Setor sucroenergético

Notícias

Cosan e Shell não têm planos de alterar estrutura da Raízen

O grupo brasileiro de energia e transporte Cosan SA Industria e Comercio e a gigante do petróleo Royal Dutch Shell não têm planos de modificar a atual estrutura societária da joint venture brasileira Raízen, a maior processadora global de cana, disse nesta quinta-feira o presidente do conselho da Cosan Rubens Ometto.

Questionado pela Reuters sobre uma reportagem da mídia local que dizia que a Shell iria exercer uma opção contratual de comprar a parte da Cosan na Raízen, Ometto disse que a informação é infundada.

O jornal brasileiro voltado para economia Valor Econômico disse no início desta semana que algumas mudanças no grupo de gestão da Raízen haviam sido feitas nos últimos dias em preparação para que a Shell assumisse o controle total da joint venture 50/50 formada em 2011. A Raízen une as operações de açúcar e etanol da Cosan e o negócio de distribuição de combustíveis da Shell no Brasil.

"Nós estamos muito felizes, a Shell está muito feliz, é uma parceira fantástica. (A estrutura) deve continuar da maneira como está", disse Ometto, o homem por trás de uma série de aquisições na última década que transformou a Cosan em líder em açúcar, biocombustíveis, logística e distribuição de gás.

Além dos 50 por cento de ações da Raízen, a Cosan controla a Companhia de Gás de São Paulo Comgás, maior distribuidora de gás natural canalizado do Brasil, e a Rumo Logística Operadora Multimodal SA, uma das maiores companhias ferroviárias da América Latina.

De acordo com Ometto, a Cosan e a Shell estão trabalhando em mudanças no contrato original da joint venture, para modificar as cláusulas de aquisição. "A opção contratual de a Shell ficar com o negócio todo está sendo desfeita", ele disse.

"Quando você casa com uma pessoa você precisa ter um way-out. Isso foi previsto no contrato original. Mas agora já nos conhecemos, nos damos bem, então aquelas cláusulas de proteção para os dois lados não são mais necessárias", disse.

Ometto afirmou que as mudanças na gestão da Raízen são naturais e continuarão a acontecer quando necessárias, mas não têm relação com eventuais questões societárias.

O diretor de operações da Raízen, Pedro Mizutani, deixou o cargo na companhia recentemente para assumir outra função. Ometto disse que Mizutani assumiria uma posição mais estratégica na companhia, por causa de seu amplo conhecimento do setor de açúcar e etanol no Brasil.

Procurada pela Reuters, uma porta-voz da Shell afirmou que a empresa "não comenta especulações de mercado". (Reuters 26/11/2015)

 

Raízen divulga nota sobre operação contra cartel de combustíveis

Após a deflagração da operação conjunta da Polícia Federal, do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) contra um suposto cartel de combustíveis no Distrito Federal (DF), a Raízen, que é licenciada da marca Shell no Brasil, emitiu comunicado. A Shell é uma das seis companhias que foram alvos da operação, ao lado da BR Distribuidora, da Ipiranga e das redes de postos Cascol, JB e Gasolline. Foram cumpridos, nesta terça-feira, 24, pelos policiais federais 44 mandados de busca e apreensão, além de sete mandados de prisão temporárias de dirigentes e de condução coercitiva de integrantes das empresas.

A nota da Shell, encaminhada pela assessoria de imprensa da Raízen, é a seguinte: "A Raízen, licenciada da marca Shell no Brasil, informa que na manhã desta terça-feira, 24 de novembro, teve um de seus funcionários encaminhado à Polícia Federal para esclarecimentos referentes à Operação Dubai, já tendo o mesmo sido liberado. A empresa, joint venture entre Cosan e Shell, esclarece que age sempre de acordo com a lei, prezando pela ética no relacionamento com todos os seus públicos. Além de oferecer periodicamente treinamentos antitruste, investe ainda na criação de instrumentos de controle e aprimoramento no combate a práticas ilícitas, em capacitação de funcionários e parceiros em relação ao código de conduta e compliance. Tais treinamentos visam reforçar as boas práticas que devem permear todos os negócios e iniciativas da empresa. Desde já, a companhia se prontifica a colaborar com as autoridades no decorrer da investigação".

