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BR, Ipiranga e Shell são alvos da PF em operação contra cartel

A Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão nas sedes da BR Distribuidora e da Ipiranga no Rio de Janeiro e no escritório da Shell em Brasília. Os escritórios de BR Distribuidora e Ipiranga em Brasília também foram alvo da PF.

A PF deflagrou a Operação Dubai nesta terça-feira, que investiga cartel na formação de preços da gasolina no Distrito Federal.

As três distribuidoras atendem 90% dos postos do DF.

Operação

A PF deflagrou a operação para desarticular uma organização criminosa responsável há vários anos por cartel no setor de distribuição e revenda de combustíveis no Distrito Federal. O prejuízo estimado aos consumidores é de R$ 1 bilhão, uma vez que as redes combinavam preços entre si, determinando os valores praticados ao consumidor final.

De acordo com a PF, a principal rede investigada vende 1,1 milhão de litros de combustível por dia, com lucro diário de quase R$ 800 mil com o esquema.

Cerca de 200 policiais federais cumpriram 44 mandados de busca e apreensão, 25 conduções coercitivas e 7 prisões temporárias.

Os investigados possuem mais de 50% dos postos do Distrito Federal. Além de endereços no DF, estão sendo cumpridos mandados de busca e apreensão nas sedes das duas maiores distribuidoras do país, localizadas no Rio de Janeiro.

“Durante o trabalho investigativo também ficou claro que o Sindicombustíveis/DF, sindicato que os postos de combustível, exercia importantes papéis na manutenção do cartel, ao servir como porta-voz do cartel e ao perseguir os proprietários postos dissidentes. As técnicas e meios especiais de investigação empregados pela PF também permitiram comprovar que as duas maiores distribuidoras de combustível no Brasil sabiam do cartel e estimulavam a fixação artificial de preços dos combustíveis no Distrito Federal e no entorno, por meio de seus executivos”, informou a PF em nota.

“Uma das principais estratégias das redes de postos cartelizados era tornar o etanol um combustível economicamente inviável para consumidor, mantendo valor do combustível vegetal sempre superior a 70% do preço da gasolina, mesmo durante a safra. Com isso, o cartel forçava os consumidores a adquirir apenas gasolina, o que facilitava o controle de preços e evitava a entrada de etanol a preços competitivos no mercado. Foi também a elevação excessiva do preço do etanol que permitiu aos postos do Distrito Federal cobrar um dos maiores preços de gasolina do país, apesar do Distrito Federal contar com uma logística favorável para o transporte do combustível. De forma simplificada, a cada vez que um consumidor enchia o tanque de 50 litros, já que cada litro da gasolina era sobretaxada em aproximadamente 20%, o prejuízo médio era de R$ 35.”

Outro lado

A Petrobras Distribuidora informa que "está prestando total colaboração com as autoridades nas diligências realizadas nesta terça-feira. A empresa pauta sua atuação pelas melhores práticas comerciais, quaisquer irregularidades serão investigadas e os responsáveis, punidos".

Em nota, a Ipiranga informa: "Em relação à operação realizada na manhã desta terçafeira (24/11) pela Polícia Federal, a Ipiranga informa que ainda não foi disponibilizado o acesso ao inquérito policial, mas que contribuirá, com integridade e transparência, com as informações necessárias aos órgãos de controle. As medidas cabíveis serão avaliadas, assim que a empresa obtiver conhecimento do processo. A Ipiranga ressalta ainda o seu compromisso com o cumprimento das normas legais, inclusive da legislação concorrencial e da sua Política de Compliance". (Valor Econômico 24/11/2015)

 

Preço do etanol serviu como indício em operação para desarticular cartel de combustíveis no DF

O paralelismo de preços e das margens de revenda e de distribuição da gasolina e, em especial, do etanol, bem acima da média nacional, foi um dos indícios de formação de cartel apurados na operação deflagrada hoje (24), no Distrito Federal.

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) informou que participa nesta terça-feira, em conjunto com a Polícia Federal e o Grupo de Atuação de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), de operação de busca e apreensão em residências e escritórios de pessoas e empresas envolvidas em suposto cartel no mercado de combustíveis do Distrito Federal.

