Setor sucroenergético

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Maior consumo de etanol é apenas um alívio

Usinas têm ano favorável com alta de preço e do consumo de etanol, mas incertezas regulatórias travam retomada de investimentos.

O consumo de etanol hidratado está em patamares recordes e atingiu 1,75 bilhão de litros em outubro, 45% mais do que há um ano.

Os preços subiram 46% na porta das usinas desde o início de setembro, enquanto o reajuste nas bombas da cidade de São Paulo foi de 31% no mesmo período.

"É um pequeno alívio, mas não resolve os problemas do setor", diz Plinio Nastari, da Datagro, empresa especializada no setor.

O vigor da demanda e a assimilação dos preços pelos consumidores não animam, ainda, novos investimentos, segundo ele.

Etanol e açúcar estão em alta, mas as principais regras do setor ainda não foram definidas.

As incertezas regulatórias trazem insegurança para os investimentos, segundo Nastari. O setor tem de conhecer claramente a política fiscal do governo, que envolve Cide (o tributo sobre combustíveis) e a fórmula de reajuste da gasolina.

De qualquer forma, 2015 acabou sendo surpreendente para o setor. Aumento na mistura do etanol anidro à gasolina, alteração na Cide e mudanças no ICMS em vários Estados tornaram o etanol mais competitivo, empurrando o consumo para cima.

Nastari acredita que a tendência de alta nos preços do etanol ainda não se esgotou, apesar da crise econômica vivida pelo país.

O álcool ganhou a preferência de parte dos consumidores porque "pesa menos no bolso" na hora de encher o tanque.

EXPORTAÇÕES

Além disso, há um aquecimento nas exportações, principalmente devido às compras da China e da Índia.

Os chineses já compraram 301 milhões de litros de janeiro a setembro e devem terminar o ano com importações de 400 milhões de litros.

Para 2016, as estimativas indicam 700 milhões de litros. As compras dos chineses ocorrem porque eles querem substituir parte da gasolina pelo etanol, a fim de reduzir a poluição no país, segundo Nastari.

As exportações brasileiras de etanol, que estavam em 4,6 milhões de litros por dia útil em novembro do ano passado, atingem 8,5 milhões neste mês.

O país ganha em volume, mas perde em preço, que está 27% inferior ao de há um ano, de acordo com dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior).

Apesar da queda em dólares, as receitas dos exportadores são maiores em reais, devido à desvalorização da moeda brasileira.

Essa valorização do dólar dá também mais competitividade ao produto brasileiro.

FINAL AGITADO

Tanto etanol como açúcar recuperam preço e, por isso, o final da safra 2015/16 será agitado. Há muita cana ainda, e a moagem pode se estender para depois do Natal.

O volume de cana a ser moído é de 22 milhões a 24 milhões de toneladas. As chuvas fizeram o setor deixar de colher em 33,5 dias nesta safra, acima dos 25,7 do ano passado.

As usinas estão direcionando 58,8% da cana moída para a produção de etanol nesta safra que se encerra.

Na safra 2016/17, esse cenário não muda muito, com 57,5% da cana sendo direcionada para a produção do combustível. A cana ficará com 42,5%.

AÇÚCAR

O desempenho do açúcar poderá também dar um alívio ao setor. Na safra 2015/16 -que teve início em 1° de outubro de 2015 e vai até 30 de setembro de 2016, o déficit entre produção e demanda será de 2,6 milhões de toneladas de açúcar.

Apesar desse déficit, os preços não devem reagir muito graças à elevada relação estoque-consumo, que está em 48,5%.

Um patamar razoável nessa relação seria 41%. Abaixo desse patamar, o setor tem recuperação de preços, segundo Nastari.

O preço médio do litro do etanol hidratado na semana terminada em 20 deste mês esteve em R$ 1,7317 nas usinas, de acordo com levantamento do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada).

