Setor sucroenergético

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Biosev capta US$ 60 milhões na França

A sucroalcooleira Biosev, a segunda maior produtora de açúcar e etanol do país, informou ontem a investidores que assinou um contrato de financiamento de US$ 60 milhões com a Proparco, uma subsidiária da Agência Francesa de Desenvolvimento. O prazo do financiamento é de 12 anos, com três anos de carência. O recurso, captado em dólar, teve custo de Libor mais 5,75% ao ano.

Ao Valor, o diretor financeiro e de relações com investidores da Biosev, Paulo Prignolato, disse que o financiamento foi fechado a uma taxa de juros menor do que a taxa média da dívida da companhia, que gira em torno de 7,5% ao ano. "É também o financiamento de mais longo prazo da empresa desde que ela foi criada, há cerca de sete anos", afirmou o executivo.

Os recursos que, em reais significam cerca de R$ 230 milhões (ao câmbio de R$ 3,80), vão ser usados para renovação de canaviais, tratos culturais e manutenção industrial. "Temos uma demanda anual de Capex de R$ 1,2 bilhão a R$ 1,3 bilhão. Esse recurso, portanto, equivale a cerca de 20% do nosso Capex", disse.

O financiamento com o banco de fomento francês vinha sendo negociado há 12 meses e foi assinado ontem pelo presidente da Biosev, Rui Chammas. Ele afirmou que a operação financeira dá sequência ao objetivo da companhia de alongar os prazos de sua dívida e diversificar suas fontes de captação de recursos.

Conforme o diretor financeiro da Biosev, o empréstimo foi fechado após a realização de uma "due diligence" (auditoria) socioambiental. "Nos ajudou o fato de que já passamos recentemente por um processo semelhante com o IFC, que também tem padrões rígidos de auditoria", afirmou Prignolato.

Em fevereiro deste ano, o IFC, braço privado do Banco Mundial, injetou US$ 50 milhões para adquirir 5% do capital da Biosev, que é controlada pela francesa Louis Dreyfus Commodities. "O empréstimo da subsidiária da agência de desenvolvimento da França é o primeiro feito com o grupo todo", explicou o diretor financeiro.

Em 30 de setembro deste ano, a dívida líquida da Biosev era de R$ 6,4 bilhões, o equivalente a 4,2 vezes seu Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização). Prignolato afirmou que no início da atual safra, a 2015/16, a empresa tinha uma dívida de curto prazo de R$ 1,7 bilhão e que, até o momento, já foram renegociados 80% desse montante. "Estamos caminhando bem de acordo com o planejado", afirmou o diretor. (Valor Econômico 11/12/2015)

 

Pressionada pelo dólar, Tonon pede recuperação judicial

A Tonon Bioenergia, companhia com três usinas de açúcar e etanol no Centro-Sul, engrossou o grupo das sucroalcooleiras que recorreram à Justiça para se proteger de credores. Com dívidas na casa dos R$ 2,8 bilhões, a companhia havia renegociado no primeiro semestre as condições de seus bonds e recebido até dinheiro novo. Mas a forte valorização do dólar no segundo semestre deteriorou sua situação financeira já difícil.

A companhia, que tem como sócios o FIP Terra Viva, gerido pela DGF Investimentos, informou ontem pela manhã a investidores que havia pedido recuperação judicial. No comunicado, afirmou que a decisão foi tomada após um "longo processo de revisão e análise" e que a situação financeira já difícil da companhia foi agravada pela valorização do dólar ante o real e pela restrição de crédito no país.

As três usinas do grupo, duas em São Paulo e uma em Mato Grosso do Sul, processam cerca de 7 milhões de toneladas de cana por safra. A empresa atribui a piora de seus indicadores à seca ocorrida no ano passado, que reduziu em 1,5 milhão de toneladas sua oferta de cana e ao agravamento da restrição de crédito no país.

