no campo positivo nesta quinta-feira na bolsa de Nova York, apesar da tentativa de devolver os ganhos dos dias anteriores. Os papéis do arábica para março subiram 35 pontos, a US$ 1,2425 a libra-peso. As previsões meteorológicas indicam chance de chuvas no Sudeste brasileiro, mas analistas avaliam que o volume ainda é insuficiente para os cafezais, que precisam de precipitações constantes. Há também divergências relevantes nas projeções de safra para o Brasil, o que alimenta incertezas. No Vietnã, os produtores retêm a comercialização, reduzindo a oferta de café robusta disponível no mercado global. No mercado interno, o preço do café de boa qualidade oscilou entre R$ 490 e R$ 500 a saca de 60,5 quilos, segundo o Escritório Carvalhaes.

Cacau: Compras especulativas: As cotações do cacau voltaram a subir ontem na bolsa de Nova York, em uma nova rodada de compras especulativas que ignoraram os sinais de oferta elevada no oeste da África, ao menos no curto-prazo. Os contratos para março de 2016 fecharam a US$ 3.270 a tonelada, alta US$ 26. Os traders ainda justificam as compras com base no fortalecimento do El Niño, que pode provocar seca no oeste da África e reduzir o potencial produtivo da região. Por enquanto, porém, a oferta da amêndoa segue elevada. Em Gana, as vendas de cacau nas três primeiras semanas da safra 2015/16 subiram em 118% na base anual, segundo o Zaner Group. Em Ilhéus e Itabuna (BA), o preço médio da amêndoa permaneceu em R$ 141 a arroba, conforme a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Soja: Tombo nas vendas: O mercado futuro da soja amargou nesta quinta-feira um resultado bem abaixo do esperado para as vendas externas do grão dos Estados Unidos, resultando em queda expressiva das cotações. Em Chicago, os lotes para janeiro de 2016 caíram 20 centavos, a US$ 8,64 o bushel. O Departamento de Agricultura americano (USDA) informou que o volume de 655,6 mil toneladas negociadas na semana até dia 29 de outubro foi o menor desde o início da safra 2015/16 e representou uma queda de 69% ante a semana anterior. O volume ficou abaixo da aposta mais pessimista, de 1,4 milhão de toneladas. As apostas de aumento das estimativas do USDA para a safra dos EUA também exerceram pressão. No Paraná, o preço caiu 0,01%, para R$ 70,19 a saca, segundo o Deral/Seab.

Milho: Apostas para o USDA: Os preços do milho cederam ontem na bolsa de Chicago diante da queda das vendas dos Estados Unidos ao mercado internacional e pelas apostas de alta das projeções para a oferta do grão. Os papéis do cereal para janeiro caíram 5,5 centavos, para US$ 3,8275 o bushel. De acordo com o Departamento de Agricultura americano (USDA), houve uma queda de 22% no volume de milho vendido ao exterior na semana até 29 de outubro, para 556 mil toneladas, ainda dentro das expectativas do mercado. Segundo analistas, a pressão maior vem das apostas de que o USDA elevará suas projeções para a colheita e os estoques finais dos EUA para 344,33 milhões de toneladas e 40,31 milhões de toneladas, respectivamente. No Paraná, o preço médio caiu 0,04%, para R$ 24,84 a saca, segundo o Deral/Seab. (Valor Econômico 06/11/2015)