Setor sucroenergético

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Aporte de US$ 185 milhões da Yara na Galvani

Às vezes, um charuto é apenas um charuto, dizia Freud. Já o aporte de US$ 185 milhões feito pela norueguesa Yara na Galvani na semana passada não seria somente um financiamento para a implantação do projeto de fosfato de Serra do Salitre (MG), conforme reza o discurso final.

Os recursos estariam vinculados a uma opção de compra dos 40% da fabricante de fertilizantes ainda pertencentes à família Galvani.

Yara e Galvani negam. (Jornal Relatório Reservado 13/11/2015)

 

Odebrecht põe à venda negócios de R$ 4 bilhões e tenta renegociar dívidas

Navegando pela crise econômica com uma dívida de R$ 98 bilhões a bordo, o grupo Odebrecht trabalha para levantar pelo menos R$ 4 bilhões com a venda de empreendimentos e tenta renegociar R$ 11 bilhões em débitos mais urgentes.

Quarto maior grupo privado do país, com cerca de R$ 110 bilhões de faturamento, a companhia quer reforçar o caixa para investir sem depender dos bancos em 2016 —ano já carimbado pela recessão, dificuldade para conseguir crédito novo e encarecimento na rolagem de empréstimos.

Para a Odebrecht, há uma complicação a mais, disseram à Folha executivos do alto escalão de seis bancos que têm negócios com o grupo. Dependendo dos desdobramentos da Lava Jato, o mercado, já restrito por causa da crise, pode dificultar ainda mais a concessão de empréstimos.

A empreiteira é acusada de corrupção em negócios com a Petrobras e enfrenta investigações em outros países onde atua. O presidente do grupo, Marcelo Odebrecht, está preso há cinco meses.

Para se proteger de um aperto na situação financeira, os executivos da Odebrecht começaram a esquadrinhar os projetos do grupo para definir quais podem render mais e com rapidez.

Uma das maiores apostas é a venda da hidrelétrica de Chaglla, que a Odebrecht constrói no Peru. O grupo avalia as primeiras propostas e espera conseguir cerca de US$ 900 milhões (R$ 3,4 bilhões).

No Brasil, a operação mais adiantada é a da Odebrecht Ambiental, que tem concessões de saneamento em 18 Estados, em Angola e no México. A empresa montou um pacote com quatro contratos de concessão e ofereceu a investidores uma fatia avaliada em cerca de R$ 300 milhões.

Outras duas empresas à procura de sócios são a Odebrecht Transport (concessionária de portos, aeroportos rodovias e metrô) e a Odebrecht Defesa (fabricante de equipamentos militares).

A Transport quer um parceiro para assumir de 30% a 40% de sua operação de concessões de rodovias. Avalia ainda sondagens de investidores interessados na compra de outros negócios, como sua fatia na concessionária que explora a linha amarela do metrô de São Paulo.

O banco Lazard foi contratado para ajudar nas negociações. Com R$ 1 bilhão em caixa, a empresa planeja investir R$ 3,7 bilhões em 2016.

A Odebrecht Defesa, por sua vez, contratou um banco para vender 40% da Mectron, fabricante de mísseis e sistemas de comunicação militar.

Uma parte dos recursos da venda da hidrelétrica no Peru será usada na Odebrecht Agroindustrial, segundo a vice-presidente de finanças do grupo, Marcela Drehmer. Endividada, a produtora de etanol precisa de dinheiro novo.

DIAMANTES

O grupo afirma que o movimento de venda não é motivado pelo alto endividamento e que sempre buscou sócios. Um trunfo são os R$ 25 bilhões em caixa, diz Drehmer.

Se for preciso, afirma, o grupo tem patrimônio para vender, como participações numa mina de diamantes na África e a hidrelétrica de Santo Antônio, em Rondônia.

Os bancos ouvidos pela Folha acreditam que a situação financeira do grupo está sob controle, mas que o movimento de venda não é fortuito e a Odebrecht precisa fazer caixa para os próximos anos.

Drehmer admite que a empresa está cautelosa. Congelou investimentos novos, cortou funcionários, viagens e serviços terceirizados. Economizou R$ 300 milhões até junho. "Quando você está crescendo, ninguém é muito austero", diz Drehmer. Depois de dez anos de expansão acelerada, em que o grupo quintuplicou de tamanho, a austeridade chegou à Odebrecht. (Folha de São Paulo 15/11/2015)

 

Dreyfus reforça seus aportes em logística no país

Com o objetivo de reforçar sua estrutura de capital no Brasil para fazer frente aos investimentos em logística já em curso no país, a multinacional francesa Louis Dreyfus Commodities (LDC), via a LDC North Latam Holdings, vai realizar uma injeção de R$ 604 milhões na operação brasileira.

