Setor sucroenergético

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Preços altos levam produtores a recomprar açúcar que seria exportado

Uma oferta mais apertada de açúcar branco e etanol no Brasil levou produtores do país a comprar de volta açúcar bruto que foi vendido a tradings para exportação, disseram operadores.

A demanda em alta por açúcar branco de baixa qualidade 150-ICUMSA e por etanol anidro no Brasil, disseram as fontes, incentivaram as recompras pelos produtores, ou "washouts" como são chamadas essas negociações.

"Eu ouvi falar desses negócios, realizados por alguns grupos de açúcar na região Centro-Sul nas últimas semanas", disse João Paulo Botelho, um analista de açúcar e etanol da INTL FCStone em Campinas.

O órgão de pesquisas de mercado agrícola Esalq, da Universidade de São Paulo, disse em um relatório semanal nesta segunda-feira que os preços domésticos do açúcar na semana passada estavam 15 por cento maiores que para exportações.

Um indicador semanal para o açúcar cristal teve média de 77,86 reais por saca de 50 kg, ante um equivalente de 67,25 reais por saca do contrato futuro para março da bolsa ICE, de Nova York.

As fortes chuvas em áreas de cultivo de cana no Centro-Sul desaceleraram a moagem e diminuíram a disponibilidade doméstica, reduzindo o conteúdo de açúcar na cana e aumentando os incentivos para a produção de etanol.

"As recompras de produtores são simples confirmações de que o suprimento de açúcar e etanol está apertado no período de preparação da entressafra no Centro-Sul do Brasil", disse o consultor da Agrilion Michael Liddiard.

"O mercado de exportações ainda está forte, mas há um limite para o que pode ser produzido."

Os últimos negócios físicos de açúcar bruto do Centro-Sul do Brasil para entrega imediata tiveram desconto de cerca de 63 pontos ante o primeiro contrato da bolsa ICE, comparado com um desconto de 70 pontos em meados de outubro.

O primeiro contrato do açúcar bruto na bolsa ICE foi negociado a 14,85 centavos de dólar por libra-peso nesta segunda-feira.

Um analista disse que o açúcar cristal, normalmente o açúcar branco 150-ICUMA --grãos grandes, com mais cor que o açúcar refinado 45-ICUMSA, foi o mais lucrativo no mercado doméstico, com preço equivalente a mais de 17 centavos de dólar por libra-peso.

Para produtores que não podem fabricar o açúcar cristal, o etanol anidro da cana estava pagando um pequeno prêmio sobre o açúcar de alta qualidade para exportação.

O analista disse que o etanol anidro é negociado ao equivalente a 14,8 centavos de dólar por libra-peso. (Reuters 30/11/2015)

 

Tempo para respirar nos canaviais

Os bons tempos, em que sobrava dinheiro, a lucratividade era garantida e atrai bilhões de dólares em novos investimentos não estão de volta, mas o certo é que a indústria sucroalcooleira brasileira voltou a respirar sem a ajuda de instrumentos. Segundo a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), o setor está comemorando, neste ano, uma safra recorde em sua história, com a moagem de 600 milhões de toneladas de cana, contra 571 milhões registradas em 2014. “Esta é uma safra mais alcooleira, com 60% da moagem destinada à produção de etanol”, afirma Antonio de Padua Rodrigues, diretor Técnico da UNICA. Segundo ele, graças aos preços mais competitivos do etanol, por conta do aumento do preço da gasolina, decorrente de incentivos do governo, como a cobrança do Pis/Pasep e da volta da Cide, imposto dos combustíveis, o setor retoma o fôlego, ainda que lentamente.

