Setor sucroenergético

Notícias

Etanolduto avança, apesar da crise das usinas

Projetado para ser a principal artéria a bombear o etanol produzido no Centro-Sul do país até os grandes centros consumidores do Sudeste e ao mercado externo, o etanolduto construído e operado pela Logum Logística ainda opera com 60% de ociosidade, três anos após ter sido inaugurado, e as tubulações construídas até agora representam menos de 30% do total previsto no projeto original. Ainda assim, a fotografia atual da Logum, reflexo da interrupção do "boom" do etanol no país e no exterior nos últimos anos, parece menos turva.

Neste ano, o volume transportado já foi consideravelmente maior. A Logum já movimentou o dobro do realizado nos 12 meses de 2014, e pretende seguir crescendo em 2016. De janeiro a novembro, foram 2,1 bilhões de litros e, até o fim de dezembro, o total anual deve chegar a 2,3 bilhões, conforme previsão da própria empresa. Em 2014, foram 1,014 bilhão de litros.

Como tem uma capacidade anual para cerca de 6 bilhões de litros, a ociosidade, apesar do avanço ainda ficará em 60%. A companhia não disponibilizou um porta­voz para falar sobre sua estratégia, mas sua expectativa é chegar a 3 bilhões de litros, o que reduziria mais um pouco essa ociosidade, agora para 50%.

A meta é considerada ambiciosa pelo mercado. As usinas das regiões de Ribeirão Preto, em São Paulo, e Uberaba, em Minas Gerais, por enquanto os dois únicos pontos de captação de etanol do duto, produzem juntas menos de 3 bilhões de litros. A estimativa é que as 27 usinas instaladas no polo paulista, formada por 13 municípios, ofertam cerca de 2 bilhões de litros, enquanto as unidade do centro mineiro agregam entre 300 milhões e 400 milhões de litros. Todo o Centro-Sul do país deverá produzir no ciclo atual (2015/16) um pouco mais que 27 bilhões de litros.

Até agora, cerca de R$ 1,8 bilhão foram investidos para construir 352 quilômetros de dutos ligando a produção de etanol de Uberaba e Ribeirão Preto ao polo petroquímico de Paulínia, também em São Paulo (ver mapa), onde se concentram as principais distribuidoras de combustíveis do país.

O projeto original, adiado até que a produção de etanol no país volte a crescer, previa a construção de 1,3 mil quilômetros ao longo de 45 municípios nos Estados de São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso do Sul. Previa, ainda, a integração ao sistema hidroviário com utilização de barcaças na bacia Tietê-Paraná, cujas obras estão paralisadas.

Após os investimentos já feitos, com uso de recursos vindos de "empréstimos-ponte", uma vez que ainda não foi aprovado o financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ­, os sócios agora estão realizando aportes de capital para bancar a operação, que ainda não traz retorno suficiente. Em 2015, os acionistas aportaram R$ 120 milhões, divididos de forma proporcional de acordo com as respectivas participação. A Logum afirmou que não comenta assuntos relacionados a seus acionistas.

No bloco de controle da Logum estão a Copersucar, maior trading de etanol do mundo, a Raízen (joint venture entre Cosan e Shell), maior produtora de etanol e segunda maior distribuidora de combustíveis do país, a Odebrecht Transport e a Petrobras, cada uma com 20% de participação. A Camargo Corrêa, que chegou a negociar sua saída do negócio, permanece no capital com 10%. A Uniduto Logística é dona dos 10% restantes.

Ao Valor, fontes próximas à Logum afirmaram que a estratégia da empresa para crescer, apesar da crise do segmento de etanol no país, será ampliar a capilaridade da entrega do biocombustível, hoje restrita a Paulínia, Barueri (SP) e Duque de Caxias (RJ). O foco é fazer com que o etanol de Uberaba e Ribeirão Preto chegue às cidades de Guarulhos e São Caetano, na Grande São Paulo, o que depende, contudo, de uma reorganização dos fluxos dos dutos da Petrobras para essas regiões, atualmente ocupados com outras demandas. (Valor Econômico 14/12/2015)

 

Debate sobre fim do etanol hidratado volta a assombrar

O fim do etanol hidratado. O fantasma voltou a assombrar o setor sucroalcooleiro justamente na semana em que se comemoraram os 40 anos do Proálcool (Programa Nacional do Álcool). O tema entrou na pauta do 8° Congresso Nacional de Bioenergia, promovido pela Udop (União dos Produtores de Bioenergia), que reuniu lideranças do agronegócio em Araçatuba (SP) para debater temas relevantes ao setor em meados de novembro.