Mas no mercado, a avaliação é de que, assim como outras companhias desse setor, a Tonon embarcou na onda de captações no exterior com taxas de juros consideradas elevadas para o baixo retorno da atividade nos últimos anos. Assim, esse desfecho já era esperado. No ano passado, a sucroalcooleira Aralco entrou em recuperação judicial menos de um ano após emitir bonds. Outro caso é do Grupo Virgolino de Oliveira, em recuperação extra-judicial, que também se financiou com captações no exterior.

A investidores, a Tonon observou no último balanço, referente ao trimestre encerrado em 30 de setembro, que essa condição adversa da escassez de crédito no país surgiu justamente no momento em que a empresa realizava pesados investimentos para elevar de 2,5 milhões para 3,7 milhões de toneladas a capacidade da unidade Vista Alegre e para ampliar o plantio de cana própria nas suas outras duas usinas.

Em julho deste ano, a Tonon Bioenergia, que havia sido rebaixada por algumas agências de classificação de risco em maio, conseguiu recuperar um pouco de sua nota de risco de crédito após concluir uma renegociação de dívidas com bondholders (detentores de bonds da empresa).

Foi feita uma troca de bônus seniores que vencem em 2020 por títulos novos e de igual vencimento, mas com "covenants" mais brandos e quase dois anos de pagamento de cupom reduzido ­ de 9,25% ao ano para 7,25%. Em paralelo, a companhia obteve um empréstimo novo, de US$ 70 milhões, do Gramercy Funds Management.

Mas o último resultado apresentado, referente ao trimestre encerrado em 30 de setembro, mostrava uma condição fora de controle. A dívida havia crescido 32%, para R$ 2,799 bilhões, na comparação com o início da safra, em 31 de março. Pressionada por uma elevada despesa financeira, a companhia, que tem receita anual na casa dos R$ 800 milhões, apresentou um forte prejuízo líquido de R$ 726,5 milhões no trimestre, altamente impactado pela valorização de 24% do dólar no período.

Ontem, a agência Standard & Poor's rebaixou os ratings de crédito corporativo atribuídos à Tonon Bioenergia de "CCC­" para "D". Também rebaixou os ratings atribuídos aos seus bonds com e sem garantia de "CC" e "CCC-", respectivamente, para "D". A S&P revisou ainda o rating de recuperação da dívida sênior sem garantia da empresa, de "5" para "6", o que indica, segundo a agência, uma recuperação abaixo de 10%. Foi mantida a recuperação da dívida sênior com garantia em "4", o que indica uma recuperação entre 30% e 50%. (Valor Econômico 11/12/2015)

 

Açúcar: Sem fôlego

Os futuros do açúcar demerara tombaram ontem na bolsa de Nova York, influenciados pela queda do petróleo, a alta do dólar e por avaliações de que a commodity está ficando cara demais para uma demanda não tão aquecida.

Os lotes para maio caíram 50 pontos, a 14,18 centavos de dólar a libra-peso.

Os analistas avaliam que o açúcar tem encontrado mais dificuldade em continuar subindo nos últimos dias, após acumular uma alta de cerca de 50% desde o início do semestre.

Ainda que a produção do Centro-Sul do Brasil esteja cada vez menor, a demanda não justifica um patamar de preços mais elevado, afirmam.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo subiu 0,14%, para R$ 79,85 a saca de 50 quilos. (Valor Econômico 11/12/2015)

 

Justiça autoriza a Usina São Fernando a apresentar novo plano a credores

Em recuperação judicial desde 2013, a Usina São Fernando obteve da Justiça autorização para realizar uma nova assembleia geral de credores (AGC) para deliberar sobre um novo plano de pagamento. A assembleia deverá ocorrer no dia 21 de janeiro, e a proposta que será submetida aos credores prevê um prazo de quitação das dívidas em até 23 anos.

Com débitos sujeitos à recuperação na casa dos R$ 1,2 bilhão, a São Fernando é controlada por duas holdings pertencentes aos filhos do pecuarista José Carlos Bumlai, preso no âmbito da Operação Lava Jato por suposto envolvimento, como intermediário, em licitação que teria desviado recursos da Petrobras.

