Setor sucroenergético

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Cenário mais positivo para as usinas do país

Há algumas safras com faturamento menor do que suas dívidas no país, o segmento sucroalcooleiro deverá obter, nesta e na próxima temporada, resultados capazes de reduzir o passivo. Conforme cálculos da Agroconsult, o horizonte mais positivo tornará possível uma redução de quase R$ 8 bilhões no endividamento total das usinas, atualmente estimado em R$ 85 bilhões. A conta leva em consideração um universo de 200 grupos em operação.

O cenário mudou para melhor com a alta das cotações internacionais do açúcar, decorrente das previsões de que o quadro global de oferta e demanda produzirá neste ciclo 2015/16 o primeiro déficit após cinco safras de superávit. E, fortalecida pelas interrupções da moagem de cana no Centro-Sul do Brasil por causa das chuvas, a conjuntura mais favorável à valorização do açúcar tem levado a reboque o etanol, cujos preços já estavam em alta por conta dos reajustes da gasolina e da demanda doméstica recorde neste ano.

Fabio Meneghin, analista da Agroconsult realça, finalmente, que o dólar mais forte em relação ao real também tem colaborado para melhorar a saúde financeira das usinas, uma vez que, ao menos nesta safra 2015/16, seus reflexos favoráveis para os preços estão sendo mais expressivos que os efeitos negativos sobre os custos de produção. Assim, com a ajuda do câmbio, o faturamento das usinas do país deverá somar, segundo a consultoria, R$ 82,2 bilhões no ciclo atual, quase 20% a mais que nas duas últimas temporadas.

Para chegar a esse montante, a Agroconsult considerou preços médios de R$ 55,22 para a saca de 50 quilos do açúcar vendido no mercado interno e de R$ 49,80 para a saca de açúcar bruto destinada à exportação. "Esse valor considera as vendas antecipadas de açúcar e as que já foram efetivadas", explicou Meneghin. No caso do etanol, foram considerados preços médios de R$ 1,63 para o litro do anidro (misturado à gasolina) e de R$ 1,45 para o litro de hidratado (usado diretamente nos tanques).

A Agroconsult projetou para 2015/16 um custo operacional total de R$ 62,4 bilhões, incluindo as depreciações agrícola e industrial e um retorno operacional de R$ 19,8 bilhões. Se confirmado, esse resultado (Ebit), que desconsidera custos financeiro, de hedge e imposto de renda, será o melhor do segmento sucroalcooleiro desde o ciclo 2002/03, de acordo com o analista.

Para a safra 2016/17, que começará em abril do próximo ano e terminará em março do seguinte, a Agroconsult estima que o faturamento das usinas do segmento alcançará R$ 90,9 bilhões. Além de uma moagem de cana no país 3% maior que a esperada em 2015/16, de 680 milhões de toneladas, a projeção para 2016/17 considera preços mais elevados que nesta safra para o açúcar de mercado interno (5,2%), para o açúcar de exportação (4,09%), para o etanol anidro (6,13%) e para o hidratado (5,5%).

Sob o impacto do dólar mais alto, o custo operacional da próxima safra, conforme Meneghin, tende a ser 14% mais elevado que em 2015/16 e atingir R$ 71,3 milhões. Com isso, e apesar da receita maior, o resultado operacional das usinas do país em 2016/17 foi projetado em R$ 19,6 bilhões.

É a partir da soma dos resultados operacionais das duas safras, que chega a R$ 39,4 bilhões, que a Agroconsult prevê o potencial de amortização das dívidas das usinas brasileiras. Dois cenários foram projetados. No primeiro, as usinas destinariam 20% do resultado para quitar o principal da dívida, R$ 7,9 bilhões, que proporcionariam uma redução do endividamento de R$ 85 bilhões para R$ 77,1 bilhões. Nesse caso, o endividamento relativo, atualmente em R$ 135 por tonelada de cana, cairia para R$ 114.

O outro cenário considera o uso de 10% do resultado para quitar dívidas ­ R$ 3,9 bilhões, que reduziriam o principal para R$ 81,1 bilhões, ou o equivalente a R$ 120 por tonelada de cana. O primeiro cenário, segundo Meneghin, já levaria o endividamento relativo do segmento a níveis "toleráveis" pelo mercado, apesar de o "desejável" ser de R$ 70 a R$ 80 por tonelada. A perspectiva de melhora, conforme o analista, pode inclusive melhorar o acesso das usinas a crédito. (Valor Econômico 07/12/2015)

 

Usinas: Primeiro passo rumo à recuperação

Expectativa das usinas para a safra 2016/2017 é de melhora na produtividade e nos preços de mercado.