Já nas bombas dos postos da cidade de São Paulo, estava em R$ 2,512 no mesmo período, conforme pesquisa da Folha. (Folha de São Paulo 28/11/2015)

 

Biosev prevê elevar preço de açúcar

A Biosev, segunda maior produtora de açúcar e etanol do país, prevê elevar o preço médio de venda de açúcar da safra atual (2015/16) na medida em que os embarques ao exterior forem sendo realizados. "Esperamos ter uma evolução importante no preço. Há volumes a embarcar que estão expostos ao Consecana [conselho que define os preços pagos pela cana] e que devem elevar o preço médio atual", disse Rui Chammas, presidente da companhia.

Nos primeiros seis meses da atual safra (abril a setembro), a Biosev vendeu 1,107 milhão de toneladas de açúcar ao preço médio de R$ 1,003 mil por tonelada, 4,47% abaixo da média do mesmo período da temporada passada.

Já para o açúcar vendido no mercado futuro, via instrumentos de hedge, a companhia, controlada pela francesa Louis Dreyfus Commodities, informava que, em 30 de setembro, detinha contratos de venda de 1,595 milhão de toneladas de açúcar, ao preço médio de 41,54 centavos de real por libra-peso ­ considerando o hedge de açúcar na bolsa de Nova York e contratos de hedge cambial.

Esse preço médio está abaixo do registrado por outras companhias do segmento. A São Martinho, por exemplo, em 30 de setembro apresentava hedge médio de 49,17 centavos de real por libra-peso. No caso da Raízen, o valor foi de 44,2 centavos de real por librapeso. As informações constam dos balanços publicados por essas empresas.

A Biosev não informa em seu guidance sua projeção para a produção de açúcar em 2015/16. Mas, no ciclo passado, a companhia produziu 1,623 milhão de toneladas.

A investidores em São Paulo, o presidente da Biosev disse na sexta-feira que o açúcar entrou em um ciclo de alta no mercado internacional, após cinco safras de baixa, e que o retorno que o segmento no Brasil terá com essa fase positiva será prioritariamente direcionado para reduzir endividamento.

Em 30 de setembro, a dívida líquida da Biosev era de R$ 6,4 bilhões, o equivalente a 4,2 vezes seu Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização). O diretor financeiro e de relações com investidores da companhia, Paulo Prignolato, disse que a meta é reduzir esse nível para 2,5 vezes no prazo de 18 a 24 meses.

"Apesar de a alavancagem ter ido este ano a 4,2 vezes, o que ocorreu devido à forte valorização do dólar, até o fim da safra, em 31 de março, esse índice deve cair para níveis abaixo de 3,5 vezes, que é o teto dos nossos 'covenants'", afirmou Prignolato. O executivo lembra que, em 31 de março deste ano, o índice de alavancagem da empresa foi de 3,2 vezes. (Valor Econômico 30/11/2015)

 

Crise política ainda não "grudou" no agronegócio, diz Maggi

Os desdobramentos da crise política em Brasília, após a prisão do senador Delcídio do Amaral (PT-MS), ainda não causam problemas para o agronegócio brasileiro, importante setor da economia do país, afirmou o empresário do agribusiness e senador Blairo Maggi (PR-MT).

Segundo ele, o setor no momento está preocupado com o desenvolvimento da safra 2015/16 de soja, o principal produto da pauta de exportação do Brasil, diante de chuvas irregulares em Mato Grosso.

"Uma safra de soja de 100 milhões (de toneladas, um recorde no Brasil) ocorre apenas se tudo correr muito bem (de agora em diante), mas as coisas não começaram bem", disse Maggi em entrevista à Reuters na noite de quinta-feira, antes de receber prêmio de "maior produtor e exportador individual de soja" em jantar que marcou os 50 anos da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec).

Na temporada 2014/15, o Brasil colheu históricas 96,2 milhões de toneladas. Mato Grosso é o maior produtor brasileiro de soja, com cerca de 30 por cento da produção nacional.

O senador, da família proprietária do grupo Amaggi, um dos maiores da América Latina no ramo do agronegócio, ponderou que ainda é cedo para estimar o tamanho das perdas na safra de soja de Mato Grosso, onde a empresa possui várias de suas fazendas e operações industriais.

Mas ele destacou que a situação da lavoura é preocupante.

"Muitos produtores (de Mato Grosso) perderam a melhor época de plantio e vai ter muito replantio", afirmou ele, citando riscos para a produção.

