Setor sucroenergético

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Usinas do Brasil travam 55% da exportação de açúcar de 2016/17

A consultoria Archer Consulting informou que o volume de açúcar da safra 2016/17 do Brasil, que começa em abril do ano que vem, com preços já fixados em bolsa deve estar na casa dos 13,174 milhões de toneladas, o equivalente a 55,75% da exportação esperada para o novo ciclo (25,12 milhões de toneladas). Conforme a Archer, o volume é o maior da história e foi potencializado pela combinação entre a valorização do dólar e pela alta das cotações da commodity na bolsa de Nova York.

A Archer estimou que os preços médios dessa venda antecipada da commodity estejam em 13,57 centavos de dólar por libra-peso. Considerando o hedge de dólar médio obtido pelas usinas de R$ 3,7639, o preço médio em reais da tonelada foi calculado pela consultoria em R$ 1.172 por tonelada (posto no porto).

Conforme a Archer, o modelo estima uma margem de erro de 3,74% do preço encontrado para mais ou para menos. Comparativamente às últimas quatro safras, o percentual acumulado de fixação de 55,75% para a 2016/17 é o mais alto já visto. O ano passado, por exemplo, o acumulado nesse mesmo período era de apenas 23,23%.

“A desvalorização do real em relação ao dólar e o descolamento do mercado de açúcar em Nova York do câmbio incentivou as usinas a travarem seus preços em reais que também atingem recorde”, afirmou a Archer em relatório. (Valor Econômico 03/12/2015)

 

UNICA aprova novas metas para o uso de biocombustíveis avançados nos EUA

Anunciada nesta semana pela Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA), a nova regulamentação estabelece que em 2016 serão misturados 68,54 bilhões de litros de combustíveis renováveis à gasolina em território americano. Deste total, segundo mandato do Padrão de Combustíveis Renováveis (RFS, em inglês), cerca de 13,6 bilhões de litros serão exclusivamente de biocombustíveis avançados.

Nesta quota, o etanol de cana e ‘outros avançados’ (diesel renovável, biogás, bioquerosene etc) terão uma participação de cerca de 2 bilhões de litros. A expectativa da EPA é que os EUA importem cerca de 756 milhões de litros do biocombustível brasileiro no próximo ano.

Para a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), essa meta para a categoria ‘outros avançados’, que exclui o celulósico e o biodiesel, é positiva, pois apresenta um acréscimo de cerca de 136 mil litros frente à proposta da EPA apresentada em junho deste ano, um aumento de aproximadamente 7% em relação aos volumes propostos anteriormente.

A presidente da entidade, Elizabeth Farina, acredita que a nova regulamentação seja um passo importante em direção a um ambiente mais limpo e saudável nos transportes. E que o setor sucroenergético brasileiro está pronto para garantir o suprimento de volumes ainda maiores do biocombustível mais avançado disponível nas Américas.

“Esta decisão deixa as portas do mercado americano abertas para o o etanol brasileiro, um dos combustíveis mais limpos e comercialmente viáveis existentes", afirma a executiva.

De acordo com as últimas estimativas da UNICA, em 2015 o Brasil deverá elevar em 7% a sua produção interna de etanol em relação ao ano passado, o que representa um adicional de quase 2 bilhões de litros. No acumulado de janeiro a outubro deste ano, o País exportou mais de 683 milhões de litros do produto para os EUA. No mesmo período de 2014, o volume importado pelos americanos ficou abaixo dos 639 milhões de litros.

De 2012 a 2014, o derivado da cana-de-açúcar brasileira representou aproximadamente 13% dos biocombustíveis avançados misturados à gasolina nos Estados Unidos.

"Os EUA e o Brasil estão construindo um próspero mercado de biocombustíveis, proporcionando benefícios econômicos, sociais e ambientais. A decisão da EPA mantém estas conquistas, incentivando a produção de combustíveis de baixo carbono", concluiu Farina. (Unica 04/12/2015)

 

Lula é prisioneiro de seus próprios pesadelos

Não consta que Luiz Inácio Lula da Silva tenha lido Kafka. Mas, intuitivo como ele só, volta e meia sonha ser uma versão adaptada de Gregor Samsa, o homem que acordou barata. O inseto é a metáfora para as algemas.