No Centro-Sul, a expectativa é que safra 2016/2017 seja até 5% superior em relação ao ciclo atual, segundo a Agroconsult, consultoria especializada em agronegócio. A projeção é de uma moagem entre 615 milhões e 630 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, contra as 600 milhões de toneladas previstas para a atual safra. E a estimativa de um melhor resultado para a safra que começa em abril do ano que vem é geral no setor.

Os números da safra atuam comprovam que já se ensaia uma retomada. Segundo levantamento da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), até a primeira quinzena de novembro, 544,5 milhões de toneladas haviam sido processadas na região, aumento de 1,11% ante o mesmo período da safra anterior.

Mas, além da produtividade, os preços de mercado também animam e elevam as expectativas para o próximo ano. No último ano, tanto o açúcar quanto o etanol se valorizaram e ajudaram a melhorar a margem das usinas. A recuperação nos preços chegou a 51% segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea-Esalq/USP).

“Estamos começando a recuperar valores praticados em 2010. Ainda não chegamos aos patamares de antes da crise, mas essa reposição já anima o setor”, diz o empresário do setor Antônio Eduardo Tonielo Filho, presidente do Centro Nacional das Indústrias do Setor Sucroenergético e Biocombustíveis (Ceise-Br).

Para o empresário Dib Nunes Junior, diretor do grupo Idea, consultoria voltada ao setor sucroalcooleiro, esse é primeiro passo rumo à retomada. Mas, a recuperação deve acontecer de forma gradativa. “As condições climáticas favorecem a produtividade e o aumento dos preços, principalmente do etanol, sinalizam esse início de retomada.”

Em um seminário promovido pela consultoria nesta semana em Ribeirão Preto, o diretor técnico da Unica, Antonio de Pádua Rodrigues, disse que as perspectivas do mercado de açúcar são favoráveis, com a manutenção da valorização do dólar, que beneficia as receitas geradas pela exportação. Para o etanol, a expectativa é positiva porque o preço da gasolina não tem nenhuma perspectiva de retração, o que favorece a margem para o combustível de cana.

Desafios

A perspectiva é boa para os preços e também margens das usinas, mas também há os desafios que ainda precisam ser superados pelo setor na próxima safra. A administração do aproveitamento da moagem é peça-chave, segundo o diretor técnico da Unica, Antonio de Pádua Rodrigues. Ele destaca que haverá grande quantidade de matéria-prima disponível, e as unidades do Centro-Sul precisaram de capacidade para processar esse volume. Para Antônio Tonielo Filho, fazer investimentos ainda será complicado para as empresas no próximo ano.

Discussão

Durante a 14º Seminário de Produtividade & Redução de Custos, promovido na última quarta e quinta-feira em Ribeirão Preto, as perspectivas e os desafios para a próxima safra do setor foram discutidas por especialistas. Para o consultor Francisco Oscar Louro Fernandes, da Sucrotec, a “perspectiva para a safra 2016/17 é bastante positiva, pela boa disponibilidade de matéria-prima e preços mais remuneradores”. O professor da FEA-RP/USP Marcos Fava Neves destacou o cenário para o setor, com aumento no consumo interno de etanol.

PRODUTOS E NÚMEROS

Cana

Levantamento da Unica mostra que a produtividade agrícola média acumulada na safra atual para a região Centro-Sul é 12% superior ao registrado no mesmo período da safra 2014/2015.

Etanol

Segundo levantamento do Cepea, o litro do etanol saiu de R$ 1,232 em novembro de 2014 para R$ 1,719 no mês passado, 39,5% a mais devido ao espaço por conta da alta nos preços da gasolina.

Açúcar

Segundo levantamento do Cepea-Esalq/USP, o preço da saca de 50 quilos de açúcar chegou a R$ 78,67 no mês passado, contra R$ 52,09 em novembro de 2014, valorização de 51% que retomou margens. (A Cidade 06/12/2015)

 

Crise de usinas da Abengoa preocupa funcionários e agricultores

Tambaú, São João, Pirassununga e Santa Cruz têm ligações com empresa.

Grupo espanhol está em crise e recentemente efetuou demissões na Bahia.

