Setor sucroenergético

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Alta de preços e câmbio podem levar à queda do endividamento do setor

Há algumas safras com faturamento menor do que suas dívidas no país, o segmento sucroalcooleiro deverá obter, nesta e na próxima temporada, resultados capazes de reduzir o passivo. Conforme cálculos da Agroconsult, o horizonte mais positivo tornará possível uma redução de quase R$ 8 bilhões no endividamento total das usinas, atualmente estimado em R$ 85 bilhões. A conta leva em consideração um universo de 200 grupos em operação

O cenário mudou para melhor com a alta das cotações internacionais do açúcar, decorrente das previsões de que o quadro global de oferta e demanda produzirá neste ciclo 2015/16 o primeiro déficit após cinco safras com superávit. E, fortalecida pelas interrupções da moagem de cana no Centro-Sul do Brasil por causa das chuvas, a conjuntura mais favorável à valorização do açúcar tem levado a reboque o etanol, cujos preços já estavam em alta por conta dos reajustes da gasolina e da demanda doméstica recorde neste ano.

Fábio Meneguin (foto), analista da Agroconsult realça, finalmente, que o dólar mais forte em relação ao real também tem colaborado para melhorar a saúde financeira das usinas, uma vez que, ao menos nesta safra 2015/16, seus reflexos favoráveis para os preços estão sendo mais expressivos que os efeitos negativos sobre os custos de produção.

Assim, com a ajuda do câmbio, o faturamento das usinas do país deverá somar, segundo a consultoria, R$ 82,2 bilhões no ciclo atual, quase 20% a mais que nas duas últimas temporadas, segundo o Valor Econômico.

Para chegar a esse montante, a Agroconsult considerou preços médios de R$ 55,11 para a saca de 50 quilos do açúcar vendido no mercado interno e de R$ 49,80 para a saca de açúcar bruto destinada à exportação. “Esse valor considera as vendas antecipadas de açúcar e as que já foram efetivadas”, explicou Meneguin. No caso do etanol, foram considerados preços médios de R$ 1,63 para o litro do anidro (misturado à gasolina) e de R$ 1,45 para o litro de hidratado (usado diretamente nos tanques).

A Agroconsult projetou para 2015/16 um custo operacional total de R$ 62,4 bilhões, incluindo as depreciações agrícola e industrial e um retorno operacional de R$ 19,8 bilhões. Se confirmado, esse resultado (Ebit), que desconsidera custos financeiro, de hedge e imposto de renda, será o melhor no segmento sucroalcooleiro desde o ciclo 2002/03, de acordo com o analista.

Para a safra 2016/17, que começará em abril do próximo ano e terminará em março do seguinte, a Agroconsult estima que o faturamento das usinas do segmento alcançará R$ 90,9 bilhões. Além de uma moagem de cana no país 3% maior que a esperada em 2015/16, de 680 milhões de toneladas -, a projeção para 2016/17 considera preços mais elevados que nesta safra para o açúcar de mercado interno (5,2%), para o açúcar de exportação (4,09%), para o etanol anidro (6,13%) e para o hidratado (5,5%).

Sob o impacto do dólar mais alto, o custo operacional da próxima safra, conforme Meneguin, tende a ser 14% mais elevado que em 2015/16 e atingir R$ 71,3 milhões. Com isso, e apesar da receita maior, o resultado operacional das usinas do país em 2016/17 foi projetado em R$ 19,6 bilhões.

É a partir da soma dos resultados operacionais das duas safras, que chega a R$ 39,4 bilhões, que a Agroconsult prevê o potencial de amortização das dívidas das usinas brasileiras. Dois cenários foram projetados. No primeiro, as usinas destinariam 20% do resultado para quitar o principal da dívida, R$ 7,9 bilhões, que proporcionariam uma redução do endividamento de R$ 85 bilhões para R$ 77,1 bilhões. Nesse caso, o endividamento relativo, atualmente em R$ 135 por tonelada de cana, cairia para R$ 114.