Procurada, a subsidiária brasileira não detalhou quais projetos receberão os recursos, mas confirmou o aporte e seu objetivo, que é apoiar suas apostas em infraestrutura atualmente em andamento no país. Em entrevista ao Valor em maio deste ano, o CEO da LDC no Brasil, Roberto Bento Vidal, disse que o Brasil deverá absorver 20% dos investimentos globais de US$ 4 bilhões que a multinacional planeja realizar nos próximos cinco anos. À época, Vidal afirmou ainda que a maior parte dos recursos destinados ao país deverá ser aplicada em logística, especialmente na região Norte.

Já operadora de um terminal graneleiro no porto de Itaqui, no Maranhão, o Tegram, em parceria com outras tradings, a LDC Brasil, que faturo no ano passado R$ 13,9 bilhões, tem planos de construir um terminal de transbordo no rio Tapajós, que corta o Pará. A empresa espera, em cinco ou seis anos, estar transportando cerca de 3 milhões de toneladas de grãos por essa via. Com o avanço desses projetos, a LDC Brasil tem expectativa de que sua movimentação, atualmente na casa dos 10 milhões de toneladas por ano, aumente 50% nos próximos anos. (Valor Econômico 16/11/2015)

 

Com dívida superior a R$ 700 milhões,Unialco pede recuperação judicial

A Unialco, uma das mais tradicionais companhias sucroalcooleiras do país, protocolou hoje na Vara Cível de Guararapes (SP) um pedido de recuperação judicial. A companhia, com duas unidades processadoras de cana-de-açúcar, tem dívidas superiores a R$ 700 milhões. Há alguns anos em dificuldades financeiras, a companhia realizou, sem sucesso, várias tratativas com credores para encontrar uma saída para seu elevado endividamento.

Em seu balanço referente ao exercício findo em 31 de março deste ano, a Unialco informava uma dívida bancária de R$ 641 milhões. Entre os principais bancos credores estão Santander, ItaúBBA, Bradesco, HSBC, Natixis e HSH Nordbank. No balanço, a empresa informava ainda um débito com fornecedores superior a R$ 100 milhões.

A Unialco, que tem assessoria jurídica do escritório Dias Carneiro Advogados, há mais de um ano tentava costurar um acordo para reestruturar sua dívida. Entre as tentativas, estava a proposta de destinar 100% dos recursos oriundos da venda das duas usinas para quitar o endividamento. Juntas, as duas unidades do grupo, uma localizada em São Paulo e outra em Mato Grosso do Sul, somam capacidade para moer 4 milhões de toneladas de cana-de-açúcar. (Valor Econômico 13/11/2015 às 20h: 05m)

 

Lucro líquido da Olam International caiu 30% no 3º tri de 2015

A asiática Olam International, uma das mais importantes empresas de agronegócio do mundo, registrou um lucro líquido 30% menor no terceiro trimestre de 2015, em relação ao mesmo período do ano passado, para 31,02 milhões de dólares de Cingapura (o equivalente a US$ 21,81 milhões).

Já a receita da companhia avançou 4% nos três meses encerrados em 30 de setembro, para 4,471 bilhões de dólares de Cingapura (US$ 3,143 bilhões).

Em comunicado que acompanhou o balanço financeiro, a empresa informou que todos os segmentos apresentaram crescimento, exceto o negócio de alimentos básicos e processados, que enfrentou menor volume de vendas e de preços, principalmente de grãos, açúcar e arroz. A Olam também chamou a atenção para o “fraco desempenho contínuo” das operações de lácteos.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda na sigla em inglês) da Olam recuou 11,3% no terceiro trimestre, para 194,6 milhões de dólares de Cingapura (US$ 136,83 milhões).