Produtores rurais de Tambaú, funcionários de usinas de cana-de-açúcar de São João da Boa Vista e Pirassununga e comerciantes de Santa Cruz das Palmeiras (SP) estão com medo dos impactos que a crise no grupo espanhol Abengoa pode causar. Os trabalhadores temem o desemprego e mais de 100 agricultores afirmam que estão sem receber o valor devido pela companhia, que recentemente realizou cortes na Bahia.

"Todo mundo está enrolado, apreensivo, não sabe o que fazer. Nós esperamos que sejam tomadas medidas mais drásticas e imediatas porque desse jeito que está o produtor não vai conseguir sobreviver", disse Vanderlei Bassanesi, presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Tambaú. "Como é que ele vai comprar fertilizantes, insumos? Não tem jeito, não tem dinheiro, já está devendo. Vai remontar a dívida? Não pode".

Um dos agricultores afetados é Aparecido Argeri. Para cuidar da plantação e preparar a terra para o cultivo de cana-de-açúcar, ele fez um empréstimo de R$ 150 mil, gastou em adubo e mão de obra e agora está com medo de perder todo o investimento.

"Trabalho, cuido da cana, a usina vem, leva e receber que é bom nada. É dureza", afirmou. Segundo o produtor, a usina lhe deve R$ 400 mil.

Além das dívidas com os produtores, há a preocupação com o efeito da crise na empresa para quem trabalha nas unidades do grupo na região. Somadas, as plantas de Pirassununga e São João da Boa Vista empregam quase 5 mil trabalhadores.

"A preocupação deles é que o fundo que eles têm, eles disseram para nós, só dá para pagar mais ou menos dois meses de salário para os funcionários", contou Espedito Ferreira de Matos, presidente do Sindicato dos Empregados Rurais de Santa Cruz das Palmeiras. "Depois de janeiro a gente não sabe o que vai acontecer".

Ele afirmou que o medo é de que a usina feche e contou que, se isso acontecer, vai afetar não apenas a economia de São João e Pirassununga, mas também a de Santa Cruz. "Os trabalhadores dependem desse serviço, tanto os trabalhadores como o pessoal do comércio porque aqui a gente não tem outras indústrias, é somente a usina mesmo. Então é muito preocupante porque, se chegar a fechar, a nossa cidade vai ficar uma cidade fantasma".

Impacto

Diante das dúvidas, o empresário Almir de Oliveira se mostra preocupado. Praticamente todos os clientes de seu supermercado são funcionários da usina ou têm parentes trabalhando nela. "Todo comércio depende da usina e não tem outra renda a não ser a própria Abengoa, então fica muito difícil", declarou.

O operador de máquinas Francisco Leite Sá também está receoso. Ele deixou o Ceará em busca de emprego e há nove anos sai de casa toda tarde para ir para a usina, mas não sabe por quanto tempo terá trabalho.

"Preocupa porque não tem outro meio. É só lá que tem mesmo aqui. Se for demitido, tenho que sair, ir embora da cidade".

Empresa

A reportagem do Jornal da EPTV procurou representantes do grupo Abengoa, mas ninguém quis falar sobre o assunto ou sobre o que levou a empresa à crise. (G1 05/12/2015)

 

Ações da Tereos sobem 128,7% após anunciar fechamento de capital

As ações ON da Tereos Internacional, companhia com operações em cana­de­açúcar e amidos no Brasil e na Europa, fecharam com alta de 128,71%, para R$ 51,69, após a controladora anunciar oferta pública de aquisição (OPA) para o cancelamento de registro de companhia aberta.

A Tereos Participations, controladora indireta, ofereceu R$ 65 por ação da companhia, um prêmio de 187,6% em relação ao fechamento de ontem.

A companhia indica ainda que, caso as condições necessárias para o fechamento de capital não sejam atendidas, a controladora propõe a saída do Novo Mercado, com a migração para o segmento básico de listagem da BM&FBovespa.

Pela manhã, a Tereos respondeu a um pedido de esclarecimento da BM&FBovespa sobre movimentações atípicas envolvendo ações da companhia nos últimos dias.

Na quarta-feira (2), os papéis da Tereos registraram alta de 35,39%, para R$ 22,54, com 1,705 milhões de negócios, volume 4,4 vezes maior que no dia anterior, quando foram realizados 380 mil negócios.

