Setor sucroenergético

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Dívida do setor sucroenergético equivale a uma safra, diz Agroconsult

O sócio analista da Agroconsult, Fabio Meneghin, afirmou nesta sexta-feira, 6, que o endividamento atual do setor sucroenergético é da ordem de R$ 80 bilhões. "A dívida é igual ao faturamento. O setor, hoje, deve uma safra", comentou.

Conforme Meneghin, a melhor rentabilidade do açúcar neste fim de ano e a alta dos preços do etanol já ajudam as usinas a, "pelo menos, pagar os juros da dívida". Para o próximo ano, Meneghin prevê margens de lucro de 20% para o açúcar e de 14% para o etanol, bem acima dos 6% e 7%, respectivamente, observados em 2014/15.

Com isso, a aposta é de que comece a haver um melhor tratamento de soqueiras e expansão da renovação de canaviais, mas ainda seria cedo para novas usinas (greenfields). Atualmente, o setor sucroenergético trabalha com 90% da capacidade instalada, disse o sócio analista. (Agência Estado 06/11/2015)

 

Açúcar: Realização de lucros

Uma liquidação de posições para a realização de lucros voltou a impor perdas ao açúcar demerara em Nova York.

Os papéis para maio de 2016 caíram 28 pontos na sexta-feira, a 14,13 centavos de dólar por libra-peso.

Na quarta-feira, os preços da commodity recuaram 5,5%, depois que uma sequência de altas levou os investidores a embolsar lucros.

Nem mesmo o reforço na sinalização do déficit global, dado pela Organização Internacional do Açúcar (ISO), deu sustentação aos preços.

A entidade previu que a oferta ficará aquém da demanda em 3,527 milhões de toneladas na atual safra 2015/16.

A estimativa anterior era de 2,487 milhões.

No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 50 quilos do açúcar cristal ficou em R$ 74,92, em alta de 0,52%. (Valor Econômico 09/11/2015)

 

Após um ano e meio, álcool zera vantagem sobre gasolina em SP

O álcool zerou a vantagem que tem em relação à gasolina na cidade de São Paulo. Pela primeira vez, desde maio de 2014, o preço do etanol chega a 70% em relação ao da gasolina.

Pesquisas indicam que, quando o percentual do preço do etanol está acima de 70% em relação ao da gasolina, é mais vantajosa a utilização desse último. Esse percentual depende, no entanto, do modelo do veículo.

A perda de vantagem do álcool chega mais cedo nesta safra do que nos anos anteriores. Até setembro, essa paridade estava em apenas 62%.

A aceleração dos preços pode se acentuar ainda mais a partir da próxima semana, devido à greve dos petroleiros, que já provoca redução da produção de petróleo.

Além disso, a anunciada greve dos caminhoneiros será mais um fator de pressão, devido às dificuldades de escoamento do produto.

Após muitos meses com preços defasados, o etanol começa a pressionar a inflação, tendência que deverá continuar com novos reajustes do combustível.

Neste ano não deveria ocorrer uma alta de preços do etanol tão cedo. O volume de cana a ser moído será de 600 milhões de toneladas, com as torneiras das usinas voltadas para a produção de etanol. Desse volume, 59% serão para a produção de álcool.

O ano, no entanto, foi marcado por uma série de fatores favoráveis ao consumo.

TRIBUTAÇÃO

No início de 2015, o governo mudou a tributação da gasolina, abrindo espaço para uma pequena recuperação dos preços do etanol.

No final de setembro, a alta de 6% para a gasolina ampliou ainda mais a competitividade do derivado de cana.

O grande impulso ao consumo veio de mudanças tributárias dos combustíveis em vários Estados.

Minas Gerais elevou a tributação da gasolina e diminui a do etanol. O resultado foi uma explosão no consumo no Estado, que até então tinha pouca atração para o etanol.
Paraná e Goiás seguiram na mesma linha, elevando os custos da gasolina.

O resultado foi que o consumo médio saiu de 1 bilhão de litros por mês para 1,5 bilhão. Em alguns meses, a demanda pelo etanol bateu no 1,6 bilhão de litros, quase o dobro do volume de alguns meses de 2014.