Nos nove primeiros meses de 2015, a companhia contabiliza um lucro líquido 66,8% inferior ao de igual intervalo do ano passado, a 157 milhões de dólares de Cingapura (US$ 110,39 milhões). A receita e o Ebitda acumulados no período, por sua vez, totalizam 13,604 bilhões de dólares de Cingapura (US$ 9,565 bilhões) e 809,8 milhões de dólares de Cingapura (US$ 569,4 milhões), baixas de 8,7% e 1,6% ante o terceiro trimestre de 2014, respectivamente. (Valor Econômico 13/11/2015)

 

Petrobras estuda vender divisão de biocombustíveis

Veja a cronologia do inferno astral da Petrobras;

Apenas quatro meses depois de começar a produção em uma fábrica de biodiesel em Guamaré (RN), a Petrobras decidiu em outubro encerrar a atividade no local.

A decisão, "tomada após uma avaliação detalhada do desempenho da unidade", segundo a estatal, é parte da estratégia para estancar as perdas com a PBio (Petrobras Biocombustíveis), subsidiária que, desde a sua fundação, em 2008, acumula prejuízos de R$ 1,5 bilhão.

A área de biocombustíveis ainda não está no plano de desinvestimentos da Petrobras, mas a direção da empresa já cogita oferecer os ativos no mercado, de acordo com que apurou a Folha.

O mau desempenho, segundo especialistas, é resultado da influência política sobre a estratégia da estatal, que gerou concorrência desleal da gasolina subsidiada com o etanol, e também da má gestão da produção de biodiesel.

A PBio tem atualmente participação em cinco usinas de biodiesel e nove de etanol.

A produção em Guamaré será encerrada definitivamente assim que a usina entregar a produção vendida no último leilão da ANP (Agência Nacional do Petróleo). Depois, a unidade voltará a ser um centro de pesquisas.

A usina que durou só quatro meses é um exemplo dos erros estratégicos que provocaram o rombo na área de biocombustíveis da Petrobras, dizem analistas do setor ouvidos pela Folha.

Para Luiz Augusto Horta, ex-diretor da ANP e especialista do tema, o problema é que os investimentos da PBio foram pensados sob a lógica do desenvolvimento agrário. O primeiro presidente da Petrobras Biocombustíveis foi o ex-ministro da pasta, Miguel Rossetto.

"A Petrobras queria fazer biodiesel de mamona, fomentando pequenos produtores, e focou sua atuação inicial no Nordeste", diz Horta. "Isso não vingou e agora a empresa tem que buscar soja no Centro-Oeste e produzir em suas plantas no Nordeste.

PREÇOS REPRESADOS

No setor de etanol, a política da Petrobras de represamento artificial do preço da gasolina no mercado interno prejudicou durante anos as empresas do segmento. O etanol só é vantajoso quando seu preço na bomba é equivalente a 70% do da gasolina.

O setor teve seu boom de 2003 a 2008, quando houve a duplicação da capacidade produtiva no país.

A partir de 2010, produtores amargaram prejuízos diante dos baixos preços da gasolina. Muitos optaram por produzir açúcar em detrimento do álcool.

A Petrobras, por sua vez, passou a ter uma dupla perda. A estatal importou gasolina por preço mais alto que o vendido no mercado interno e ofereceu etanol a preços pouco competitivos.

Em nota, a Petrobras não quis comentar as razões do prejuízo. Disse apenas que vem tomando medidas para aumentar a eficiência e os investimentos realizados pela PBio "serão recuperados ao longo do desenvolvimento e maturação dos negócios". (Folha de São Paulo 15/11/2015)

 

Plantio orgânico da cana garante produtividade maior, diz agrônomo

O pioneiro na eliminação da queima da cana e na transformação de canaviais em um ambiente propício para a produção de açúcar orgânico está irrequieto.

O avanço foi grande. A produtividade aumentou e houve ganho com a biodiversidade, mas ele acredita que dá para evoluir muito mais.

Leontino Balbo Júnior, que desde 1988 busca novas formas de manejo dos canaviais das fazendas que compõem o grupo Balbo, em Sertãozinho (SP), tem novas ideias.

Entre elas, a busca de uma multifuncionalidade para as áreas de cana. "É esquisito uma linha de cana de 1,5 metro e não ter nada no meio."

Com o desenvolvimento de máquinas especiais, é possível a utilização desse espaço com o plantio de outras culturas, como especiarias. Balbo acredita, ainda, em uma perenização dos canaviais.

Mas tudo isso passa por um único caminho: o solo.

Tecnologia e novas variedades são importantes, mas o solo é o principal fator.

E o solo está doente em boa parte das áreas do planeta, avalia.