Lula, em seus pesadelos, é o homem que amanhece preso, agrilhoado sob os holofotes de toda a mídia. Esses tenebrosos sonhos se repetem em dois enredos alternados, viscosos, humilhantes, cada qual do seu modo.

Em seu subconsciente, Lula é detido, e o script se bifurca na esquina de dois mundos paralelos. No primeiro desses universos, Luiz Inácio está encadeado como um meliante. A expectativa de uma reação da militância se esvazia em 24 horas. O povo se comporta abúlico.

A presidente da República, Dilma Rousseff, assiste catatônica à degradante exposição. O Palácio do Planalto emite uma nota manifestando sua confiança na Justiça. Pilatos não faria melhor. Na cela, é instalado um aparelho de televisão com o objetivo sádico de que Lula assista ao maior aviltamento jornalístico nunca antes realizado na história desse país.

Revistas e jornais promovem um linchamento moral estendido aos seus filhos, irmãos e à própria D. Marisa. O inferno se materializa sob a forma da dor descomunal do abandono absoluto. Lula, então, acorda. A gosma escorre pelas paredes do quarto. Ele tenta rezar a oração que Frei Beto lhe ensinou.

Mas não chega à metade. Olha para o teto zonzo. Capota em um sono profundo. A luzidia algema ressurge ofuscante. Lula está novamente encadeado. Ele é jogado no cárcere já ciente de que as redes sociais se sublevaram. Pouco mais de três horas após sua prisão, o povo se aglutina na porta da casa de detenção. São 500 populares transtornados. A polícia chega e desce a borracha.

Dilma se anima e decide fazer um pronunciamento de apoio ao ex-presidente em pé na rampa do Palácio do Planalto. A agressão da polícia estimula a malta. Milhares e, depois, milhões marcham nas diversas capitais gritando o nome de Lula. A oposição reconhece que sua prisão foi uma imprudência. O PSDB acampa no Forte Apache, suplicando a intervenção dos militares. Seu pedido não ecoa.

Os generais seguem legalistas, mas com uma pulga atrás da orelha com a denominada “República dos togados”, responsável pela jurisprudência de que “um suspeito pode ser acusado de suspeição”. A algema parece uma coroa. Lula sente que ressuscitou. Mas algo se quebrou para sempre.

Ele acorda de sobressalto. O braço pegajoso, a sensação de que asas de inseto lhe nasciam das ancas. Murmurou a frase de Adoniran Barbosa: “A tristeza é um bichinho que pra roer tá sozinho”. Não existia algema inquebrantável, nem destino pré-determinado.

Na volta à cama, vislumbrou a barata parada, olhando-o como se o desafiasse. Esmagou-a inclementemente. Voltou a dormir mais tranquilo, mesmo sabendo que os sonhos seriam os mesmos. (Jornal Relatório Reservado 03/12/2015)

 

Oferta de aquisição de ações da Tereos Internacional terá preço de R$65 por ação

A Tereos Internacional informou nesta sexta-feira que sua controladora indireta Tereos Participations decidiu realizar oferta pública unificada de aquisição de ações (OPA) para cancelamento do registro de companhia aberta da empresa e saída do segmento Novo Mercado da BM&FBovespa.

O preço a ser ofertado será de 65 reais por ação, ajustado por dividendos, juros sobre capital próprio, bonificações, desdobramentos, grupamentos e conversões, segundo fato relevante divulgado nesta sexta-feira.

No começo de novembro, após ser notificada pela BM&FBovespa a respeito do valor das ações negociadas no pregão, que estavam abaixo do mínimo de R$ 1, a Tereos decidiu realizar um grupamento de ações.

A medida consistiu em juntar diversas ações em um único papel na proporção de 50 por 1, a fim de atingir o valor desejado. Assim, os títulos passaram a ter valor unitário de R$ 28,50, ante os R$ 0,57 registrados no pregão anterior à junção. (Reuters 04/12/2015)

 

Menor produção e maior consumo de açúcar causam déficit de 3,3 mi de toneladas

O crescente aumento do consumo mundial de açúcar e os impactos negativos das condições climáticas na produção agrícola devem causar um déficit de 3,3 milhões de toneladas na safra 2015/16. Esses fatores estão influenciando os preços da commodity, que já aumentaram no mercado interno e externo. As estimativas foram apresentadas na reunião da Câmara Setorial de Açúcar e Álcool na última quinta-feira (26/11), no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