“Hoje, o etanol custa em muitas regiões o equivalente a 60% do preço da gasolina, o que o torna mais atrativo para os consumidores”, diz Padua. O aumento da demanda nos postos de combustíveis, se traduziu num crescimento médio de 50% no total de etanol comercializado neste ano, que passou de 1 bilhão para 1,5 bilhão de litros mensais. Também contribuíram para esse desempenho medidas adotadas pelos governos estaduais, como o de Minas Gerais, que reduziu a alíquota do ICMS de 20% para 14% e tributou a gasolina em 29%. “Resultado: o consumo de etanol no mercado mineiro mais do que triplicou, de 60 milhões para 200 milhões de litros mensais”, diz. “Em outras regiões, como Paraná, Mato Grosso, Goiás e até no Nordeste ocorreram estímulos semelhantes.”

Padua define o atual momento, como um período de alívio para a indústria, que entrou em colapso na esteira da crise mundial, em 2008 . “Parou de piorar”, diz. Um aspecto positivo é a perspectivas de melhora das cotações do açúcar, para a próxima safra, em função da diminuição dos estoques mundiais. “ A redução dos excedentes e o câmbio mais favorável criam melhores condições para o setor.”

No entanto, isso não significa a volta dos investimentos e a instalação de novas unidades de produção – acossadas por dívidas bilionárias, 80 usinas fecharam na região Centro-Sul e 67 estão em recuperação judicial. “As empresas precisam aproveitar essa melhora pontual para modernizar seus processos internos e aumentar a produtividade”, afirma. “Para termos um novo ciclo de crescimento do setor é preciso de uma política de preços consistente de governo, que garanta uma estabilidade das regras do jogo”. (Isto é Dinheiro 27/11/2015)

 

Raízen faz parceria com FGV para curso a fornecedores de cana

Com duração de um ano, o curso será focado na gestão empresarial de fazendas canavieiras.

A Raízen firma convênio com a instituição de ensino Fundação Getulio Vargas (FGV) e oferece, pela primeira vez, aos seus parceiros produtores de cana um curso focado na gestão empresarial de fazendas canavieiras. A parceria faz parte de um dos pilares do Programa Cultivar que visa a desenvolver o fornecedor de cana-de-açúcar, por meio de treinamentos relacionados à área agrícola, à gestão empresarial e à sustentabilidade. Com duração de um ano, o curso acontecerá no Centro Hermes, conveniado da FGV, localizada na avenida República, 4007, no município de Marília (SP).

Com aulas aos sábados, das 8hs às 16h10, totalizando aproximadamente 180 horas, a primeira turma conta com a participação de 35 parceiros, de diferentes regiões do estado de São Paulo, que tiveram interesse em participar do curso. Ministrado por diferentes docentes da Fundação Getulio Vargas, o programa do curso contempla desde a inserção internacional do agronegócio brasileiro até a elaboração de um projeto de negócios.

Esse é o primeiro curso oferecido pela Raízen em parceria com a FGV e o objetivo é expandi-lo a outros fornecedores que tiverem interesse. “Essa parceria reforça nosso compromisso com o desenvolvimento e capacitação de nossos parceiros. Além de promover uma experiência diferenciada, a iniciativa fortalece ainda mais os laços da companhia com a sustentabilidade dos elos da cadeia produtiva”, afirma Carlos Martins, diretor de negócios agrícolas da Raízen.

O Programa Cultivar, projeto inédito da Raízen no setor sucroenergético, consiste em oferecer aos parceiros produtores de cana da Raízen benefícios nas áreas de compras de insumos e equipamentos, crédito para financiamento agrícola, serviços, treinamentos e atendimento diferenciado. (Brasil Agro 01/12/2015)

 

Preço do açúcar atinge em novembro maior nível desde 2011/12, diz Cepea

O preço médio do açúcar cristal no spot paulista subiu 37% em novembro, ante igual mês do ano passado, e atingiu o maior patamar desde a entressafra da temporada 2011/12. Conforme cálculos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP), a média do Indicador Cepea/Esalq foi de R$ 76,33 por saca de 50 kg até 27 de novembro, valor também 17,5% maior que o de outubro (R$ 64,98/saca).

"Mesmo que o desempenho das vendas do cristal no correr deste mês tenha sido menor que o captado pelo Cepea em outubro, consequência do recuo de compradores, representantes de vendas das usinas mantiveram-se firmes nos valores de suas ofertas", diz o centro de estudos em relatório encaminhado ao Broadcast Agro.