A aceleração da demanda e problemas na produção, devido a chuvas, foram o estopim para a alta de preços.

A demanda ocorreu, ainda, devido aos preços favoráveis do produto na porta das usinas. Até setembro, o litro do álcool pago ao produtor era de R$ 1,20 por litro.

A perda de paridade do etanol, em relação à gasolina, não deve afugentar o consumidor do derivado de cana, de acordo com Antonio de Padua Rodrigues, diretor da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar).

PREÇOS

Atualmente, o preço do litro da gasolina supera em R$ 1 o do etanol nas bombas. Essa diferença, em reais, vai pesar na hora de abastecer.

O valor médio da gasolina esteve em R$ 3,396 na cidade de São Paulo nesta semana. Já o do etanol subiu para R$ 2,367, em média.

Os dados são da Folha, que pesquisa preços em 50 postos da cidade de São Paulo. O maior valor registrado pela pesquisa foi de R$ 3,799 para a gasolina e de R$ 2,499 para o etanol. (Folha de São Paulo 07/11/2015)

 

Agroconsult vê recorde na atual safra e moagem de cana de até 630 mi/ton em 2016/17

A Agroconsult projetou na manhã desta sexta-feira, 6, que as usinas e destilarias do Centro-Sul do Brasil processarão entre 615 milhões e 630 milhões de toneladas de cana-de-açúcar na safra 2016/17, que se inicia em abril do ano que vem.

Com isso, o processamento na próxima temporada pode ser de 2,5% a 5% maior ante ao recorde de 600 milhões de toneladas previstas pela consultoria para o atual ciclo. As projeções foram divulgadas durante teleconferência on-line pelo sócio analista da Agroconsult, Fabio Meneghin.

De acordo com ele, essa expansão está relacionada à melhor rebrota da cana desde 2010, ao alongamento de safra por algumas usinas e à reativação de certas unidades. Além disso, sobrarão em torno de 20 milhões de toneladas de cana da safra 2015/16 para serem processadas no ano que vem.

"Analisados os últimos três anos, a safra 2016/17 é a que apresenta o melhor início, de acordo com os índices de vegetação dos canaviais – mais especificamente no que diz respeito ao estado de São Paulo. Até 16/10, o índice de vegetação acumulado medido pela Agrosatélite está 13% acima do mesmo período do ano passado, indicando uma boa rebrota das soqueiras", informou a análise.

Apesar das perspectivas positivas, o canavial estará mais velho na próxima temporada, o que não significa queda na produtividade. A consultoria projeta que as áreas de renovação ficarão abaixo da quantidade observada no ano passado. "As restrições de acesso ao crédito, a boa produtividade na safra atual e a necessidade de ter cana disponível na próxima safra são as principais razões para essa retração".

Com a recente recuperação das margens do açúcar e etanol, a Agroconsult considera que muitas usinas planejam realizar um melhor tratamento das soqueiras até o final do verão. Com isso, a análise aposta que a combinação do tratamento das soqueiras com o esperado clima mais chuvoso resulte em manutenção ou até elevação da produtividade na safra 2016/17.

Safra atual

A cana disponível no campo supera a previsão de moagem – isso porque a produtividade média está superando as expectativas, no entanto, a fase final da temporada 2015/16 está sendo prejudicado pelo mau tempo, que impede a entrada das máquinas no campo para a colheita de cana. Por isso, além da cana bisada, é possivel que algumas usinas acabem esticando a safra além de dezembro.

"A dúvida, agora, é saber se as usinas vão conseguir colher e processar a cana justamente no momento em que as chuvas começam a cair com mais intensidade de frequência no Centro-Sul do país. É de esperar, portanto, que parte das empresas devam processar cana de janeiro a março, no período de entressafra".

Em 2015, o processamento foi prejudicado por chuvas em excesso em Estados como Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo. Quanto aos produtos, a Agroconsult projetou que a fabricação de açúcar em 2016/17 no Centro-Sul pode variar de 32,9 milhões (+2,8%) a 33,7 milhões de toneladas (+5,3%).