Além dos preços e margens acima da média nacional, foi verificada pelos investigadores uma demora no repasse ao consumidor final de eventuais reduções nos preços dos combustíveis, especialmente durante a safra de cana-de-açúcar, quando deveria haver redução de preço do etanol.

Ao todo, serão cumpridos 42 mandados de busca e apreensão e 40 servidores do Cade estão envolvidos na operação, denominada Operação Dubai.

Segundo nota divulgada pelo Cade, os mandados serão cumpridos em Brasília e Rio de Janeiro. Além dos mandados de busca e apreensão, estão sendo executados sete mandados de prisão temporária e 25 mandados de condução coercitiva. Mais detalhes da operação serão fornecidos em coletiva de imprensa que será realizada a partir das 11h na sede da Superintendência Regional do Departamento de Polícia Federal do DF.

Histórico

De acordo com informações do Cade, desde 2009, a extinta Secretaria de Direito Econômico do Ministério da Justiça, atualmente incorporada ao órgão antitruste, investiga, monitora e coleta informações relativas ao mercado de combustíveis no DF. "Ao longo desse tempo, foi reunida uma quantidade considerável de indícios econômicos de formação de cartel, envolvendo distribuidoras e postos revendedores", diz a nota do Cade.

O Cade destaca ainda que outro fator que contribuiu para o aprofundamento das investigações é o papel desempenhado pelo Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis e de lubrificantes do Distrito Federal - Sindicombustíveis-DF na disseminação de informações sobre reajustes de preços. "De acordo com as investigações, o sindicato supostamente influencia conduta comercial uniforme entre os postos de combustíveis, cria dificuldades para o estabelecimento e funcionamento de postos em clubes, supermercados e outros locais com grande fluxo de consumidores, além de monitorar os preços do mercado", destaca a nota.

O julgamento final do suposto cartel na esfera administrativa cabe ao Tribunal do Cade, que pode aplicar às empresas eventualmente condenadas multas de até 20% de seu faturamento. As pessoas físicas e o sindicato envolvido, caso condenados, sujeitam-se a multas de R$ 5 mil a R$ 2 bilhões. (O Estado de São Paulo 24/11/2015)

 

Açúcar: Realização de lucros

Os preços futuros do açúcar chegaram a subir de forma expressiva ontem depois que a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) divulgou o levantamento da produção da primeira metade do mês no Centro-Sul do Brasil.

Entretanto, uma forte realização de lucros derrubou as cotações antes do fechamento na bolsa de Nova York.

Os contratos para maio recuaram 38 pontos, para 14,64 centavos de dólar a libra-peso.

Os dados divulgados pela Unica já eram esperados, mas a indicação de que as chuvas impactaram a produtividade foi encarada como ligeiramente altista, disse Ricardo Nogueira, da consultoria FCStone, em nota.

No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo fechou em alta de 0,19%, a R$ 77,67 a saca de 50 quilos. (Valor Econômico 25/11/2015)

 

Açúcar cai após máxima de 10 meses sob pressão de vendas por produtores

Os contratos futuros do açúcar tiveram queda acentuada nesta terça-feira na bolsa ICE, com as vendas de produtores e especuladores puxando os preços bem abaixo da máxima de dez meses atingida mais cedo, que havia sido puxada por dados que mostraram conteúdo de açúcar menor que o esperado na safra do Brasil no início deste mês.

Os preços do açúcar bruto foram inicialmente impulsionados por dados quinzenais da Única que mostraram que o conteúdo de açúcar na cana foi baixo na primeira metade de novembro no Centro-Sul do Brasil, principal região de cultivo no maior produtor global da commodity.

As cotações, no entanto, depois tiveram uma forte baixa, surpreendendo operadores, que disseram que o movimento foi puxado por pesadas vendas por produtores da Índia, além de especuladores.

Os contratos futuros do açúcar bruto encerraram em queda de 0,41 centavo de dólar, ou 2,7 por cento, a 15 centavos de dólar por libra-peso, na sessão mais volátil em duas semanas, após tocar máxima de 10 meses de 15,78 centavos de dólar e cair 0,81 centavo para 14,97 centavos de dólar.