"As chuvas ocorridas em alguns períodos do mês também fortaleceram a alta dos preços. Isso porque, além de interromperem a produção nas usinas, as precipitações tendem a restringir a oferta do açúcar cristal para o mercado spot, já que usinas priorizam a entrega de contratos", completa.

De acordo com dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), a produção atual de açúcar é 7,36% inferior à da safra anterior, totalizando 19,712 milhões de toneladas até a primeira quinzena de novembro.

Etanol

O Cepea informou também que os preços do etanol em São Paulo acumularam valorização de 6,2% em novembro, fechando a semana passada em R$ 1,7191 por litro. Para o anidro, houve aumento de 10,5%, encerrando o mês em R$ 1,9767 por litro. Os valores são sem impostos e referem-se ao produto retirado nas usinas paulistas. (Agência Estado 30/11/2015)

 

UNICA defende os diferenciais sustentáveis da cana-de-açúcar na COP 21

Evento reunirá 50 mil participantes de todo o mundo em torno de um acordo mundial pelo clima.

Os benefícios sociais, econômicos e ambientais decorrentes da produção sustentável da cana no Brasil, cuja matriz energética é considerada uma das mais limpas do planeta justamente graças à colaboração do etanol e bioeletricidade na redução das emissões de gases do efeito estufa, serão os principais temas abordados pela União da Industria de Cana-de-Açúcar (UNICA) na 21ª Conferência das Partes (COP-21), entre os dias 30 de novembro e 11 de dezembro, na cidade de Paris, França.

“A cana ocupa 16% da nossa matriz energética, ou seja, é a segunda fonte renovável mais usada no País, junto com a hidroeletricidade. Por conta deste diferencial, o Brasil está muito acima da média mundial de 13,2% no uso de energias limpas e renováveis”, ressalta a presidente da UNICA, Elizabeth Farina, que estará na capital francesa.

Aproveitando a presença maciça de representantes de ONGs, sociedade civil e autoridades de 195 países durante a realização da Conferência, a UNICA terá um estande especial no pavilhão principal do evento. No intuito de divulgar as contribuições positivas do setor sucroenergético brasileiro na luta contra o aquecimento global, tema central do encontro em Paris, o espaço terá a exibição de três vídeos que abordam as diferentes utilizações da cana como matéria-prima para a geração de energia elétrica renovável e de um biocombustível capaz de emitir até 90% menos CO2 quando comparado à gasolina.

Especificamente sobre o etanol, um dos vídeos irá mostrar os resultados positivos obtidos após 12 anos de uso do biocombustível em carros flex, que atualmente correspondem a 68% da frota de veículos leves em circulação no Brasil. De março de 2003 – ano de implementação da tecnologia no País, até maio de 2015, ao abastecer seu automóvel bicombustível, os brasileiros evitaram a emissão de mais de 300 milhões de toneladas de CO2. O valor corresponde aproximadamente ao que a Polônia libera por ano (317 milhões de toneladas de CO2), ou à soma do que emitiram Argentina (190 milhões t), Peru (53,1 milhões t), Equador (35,7 milhões t), Uruguai (7,8 milhões t) e Paraguai (5,3 milhões t) em um ano.

Em relação à geração de eletricidade renovável por meio da queima do bagaço da cana, um dos vídeos demonstra o imenso potencial adormecido nos canaviais brasileiros. Somente em 2014, o volume de energia ofertado para a rede foi equivalente a ter abastecido quase 10 milhões de residências no País, evitando a emissão de aproximadamente 8,3 milhões de toneladas de CO2 na atmosfera.

O público que visitar o estande da UNICA poderá responder a um QUIZ com questões relativas aos vídeos reproduzidos no local. Além disso, será possível obter informações institucionais da entidade por meio do sistema QR Code, códigos que podem ser lidos pelos celulares, o que substituirá a distribuição de materiais impressos, ação alinhada aos princípios sustentáveis da Conferência, que prega a utilização consciente dos recursos naturais.