Segundo informações dos investigadores concedidas na manhã de ontem à imprensa, o cartel envolvia a combinação de preços de gasolina e do álcool, de forma a elevar os lucros das empresas no DF. De acordo com o Cade, os consumidores da região perderam entre R$ 800 milhões e R$ 1 bilhão por ano, desde pelo menos 2009, por conta do cartel. (Estadão 26/11/2015)

 

Produtores agora querem receber por energia gerada da palha da cana

Em meio a uma tímida retomada do setor sucroenergético, produtores canavieiros rurais agora querem receber das usinas uma remuneração pela geração de energia elétrica obtida por meio da queima do bagaço da cana-de-açúcar.

O tema já era discutido internamente por produtores nos últimos anos, mas a crise do setor impedia o avanço das conversas. Agora, no entanto, será levado a público num seminário nesta quinta-feira (26) em Sertãozinho —cidade do interior paulista que tem economia totalmente voltada à indústria canavieira.

O objetivo é discutir a viabilidade de incluir essa remuneração no pagamento aos produtores e, também, saber quanto vale o bagaço de cana.

Embora tenha vivida um momento melhor, graças ao aumento da Cide cobrada na gasolina, que deixou o etanol mais competitivo, o setor ainda tem dificuldades em vista. Tem dívida acumulada de R$ 80 bilhões, mais que uma safra global inteira (estimada em R$ 65 bilhões) e viu 60 usinas paralisarem as atividades e 300 mil empregos serem perdidos desde 2008.

Houve ainda outras mudanças tributárias que favoreceram o etanol. Em Minas, por exemplo, o governo reduziu o ICMS do álcool, o que fez o setor ganhar novo fôlego neste ano. Graças a isso, fala-se inclusive de uma possível retomada dos investimentos na área.

O setor comemorou, na semana passada, os 40 anos do Proálcool.

Para Manoel Ortolan, presidente da Canaoeste (associação dos plantadores de cana do Oeste de SP) e da Orplana (organização dos plantadores do centro-sul), os produtores decidiram lutar pela remuneração da biomassa por entenderem que "já há um grande número de unidades de cogeração e outras que não cogeram, mas vendem o bagaço para outras empresas".

"Queremos entender melhor as questões relativas à biomassa e o evento [seminário] é um começo para isso. Daí a cogitar de valores vai um longo caminho a ser percorrido", afirmou.

A ideia é que a energia entre nos cálculos do Consecana (Conselho dos Produtores de Cana de São Paulo). No conselho, os preços pagos pela cana levam em conta custos dos produtores e das indústrias e o resultado final das vendas de açúcar e etanol nos mercados interno e externo. Após análise desse conjunto de fatores, é definido o valor a ser pago pela tonelada de cana –hoje em R$ 53.

De acordo com Ortolan, os produtores querem saber se as usinas têm condições de pagar algum valor neste momento, em que ainda enfrentam crise. "Precisamos de estudos que nos digam da possibilidade. Nesse sentido, vamos procurar entender e avaliar a questão não só do bagaço como da palha da cana", disse.

Hoje, cerca de 170 usinas geram energia elétrica a partir do bagaço da cana no país. A primeira foi a São Francisco, na própria Sertãozinho, em maio de 1987.

UNICA: POSSIBILIDADE

Para Antonio de Padua Rodrigues, diretor-técnico da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), o assunto não está sendo tratado na entidade, mas "provavelmente" vai existir um mercado de palha de cana que será remunerado de alguma forma para a produção de energia ou etanol de segunda geração.

"Tem que ser discutido dentro do Consecana, não externamente. Não sei do que vão falar. A palha, sem dúvida alguma, vai ser um mercado. Temos de ver o que [produtores] querem, o que preferem, e discutir dentro do Consecana, não isoladamente", disse ele, que considera a discussão "muito inicial".

Já para Celso Torquato Junqueira Franco, presidente da Udop (União dos Produtores de Bioenergia), a demanda dos produtores é antiga e justa, pois a energia elétrica era um produto inexistente no passado na cadeia produtiva.

