Setor sucroenergético

Notícias

Raízen está atenta a oportunidades de aquisições

A Raízen, joint venture entre Shell e Cosan, está atenta a oportunidades para realizar aquisições e fortalecer sua liderança na produção de etanol no Brasil, sinalizou seu presidente, Vasco Dias, em entrevista ao Valor. A empresa, que deverá faturar US$ 25 bilhões este ano, acredita que o mercado do biocombustível vai em algum momento passar por uma nova etapa de concentração no país. E confia que os planos do governo para reduzir emissões de gases de efeito estufa poderão estimular o segmento.

"Estamos alinhados e esperançosos com a política do governo para o futuro do etanol", afirmou Dias após acompanhar evento sobre as metas brasileiras para combater mudanças climáticas na CoP 21, em Paris. "A Raízen está atenta a oportunidades que permitam seu crescimento".

O executivo vê um cenário positivo para o crescimento de biocombustíveis em geral no Brasil, não só etanol, mas insiste que isso depende de investimentos básicos em infraestrutura e incentivos.

Pelos planos do governo, a participação dos biocombustíveis na matriz energética deverá aumentar de cerca de 30% para 50% até 2030, o que quase dobrará o volume de etanol hidratado e anidro.

Dias observou que a indústria do etanol ainda é muito fragmentada no Brasil. A Raízen, lider do segmento, tem 10% do mercado. "Acredito que, no futuro, haverá uma concentração maior do que a existente hoje na indústria sucroalcooleira (...) Ganha-se escala, mais eficiência e mais competitividade. Acho que isso vai acontecer, como aconteceu nas outras indústrias".

Conforme o executivo, não só a Raízen está atenta a oportunidades, como acredita que outros grupos também. Ele lembra que a petroleira Shell, que tem 50% da empresa, tem interesse no crescimento da Raízen porque acredita que o etanol é um combustível extremamente viável para a redução de emissões de gases de efeito estufa.

Conforme Dias, a Raízen investiu muito nos últimos anos, primeiro em capacidade de moagem, depois em cogeração e agora o foco está em tecnologia. "É a primeira empresa do mundo a colocar em escala comercial o etanol celulósico. Colocamos muito dinheiro nisso e vamos continuar investindo".

A expectativa é que o processamento de cana da empresa chegue perto de 70 milhões de toneladas nesta safra. O faturamento deve atingir cerca de US$ 25 bilhões este ano, 11% mais que em 2014. A Raízen também espera um aumento das exportações no futuro, já que o etanol brasileiro tem mercado crescente nos Estados Unidos e na Ásia. (Valor Econômico 03/12/2015)

 

Unica espera estímulo ao biocombustível

Para "estancar a sangria" que levou ao fechamento de 80 usinas e à recuperação judicial de outras 68 no Brasil, a indústria sucroalcooleira espera que o governo continue "desmontando" sua estrutura de controle de preços da gasolina e aumente a Cide que incide no derivado fóssil em níveis bem acima dos atuais R$ 0,10 por litro, afirmou a presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Elizabeth Farina.

A dirigente, que está na CoP 21, em Paris, destacou que as pequenas correções feitas no preço da gasolina neste ano, por exemplo, fizeram o etanol ganhar competitividade a ponto de o consumo de biocombustível ter aumentado 42%. "Se corrigido o preço e se uma Cide maior que R$ 0,10 for anunciada, haverá fôlego para o setor recuperar rentabilidade e estancar a sangria", afirmou.

A dívida acumulada das empresas sucroalcooleiras brasileiras chega a R$ 70 bilhões, sendo 40% em dólar. Empresas emitiram bonds no mercado internacional, no período de juros mais favoráveis, e com a guinada cambial passaram a ter uma pressão maior.

"A situação é muito grave para uma parte das usinas. Mas há empresas bem arrumadas, embora o custo dos recursos seja caro pela perda de confiança na política pública, que é um pouco o que está acontecendo com o resto da economia agora", afirmou ela.

Depois do "efeito devastador" da política do governo sobre o etanol, a expectativa é que as metas de redução de emissões de gases, apresentadas à comunidade internacional, ajudem o etanol. O Ministério de Minas e Energia projeta a produção de 50 bilhões de litros de etanol em 2030, ante os atuais 28 bilhões. "Isso é factível, desde que tenha um rumo previsível. Primeiro, é preciso ter uma política de fato de estímulo aos renováveis, e taxação de carbono, que pode assumir diferentes formatos". (Valor Econômico 03/12/2015)

 

Dedini demite 200 funcionários em Piracicaba e Sertãozinho, diz sindicato

Em agosto de 2015, empresa dispensou cerca de 650 nas duas unidades.