Cana na INDC

Considerada uma das metas mais ambiciosas apresentadas para a COP 21, a Intended Nationally Determined Contributions (INDC) brasileira, que reúne compromissos assumidos pelo País no esforço de mitigar suas emissões domésticas de GEEs, contempla os produtos derivados da cana em diversos pontos. O plano apresentado pelo Governo no final de setembro deste ano prevê, até 2030, aparticipação de 18% de biocombustíveis e o etanol faz parte disso.

Também prevê um aumento de 10% para 23% no uso de energias renováveis (solar, eólica e biomassa) exclusivamente na matriz elétrica. De forma geral, nos próximos 10 anos o Brasil deverá cortar 37% das suas emissões de GEEs - com base nos níveis de 2005 -, com reais possibilidades de ampliar esta redução para 43% até 2030.

Na opinião da presidente da UNICA, embora a proposta reafirme a importância estratégica do etanol e da bioeletricidade para a “descarbonização” da matriz energética nacional, ainda falta ao País a adoção de políticas públicas que assegurem um novo ciclo de crescimento do segmento. “O mercado de etanol, por exemplo, terá um papel fundamental para que o Brasil atinja estas metas. Entretanto, para isso, o governo brasileiro precisa iniciar imediatamente um plano de longo prazo para que o setor volte a investir com segurança”, explica Farina.

Segundo um estudo feito recentemente pelo Agroicone, uma das alternativas para incentivar o retorno dos investimentos na indústria canavieira seria o aumento da Contribuições de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) que incide sobre a gasolina, passando dos atuais R$ 0,10/litro para R$ 0,60/litro. Na prática, essa medida ajudaria a diminuir em 1,14 bilhão de toneladas as emissões de CO2 de 2015 a 2030, evitando um adicional de emissões de GEE de 571 milhões de toneladas de CO2. O volume é equivalente a quase três vezes o total emitido pelo uso de combustíveis fósseis no setor de transporte brasileiro em 2012.

Agenda na COP

Além de possuir um estande próprio no espaço principal do evento, a UNICA participará de diversos eventos paralelos à Conferência relacionados às questões sobre clima e sustentabilidade. Um deles será a assinatura, em 8 de dezembro, do memorando de entendimento para fomentar o Protocolo Climático do Estado de São Paulo, uma iniciativa de adesão voluntária que estimula empresas e associações a reduzir a emissão de GEEs, com ações de adaptação às mudanças climáticas. (Unica 30/11/2015)

 

Justiça do trabalho confirma bloqueio de bens da Usina Maringá e de sócios

A Justiça do Trabalho confirmou o bloqueio dos bens da Usina Maringá, de Araraquara (SP), e de seus sócios conforme uma liminar que havia sido publicada em maio de 2014. A decisão inclui a fábrica, as fazendas no nome da empresa e de seus sócios e também a cana-de-açúcar que está plantada nas propriedades. O objetivo, segundo a decisão, é garantir o pagamento de verbas rescisórias. A companhia pode ainda recorrer da decisão no Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região.

A juíza de Ribeirão Preto, Márcia Cristina Sampaio Mendes, também ordenou o pagamento integral das verbas rescisórias devidas a todos os trabalhadores dispensados. E definiu o pagamento de indenização no valor provisório de R$ 300 mil, "sujeito a complementação". A ação civil pública, ajuizada na 1ª Vara do Trabalho de Araraquara, tem como autor o Ministério Público do Trabalho.

Segundo a Promotoria, em 2014, a usina chegou a entregar aos ex-empregados cheques sem fundo, prática pela qual a empresa foi condenada judicialmente em outra ação movida também pelo MP, que posteriormente resultou em conciliação.

O Broadcast Agro não conseguiu localizar a direção da empresa para comentar o assunto. (Agência Estado 30/11/2015)

 

Logística deficiente tira lucro do setor

Empresários e área governamental defendem maior participação da iniciativa privada para eliminar gargalos no escoamento da produção.