Os representantes da Câmara discutiram as principais pautas do setor para o próximo ano e analisaram as previsões do mercado de açúcar para a próxima safra. O Diretor-Executivo da Bioagência, Tarcilo Ricardo Rodrigues, revelou que o consumo mundial do produto vem crescendo e a queda na produção dos principais países produtores reverte a sequência de superávits das últimas safras. Segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, da sigla em inglês), a produção 2015/16 deve atingir 170 milhões de toneladas e o consumo 175 milhões. “Esse déficit vai aumentar ainda mais, podendo passar de 5 milhões em 2016/17 e 7,5 milhões de toneladas na safra 2017/2018”, afirmou Tarcilo Ricardo.

A China consumiu, na safra 2014/2015, 17,5 milhões de toneladas de açúcar e o Brasil em torno de 12 milhões. Já com relação ao consumo kg/habitante/ano, a China soma 9kg, o Brasil 45kg e a Europa 40kg. “A China cada vez mais se torna um grande importador de açúcar, devido à mudança de hábitos alimentares da população que promovem o aumento da ingestão de produtos industrializados”, disse o assessor técnico da Comissão Nacional de Cana-de-açúcar da CNA, Rogério Avellar.

As condições favoráveis de solo e clima permitem ao Brasil apresentar alta produtividade nas lavouras de cana-de-açúcar e ser o maior player do mercado mundial de açúcar. Tarcilo Ricardo mostrou, com base nos dados do USDA, que o Brasil produziu na safra 2014/15 aproximadamente 36 milhões de toneladas e na 2015/16 deve atingir 35 milhões. “O fenômeno climático El Niño provoca grande volume de chuvas nos principais estados brasileiros produtores de cana-de-açúcar, no período de colheita, impedindo a moagem e causando secas nos países produtores da Ásia”, explicou Tarcilo.

Etanol

As expectativas de mercado e crescimento do consumo do etanol também foram apresentadas durante a reunião da Câmara Setorial. Números da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostraram que o consumo de gasolina comum, no acumulado de janeiro a outubro de 2015, teve uma queda de 9,4% se comparado ao mesmo período de 2014. Já o etanol hidratado registrou um crescimento de 42,5%, no mesmo período.

“Esse crescimento é reflexo do aumento do preço e do retorno da cobrança da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) e do PIS/COFINS na gasolina. Além do aumento das alíquotas do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) da gasolina e a redução das alíquotas para o etanol hidratado em alguns estados brasileiros, que deram maior competitividade ao etanol frente à gasolina”, concluiu o assessor técnico da CNA, Rogério Avellar. (CNA 03/12/2015)

 

Compromisso do Brasil na CoP­21 é "âncora para o etanol"

Em meio a uma crise que se arrasta há mais de cinco anos entre as usinas de etanol do país, uma sinalização do governo brasileiro, ainda que perante a comunidade internacional, dá alguma esperança de que o setor canavieiro pode nos próximos anos voltar a crescer.

O Brasil apresentou nesta semana na 21ª Conferência do Clima, em Paris, uma das metas mais ambiciosas de redução de emissões de poluentes do mundo, delegando ao etanol e à bioeletricidade a partir da biomassa da cana um papel fundamental. Entre elas, a de aumentar para 16% a participação do etanol na matriz energética, o que significará elevar a produção do biocombustível dos atuais 28 bilhões de litros para 50 bilhões em 2030.

Mas como será essa virada, após uma crise que dura mais de cinco anos e levou ao fechamento de mais de 80 usinas de etanol no país desde 2007? A resposta não é fácil de ser dada, diz a presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Elizabeth Farina.

Pelo menos desde o início do primeiro mandato de Dilma Roussef, em 2011, as usinas produtoras de etanol tentam fazer com que o governo defina qual é o papel a ser ocupado pelo setor e que políticas serão implementadas para isso. Como há tempos vem sendo defendido pelos porta vozes dessa indústria, a expectativa é que na base dessa política pública esteja uma diferenciação tributação que penalize os combustíveis fósseis, que emitem mais poluentes.