Metalúrgica foi procurada pelo G1, mas não se posicionou sobre assunto.

A Dedini Indústria de Base S/A, metalúrgica com atuação no setor sucroalcooleiro, demitiu nesta quarta-feira (2) mais 200 funcionários nas unidades de Piracicaba (SP) e Sertãozinho (SP), segundo o Sindicato dos Metalúrgicos. Entidade afirmou que foram 100 trabalhadores dispensados em cada cidade e que empresa alegou que não tem como pagar as rescisões. A companhia foi procurada, mas não se posicionou sobre o assunto.

Em agosto deste ano, a Dedini já havia demitido cerca de 650 funcionários das duas mesmas unidades. No mesmo mês a empresa entrou com pedido de recuperação judicial para tentar evitar a falência, e recebeu prazo para retomar a saúde financeira dos negócios.

Conforme a nota divulgada na noite desta quarta-feira pelo Sindicato dos Metalúrgicos, "trabalhadores e ex-trabalhadores da Dedini enfrentam diversos problemas referentes ao não cumprimento dos pagamentos dos direitos".

Ainda segundo a entidade sindical, a empresa não cumpre acordo feito na Justiça do Trabalho em 11 de novembro e que determina o pagamento de R$ 1 mil e cesta básica, todo dia 29 de cada mês aos demitidos até a realização da assembléia que será marcada pelo juiz que analisa o processo de recuperação judicial.

"Ao todo, 468 trabalhadores deste processo rescisório são prejudicados. A empresa também não cumpre com pagamento de férias, FGTS, há atrasos de salários, dentre tantos outros problemas", afirma o sindicato em nota.

Mais demissões em 2016

Também conforme os representantes da categoria, a companhia prevê demitir mais 400 funcionários em Piracicaba no início de 2016. O sindicato afirma receber diariamente metalúrgicos sem dinheiro e precisam "pagar contas, comprar remédios".

"É inadmissível o que a Dedini vem fazendo com esses trabalhadores", afirmou João Carlos Ribeiro, o Jipe, diretor do sindicato. A entidade afirmou ainda que entrou em contato com representantes da categoria em Sertãozinho para organização de um ato contra a empresa.

Posição da Dedini

O G1 entrou em contato com a diretoria da Dedini, mas até as 20h40 desta quarta-feira, a empresa não havia se posicionado sobre as informações divulgadas pelos sindicalistas. (G1 02/12/2015)

 

Grupo USJ tem prejuízo de R$ 68,4 milhões no 2º tri de 2015/16

O grupo sucroalcooleiro USJ informou que teve no trimestre encerrado em 30 de setembro, equivalente ao 2º trimestre de 2015/16, um prejuízo líquido atribuível a controladores de R$ 68,4 milhões. Em igual intervalo do ano passado, a companhia havia tido um lucro líquido de R$ 11,831 milhões. O grupo detém uma usina de cana-de-açúcar em Araras (SP) e 50% de duas usinas em Goiás, em uma joint venture com a americana Cargill.

O resultado trimestral da companhia foi impactado por um resultado financeiro líquido negativo de R$ 72,2 milhões, ante a perda financeira de R$ 1,039 milhão de um ano atrás.

No trimestre findo em 30 de setembro, a receita líquida da USJ foi de R$ 154,5 milhões, um crescimento de 24,3% em relação aos R$ 116,9 milhões de igual intervalo de 2014. O lucro bruto foi de R$ 29,009 milhões, 168% acima dos R$ 10,8 milhões de igual trimestre de 2014.

Em 30 de setembro, a companhia informava uma dívida com empréstimos e financiamentos de R$ 1,602 bilhão, sendo R$ 308,1 milhões com vencimento em menos de 12 meses. Em 31 de março deste ano, esse endividamento estava em R$ 1,380 bilhão, sendo R$ 275 milhões de vencimento em menos de 12 meses. (Valor Econômico 02/12/2015)

 

Usina de Bumlai, mesmo quebrada, bancou campanha do PT

A Usina São Fernando, de José Carlos Bumlai, entrou em recuperação judicial em 2013. No ano passado, porém, ela doou R$ 429 mil para a campanha do deputado federal Vander Loubet, que é alvo da Lava Jato.