"Nosso potencial de geração de energia do bagaço da palha da cana atual é equivalente a 18% da energia no país. É muito próximo ao volume que as termelétricas geraram nos últimos dois anos de forma ininterrupta, mas a um custo ambiental e econômico altíssimo", disse. (Folha de São Paulo 26/11/2015)

 

Açúcar: Avanço técnico

Os contratos futuros do açúcar refinado ganharam terreno ontem na bolsa de Londres com base em ajustes técnicos, em um dia de liquidez baixa, já que não houve negociação do açúcar demerara na bolsa de Nova York.

Os papéis para maio de 2016 fecharam a US$ 405,9 a tonelada, elevação de US$ 1,40.

Os preços do açúcar refinado têm mantido uma diferença de US$ 75 a US$ 85 por tonelada a mais em relação aos valores do açúcar demerara na bolsa americana, acompanhando o "rally" recente.

"O diferencial já esteve mais forte no ano, mas é um patamar bom para as refinarias e mostra que açúcar branco encontra demanda", afirmou Bruno Zanetti, da FCStone.

No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal teve ligeira alta de 0,05%, para R$ 77,91 a saca de 50 quilos. (Valor Econômico 27/11/2015)

 

Como Esteves tentou forçar o silêncio do Relatório Reservado

André Esteves sempre foi um vencedor, mas não necessariamente um bom desportista. Quando contrariado, o banqueiro tentou invariavelmente pressionar o Relatório Reservado. Em abril deste ano, entrou com uma ação na Justiça com o claro propósito de coagir, da pior maneira, a publicação e evitar a divulgação de novas informações eventualmente avessas aos seus interesses.

No processo, além de um pedido de indenização na casa dos seis dígitos, Esteves evocou a figura do crime contra o Sistema Financeiro Nacional, com menção à possível reclusão de dois a seis anos, o que tornou ainda mais flagrante o objetivo de constranger a newsletter. O RR jamais fez menção ou levantou qualquer dúvida em relação à saúde financeira do BTG.

Muito pelo contrário. Uma busca no site da publicação revela uma série de notas e matérias vinculando o banco a importantes negociações de M&A ou a investimentos na área de private equity. Em todos os casos, ressalte-se, o RR abriu espaço para o posicionamento da instituição, que, na maioria das vezes, optou por não se pronunciar. Agora, sabe-se por quê.

No processo, André Esteves faz menção fundamentalmente à matéria veiculada na edição de 27 de março,com o título “Esteves mergulha nas águas viscosas da Petrobras”. O banqueiro questionou a veracidade de informações que, hoje, à luz dos fatos, no mínimo são objeto de averiguação da força-tarefa da Lava Jato, como a compra de 50% de uma série de blocos de óleo e gás da Petrobras na África.

Em sua defesa, Esteves afirmou que pagou o “nada módico” preço de US$ 1,525 bilhão. Depende do ponto de vista. Há fartas evidências de que os ativos foram sub-apreciados, inicialmente, os blocos estavam avaliados em US$ 7 bilhões.

Curiosamente, deve-se dizer, tais operações estavam sob a esfera da diretoria internacional da Petrobras, no passado recente ocupada por Nestor Cerveró, personagem central dos fatos que levaram a Justiça a decretar a prisão de André Esteves.

A operação lembra, por vias tortas, o caso da refinaria de Pasadena, pois o contrato permitia a Esteves abandonar o negócio sem aportar os investimentos acordados. André Esteves contestou também informações relacionadas à compra de postos da BR Distribuidora pela Derivados do Brasil (DVBR).

Como não poderia negar a existência da operação, o banqueiro procurou o expediente do diversionismo ao dizer que a DVBR “não integra o Grupo BTG” e é controlada pela “BTG Alpha, companhia de um grupo de acionistas do BTG Pactual”.

Neste ponto, o banqueiro tentou fazer crer que a publicação creditava ao BTG Pactual a participação no episódio, como se tal associação colocasse em risco a credibilidade da instituição financeira. Só que em nenhum momento o RR atribuiu o negócio ao banco, mas, sim, ao próprio Esteves.

O banqueiro negou também qualquer relação com o doleiro Alberto Youssef, desmentindo todos os veículos de comunicação do país.

O RR não se jacta do desenrolar dos fatos e, como todos, espera que as denúncias relacionadas à Lava Jato sejam investigadas a fundo.

