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Fechamento de unidade da Dedini seria catastrófico, diz sindicalista

O possível fechamento da unidade da Dedini Indústria de Base em Sertãozinho (SP), prevista no plano de recuperação judicial da companhia, foi considerado "catastrófico" pelo secretário-geral do Sindicato dos Metalúrgicos da cidade do interior paulista, Plinio de Souza.

"Ainda estamos assimilando a notícia e certamente vamos acionar o jurídico para tomar alguma posição e evitar isso", disse. A unidade, que já teve 3 mil funcionários no passado, hoje possui apenas 400 empregados na produção de bens de capital.

Além da venda de ativos para pagar, em 12 anos, o passivo de R$ 175 milhões sujeito à recuperação judicial, a Dedini espera fechar a fábrica de Sertãozinho e concentrar as operações em Piracicaba (SP), sua sede. Do valor total, a empresa espera pagar R$ 32 milhões em créditos trabalhistas no primeiro ano caso seja aprovado o plano de recuperação judicial e ainda R$ 20 milhões em rescisões contratuais.

Segundo representantes do Sindicato dos Metalúrgicos de Piracicaba (SP), uma reunião com a consultoria Deloitte, administradora judicial da Dedini, estaria prevista para esta semana. A consultoria, procurada, não se manifestou. (Agência Estado 24/11/2015)

 

Usinas ampliam hedge de açúcar da nova safra de olho em produção maior, diz analista

Usinas de açúcar e etanol no Brasil elevaram substancialmente os volumes de hedge de açúcar para o próximo ciclo de produção (2016/17), na comparação com igual período do ano passado, garantindo valores favoráveis para o produto na expectativa de um aumento da produção na próxima temporada, de acordo com a consultoria independente JOB Economia.

O centro-sul brasileiro, principal região de processamento de cana-de-açúcar do país, está concluindo a safra 2015/16, que foi afetada por chuvas acima do normal. A umidade elevada, no entanto, deverá ser benéfica para a nova safra que poderá começar antes do previsto, em meados de março de 2016.

"As usinas fizeram hedge de volumes muito maiores do que haviam feito nessa época no ano passado", disse Julio Maria Borges, diretor da consultoria.

"Isso reflete os preços mais favoráveis, considerando a desvalorização do real, mas também porque as usinas esperam produzir mais açúcar na safra que vem", disse ele.

Informações divulgadas recentemente pelos maiores grupos processadores de cana do Brasil confirmam a informação.

A Raízen, joint venture entre a Cosan e a Shell, fez até 30 de setembro hedge para 958 mil toneladas de açúcar da safra 2016/17, ante volume de 565 mil toneladas que havia sido fixado há um ano, conforme relatório de resultados divulgado na segunda semana de novembro.

A Biosev, controlada pela Louis Dreyfus, usou futuros de Nova York para fixar 863 mil toneladas de açúcar da safra 2016/17 até o final de setembro, ante 348 mil toneladas em igual período do ano passado.

Nelson Gomes, presidente executivo da Cosan, afirmou em conferência com analistas de mercado após a divulgação dos resultados do 3º trimestre, que a Raízen acelerou as fixações após setembro e que o volume sob hedge já estava perto de 50 por cento do total exportável no início de novembro, algo como 1,6 milhão de toneladas.

Julio Maria Borges diz que o movimento das usinas brasileiras é um dos motivos que faz com que o mercado futuro do açúcar em Nova York esteja atualmente invertido, com os preços de contratos mais distantes abaixo dos valores dos contratos próximos, não refletindo os custos do carregamento.

Luiz Gustavo Junqueira Figueiredo, diretor comercial da usina Alta Mogiana, afirmou que os futuros do açúcar estão garantindo valores acima dos vistos na safra atual, o que justifica a busca pela fixação de preços.

"Os grupos maiores, mais estruturados, fixaram entre 40 e 70 por cento do açúcar da nova safra", afirmou.

"O lado positivo é que as usinas garantem as margens, mas isso deixa o mercado com poucas vendas daqui para frente, então flutuações de 100 pontos em duas sessões, por exemplo, poderão ser mais frequentes". (Reuters 24/11/2015)

 

Braskem começa a produzir experimentalmente ingrediente da borracha a partir de açúcar

A petroquímica Braskem anunciou nesta segunda-feira (23) que iniciou produção experimental de butadieno a partir de açúcar, em um desenvolvimento que pode adicionar uma fonte renovável para o insumo usado na produção de borracha.

A companhia firmou parceria em 2013 com a empresa norte-americana de bioengenharia Genomatica e informou que está conseguindo produzir com sucesso o butadieno em escala laboratorial.