“A companhia não tem conhecimento de qualquer vazamento de informação referente aos estudos e discussões preliminares que estavam em curso na data de ontem, nem qualquer indício de que as oscilações atípicas verificadas no pregão de 2 de dezembro de 2015 tenham relação com o fato acima [a OPA]”, afirmou a Tereos, em resposta à bolsa. (Valor Econômico 04/12/2015)

 

Rússia está perto de autossuficiência em açúcar; importações caem

A Rússia, que já foi um dos maiores importadores mundiais de açúcar bruto, vai reduzir suas importações além do esperado em 2015/16, depois de uma forte safra de beterraba levar o país para perto da autossuficiência.

A safra da Rússia deve ficar perto de um recorde devido aos preços atrativos do açúcar no mercado doméstico, uma maior área plantada e clima favorável, disseram analistas.

A safra abundante vai reduzir a necessidade de importação da Rússia quase pela metade na comparação anual, para entre 300 mil e 380 mil toneladas em 2015/15, disseram produtores e analistas russos.

Especialistas da Europa e Ásia haviam previsto importações de açúcar bruto da Rússia em cerca de 500 mil toneladas, mas disseram que o número poderia cair se a produção doméstica excedesse as expectativas. (Reuters 07/12/2015)

 

Olhando além da próxima safra – Por Arnaldo Luiz Corrêa

O mercado futuro de açúcar em NY teve uma semana de alta vigorosa. O fechamento do vencimento março/2016 na sexta-feira cravou 15.48 centavos de dólar por libra-peso (depois de ter negociado até 15.85 centavos de dólar por libra-peso), representando um acréscimo de 50 pontos em relação à semana anterior, ou seja, mais de 11 dólares por tonelada. Os vencimentos para a safra 2016/2017 do Centro-Sul na bolsa, de maio/2016 até março de/2017, apresentaram variações positivas médias de 8-9 dólares por tonelada. A safra seguinte (2017/2018) ficou de lado.

Os fundos não-indexados continuam mantendo uma posição que segura o mercado nos níveis atuais. São 212.000 contatos comprados que equivalem a 10.8 milhões de toneladas de açúcar. No entanto, acredito que a adição de mais compras além desse volume pode colocar um limite na movimentação dos fundos. Traduzindo: o mercado pode eventualmente ficar pesado. O volume enorme de puts (opções de venda) em aberto para vencimento em janeiro (entre os preços de exercício de 14.00 e 15.50 centavos de dólar por libra-peso) devem somar 16.000 contratos.

O que serve de alento para o mercado físico que anda de lado e não apresenta nenhuma novidade é que o spread (março/maio) continua firme fechando a 46 pontos. Normalmente o spread é o termômetro que antecipa no mercado futuro aquilo que provavelmente vai ocorrer no mercado físico. Por enquanto, tudo leva a crer que os fundamentos vão prevalecer.

A previsão de preços de NY baseada no modelo desenvolvido pela Archer Consulting, que considera os preços médios de cada mês nos últimos quinze anos e a correlação deles na formação de preço dos meses seguintes, aponta que o preço médio de dezembro deve ficar 8% melhor do que o de novembro. E janeiro deve ficar 4% melhor do que o preço de dezembro. Fevereiro teria o pico de preços seguido de março com ligeira queda. Estamos falando de preço médio, não de preço máximo.

A desvalorização do real em relação ao dólar e o descolamento do mercado de açúcar em NY do câmbio incentivaram às usinas a travar seus preços em reais que também atingem recorde. Depois que o contrato de açúcar em NY se descolou das oscilações do dólar, houve um acréscimo surpreendente de fixações de preço dos contratos de exportação de açúcar por parte das usinas como nunca antes. A quarta estimativa do volume fixado para a safra 2016/2017 apurada pelo modelo desenvolvido pela Archer Consulting apresenta um total de 13,174 milhões de toneladas de açúcar ao preço médio de 13,57 centavos de dólar por libra-peso, ou seu equivalente em R$ 1.172 por tonelada FOB. Esse volume deve representar uma fixação de 55.75% da safra, considerando a estimativa da Archer de um volume de exportação brasileira de açúcar da ordem de 25,12 milhões de toneladas. O dólar médio obtido pelas usinas é de 3,7639 reais. O modelo estima um erro para mais ou para menos de 3.74% do preço encontrado. Comparativamente às últimas quatro safras, o percentual acumulado de fixação de 55.75% para a 2016/2017 é o mais alto já visto. O ano passado, por exemplo, o acumulado nesse mesmo período era de apenas 23.23%.