Diante das circunstâncias, apenas se sente no dever de esclarecer algumas questões, em respeito aos seus leitores e a sua própria história, prestes a completar meio século. André Esteves não precisa constranger um veículo jornalístico cuja função é produzir subsídios para analistas argutos, a exemplo do que dizia o saudoso ex-ministro Mario Henrique Simonsen. O banqueiro sempre foi um vencedor. Ao menos até ontem. (Jornal Relatório Reservado 27/11/2015)

 

Após dificuldades, setor sucroalcooleiro se recupera, diz Alckmin

O governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), afirmou nesta quinta-feira, 26, que o setor sucroalcooleiro do Brasil está passando por uma recuperação, depois de anos de dificuldades. Ele concedeu rápida entrevista, antes do início do Summit Agronegócio Brasil 2015, realizado pelo jornal O Estado de S. Paulo, com patrocínio da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp).

"O setor sucroalcooleiro está se recuperando agora depois de ter passado por grandes dificuldades nos últimos anos", disse o governador. Ele salientou também a recuperação no setor de laranja. "Para São Paulo é muito importante, pois o Estado é o maior pomar cítrico do País."

Alckmin disse, ainda, que, na atual crise brasileira, o agronegócio tem sido uma exceção. "No momento de crise e dificuldades, o setor do agronegócio é o que tem trazido boas notícias", comentou o governador. O evento ocorre na capital paulista. (Agência Estado 26/11/2015)

 

Mercado vê primeiros negócios de exportação de açúcar da Índia em 2015/16

Um pequeno volume da primeira exportação de açúcar bruto da Índia na temporada 2015/16 já deve ter sido contratado para carregamento no início de 2016, disseram nesta quinta-feira fontes do mercado na Europa.

O mercado global de açúcar está em busca dos primeiros sinais de vendas de açúcar bruto indiano antes das autoridades publicarem a confirmação oficial de incentivos visando exportações em 2015/16 de pelo menos 3,2 milhões de toneladas.

Ainda não houve nenhuma confirmação oficial de qualquer vende de açúcar bruto da Índia para a exportação, mas negociantes disseram que havia comentários no mercado sobre 100 mil a 150 mil toneladas do produto sendo exportadas para refinarias no Iraque e em Bangladesh.

"Eu acho que as coisas (açúcar bruto) estão se conectando", disse um operador sênior. "Acima de 15 centavos de dólar por libra-peso parece interessante."

O açúcar bruto na bolsa de ICE, nos EUA, fechou a 14,91 centavos na quarta-feira, depois de tocar máxima de 10 meses, a 15,78 centavos na terça. Os mercados da ICE estão fechados nesta quinta devido ao feriado de Ação de Graças nos EUA.

Operadores disseram que a alta volatilidade do açúcar bruto na ICE está dificultando o fechamento de negócios de usinas indianas em busca de exportações. "As usinas indianas precisam ser ágeis e elas não são boas nisso", disse um operador.

Negociantes disseram que negócios físicos de açúcar do centro-sul do Brasil estão sendo corriqueiros esta semana, com ofertas para pronta entrega de açúcar bruto do Brasil entre 50 e 70 pontos abaixo do contrato março da ICE.

Operadores estimaram que o açúcar refinado do Brasil em contêineres está sendo negociado entre 5 a 6 dólares acima do contrato março do açúcar branco na ICE, em uma semana de poucos negócios.

"A produção de açúcar refinado está consideravelmente reduzida este ano no centro-sul do Brasil", disse uma fonte do mercado na Europa, citando o clima chuvoso no país, que reduz a capacidade de conversão de cana em açúcar refinado. (Reuters 26/11/2015)

 

Medidas na Índia e dólar seguram contratos de açúcar em NY

Os contratos futuros de açúcar demerara na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) voltaram a ceder ontem, pela segunda sessão consecutiva. Entre outros fatores, notícias baixistas na Índia e o fortalecimento do dólar ante outras moedas derrubaram as cotações. A bolsa ficará fechada hoje, por causa do feriado de Dia de Ação de Graças nos Estados Unidos, retomando negócios amanhã.

O analista João Paulo Botelho, da INTL FCStone, informa que os futuros de demerara são pressionados em grande parte por causa das notícias de que o governo da Índia vai conceder subsídios aos produtores de cana-de-açúcar. A expectativa é ajudar as usinas a reduzirem os custos de produção, o que pode elevar a competitividade do açúcar indiano no mercado global.