A Braskem é a terceira maior produtora mundial de butadieno, com produção de 374 mil toneladas do produto em 2014. O insumo é usado em borracha utilizada em aplicações como pneus, calçados, plásticos, asfalto, materiais de construção e látex. Segundo a petroquímica, a demanda mundial de butadieno é da ordem de 9 milhões de toneladas por ano.

A empresa não revelou investimentos realizados no projeto ou quando a produção comercial poderá começar.

Para a produção em laboratório, a parceria desenvolveu um microrganismo que consome açúcar, como o vindo de cana, e o converte em butadieno, em fermentadores de dois litros.

A Braskem já faz em escala industrial o "polietileno verde", um plástico produzido a partir do etanol de cana-de-açúcar. A unidade de eteno verde da companhia, inaugurada em setembro de 2010, recebeu investimento de 290 milhões de dólares e tem capacidade para produzir anualmente 200 mil toneladas. (Reuters 24/11/2015)

 

Morgan Stanley estima déficit global de açúcar em 3,7 mi t em 2015/16

O banco Morgan Stanley anunciou nesta segunda-feira uma estimativa de déficit global no mercado de açúcar na temporada 2015/16 de 3,7 milhões de toneladas, ante um superávit de 6,47 milhões de toneladas em 2014/15.

Segundo relatório, a produção de açúcar no Brasil foi estimada em 35,2 milhões de toneladas em 2015/16, ante 37,3 milhões de toneladas em 2014/15.

As estimativas para a Índia, segundo produtor global, também apontam para um volume menor. O banco projetou em 28,4 milhões de toneladas de açúcar, ante 30,3 milhões de toneladas em 2014/15.

"Nós mantemos que a tendência a médio prazo no mercado de açúcar será dominada por fatores que influenciam a produção, por exemplo, os preços mais altos da gasolina no Brasil aumentando o etanol (e diminuindo o açúcar no mix) da moagem da cana e a seca relacionada ao El Niño cortando as perspectivas de produção da Índia", disse o banco em seu relatório.

O preço médio para o açúcar bruto em 2016 foi estimado pelo Morgan Stanley em 17,3 centavos de dólar por libra-peso, ante estimativa média de 14,7 centavos de dólar por libra-peso em 2015. (Reuters 23/11/2015)

 

Grupo russo Rusagro planeja investir mais em açúcar

O conglomerado agrícola russo Rusagro informou nesta segunda-feira que planeja aumentar investimentos em seu negócio de açúcar após a elevação dos preços globais da commodity ter ajudado a empresa a registrar seus melhores resultados em nove meses.

A Rusagro disse que seu lucro líquido entre janeiro e setembro teve alta de 45 por cento em comparação anual, como resultado de um aumento de 52 por cento nos ganhos antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) e de 22 por cento nas vendas.

"O ambiente para a indústria de açúcar melhorou globalmente e na Rússia", disse Maxim Basov em declaração, adicionando que a Rusagro planeja aumentar seus investimentos no segmento. (Reuters 23/11/2015)

 

Açúcar destoa das demais commodities e sobe em NY por chuvas no Brasil

O açúcar bruto contrariou a tendência de queda das commodities nesta segunda-feira na bolsa ICE, com os operadores focando expectativas de desaceleração da colheita no Brasil, o maior produtor, por causa de fortes chuvas. Os preços do café caíram por pressão da disparada do dólar para máximas de oito meses.

O tom fraco desses produtos, com os contratos futuros do açúcar caindo mais cedo na sessão, foi parte de um declínio mais amplo das commodities no início do dia, quando preocupações foram alimentadas por uma demanda em queda na China.

Os contratos futuros do açúcar bruto encerraram em alta de 0,11 centavo de dólar, ou 0,7 por cento, a 15,41 centavos de dólar por libra-peso.

Os contratos futuros do açúcar branco encerraram em alta de 3,7 dólares, ou 0,90 por cento, a 413,4 dólares por tonelada.

No café, a necessária chuva na região produtora de robusta no Brasil pressionou os preços e o contrato para janeiro encerrou em queda de 33 dólares, ou 2,1 por cento, a 1.539 dólares por tonelada, retornando da mínima de dois anos de 1.494 dólares atingida na segunda-feira.

O café arábica para março encerrou em queda de 1,95 centavos de dólar, ou 1,6 por cento, a 1,2245 dólar por libra-peso. (Reuters 23/11/2015)

 

Preço do etanol hidratado sobe nos postos de 25 Estados no país

Os preços do etanol hidratado, que é usado diretamente no tanque dos veículos, subiram ao consumidor final em 25 Estados entre 15 e 21 de novembro na comparação com a semana anterior, conforme dados da Agência Nacional de Petróleo (ANP).