Balbo não está só nessa luta. Em um recente seminário em Cuiabá (MT), a plateia ouviu atenta o relato de produtores de que a agricultura está no rumo errado. Só se pensa em novas variedades de sementes e de produtos químicos, em vez da busca de manejo adequado do solo.

"Descobri que a vida do solo é a vida das plantas", diz. O solo é importante para o ciclo hidrológico. Mudança climática não é só emissão de gás e efeito estufa. É preciso olhar o ecossistema como um todo, afirma.

O solo é responsável por prover serviços ambientais e dar sustentação à vegetação. É um universo para seres vivos.

"Quando se utiliza muito insumo químico, o solo não cumpre ou cumpre muito pouco com as suas funções ambientais. É preciso mudar da produção de abundância para a de eficiência", diz.

Partindo de um solo revitalizado, o grupo Balbo quebrou alguns paradigmas do setor. Normalmente, a produtividade da cana cai em cinco ou seis anos e há uma renovação dos canaviais.

Alguns talhões dos canaviais do grupo Balbo já estão com 14 cortes, sem a renovação. É possível chegar a 20 cortes, acredita ele.

A produtividade média das fazendas do grupo é de cem toneladas por hectare, 25% mais do que a média de São Paulo. O grupo administra 21 mil hectares de cana.

E AGORA?

"Atingi o sonho de colher cana crua. E agora?", pergunta Leontino.

Ele percebeu que tinha algo a mais e que a natureza tem um sistema de produção. Mudou o foco, olhando mais para o solo. Balbo adotou métodos naturais de produção animal e vegetal, que são mais econômicos e produtivos.

Ele apresentará esses resultados obtidos com uma produção natural nos últimos 25 anos em um seminário em 18 e 19 deste mês, em Ribeirão Preto (SP).

PALHA

Todo o processo de decomposição da palha começa com micro ácaros e passa por uma interação entre vários insetos. "Por isso, não posso mexer com a palha", diz ele.

O solo é grumoso e esse grumo é composto por uma colagem entre argila e saibro. A exposição e a compactação faz com que essa cola perca a validade, dificultando a infiltração de água. A reconstrução do solo dá condição permanente de vida à planta.

A agricultura revitalizadora faz a diferença, muda o sistema e coloca um processo biológico em ação. Esse processo se torna cada vez mais autônomo e passa a ser o responsável pela produção.

A planta tem um sistema imunológico que só é ativado quando recebe alimentação de fontes biológicas, afirma.

Para entender melhor a evolução produtiva da natureza, ele procurou saber como foi a sucessão ecológica lá trás para "dar um passo à frente", diz.

Estudou os grandes pesquisadores e pensadores e buscou completar os pontos em branco deixados pelos estudos. Estudou a importância das rochas vulcânicas na agricultura, um processo que passou a utilizar nas suas lavouras por meio da adição de rocha moída. Viu que há uma intensa integração entre minerais e organismos vivos.

O sistema que vem sendo adotado nas lavouras do grupo aumenta o nível de vitalidade dos seres, tanto da cana como de animais. As onças da região têm de dois a três filhotes, acima da registrada em outros ambientes, diz Balbo.

A ausência dos produtos agroquímicos e a constância da estrutura do canavial dão um habitat para os animais. O mais recente levantamento indicou 340 vertebrados e 547 espécies diferentes de insetos nas fazendas do grupo.

PRODUTIVIDADE

A reconstituição do solo resulta em maior produtividade. Nos oito primeiros anos de plantação orgânica, enquanto os microrganismos não estavam adaptados, a produtividade era típica de plantio convencional. A partir dos oito anos, o cenário mudou e 40% das áreas produziram 140 toneladas no primeiro corte; 120 no segundo; e 90 no terceiro. No quarto, a produção voltou a subir.

"Não é a planta que se degrada, mas os fatores externos. Descobri que havia uma interação biológica, e a estrutura do solo era comum", diz Balbo.

Há planta que absorve as toxinas que a cana libera no solo ano após ano. Além disso, o fim da queima da cana cria ambiente para espécies que são predadoras de pragas.

A reconstrução da bioestrutura do solo elevou a qualidade das águas, dando condições melhores para capivaras, raposas, lobo guará, onças e tamanduás bandeira e mirim. Os animais encontram comida e se instalam. (Folha de São Paulo. (Folha de São Paulo 15/11/2015)

 

Estadão discute futuro do agronegócio

Produtividade, crédito, tecnologia, sustentabilidade e logística são alguns dos temas que serão debatidos no Summit Agronegócio Brasil 2015.

