Setor sucroenergético

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Desembolsos do BNDES para setor de cana patinam com juro alto e atrasos

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) deve fechar 2015 com queda no volume de recursos oferecidos ao setor sucroenergético. Fontes do segmento relataram ao Broadcast Agro, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, que, apesar de haver recurso para a renovação de canaviais (Prorenova) e estocagem de etanol ("warrantagem"), os juros elevados desestimulam o investimento.

Segundo essas fontes, o atraso na liberação dessas linhas também contribuiu para a retração. Um representante da cadeia produtiva estima que as captações estão 10% a 15% abaixo do registrado no ano passado. Procurado pela reportagem, o BNDES, responsável pelo financiamento, informou que só terá um número consolidado no mês que vem.

Em setembro, o chefe do Departamento de Biocombustíveis do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Carlos Eduardo Cavalcanti, havia admitido que as taxas para 2015 não eram "favoráveis". No mesmo mês, grupos como Tereos Internacional, controladora da Guarani, e São Martinho confirmaram ao Broadcast Agro que não demandariam volume expressivo de recursos, caso decidissem buscar o financiamento.

As linhas para estocagem de etanol e renovação de canaviais foram anunciadas com o Plano Safra 2015/16, em junho. O BNDES, porém, atrasou a liberação dos recursos, que só foram autorizados entre agosto e setembro.

A "warrantagem" disponibiliza os mesmos R$ 2 bilhões de 2014, mas com juros maiores. A taxa é composta de custo financeiro misto de 25% baseado em TJLP e 75% em referenciais de mercado, acrescido de 1,775% ao ano para o BNDES.

Os juros também foram elevados para o Prorenova, que neste ano tem R$ 1,5 bilhão em recursos, metade do que foi alocado no ciclo anterior. Para esta linha, as condições estabelecem um limite de financiamento de até R$ 150 milhões por grupo econômico.

Em contratos de até R$ 20 milhões, a taxa de juros é composta por TJLP mais 1,5% ao ano, acrescida de intermediação de 0,1% para pequenas e médias ou de 0,5% para grandes empresas, com remuneração do agente negociador de até 1,7%. Caso o valor contratado seja maior, os juros são corrigidos por Selic mais 1,2% para o BNDES. Neste caso, não há alterações na intermediação, e a remuneração do repassador é livre.

Lançado em 2012, o Prorenova contribuiu para reduzir a idade média dos canaviais brasileiros de 3,9 para 3,2 anos até 2014, segundo cálculos do próprio BNDES. No ano passado, contudo, a renovação para a atual temporada, iniciada em abril, ficou em 14%, abaixo dos 18%, nível considerado ideal para evitar o envelhecimento das plantas.

Embora não tenha os números referentes ao setor sucroenergético, o BNDES informou nesta quinta-feira, 19, que os desembolsos pela instituição se retraíram como um todo. De janeiro a outubro, foram R$ 105,5 bilhões, queda nominal de 28%. O total de aprovações nos dez primeiros meses do ano ficou em R$ 81 bilhões, enquanto as consultas somaram R$ 108,6 bilhões. Em ambos os casos, as cifras representam retração nominal de 46%. (G1 20/11/2015)

 

Açúcar: Centro-Sul sob chuvas

A previsão de que as áreas canavieiras do Brasil iriam continuar recebendo chuvas nos últimos dias deu forte impulso aos futuros do açúcar na sexta-feira na bolsa de Nova York.

Os contratos do demerara para maio subiram 36 pontos, a 14,93 centavos de dólar a libra-peso.

O Inmet previa precipitações intensas no fim de semana no Sudeste e Centro-Oeste.

A umidade atrapalha a moagem da cana-de-açúcar e prejudica a fabricação de açúcar, que já vem perdendo espaço para o etanol.

O Centro-Sul vem recebendo chuvas acima da média desde o início do mês.