Veja o gráfico do fechamento diário do mercado futuro de açúcar em NY (primeira cotação) convertido em R$/tonelada, pelo câmbio do Banco Central e ajustado pelo IGPM. O maior preço ajustado no período analisado (de janeiro de 2010 até hoje) foi de R$ 1.964.58 (em 29/01/2010) por tonelada, valor que seria obtido hoje, considerando o real a 3.8500 se NY negociasse a 22.25 centavos de dólar por libra-peso. O preço ajustado mais baixo foi de R$ 789.59 por tonelada (equivalente hoje a NY 8.94 centavos de dólar por libra-peso) ocorrido em 16/09/2014.

Em valores nominais as usinas estão recebendo o maior preço em reais por tonelada desde fevereiro de 2011. Preço acima de R$ 1.300 equivalente FOB com prêmio de polarização é extremamente remunerador. Haja vista que muita gente começa a fazer cálculos para fixar também para a safra 2017/2018. Veja bem, as empresas bem capitalizadas e com gestão de risco profissional que conseguem fazer NDF (contrato a termo de dólar com liquidação financeira) para 2017 e fixar futuros para o mesmo período, podem conseguir uma fixação do açúcar equivalente a R$ 1.500 por tonelada.

Caso a situação política se mantenha do mesmo jeito e o dólar médio para 2017 seja de R$ 4.0000, a cotação média de açúcar em NY precisa estar em 16.35 centavos de dólar por libra-peso para que se obtenha os mesmos R$ 1.500 por tonelada, ou seja, precisa subir 200 pontos. Se houver uma melhor do cenário político e o dólar em 2017 fique na média em R$ 3.5000, NY vai precisar negociar a 18.70 centavos de dólar por libra-peso para empatar com o que é possível fixar nas condições de hoje, isto é, uma elevação de 440 pontos.

Se ainda assim a empresa não se sentir segura com os R$ 1.500, pode fazer algumas operações usando derivativos para aproveitar uma eventual elevação do preço em dólares.

Marque na sua agenda para 2016. O Curso Noturno de Opções vai ocorrer dias 22, 23, 24 e 25 de fevereiro em São Paulo. Em março, dias 29, 30 e 31 ocorre o XXV Curso Intensivo de Futuros, Opções e Derivativos em Commodities Agrícolas.
Caso você queira receber nossos comentários semanais de açúcar diretamente no seu e-mail basta cadastrar-se no nosso site acessando o link http://archerconsulting.com.br/cadastro/ (Arnaldo Luiz Corrêa é diretor da Archer Consulting - Assessoria em Mercados de Futuros, Opções e Derivativos Ltda.)

 

Fabricantes de caminhões no Brasil têm ociosidade de 50%

Os fabricantes de caminhões do Brasil estão trabalhando com um nível de ocupação de sua capacidade de produção no país de 50 por cento e avaliam que uma recuperação do mercado poderia ocorrer apenas a partir de 2017.

O segmento encerrou novembro com uma queda acumulada de produção desde janeiro de 47,5 por cento sobre o mesmo período do ano passado, para 71,48 mil unidades, segundo dados informados nesta sexta-feira pela associação de montadoras de veículos, Anfavea. As vendas, enquanto isso, tiveram queda de 46,5 por cento, a 66 mil caminhões.

"Hoje não dá para prever uma retomada em 2016, cerca de 70 mil unidades até agora neste ano é um número muito baixo", disse o vice-presidente da Anfavea Luiz Carlos de Moraes durante a divulgação dos números mensais do setor pela entidade.

Segundo ele, depois da queda nas vendas em novembro de 18 por cento sobre outubro e de 61 por cento sobre o mesmo período de 2014, os licenciamentos de dezembro "deve ser muito ruim também" depois da confusão criada pelo governo federal sobre regras de financiamento dos veículos.

Perto do fim da vigência do Programa de Sustentação do Investimento (PSI) para contratação de financiamentos para compra de caminhões novos, o governo resolveu antecipar prazo limite para solicitações junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Pouco depois reviu a medida mantendo o prazo original do final de novembro.

"Pelo terceiro ano consecutivo tivemos mudanças de regras que surpreenderam o mercado e só criaram confusão (...) As operações (de financiamento do BNDES) na prática ficaram quatro semanas paradas", disse Moraes. "Efetivamente, o BNDES só voltou a aprova operações no final da semana passada e o PSI já acabou", acrescentou, cobrando regras claras para o segmento em 2016.