O açúcar branco para março encerrou em queda de 8,10 dólares, ou 2 por cento, a 405,30 dólares por tonelada.

No café, os contratos futuros do robusta para janeiro encerraram em alta de 11 dólares, ou 0,7 por cento, a 1.550 dólares por tonelada, permanecendo próximo da mínima de dois anos de 1.494 dólares por tonelada atingida na quarta-feira.

O café arábica para março encerrou em alta de 2,05 centavo de dólar, ou 1,7 por cento, a 1,245 dólar por libra-peso. (Reuters 24/11/2015)

 

Platts Kingsman vê déficit maior no mercado de açúcar em 2016/17

A consultoria Platts Kingsman estimou nesta terça-feira o déficit global de açúcar na temporada 2016/17 (de outubro a setembro) em 6,4 milhões de toneladas, ante 3,3 milhões de toneladas de defasagem em 2015/16.

A empresa disse, em relatório, que a estimativa de produção seria reduzida para Índia, centro-sul do Brasil e Estados Unidos, enquanto o consumo continuará crescer de maneira constante em diferentes partes do mundo, reduzindo estoques. (Reuters 24/11/2015)

 

Clima adverso no Brasil deve manter mercado de açúcar sustentado

O mercado futuro de açúcar demerara deu sequência ontem aos ganhos da semana passada. Na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) os contratos mostram inclinação positiva, diante de possíveis atrasos na moagem de cana-de-açúcar provocados pelo clima chuvoso no Centro-Sul do Brasil.

O clima adverso no Centro-Sul, principal centro produtor de cana do mundo, provoca incertezas com relação ao avanço da moagem da matéria-prima. A expectativa é de colheita entre 595 milhões e 600 milhões de toneladas. "Previsões climáticas dão conta de que a região terá muita chuva no fim do ano. Isso quer dizer que aquele volume de cana que muita gente aposta que ainda será moído pode não se concretizar", informa o diretor da consultoria Archer Consulting, Arnaldo Luiz Corrêa, acrescentando que essa situação deve manter o mercado volátil.

O Banco Pine divulgou projeção para a moagem de cana no Centro-Sul do Brasil, na primeira quinzena de novembro, que deverá ser apresentada pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) nos próximos dias. O Pine estima moagem de cerca de 25,4 milhões de t, na quinzena, que foi prejudicada pela maior incidência de chuvas. A produção de açúcar deverá alcançar 1,24 milhão de t, enquanto a fabricação de etanol deve atingir 1,24 bilhão de litros, dos quais 480 milhões de litros de anidro e 760 milhões de litros de hidratado.

Os fundos de investimento continuam apostando em alta dos futuros de demerara em Nova York, embora tenham reduzido a posição na semana encerrada em 17 de novembro. Conforme o relatório da Comissão de Comércio de Futuros de Commodities (CFTC), os fundos e especuladores diminuíram o saldo líquido comprado de 180.977 lotes no dia 10 de novembro para 176.738 lotes.

De acordo com Luiz Corrêa, os fundos não devem liquidar significativamente suas posições compradas até o fim do ano, para poder mostrar em seu portfólio um ganho substancial no açúcar. "Se vão manter a posição depois da virada do ano é uma outra história", pondera.

Os fundamentos do mercado futuro de açúcar, embora construtivos no médio e longo prazos, não encontram nesse momento respaldo no mundo real, observa Corrêa. Isso porque o petróleo é negociado a cerca de 40 dólares o barril, nível mais baixo desde agosto passado; os descontos para o açúcar no mercado físico invalidam a firmeza aparente dos futuros e a não aprovação da Contribuição sobre Intervenção no Domínio Econômico (Cide) na virada do ano dificultam a situação financeira das usinas.

Além disso, o diretor da Archer ressalta que algumas usinas ainda estão atrasadas em suas fixações de preço para o início de 2016. Se elas decidirem definir o valor ao mesmo tempo, as cotações podem registrar exagerada queda.