Em algumas regiões, as precipitações já superam 100% da média para todo o mês.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq do cristal subiu 0,45%, para R$ 77,38 a saca de 50 quilos na quinta-feira, dia 19, de acordo com o último dado disponível. (Valor Econômico 23/11/2015)

 

Um grande alento para a Usaçúcar

Alta da demanda por etanol deve reforçar os resultados da companhia.

O setor sucroalcooleiro se prepara para moer uma das maiores colheitas dos últimos.

anos. Pelas projeções da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), o país deve processar 590 milhões de toneladas de cana na safra 2015/2016, semelhante ao registrado em 2013/14, maior safra da década até aqui. As perspectivas são positivas, mas seus efeitos, nem tanto. A fartura dos canaviais aumentará a oferta dos derivados, como açúcar e etanol, e fará seus preços caírem. Essa retração pode intensificar a crise num setor que convive com margens baixas há bastante tempo. Desde 2008, o Brasil perdeu 67 fábricas na região Centro-Sul, onde se concentra a maior parte da produção. A estimativa da Unica é de que outras dez unidades fechem até 2016.

Há, no entanto, uma esperança: o câmbio. No Sul, por exemplo, a maior empresa do setor, a paranaense Usaçúcar (foto), encerrou 2014 com uma receita líquida de R$ 2 bilhões – o que representa um crescimento de 5,6% em relação ao ano anterior. Já o lucro líquido da companhia foi de R$ 112 milhões no período. O desempenho foi auxiliado pelas exportações. Com a melhoria do câmbio, a empresa comemorou embarques de US$ 574 milhões no ano passado.

Atualmente, a Usaçúcar possui 12 usinas no Paraná e uma em Eldorado, no Mato Grosso do Sul. A distribuição dessa rede fabril confere um importante diferencial competitivo à empresa. “A região é servida por ferrovias. Isso melhora o rendimentoperante os competidores”, explica Antonio de Pádua Rodrigues, diretor técnico da Unica.

Para este ano, a projeção é de que a safra do Paraná chegue a 43 milhões de toneladas processadas, semelhante à do ano passado. “Para dar conta, algumas empresas vão passar o Natal e o Ano Novo trabalhando”, explica Rodrigues. E, embora o foco paranaense esteja no açúcar, o alento pode vir das bombas de combustível. A tendência é de que as empresas reservem uma maior fatia da safra para a produção do etanol, estimuladas pela diminuição das alíquotas no mercado doméstico. “As vendas de etanol estão 50% superiores às do ano passado”, informa Rodrigues. É mais um alento para a Usaçúcar. (Amanhã 16/11/2015)

 

SP tem recorde de novos carros com GNV

Levantamento de companhia de gás aponta 320 conversões em outubro passado.

A alta no preço da gasolina e do etanol fez com que o gás natural veicular virasse uma alternativa no Estado de São Paulo. De acordo com a Companhia de Gás de São Paulo (Comgás) 320 conversões de veículos para o GNV foram realizadas em outubro, melhor resultado desse mês nos últimos quatros anos. Na comparação com setembro, o crescimento é de 72%. Segundo a companhia, do total de conversões em outubro, 88% aconteceram em carros de pessoas físicas ou em frotas. 

De acordo com estudo divulgado em outubro pela Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás), o GNV chega a ser 50% mais econômico ante gasolina e etanol nesse critério em São Paulo. Para quem roda mensalmente 2.500 km, a economia chega a ser de R$ 396 na comparação com a gasolina e R$ 376 ante ao etanol. O estudo utilizou como referência o desempenho de consumo declarado no manual do Fiat Siena - que percorre em média 7,5 km por litro com etanol, 10,7 km com gasolina e até 13,2 km por metro cúbico de GNV, e a tabela de preços divulgados pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis). (O Estado de São Paulo 22/11/2015)

 

Ufal libera duas novas variedades RB de cana-de-açúcar

A Universidade Federal de Alagoas (Ufal), por meio do Programa de Melhoramento Genético da Cana-de-açúcar (PMGCA), vai liberar duas novas variedades RB (República do Brasil) de cana-de-açúcar no Encontro Nacional da Rede Interuniversitária para o Desenvolvimento do Setor Sucroenergético (Ridesa). O evento será realizado na próxima quarta-feira, 25, na cidade de Ribeirão Preto-SP e marcará a celebração de 45 anos de surgimento das variedades RB e os 25 anos da criação da Ridesa.