O novo plano de pagamento foi entregue à Justiça pelo escritório Dias Carneiro Advogados, que representa a São Fernando. Nele, a usina propõe pagar seus credores com garantia real de 17 anos, com os pagamentos tendo início 30 dias após a homologação pela Justiça, segundo o Valor Econômico.

Aos credores quirografários, a São Fernando propôs o pagamento ao longo de 23 anos, com incidência de juros de 3% ao ano, carência de 24 meses de principal e juros contada a partir de 30 dias depois da homologação do plano. O início do pagamento se dará 30 dias após o término do período de carência.

A usina, localizada em Dourados (MS), começou a operar em 2009 e começou a atrasar pagamentos em 2011; em 2013, entrou em recuperação judicial, e seu plano de pagamento aos credores aprovado em assembleia completou dois anos no mês passado. O descumprimento do plano começou a acontecer no início deste ano. Os dois principais credores da empresa, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Banco do Brasil (BB), têm a receber, somados, R$ 413 milhões. Ambos pediram à Justiça a falência da empresa, que também enfrentou pedidos da mesma natureza de outros credores.

Durante o período da recuperação judicial, os credores tiveram comportamento indefinido, na visão do administrador judicial da São Fernando, Pedro Coutinho, da Vinícius Coutinho Consultoria e Perícias. “Há credores que, no começo do plano pediam a falência da usina, apesar de todos os pagamentos estarem em dia. E, depois quando os atrasos começaram, voltaram atrás e defendiam uma nova assembleia”.

Ele menciona o próprio caso do BNDES, maior credor com R$ 332 milhões a receber. “O banco de fomento pediu falência da usina em agosto. Em novembro foi questionado pela Justiça se mantinha o pedido. Respondeu solicitando a necessidade de uma atualização da lista de credores para se posicionar em definitivo. Agora, mesmo sem essa atualização, resolver manter o pedido de falência”, afirmou. (Brasil Agro 11/12/2015)

 

Odebrecht anuncia saída de Marcelo do cargo de presidente da holding

Após quase seis meses depois de sua prisão, ocorrida em 19 de junho, o presidente do grupo Odebrecht, Marcelo Odebrecht, formaliza hoje seu afastamento do comando da companhia, um dos maiores conglomerados empresariais do país.

A decisão, segundo apurou o Valor,e logo depois confirmada em comunicado, levou em conta o andamento do seu processo judicial. Marcelo Odebrecht foi preso no âmbito da Operação Lava-Jato, da Polícia Federal, que investiga pagamentos de propina em contratos de obras da Petrobras.

O acionista e executivo do grupo decidiu, por isso, pedir seus afastamento, além da presidência da holding Odebrecht S.A., dos cargos de presidente dos conselhos de administração das controladas Braskem (petroquímica), Óleo e Gás, Realizações Imobiliárias (incorporadora) e Odebrecht Ambiental.

O conselho da Odebrecht decidiu também formalizar a nomeação de Newton de Souza no cargo de diretor-presidente da Odebrecht S.A., bem como dos conselhos administrativos das empresas mencionadas acima.

No comunicado, a Odebrecht afirmou que “acredita que a injusta e desnecessária prisão preventiva de Marcelo será revogada, o que possibilitaria que ele se dedique integralmente a sua família e a sua defesa nas ações penais que responde”.

A empresa destacou ainda que confia que “ao final dos processos judiciais em curso, a inocência de Marcelo Odebrecht será formalmente reconhecida”.

O executivo, neto do fundador do grupo, Norberto Odebrecht, falecido no ano passado, estava no cargo desde 2009. Com idade de 47 anos, Marcelo começou a trabalhar no conglomerado desde 1992.

Filho de Emílio Odebrecht, que é presidente do conselho, ele sempre foi preparado para assumir o comando da companhia, atualmente com atividades em diversos setores, além da construção pesada e engenharia.

A Odebrecht tem negócios que vão da petroquímica, com a Braskem, à produção de etanol, terminal de contêiner, saneamento ambiental, arenas esportivas, como o Estádio do Maracanã, no Rio, e operações de linhas de metrô. (Valor Econômico 10/12/2015)

 

PIB do agronegócio vai encolher 0,7% em 2015, afirma CNA

Soja

O PIB do agronegócio deverá ficar 0,7% menor neste ano em relação a 2014, aponta a balanço anual divulgado nesta quinta-feira (10) pela CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil).