Loubet é sobrinho de Zeca do PT e homem forte de Lula e José Dirceu no Mato Grosso do Sul. O dinheiro foi repassado em parcelas de R$ 25 mil, R$ 35 mil e R$ 54 mil, entre setembro e outubro de 2014. As doações foram identificadas pela Polícia Federal e confirmadas pelo Antagonista na prestação de contas de Loubet.

É curioso que uma empresa em dificuldade financeira doe para uma campanha política e que essa doação seja aprovada pelo administrador judicial, responsável pela gestão dos ativos e passivos para o cumprimento do plano de recuperação que tem como objetivo a proteção dos credores.

O principal credor da São Fernando é o BNDES, que repassou para a usina do amigo de Lula quase meio bilhão de reais. A pergunta que fica é: o dinheiro do BNDES foi usado para financiar a campanha de Loubet?. (O Antagonista 01/12/15)

 

UE vê aumento em produção de açúcar com fim de política de cotas

A produção de açúcar branco na União Europeia deve aumentar para quase 18 milhões de toneladas em 2025, cerca de 5 por cento acima da média dos anos precedentes à expiração da cota da UE em 2017, e mais de 15 por cento acima de 2015, disse a Comissão Europeia nesta quarta-feira.

A estimativa de produção para 2025, feita na Conferência de Perspectivas Agrícolas da União Europeia, se compara com uma estimativa de 15,3 milhões de toneladas para 2015 divulgada pela Comissão em suas projeções de outono.

Como parte de uma reforma na política agrícola da União Europeia, os estados concordaram em liberalizar a produção de açúcar em 2017 e abolir os preços mínimos do açúcar de beterraba, considerados culpados por limitar a exportação.

Muitos produtores de açúcar europeus disseram que desejam elevar a produção de açúcar para enfrentar o fim das cotas.

"Até o fim da perspectiva a UE deve se tornar uma exportadora líquida de açúcar branco", disse em suas estimativas agrícolas 2015/2025.

A Comissão estima que os preços do açúcar branco na UE continuarão em 2016 com a recuperação iniciada este ano, para 495 euros por tonelada, ante 485 euros por tonelada em 2015, mas cairiam no longo prazo e convergiriam com os preços globais. (Reuters 02/12/2015)

 

Cana: ATR tem variação positiva superior a 12% neste início da safra

Os preços dos produtos da cana-de-açúcar não param de aquecer o mercado, o que impulsiona o bom desempenho do ATR na safra 2015/2016. O mix de produção da cana é tido como principal responsável pela alta do Açúcar Total Recuperável, que já variou mais de 12% nos primeiros meses deste ciclo.

Seguindo as altas dos últimos meses, o preço líquido do quilo do ATR passou de R$ 0,6332 em outubro para R$ 0,6558 em novembro, uma variação positiva de 3,5% do seu valor no mercado em relação ao mês anterior.

Os dados foram obtidos pelo Conselho de Produtores de Cana-de-Açúcar e Etanol dos Estados de Alagoas e Sergipe (Consecana-AL/SE), através de informações do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada/ Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz/ Universidade de São Paulo (CEPEA/ ESALQ /USP).

O preço médio do quilo do Açúcar Total Recuperável em novembro chegou a R$ 1, 1187, com posição média acumulada de R$ 1,0980. O saco do açúcar cristal, consumido no mercado interno, passou de R$ 64,71 para R$ 71,43.

A exceção da maré positiva do mix de produção foi o VHP comercializado nos mercados americano e mundial. Neste início de safra, o VHP vendido no mercado mundial teve diminuição de preço. O saco passou de R$ 56,23 para R$ 53,78 em novembro. Já o VHP vendido no mercado americano teve uma leve redução na cotação e passou de R$ 105,03 em outubro para R$ 104, 82.

Etanol

A maior alta dos produtos derivados da cana-de-açúcar foi o metro cúbico do etanol anidro, que em outubro foi comercializado a R$ 1.779,48 e passou para R$ 2.090. O etanol hidratado também seguiu a sequência de alta e passou de R$ 1.548,89 para R$ 1.703, 01 em novembro.

