Setor sucroenergético

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Habilidade negocial do usineiro Bumblai

Entre os esqueletos que serão exumados com a prisão de José Carlos Bumlai, o Ministério Público pretende desenterrar o episódio da Fazenda São Gabriel.

Em 2003, Bumlai comprou a propriedade, localizada em Corumbá (MS), por R$ 2 milhões.

Dois anos, depois o Incra desapropriou as terras ao valor de R$ 20 milhões. (Jornal Relatório Reservado 25/11/2015)

 

Grupo de Cingapura procura usinas brasileiras de biodiesel

O fundo Pacific Agri Capital, com sede em Cingapura, está rastreando usinas de biodiesel no Brasil. (Jornal Relatório Reservado 25/11/2015)

 

Udop prevê queda no preço do etanol apenas a partir de abril

O presidente executivo da União dos Produtores de Bioenergia (Udop), Antonio Cesar Salibe, avaliou que o preço do etanol deve recuar apenas a partir de abril de 2016, com o início da próxima safra de cana-de-açúcar. E devem se recuperar mais para frente, ao fim da safra 2016/2017.

"Esperamos que no ano que vem (o preço do etanol) seja melhor que este ano e ao menos remunere a produção", disse Salibe, em entrevista ao Broadcast Agro, serviço em tempo real da Agência Estado.

O executivo lembrou que o etanol, apesar de ter recentemente superado recordes históricos de preços nas usinas e nas bombas, em valores absolutos, enfrentou valores baixos durante o período de colheita da safra 2015/2016, iniciado em março.

Já para o açúcar, a expectativa é de preços melhores por conta da produção menor no Brasil e em países concorrentes. "Além da produção menor aqui, houve uma frustração de safra na Índia e em outros países por questões climáticas", avaliou.

As recentes chuvas nas regiões produtoras do Centro-Sul do Brasil têm um lado positivo e outro negativo, segundo o presidente executivo da Udop. "Estamos tendo uma soqueira (cana já cortada e que será novamente colhida em 2016) boa e no ano que vem, dependendo das chuvas de janeiro e fevereiro, esperamos repetir a produção deste ano, que foi muito boa", afirmou. "Em contrapartida, a gente tem mais dificuldade de moer a safra atual, porque essas chuvas fazem com que paremos (a colheita)", completou.

Salibe estima que cerca de 60 milhões de toneladas de cana ainda devem ser moídas até março, fim da safra 2015/2016, e avalia que muitas usinas seguirão o processamento e produzindo açúcar e etanol em janeiro e fevereiro de 2016. "Tem muita cana e as chuvas atrapalharam a colheita e a moagem. Ao contrário do ano passado, quando em meados de novembro muitos tinham parado", concluiu. (Agência Estado 25/11/2015)

 

Abengoa pode protagonizar maior caso de recuperação judicial da Espanha

A Abengoa, cujo valor de mercado caiu para 300 milhões de euros ontem, informou que tinha uma dívida financeira bruta de 8,9 bilhões de euros no fim do terceiro trimestre.

A empresa espanhola de energia renovável e engenharia Abengoa SA informou ontem que está entrando com um pedido preliminar de proteção contra credores, um passo inicial que pode levar ao maior caso de recuperação judicial da história do país.

O possível fim da Abengoa é um exemplo extremo de uma empresa espanhola cuja expansão impulsionada por meio de endividamento durante os anos em que a economia da Espanha viveu um boom enfraqueceu suas ambições de crescimento hoje.

A empresa é uma das principais construtoras mundiais de linhas de energia que transportam eletricidade pela América Latina e uma importante companhia de engenharia e construção, construindo enormes usinas de energia renovável em lugares como o Estado americano de Kansas e o Reino Unido.

A mais recente rodada de negociações da Abengoa com credores começou depois que a firma espanhola de investimento Gonvarri Corporación Financiera cancelou um plano de injetar cerca de 350 milhões de euros (US$ 372,53 milhões) na empresa com sede em Sevilha, informou a Abengoa em documentos entregues aos reguladores ontem.

“A empresa continuará a negociar com os credores com o objetivo de alcançar um acordo para garantir sua viabilidade financeira”, informou a Abengoa nos documentos. Uma porta-voz não quis fazer mais comentários.