O replantio de áreas perdidas pelo tempo seco também eleva os custos dos agricultores.

CRISE POLÍTICA

Segundo ele, o setor do agronegócio tradicionalmente não fica paralisado diante das crises políticas e econômicas, e não vai ser dessa vez que isso ocorrerá.

"(A crise política) não grudou no setor, mas teremos de observar quem está vendido e comprado (em soja) em reais versus dólares. Se o produtor ficou com soja na mão e com dívida em reais, ele está muito bem", afirmou Maggi, lembrando um dos aspectos positivos do dólar forte para a formação de preços na moeda brasileira.

Segundo Maggi, a agricultura não é como outros setores da economia, como o automobilístico, que podem parar a produção quando a situação econômica não vai bem.

"Não olhamos as crises no curto prazo", afirmou ele, ex-presidente da Anec, que confirmou à Reuters estar de mudança de partido, para o PMDB.

O dólar forte, comentou Maggi, tem sido um importante escudo para produtores brasileiros ante a queda dos preços internacionais da soja, cujo mercado está sendo afetado por grande oferta. (Reuters 27/11/2015)

 

São Paulo lança Frente Parlamentar em Defesa do Setor Sucroenergético

UNICA esteve presente à cerimônia que marcou o retorno de um grupo de discussões, análises e propostas para o setor no Estado, que é o maior produtor de cana-de-açúcar no mundo.

Com o objetivo de assegurar o espaço para o debate de temas de interesse da agroindústria sucroenergética, a Assembléia Legislativa de São Paulo lançou ontem (26/11) a Frente Parlamentar em Defesa do Setor Sucroenergético, em cerimônia que reuniu deputados estaduais, representantes de secretarias ligadas ao Governo do Estado e a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA).

A frente, que reúne 23 deputados estaduais, entre membros e apoiadores, pretende mobilizar esforços para que a força produtiva do Estado não corra riscos ainda maiores de se estagnar ou mesmo de se retrair por conta de falta de políticas estratégicas. Hoje, 67 usinas estão em recuperação judicial no Brasil, sendo 22 no Estado de São Paulo. Além disso, 80 unidades fecharam nos últimos sete anos em todo País, sendo 35 em SP.

“A UNICA está pronta para contribuir com o legislativo, com um diálogo que encontre soluções inteligentes e pragmáticas para o setor, em especial para os que enfrentam as dificuldades diárias de um segmento que teve muitas conquistas, mas que ainda conta com um grande potencial de recuperação e crescimento”, diz Elizabeth Farina, presidente da entidade.

O Secretário de Estado da Agricultura e Abastecimento de São Paulo, Arnaldo Jardim, também esteve presente à cerimônia e pontuou os avanços obtidos pelo setor por conta da atuação da Assembléia Legislativa. Uma das mais importantes foi a redução do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Bens de Serviços (ICMS) sobre o etanol para 12%, o que tornou a produção mais competitiva no estado.

Outra importante conquista da casa foi a proibição da queima de cana no Estado, o que mudou a dinâmica do setor com a mecanização de lavouras e o aproveitamento da palha de cana.  Também esteve presente à cerimônia o secretário João Carlos de Souza Meirelles, titular da pasta de Energia e Mineração de São Paulo e conhecido defensor do segmento. (Unica 27/11/2015)

 

Cortadores de cana que querem demissão com benefícios voltam ao trabalho em Pontal (SP)

Voltaram ao trabalho neste sábado (28) os 500 cortadores de cana que fizeram uma paralisação em Pontal (SP) reivindicando que a Usina Bazan os demita e garanta todos os direitos trabalhistas. Os trabalhadores encerram o movimento iniciado na sexta-feira (27), depois de uma reunião com o Ministério Público do Trabalho (MPT) e advogados da empresa.

Há anos, segundo eles, os trabalhadores acordam com os empregadores para que sejam demitidos sempre ao fim da safra e que recebam os benefícios. Porém, a empresa teria se recusado a assinar as dispensas porque o contrato assinado com os cortadores é por tempo indeterminado.