“O que ganhamos no campo devolvemos nos portos e terminais”, resumiu o presidente do Conselho da Cosan, Rubens Ometto, em sua palestra sobre logística no País, no Summit Agronegócio Brasil 2015. Tanto Ometto quanto os participantes do painel “Desafios da Logística” disseram que as deficiências neste segmento são o principal entrave para o desenvolvimento do agronegócio brasileiro. “Temos um malha ferroviária muito aquém do potencial. A prioridade inicial precisa ser terminar os investimentos que já tiveram início para que funcionem com eficiência e, num segundo tempo, começar a fazer os greenfields”, disse.

Para Ometto, um dos caminhos para impulsionar o setor é reduzir a intervenção governamental. “Não podemos ter um governo muito partícipe neste negócio. Eu acredito na livre iniciativa. Quando há isso você resolve boa parte dos problemas, não há corrupção, cada empresário é responsável pelas coisas que faz.”

Soluções imediatas

O diretor presidente da JSL Logística, Fernando Antônio Simões, também ressaltou o papel da iniciativa privada para explorar soluções que melhorem o escoamento da produção. “O governo tem responsabilidade, mas não esperemos a sua contribuição (para agir). Vamos melhorar o que já existe para obter soluções imediatas, e não de longo prazo”, afirmou.

Simões citou empresas que agiram para resolver gargalos de logística, como a Fibria, do setor de papel e celulose, que construiu terminais marítimos no sul da Bahia para transportar produtos ao Espírito Santo, e a Veracel, que atua no mesmo segmento e montou um porto a 60 quilômetros de sua nova fábrica em Porto Seguro (BA), retirando 75 caminhões/dia da rodovia BR-101. “Não há gargalo logístico que segure o desenvolvimento do País e a inovação da iniciativa privada.”

Simões citou, ainda, dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Os números indicam que, dos 30 mil quilômetros de malha ferroviária, 6 mil quilômetros operam com densidade inferior a um trem por dia. A média de velocidade dos veículos no Brasil é de 25 quilômetros por hora, ante 80 quilômetros por hora nos EUA. “Antes de projetos que exigem aportes bilionários e prazos extensos, a prioridade é melhorar a malha já existente”, destacou.

Assim como outros palestrantes, o presidente da Cosan, Marcos Lutz, argumentou que a iniciativa privada precisa agir para melhorar o escoamento da produção. Nessa linha, ele cita que a Rumo ALL, empresa do grupo, pretende investir R$ 7,4 bilhões até 2019. O montante se refere à renovação da frota de 5 mil vagões e 200 locomotivas, além da reforma de mais de 3 mil quilômetros de vias permanentes e construção de novos pátios.

Modais

Lutz reforçou, além disso, a necessidade de diversificar os modais brasileiros para melhorar a logística do agronegócio nacional, com ênfase no aumento da participação das ferrovias. E ressaltou: “Claramente o agronegócio será uma das principais forças para a economia brasileira nos próximos anos e um dos importantes pilares para sairmos da crise”. O presidente da Cosan estimou que o desperdício pelos gargalos logísticos no Brasil equivale a 5% do PIB nacional. Segundo ele, o custo médio do transporte de grãos no País é quatro vezes maior do que o de concorrentes, como Argentina e EUA. Como exemplo, afirmou que o transporte de 1 tonelada de grãos de Lucas do Rio Verde (MT) a Santos (SP) por rodovia custa R$ 310. “Basicamente. gastos em pneus, diesel e caminhões (depreciação) não pagam a conta das estradas de Mato Grosso, que ficam destruídas.” Em contraste, se o produto fosse transportado por caminhões até Rondonópolis (MT) e depois enviado via ferrovia ao porto, o custo seria de R$ 270 por tonelada.