As ações da Abengoa fecharam em queda de 54% ontem em Madri, após ter caído cerca de 70% ao longo do dia.

A notícia também atingiu as ações dos bancos espanhóis, que estão entre os principais credores da Abengoa. A Ação do Banco Santander SA caiu 2%. O banco não quis comentar sobre sua exposição à empresa. As ações do Banco Popular Español AS fecharam 2,5% e as do Banco de Sabadell SA recuaram 1,9%.

A Abengoa, cujo valor de mercado caiu para 300 milhões de euros ontem, informou que tinha uma dívida financeira bruta de 8,9 bilhões de euros no fim do terceiro trimestre.

Esse valor sobe para 16,9 bilhões de euros quando se inclui os 2,1 bilhões de euros que a empresa deve para seus fornecedores e os 5,9 bilhões de euros que a Abengoa tem em dívidas em subsidiárias que ela afirmou que podem ser vendidas, segundo José M. Arroyas, analista do Exane BNP Paribas em Madri.

“Investir agora na Abengoa pode apenas ser recomendado para aqueles com alto risco de tolerância”, escreveram os analistas do Renta 4 Banco de Madri em uma nota de pesquisa.

A Abengoa tem agora até quatro meses para negociar com os credores. De acordo com a lei espanhola, os credores não serão capazes de forçar uma recuperação judicial nesse período.

“Esperamos que alguma solução seja encontrada para manter a empresa funcionando”, disse Elvira Rodríguez, presidente do conselho do regulador do mercado acionário da Espanha.

A decisão da empresa de investimentos Gonvarri de cancelar seu plano de injetar recursos na Abengoa foi o mais recente golpe enfrentado pela empresa, que tem tentado desesperadamente levantar recursos há vários meses em meio a crescentes preocupações de investidores e analistas sobre sua solvência.

Durante a maior parte do ano passado, suas ações foram compradas por investidores intrigados pelos pedidos dos executivos da Abengoa para reduzir o endividamento que a empresa começou a acumular em um período anterior à crise espanhola.

Mas no início deste ano, os investidores começaram a ficar preocupados sobre quanto dinheiro a Abengoa tinha para administrar suas dívidas. Embora o endividamento da empresa não fosse nada novo para investidores e analistas que estavam a acompanhando há anos, a movimentação de meados do ano levou alguns investidores a concluir que a Abengoa tinha menos dinheiro nas mãos do que imaginavam.

Investidores e analistas vinculam os atuais problemas financeiros da Abengoa a uma mudança de estratégia durante o boom imobiliário espanhol, que começou a ganhar força em 2004. Os bancos no país reduziram as exigências de empréstimos para empresas, o que ajudou a impulsionar o otimismo corporativo, levando algumas empresas espanholas a intensificar sua expansão internacional.

Desde sua fundação, a Abengoa construiu linhas de transmissão de energia, usinas de bioenergia e infraestrutura de dessalinização para clientes. Durante o boom espanhol, contudo, ela começou a desenvolver esses projetos para ela própria, impulsionada por empréstimos bancários mais baratos e o desejo de expansão.

A companhia acumulou pilhas de dívidas apostando em uma taxa de crescimento que nunca se materializou.

“Nessa conjuntura, o problema dos investimentos está substancialmente na boa vontade dos bancos em dar novos empréstimos para a Abengoa”, escreveu Arroyas, da Exane, em um relatório no dia 16 de novembro, depois de a empresa divulgar seus resultados do terceiro trimestre. (The Wall Street Journal 25/11/2015

 

Dirigentes do Cade prevêem queda nos preços de combustíveis após ação contra cartel

Operação desmontou hoje um suposto cartel formado por distribuidoras e redes de postos de combustíveis, estima-se que o preço da gasolina tenha sido aumentado em 20%.

Os preços da gasolina e do etanol comercializados no Distrito Federal podem cair fortemente nos próximos dias, avaliam os dirigentes do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) que participaram de operação com a Polícia Federal e o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) que desbaratou hoje um suposto cartel formado pelas distribuidoras e por redes de postos de combustíveis.