No encontro ficou definido que os cortadores de cana deverão ser demitidos pela usina até o dia 11 de dezembro, com o término do período de safra. Além disso, os trabalhadores deverão receber os direitos previstos em lei, como férias e fundo de garantia proporcionais, seguro-desemprego e 13º salário.

Na reunião também seria definido o número de trabalhadores que têm interesse em ser demitidos. A informação seria necessária, segundo o Sindicato Rural de Sertãozinho, para dar sequência a qualquer tentativa de acordo. Entretanto, a quantidade total de cortadores de cana que querem ser desligados não foi divulgada pela usina nem pelo MPT.

Segundo um dos representantes dos empregados, Aloísio Vieira, é pequena a quantidade de pessoas que querem continuar trabalhando na usina após a safra. "Na minha turma, de 45 peões, querem ficar só quatro", disse. "Os outros querem ir embora, mas não é bem assim, eles [usina] que têm que mandar embora".

Grande parte dos trabalhadores é do Nordeste e conta com os recursos para poder passar as festas de fim de ano com seus familiares. "Quero passar final de ano com minha família, não posso ficar aqui", disse o cortador Ivanildo da Silva Carvalho.

Paralisação

Os trabalhadores passaram a sexta-feira parados no ponto de distribuição da usina em Pontal pedindo para que sejam demitidos. Eles dizem que, normalmente, entram em acordo com a empresa para que sejam definidos no fim da safra.

No entanto, segundo cortadores como Claudecir Pereira de Souza, este ano a usina não quis proceder da mesma forma, apesar de ter dado essa garantia.

"O contrato é com prazo indeterminado, mas todo ano eles dispensam. Este ano eles não querem dispensar. Nós tínhamos dúvida se eles iam dispensar. No início do ano a gente foi lá e, antes de registrar no escritório, a gente perguntou. Eles falaram: vai, pode trabalhar certinho que no final do ano dispensa. Só que agora eles falaram que não dispensam", afirmou. (G1 30/11/2015)

 

BTG negocia venda da Rede D’Or e sócios mudam gestão do banco

Com a prisão de André Esteves mantida pelo STF, banqueiro será afastado dos cargos; venda da fatia de 12% na rede de hospitais deve render cerca de R$ 2 bilhões.

O BTG Pactual, na esteira da prisão de seu presidente e principal sócio, André Esteves, e do consequente derretimento de suas ações, está perto de fechar a venda de um dos seus principais ativos, a participação de 12% na rede de hospitais D’Or, para o GIC, fundo soberano de Cingapura, por cerca de R$ 2 bilhões. Além disso, os sócios do banco discutiam mudanças na gestão da instituição, com o afastamento de Esteves dos cargos de presidente do conselho e presidente executivo, após o Supremo Tribunal Federal ter decidido manter o banqueiro na cadeia, transformando a prisão temporária em prisão preventiva.

Pela configuração que era negociada no domingo, o atual presidente interino do BTG, Pérsio Arida, se tornaria presidente do conselho de administração. A presidência executiva ficaria com Marcelo Kalim ou Roberto Sallouti, sócios do banco. Outra possibilidade a ser discutida pelos sócios seria a compra da participação de Esteves no BTG.

A venda de ativos, como a participação na Rede D’Or, é uma das saídas encontradas pelo BTG para tentar se fortalecer neste momento. Desde a prisão de Esteves, na quarta-feira, as ações do banco caíram 26%, com perda de valor estimada em cerca de R$ 7 bilhões.

O GIC entrou na Rede D’Or em maio, ao comprar por R$ 3,2 bilhões uma fatia de 16%, em uma venda em que tanto o BTG quanto os fundadores, a família Moll, se desfizeram de participação. O BTG havia comprado 25,6% da rede de hospitais em 2010 (por R$ 600 milhões), mas, com dificuldades em sua área de private equity, começou a se desfazer de participações no início do ano. Em abril, o banco já havia tido a participação diluída no negócio quando outro sócio, o fundo de private equity americano Carlyle, investiu R$ 1,75 bilhão na D’Or e passou a ter 8,3% do negócio.

Fontes afirmaram que o Carlyle já teria manifestado interesse, nos últimos meses, em adquirir a participação do BTG no negócio, mas o GIC acabou saindo agora na frente por ter mais liquidez.