Segundo o Consecana-AL/SE, os dados apontaram, ainda, que o preço líquido da tonelada de cana padrão em Alagoas (114 kg de ATR) manteve o bom crescimento dos últimos meses, passando de R$ 72,2418 em outubro para R$ 74, 8202 em novembro, com posição acumulada de R$ 73, 4283. ( BCCOM Comunicação 02/12/2015)

 

EUA determina novos percentuais para a mistura de bicombustível em 2016 e aumenta a participação do etanol brasileiro

A Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA, sigla em inglês) anunciou nesta terça-feira (01) os novos níveis de combustível renovável no âmbito do programa Renewable Fuel Standard (RFS), para 2016. Com a revisão agência ampliou em 2,68 bilhões de litros o uso de todos os combustíveis no próximo ano.

A RFS é uma política que determina o quanto de combustível renovável deve ser misturado com o abastecimento de combustível para os próximos anos. A proposta definitiva estabelece níveis de mistura de 61,6 bilhões de litros para 2014, 64 bilhões de litros para 2015, e 68,5 bilhões de litros para 2016.

"Com a regra final de hoje, e que o Congresso destina, a EPA está estabelecendo volumes que vão para além dos níveis históricos para crescer a quantidade de biocombustível no mercado ao longo do tempo", disse em nota o administrador da EPA, Janet McCabe.

Do total de 68,54 bilhões de litros de biocombustíveis que serão misturados nos EUA em 2016, 7,5 bilhões são oriundos da soja e pouco mais de 60 bilhões de litros vindo do etanol e da biomassa americana, explica o analista da Agrinvest, Marco Araújo.

A proposta inicial da agência, lançada em maio, ficou aquém dos níveis obrigatórios estabelecidos pela legislação de 2007, exigindo que as refinarias usem 65,8 bilhões de litros de combustíveis renováveis no próximo ano, com cerca de 52,9 bilhões provenientes do etanol a partir do milho tradicional.

Mas para o Brasil, o novo mandato para 2016 traz um aumento de 340 milhões de litros na comparação com a proposta inicia. Na revisão cerca de 5,6 bilhões correspondem aos "outros combustíveis avançados" que incluem o etanol brasileiro.

Ainda que tenha mostrado um avanço, o volume ficou abaixo do esperado para o etanol de milho, saindo de 52,99 bilhões para 54,88 bilhões de litros -  4% mais que a proposta de maio, mas 5% abaixo do estabelecido por lei - o que causou forte reação da indústria de etanol dos EUA.

Segundo levantamento do Agriculture.com com a produção de aproximadamente 10 litros de etanol por bushel de milho, a projeção abaixo do esperado poderia causar uma redução na demanda do cereal em cercar de 520 milhões de bushel.

A proposta final do EPA também desagradou o setor petroleiro, ao elevar para 10,10% a fatia dos biocombustíveis no setor de transporte dos EUA em 2016, acima do limite de 10% do chamado "blend wall". Em entrevista ao Agriculture o comercial American Petroleum Institute declarou que "o Congresso deve intervir para revogar ou reformar a RFS significativamente". (Notícias Agrícola 02/12/2015)

 

São Paulo tem as terras mais valorizadas do país

Consultoria fez pesquisa em 133 regiões em todo o Brasil e descobriu que o preço subiu 55% em cinco anos.

Um levantamento realizado pela consultoria Informa Economics FNP aponta São Paulo como o estado com as terras mais valorizadas do país. A pesquisa avaliou 133 regiões em todo o Brasil e demonstrou que o preço de terras subiu 55% em cinco anos. A valorização é atribuída à alta de algumas commodities, a projetos de irrigação no Nordeste e à valorização de várias cidades do país.

Em São Paulo, a região em torno do município de Piracicaba, referência na produção de cana, tem um dos hectares mais caros do país. O corretor de imóveis Marcos Frias afirma que, há 5 anos, uma área estava sendo comercializada ali a R$ 20 o metro quadrado. O mesmo local teria agora sido negociado a R$ 30 o metro quadrado, uma valorização de 50%.

Segundo Frias, terras com aptidão para a cana-de-açúcar são sempre muito demandadas, pois as usinas têm muita dependência de área e precisam ter custo de transporte baixo. “Onde tem uma usina, num raio próxima a elas, as terras costumam ser bem caras” , diz.

O corretor afirma que também contam pontos para valorizar a região o seu sistema viário bem resolvido, com ótima pavimentação, e a própria cidade. “Existe pouca coisas a venda em Piracicaba, que é uma cidade rica, que tem uma renda per capita muito boa. Quem vive das áreas rurais geralmente são pessoas que têm posses” , diz Marcos Frias.