Entre as empresas apontadas pelos investigadores como partes da organização criminosa que formaram o cartel estão as distribuidoras BR (que pertence à Petrobrás), Shell e Ipiranga, que comandam 90% do mercado no Distrito Federal. Além delas estão as redes de postos de combustíveis Cascol, Gasolline e JB, que representam pouco mais da metade dos postos no DF. Essas empresas foram alvos de 44 mandados de busca e apreensão e seus dirigentes foram envolvidos em sete mandados de prisão temporária e 25 mandados de condução coercitiva.

As distribuidoras BR, Shell e Ipiranga comandam 90% do mercado no DF

A gasolina, em Brasília, tem sido comercializada por volta de R$ 3,85 o litro, enquanto que o etanol nunca é vendido abaixo do patamar de 70% do preço da gasolina, nível limite a partir do qual não torna vantajoso o abastecimento de veículos com álcool combustível. Os investigadores estimaram que os prejuízos para os consumidores foram de R$ 800 milhões a R$ 1 bilhão, por ano, nos últimos seis anos, pelo menos.

O superintendente-geral do Cade, Eduardo Frade, disse "esperar que os preços caiam". "O que forma o preço da gasolina são vários fatores complexos, mas estima-se que o cartel tenha elevado o preço da gasolina em 20%, fora a manutenção do preço do etanol sempre em patamar inviável", disse Frade. Quando questionado sobre medidas que possam ser feitas como forma de "retribuição" aos consumidores, Frade afirmou: "A desarticulação do cartel permite imaginar que, daqui para frente, os preços possam cair".

Cartel

Foram presos hoje, de forma temporária, dois integrantes da Cascol (Antônio José Matias de Souza e José Miguel Simas Oliveira Gomes), um da Gasolline (Cláudio José Simm), um da rede JB (Marcello Dornelles), o presidente do sindicato de comércio varejista de combustíveis do DF (José Carlos Ulhôa Fonseca), e os gerentes regionais da BR Distribuidora, Adão Nascimento, e da Ipiranga, ainda sem nome confirmado. As prisões foram autorizadas pela juíza Ana Cláudia Loiola, da 1ª Vara Criminal de Brasília.

Havia reuniões frequentes entre os envolvidos no suposto cartel para a combinação de preços e de estratégia, segundo os investigadores, que comprovaram, segundo eles, arranjos feitos entre as distribuidoras (BR Distribuidora, Ipiranga e Shell) e entre as redes de postos (Cascol, Gasolline e JB). Havia, também, pressão sobre empresas menores de distribuição e de postos de combustíveis que não ofereciam preços semelhantes. O esquema, segundo o Cade, começou a ser mapeado em 2009, mas há indícios de que, desde 1994, os envolvidos na operação de hoje, inclusive alguns que foram presos, realizavam operações semelhantes.

BR Distribuidora

Segundo o delegado da Polícia Federal (PF), João Thiago Oliveira Pinho, da área de crimes financeiros, as distribuidoras pequenas "são muito ágeis", enquanto que a BR Distribuidora tem "uma operação mais morosa". "Os indícios levam a crer que a BR tem mais dificuldade em vender álcool e, por isso, tornar o preço do etanol menos atrativo facilita a venda de gasolina", disse ele.

"Uma organização criminosa muito rica. Há duas semanas, nossas interceptações mostraram que houve uma briga entre integrantes do cartel, quando a gasolina chegou a R$ 3,08 por litro. Mas, mesmo neste patamar, eles continuavam dando lucro", afirmou o delegado.

Segundo o promotor do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), Cleiton Germano, os investigadores levantaram uma série de material com os mandados de busca e apreensão hoje, que precisarão ser analisados a partir de agora. Para subsidiar a operação, a PF e o MPDFT foram habilitados, pela Justiça, a realizar interceptações ambientais e telemáticas nos envolvidos, para confirmar que havia um cartel formado para combinação de preços. (O Estado de São Paulo 25/11/2015)

 

Chuva pode antecipar fim da atual safra de cana, diz Orplana

O presidente da Organização dos Plantadores de Cana da Região Centro-Sul do Brasil (Orplana), Manoel Ortolan, avaliou nesta quarta-feira, 25, que as chuvas constantes sobre as lavouras da cultura podem antecipar o fim da atual safra e adiantar o início da colheita da safra 2016/2017.