Já a produção de etanol tende a crescer para algo entre 27,8 bilhões (+3,6%) e 28,5 bilhões de litros (+6,2%). O nível de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) também tende a melhorar na próxima safra, para algo perto de 134,5 kg por tonelada de cana processada, ante 132,7 kg em 2014/15.

Meneghin afirmou, ainda, que as margens de lucro do açúcar e do etanol devem ser de 20% e 14% respectivamente em 2016/17. Na atual safra, esses porcentuais estão em 17% para ambos. (Agência Estado 06/11/2015)

 

Exportação de açúcar em contêiner atinge 1,6 milhão de tonelada até outubro

O Brasil exportou 1,603 milhão de toneladas de açúcar em contêiner entre janeiro e outubro deste ano, 1,2% mais na comparação com as 1,583 milhão de toneladas registradas em igual intervalo de 2014, de acordo com a agência marítima Williams Brazil.

O maior volume foi escoado pelo Porto de Santos, de onde saíram 1,438 milhão de toneladas, ou 89,7% do total. Logo em seguida vem o Porto de Paranaguá, com 91,756 mil toneladas (5,7% do total). Nesses nove meses, o pico de exportações de açúcar em contêiner foi em setembro, com 230,798 mil toneladas. Janeiro segue como o mês em que esse tipo de embarque registrou o menor volume, com 107,87 mil toneladas.

De acordo com a Williams Brazil, Sri Lanka foi o principal comprador no período, com 214,298 mil toneladas, ou 13,3% do total. Na sequência estão Benin, com 172,895 mil toneladas (10,7%), e Angola, com 116,372 mil toneladas (7,2%). (Agência Estado 06/11/2015)

 

Inflação em alta até o fim do ano

Os preços administrados, mais uma vez, lideraram, em outubro, a marcha da inflação. Os números do IPCA do mês passado deram um salto em relação a setembro e a causa principal foi o reajuste dos combustíveis, principalmente gasolina e etanol, ainda no mês anterior. Só essa alta e sua difusão pela economia responderam por mais de um terço da elevação de 0,82% registrada em outubro.

Outro fator relevante para o salto da inflação de outubro sobre setembro (quando o IPCA subiu 0,54%) foi o movimento de desvalorização do real ante o dólar. Prova disso pode ser encontrada na variação de preços, no segmento livre, dos bens ditos “transacionáveis”; passíveis de substituição entre importados e produzidos localmente e “não transacionáveis”, grupo em que predominam os serviços. Com recessão e tudo, os primeiros registram alta de quase 1% no mês, enquanto os outros subiram apenas 0,35%.

Em 12 meses, a variação do IPCA continua em trajetória de alta. Em outubro, o índice avançou para 9,93% vindo de 9,5%, no mês anterior. Mas as altas nos preços dos combustíveis, que determinaram a puxada do IPCA de outubro, darão uma trégua ao IPCA em novembro, de acordo com estimativas atualizadas. Com isso, o índice cheio do mês recuaria, em relação a outubro, fechando nas vizinhanças de 0,6%. Mesmo assim, chegaria, em 12 meses, a 10%.

O repique sazonal previsto para dezembro, com o reforço de novos aumentos de tarifas de energia, levaria o IPCA mensal a 1,5% e 2015 a fechar com inflação em torno de 10,5%. Com a acomodação dos preços administrados, que deverão subir perto de 18% em 2015 ante alta de 8% no segmento livre, contudo, a inflação tenderia, conforme as projeções, a iniciar um recuo mês a mês em 2016 até encerrar o ano em cerca de 6,5%, nos limites do teto da meta. (O Estado de São Paulo 08/11/2015)

 

Caminhoneiros preparam paralisação a partir de segunda e cobram renúncia de Dilma

Convocados pelo Comando Nacional do Transporte, caminhoneiros autônomos irão iniciar greve por tempo indeterminado na próxima segunda-feira, com pretensão de atingir todo o país. A pauta não traz reivindicações da categoria. As lideranças assumem publicamente que o objetivo é pressionar pela renúncia da presidente Dilma Rousseff.