O outro cenário considera o uso de 10% do resultado para quitar dívidas, R$ 3,9 bilhões, que reduziriam o principal para R$ 81,1 bilhões, ou o equivalente a R$ 120 por tonelada de cana. O primeiro cenário, segundo Meneguin, já levaria o endividamento relativo do segmento a níveis “toleráveis” pelo mercado, apear de o “desejável” ser de R$ 70 a R$ 80 por tonelada. A perspectiva de melhora, conforme o analista, pode inclusive melhorar o acesso das usinas a crédito. (Brasil Agro 08/12/2015

 

UE abre investigação sobre manipulação do etanol, mas exclui Shell, BP e Statoil

Os reguladores antitruste da União Europeia retiraram a Shell, a BP e a Statoil de uma investigação sobre suspeitas de manipulação dos valores de referência de etanol, e passaram a focar em três produtores do biocombustível.

A Comissão Europeia disse nesta segunda-feira que abriu uma investigação antitruste formal sobre as ações da espanhola Abengoa, da belga Alcogroup e da Lantmännen ek för, da Suécia.

Em abril, os reguladores antitruste europeus fizeram incursões em várias companhias de biocombustíveis e, ao mesmo tempo, intensificaram as investigações de dois anos sobre os preços de referência do biocombustível. Em 2013, a agência reguladora fez buscas nos escritórios da BP, Shell e Statoil.

A BP, a Shell e a agência que divulga cotações Platts foram informadas que não fazem parte da investigação aberta nesta segunda-feira, disseram duas fontes com conhecimento do assunto.

A Comissão disse que tinha preocupações de que Abengoa, Alcogroup e Lantmännen ek för possam ter se unido para manipular os valores de referência do etanol divulgados pela Platts.

"A investigação da Comissão foca no comportamento dos preços de referência do setor de etanol", disse a autoridade de concorrência da União Europeia em resposta a um e-mail questionando se os setores de petróleo e produtos refinados ainda estavam sendo avaliados.

BP não estava imediatamente disponível para comentários, a Shell não quis comentar e uma porta-voz da produtora estatal norueguesa Statoil disse que não houve multas ou acusações formais contra a companhia.

(Por Philip Blenkinsop e Foo Yun Chee; reportagem adicional de Dmitry Zhdannikov e Gwladys Fouche). (Reuters 07/12/2015)

 

Apostar em inovação verde

Ninguém deveria se surpreender com o anúncio de que a China vai reduzir fortemente suas emissões de carbono. A notícia impactou a COP21, a conferência sobre mudança climática que termina na próxima sexta. De grande vilã do aquecimento global, a China assume agora o papel de campeã mundial do tema.

O país não faz isso por altruísmo. Faz porque enxerga uma enorme oportunidade econômica: apostar em tecnologias verdes e em energia limpa, setor que estará em alta nas próximas décadas. O governo chinês vai investir US$ 2,5 trilhões (R$ 9,4 trilhões) nos próximos 15 anos em energia limpa. A estratégia é promover colaboração entre empresas globais e empresas chinesas, com foco em inovação.

É uma lástima que o Brasil não tenha se posicionado com força nesse jogo. Nosso país tem tudo para ser líder nele. Só que a falta de visão -simbolizada pelo encanto com o pré-sal- nos tirou da rota.

Apesar disso, há esperança. A onda de inovação verde espalha-se pelo mundo e também pelo Brasil. A dinâmica desse tipo de iniciativa é sempre parecida. Um grupo de empreendedores se une, cria uma comunidade de colaboração em torno de um projeto, tudo altamente conectado pela internet. Adota uma dinâmica "open source" (de código aberto), em que ideias e avanços são livremente compartilhados. Busca financiamento tanto por meios tradicionais quanto por crowdfunding. A partir daí o objetivo é ganhar escala, expandindo local e globalmente.

Apoiar esse tipo de arranjo é essencial. São muitos os projetos surgidos assim. Por exemplo o Wikihouse.cc, na Inglaterra, que desenvolve um kit de construção de casas de baixo custo com materiais como madeira ou compensado. As peças são feitas em uma impressora industrial -depois é só montar. No Brasil, uma iniciativa semelhante é a Urban3D, de São Paulo, que busca reduzir em até 80% os custos de construção civil incorporando tecnologias de robótica e impressão 3D.

Outro belo exemplo é o Bamboozar, instituto criado pelo empresário Mark Neeleman, que quer investir R$ 150 milhões nos próximos cinco anos no Acre, pesquisando as mais de 1.400 variedades de bambu existentes no país. São muitas as aplicações: construção de painéis para construção civil ou biocombustíveis. Tudo com um recurso altamente renovável.