Mas quase tudo, até então, aconteceu exatamente ao contrário do que o setor esperava. O governo controlou nos últimos anos os preços da gasolina, espremendo as margens do etanol, reduziu os valores pagos pela energia vinda da biomassa da cana nos leilões do mercado regulado e zerou a Cide na gasolina em 2012 para tentar controlar a inflação.

Alguns ajustes pontuais foram feitos neste ano, como a retomada da Cide no derivado fóssil em R$ 0,10 centavos por litro, ainda muito aquém do que o setor defende, que é R$ 0,60 e o reajuste do produto na refinaria. Mas nada suficiente para dar segurança em retomar investimentos, avaliou Elizabeth.

Em resumo, para o país chegar a produzir 50 bilhões de litros de etanol, teriam que ser construídas 75 novas usinas (atualmente são 371), só possível com investimentos da ordem de US$ 40 bilhões, conforme levantamento feito pela Unica. Conforme Elizabeth, há condições técnicas para cumprir essa meta, o que falta é o país recuperar credibilidade para estimular os investimentos necessários.

“Se há alguma chance de se ter uma visão de longo prazo para o setor, ela está na CoP. É onde podemos nos ancorar ”, disse ao Valor a presidente da Unica.

Ainda que tudo até agora tenha sido feito ao contrário de uma política de longo prazo para o etanol, a visão da entidade é a de que quando o Brasil vai para uma negociação internacional com uma proposta, como é o caso agora com a CoP­21, leva a sua estratégia de relações exteriores em mente. “O não cumprimento de acordos internacionais envolve punição de imagem e atrapalha futuras negociações. Existe um custo político e de imagem muito alto quando isso acontece”, afirmou.

Ela reconhece que, antes de o empresário voltar a tirar dinheiro do bolso para investir, será preciso que o governo recupere credibilidade, cenário ainda difícil de ser vislumbrado diante do atual cenário político e econômico do país.

De qualquer forma, além de um compromisso internacional, documentado pelo Brasil, a CoP­21 também está mobilizando organizações, empresas e investidores interessados em monetizar o ativo ambiental. “Pode ser que o incentivo não venha imediatamente de dentro, mas venha do desenvolvimento do que vier de fora”.  (Valor Econômico 03/12/2065)

 

Para avançar em café e grãos, Coopercitrus vai incorporar cooperativas em São Paulo e Minas

Mais conhecida por fornecer insumos e máquinas agrícolas para produtores de cana-de-açúcar e laranja, a Coopercitrus, atualmente a maior cooperativa rural do Estado de São Paulo, deflagrou recentemente uma estratégia de incorporação de cooperativas menores para expandir sua atuação em café, grãos e pecuária.

De acordo com o presidente da Coopercitrus, José Vicente da Silva, a cooperativa oficializará nesta sexta-feira a assinatura de um memorando de entendimentos para a incorporação da Cooperativa Agropecuária do Brasil Central (Cobrac), de Araçatuba, no interior paulista.

Trata-se do segundo acordo do tipo firmado pela Coopercitrus em 2015. Em setembro, a cooperativa já havia assinado um memorando de entendimentos com a Cooparaiso, sediada em São Sebastião do Paraíso, em Minas Gerais. Além disso, também está em estágio avançado o processo que culminará no terceiro acordo, com a também mineira Cooperativa Agropecuária Regional de Andradas (Cara), conforme Silva.

As três cooperativas que serão incorporadas pela Coopercitrus enfrentaram dificuldades financeiras, a Cooparaiso ainda lida com uma dívida elevada e têm baixa capacidade de investimento. Para a Coopercitrus, as incorporações representam a oportunidade de reduzir a dependência do segmento de cana-de-açúcar.

De acordo com Silva, a Coopercitrus deverá encerrar 2015 com um faturamento de aproximadamente R$ 2 bilhões. Nos próximos cinco anos, o dirigente projeta alcançar um faturamento de R$ 4 bilhões. "O crescimento que teremos será puxado por café e grãos", explicou. A expectativa de Silva é que, nesse período, a Coopercitrus reduza a participação do segmento de cana no faturamento dos atuais 40% para 25%.

Na área de café, os 5 mil cooperados Cooparaiso e os cerca de 1 mil da Cara terão papel relevante. "Vamos ter beneficiamento, venda e exportação de café", afirmou Silva. No caso da Cooparaiso, que tem uma situação financeira mais delicada, o memorando de entendimentos já previu o arrendamento dos ativos e a transferência de funcionários.