Os participantes do mercado continuam monitorando notícias sobre o setor na Índia. O governo daquele país anunciou que irá conceder subsídios aos produtores de cana-de-açúcar de 45 rupias por tonelada produzida, equivalente a US$ 0,68/t. A expectativa é ajudar as usinas a reduzirem os custos de produção, o que pode elevar a competitividade de açúcar indiano no mercado internacional. Em setembro, o governo da Índia estipulou meta de exportação de 4 milhões de toneladas de açúcar na temporada 2015/16, com objetivo de reduzir os estoques domésticos.

O valor à vista em reais do indicador do açúcar Esalq fechou a R$ 77,52/saca (+0,18%). Em dólar, o preço ficou em US$ 20,77/saca (+0,44%). (Agência Estado 24/11/2015)

 

Venda de etanol pelas usinas volta a crescer no Centro-Sul

As usinas de cana-de-açúcar no Centro-Sul do país seguiram produzindo e vendendo mais etanol na primeira quinzena de novembro, conforme dados divulgados hoje pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica). A produção do biocombustível cresceu 7,96%, a 1,192 bilhão de litros na primeira metade do mês. No caso das vendas, o destaque foi para o hidratado, cuja comercialização cresceu 17% na primeira quinzena de novembro, frente a igual intervalo do ciclo passado.

Ao todo, foram vendidos 713 milhões de litros de hidratado nos 15 dias de novembro, surpreendendo novamente o mercado, que esperava um crescimento menor, diante dos preços elevados do hidratado nos postos de combustíveis.

No acumulado da safra 2015/16, entre abril e 15 de novembro, a produção total de etanol aumentou 2,14%, para 24,9 bilhões de litros, 15,4 bilhões de hidratado e 9,451 bilhões de anidro.

Já as vendas de etanol pelas usinas do Centro-Sul no acumulado do ciclo cresceram 24,53%, para 18,99 bilhões de litros, 17,63 bilhões destinados ao abastecimento doméstico e 1,36 bilhão de litros ao mercado internacional.

Na primeira quinzena de novembro, as usinas do Centro-Sul processaram 25,6 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, um aumento de 10,7% frente a igual intervalo de ciclo passado. A ocorrência de chuvas no período atrapalhou o avanço da moagem, mesmo com mais usinas em operação no período, na comparação com igual intervalo do ano passado.

Conforme o diretor técnico da Unica, Antonio de Pádua Rodrigues, neste ano apenas 26 unidades produtoras haviam encerrado a moagem até o dia 16 de novembro, contra 78 unidades até a mesma data de 2014.

No acumulado da safra 2015/16 até 16 de novembro, as usinas do Centro-Sul processaram 544,53 milhões de toneladas de cana, ante 538,46 milhões de toneladas registradas em igual período do ciclo anterior, alta de 1,13%. Na primeira quinzena de novembro, foram processadas 25,6 milhões de toneladas, um aumento de 10,71%.

Já a produção de açúcar desde o início da safra somou 28,7 milhões de toneladas, 6,40% abaixo das 30,680 milhões de toneladas fabricadas em igual intervalo de 2014/15. Na primeira quinzena de novembro, foram fabricadas 1,199 milhão de toneladas, leve alta de 0,44%. (Valor Econômico 24/11/2015 às 17h: 01m)

 

Chuvas prejudicam moagem de cana do Centro-Sul na 1ª quinzena de novembro

As usinas de açúcar e etanol do Centro-Sul do Brasil reduziram em 33 por cento a moagem de cana na primeira quinzena de novembro na comparação com a segunda quinzena de outubro, após chuvas recentes, informou nesta terça-feira a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).

O processamento na primeira metade deste mês atingiu 25,61 milhões de toneladas, contra 38,38 milhões de toneladas na segunda parte de outubro.

Chuvas que se iniciaram na parte final de outubro em áreas importantes de produção como Piracicaba e Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, praticamente impediam operações de colheita no início de novembro, já que as máquinas não conseguiam entrar nas lavouras, segundo relatos de executivos de usinas.