Decisões

A preferência pela negociação emergencial da participação na D’Or, segundo uma fonte com conhecimento do assunto, se dá exatamente pela capacidade financeira do fundo soberano GIC de tomar decisões rápidas. “Eles gostam do negócio, estão satisfeitos e têm condições de agir rapidamente”, afirmou a fonte. A Rede D’Or está presente sobretudo em São Paulo e no Rio, e tem uma cadeia de 27 hospitais próprios, além de ser responsável pela administração de outros dois empreendimentos.

Na área de negócios, a Rede D’Or é considerada o melhor ativo do BTG. O banco foi criticado por vários investimentos que se revelaram malfadados, como a Sete Brasil, empresa criada pela Petrobrás para gerenciar a construção de 28 sondas de exploração de petróleo e que acabou envolvida na Operação Lava Jato, e a BR Pharma, que passa por ajustes e pode exigir novos aportes por parte do banco. Há ainda a rede de lojas Leader, cujo negócio está sendo reestruturado com ajuda do consultor Enéas Pestana, ex-presidente do Grupo Pão de Açúcar.

Procurados, a Rede D’Or e BTG não comentaram o assunto. O GIC não retornou os pedidos de entrevista até o fechamento dessa edição. (O Estado de São Paulo 29/11/2015)

 

Chuva deve prolongar moagem da cana até fim do ano, diz Biosev

A moagem de cana-de-açúcar deve seguir até o fim do ano em algumas unidades da Biosev por causa do atraso causado pelas chuvas. Segundo o diretor presidente da companhia, Rui Chammas, o processo deve se estender até meados de dezembro no Centro-Sul e, especificamente em Mato Grosso do Sul, pode chegar até janeiro.

"Não temos planejamento de bisar (cana que não é colhida e fica no campo por mais de uma safra) muita cana este ano, se tiver, vai ser bem pouco", disse Chammas em coletiva com jornalistas, há pouco.

Segundo ele, apesar do El Niño ter provocado seca este ano no Nordeste e ter prejudicado a produtividade na região, algumas unidades foram beneficiadas por irrigação. Além disso, o desenvolvimento de plantas no Centro-Sul, principalmente na região de Ribeirão Preto (SP) e Leme (SP), superou as expectativas e, por isso, o guidance do início do ano está mantido. (Agência Estado 27/11//2015)

 

BNDES pode ter perdido R$ 848 mi com frigorífico JBS, aponta TCU

O Tribunal de Contas da União encontrou indícios de que o apoio do BNDES ao frigorífico JBS pode ter lesado o banco estatal em pelo menos R$ 847,7 milhões. Entre 2006 e 2014, a JBS recebeu R$ 8,1 bilhões para comprar companhias no exterior e se tornar uma gigante no setor de carnes. Em troca, o banco se tornou sócio da empresa.

A fatia da BNDESPar (empresa de participações) na JBS, que já foi de 33,4%, hoje é de 24,6%. Na mira do TCU estão três operações feitas entre 2007 e 2009 que totalizam R$ 5,6 bilhões.

A investigação se refere a valores que o banco não precisaria ter desembolsado. Em julho de 2007, a JBS comprou a americana Swift Food com R$ 1,137 bilhão liberado pelo BNDES. Segundo o relatório, o banco adquiriu ações da JBS com ágio de R$ 0,50 por ação, muito acima da média de mercado, levando a uma perda de R$ 69,7 milhões.

Em abril de 2008, o BNDES concedeu R$ 995,8 milhões para a JBS tentar comprar National Beef, Smithfield Beef e Five Rivers. O contrato estabelecia que o BNDES pagaria pelos papéis da JBS o valor médio dos últimos 90 pregões (R$ 5,90 por ação), já acima dos R$ 4,74 da Bolsa na época. A regra foi alterada para a média de 120 pregões, e o valor subiu para R$ 7,07.

Essa troca teria levado a um dano de R$ 163,5 milhões para o BNDES. Segundo o relatório, a operação era "arriscada" e foi aprovada em apenas 22 dias, ante uma média usual de sete meses.