Há relatos de que os produtores indianos realmente estão aumentando a venda de lotes da matéria-prima para as usinas. Ao mesmo tempo, as indústrias do país estariam fixando preço na Bolsa. A Índia é o segundo maior produtor mundial de açúcar, atrás apenas do Brasil, com 27 milhões a 27,5 milhões de t.

Outro fator negativo para o mercado é o fortalecimento do dólar em relação a outras moedas, "embora nos últimos pregões a divisa dos EUA não tenha apresentado uma correlação muito forte com os futuros de açúcar", observa Botelho. A moeda norte-americana foi puxada ontem por sinais positivos emitido pela economia dos EUA. No Brasil, o dólar disparou acima de R$ 3,80, impulsionado pelas notícias de prisão do senador Delcídio do Amaral (PT-MS), líder do governo no Senado, e do banqueiro André Esteves, presidente do BTG Pactual, dentro da Operação Lava Jato.

Indicadores técnicos também estariam pressionando o mercado de demerara. O vencimento março/16 em Nova York chegou a romper ontem 14,85 cents. Outro suporte está em 14,47 cents. A resistência é de 15,13 cents e 15,50 cents.

Botelho pondera, no entanto, que os contratos têm fatores positivos, como a possibilidade de menor oferta do produto no Centro-Sul do Brasil. "O El Niño se mostra como um dos mais fortes dos últimos anos, provocando chuvas acima do esperado no Centro-Sul do País", diz Botelho. "As usinas que pretendiam esticar a moagem de cana até o fim de dezembro e início de janeiro foram atrapalhadas pelas chuvas", lamenta.

Entre outras notícias, o presidente da Organização dos Plantadores de Cana da Região Centro-Sul do Brasil (Orplana), Manoel Ortolan, disse ontem que as chuvas constantes sobre os canaviais podem antecipar o fim da atual safra e adiantar o início da colheita da safra 2016/17. Com a colheita prejudicada pelas chuvas, o planejamento atual de várias usinas é o de continuar a moagem da cana durante janeiro e fevereiro do próximo ano.

Os futuros de açúcar em Nova York trabalharam no terreno negativo em boa parte do pregão ontem. O vencimento março/16 encerrou em leve queda de 0,60% (9 pontos), a 14,91 cents. A máxima foi de 15,13 cents (mais 13 pontos). A mínima bateu 14,66 cents (menos 34 pontos).

O valor à vista em reais do indicador do açúcar Esalq fechou a R$ 77,87/saca (+0,26%). Em dólar, o preço ficou em US$ 20,76/saca (-1,19%). (Agência Estado 26/11/2015)

 

Indonésia projeta aumento de 4% na importação de açúcar bruto em 2016

A Indonésia deverá necessitar de importação de 3,22 milhões de toneladas de açúcar bruto em 2016, disse nesta quinta-feira o diretor-geral do Ministério de Agricultura e Indústria, Panggah Susanto, ante uma meta de importações de 3,1 milhões de toneladas de importações para este ano.

A autoridade não explicou as razões para a elevação anual.

Mais cedo nesta quinta-feira, o ministro de Comércio da Indonésia, Tom Lembong, disse que o país havia importado 2,64 milhões de toneladas de açúcar bruto até novembro, mas havia emitido permissões para importação de 3,1 milhões de toneladas. (Reuters 26/11/2015)

 

Economia fraca afeta consumo de combustíveis

Apesar de uma frota de carros 6% maior no país na comparação com o ano passado, o consumo de combustíveis do chamado ciclo otto, basicamente compreendido por etanol hidratado e gasolina C, começa a mostrar um recuo mais consistente na comparação com o desempenho de 2014. A combinação entre a desaceleração da economia e preços de combustíveis até 30% mais elevados no ano deve fazer com que esse mercado, até então com taxas de crescimento robustas, tenha avanço mais tímido ou até retração.

A expectativa é que a queda das vendas a partir de agora seja puxada pelo etanol, cujos preços subiram neste ano 30% ao consumidor final ante 19% da gasolina. Os dados se referem aos preços médios dos dois produtos nos postos do Estado de São Paulo apurados pela Agência Nacional de Petróleo (ANP).