Ao todo, serão liberadas 16 novas variedades RB, resultado do trabalho de sete universidades que integram a rede. Além da liberação dessas novas variedades, na ocasião, serão lançados um livro e uma revista contando a história do programa de melhoramento genético.

Com a liberação das novas variedades RB, pequenos e médios produtores alagoanos e de todo o Brasil vão contar com material genético de ponta, testados em diferentes ambientes de produção de regiões canavieiras. Das 16 que serão liberadas, duas são de propriedade da Ufal: RB961552 e RB991536. De acordo com pesquisadores, elas são altamente produtivas, com maturação tardia e resistentes às ferrugens marrom e alaranjada. A primeira, destaca-se por ser responsiva a fertirrigação; a segunda, por ter porte ereto, sendo recomendada para colheita mecanizada.

Também serão liberadas duas variedades de propriedade da Federal de Viçosa (UFV), outras duas da Rural de Pernambuco (UFRPE), quatro da Federal de São Carlos (UFSCar), três da Federal do Paraná (UFPR), duas da Rural do Rio de Janeiro (UFRJ) e uma da Federal de Goiás (UFG).

Representando a Ufal no evento, estarão presentes o diretor do Centro de Ciências Agrárias (Ceca), Gaus Silvestre de Andrade Lima; o coordenador do PMGCA, Geraldo Veríssimo de Souza Barbosa; e outros pesquisadores do Programa.

A Ridesa e a contribuição das variedades RB

Com a extinção do Programa Nacional de Melhoramento Genético da Cana-de-açúcar (Planalsucar), em 1990, houve a transferência das suas estruturas físicas, tecnológicas e de recursos humanos para as universidades federais; a Ufal foi uma delas. Foi nesse contexto que teve início a Ridesa. Atualmente, a Rede utiliza, para o desenvolvimento de seus estudos, um total de 72 estações experimentais, localizadas nos estados onde a cultura da cana-de-açúcar apresenta maior expressão.

Nestes 25 anos de atuação, as universidades federais deram maior ênfase à manutenção e à continuidade da pesquisa relacionada ao PMGCA, que continuou a utilizar a sigla RB para identificar suas variedades. Com as novas liberações, são 94 variedades RB entregues aos produtores, as quais são frutos das pesquisas com melhoramento genético clássico. Elas têm acentuada contribuição para a matriz energética do Brasil, pois são responsáveis, em 2015, por 68% da área cultivada com cana no país. As quatro variedades mais plantadas no Brasil, este ano, foram: RB867515 (UFV); RB966928 (UFPR); RB92579 (Ufal); e RB965902 (UFSCar).

O Ceca tem uma posição privilegiada na Ridesa, por conta do Banco de Germoplasma, criado em 1966, por um convênio entre o Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA) e o Sindaçúcar/AL, e herdado pela Ufal em 1990. Nesse Banco, localizado na Serra do Ouro, no município de Murici, estão plantados 3.090 acessos de cana (dentre espécies e híbridos), que são utilizados na realização dos cruzamentos para o desenvolvimento de variedades RB.

Formação de Recursos Humanos

Além do grande sucesso no desenvolvimento de variedades de cana-de-açúcar para o Brasil, a Ridesa destaca-se na formação de recursos humanos. A infraestrutura existente dentro das universidades tem proporcionado apoio para treinamento aos estudantes em nível de graduação, com a iniciação científica, e pós-graduação – mestrado, doutorado e pós-doutorado, com a cultura da cana-de-açúcar.