Ou ainda a WTT Ventures, em São Paulo, que apoia o desenvolvimento de inovações verdes na área de energia, água e biodiversidade. Dentre os projetos apoiados há a geração de etanol a partir da celulose do bagaço da cana ou geradores de energia com ímãs supercondutores.

A COP21 deixará claro que apostar em tecnologias sustentáveis é questão não só de sobrevivência, mas de desenvolvimento econômico. O Brasil precisa decidir se será produtor de inovação verde ou se se contentará, de novo, em ser consumidor do que vier da China. (Folha de São Paulo 07/12/2015)

 

Preço do etanol hidratado sobe ao motorista em 21 Estados

Os preços do etanol hidratado, que é usado diretamente no tanque dos veículos, subiram novamente na última semana ao consumidor final da maior parte dos Estados do país.

Conforme levantamento da Agência Nacional de Petróleo (ANP), o preço médio do biocombustível subiu ao motorista de 21 Estados entre 29 de novembro e 5 de dezembro na comparação com a semana anterior.

São Paulo, maior centro consumidor de combustíveis do país, a valorização foi de 1,33%, com o preço médio a R$ 2,573 o litro. A paridade com o preço da gasolina subiu 0,3 pontos, a 73,3%. Com isso, abastecer com etanol em vez de gasolina permaneceu desvantajoso do ponto de vista econômico em São Paulo. Isso acontece quando o preço do biocombustível equivale a mais de 70% do preço de concorrente fóssil.

Uma das elevações mais expressivas ao consumidor final na última semana foi observada em Alagoas, onde a safra de cana­de­açúcar está no pico. Nesse Estado, o preço médio do hidratado subiu 3,99% entre 29 de novembro e 5 de dezembro na comparação com a semana anterior.

O preço médio do hidratado caiu em quatro Estados na última semana. Entre as principais quedas observadas no intervalo foi a da Bahia (1,1%) e do Acre (1,49%).

Nas usinas em São Paulo, os preços pagos pelo etanol vêm caindo. Na última semana, encerrada em 4 de dezembro, o indicador Cepea/Esalq para o hidratado na usina paulista foi de R$ 1,6973 o litro. Em quatro semanas, o indicador acumula queda de 2,6%. (Valor Econômico 07/12/2015 às 18h: 20m)

 

JBS desmoraliza o “impeachment” do BNDES

O processo de “impeachment” da JBS está fadado a morrer por inanição de argumentos. O conglomerado de empresas construído com o apoio do BNDES vai fechar o ano com um faturamento superior a R$ 180 bilhões e entra em 2016 como candidato a liderar o mais furioso processo de consolidação multissetorial do país.

A recente aquisição da Alpargatas não deve ser vista como fato isolado. A J&F vai avançar em sua estratégia de diversificação. Entre os alvos estão construção pesada, agronegócio, energia e celulose, segmento em que o grupo já atua por meio da Eldorado.

Neste caso, todos os caminhos apontam para a fusão da empresa com a Fibria, da Votorantim – a operação de M&A mais decantada e aguardada no setor.

Os grupos de interesse que fazem oposição ao BNDES sempre apostaram no “impeachment” da JBS como uma ponte para o “impedimento” do próprio banco. Mas não há Eduardo Cunha capaz de se contrapor a fatos e números tão superlativos. Principal negócio da J&F, o frigorífico vai romper neste ano a barreira dos R$ 165 bilhões em faturamento, 37% a mais do que em 2014, consolidando-se como a maior empresa privada do país.

A dimensão destas cifras se estende à balança comercial. Ao fim deste ano, a JBS responderá por mais de 40% das exportações brasileiras de carne bovina, que deverão somar US$ 6 bilhões. Em um exercício meramente hipotético, mantidas as respectivas taxas médias de crescimento nos últimos quatro anos, até 2020 a JBS superaria a própria Petrobras, tornando-se o maior faturamento do Brasil entre as companhias não financeiras.

Ressalte-se que esta é uma projeção extremamente conservadora, uma vez que, na ponta do lápis, a estatal promete um encolhimento para os próximos anos. Ou seja: a ultrapassagem pode vir antes. Na área técnica do BNDES, há quem diga que o Brasil estaria em outro patamar se a cada dez operações de financiamento do banco houvesse uma JBS.