O consumo de hidratado, que em outubro ficou no patamar de 1,7 bilhão de litros, tende a recuar em novembro e dezembro para níveis de 1,3 bilhão a 1,4 bilhão de litros, conforme estimativas de traders. As projeções são de que esse volume mensal vai cair no primeiro trimestre do próximo ano a 1,1 bilhão de litros, patamar adequado para fazer frente à oferta prevista, segundo especialistas.

Até agora, a queda na comercialização dos combustíveis do ciclo otto está sendo provocada pela gasolina, cujas vendas acumulam retração de 7% no país até outubro. Em agosto, as vendas combinadas de gasolina e etanol hidratado equivalente (considerando que o etanol tem 70% do rendimento da gasolina) foram 1,2% menores do que em igual mês de 2014, conforme dados da ANP. Em setembro, esse recuo se aprofundou para 2% e, em outubro, caiu 3,1%.

Conforme traders, a expectativa é de que, em relação a outubro, as vendas de etanol no mês de novembro sejam 10% menores. O declínio do etanol deve empurrar o ciclo otto para uma queda mensal de 3,5%, afirmam especialistas.

No acumulado deste ano até outubro, o saldo ainda é de crescimento de 1% nas vendas (em termos equivalentes) dos dois combustíveis no país. Até dezembro, esse percentual deve permanecer em 1%, na projeção do Sindicom. Se for confirmado, esse aumento, apesar de ainda positivo, está muito aquém dos patamares de 6% dos anos anteriores.

Os desaquecimento do mercado de combustíveis começou em fevereiro deste ano, após um aumento dos preços da gasolina e do retorno de cobrança da Cide sobre o derivado fóssil. Antes disso, em janeiro, um motorista do Estado de São Paulo gastava, em média, R$ 174,18 para encher o tanque de seu veículo (considerando uma capacidade de tancagem de 60 litros), dados os preços médios da gasolina apurados pela ANP. Na última semana, esse gasto já havia superado os R$ 200, alcançando R$ 207,48.

Por isso, nos últimos meses, os consumidores iniciaram uma forte migração da gasolina para o etanol hidratado, seu concorrente direto no mercado de carros flex. Conforme dados da ANP, de janeiro a outubro, as vendas do biocombustível acumulam alta de 42,5%, sendo que, somente em outubro, o volume atingiu o maior nível do ano (1,7 bilhão de litros), 44,60% de alta na comparação com o mesmo período de 2014.

"O que vem acontecendo é que a relação favorável do etanol sobre a gasolina vinha se reduzindo e, agora em novembro, deixou de existir nos principais Estados consumidores", disse o diretor do sindicato que representa as distribuidoras do país (Sindicom), César Guimarães.

O fato é que abastecer com etanol também está mais caro. Desde janeiro, o motorista do Estado de São Paulo está pagando 30% mais para encher o tanque com o produto, em janeiro eram R$ 114 e, na última semana, estava em R$ 149,43, conforme dados da ANP.

É difícil no atual cenário econômico e político projetar o que vai acontecer com o consumo, avalia o diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires. "Já estamos com inflação de dois dígitos, com aumento forte de despesas básicas, como energia elétrica. Pode ser que o brasileiro passe a deixar o carro mais em casa, pois ele tem alternativa. O transporte público é ruim, mas existe", analisou.

Já para as usinas produtoras de etanol, Pires vê um cenário positivo, ainda que as vendas não cresçam. "O preço da gasolina vai ter que subir de novo por causa do rombo da Petrobras e a margem do etanol vai continuar aumentando", avalia o diretor do CBIE. (Valor Econômico 27/11/2015)

 

Com Argentina 'de volta ao jogo', 2016 será desafiador, diz presidente da Bunge Brasil

Para Raul Padilha, nova política proposta por Mauricio Macri deverá impulsionar a produção de grãos na Argentina.

"O próximo ano vai ser mais desafiador para os produtos agrícolas brasileiros porque vamos ter Argentina de volta ao jogo", afirmou nesta quinta-feira o presidente da Bunge Brasil, Raul Padilla, antes do início do Summit Agronegócio Brasil 2015, realizado pelo Estadão, com patrocínio da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), em São Paulo.

