Setor sucroenergético

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Pedro Mizutani - Mudança na Raízen

O comando do maior grupo produtor de açúcar e etanol do Brasil vai mudar a partir de 1º de janeiro.

Pedro Mizutani, vice-presidente da área na Raízen, joint venture entre Cosan e Shell, vai sair do cargo e assumir a vice-presidência executiva da recém criada diretoria de Relações Externas e Estratégia da companhia, também uma das maiores distribuidoras de combustíveis do país.

Assume no seu lugar João Alberto Abreu, atual diretor executivo agroindustrial.

A saída de Mizutani, que trabalha no grupo Cosan há mais de 30 anos e é o executivo de confiança do controlador da Cosan, Rubens Ometto, reacendeu a percepção do mercado de que é uma questão de tempo para que a Shell assuma a totalidade da operação sucroalcooleira. (Valor Econômico 20/11/2015)

 

Açúcar: Disparada em NY

Os futuros do açúcar ganharam terreno ontem na bolsa de Nova York diante da queda do dólar em relação ao real e com a cobertura de posições vendidas após duas fortes quedas consecutivas.

Os lotes do demerara para maio subiram 43 pontos, a 14,57 centavos de dólar a libra-peso.

O dólar caiu em relação a várias divisas com a perspectiva de que o Fed eleve os juros americanos de forma gradual.

A movimentação no câmbio levou a recompras técnicas.

Segundo analistas, o movimento também tem apoio nos fundamentos, já que a produção do Brasil deve ser afetada pelas chuvas previstas para os próximos dias no Centro-Sul.

Também há incertezas com as exportações da Índia.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal subiu 0,45%, para R$ 77,38 a saca de 50 quilos. (Valor Econômico 20/11/2015)

 

Incentivos reduzem encargos financeiros de usinas da Índia

O anúncio de que o governo a Índia vai conceder subsídios aos produtores de cana-de-açúcar irá reduzir os encargos financeiros de usinas que operam com prejuízo, afirmou a Associação das Usinas de Cana-de-Açúcar do país (Isma, na sigla em inglês).

A decisão é "significativa", uma vez que mostra que o governo está "contribuindo diretamente com parte do preço da cana, em vez de continuar onerando as usinas", afirmou Abinash Verma, diretor geral da instituição. A decisão "vai reduzir as obrigações da indústria (de açúcar) com os produtores de cana, reduzindo parte das perdas", avalia Verma.

O governo deve pagar um subsídio de 45 rupias (US$ 0,68) por tonelada de cana produzida. Esta será a primeira vez em que a Índia, maior consumidor mundial de açúcar e segundo maior produtor, vai pagar parte da safra diretamente aos milhões de produtores de cana-de-açúcar. (Agência Estado 19/11/2015)

 

Petróleo em excesso inunda o mercado

É o pior dos mundos para as empresas e os países produtores de petróleo. A produção do óleo bruto supera a demanda, os estoques se acumulam e os preços desabam. Foi o que mostraram os relatórios mensais da Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês) e da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e as análises semanais do American Petroleum Institute (API) e da Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos.

De mais de US$ 100 o barril em meados do ano passado, os preços caíram para a faixa dos US$ 40/45. Na quarta-feira, a cotação para dezembro do tipo West Texas Intermediate (WTI), negociado na Nymex, era de US$ 40,75 o barril, e a do tipo Brent negociado para janeiro em Londres (ICE), de US$ 44,14.

Grandes produtores como Arábia Saudita e Rússia continuam operando a todo vapor, enquanto países que dependem dos preços do petróleo para não quebrar, como a Venezuela, ou para manter investimentos, como o México, buscam outras fontes de recursos.

Os estoques de 3 bilhões de barris oferecem aos mercados globais “um grau de conforto”, segundo a IEA. Projeções correntes indicam inverno ameno na Europa e nos Estados Unidos, grandes consumidores.