O Summit Agronegócio Brasil 2015 vai reunir referências brasileiras e globais do setor no próximo dia 26, no hotel Grand Hyatt, em São Paulo. O evento, realizado pelo ‘Estadão’, debaterá temas como o papel do Brasil como “celeiro do mundo”, as tecnologias que podem auxiliar a produção agropecuária, as oportunidades do desenvolvimento da indústria nacional de alimentos processados e os gargalos logísticos do País.

A realização da primeira edição do Summit Agronegócio reflete a importância do setor para a economia do País e para a segurança alimentar global. Entidades como a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) preveem que o Brasil, até 2024, será o líder global em exportação de alimentos, graças à expansão da área plantada e ao aumento da produtividade.

Ao reunir economistas, pesquisadores e empresários que se dedicam a profissionalizar o agronegócio e a garantir seu crescimento sustentável, o evento tem o objetivo de traçar um panorama das oportunidades e desafios que estão à frente o setor. Entre os participantes do painel “Brasil, celeiro do mundo” estarão o representante da FAO no Brasil, Alan Bojanic, e o economista-chefe da Bolsa de Chicago (referência global para preços de commodities), Blu Putnam.

Já o painel dedicado à logística – considerado por muitos o principal gargalo do setor, já que parte da produção agrícola acaba sendo perdida no transporte – reunirá empresários como Fernando Antônio Simões, diretor-presidente da JSL, e Rubens Ometto, presidente do conselho do Grupo Cosan, que controla a gigante ferroviária Rumo-ALL.

Futuro. Tecnologias que ainda não são conhecidas pelos produtores rurais brasileiros também ganharão destaque do Summit Agronegócio Brasil 2015. O diretor de projetos especiais do Estadão, Ernesto Bernardes, lembra que, diante da escassez de água e das deficiências do solo, o agronegócio de Israel é hoje um dos mais tecnológicos do mundo. “Eles precisam otimizar recursos há muito tempo, uma noção que só agora chega ao Brasil.”

O empresário israelense Robi Stark, presidente da empresa de tecnologia Sensilize, virá ao evento para mostrar, entre outras novidades, o uso de drones para monitoramento de lavouras. Os drones podem coletar informações que podem ajudar os proprietários rurais a racionalizar, por exemplo, o uso de fertilizantes.

O brasileiro Ivair Gontijo, engenheiro da Nasa, também estará presente ao Summit Agronegócio para mostrar como a engenharia espacial andará de mãos dadas com o setor. Satélites poderão prever fenômenos climáticos com maior antecedência, auxiliando a programação de plantio e colheita.

Indústria e crédito. Grandes indústrias de alimentos nacionais começam a tirar do País o “rótulo” de exportador de commodities, mas exigem que o produtor rural negocie com um novo tipo de cliente. No painel dedicado à relação do campo com a indústria estarão presentes, entre outros, Luiz Stábile (diretor de agropecuária da BRF) e Gustavo Grobocopatel (presidente do Grupo Los Grobo).

O presidente do Banco do Brasil, Alexandre Corrêa Abreu, fará uma palestra no evento para falar sobre crédito agrícola em tempos de crise. (O Estado de São Paulo 15/11/2015)

 

Comissão do Senado aprova aumento gradual de mistura de biodiesel

A Comissão Especial do Desenvolvimento Nacional no Senado aprovou um projeto de lei que prevê o aumento progressivo da mistura de biodiesel no combustível convencional. O colegiado é responsável por analisar a chamada Agenda Brasil, série de propostas para promover o crescimento da atividade econômica no país. O relator foi o senador Valdir Raupp (PMDB-RO) e a proposta foi aprovada por unanimidade.