A terceira operação foi a compra de debêntures (títulos de dívida) para a JBS adquirir a Pilgrim's Pride, nos EUA. Foi a grande tacada empresarial do grupo para se tornar uma gigante global.

Nesse negócio, fechado em 2009, o BNDES pode ter perdido duplamente. Para o TCU, há indícios de dano de R$ 266,7 milhões no cálculo do valor da ação e outros R$ 347,8 milhões pelo banco abrir mão de um prêmio de 10% quando converteu as debêntures em ações.

Em seu voto, o relator do processo, ministro Augusto Sherman Cavalcanti, disse que "recursos públicos foram aportados na JBS sem critérios de benefícios econômicos e sociais para o país".

Segundo ele, não há evidências de aumento consistente das exportações ou de empregos gerados no Brasil e, por isso, houve um "desvio" da função do BNDES.

Na quarta-feira (25), o TCU separou as investigações para aprofundá-las. AFolha apurou que o BNDES está em contato com o tribunal para explicar cada operação.

CRITÉRIOS DE MERCADO

O banco afirma que os valores definidos por ação seguiram critérios de mercado e definidos em contrato e as transações trouxeram ganhos de R$ 5,5 bilhões. O BNDES abriu mão dos 10% de prêmio porque estavam condicionados à abertura de capital da JBS nos EUA, onde o mercado estava em alta e o preço das ações poderia superar o valor contratado pelo BNDES. Se isso ocorresse, o banco teria de pagar a diferença à JBS.

Para mitigar o risco, o banco converteu o investimento em ações da JBS no Brasil por um preço mais baixo. Mas, ainda segundo esses técnicos, compensou a perda depois com a valorização dos papéis da companhia.

Se a empresa e o BNDES forem condenados, estarão sujeitos a multas e punições para os funcionários envolvidos. Além disso, o processo pode ser encaminhado para Ministério Público Federal e Polícia Federal investigarem.

OUTRO LADO

O BNDES e a JBS afirmam que as transações sob suspeita do TCU já renderam ao banco estatal mais de R$ 5 bilhões em lucro e fez os postos de trabalho na companhia saltarem de 20 mil para 120 mil entre 2006 e 2014, período dos aportes do banco no frigorífico.

Por meio de sua assessoria, o BNDES diz que está convicto da regularidade dos investimentos: "Eles foram realizados com rigor técnico, impessoalidade e precisão. Todos os aportes foram amplamente divulgados e comunicados, conforme regras da CVM, e de acordo com as melhores práticas de mercado".

Ainda segundo a instituição, os investimentos no JBS resultaram na criação de valor de R$ 5,5 bilhões, "desempenho relevante quando comparado à queda do Ibovespa [principal índice da Bolsa]".

No entanto, o banco aguardará o prosseguimento dos trabalhos do tribunal e, por isso, não quis comentar os detalhes específicos de cada transação sob suspeita.

Para o BNDES, o investimento na JBS coincide com uma política de apoio ao setor de carnes, que obteve avanços importantes.

O banco aponta que as exportações de carne bovina in natura aumentaram 85% (em valor) entre 2006 e 2014, o abate informal foi reduzido, o controle sanitário e rastreabilidade da carne ampliados.

Segundo o BNDES, houve aumento da renda dos produtores, o que permite formalização, aplicação de tecnologia na criação dos bovinos e melhor qualidade da carne.

Por meio de sua assessoria, a JBS informou que não teve acesso aos autos do processo de investigação do TCU porque o tribunal não está investigando a empresa.

Mesmo assim, a JBS reitera que todas as operações de investimento realizadas pela BNDESPar na companhia foram adequadamente publicadas, observando a legislação em vigor. (Folha de São Paulo 30/11/15)

 

Arnaldo Corrêa: Preço em reais pode limitar vôos mais altos

A semana foi encurtada em razão do feriado de Ação de Graças nos Estados Unidos. Ainda assim, o mercado de açúcar em NY fechou a semana em queda média de 8 dólares por tonelada ao longo dos meses de vencimento de março de 2016 até março de 2017. O pregão de sexta encerrou com o primeiro vencimento cotado a 14,97 centavos de dólar por libra-peso após ter quase encostado nos 15,80 centavos de dólar por libra-peso. Pelo fechamento de sexta em NY e a cotação do dólar do Banco Central, a sexta fechou a R$ 1312 por tonelada equivalente. Esse deve ser um limitador para voos mais altos.