Poucos negócios na história da instituição se revelaram tão lucrativos. Em 2007, quando o BNDES fez seu primeiro aporte na companhia, a ação estava em torno de R$ 7. Em setembro deste ano, a cotação atingiu seu maior patamar histórico – R$ 17,20. Se, nesse momento, a agência de fomento eventualmente tivesse vendido em mercado toda a sua posição na JBS, realizaria um ganho superior a R$ 6 bilhões.

A J&F talvez seja hoje o que existe no Brasil de mais próximo dos chaebols, os grandes conglomerados industriais sulcoreanos, com negócios nos mais variados setores, formados a partir de uma empresa mãe. O BNDES está indissociavelmente ligado à gênese deste cavalo vencedor. Em 2007, a JBS era um frigorífico com uma receita de R$ 4 bilhões por ano.

Hoje, todos os negócios da J&F faturam essa soma a cada oito dias. O financiamento do banco à JBS teve um efeito multiplicador ao permitir que o grupo aumentasse seu nível de alavancagem para investir em outras áreas. À época, além da produção de carne bovina, a família Batista tinha apenas um negócio mais relevante, a Flora, fabricante de produtos de higiene e limpeza.

De lá para cá, entrou nos setores de laticínios, celulose, financeiro, calçadista e até mesmo em mídia, com a aquisição do Canal Rural. Essa miríade de empresas soma 270 mil postos de trabalho, 150 mil no Brasil. A incorporação da Fibria aumentaria esse efetivo em 15 mil funcionários. O “impeachment” da JBS ou do BNDES seria também o “impeachment” dessa gente. (Jornal Relatório Reservado 07/12/2015)

 

Etanol hidratado cai pela 3ª semana em SP com vendas de usinas, diz Cepea

A cotação do etanol hidratado recuou pela terceira semana consecutiva nas usinas do Estado de São Paulo, com empresas realizando vendas pela necessidade de recursos, afirmou o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) em análise nesta segunda-feira.

"A necessidade de 'fazer caixa' e, em alguns casos, também de liberar espaço nos tanques para o etanol a ser produzido ainda nesta safra fizeram com que usinas elevassem o volume ofertado", afirmou o Cepea, da Universidade de São Paulo.

Entre 30 de novembro e 4 de dezembro, o Indicador Cepea/Esalq (Estado de São Paulo) do hidratado registrou queda de 1,3 por cento ante a semana anterior, a 1,6973 real/litro (sem impostos, a retirar em usina).

No caso do anidro, o indicador caiu 1,4 por cento, para 1,9494 real/litro.

O Cepea destacou que questões climáticas limitaram as perdas.

"Ao mesmo tempo, as chuvas ocorridas em algumas regiões produtoras reduziram as atividade de colheita e de moagem, limitando recuos maiores de preços.

O Cepea havia alertado que o biocombustível estava perdendo competitividade frente à gasolina após um período de altas.

Nos postos, o hidratado mantém vantagem sobre a gasolina apenas em Mato Grosso, onde o preço do etanol equivaleu a 68,2 por cento do valor da gasolina, no intervalo de 29 de novembro a 5 de dezembro, segundo dados da ANP citados pelo órgão de pesquisa.

"Do lado da demanda, o interesse de distribuidoras por novas compras segue baixo", acrescentou. (Reuters 07/12/2015)

 

Petróleo Brent cai para mínima em quase 7 anos por inércia da Opep e dólar forte

Os preços do petróleo caíram nesta segunda-feira para uma mínima em quase sete anos após a reunião da Opep na sexta-feira terminar sem uma referência a um teto de produção e um dólar mais forte tornar mais caras cargas da commodity.

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) terminou sua reunião na sexta-feira sem concordar em diminuir a produção.

Os ministros do petróleo do grupo não fizeram qualquer referência ao limite máximo de produção, destacando desacordo entre os integrantes da organização sobre como acomodar produção iraniana após a suspensão de sanções ocidentais.

"Um dólar mais forte e desdobramento da reunião da Opep estão pesando no mercado de petróleo", disse o analista Tamas Varga, da corretora PVM Oil Associates, em Londres.

O petróleo Brent recuava 0,97 dólar, ou 2,26 por cento, a 42,03 dólares por barril, às 12:32 (horário de Brasília).

O Brent atingiu mais cedo 41,77 dólares, o nível mais baixo desde 12 de março de 2009.