O principal problema do setor é a queda dos preços de commodities no mundo, o que fez o país reduzir em 11% o valor das exportações em 2015, mesmo embarcando 11% mais produtos que no ano anterior.

"Temos consciência de que vamos enfrentar dois anos difíceis", disse o presidente da entidade, João Martins.

De acordo com o relatório, feito em parceria com a LCA Consultores, a perspectiva não é melhor para 2016 e a tentativa será de evitar uma nova queda do PIB do setor. O crescimento moderado da economia mundial e os estoques elevados de produtos agrícolas deverão continuar pressionando para baixo o preços das commodities.

"A cavalaria não vai vir nos salvar", afirmou Fernando Sampaio, economista da LCA que apresentou um panorama para o próximo ano explicando que, ao contrário de outras crises, quando o país saiu delas usando ganhos com as exportações, dessa vez isso não deverá ocorrer.

Para Sampaio, o ano de 2016 ainda será ruim. Mas a velocidade da piora deverá ser menor que a de 2015 por haver menos fatores pressionando a economia, como falta de energia, aumento de preços e redução de estoques. Se os problemas políticos forem resolvidos, a retomada da economia será facilitada, diz.

Na perspectiva da LCA, o dólar deve terminar o ano que vem em R$ 4,11, a taxa Selic deve se manter no patamar atual de 14,25% por todo o ano e a inflação terminará próxima dos 6,5% ao ano.

AUMENTO

Mesmo com a crise lá fora, a previsão é de que o valor da produção agrícola brasileira para 2016 fique 2,7% maior, puxado basicamente por aumento de área plantada em algumas culturas como café e cana-de-açúcar.

A produção total deve crescer 2,1%, chegando a 213 milhões de toneladas, puxada pela soja. A previsão é que as exportações aumentem 17%, mas os valores obtidos continuarão a ser decrescentes (-8%).

No setor de carnes, a perspectiva é que os bovinos não devem ter aumento de produção, mas suínos e aves deverão crescer de 2% a 5%.

Para o setor agrícola, outro problema para 2016 será o custo do dólar. Se em 2015 os exportadores ganharam com a subida do valor da moeda americana por terem plantado com o custo da moeda mais baixo em 2014, deverá ocorrer o oposto em 2016.

O dólar mais alto em 2015 aumentou o custo de produção, mas em 2016 não deverá haver aumento adicional da moeda estrangeira para compensá-lo. Na soja, por exemplo, o custo de produzir ficou 24% maior na atual safra por causa de aumento de custo de energia, mão de obra e fertilizantes, que são importados.

O fenômeno El Niño, também é um fator de risco para o setor por causa do excesso de chuvas que ele já provoca nas regiões sul e sudeste e a redução nas outras regiões.

CAOS

O presidente da CNA, João Martins, disse que o agronegócio deverá continuar sustentando o PIB brasileiro e que isso não é bom nem para o setor, nem para o país.

Para ele, há um desconforto dos agricultores com o que ele chamou de "procedimentos que estão levando o país ao caos", chamando a política econômica de "descontrolada". O vice-presidente da entidade, José Mário Schreiner, classificou como "vergonha" a crise política do país.

Após uma reunião da diretoria da entidade, que congrega grandes produtores agrícolas de todo o Brasil, Martins afirmou que prevê para 2016 "situações difíceis", citando aumento dos custos para captar recursos e descontrole cambial.

"Vamos ter dúvida se vamos continuar a ser competitivos no mercado global de agricultura", prevê o presidente da entidade.

De fato, o crédito para o setor já ficou mais caro este ano. De acordo com o relatório, o volume de crédito sem subsídios para o custeio da safra, ou seja, com juros mais altos, pulou de R$ 23 bilhões em 2014 para R$ 53 bilhões este ano. Para investimentos, a situação é ainda pior, com um crescimento de R$ 0,4 bilhão para R$ 7,2 bilhões.