Nos segmentos de grãos e de pecuária, a contribuição virá da Cobrac. De acordo com o presidente do grupo com sede em Araçatuba, Sérgio Paoliello, a cooperativa cinquentária passou quase 20 anos convivendo com um processo de saneamento de dívidas. Agora recuperada, a Cobrac voltou a investir e passou a apostar na produção de derivados de soja. Com a incorporação da Cobrac, a Coopercitrus já vislumbra a ampliação da fábrica de sal mineral e, no futuro, a construção de uma fábrica de sal mineral de maior porte. (Valor Econômico 04/12/2015)

 

BC vê alta maior nos preços da gasolina, gás e energia elétrica

Ata do Copom estima alta de 52,3% na energia e de 17,6% na gasolina.

Preços administrados devem fechar ano com alta de 17,7%.

O ano deve terminar com alta de 52,3% nos preços da energia elétrica, e de 17,6% na gasolina, segundo estimativa divulgada pelo Banco Central nesta quinta-feira (3). A previsão faz parte da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que manteve a taxa de juros em 14,25%.

Na ata anterior, em outubro, o BC previa altas menores, de 15% na gasolina e de 51,7% na energia elétrica. Também ficou maior a expectativa de alta dos preços do gás de botijão, que passou de 19,9% na ata de outubro para 21,7% no documento divulgado nesta quinta. 

O governo anunciou, no início deste ano, que não pretende mais fazer repasses à CDE – um fundo do setor por meio do qual são realizadas ações públicas – em 2015, antes estimados em R$ 9 bilhões. Com a decisão do governo, as contas de luz dos brasileiros tiveram fortes aumentos ao longo do ano.

Custo em alta

O custo de produção de eletricidade no país vem aumentando principalmente desde o final de 2012, com a queda acentuada no armazenamento de água nos reservatórios das principais hidrelétricas do país.

Para poupar água dessas represas, o país vem desde aquela época usando mais termelétricas, que funcionam por meio da queima de combustíveis e, por isso, geram energia mais cara. Isso encarece as contas de luz. Entretanto, também contribui para o aumento de custos no setor elétrico o plano anunciado pelo governo ao final de 2012 e que levou à redução das contas de luz em 20%.

Para chegar a esse resultado, o governo antecipou a renovação das concessões de geradoras (usinas hidrelétricas) e transmissoras de energia que, por conta disso, precisaram receber indenização por investimentos feitos e que não haviam sido totalmente pagos até então. Essas indenizações ainda estão sendo pagas, justamente via CDE.

Com a alta da tributação sobre gasolina e fim de repasses para a conta de luz, o Banco Central informou que prevê, para o conjunto de preços administrados (como telefonia, água, energia, combustíveis e tarifas de ônibus, entre outros), um aumento de 17,7% neste ano. Em outubro, a estimativa era de uma alta de 16,9% em 2015. (G1 03/12/2015)

 

China faz a diferença no agronegócio dos EUA e do Brasil

Queda de preços nas commodities e gastos menores da China na importação de produtos agropecuários começam a refletir mais intensamente na balança comercial dos principais países exportadores desse setor.

Os Estados Unidos tiveram saldo de apenas US$ 1,9 bilhão na balança comercial do agronegócio nos últimos quatro meses até setembro. Esse valor indica queda de 68% em relação a igual período do ano passado.

E isso vai se refletir durante todo o ano fiscal de 2016, quando o saldo deverá ficar em apenas US$ 9,5 bilhões, ante US$ 43 bilhões em 2014 e US$ 26 bilhões em 2015.

A China deverá gastar 29% menos no país em 2016, segundo estimativas do Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos).

O ano de 2014 foi o melhor período para os exportadores de produtos agropecuários.

As exportações norte-americanas atingiram US$ 152 bilhões, mas devem ficar em apenas US$ 132 bilhões em 2016. Já as importações subiram de US$ 109 bilhões para US$ 122 bilhões no mesmo período.

O cenário se repete no Brasil. Após ter atingido exportações de US$ 100 bilhões em 2013, as vendas externas do setor somam US$ 88 bilhões até outubro.