Com a colheita prejudicada pelas chuvas, o planejamento atual de várias usinas é o de continuar a moagem da cana durante janeiro e fevereiro do próximo ano.

Mas Ortolan avalia que o encarecimento dos processos agrícola e industrial, com as sucessivas paradas e retomadas, pode antecipar o fim do corte este ano. "A expectativa é de sobrar mais cana (sem colher) do que a gente previa e começar a próxima safra mais cedo, com um maior número de unidades industriais. Muitos, com a chuva, já pensam em parar antes porque processar e parar sucessivamente fica muito caro", disse.

"Tem gente que já perdeu de 30 a 35 dias de moagem e isso compromete", completou Ortolan. Segundo o presidente da maior associação de produtores do País, as chuvas, no entanto, devem garantir o bom desenvolvimento da cana a ser colhida na safra 2016/2017, iniciada oficialmente em março do ano que vem.

Ainda de acordo com Ortolan, a alta recente nos preços do açúcar e do etanol e o cenário positivo para os dois produtos também para o próximo ano animam o setor produtivo de cana. "O preço da cana é formado a partir do preço do açúcar e do álcool nos mercados interno e externo. O que já houve de aumento estamos sentindo desde outubro e toda melhoria desde então será sentida no fechamento da safra, em 31 de março, quando é feito o acerto com os produtores", concluiu. (Agência Estado 25/11/2015)

 

El Niño deve persistir até primeiro semestre de 2016, diz agência da Austrália

O fenômeno climático El Niño deve se estender até o primeiro semestre de 2016, afirmou o Departamento de Meteorologia da Austrália nesta terça-feira. Com isso, agricultores em todo o mundo devem continuar enfrentando condições climáticas atípicas.

Modelos climáticos internacionais sugerem que o El Niño está se aproximando de seu pico e que irá perder força no primeiro trimestre do próximo ano, mas a agência australiana disse que a temperatura das águas do Oceano Pacífico não deve voltar ao normal até o início do outono no Hemisfério Sul, em março.

O El Niño ocorre quando os ventos na região equatorial do Pacífico se desaceleram ou invertem a direção. Isso aquece as águas superficiais em uma vasta área, o que pode modificar os padrões climático ao redor do mundo. A severidade do fenômeno é medida pela temperatura do oceano e pela mudança nos ventos.

O fenômeno climático pode causar secas severas em partes do Sudeste Asiático e inundações na América do Sul. Além disso, as condições adversas geralmente levam à escassez de alimentos em alguns dos países mais pobres do mundo.

Os futuros de várias commodities agrícolas são sustentados por temores quanto à queda na produção em virtude dos problemas com o clima. Os preços do açúcar subiram 48% nos três últimos meses, enquanto as cotações do óleo de palma avançaram 13,3% nesse período. Em outras commodities, porém, os altos estoques limitam as possíveis valorizações.

"Apesar de os preços de algumas commodities agrícolas terem sido afetados de forma moderada pelo El Niño neste ano, o fenômeno climático tem um impacto significativo na produção e no setor do agronegócio em alguns países", alertou a BMI Research, em nota. (Down Jones News 25/11/2015)

 

MT deverá produzir 114 milhões de litros de etanol de milho na entressafra da cana

Mato Grosso entre dezembro e março, período de entressafra da cana-de-açúcar, deverá produzir 114 milhões de litros de etanol de milho. Hoje, três usinas flex fabricam etanol através da cana e do cereal. A produção de milho em etanol é debatida na Câmara dos Deputados, em Brasília (DF).

Entre etanol de cana-de-açúcar e de milho, segundo o Sindicato das Indústrias Sucroalcooleiras do Estado de Mato Grosso (Sindalcool-MT), 814 milhões de litros deverão ser produzidos em Mato Grosso.

Conforme o diretor-executivo do Sindalcool-MT, Jorge dos Santos, no período da ‘entressafra’ da cana-de-açúcar, que compreende na temporada das chuvas em Mato Grosso, aproximadamente 300 mil toneladas de milho deverão ser moídas e transformadas em 114 milhões de litros de etanol.

Mato Grosso possui, atualmente, dez usinas sucroalcooleiras, das quais três são flex. As usinas que produzem etanol no estado a partir do milho estão localizadas em Campos de Júlio, Jaciara e São José do Rio Claro.