Isso significa demanda menor em 2016, estimada em 95,8 milhões de barris por dia (b/d), apenas 1,2 milhão de b/d acima da deste ano, de 94,6 milhões de b/d, que superou em 1,8 milhão de b/d a de 2014. Segundo a Opep, entre janeiro e setembro, a demanda cresceu 1,6 milhão de b/d e a oferta, 2,5 milhão de b/d. Os estoques nos países da OCDE aumentaram 205 milhões e nos demais produtores, 80 milhões de barris. A Administração de Informação de Energia estimou em 4,2 milhões de barris o crescimento semanal dos estoques norte-americanos, que chegaram a 487 milhões de barris.

Além da super oferta de petróleo, alguns grandes consumidores, como a China, reduziram o ritmo da atividade econômica e acumulam estoques. Também a Índia, cujo crescimento econômico é rápido, passou a estocar mais óleo.

No Brasil, a queda dos preços da commodity no mercado global não tem sido aproveitada pelos consumidores por causa da recessão, da desvalorização do real e da recomposição dos preços da Petrobrás, cujo represamento gerou enormes prejuízos para a estatal. Além disso, ampliou-se no País o uso do etanol, que só nos últimos dias perdia competitividade em relação à gasolina. (O Estado de São Paulo 20/11/2015)

 

Degradação mundial do solo já custa até US$ 11 trilhões por ano

A natureza tem um sistema próprio de produção. É um sistema operante ativo entre vegetal e animal. Proteção, alimentação e reprodução são condições-chave para a manutenção das espécies.

A avaliação é de Leontino Balbo Júnior, um praticante ferrenho do processo de revitalização da agricultura por meio da reestruturação dos solos.

Desde 1988 à frente das atividades de produção das fazendas São Francisco e Santo Antônio, em Sertãozinho (SP), Balbo desenvolveu o projeto "cana verde", com o objetivo de produção biológica da cana. Deu certo, e hoje a Native, empresa do grupo, é líder na produção de vários produtos orgânicos, tendo como carro-chefe o açúcar.

Mas todo esse processo de revitalização da agricultura passa pelo solo, cuja configuração vem da convivência entre organismos vivos.

Em um hectare de mata nativa há de nove a dez toneladas de organismos vivos embaixo da terra, além dos que estão na parte de cima. É importante a utilização de todas essas espécies em favor da agricultura, principalmente na decomposição de material orgânico, segundo Balbo.

Hoje já há uma consciência da importância desse processo. Até o Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) já produz estudos indicando que a matéria orgânica é o combustível da teia alimentar, afirmou Balbo nesta quinta-feira (19) em Ribeirão Preto (SP).

Mas ainda há muita coisa a ser feita. Os ambientes agrícolas estão tão artificializados que são muito instáveis atualmente. Algumas culturas já necessitam de 12 a 14 pulverizações de inseticidas e fungicidas de tão vulneráveis que está esse ecossistema. E isso já ocorre em todas as principais regiões de produção do mundo, dos Estados Unidos ao Brasil.

Um estudo de solo nos Estados Unidos apontou que no Estado de Iowa, onde predomina o cultivo de milho e a utilização de agricultura de precisão, a produtividade, após ter atingido um pico, está caindo.

Isso ocorre porque o solo não aguenta mais as chuvas. Nos últimos 20 anos, as terras do Estado já perderam 25% da parte de cima do solo que é agriculturável. Essa camada, chamada de "top soil" e que tem 25 centímetros, está indo para o rio Mississippi.

O custo econômico da degradação é elevado no mundo todo, segundo Balbo. É o que mostram estudos de 30 grupos espalhados pelo mundo. Os números indicam que de 25% a 27% de solo está altamente degradado no mundo e que outros 25% estão em estágio de evolução de degradação.

Em apenas 8%, onde se aplicam práticas de reconstrução do solo, há uma melhora.