Dados do serviço Agriculture Weather Dashboard, da Thomson Reuters, mostram que na região de Ribeirão Preto choveu praticamente todos os dias, com raras interrupções, desde 26 de outubro, até 21 de novembro.

A cana mais úmida tem menor concentração de açúcares (ATR) e também favorece a produção de etanol.

A condição se traduziu no "mix" de produção. Segundo a Unica, 61,8 por cento da cana processada na primeira quinzena de novembro foi destinada ao etanol, ante 57,8 por cento na quinzena anterior.

"Como era esperado, a fabricação de açúcar neste ano deve ficar aquém da quantidade registrada na safra 2014/15, já que as chuvas e a baixa concentração de ATR na matéria-prima dificultam qualquer reação na produção", disse em nota o diretor técnico da Unica, Antonio de Padua Rodrigues.

A produção total de etanol na primeira metade do mês foi de 1,19 bilhão de litros, ante 1,84 bilhão no período imediatamente anterior.

Já a produção de açúcar no início deste mês atingiu 1,2 milhão de toneladas, ante 2,17 milhões na segunda metade de outubro.

No acumulado da safra 2015/16, a moagem de cana soma 544,5 milhões de toneladas, alta de 1 por cento ante o mesmo período em 2014/15.

A produção acumulada de açúcar está 6,4 por cento menor, atingindo 28,72 milhões de toneladas, enquanto a de etanol está 2,1 por cento superior, alcançando 24,9 bilhões de litros.

Segundo a Unica, neste ano apenas 26 unidades produtoras haviam encerrado a moagem até o dia 15 de novembro, contra 78 unidades com safra finalizada até a mesma data de 2014.

"Como era esperado, a maior disponibilidade de cana para moagem deve alongar o período de processamento nesta safra, com um número expressivo de usinas operando em dezembro", afirmou a entidade. (Reuters 24/11/2015)

 

Ação anticartel pode reduzir preço de combustível em 20% no DF, diz Cade

Sete pessoas foram presas suspeitas de fraude de R$ 1 bilhão por ano.

PF, MP e Cade comandam operação; suposto cartel opera há dez anos.

O superintendente regional do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), Eduardo Frade, disse estimar que os preços dos combustíveis no Distrito Federal caiam até 20% com a desarticulação de um suposto esquema de cartel envolvendo distribuidoras e empresas donas de postos. A declaração foi dada durante entrevista após a Polícia Federal prender sete suspeitos de participar do cartel, no DF e no Entorno.

Dentre os presos preventivamente (por cinco dias, prorrogáveis por mais cinco) estão Antônio Matias, um dos sócios da empresa Cascol, dona de cerca de 30% dos postos de combustíveis do DF, o presidente do Sindicato dos Combustíveis do DF, José Carlos Ulhôa, e um sócio da empresa Gasolline, Cláudio Simm. O gerente da BR Distribuidora no DF, Adão Pereira, foi preso durante ação no Rio de Janeiro. Os mandados partiram da 1ª Vara Criminal de Brasília.

Nesta terça-feira (24), a Polícia Federal deflagrou uma operação para desmembrar um grupo que combinava preços na distribuição e revenda de combustíveis no DF e no Entorno, há pelo menos dez anos.

Além dos mandados de prisões temporárias, também foram expedidos 44 mandados de busca e apreensão e 25 de condução coercitiva (quando a pessoa é obrigada a prestar depoimento). Os mandados da operação, batizada de Dubai, envolvem também as empresas Shell e Ipiranga. Parte deles foram cumpridos no Rio de Janeiro.

A previsão de queda nos preços dos combustíveis, no entanto, pode demorar a ser sentida no bolso do brasiliense. “Não necessariamente isso acontece do dia para a noite”, afirmou Eduardo Frade. “Estima-se que cartéis elevem o preço do produto em pelo menos 20%. Pegando 2014, o faturamento apresentou um sobrepreço de até R$ 1 bilhão.”

Esquema

Por meio de escutas e interceptações de mensagens, os investigadores apontam que a estratégia do grupo era tornar o etanol economicamente inviável para o consumidor, mantendo o valor do combustível superior a 70% do preço da gasolina – mesmo durante o período de safra.