“Hoje, não temos entressafra. A produção de etanol de cana atende a demanda o ano inteiro e temos o acréscimo com o feito através do milho. As usinas em Mato Grosso estão com estudos prontos para tornarem-se flex e estão em fase de análise para ver como o mercado e o governo se comportam”, comentou Santos ao Agro Olhar.

A produção de etanol de milho entrou em debate recentemente na Câmara dos Deputados. Dois deputados federais de Mato Grosso, Carlos Bezerra (PMDB) e Fábio Garcia (PSB), assumiram a ponta do debate sobre o crescimento da fabricação de etanol através do cereal no estado.

Conforme especialistas, a transformação de milho em etanol é uma das saídas para o escoamento da produção no mercado interno. Das 21 milhões de toneladas produzidas na safra 2014/15 por Mato Grosso 8,454 milhões de toneladas já foram exportados até outubro. O volume supera as 7,143 milhões de toneladas do ciclo passado embarcadas para o exterior.

O deputado federal Fábio Garcia, especialista em energia, destaca que o processo de fabricação do etanol a partir do milho tem subprodutos muito úteis. Cada tonelada do cereal gera entre quase 400 litros de álcool etílico, além de cerca de 18 litros de óleo, 220 a 240 quilos de um farelo de milho conhecido como DDG. Esse farelo tem alto teor proteico e pode ser usado na alimentação animal, sendo bem mais barato que o farelo de soja. (Agro Olhar 25/11/2015)

 

Unica: Plano climático do Brasil dá novo impulso à bioenergia

A 21ª conferência das Nações Unidas sobre mudança do clima (COP21), que começa em oito dias em Paris, deverá envolver mais de uma centena de chefes de Estado na tentativa de estabelecer um acordo global com metas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e mitigar as consequências catastróficas do aquecimento global.

Ao longo dos últimos anos, o ceticismo e o debate a respeito da existência e das causas do aquecimento foram gradativamente suprimidos por evidências e estudos contundentes sobre o tema. De tal sorte, hoje o problema se coloca no foco das discussões mundiais sobre política energética.

A forma como cada nação irá reconhecer esse componente ambiental e enfrentar o dilema da segurança energética de forma sustentável condicionará as estratégias de indução dos Estados nos campos energético, político e econômico nos próximos anos.

Nesse contexto, chama atenção o caso brasileiro de produção e uso de energias renováveis. O país é destaque ao apresentar matriz energética com cerca de 40% de participação de fontes renováveis, contra uma média mundial de apenas 13%.

O desenvolvimento e uso do etanol combustível ao longo das quatro últimas décadas e a utilização da energia elétrica obtida a partir da biomassa da cana-de-açúcar foram fundamentais para o papel de destaque do país no contexto global. Esses dois produtos são responsáveis por cerca de 16% da matriz energética nacional e representam 40% de toda a energia renovável ofertada internamente.

A cana-de-açúcar se destaca, portanto, como principal fonte de energia renovável no Brasil, ficando à frente até mesmo da hidroeletricidade. Os números impressionam e mostram que apenas a oferta da indústria da cana-de-açúcar seria suficiente para posicionar o país acima da média mundial no uso de energias limpas.

Assim como ocorrera nas últimas décadas, o setor sucroenergético apresenta um enorme potencial para contribuir para o desafio da redução de emissões nos próximos anos.

Atualmente, com apenas 0,5% do território brasileiro utilizado para a plantação de cana-de-açúcar para etanol, substituímos 40% do consumo nacional de gasolina. Para o futuro, além de possuir condição única para a expansão da área cultivada sem desmatar um único hectare, a indústria da cana-de-açúcar deve apresentar avanços tecnológicos importantes nas áreas agrícolas e industrial, que permitirão expressivo crescimento vertical da produção.

Especificamente na área agrícola, o uso de variedades mais adaptadas ao sistema mecanizado, o emprego de equipamentos e máquinas mais modernos, a adoção de ferramentas de agricultura de precisão com eletrônica embarcada, o uso de novas tecnologias de plantio, como as mudas pré-brotadas, e a sinalização do desenvolvimento de semente artificial de cana-de-açúcar, são apenas alguns exemplos de tecnologias que deverão intensificar os ganhos de produtividade.