O petróleo dos Estados Unidos caía 1,2 dólar, ou 3 por cento, a 38,77 dólares por barril. (Reuters 07/12/2015)

 

Investidores vêem preços do petróleo "baixos por mais tempo"

Os investidores estão apostando que o preço do petróleo fique baixo por mais tempo após a decisão da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) de abandonar um teto formal de produção, empurrando os preços futuros para entrega em quase 10 anos para menos de 60 dólares o barril.

Isto poderia prejudicar a capacidade dos produtores de óleo e gás não convencionais dos EUA ("shale gas" e "shale oil"), que estão entre as vítimas da decisão da Opep de manter a extração forte para defender participação de mercado, já que os preços não serão rentáveis para entregas futuras.

Os preços futuros do petróleo nos EUA para entrega em dezembro deste ano aprofundaram queda para menos de 40 dólares por barril nesta segunda-feira, após a Opep falhar na semana passada em chegar a um acordo sobre uma meta de produção para reduzir o excesso da commodity no mercado, que derrubou os preços em mais de 60 por cento desde 2014.

"O petróleo vai fazer mínimas mais baixas e altas menores no futuro próximo e, em termos de reação do mercado pós-Opep, eu não estou surpreso, mas deixa a porta aberta para que os preços caiam", afirmou o analista da Gain Capital Fawad Razaqzada.

Ainda recentemente, no fim de novembro, o petróleo dos EUA para entrega em dezembro de 2022 em diante foi negociado ligeiramente acima de 60 dólares por barril, mas na sequência da reunião da Opep, os contratos para dezembro 2024 estão abaixo de 60 dólares, mostram os dados de negociação.

"Isso significa que há uma perda de confiança no mercado após a reunião da Opep e as pessoas esperam que os preços baixos durem mais tempo", disse Oystein Berentsen, diretor de petróleo na Strong Petroleum em Cingapura. (Reuters 07/12/2015)

 

Usinas da Índia priorizam exportação de açúcar branco após confirmação de subsídio

As usinas de açúcar indianas estão priorizando exportações de açúcar branco de baixa qualidade e podem focar nas exportações de açúcar bruto no início de 2016 após o governo confirmar que pagará um subsídio para a produção de cana, disseram operadores europeus nesta segunda-feira.

Uma notificação oficial publicada jornal oficial indiano datada de 2 de dezembro confirmou que o subsídio para produção de cana será paga aos produtores após as usinas exportarem 80 por cento de suas cotas. O subsídio será de 45 rúpias indianas (equivalentes a 0,7 dólar) por tonelada.

A Índia é o segundo maior produtor mundial de açúcar, atrás do Brasil.

Operadores europeus disseram que, por enquanto, as usinas indianas estavam exportando açúcar branco de baixa qualidade para mercados como Leste da África, Oriente Médio e região Oceano Índico, oferecido a cerca de 375 dólares por tonelada, posto dentro do navio no porto (FOB).

Operadores disseram que quaisquer ofertas de açúcar bruto indiano no próximo ano podem competir de igual para igual com as ofertas do Brasil em mercados como Irã, Dubai, Bangladesh, Indonésia, Malásia, levando em consideração a apertada diferença de fretes entre as duas origens.

Qualquer aumento nos preços domésticos do açúcar indiano pode limitar a oferta de exportações de açúcar bruto da Índia, adicionaram eles. (Reuters 07/12/2015)

 

Mundo caminha para catástrofe climática, alerta secretário-geral da ONU

Ban Ki-moon exortou aos países que participam da COP21 que aceitem avaliação periódica de seu envolvimento na redução de emissões

O mundo caminha para uma “catástrofe climática”, alertou hoje (7) o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, ao abrir a semana ministerial da cúpula sobre o clima, que visa a estabelecer, até sexta-feira (11), um acordo mundial contra o aquecimento global. A fala do diplomata sul-coreano ocorreu no âmbito da COP21, cúpula global sobre o clima que ocorre em Paris desde o último dia 30.

“O mundo espera mais de vocês do que meias-medidas”, disse Ban Ki-moon aos delegados, apelando aos países que aceitem, a cada cinco anos, uma avaliação do seu envolvimento antes da entrada em vigor do futuro acordo. “As decisões que tomarem aqui em Paris serão sentidas durante séculos”, destacou.