Hoje, existem centenas de profissionais formados que estão atuando na iniciativa privada e em instituições públicas. Nos últimos cinco anos, foram 112 estagiários dos cursos de Agronomia e 32 bolsistas de iniciação científica nas universidades que integram a Ridesa. (UFAL 23/11/2015)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Centro-Sul sob chuvas: A previsão de que as áreas canavieiras do Brasil iriam continuar recebendo chuvas nos últimos dias deu forte impulso aos futuros do açúcar na sexta-feira na bolsa de Nova York. Os contratos do demerara para maio subiram 36 pontos, a 14,93 centavos de dólar a libra-peso. O Inmet previa precipitações intensas no fim de semana no Sudeste e Centro-Oeste. A umidade atrapalha a moagem da cana-de-açúcar e prejudica a fabricação de açúcar, que já vem perdendo espaço para o etanol. O Centro-Sul vem recebendo chuvas acima da média desde o início do mês. Em algumas regiões, as precipitações já superam 100% da média para todo o mês. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq do cristal subiu 0,45%, para R$ 77,38 a saca de 50 quilos na quinta-feira, dia 19, de acordo com o último dado disponível.

Soja: De olho na Argentina: O pregão da soja na sexta-feira na bolsa de Chicago foi influenciado pelas apostas dos traders a respeito das eleições na Argentina, além do otimismo com o plantio no Brasil. Os papéis para março caíram 2,5 centavos, para US$ 8,605 o bushel. Espera-se que, em caso de vitória, o oposicionista Mauricio Macri tenha uma postura mais favorável aos produtores e estimule as exportações. Atualmente, os produtores detêm sua produção nos armazéns por conta da instabilidade econômica do país. Também houve pressão da previsão de chuvas no Brasil no fim de semana, que favorecem a semeadura. Em Mato Grosso, o ritmo do plantio está atrasado, com uma diferença de 3,4 pontos percentuais sobre o ano passado. No Paraná, a soja caiu 1,44%, para R$ 66,29 a saca, segundo o Deral/Seab.

Milho: No vermelho: As cotações do milho alternaram altas e baixas modestas na sexta­feira na bolsa de Chicago e acabaram no vermelho, influenciadas em parte pelo trigo. Os contratos para março fecharam a US$ 3,6975 o bushel, recuo de 0,5 centavo. Os preços haviam subido no dia anterior por causa do aumento das vendas dos EUA ao exterior, mas, no acumulado da safra, o ritmo continua menor que a média. Cálculos da Zaner Group indicam que, até o dia 12, os EUA venderam 31,8% do volume que o Departamento de Agricultura do país (USDA) espera que seja exportado nesta safra, abaixo da média de 52,3%. A queda do trigo influenciou porque ambos concorrem como matéria-prima na indústria de ração. No Paraná, o milho caiu 1,49%, para R$ 24,38 a saca, de acordo com o Deral/Seab.

Trigo: Ventos favoráveis: Os preços do trigo caíram na sexta-feira nas bolsas americanas diante do clima favorável previsto para diversas áreas produtoras no mundo. Em Chicago, os papéis para março tiveram queda de 2,25 centavos, a US$ 4,90 o bushel. Em Kansas, onde se negocia o trigo de melhor qualidade, os lotes com igual prazo de entrega caíram 5,75 centavos, a US$ 4,7075 o bushel. Nas Planícies do Sul dos Estados Unidos, onde se concentra boa parte das lavouras de inverno, as chuvas devem retornar no fim desta semana, segundo a agência de meteorologia DTN. As precipitações recentes ajudaram no desenvolvimento do trigo. O clima também deve ser favorável no Leste Europeu, onde as lavouras entrarão em dormência logo. No Paraná, o trigo caiu 0,44%, para R$ 38,20 a saca, segundo o Deral/Seab. (Valor Econômico 23/11/2015)