Há 19 anos, o produtor de cana Wellington Casarin arrenda uma propriedade em Piracicaba para plantar cana. A cada ano que passa, o sonho de comprar a terra própria fica mais longe, já que o hectare custa R$ 30 mil.

Ele afirma que, nos últimos dez anos, o custo do arrendamento acabou gerando um aumento de 30% no custo de produção. Por outro lado, quem já conquistou a terra própria só pensa em vender a terra em último caso, mesmo endividado, por conta dos preços baixos da cana nos últimos anos.

Terras no país

De todas as regiões analisadas pela Informa Economics FNP, o Maranhão foi o que mais apresentou valorização das áreas nos últimos dez anos, com aumento de preço de 17,7% no período. O Pará também se destacou, com aumento de 16%. O levantamento analisou ainda a valorização das terras de acordo com a atividade ou a vegetação predominante. Áreas de Mata Atlântica foram as que ficaram mais caras: 29,4% de aumento nos últimos três anos.

De acordo com analista de mercado da consultoria Márcio Perin, a terra é precificada com base na expectativa de renda e de valorização. “Quando você compra a terra, você não pensa na valorização em um ou dois anos, mas em dez, 12 anos. Essa expectativa é positiva para o mercado de terras, por isso ele não cai tão rapidamente”, diz. (Canal Rural 02/12/2015)

 

Avanço do agronegócio no Matopiba puxa devastação do cerrado

Fala-se muito em Amazônia, mas a vegetação nativa mais ameaçada pela expansão do agronegócio no país, hoje, é o cerrado. A fronteira agrícola mais agressiva está no Matopiba, onde o desmatamento cresceu 61,6%.

O avanço da soja, do milho e do algodão nos Estados da região (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), entre 2000 e 2007, se fazia à taxa de 1.114 km² por ano. No período seguinte, de 2007 a 2014, ela subiu para 1.800 km²/ano (área 20% maior que a do município de São Paulo).

É bem diversa a dinâmica nos outros oito Estados com áreas de cerrado (DF, GO, MG, MS, MT, PR, RO e SP). Nos primeiros sete anos, a agricultura tomou 931 km² anuais da savana brasileira, ante 333 km²/ano nos outros sete, uma queda de 64,2% na taxa de devastação.

Os dados constam do relatório "Análise Geoespacial da Dinâmica das Culturas Anuais no Bioma Cerrado", obtido pela Folha. O levantamento foi realizado pela empresa Agrosatélite, formada por ex-pesquisadores do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

A análise é baseada em imagens de satélite coletadas nas safras 2000, 2007 e 2014.

"A gente quer que o agronegócio discuta esses dados com os preservacionistas", afirma Bernardo Rudorff, coordenador do estudo. "Faz sentido uma moratória no cerrado?".

O pesquisador se refere a uma das hipóteses que o trabalho abordou –se estaria ocorrendo um "vazamento" do desmate para o cerrado a partir da Amazônia, onde vigora uma restrição para a venda de soja produzida em áreas devastadas depois de 2007. Dos 30 mil km² plantados com soja na região após a moratória, só 500 km² foram em áreas novas.

A resposta de Rudorff sobre a hipótese de vazamento é curta: "Não".

Ele pondera que, embora tenha decrescido a taxa de desmatamento na fronteira agrícola mais tradicional do cerrado, grosso modo o Centro-Oeste, entre os dois períodos –pré e pós-moratória–, a expansão da área cultivada com grãos cresceu, passando de 4.243 km²/ano para 7.304 km²/ano (avanço de 72%).

A razão desse aparente paradoxo é que, na fronteira mais estabelecida, a agricultura passa a ocupar áreas abertas anteriormente para a pecuária, atividade menos rentável. No Matopiba ocorre o inverso: com muitas terras baratas, soja, milho e algodão avançam sobre áreas de vegetação nativa.

É prudente ressalvar que só 171,4 mil km² de savana foram perdidos no Matopiba, considerando todos os usos da terra (grãos, pastagens, cana etc.). Em contraste, outros 713,6 mil km² sumiram noutras partes do cerrado.

O estudo também mapeou as áreas mais aptas a dar bom rendimento para essas culturas em toda a área de cerrado, com base em dados de precipitação, temperatura, relevo e altitude. Descobriu-se que há pelo menos 200 mil km² –território do tamanho do Paraná– de terras desmatadas e com aptidão agrícola.