Integrantes do movimento dizem que a lista de reivindicações permanece a mesma apresentada em fevereiro, quando houve uma greve de caminhoneiros que gerou problemas logísticos, ameaças de desabastecimento e terminou, já em março, em confronto da Força Nacional e da Polícia Rodoviária Federal com os motoristas em Camaquã.

“A nossa pauta do transporte existe e não foi atendida. Alguns pontos dela são redução do preço do óleo diesel, criação da tabela do preço mínimo do frete, carência de 12 meses para quem tem financiamento de caminhão no BNDES (no total, são 10 reivindicações). Agora, a pauta é a deposição da presidente”, explicou Fábio Luis Roque, caminhoneiro de Santa Rosa e liderança do Comando Nacional do Transporte. (Zero Hora 06/11/2015)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Realização de lucros: Uma liquidação de posições para a realização de lucros voltou a impor perdas ao açúcar demerara em Nova York. Os papéis para maio de 2016 caíram 28 pontos na sexta-feira, a 14,13 centavos de dólar por libra-peso. Na quarta-feira, os preços da commodity recuaram 5,5%, depois que uma sequência de altas levou os investidores a embolsar lucros. Nem mesmo o reforço na sinalização do déficit global, dado pela Organização Internacional do Açúcar (ISO), deu sustentação aos preços. A entidade previu que a oferta ficará aquém da demanda em 3,527 milhões de toneladas na atual safra 2015/16. A estimativa anterior era de 2,487 milhões. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 50 quilos do açúcar cristal ficou em R$ 74,92, em alta de 0,52%.

Cacau: Aumento das entregas: Os preços do cacau cederam na bolsa de Nova York na sexta-feira, em meio a uma nova disparada do dólar e a relatos de que as entregas da amêndoa no oeste da África estão mais elevadas do que há um ano. Os contratos para março de 2016 encerraram em baixa de US$ 24, a US$ 3.246 por tonelada. Traders têm reportado aumento nas entregas de cacau nos portos da Costa do Marfim e também de Gana. O tempo seco nas regiões produtoras dos dois países recentemente impulsionou os preços locais, uma vez que os agentes de mercado vislumbram danos às lavouras. Mas chuvas que ocorreram nos últimos dias contribuíram para arrefecer as preocupações com o clima. Em Ilhéus e Itabuna (BA), o preço médio da arroba ficou em R$ 140, conforme a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Suco de Laranja: Atenção ao USDA: As cotações do suco de laranja dispararam na sexta-feira em Nova York, em mais uma rodada de compras especulativas ancoradas nos receios com as próximas projeções do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) para a safra da Flórida. Os lotes para janeiro de 2016 fecharam em forte alta de 260 pontos, a US$ 1,3735 por libra-peso. De maneira geral, os traders já ajustam posições tendo em vista o novo relatório que o USDA divulgará terça-feira. Entre os traders, cresce o temor de que o órgão americano reduza mais uma vez a estimativa para a safra de laranja da Flórida (que detém o segundo maior pomar de citros do mundo, atrás de São Paulo). No mercado spot de São Paulo, a caixa de 40,8 quilos da laranja destinada à indústria permaneceu em R$ 13,80.

Milho: Efeito do dólar: Os preços futuros do milho cederam na sexta-feira na bolsa de Chicago pela segunda sessão consecutiva, refletindo a valorização do dólar em escala global e as perspectivas otimistas para as previsões de oferta do grão que o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgará nesta semana. Os papéis para março de 2016 recuaram 1 centavo, para US$ 3,8175 o bushel. A disparada do dólar refletiu dados que indicaram forte geração de emprego nos Estados Unidos, reforçando a idéia de um aumento dos juros americanos já em dezembro. A alta da moeda americana reduz a competitividade do milho dos Estados Unidos, que é negociado em dólar. No mercado do Paraná, a saca do grão foi negociada em queda de 0,04%, a R$ 24,83, conforme o Deral/Seab. (Valor Econômico 09/11/2015)