Mais e mais usinas, principalmente aquelas que possuem estrutura financeira e operacional, estão fixando vendas de exportação de açúcar para 2017/2018. Explica-se: o real obtido via estruturas de NDF (contratos a termo de dólar com ajuste financeiro no vencimento) combinadas com a fixação de contratos de açúcar na bolsa de futuros em NY ao longo da curva que representa a safra 2017/2018 (maio de 2017 até março de 2018), dependendo da negociação, pode representar mais de R$ 1,500 por tonelada, preço altamente remunerador.

Se trabalharmos com um cenário de recuperação da credibilidade do Brasil no mercado internacional e o dólar em relação ao real despencar para – digamos – 3.3500, o açúcar em NY vai precisar negociar a 19,52 centavos de dólar por libra-peso para que sejam obtidos os mesmos R$ 1.500 por tonelada. Se o dólar, por sua vez chegar a 4.0000 naquele período (consideramos aqui o vencimento médio da safra), então NY vai precisar estar em 16,35 centavos de dólar por libra-peso. Em ambas situações, NY vai precisar subir mais de 500 pontos, na primeira, e perto de 200 pontos na segunda. As usinas podem fixar os valores mencionados e – se ainda houver algum resquício de preocupação – podem sempre comprar uma call (opção de compra) no preço de exercício que representa o ponto de equilíbrio dos valores em reais assumindo as assunções feitas acima. É uma excelente oportunidade de melhorar o resultado da empresa.

O preço médio do litro da gasolina no mercado internacional caiu para US$ 1,01 por litro. O valor justo do litro da gasolina A (pura, sem anidro) é de 3,8612 por litro. Para que a paridade seja mantida, dando competitividade ao etanol hidratado, o preço máximo deste é de 2,4200 na bomba. Se passar disso, reduz a competitividade, sinaliza uma diminuição do consumo do combustível, sinalizando ao mercado que mais cana será destinada a produção de açúcar.

O mercado tem trabalhado com números muito dispares no consumo de combustíveis apontando queda de consumo que não é verdadeira, pelo menos não por enquanto. Veja bem, até o mês de outubro, o total acumulado de doze meses de consumo de combustível Ciclo Otto, compreendendo o período de novembro de 2014 até outubro de 2015, somou 59,1 bilhões de litros. Esse número é 4,02% acima do mesmo anterior. Se compararmos o consumo de gasolina equivalente, no mesmo período, 53,9 bilhões de litros nos doze meses acumulados até outubro, que representa um aumento de 1,67% em relação a outubro do ano passado. Portanto, o consumo ainda não caiu. Mas, deverá cair.

O incremento de consumo de um período em relação ao anterior (doze meses) tem caído bastante, mas ainda é positivo. Nos últimos doze meses houve um incremento de consumo, Ciclo Otto, de 2.28 bilhões de litros. A participação do etanol no consumo é 47.9% enquanto a gasolina fica com 52.1%. Essa é a maior participação percentual do etanol no mix de consumo desde maio/2011.

Um executivo do setor comentava numa roda de amigos de um paradoxo do mercado observado por ele. As usinas com menor (ou nenhuma) condição financeira, cujo crédito com as tradings as impossibilitava de fazer hedge com muito tempo de antecedência ao embarque, estão agora usufruindo de melhores preços visto que o mercado melhorou substancialmente de dois meses para cá, em reais por tonelada. Ele, cuja empresa tem uma situação solida, conseguiu preços obviamente inferiores. Paradoxos da vida.

E os fundos, hein? Não acredito que liquidem suas posições vencedoras antes do final do ano. O spread março/maio continua firme e dificilmente assistimos os fundos liquidarem posição compradas num mercado invertido cujo spread, por exemplo, continua se apreciando. A conferir.