Mato Grosso

O setor governamental deve ampliar parcerias com a iniciativa privada, sustentou o vice-governador de Mato Grosso, Carlos Fávaro (PSD-MT) em sua palestra. Segundo ele, atualmente, em seu Estado, há cinco concessões vigentes com empresários locais para melhoria de estradas que escoam a produção agrícola e pecuária – Mato Grosso é o principal produtor de soja do País. Uma alternativa, apontou Fávaro, que já foi presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado (Aprosoja-MT), é contar com o apoio dos próprios produtores para melhorar a logística das regiões em que atuam. “Não podemos esperar dinheiro de Brasília ou da China para melhorar Mato Grosso”, disse ele, acrescentando que, se o nível de pavimentação de estradas no País é de 25%, em MT esse índice cai para apenas 10%. “Temos um desafio gigante para melhorar as rodovias em Mato Grosso.” (O Estado de São Paulo 30/11/2015)

 

Commodities Agrícolas

Café: Pressão de oferta: Os contratos futuros do café arábica fecharam em queda ontem na bolsa de Nova York pressionados pelo aumento das exportações por parte do Vietnã e pelo clima favorável aos cafezais no Brasil. A alta do dólar em relação ao real também influenciou o mercado. Os contratos com vencimento em março tiveram recuo de 395 pontos, a US$ 1,1965 a libra-peso. As chuvas no Brasil, maior produtor mundial, foram mais intensas nas áreas antes mais secas. Outro fator baixista veio da Colômbia que estimou que sua produção pode ser a maior em anos. Além disso, o Vietnã, o maior produtor de grãos robusta, embarcou neste mês 100 mil toneladas de café, 19% a mais do que no mesmo período de 2014. O indicador Cepea/Esalq para o arábica ficou em R$ 465,53 a saca, queda de 1,72%.

Algodão: Realização de lucros: Após se valorizarem na sexta-feira, os futuros de algodão recuaram ontem diante de um movimento de realização de lucros. Os papéis com vencimento em março caíram 2,01%, ou 129 pontos, a 62,64 centavos de dólar por libra-peso. Na sexta-feira, os contratos de mesmo vencimento haviam subido 65 pontos, para 63,93 centavos de dólar a libra-peso, com o aquecimento das exportações dos Estados Unidos. O Departamento de Agricultura do país (USDA) havia informado que as vendas líquidas na semana até dia 19 atingiram o maior volume para a safra atual, de 58,6 mil toneladas. Além disso, havia receio sobre os impactos da neve na região sul dos EUA. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a pluma com pagamento em oito dias caiu 0,10%, para R$ 2,2510 a libra-peso.

Soja: Sinais pontuais: As cotações da soja subiram ontem na bolsa de Chicago, impulsionadas por sinais positivos em relação à demanda pelo grão produzido nos Estados Unidos, nos fronts doméstico e externo. Os contratos com vencimento em março fecharam em US$ 8,8325 o bushel, valorização de 7,75 centavos frente ao pregão de sexta-feira. Analistas realçaram, contudo, que não há motivos para esperar um movimento sustentável de recuperação, uma vez que a colheita americana é a maior da história e a relação global entre oferta e demanda segue muito mais confortável que nas últimas temporadas. No Paraná, a saca de 60 quilos da oleaginosa foi negociada, em média, por R$ 65,97, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura do Estado.

Milho: Demanda para etanol: Na esteira da valorização das cotações da soja e sustentados pela demanda maior do que a esperada para a produção de etanol nos EUA, os contratos futuros de milho com entrega para março encerraram o pregão ontem com alta de 5 centavos a US$ 3,7225 por bushel. De acordo com analistas, a demanda atual do grão para uso na produção de etanol está cerca de 5,97 milhões de toneladas (235 milhões de bushels) acima das estimativas oficiais. Ainda no que diz respeito ao etanol, a expectativa de que a Agência de Proteção Ambiental dos EUA divulgue hoje a previsão de uso anual de etanol na gasolina também contribuiu para a alta das cotações. No mercado do Paraná, o preço médio do milho ficou em R$ 24,14 por saca, estável frente a sexta-feira, conforme o Deral/Seab. (Valor Econômico 01/12/2015)