A incerteza sobre a economia, impactada pela crise política, também afetou o setor de máquinas agrícolas e rodoviárias. As vendas no acumulado de janeiro a novembro têm queda de 33,7 por cento sobre o mesmo período do ano passado, para 42.775 unidades.

"A falta de confiança inibe frontalmente a decisão de investir", disse a vice-presidente da Anfavea, Ana Helena de Andrade. "O PIB cai, as pessoas investem menos e as questões fiscais ficam cada vez mais agudas", acrescentou.

Segundo ela, a maior parte das montadoras de máquinas agrícolas e rodoviárias vai conceder férias coletivas neste fim de ano. Helena acrescentou que após o fim do PSI o programa Moderfrota se tornou a principal forma de financiamento do setor. O programa tem taxa de juros de entre 7,5 e 9 por cento ao ano e financia entre 90 e 100 por cento do valor do bem.

"Temos expectativa de que no primeiro semestre do ano vem tenhamos estabilidade de regras para iniciarmos um novo ciclo em que se reduza a crise de confiança e as compras (de máquinas) passem a ser efetivadas", disse ela. (Reuters 04/12/2015)

 

Commodities Agrícolas

Café: Ação do dólar: Os preços do café voltaram a oscilar ao sabor das variações do dólar em relação ao real na sexta-feira e fecharam no azul na bolsa de Nova York. Os papéis para março subiram 210 pontos, para US$ 1,2695 a libra-peso. A moeda americana recuou de forma modesta ante a brasileira refletindo tanto o cenário doméstico como o externo. A queda do dólar desestimula as exportações do Brasil, maior produtor e fornecedor de café do mundo. Com isso, os traders aproveitaram para continuar a cobrir posições vendidas, já que nos dias anteriores estavam com forte posição longa (expectativa de queda das cotações) na bolsa. No mercado interno, o preço do café de boa qualidade subiu um pouco e passou a oscilar entre R$ 500 e R$ 510 a saca de 60,5 quilos, de acordo com o Escritório Carvalhaes.

Cacau: Nova máxima: O mercado do cacau ultrapassou uma nova marca e atingiu na sexta-feira os maiores preços em quatro anos e sete meses, com nova rodada de compras especulativas. Os lotes para março subiram US$ 4, a US$ 3.390 a tonelada, o maior valor desde 11 de março de 2011. Além de todas as preocupações com os efeitos da seca do início do semestre na produção do oeste da África, o temor agora é com os ventos Harmattan, do deserto do Saara, que atinge a região todo começo de ano. Alguns analistas acreditam que a intensidade dos ventos (que são secos e carregados de areia) pode ser mais severa que o normal este ano por causa do El Niño. Em Ilhéus e Itabuna, o preço na quinta-feira (último dado disponível) ficou em R$ 152 a arroba, de acordo com a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Soja: Vende que nem água: Os exportadores americanos realizaram novas vendas elevadas de soja na sexta-feira, o que animou os investidores na bolsa de Chicago. O Departamento de Agricultura do país (USDA) informou que apenas na sexta foram negociadas 427 mil toneladas de soja para o mercado externo, das quais 178 mil toneladas destinadas à China. Foi o terceiro dia seguido de negociações robustas. No período, acertou-se a exportação de 683 mil toneladas de soja da safra atual. Os traders acreditam que essas vendas sinalizam que as exportações dos Estados Unidos podem deslanchar daqui para frente. Até agora, o ritmo das exportações continua atrás do observado no ano passado. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para a soja em Paranaguá teve alta de 0,42%, para R$ 80,64 a saca.

Miho: Receio com o clima: Os traders do mercado do milho estão receosos com a produção da América do Sul, que pode ser afetada por problemas climáticos. Na sexta-feira, a consultoria Informa Economics reduziu sua projeção para a produção total do Brasil em 2015/16 em 500 mil toneladas, para 81,3 milhões de toneladas. A FCStone fez sua primeira projeção para o milho "safrinha" e calculou uma redução de 2% na produção ante a safra anterior, para 53,27 milhões de toneladas. A perspectiva de uma oferta mais restrita não é unânime, mas serviu de motivo para que os traders voltassem a montar posições na bolsa de Chicago na sexta-feira, quando os papéis para março subiram 4,5 centavos, para US$ 3,815 o bushel. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa caiu 0,2%, para R$ 34,09 a saca. (Valor Econômico 07/12/215)