As maiores altas foram observadas no Piauí (8,2%), Mato Grosso (6,2%), Maranhão (6,1%) e Alagoas (4,5%). Em São Paulo, maior centro consumidor de combustíveis do país, a valorização foi de 0,56%, com o preço médio do hidratado a R$ 2,503, o equivalente a 72,6% do preço da gasolina.

Com isso, pela segunda semana consecutiva não é mais vantajoso ao motorista do Estado de São Paulo abastecer com etanol em vez de gasolina. Conforme o parâmetro mais aceito pelo mercado, essa vantagem econômica existe quando o preço do etanol equivale a menos de 70% do preço da gasolina.

Essa está presente em apenas um Estado: Mato Grosso. Apesar de os preços do etanol hidratado nos postos mato­grossenses estarem subindo com força, abastecer com o biocombustível ainda é vantajoso (67%).

A alta do etanol hidratado ao consumidor final reflete a valorização do produto que vem ocorrendo na usina produtora do biocombustível. Entre os dias 16 e 20 de novembro, o indicador Cepea/Esalq do hidratado em São Paulo recuou 0,63%, a R$ 1,7313 o litro. Mas, no acumulado das últimas quatro semanas, o saldo é uma valorização de 7%, conforme o mesmo indicador. (Valor Econômico 23/11/2015 às 19h: 33m)

 

Commodities Agrícolas

Café: Alta do dólar: As cotações do café arábica recuaram ontem na bolsa de Nova York em meio à valorização do dólar ante o real, o que desencadeou vendas dos traders para embolsar os ganhos recentes. Os lotes para março caíram 195 pontos, a US$ 1,2245 a libra-peso. O avanço da moeda americana é um incentivo para as exportações do Brasil, que lidera os embarques globais. Na semana passada, as cotações foram impulsionadas por novas projeções de safra abaixo do que vinha sendo cogitado até então. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) estimou na sexta-feira que a safra 2015/16 do Brasil ficou em 49,4 milhões de sacas, com estoques finais de 5,2 milhões de sacas. No mercado interno, o café de boa qualidade oscilou entre R$ 490 e R$ 500 a saca de 60,5 quilos, segundo o Escritório Carvalhaes.

Cacau: Exerce pressão: Os futuros do cacau perderam terreno ontem na bolsa de Nova York diante do fortalecimento global do dólar e da oferta elevada. Os papéis para março caíram US$ 62, a US$ 3.306 a tonelada. A alta do dólar sobre o euro eleva o custo da matéria-prima para as processadoras da Europa, líderes globais na moagem da amêndoa. Além disso, as entregas de cacau nos portos da Costa do Marfim, maior exportador mundial do produto, continuam acima do patamar da mesma época de 2014. Os traders aproveitaram as influências baixistas para embolsar os lucros recentes depois que as cotações alcançaram o maior patamar desde 2011 na semana passada. Em Ilhéus e Itabuna, o preço médio teve queda de R$ 6, para R$ 143 a arroba, segundo a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Algodão: Com ajuda da China: Além da elevação do dólar, as cotações do algodão ontem na bolsa de Nova York também responderam à retração das importações chinesas. Os papéis para março tiveram queda de 123 pontos, a 61,60 centavos de dólar a libra-peso. As autoridades alfandegárias da China informaram que houve uma queda de 49% das importações da pluma em outubro na comparação mensal, para 41,982 mil toneladas. No acumulado do ano, o país importou 1,2 milhão de toneladas, recuo de 42% ante igual período de 2014. A retração já era esperada, mas reforçou a perspectiva de que o país vai continuar reduzindo sua atuação no mercado internacional para diminuir seus estoques. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para a pluma com pagamento em oito dias caiu 0,33%, para R$ 2,2697 a libra-peso.

Milho: Ganhos em Chicago: Os futuros do milho subiram ontem na bolsa de Chicago refletindo o aumento das exportações semanais dos Estados Unidos e na esteira da alta do trigo. Os lotes para março fecharam com valorização de 3,25 centavos, a US$ 3,73 o bushel. Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), os embarques do país na semana encerrada dia 19 cresceram 29% na base semanal, para 494,6 mil toneladas. "A competitividade das exportações dos EUA melhorou, mas o mercado ainda quer progresso sustentado antes de ficar animado", afirmou David Fiala, analista da DTN, em nota. A alta do trigo também sustentou os preços do milho, pois ambos concorrem como matéria-prima para o setor de rações. No Paraná, o milho caiu 1,11%, para R$ 24,11 a saca, de acordo com o Deral/Seab. (Valor Econômico 24/11/2015)