No setor industrial, destaca-se o avanço do recolhimento da palha para a geração de bioeletricidade e, no futuro próximo, a produção de etanol de segunda geração a partir da biomassa da cana-de-açúcar.

Esse enorme potencial é reconhecido na contribuição apresentada pelo Brasil às Nações Unidas (INDC, na sigla em inglês) e em diversos discursos de representantes do poder público nacional. De acordo com a proposta, a energia elétrica a partir de fontes renováveis deve ser ampliada e a participação dos biocombustíveis na matriz energética brasileira deve atingir 18% em 2030, com consequente aumento do consumo de etanol combustível dos atuais 28 bilhões de litros por ano para cerca de 50 bilhões em 2030.

O crescimento do setor, com a ampliação da produção para o atendimento da referida meta em comparação com a manutenção do atual nível de produção, permitirá uma redução adicional de emissões estimada em 571 milhões de toneladas de CO2 equivalente até 2030. Esse valor equivale a cerca de três vezes o total emitido atualmente pelo uso de combustíveis fósseis no setor de transporte (cerca de 200 milhões de toneladas de CO2e) e pelo desmatamento de florestas no país (cerca de 175 milhões de toneladas de CO2e), segundo dados publicados no último levantamento realizado pelo Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

Além de diminuir as emissões de gases de efeito estufa, a maior oferta de etanol contribuiria decisivamente para a redução dos gastos com saúde pública decorrentes de problemas respiratórios e cardiovasculares associados ao uso de combustíveis fósseis, especialmente nas grandes cidades. Estudo elaborado por pesquisadores vinculados à Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo indica que a ampliação proposta para o consumo de etanol evitaria, apenas nas oito principais regiões metropolitanas do Brasil, quase 7 mil mortes até 2030 e permitiria uma economia superior a US$ 23 bilhões para os sistemas de saúde público e privado.

Adicionalmente, a expansão da indústria da cana-de-açúcar promoveria a criação de quase 250 mil novos postos de trabalho diretos no período, com potencial de atingir mais 500 mil empregos indiretos em toda a cadeia. Os investimentos na ampliação da capacidade produtiva chegariam a US$ 40 bilhões, com efeito multiplicador significativo para setores correlatos e ativação do mercado de fatores em um grande número de municípios no interior.

Esses números reforçam, portanto, a posição privilegiada do Brasil e a importante contribuição que a indústria brasileira de cana-de-açúcar oferece para superarmos o desafio do aquecimento global. Com metas ambiciosas, um arcabouço regulatório duradouro e políticas públicas na direção correta, temos uma excelente oportunidade para ampliar o uso de energia limpa e renovável produzida a partir da cana-de-açúcar, com efeitos secundários expressivos para a sociedade nas áreas econômica e social.

Artigo publicado originalmente no portal Observatório do Clima em 23/11/2015 e elaborado por Elizabeth Farina - presidente da UNICA e Luciano Rodrigues - gerente de Economia e Análise Setorial da ÚNICA. (Unica 25/11/2015)

 

Sistemas para reduzir emissões de carbono têm efeitos diferentes

Uma alternativa adotada em vários países são sistemas de comércio de emissões (ETS, na sigla em inglês), também conhecidos como "cap-and-trade" (teto e comércio de emissões).

Neste caso, um governo fixa a quantidade máxima de CO que um ou mais setores poderão emitir em determinado período. Essa quantia-teto é então repartida em permissões distribuídas entre as empresas, que podem comprá-las e vendê-las.

A filosofia do "cap-and-trade" é criar um incentivo para que firmas se esforcem para ficar abaixo da cota recebida, pois assim poderão obter receita financeira com a venda dos créditos que sobrarem.

A vantagem desse sistema é que se conhece de antemão, de forma precisa, quanto será emitido. Já o imposto se mostra mais promissor quando o objetivo é diminuir as emissões de um setor oligopolizado, como o de energia na África do Sul.

"Não existe sistema mais fácil ou mais adequado", afirma Alexandre Kossoy, economista brasileiro da Unidade de Finanças de Carbono no Banco Mundial.