“Com isso, o cartel forçava os consumidores a adquirir apenas gasolina, o que facilitava o controle de preços e evitava a entrada de etanol a preços competitivos no mercado”, continuou a PF. “De forma simplificada, a cada vez que um consumidor enchia o tanque de 50 litros, já que cada litro da gasolina era sobre taxada em aproximadamente 20%, o prejuízo médio era de R$ 35.”

De acordo com o delegado João Pinho, empresas donas de postos mantinham acordo com as distribuidoras. "[As distribuidoras] avisavam dos aumentos. Havia uma grande cumplicidade", afirmou. Juntas, a BR Distribuidora, Ipiranga e Shell detêm 90% do mercado no DF. Ainda segundo o delegado, o presidente do Sindicato dos Combustíveis do DF, José Carlos Ulhôa, exercia pressão para que os postos continuassem no esquema, por meio de chamadas telefônicas ou até em grupos de WhatsApp.

A BR Distribuidora informou que presta "total colaboração com as autoridades nas diligências". "A empresa pauta sua atuação pelas melhores práticas comerciais, quaisquer irregularidades serão investigadas e os responsáveis, punidos", disse a empresa, em nota. A Shell e a Ipiranga não se posicionaram até a última atualização desta reportagem.

Ação do Ministério Público

Para o promotor Clayton Germano, do Ministério Público do DF, as investigações vão apurar se a participação da BR Distribuidora no cartel partiu da alta cúpula da estatal. "[Vamos investigar] Se foi decisão da gerência ou da diretoria, pode repercutir inclusive na presidência da Petrobras."

O promotor também afirmou que vai propor ao governo do Distrito Federal uma nova tentativa de liberar a instalação de postos de combustível em supermercados. Em março deste ano, uma ação do tipo transitou em julgado (sem possibilidade de recurso) no Supremo Tribunal Federal. Após seis anos de processo, a Corte entendeu que é válida a proibição de venda de combustível nesse tipo de estabelecimento. O MP acredita que mesmo assim possa mudar a decisão.

Cartel

Pelos cálculos da PF, o prejuízo gerado pelo cartel pode chegar a cerca de R$ 1 bilhão por ano. O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e o Ministério Público do DF também participaram das investigações.

De acordo com a polícia, a principal rede investigada vende 1,1 milhão de litros de combustível por dia. Com o esquema, a empresa chega a lucrar diariamente quase R$ 800 mil.

Segundo as investigações, as empresas, que controlam mais da metade dos postos do DF, acertavam os preços oferecidos ao consumidor final. As redes menores seriam comunicadas pelos coordenadores regionais do cartel.

“Durante o trabalho investigativo também ficou claro que o Sindicombustíveis/DF, sindicato que os postos de combustível, exercia importantes papéis na manutenção do cartel, ao servir como porta-voz do cartel e ao perseguir os proprietários postos dissidentes”, informou a PF, em nota.

Para a corporação, as duas maiores distribuidoras de combustível do país “sabiam do cartel e estimulavam a fixação artificial de preços dos combustíveis”, com a participação dos executivos. OG1 não conseguiu contato com o sindicato até a publicação desta reportagem.

A operação foi batizada de Dubai, em referência à cidade-estado do Golfo Pérsico que enriqueceu graças à exploração das reservas naturais de petróleo e gás. (G1 24/11/2015)

 

Ridesa libera 16 novas variedades de cana-de-açúcar

Depois de anos de pesquisas, o Programa de Melhoramento Genético de Cana-de-açúcar (PMGCA) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) lançará quatro novas variedades de cana-de-açúcar, após anos de pesquisa.

A novas liberações da universidade já foram multiplicadas pelas usinas conveniadas ao programa em São Paulo e no Mato Grosso do Sul, apresentando grande potencial. Segundo o pesquisador Roberto Chapola, do PMGCA/UFSCar, os novos materiais são muito competitivos e resistentes às principais doenças da cultura. “Cada produtor possui necessidades específicas e, diante disso, a Ridesa tem trabalhado e continuará trabalhando intensivamente para suprir essas carências.”