Para Padilla, os estoques argentinos de grãos devem chegar ao mercado no curto prazo e, em 2017, a nova política proposta pelo presidente eleito no último domingo (22), Mauricio Macri, deverá impulsionar a produção do país, principalmente, de soja e milho.

Sobre o efeito do dólar no próximo ano, Padilla disse que não é possível prever como será o comportamento do câmbio e como isto afetará a comercialização.

Em relação ao setor sucroenergético, o presidente da Bunge Brasil acredita que os preços do açúcar estão entrando em um novo cenário de alta. As cotações internacionais do produto devem se manter no nível registrado nos últimos dias. Segundo ele, a elevação das cotações decorre, principalmente, de questões climáticas que devem influenciar a produção de cana-de-açúcar em importantes regiões produtoras, como Brasil, Tailândia e Índia. (O Estado de São Paulo 26/11/2015)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Avanço técnico: Os contratos futuros do açúcar refinado ganharam terreno ontem na bolsa de Londres com base em ajustes técnicos, em um dia de liquidez baixa, já que não houve negociação do açúcar demerara na bolsa de Nova York. Os papéis para maio de 2016 fecharam a US$ 405,9 a tonelada, elevação de US$ 1,40. Os preços do açúcar refinado têm mantido uma diferença de US$ 75 a US$ 85 por tonelada a mais em relação aos valores do açúcar demerara na bolsa americana, acompanhando o "rally" recente. "O diferencial já esteve mais forte no ano, mas é um patamar bom para as refinarias e mostra que açúcar branco encontra demanda", afirmou Bruno Zanetti, da FCStone. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal teve ligeira alta de 0,05%, para R$ 77,91 a saca de 50 quilos.

Café: Queda em Londres: As cotações do café robusta recuaram ontem na bolsa de Londres ante sinais de oferta elevada do grão, apesar da baixa liquidez, já que não houve pregão em Nova York em decorrência do Dia de Ação de Graças. Os lotes para janeiro caíram US$ 14, para US$ 1.518 a tonelada. O mercado foi pressionado pelas entregas do robusta no mercado físico referentes aos papéis de novembro, segundo a Corretora Terra Investimentos. As cotações do robusta foram pressionadas nos últimos dias após o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) prever aumento de 7% na safra 2015/16 do Vietnã, para 29,3 milhões de sacas e um avanço de 20% na safra da Indonésia, para 10,6 milhões de sacas. No mercado interno, o café de boa qualidade oscilou entre R$ 490 e R$ 500 a saca de 60,5 quilos, segundo o Escritório Carvalhaes.

Cacau: Alta modesta: As cotações do cacau fecharam com valorização apenas marginal ontem na bolsa de Londres. Os lotes para março subiram 1 libra, cotados a 2.263 libras por tonelada. Os investidores ajustaram posições com a proximidade da entrega do primeiro contrato na bolsa, que vence em dezembro, segundo Thomas Hartmann, da TH Consultoria. Os traders estão divididos entre a projeção de déficit global de oferta de 150 mil toneladas, da Olam International, e os sinais positivos da produção no oeste da África. Em breve a região começa a receber os ventos Harmattan, como costuma ocorrer nesta época, o que pode aumentar a volatilidade do mercado. Em Ilhéus e Itabuna, o preço da amêndoa seguiu em R$ 145 a arroba, de acordo com a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Suíno: Reação no Sul: As cotações do suíno vivo reagiram em alguns Estados nos últimos dias, mas seguem abaixo dos patamares do ano passado, conforme acompanhamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq). No Paraná, o suíno foi negociado ontem a R$ 3,63 o quilo, acima dos R$ 3,60 registrados na quinta-feira da semana anterior, mais abaixo dos R$ 3,80 da mesma data do último ano. Em Santa Catarina, suíno vivo foi cotado ontem a R$ 3,50 por quilo, ante R$ 3,45 na quinta­feira. Já na mesma data de 2014, o suíno era negociado a R$ 3,75 o quilo no Estado. De acordo com o Cepea, o poder de compra dos suinocultores catarinenses está menor neste ano, já que o gasto com insumos, como energia elétrica, e com mão de obra vem subindo desde o ano passado. (Valor Econômico 27/11/2015)