Parte do problema foi o atraso na definição do crédito rural em 2015. Para 2016, a perspectiva é pior já que já foram anunciados cortes no orçamento do governo federal que vai afetar o Seguro Rural.

O órgão criou uma comissão interna para criar propostas para "blindar" o setor dos problemas políticos e econômicos do país. O presidente da entidade diz que isso é necessário não para criar privilégios ao agronegócio, mas para que a crise não fique maior.

"Apesar de tudo, não estão faltando comida na mesa", disse Martins dizendo que a frase do ex-presidente Lula dizendo que os pobres vão comer arroz sem carne é mais "política", para "provocar conflito social" e que a perspectiva é que o preço da carne não suba. (Folha de São Paulo 10/12/2015)

 

UNICA e São Paulo firmam acordo para incentivar redução das emissões de GEE

A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA) deu mais um passo na luta contra o aquecimento global durante a 21ª Conferência das Partes (COP-21). A entidade assinou um Memorando de Entendimento em parceria com o Governo do Estado de São Paulo, cujo objetivo é incentivar suas usinas associadas a reduzir as emissões de Gases de Efeito de Estufa (GEE). O acordo entrou em vigor a partir da data de assinatura e tem validade de 90 dias.

A iniciativa faz parte da Coalizão pelo Clima, que já conta com o documento do Protocolo Climático Do Estado De São Paulo, acordo voltado a todos os segmentos da economia paulista e que tem o mesmo objetivo: promover a redução das emissões de GEE.

“Hoje, a indústria sucroenergética é uma das mais sustentáveis no setor produtivo, ocupando o segundo lugar na geração de fonte de energia renovável mais usada no Brasil. O Memorando é a segunda parceria da UNICA com o Governo de São Paulo, reafirmando nosso compromisso e preocupação com o meio ambiente”, afirma a presidente da entidade, Elizabeth Farina.

Em 2007, a UNICA assinou o Protocolo Agroambiental do Estado de São Paulo, documento que antecipou os prazos legais paulistas para a eliminação da prática da colheita de cana-de-açúcar por meio da queima, de 2021 para 2014, nas áreas que permitiam a colheita mecanizada. O acordo também prevê outras medidas de proteção ao meio ambiente, como conservação do solo e de recursos hídricos, proteção de matas ciliares e recuperação de nascentes. (Brasil Agro 10/12/2015)

 

Com safra em curso, MS já iguala produção de etanol do ciclo passado

O excesso de chuva nas principais regiões produtoras de cana-de-açúcar de Mato Grosso do Sulna segunda quinzena de novembro deve provocar um prolongamento da safra 2015/2016, segundo previsão da Associação dos Produtores de Bioenergia do estado (Biosul).

“A chuva continua atrapalhando a safra. Em novembro, choveu mais que o dobro da média histórica e isso fez com que as usinas do estado tivessem baixo aproveitamento, com vários dias paradas, a consequência desse atraso é que muitas unidades continuarão em atividade [em dezembro], quando o normal seria que já estivessem encerrado a safra”, destaca o presidente da Biosul, Roberto Hollanda.

Mesmo com o processamento sendo prejudicado pelo excesso de chuva na segunda metade de novembro, no acumulado do ciclo, que começou em abril, o volume de etanol produzido em Mato Grosso do Sul nesta temporada iguala o de toda a safra passada, 2,45 bilhões de litros.

Desse combustível, 594,2 milhões de litros foram de etanol anidro, que é misturado a gasolina na proporção de 27%, e 1,86 bilhão de litros foi de etanol hidratado, que é comercializado diretamente nas bombas dos postos. (G1 10/12/2015)

 

Comissão aprova incentivo à produção de biocombustíveis por microdestilarias

A Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) aprovou nesta quinta-feira (10), em turno suplementar, Projeto de Lei do Senado (PLS) 252/2011, que institui o Programa de Microdestilarias de Álcool e Biocombustíveis (Promicro). A ideia é incentivar a produção de biocombustíveis por microusinas, especialmente operadas por agricultores familiares. Se não houver recurso para votação pelo Plenário, o projeto segue diretamente para a Câmara dos Deputados.