Esses estudos indicam para uma grande perda futura de produtividade. A contaminação dos recursos hídricos, a perda água, de animais e os efeitos para o homem dessa degradação de solo giram entre US$ 6,5 trilhões e US$ 11,3 trilhões por ano.

Portanto, nem sempre a busca da produção pelo menor custo é a mais apropriada para o ecossistema. Ela vai levar a perdas futuras de produtividade, afirma Balbo. (Folha de São Paulo 20/11/2015)

 

Transgênicos na mira da estatal ChemChina

Para entender aquela que poderá ser a maior aquisição já feita por uma companhia da China, não é preciso olhar além das mudanças na dieta da população do país.

Uma proposta de compra bem-sucedida da estatal China National Chemical (ChemChina) pela suíça Syngenta poderia ajudar a China a combater ervas daninhas e pragas com menos mão-de-obra, já que os trabalhadores rurais trocam cada vez mais o campo pelas zonas urbanas, onde os salários são melhores. E a área de terras cultiváveis caiu ao mesmo tempo, enquanto a crescente classe média chinesa está consumindo mais carne, elevando a demanda de cereais para alimentação de rebanhos.

A oferta inicial de US$ 42 bilhões da ChemChina pela Syngenta foi rejeitada, mas fontes a par do assunto disseram que a lógica do negócio permanece sólida. A compra também transformaria a ChemChina em uma desenvolvedora de organismos geneticamente modificados (OGM), colocando-a em competição direta com a Monsanto, a líder do mercado.

Há mais de um ano o presidente Xi Jinping vem exortando seu país a assumir a liderança no desenvolvimento de lavouras geneticamente modificadas. Segundo disse ele em pronunciamento no ano passado, a nascente indústria de sementes do país deveria "pesquisar e inovar com ousadia" na área dos OGMs e impedir que companhias estrangeiras dominem o mercado. O uso da biotecnologia no setor agrícola foi enfatizado no mais recente Plano Quinquenal da China.

"O interesse da ChemChina está nas pesquisas de sementes", afirma Jonas Oxgaard, analista da Sanford C. Bernstein, em Nova York. "Esta é indiscutivelmente a principal razão estratégica do negócio".

A Syngenta, maior produtora mundial de defensivos, é também uma das poucas companhias não chinesas que dominam a produção de lavouras transgênicas ­ as demais incluem a Dow Chemical, DuPont e Bayer. Antes mesmo do interesse da ChemChina, a indústria dos transgênicos já passava por transtornos.

A Monsanto fez uma mal sucedida proposta de aquisição pela Syngenta este ano e disse ontem que ainda está interessada em aquisições, enquanto Dow e DuPont admitiram negociar possíveis vendas ou compras em seus negócios de insumos agrícolas.

A ChemChina entrou na briga para que não fique alijada de uma eventual consolidação do setor, e provavelmente negocia com a Dow a aquisição de sua unidade AgroSciences nos EUA, segundo Oxgaard. A divisão já desenvolveu sementes transgênicas conhecidas e, com isso, poderia conseguir um terço do preço oferecido pela Syngenta, acrescenta o analista. A ChemChina fez uma oferta pela Dow AgroSciences quando ela esteve à venda em 2009, segundo informou o jornal "South China Morning Post" na época.

"Seria inconcebível eles fazerem uma oferta pela Syngenta, mas não pela unidade da Dow", continua Oxgaard. A Dow disse que não faria comentários com base em especulações. Ninguém na ChemChina respondeu a telefonemas e e-mails enviados pela Bloomberg.

Apesar de seu tamanho gigantesco ­ a ChemChina tinha 160 mil funcionários no fim de 2013, segundo dados compilados pela Bloomberg, só 12% de suas receitas vêm da agricultura. A obtenção de tecnologia em sementes permitiria pular o caro e longo processo de desenvolvimento de suas próprias sementes transgênicas, e também ir além dos pesticidas genéricos produzidos por sua unidade em Israel, a Adama Agricultural Solutions, adquirida em 2011.