Segundo o secretário-geral da ONU, “o objetivo atual é o mínimo” e deve-se ter “a ambição de ir além”. “É preciso assim que o acordo preveja ciclos de cinco anos, antes de 2020, para que os Estados voltem a analisar os seus compromissos e os reforcem em função dos dados científicos disponíveis”, defendeu.

“Os países desenvolvidos devem aceitar desempenhar um papel vital e os países em desenvolvimento devem assumir uma parte crescente de responsabilidade, de acordo com as suas capacidades”, afirmou. “Fora das salas, onde nos reunimos em todo o mundo, exige-se um acordo universal e forte. Temos a obrigação de ouvir essas vozes”, acrescentou Ban Ki-moon.

A COP21 aprovou no sábado (5) um projeto de acordo para combater as alterações climáticas. O acordo deve ser concluído esta semana pelos ministros de cerca de 200 países, para ser assinado em no encerramento da conferência, na próxima sexta-feira. (Cidade Biz 07/12/2015)

 

Commodities Agrícolas

Cacau: Ventos do Saara: A chegada dos ventos Harmattan, do deserto do Saara, às áreas produtoras do oeste da África deu motivo para os preços do cacau subirem na bolsa de Nova York. Ontem, os contratos para março fecharam em alta de US$ 27, a US$ 3.417 a tonelada, o maior valor desde 10 de março de 2011, quando o segundo lote na bolsa ficou em US$ 3.445 a tonelada. Os ventos, secos e carregados de areia, prejudicam as floradas da próxima safra e o desenvolvimento dos frutos. Embora sazonais, neste ano os ventos chegaram mais cedo e estão mais fortes que o normal, dizem analistas. Em 2014/15, Gana sofreu uma forte quebra de safra em parte por causa desses ventos. Em Ilhéus e Itabuna (BA), o preço médio da arroba subiu R$ 2, a R$ 154, de acordo com a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Suco de laranja: Receios com a Flórida: Os contratos futuros do suco de laranja subiram ontem na bolsa de Nova York em meio a apostas pessimistas para as projeções do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) sobre a safra da fruta na Flórida. Os lotes para março subiram 295 pontos, a US$ 1,4295 a libra-peso. Acredita-se que o USDA reduzirá novamente seus cálculos para a produção do Estado americano, após prever no mês passado que a colheita do Estado em 2015/16 ficaria em 74 milhões de caixas, o que seria a pior safra em 52 anos. A possibilidade de uma oferta ainda mais restrita muda a direção do mercado. Nos últimos dias, as cotações vinham caindo com a retração do consumo nos EUA. Em São Paulo, o preço médio da laranja à indústria apurado pelo Cepea/Esalq seguiu em R$ 14,19 a caixa de 40,8 quilos.

Soja: Novas apostas: A expectativa de que o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) eleve amanhã suas estimativas para a oferta de soja exerceu pressão sobre os futuros do grão ontem na bolsa de Chicago. Os lotes para março caíram 22,25 centavos, a US$ 8,8575 o bushel. Uma pesquisa realizada pelo "The Wall Street Journal" mostrou que a média das apostas dos analistas é de que o cálculo para os estoques finais nos EUA fique em 12,68 milhões de toneladas, ante 12,65 milhões de toneladas projetadas em novembro. Para os estoques globais, a aposta é de que a projeção continue em 82,8 milhões de toneladas. Houve pressão também da alta do dólar e da expectativa com a entrada da oferta argentina no mercado mundial. No Paraná, o preço caiu 0,06%, para R$ 66,43 a saca, segundo o Deral/Seab.

Milho: De oferta folgada: As cotações do milho tombaram ontem na bolsa de Chicago ante apostas de que o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos eleve seus cálculos para a oferta do grão no relatório de amanhã. Os contratos para março recuaram 8,5 centavos, a US$ 3,73 o bushel. De acordo com uma pesquisa realizada pelo The Wall Street Journal, a média das apostas dos analistas é de que a projeção do USDA para os estoques finais nos EUA suba para 44,93 milhões de toneladas, ante 44,70 milhões de toneladas que foram projetadas em novembro. Para os estoques finais globais, a aposta é de que a estimativa fique em 212,2 milhões de toneladas de milho no mundo, ante 211,9 milhões de toneladas projetadas em novembro. No Paraná, o preço médio do cereal subiu 0,74%, para R$ 24,57 a saca, segundo o Deral/Seab. (Valor Econômico 08/12/2015)