Pelo texto, do senador Acir Gurgacz (PDT-RO), poderão ser criadas linhas de crédito com juros e prazos favoráveis para atividades agrícolas, industriais e de distribuição de biocombustíveis produzidos nas microusinas.

Também serão favorecidas microusinas em localidades de menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e aquelas que usam como matéria-prima plantas nativas. O texto prevê ainda isenção de PIS-Pasep, Cofins e IPI incidentes sobre equipamentos e materiais para instalação e funcionamento das destilarias.

A relatora, senadora Ana Amélia (PP-RS), recomendou a aprovação do texto. (Agência Senado 10/12/2015)

 

Uma pá de cal no pré-sal, por Fernando Meirelles

COP 21. No final das contas, toda conversa em Paris se resume a uma questão: como e quando acabar com as emissões de gases de efeito estufa, ou como e quando acabar com a indústria do petróleo e do carvão.

Os gases de efeito estufa são cumulativos. Até hoje não existe nada que consiga trazê-los de volta a não ser o crescimento de árvores e os oceanos. Ou seja, uma vez na atmosfera lá ficarão para sempre.

Apenas emitir menos, como querem alguns, não resolve. Não há truque possível: 2/3 das reservas de petróleo terão que ser deixadas no solo. Catástrofes seria a outra opção.

Sim, entramos na era da desmontagem da indústria do petróleo e do carvão. O prazo para isso acontecer é bem apertado, 2050. Temos 35 anos para chegar a emissão zero, para passarmos por Cubatão descendo a Via Anchieta e vermos o mangue ocupando de novo a área onde um dia foi uma refinaria.

Esta imagem de Cubatão sem fumaça, linda para uns, cai como uma bomba para os países e companhias produtoras de petróleo e não é difícil entendê-los. Eles ainda acreditam e lutam para que seu produto tenha mercado até o final do século. Lutam por uma sobrevida na COP21.

Não por acaso a Arábia Saudita foi o último país a enviar sua INDC (Contribuição Nacionalmente Determinada Pretendida, na sigla em inglês) para Paris, mesmo assim um compromisso vago onde exigem que os países ricos os ajude a fazer a transição para fontes de energia limpa e a se recuperar do impacto que sua economia vai sofrer.

Sem esta ajuda o documento saudita sugere que as mudanças poderão não ser levadas a cabo. Claro que os países ricos não querem pagar pela recuperação econômica de quem tem um dos maiores PIBs per capita do mundo e as mãos igualmente sujas. Esta pode ser uma das pedras no caminho do sucesso destas negociações.

Ontem, dia 8, sauditas, argentinos, poloneses e venezuelanos aceitaram baixar a meta de aquecimento máximo de 2˚C para 1,5˚C, só que com a condição de ser retirada do texto a proposta de descarbonização do mundo.

Como se aquecer menos mas continuar emitindo fosse conciliável. Para eles é. A justificativa que deram compete na categoria non-sense e humor com a definição do Cunha de "usufrutuário".

Do lado das companhias privadas a tensão em relação ao futuro não é menor. Nenhuma das grandes como Shell, BP, Exxon ou mesmo a Petrobras fizeram lances no ultimo leilão de blocos do pré-sal em outubro. O tal leilão que foi um fiasco e não vendeu quase nada.

Aparentemente investimentos em petróleo a longo prazo já estão em cheque. Mesmo não sendo um especialista na área, vendo daqui dos corredores da COP 21 me parece que o sonho do pré-sal acabou.

Morreu. Vamos ser realistas: se já não venderam em outubro, depois desta COP e a cada ano ficará mais difícil fazê-lo. Claro que o baixo preço do barril afasta investidores, mas quero crer que o bom senso também tenha peso nesta decisão. Fichas demoram a cair mas parecem já estar caindo. Ainda bem.

Mas aí vem a pergunta: E a Petrobras como fica? Se forem sensatos eles já devem estar montando um time para planejar a data para desligar cada refinaria, tipo de coisa que funciona melhor se pensada com décadas de antecedência.