As quatro liberações fazem parte do grupo de 16 novas variedades RB que serão lançadas no Encontro Nacional da Ridesa (Rede Interuniversitária de Desenvolvimento do Setor Sucroenergético), que ocorre nesta quarta-feira (25/11), em Ribeirão Preto (SP).

Além da UFSCar, outras seis universidades federais apresentarão novos materiais no evento: UFV, UFPR, UFAL, UFRPE, UFRRJ e UFG. A última liberação de variedades da Rede foi em 2010.

“Desde então estamos selecionando materiais e trabalhando muito em pesquisa a fim de oferecermos os melhores materiais para o produtor. Ficamos cinco anos de stand by para escolhermos bem as variedades a serem lançadas”, relata o pesquisador Edelclaiton Daros, professor da Universidade Federal do Paraná e coordenador nacional da Ridesa. 

O Encontro Nacional também marcará a comemoração dos 45 anos das Variedades RB e dos 25 anos da instituição.

“São variedades que foram escolhidas estrategicamente pelas universidades e que se completam ao longo da safra, nos mais diferentes ambientes”, acrescenta. As variedades RB – sigla que denomina os materiais lançados pela Rede, são as mais cultivadas no país. (Globo Rural 24/11/2015)

 

BNDES diz que todos os empréstimos a Bumlai são regulares

O BNDES informou, por meio de nota, que jamais concedeu em 2005 empréstimo no valor de R$ 64,7 milhões a empresa de José Carlos Bumlai que estava inativa, como consta do despacho do juiz Sergio Moro que determinou a busca e apreensão de documentos na sede do banco nesta terça (24).

Segundo o banco, o empréstimo ocorreu em 2009 para a São Fernando Açúcar e Álcool, época em que a firma estava ativa, e tinha como objetivo implementar o primeiro sistema de cogeração de energia por meio do bagaço de cana-de-açúcar.

O BNDES afirma que também é regular o empréstimo de R$ 101,5 milhões que concedeu a outra empresa de Bumlai em 2012, a São Fernando Energia I. Na época a companhia tinha menos de uma dezena de funcionários porque o negócio, de geração de energia a partir de bagaço de cana, era um dos pioneiros do país e estava começando, segundo a nota.

"A concessão dos créditos à São Fernando seguiu todos os procedimentos do BNDES, com total lisura e sem qualquer irregularidade", diz o comunicado do banco.

O dado contraria uma das hipóteses levantadas pela força-tarefa da Lava Jato: a de que o dinheiro dos empréstimos do BNDES possam ter sido direcionados para o pagamento de dívidas das campanhas presidenciais de 2002 e 2006 do PT, quando Lula foi eleito.

A acusação foi feita por alguns delatores na operação, mas ainda está sob investigação. (Folha de São Paulo 24/11/2015)

 

Mapa lança Canal Azul para agilizar fiscalização das exportações

Processo eletrônico vai reduzir em 72 horas tempo entre a indústria e o embarque das cargas.

Modernizar o controle oficial das exportações e gerar economia de 72 horas para o exportador. Esses são apenas alguns dos benefícios que o Canal Azul (Sistema de Informações Gerenciais do Trânsito Internacional de Produtos e Insumos Agropecuários) proporcionará. A plataforma foi lançada nesta terça-feira (24), pela ministra Kátia Abreu (Agricultura, Pecuária e Abastecimento) em conjunto com a Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP).

“Por meio da integração do Canal Azul com os sistemas privados e com o Portal Único de Comércio Exterior, vamos eliminar etapas repetitivas e desnecessárias nos processos de exportação e de importação”, explicou a coordenadora-geral do Sistema de Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro), Edilene Cambraia.

Somente na cadeia de exportação da carne, a redução do tempo médio referente ao processo compreendido entre o carregamento dos contêineres na indústria e a realização do embarque nos navios poderá alcançar 72 horas.

O Canal Azul fará um direcionamento da fiscalização para operações com base no risco envolvido, disse Edilene, e vai ajudar a melhorar a transparência das atividades de fiscalização. A redução na quantidade de documentos exigidos também será um dos principais resultados da utilização do Sistema.