Ele chama a atenção para o fato de que as emissões nacionais se concentrarem em setores (desmatamento e agropecuária) que não são os tradicionalmente visados (energia e transportes) por esquemas de precificação de carbono.

Para cumprir a meta de reduzir 43% das emissões até 2030, o Brasil precisará de algo mais que um imposto sobre combustíveis fósseis.

Mas, tendo em vista que a geração de eletricidade se faz cada vez mais com eles e que a política de preços da Petrobras prejudicou o mercado de etanol, um tributo sobre carbono alvejaria justamente os setores mais poluidores. E surgiria um incentivo para adotar mais fontes renováveis de energia (eólica, solar e biomassa/biocombustíveis).

O Ministério da Fazenda, em parceria com o Banco Mundial, já conduz estudos sobre precificação de emissões de gases do efeito estufa no Brasil. A meta é produzir conclusões e recomendações até o fim de 2017. (Folha de São Paulo 26/11/2015)

 

Câmbio ainda não compensa redução dos preços em dólar na média do ano

O volume exportado pelo agronegócio brasileiro avança para bater o recorde de 2013. Ao mesmo tempo, cálculos do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, sinalizam que, pelo segundo ano consecutivo, o faturamento em dólar vai diminuir. Até setembro, a diferença negativa estava em 12%, comparativamente a jan-set/2014 – o acumulado era de aproximadamente US$ 67 bilhões. Com a ajuda do câmbio, a receita agregada do setor, em reais, vai para o positivo, mas o ganho está em apenas 2,5%.

No mesmo comparativo (jan-set/15 frente a jan-set/14), o Real se desvaloriza 15% (Índice de Câmbio Efetivo do Agronegócio brasileiro – IC/Cepea), mas a queda dos preços em dólares é de 18,7%. Com isso, em reais, os preços de venda ao exterior (Atratividade das exportações – IAT/Cepea) estiveram 6% menores.

Paralelamente aos resultados da parcial deste ano, os pesquisadores analisam o desempenho também nos últimos 12 meses e, especificamente, em setembro (Tabela 1). A partir desse conjunto de períodos, concluem que estão se acentuando as tendências de queda dos preços internacionais e também de aumento do volume. O resultado positivo para o agronegócio, mais uma vez, vem do câmbio, que em setembro esteve 42% mais favorável aos exportadores do que há um ano.

Entre os produtos tradicionalmente exportados, apenas café, açúcar e carne bovina não tiveram aumento de volume no comparativo dos primeiros nove meses de 2015 com o mesmo período de 2014, conforme cálculos do Cepea. Já entre os que avançam, o destaque tem sido o óleo de soja, com expansão de 20,4%. Seus principais compradores foram Índia, responsável por 41,9% das vendas brasileiras na parcial deste ano, e China, com 15,8%.

Outros produtos que também tiveram aumento do volume embarcado foram: frutas (16,5%), suco de laranja (15,2%), milho (11,3%), soja em grão (11%), madeira (9,6%), celulose (7,9%), carne suína (6,8%), carne de aves (6,2%), farelo de soja (5,4%) e etanol (3,5%). Os embarques de café tiveram ligeira diminuição (0,36%), enquanto as vendas externas das carnes bovinas (16,25%) e de açúcar (5%) tiveram quedas mais expressivas.

Por outro lado, quase todos os produtos tiveram queda dos preços de exportação (IPE-Agro/Cepea). No comparativo dos nos nove primeiros meses de 2015 com o mesmo período de 2014, somente o café teve aumento, de 3,02%. O etanol apresentou a baixa mais acentuada, de 25,1%, seguido pela soja em grão (24,4%), farelo de soja (23,12%), carne suína (21,9%), óleo de soja (19,2%), açúcar (16,2%), carne de aves (13,1%), milho (12,1%), frutas (8,33%), suco de laranja (8,21%), carne bovina (6,69%), celulose (6,22%) e madeira (5,77%).

Mas, sob o efeito do câmbio, madeira, celulose, carne bovina, suco de laranja, frutas, milho e das carnes de aves conseguiram ter seus preços internalizados em reais (IAT-Agro/Cepea) maiores que os do mesmo período do ano passado. Já o complexo da soja, carne suína, açúcar e o etanol continuam no negativo – o câmbio não foi suficiente para compensar toda a queda do preço externo.