O Brasil tinha um excelente projeto de biocombustível em andamento, abortado quando o pré-sal foi confirmado em 2008. Talvez agora seja a hora de retomá-lo e a Petrobras poderia fazê-lo. Uma nova vocação.

A rapaziada técnica da Petrobras é extremamente competente para fazer dar certo e assim o Brasil volta para a trilha da energia limpa que não deveria ter abandonado, alinhando-se com o mundo e não mais correndo na contramão. (Folha de São Paulo 10/12/2015)

 

Kátia Abreu joga vinho na cara de Serra: "Você nunca será presidente”

A ministra Kátia Abreu, da Agricultura, jogou uma taça de vinho na cara do senador José Serra (PSDB-SP). A cena ocorreu na noite de quarta (9), em um jantar de fim de ano na casa do senador Eunício Oliveira (PMDB-CE) em que estavam presentes cerca de 40 senadores e também o vice-presidente Michel Temer.

A ministra confirmou o fato à coluna.

"Eu fiz o que qualquer mulher honrada faria. Respondi à altura de quem preza a sua honra", afirma ela.

Kátia Abreu conta que conversava com senadores quando Serra "simplesmente chegou numa roda em que não tinha sido chamado, sem mais nem menos".

Segundo ela, o tucano afirmou: "Kátia, dizem por aí que você é muito namoradeira".

O presidente do Senado, Renan Calheiros, tentou consertar a gafe: "Serra, a ministra se casou neste ano".

A ministra diz que imediatamente reagiu: "Você é um homem deselegante, descortês, arrogante, prepotente. É por isso que você nunca chegará à Presidência da República".

E seguiu: "E, de mais a mais, nunca traí ninguém na minha vida".

Enfim, conta a ministra, ela jogou vinho na cara de Serra e disse: "Nunca lhe dei esse direito nem essa ousadia. Por favor, saia dessa roda, saia daqui imediatamente".

Serra então teria se afastado.

A ministra afirma que "toda mulher sabe o que um comentário desses significa" e que não tinha outra atitude a tomar.

"Que ódio me deu", afirma ela.Kátia Abreu diz que o episódio não tem nada a ver com a divergência atual entre os dois: Serra trabalha para a aprovação do impeachment de Dilma Rousseff. Já a ministra é da equipe e amiga pessoal da presidente.

"Imagina se vou brigar com colega por causa de bandeiras diferentes que cada um possa ter. E eu fiz campanha para o Serra [ à Presidência em 2010], uma campanha derrotada, que sempre apoiei."

Serra diz ter feito uma "brincadeira com intenção de elogio. "Foi uma brincadeira com intenção de elogio. Me desculpei. Sempre tive respeito pela Kátia", disse (Mônica Bergamo par a Folha de São Paulo 11/12/2015)

 

Rubens Ometto Silveira Mello deixa alguns trilhos e vagões pelo caminho. Rumo ALL é um paradoxo sobre trilhos.

O acordo que viabilizou a criação da maior operadora ferroviária da América Latina é hoje o maior fator de inviabilidade da companhia. O objeto da contradição é o compromisso firmado com o Cade.

Para aprovar a fusão entre a Rumo e a ALL, o órgão antitruste jogou no colo de Rubens Ometto um programa de investimentos da ordem de R$ 10 bilhões.

Em fevereiro deste ano, após meses de idas e vindas, Ometto acreditava ter fechado o melhor acordo possível. Só que de lá para cá, o cenário mudou radicalmente.

O dólar subiu 40%, o crédito rareou e a receita com o transporte de cargas começou a cair na esteira da forte retração econômica.

A conta da Rumo ALL não fecha. Hoje, a empresa tem cerca de R$ 1 bilhão em caixa.

Mal dá para cobrir um terço do investimento de R$ 2,8 bilhões que terá de ser feito nos próximos 18 meses.

Diante desta encruzilhada, Ometto não vê outra opção para pagar o pedágio imposto pelo Cadê se não a venda de ativos da companhia.