O texto sobre mistura de biodiesel foi apresentado pelo senador Donizete Nogueira (PT-TO). Prevê que em até um ano depois da promulgação da lei, a proporção passe a ser de 8%; em até dois anos de 9% e em até trás anos, a proporção atinja 10%. (Globo Rural 13/11/2015)

 

Arnaldo Corrêa: Não se apaixone pelo mercado

Considerando o fraco desempenho das commodities no mercado internacional na última semana, o açúcar até que foi surpreendentemente bem demais. O que poderia ter sido um banho de água fria para os altistas – a combinação de um real mais forte em relação ao dólar e do petróleo negociando abaixo de 42 dólares por barril, não derrubou a commodity. Com o preço descendente da gasolina no mercado internacional trabalhando na média de US$ 1,04 por litro, a gasolina no Brasil contendo a mistura de 27% de anidro e mantendo a competitividade do hidratado de 65-70%, praticamente coloca um teto no preço do hidratado em torno de R$ 2,275 por litro na bomba. O preço hoje está acima disso, mas ainda em linha com a gasolina na bomba. O temor que alguns traders tem é que venhamos a perder a competitividade do etanol, o que faria sobrar o produto na entrada da próxima safra que promete ter uma produção de cana maior em função de um clima bastante favorável para a gramínea.

O outro lado da moeda, no entanto, como disse um respeitado executivo do mercado, é que o prejuízo recém divulgado da Petrobrás, de R$ 3,76 bilhões, resultado da cleptocracia petista instalada no país, deve fazer com que a empresa busque sanar o caixa via aumento no preço da gasolina. Isso seria saudável para a empresa e por tabela, colocaria a paridade novamente no nível atrativo para o consumidor.

Embora não tenhamos visto preços tão remuneradores para o açúcar em tantos anos, uma breve consulta aos preços negociados no mercado físico é suficiente para concluirmos que os ventos que sopram no mercado futuro não passam de leve brisa no mercado físico, que ainda apresenta descontos para embarque imediato. Enquanto não houver mudança substancial no basis (o prêmio ou desconto) não se tem como validar que o mercado é altista com todas as letras.

A volatilidade mostra bem o nível de preocupação dos operadores de mercado em relação à trajetória dos preços. As oscilações estão mais fortes e o nível de risco aumentou. Em apenas um mês a volatilidade implícita do vencimento março/2016 pulou de 28,2% para 33,2%, os dois meses de vencimento seguintes também experimentaram aumentos de 4,6% e 4,0%. A volatilidade alta sugere venda de opções para abocanhar esses prêmios robustos.

Não se deve perder a oportunidade de fixar os preços para o açúcar. No mínimo há de se fazer um seguro usando puts e fixando o dólar. Nota-se no mercado um aumento considerável de fixações nas semanas recentes (ainda não refletidos pelo modelo de fixação da Archer Consulting): uns fixam vendendo o mercado futuro e travando de vez o preço; outros preferem adicionar à fixação de venda a compra de um call spread (compra de uma call ao preço de exercício próximo do mercado e venda de uma call a um preço de exercício superior) e outros preferem simplesmente fazer uma fence (que é a compra de uma put num nível abaixo do mercado de hoje financiada pela venda de uma call acima do mercado de hoje).

Diga-se de passagem, que a segunda e terceira estratégia tem rigorosamente o mesmo resultado prático já que a venda de futuros combinada com a compra de um call spread faz com que a primeira ponta da operação (venda de futuros e a compra da call) resulte na compra de uma put sintética. Junta-se à call vendida e temos uma fence.

Temos que observar atentamente aos movimentos no mercado físico de açúcar. Preocupa-me que o ano que vem o volume de cana será muito bom e o início da 2016/2017 poderá ser antecipado pelas usinas para aproveitarem os preços e, caso haja perda da paridade do etanol com a gasolina, mais cana pode ser desviada para a produção de açúcar, derrubando os preços.

Diferentemente de alguns analistas internacionais, não vejo que a alta no preço do açúcar em NY tenha sido alimentada pelo preço do etanol no mercado interno. Isso foi consequência e não causa. Acredito que os fundamentos mais construtivos para o ano que vem (aumento de déficit mundial, estagnação da produção de cana no Brasil) impulsionaram os fundos a aumentarem suas apostas na alta do açúcar. Fixações de preço historicamente altas para esse período diminuíram a disponibilidade de vendedor para os primeiros meses da próxima safra. O mercado se inverteu pelo movimento das tradings que sentiram a probabilidade de uma melhora nos fundamentos acontecer e se anteciparam e, concomitantemente, os fundos que adoram ficar comprados num mercado invertido.

Teremos visto já a alta para este trimestre? É cedo para responder, embora o modelo que usamos prevê que novembro e dezembro terão preços médios inferiores ao de outubro. Pessoalmente, não acredito. Creio que os fundamentos do mercado se fortalecem ao longo deste último bimestre e os preços podem alcançar novos patamares.