O Brasil de Lula, da organização criminosa travestida de partido político chamada PT e do governo mais medíocre da história do Brasil comandado arrogantemente pelo poste chamado Dilma Rousseff transformaram a República Federativa do Brasil no esgoto a céu aberto mais fétido do planeta. O canalhismo, o escárnio, o descaramento com os quais esses corruptos infames tratam o país não encontram paralelo na história contemporânea universal. Quebraram o país, quebraram a Petrobrás e continuam quebrando e destruindo tudo que lhes passa pela frente. Lula e o PT são a versão tupiniquim do Estado Islâmico. Agem como homens-bombas que diariamente explodem a dignidade dos cidadãos de bem deste país, metralham a ética com a relação promiscua que mantem com empresários bilionários, destroem reputações nivelando a todos por sua própria régua da canalhice e perseveram no objetivo abominável de assassinar as instituições democráticas brasileiras todos os dias. Até quando o Brasil resiste?

Arnaldo Luiz Corrêa é diretor da Archer Consulting. (30/11/2015)

 

Commodities Agrícolas

Café: Embarques vietnamitas: Os preços futuros do café arábica recuaram na sexta-feira na bolsa de Nova York diante de um aumento das exportações de café do Vietnã. Os papéis para março caíram 195 pontos, a US$ 1,2360 a libra-peso. Maior exportador de café robusta do mundo, o Vietnã embarcou neste mês 100 mil toneladas de café, 19% a mais do que na mesma época de 2014. O dado vem na contramão do cenário que vinha sendo traçado pelos analistas, segundo os quais os produtores vietnamitas estariam retendo as vendas. O mercado também foi pressionado pelas chuvas previstas para a região Sudeste do Brasil, que favorecem o desenvolvimento dos grãos para a próxima colheita. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o arábica registrou queda de 0,42%, para R$ 473,70 a saca.

Cacau: Novas projeções: Os preços do cacau fecharam com leve valorização na bolsa de Nova York na sexta-feira, quando várias organizações divulgaram projeções para a safra 2015/16, que começou em 1º de outubro. Os contratos para março subiram US$ 6, a US$ 3.310 a tonelada. A Organização Internacional do Cacau mudou sua projeção de déficit global de oferta de 15 mil toneladas para superávit de 36 mil toneladas. Já a consultoria VSA Capital projetou um déficit de 100 mil toneladas, enquanto o Rabobank calculou um déficit de 150 mil toneladas. Na safra global de 2014/15, houve um déficit de oferta de 75 mil toneladas. No mercado interno, o preço médio do cacau em Ilhéus e Itabuna se manteve em R$ 145 a arroba, de acordo com a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Algodão: Aperto nos EUA: Os futuros do algodão subiram na bolsa de Nova York na sexta-feira diante do avanço das vendas externas dos Estados Unidos e de previsões climáticas ruins para as plantações do país. Os lotes para março tiveram alta de 65 pontos e fecharam a 63,93 centavos de dólar a libra-peso. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) informou que as vendas líquidas da pluma na semana móvel até dia 19 alcançaram o maior volume para a safra atual, de 58,6 mil toneladas. Além disso, os traders tinham receio dos impactos da neve prevista para este fim de semana no sul dos EUA, onde se concentram as plantações de algodão do país e cuja colheita ainda não terminou. No mercado interno, o indicador Cepea/ Esalq para a pluma com pagamento em oito dias caiu 0,16%, para R$ 2,2533 a libra-peso.

Trigo: Vendas em baixa: A retração das exportações de trigo dos Estados Unidos em meio a estoques confortáveis derrubou os preços do cereal nas bolsas americanas no último pregão. Em Chicago, os contratos para março recuaram 8,50 centavos para US$ 4,79 o bushel. Em Kansas, onde se negocia o trigo de melhor qualidade, os papéis com igual vencimento caíram 5,50 centavos, a US$ 4,665 o bushel. Na semana até o dia 19, as exportações líquidas caíram 58% na comparação semanal e 23% ante a média das quatro semanas precedentes, para 303,7 mil toneladas. A alta do dólar também contribuiu para a queda das cotações, já que reduz a já abalada competitividade do trigo americano. No mercado doméstico, o preço no Rio Grande do Sul apurado pelo Cepea/Esalq caiu 0,88%, para R$ 622,26 por tonelada. (Valor Econômico 30/11/2015)