É o que ele fará já no início de 2016.

A ordem na Rumo ALL é proteger ao máximo as concessões ferroviárias, concentrando o processo de desmobilização em outras áreas de negócio.

É o caso do segmento de infraestrutura portuária.

A empresa deverá se desfazer dos terminais graneleiros T16 e T19, ambos no Porto de Santos.

Cargill e ADM já teriam demonstrado interesse no negócio.

Com capacidade de transbordo de 12 milhões de toneladas por safra, os dois terminais estariam avaliados em pouco mais de R$ 1 bilhão.

A Rumo ALL pretende também realizar um leilão de equipamentos ferroviários, incluindo locomotivas e vagões.

Cálculos preliminares feitos pela companhia indicam um potencial de arrecadação da ordem de R$ 500 milhões. (Jornal Relatório Reservado 11/12/2015)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Sem fôlego: Os futuros do açúcar demerara tombaram ontem na bolsa de Nova York, influenciados pela queda do petróleo, a alta do dólar e por avaliações de que a commodity está ficando cara demais para uma demanda não tão aquecida. Os lotes para maio caíram 50 pontos, a 14,18 centavos de dólar a libra-peso. Os analistas avaliam que o açúcar tem encontrado mais dificuldade em continuar subindo nos últimos dias, após acumular uma alta de cerca de 50% desde o início do semestre. Ainda que a produção do Centro­Sul do Brasil esteja cada vez menor, a demanda não justifica um patamar de preços mais elevado, afirmam. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo subiu 0,14%, para R$ 79,85 a saca de 50 quilos.

Algodão: Recuo nas vendas: Os preços do algodão perderam terreno ontem na bolsa de Nova York diante da alta global do dólar e da retração das vendas externas americanas. Os lotes para maio caíram 101 pontos, a 64,55 centavos de dólar a libra­peso. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reportou queda nas vendas de algodão do país ao exterior na semana encerrada dia 3. Na comparação com a semana anterior, houve queda de 73%, e em relação à média das quatro semanas anteriores, o tombo foi de 64%, totalizando 17,13 mil toneladas no período. A alta da moeda americana ante outras moedas reduz a competitividade do produto do país no mercado internacional. Na Bahia, o preço da pluma ficou em R$ 77,71 a arroba, segundo a associação local de produtores, a Aiba.

Soja: Demanda firme: Os contratos de soja avançaram ontem na bolsa de Chicago impulsionados pelo aumento das vendas semanais dos Estados Unidos ao exterior. Os contratos para março subiram 1,5 centavo, a US$ 8,8125 o bushel. Segundo o Departamento de Agricultura do país (USDA), os exportadores venderam 1,453 milhão de toneladas de soja na semana até o dia 3 para entrega na safra 2015/16. O número ficou acima da aposta mais otimista, de 1,1 milhão de toneladas. Em relação à semana anterior, houve alta de 66% e, na comparação com a média das quatro semanas precedentes, de 13%. Além disso, também foi reportada ontem a venda de 120 mil toneladas de soja dos EUA a "destinos desconhecidos". Na Bahia, o preço ficou em R$ 66,17 a saca, segundo a Aiba.

Milho: Ganhos em Chicago: As cotações do milho tiveram ganhos robustos ontem na bolsa de Chicago, impulsionadas pelo forte crescimento das vendas semanais dos Estados Unidos ao exterior. Os papéis do grão para março subiram 5,5 centavos, a US$ 3,7925 o bushel. Na semana até o dia 3, os exportadores americanos acertaram a venda de 1,095 milhão de toneladas de milho, mais do que o dobro da semana anterior e 11% acima da média das quatro semanas anteriores. O volume também superou a aposta mais otimista, que era de 650 mil toneladas. Também foram reportadas vendas de 1,8 milhão de toneladas do cereal no período para entrega na temporada de 2016/17. No mercado interno, o preço médio no Paraná teve alta de 0,08%, para R$ 24,77 a saca, de acordo com o Departamento de Economia Rural (Deral/Seab). (Valor Econômico 11/12/2015)