Os buracos nas balanças comerciais são os mesmos nos dois países. As exportações norte-americanas de cereais devem ficar em US$ 29 bilhões em 2016, bem abaixo dos US$ 36 bilhões de 2014 e dos US$ 32 bilhões de 2015.

O complexo soja, após ter atingido US$ 35 bilhões em 2014, deverá recuar para US$ 26 bilhões no próximo ano.

Mesma tendência apontam as carnes que, de um valor de US$ 33 bilhões em 2014, devem recuar para US$ 28 bilhões no próximo nos EUA.

No Brasil, as exportações de soja em grãos recuaram para US$ 21 bilhões até novembro, 10% menos do que no ano passado. Voltam a cair em 2016.

As carnes caíram para US$ 11 bilhões, 15% menos. Já as exportações totais do país para a China recuaram 12% em valor nos 11 primeiros meses, segundo dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior). (Folha de São Paulo 04/12/2015)

 

Commodities Agrícolas

Cacau: Teto em quatro anos: Após duas quedas modestas, os futuros do cacau subiram ontem na bolsa de Nova York com compras especulativas sustentadas pela queda global do dólar. Os papéis para março subiram US$ 53, a US$ 3.386 a tonelada, o maior valor desde 14 de março de 2011. A decepção dos investidores internacionais com as medidas de estímulo do Banco Central Europeu fizeram o dólar recuar ante várias moedas, entre elas o euro, o que acaba favorecendo o poder de compra das indústrias da zona do euro, que representam um terço da moagem global da amêndoa. Além disso, os fundos estão rolando suas posições para março com proximidade da entrega do lotes de dezembro. Em Ilhéus e Itabuna, o produto ficou em R$ 152 a arroba, segundo a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Algodão: Venda recorde: O volume recorde de vendas semanais dos Estados Unidos e a queda do dólar impulsionaram o algodão ontem na bolsa de Nova York. Os lotes para março subiram 45 pontos, a 63,95 centavos de dólar a libra-peso. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) informou que, na semana até 26 de novembro, o país vendeu 62,5 mil toneladas da fibra ao exterior, o maior volume negociado em uma semana para a safra 2015/16 até agora. A queda do dólar acentuou a alta das cotações. O mercado já vem sendo sustentando pela estimativa do Comitê Internacional Consultivo do Algodão de que os estoques finais desta safra somem 20,7 milhões de toneladas, 50 mil toneladas a menos que no ciclo passado. Na Bahia, a arroba ficou em R$ 77,71, segundo a associação local de produtores, a Aiba.

Soja: Efeito cambial: A desvalorização do dólar em relação a diversas moedas mudou a direção das cotações da soja ontem na bolsa de Chicago, que fecharam no campo positivo. Os papéis para março subiram 5,25 centavos, a US$ 9,0025 o bushel. O Dollar Index, que mede a oscilação da divisa americana ante uma cesta de divisas, caía mais de 2% no fechamento. A notificação de venda de 132 mil toneladas de soja dos Estados Unidos para a China também ofereceu impulso aos futuros da oleaginosa. Em dois dias seguidos, foram negociados 256 mil toneladas. Na semana até o dia 26 de novembro, porém, as vendas dos EUA recuaram 25% na base semanal, para 878,3 mil toneladas. No Paraná, o preço médio da soja subiu 0,1%, para R$ 66,83 a saca, de acordo com o Departamento de Economia Rural/Seab.

Trigo: Avanços nos EUA: Os futuros do trigo dispararam ontem nas bolsas dos EUA com o aumento das exportações semanais americanas e a queda do dólar. Em Chicago, os contratos para março subiram 11,5 centavos, a US$ 4,7875 o bushel. Em Kansas, onde se oferta o trigo de melhor qualidade, os lotes com igual vencimento subiram 10,5 centavos, para US$ 4,765 o bushel. Na semana até 26 de novembro, as vendas de trigo do país ao exterior subiram 29% na base semanal, para 392,2 mil toneladas. O volume ficou dentro das expectativas, mas bastou para animar os investidores. O tombo do dólar ante várias moedas incentivou mais compras nas bolsas ao melhorar a competitividade dos EUA no mercado global de trigo. No Paraná, o preço médio do trigo ficou em R$ 38,22 a saca, de acordo com o Deral/Seab. (Valor Econômico 04/12/2015)