"No Matopiba, o estoque de terras abertas com aptidão é baixo, portanto a expansão continuará ocorrendo sobre vegetação nativa, devido ao baixo preço de terras, caso não sejam criadas novas restrições de contenção do desmatamento", avalia Rudorff.

"Já nos outros Estados do cerrado, o estoque de terras abertas é grande e a soja vai poder continuar se expandindo com a intensificação da pecuária, que vai liberar terras aptas para agricultura."

Apesar do risco de devastação continuada, o cerrado não teve meta específica de redução do desmatamento incluída no compromisso do governo brasileiro para a Conferência do Clima em Paris. Só se fala de Amazônia.

Além disso, as áreas protegidas (unidades de conservação e terras indígenas) somam apenas 8,2% no cerrado, diante de 43,9% na Amazônia, como assinalou em artigo recente (bit.ly/1XH7eDY ) Mercedes Bustamante: "É estarrecedor que esforços de igual magnitude não estejam em curso para conservação e gestão da savana mais biodiversa do planeta", escreveu a pesquisadora da UnB. (Folha de São Paulo 03/12/2015)

 

Commodities Agrícolas

Café: Recompras técnicas: Em um dia de forte volatilidade, os futuros do café arábica fecharam em terreno positivo ontem na bolsa de Nova York com recompras técnicas. Os papéis para março subiram 55 pontos, a US$ 1,2045 a libra-peso. O mercado vem sendo pressionado pela alta do dólar em relação o real e pelas chuvas no cinturão produtivo do Brasil. Apesar da alta do dólar registrada ontem, os traders preferiram cobrir posições vendidas e comprar novos contratos. Na terça, a Conab realizou um leilão de venda de 5,9 toneladas de café, mas não foi feito nenhum negócio. Para analistas, a falta de interesse mostra que a situação doméstica é confortável. No mercado interno, o preço do café de boa qualidade oscilou entre R$ 480 e R$ 500 a saca de 60,5 quilos, de acordo com o Escritório Carvalhaes, de Santos.

Soja: Clima no Brasil: Os futuros da soja voltaram ao campo positivo ontem em Chicago, impulsionados por uma venda elevada do grão americano ao exterior e receios com o plantio no Brasil. Os papéis com vencimento em março subiram 3,5 centavos, a US$ 8,95 o bushel. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) informou o mercado que exportadores do país acertaram a venda de 124 mil toneladas da oleaginosa para "destinos desconhecidos". O dado volta a sinalizar que a demanda internacional segue aquecida nesta temporada. A previsão de chuvas irregulares para a região produtora de soja do Brasil também começa a aumentar as preocupações dos investidores. No mercado do Paraná, a saca foi negociada em alta de 0,12%, a R$ 66,76, segundo o Deral/Seab.

Milho: Efeito "Macri": Os futuros do milho perderam terreno ontem na bolsa de Chicago diante da perspectiva de entrada de uma elevada oferta da Argentina, da pressão do fortalecimento global do dólar e de vendas técnicas após as altas recentes. Os papéis do cereal com vencimento em março fecharam em queda de 3,5 centavos, a US$ 3,7025 o bushel. O presidente eleito da Argentina, Mauricio Macri, sinalizou que as taxas para as exportações de milho deverão ser retiradas assim que ele assumir o posto, em 10 de dezembro. "Esse fato poderá levar os produtores do país a aumentar a área plantada com cereal já na atual temporada", avaliou a corretora Granoeste, em relatório diário. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para o grão ficou estável em R$ 33,82.

Trigo: Pressão do dólar: As cotações do trigo registraram desvalorização ontem nas bolsas americanas por influência do fortalecimento global do dólar e do cenário confortável para a oferta mundial. Em Chicago, os papéis para março encerraram a sessão com queda de 4,25 centavos, a US$ 4,6725 o bushel. Em Kansas, onde se negocia o cereal de melhor qualidade, o mesmo vencimento teve queda de 3 centavos, a US$ 4,660 o bushel. A elevação da divisa americana em relação a diversas moedas fragiliza a já baixa competitividade do trigo americano no mercado internacional, o que leva os traders a corrigirem as cotações do produto para baixo. No mercado do Paraná, a saca do cereal foi negociada com estabilidade a R$ 38,22, conforme dados do Deral/Seab. (Valor Econômico 03/12/2015)