"É o Ministério da Agricultura desburocratizando e promovendo a competitividade das empresas brasileiras", afirmou a ministra, que parabenizou o professor da Universidade de São Paulo, Eduardo Mario Dias, pesquisador responsável pelo Canal Azul presente na cerimônia de lançamento.

O Canal Azul é um processo eletrônico de exportação e importação de mercadorias agropecuárias que foi desenvolvido pelo Grupo de Gestão em Automação e Gestão de Tecnologia da Informação (GAESI), da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP).

O Mapa incorporou, por meio da Instrução Normativa 28 (de 23 de setembro de 2015), o programa ao Sistema de Informações Gerenciais de Trânsito Internacional (SIGVIG) e definiu um cronograma de implementação do Canal Azul para todas as cadeias do agronegócio. (Mapa 24/11/2015)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Realização de lucros: Os preços futuros do açúcar chegaram a subir de forma expressiva ontem depois que a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) divulgou o levantamento da produção da primeira metade do mês no Centro-Sul do Brasil. Entretanto, uma forte realização de lucros derrubou as cotações antes do fechamento na bolsa de Nova York. Os contratos para maio recuaram 38 pontos, para 14,64 centavos de dólar a libra-peso. Os dados divulgados pela Unica já eram esperados, mas a indicação de que as chuvas impactaram a produtividade foi encarada como ligeiramente altista, disse Ricardo Nogueira, da consultoria FCStone, em nota. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo fechou em alta de 0,19%, a R$ 77,67 a saca de 50 quilos.

Café: Movimento técnico: As cotações do café arábica saltaram na bolsa de Nova York ontem com a queda do dólar ante o real e receios com o efeito do El Niño na produção, que impulsionaram recompras técnicas. Os papéis para março subiram 205 pontos, a US$ 1,245 a libra-peso. Ontem, o escritório australiano de meteorologia indicou que o El Niño está próximo de seu pico e deve se prolongar ao longo do primeiro trimestre de 2016. O fenômeno pode provocar seca no início do ano, em um momento crucial para o enchimento dos grãos. Por enquanto, porém, as lavouras têm recebido boa umidade e o clima não representa uma preocupação real, disse Rodrigo Correa, do Société Générale. No mercado interno, o café de boa qualidade oscilou entre R$ 490 e R$ 500 a saca de 60,5 quilos, segundo o Escritório Carvalhaes.

Cacau: Compras especulativas: A retomada do apetite especulativo também alcançou o mercado futuro do cacau ontem na bolsa de Nova York, apesar de os investidores considerarem que os preços da commodity já estão excessivamente elevados. Os contratos para março avançaram US$ 32, cotados a US$ 3.338 a tonelada. No cenário externo, a desvalorização do dólar em relação a uma série de moedas por conta de ajustes técnicos ofereceu impulso para a nova rodada de compras na bolsa. O fortalecimento do El Niño também está no radar dos investidores, embora os sinais a respeito da oferta no oeste da África sigam indicando uma situação confortável. Em Ilhéus e Itabuna (BA), o preço médio do cacau permaneceu estável em R$ 143 a arroba, de acordo com a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Trigo: Lavouras dos EUA: A melhora da situação das lavouras dos Estados Unidos pesou sobre as cotações do trigo ontem nas bolsas do país. Em Chicago, os lotes para março caíram 9,25 centavos, a US$ 4,885 o bushel. Em Kansas, onde se oferta o trigo de melhor qualidade, os papéis com igual prazo de vencimento caíram 5,50 centavos, para US$ 4,7250 o bushel. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reportou no dia anterior que a área de trigo de inverno no país considerada em condições boas a excelentes representava até domingo 53% do total, ante 52% na semana anterior. Ainda assim, o nível é menor do que na mesma época de 2014, quando essa classificação se estendia a 58% das lavouras. No Paraná, o preço do trigo caiu 0,03% ontem, para R$ 38,13 a saca, segundo o Deral/Seab. (Valor Econômico 25/11/2015)