LONGO PRAZO

O volume exportado pelo agronegócio brasileiro aumentou 256% entre 2000 e 2015 (médias anuais). Os preços externos apresentaram tendência de crescimento no início da série (2000), mas houve reversão desde 2011, e que se acentuou em 2015. No entanto, comparando-se a média dos primeiros nove meses de 2015 com a de 2000, ainda há alta dos preços em dólar na casa de 68%, acima da valorização do Real neste período (42%). Desde 2005, por exemplo, na média dos principais produtos exportados, a atratividade das exportações (preços em reais) tem oscilado pouco e se mantido em níveis próximos ao observado no ano 2000. Em 2015, os preços em reais (atratividade das exportações do agronegócio – IAT/Cepea) estão apenas 2% menores que os de 2000. (Cepea/ESALQ 25/11/2015)

 

Commodities Agrícolas

Cacau: Demanda preocupa: A leitura de que os preços do cacau podem estar altos demais e ameaçam reprimir a demanda industrial derrubou a commodity ontem na bolsa de Nova York. Os papéis com vencimento em março caíram US$ 34, a US$ 3.304 a tonelada. A alta do dólar ante o euro, refletindo a perspectiva de relaxamento monetário por parte do Banco Central Europeu (BCE) e aperto pelo Fed, acentua essa preocupação. Desde o início do trimestre, os preços do cacau em euros subiram 12,5%, enquanto em dólar subiram 7,1%, disse a consultoria Zaner Group. As indústrias da zona do euro respondem por cerca de um terço da moagem global de cacau. Em Ilhéus e Itabuna, a cotação do produto avançou R$ 2, para R$ 145 a arroba, segundo a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Suco de laranja: Quinta queda: Os investidores do mercado de suco de laranja levaram a commodity para a quinta queda consecutiva ontem na bolsa de Nova York, ainda absorvendo os dados negativos da demanda nos Estados Unidos. Os contratos do suco concentrado e congelado para março recuaram 165 pontos, a US$ 1,4365 a libra-peso. Em cinco pregões, o produto acumulou queda de 650 pontos. Nas quatro semanas encerradas dia 31 de outubro, as vendas da bebida no varejo americano caíram 2,6% na comparação anual. O dado reverteu a influência altista provocada pelo corte na estimativa do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) para a safra da Flórida. No mercado interno, o preço da laranja à indústria apurado pelo Cepea/Esalq permaneceu em R$ 13,96 a caixa de 40,8 quilos.

Soja: Avanço em Chicago: As cotações da soja avançaram ontem na bolsa de Chicago com recompras de fundos e uma forte venda dos Estados Unidos ao exterior. Os lotes para março subiram 11,50 centavos, a US$ 8,7775 o bushel. A sessão foi dominada por movimentos técnicos, com boa parte dos fundos cobrindo posições vendidas na véspera do feriado do Dia de Ação de Graças nos Estados Unidos. O relato de que exportadores do país venderam 190 mil toneladas de soja para "destinos desconhecidos" adicionou combustível para as compras especulativas. O mercado também absorve a indicação dada pelo presidente eleito na Argentina, Mauricio Macri, de que ele não abrirá uma janela de exportações sem taxas, como se especulava. No Paraná, o preço recuou 0,58%, para R$ 65,17 a saca, segundo o Deral/Seab.

Milho: Elevação técnica: O mercado do milho ganhou impulso com compras técnicas ontem na bolsa de Chicago e com o aumento da produção de etanol nos Estados Unidos. Os contratos para março subiram 3,25 centavos, a US$ 3,7575 o bushel. Os fundos buscaram cobrir posições vendidas após a queda do dia anterior, em meio à postura ainda relutante dos produtores americanos em vender a safra recém colhida. Além disso, a Agência de Informação sobre Energia dos Estados Unidos (EIA, na sigla em inglês) informou que a produção de etanol na semana móvel até o dia 20 foi de 1,008 milhão de barris diários, ante 975 mil barris diários na precedente. O milho é matéria-prima da produção do biocombustível no país. No Paraná, o preço subiu 0,12%, para R$ 24,14 a saca, de acordo com o Deral/Seab. (Valor Econômico 26/11/2015)