A Syngenta tem um dos maiores portfólios de sementes do setor, incluindo 6.800 variedades de seus próprios organismos geneticamente modificados. As sementes responderam por cerca de um quarto das vendas no ano passado e a maioria de suas pesquisas em GMOs ocorre na Research Triangle Park, na Carolina do Norte (EUA).

A compra da Syngenta também daria à ChemChina o know­how para conseguir aprovações reguladoras de futuras tecnologias, disseram analistas do Deutsche Bank. A Syngenta também tem alcance global, com unidades nos EUA, Europa, América do Sul e China. (Valor Econômico 19/11/2015)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Disparada em NY: Os futuros do açúcar ganharam terreno ontem na bolsa de Nova York diante da queda do dólar em relação ao real e com a cobertura de posições vendidas após duas fortes quedas consecutivas. Os lotes do demerara para maio subiram 43 pontos, a 14,57 centavos de dólar a libra-peso. O dólar caiu em relação a várias divisas com a perspectiva de que o Fed eleve os juros americanos de forma gradual. A movimentação no câmbio levou a recompras técnicas. Segundo analistas, o movimento também tem apoio nos fundamentos, já que a produção do Brasil deve ser afetada pelas chuvas previstas para os próximos dias no Centro-Sul. Também há incertezas com as exportações da Índia. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal subiu 0,45%, para R$ 77,38 a saca de 50 quilos.

Café: Recompra dos fundos: Os futuros do café dispararam ontem na bolsa de Nova York diante de recompras técnicas e da queda acentuada do dólar ante o real. Os papéis do arábica para março subiram 645 pontos, para US$ 1,222 a libra-peso. O recuo das cotações na quarta-feira fez com que os investidores cobrissem posições vendidas ontem. O movimento foi estritamente técnico, já que os cafezais do Brasil, maior produtor e exportador global de arábica, devem continuar recebendo chuvas favoráveis às floradas nos próximos dias. Embora ainda existam muitas incertezas com a oferta da próxima safra, o quadro atual dos fundamentos não tem sido capaz de impulsionar de forma expressiva as cotações. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a saca do arábica subiu 1,93%, a R$ 470,87.

Soja: Exportação forte: O enfraquecimento do dólar e o aumento das vendas da soja americana puxaram as cotações da oleaginosa na bolsa de Chicago ontem. Os contratos futuros do grão com vencimento em março fecharam o pregão a US$ 8,63 por bushel, alta de 2,2 centavos de dólar. Em relatório semanal, o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) informou que, na semana encerrada no dia 12, foram fechados contratos para a exportação de 1,78 milhão de toneladas de soja americana, mais do que o esperado pelo mercado. A maior parte desse volume será exportada à China. Conforme o analista Bob Burgdorfer, as cotações da oleaginosa também foram impulsionadas pela queda do dólar. No Brasil, o indicador Esalq/BM&FBovespa para a soja no porto de Paranaguá ficou em R$ 79,97 a saca, recuo de 0,5%.

Milho: Vendas aquecidas: Os contratos futuros do milho subiram ontem na bolsa de Chicago impulsionados pelo maior volume do grão negociado pelos Estados Unidos. Os contratos para março tiveram alta de 2 centavos, a US$ 3,725 o bushel. Conforme dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o volume de milho vendido pelo país ao exterior na semana do dia 12 foi o mais alto desta safra, totalizando 779,8 mil toneladas, acima das apostas mais otimistas, que eram de 700 mil toneladas. Os dados incentivaram recompras dos investidores, já que a queda de quarta-feira levou as cotações a patamares de "sobre venda", na avaliação da Zaner Group. No mercado do Paraná, a saca do grão foi negociada ontem em leve retração de 0,20%, a R$ 24,75, segundo o Deral/Seab. (Valor Econômico 20/11/2015)