Marcos de Sá Moreira Masagão, da Future Analysis Consultoria acredita que o açúcar em NY precisa romper os 15,20 centavos de dólar por libra-peso para adquirir mais potência e continuar a subir. Tentou isso na sexta-feira, mas chegando lá deve ter faltando ar e acabou encerrando a semana com o vencimento março a 15,04 centavos de dólar por libra-peso. Pode ser que o mercado esteja com a língua de fora após uma subida tão íngreme. O março fechou com alta semanal de 58 pontos (12,79 dólares por tonelada) enquanto os demais meses oscilaram positivamente entre 4 e 12 dólares por tonelada.

Menor venda de veículos, consumo mais arrefecido, economia mundial sem entusiasmo pode frear o ímpeto altista. Os fundos já possuem uma posição bastante significativa e acredito que só adicionariam mais compras se algum evento fundamentalista o justificasse. O resultado final é, portanto, não se apaixonar pela posição e não perder oportunidades. Ninguém quebra com lucro no bolso. (Archer Consulting 16/11/2015)

 

Commodities Agrícolas

Café: Colheita farta?: Os preços do café tombaram na bolsa de Nova York na sexta­feira em meio a um otimismo com a próxima safra brasileira. Os papéis do arábica para março caíram 295 pontos, a US$ 1,158 a libra-peso. A trading asiática Olam International estimou uma produção de 60 milhões a 62 milhões de sacas no país, segundo a Reuters. O cálculo da Conab para o ciclo atual, já colhido, é de 44 milhões de sacas. Embora a Olam também tenha projetado um déficit de oferta global na ordem de 4,8 milhões de sacas em 2015/16, o volume é menor que o avaliado para esta temporada. No dia anterior, outra trading calculou esse déficit em 2,8 milhões de sacas. No mercado interno, o preço do café de boa qualidade ficou entre R$ 490 e R$ 500 a saca de 60,5 quilos, segundo o Escritório Carvalhaes, de Santos.

Cacau: Com um pé atrás: Desconfiados com a real situação da oferta de cacau no oeste da África, os traders conduziram os preços da amêndoa a uma nova alta na sexta-feira na bolsa de Nova York. Os lotes para março subiram US$ 35, a US$ 3.363 a tonelada. Players do mercado têm ressaltado que a seca ocorrida entre agosto e setembro deve ter provocado algum prejuízo à safra que está sendo colhida agora na região. Para analistas, os volumes mais altos de cacau que vêm sendo entregues nos portos locais referem-se, em parte, a volumes da safra anterior que os produtores estavam guardando à espera da definição dos novos preços de apoio ao setor para esta safra. No mercado doméstico, o preço em Ilhéus e Itabuna prosseguiu em R$ 142 a arroba, de acordo com a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Soja: Cenário confortável: Os preços da soja recuaram na sexta-feira na bolsa de Chicago, sob a influência do fortalecimento de um cenário bastante confortável para a oferta. Os papéis para janeiro caíram 7,75 centavos, a US$ 8,5525 o bushel. O volume de soja negociado pelos exportadores americanos na semana encerrada no dia 5 praticamente dobrou na comparação semanal, superando as apostas ao alcançar 1,3 milhão de toneladas, segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). No entanto, traders insistem que a demanda não será capaz de enxugar a oferta americana, cuja previsão foi elevada no último relatório mensal do USDA. No mercado do Paraná, a saca da soja para a indústria foi negociada em queda de 0,18%, a R$ 68,22, segundo o Deral/Seab.

Milho: Vendas fracas: Os futuros do milho recuaram na sexta-feira na bolsa de Chicago em meio a vendas realizadas pelo Estados Unidos abaixo do esperado pelo mercado. Os papéis do cereal com vencimento em março encerraram a sessão cotados a US$ 3,655 o bushel, uma alta de 4 centavos. As vendas externas de milho dos EUA subiram modestamente na última semana encerrada dia 5, mas ainda ficaram abaixo do necessário para se atingir a projeção oficial para esta safra, conforme observou David Fiala, analista da agência DTN, em nota. O pregão também foi influenciado pelo cenário macroeconômico, que viveu na sexta­feira uma forte queda do petróleo e uma nova valorização do dólar em escala global. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para o grão caiu 0,5%, para R$ 33,82 a saca. (Valor Econômico 16/11/2015)