Alguns empresários defendem que, como o governo não planeja uma política pública de regulamentação do setor sucroenergético em longo prazo, uma das soluções seria pressioná-lo com a criação de um biocombustível único, o que implicaria no fim da fabricação do etanol hidratado que abastece diretamente os carros nos postos e ficar somente com o anidro, aquele que se mistura à gasolina. A maioria das vozes do segmento, no entanto, é contra. "É uma discussão que já aconteceu várias vezes desde a criação do Proálcool. São pontos de vista diferentes", diz Plínio Nastari, presidente da consultoria Datagro, de São Paulo. "Para alguns, o etanol é um patinho feio. É uma discussão que não é nova e não é simples".

Maurílio Biagi Filho, do Grupo Maubisa, de Ribeirão Preto (SP), filho de um dos fundadores do Proálcool, explica que a proposta, na verdade, não implicará no fim do biocombustível, mas em um produto novo. "Precisamos de uma virada, uma mudança definitiva. Não falo apenas no fim do álcool carburante, mas na fabricação de um produto puro, sem adição de água, com rendimento superior ao da gasolina", diz. Quando defendo essa tese, estou falando de um programa que corrija os erros que cometemos no passado." Biagi acredita que, com o biocombustível único, o governo poderia inserir definitivamente o etanol na matriz energética nacional. "A adaptação dos motores à gasolina para o uso do etanol é uma tapeação".

O posicionamento de Biagi, de acordo com fontes do setor, seria apoiado pelo maior grupo sucroenergético do mundo, a Raízen, de Piracicaba (SP), mas, segundo sua assessoria de imprensa, a empresa não quis se pronunciar. "Essa companhia está em cima do muro porque, de um lado, não quer conflito com a indústria automobilística e, do outro, com os usineiros", afirmou uma fonte. 0 grupo Raízen é formado pela associação da Cosan (50%) com a Shell (50%).

Caro igual gasolina

Luis Roberto Pogetti, presidente do conselho de administração da Copersucar, o maior conglomerado global de açúcar e etanol, explica que o fim do etanol hidratado é uma demanda das montadoras. "Esse setor quer uma padronização mundial de motores. Os carros flex só existem no Brasil", diz. "Não podemos esquecer que é exatamente por esse motivo que o país é invejado, por ter um etanol eficiente, que cria independência de energia para os veículos. Se não tivéssemos o etanol, quais números tão positivos apresentaríamos na COP 21?"

Contrário à opinião de Biagi, Pogetti diz que o etanol anidro não traria melhorias significativas de per-fomance aos motores, pois os ganhos logísticos da distribuição são de baixa relevância (os postos continuariam tendo duas bombas diferentes), mas o consumidor, por sua vez, teria de pagar mais por ele. "Esse etanol único teria de ser 13% mais caro que o álcool hidratado de hoje para ser equivalente à gasolina", afirma. "Quem vai pagar é o consumidor".

O usineiro Celso Junqueira Franco, presidente da Udop, também defende a manutenção do hidratado e diz que a opção por um combustível único poderia gerar um problema sério no campo. "O etanol anidro, em tese, exige de 8% a 10% menos quantidade de cana-de-açúcar para ser produzido. Se olharmos a demanda para 2030, então sobrariam 40 milhões de toneladas de cana nas lavouras, sem destino. Precisamos primeiro resolver o mecanismo de precificação do etanol", diz.

O economista e ex-presidente da União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (UNICA), Eduardo Pereira de Carvalho, considera a discussão um retrocesso. "Preciso ser convencido do contrário. Acho que o ganho que tivemos com o carro flex foi um ganho do consumidor. Ele é quem dá força para o setor, é a escolha dele que prevalece, e essa conquista não pode ser esquecida", diz. "Também é um benefício para o produtor rural, que tem um enorme mercado para conquistar e não pode depender do poder de uma caneta que vai determinar qual é a porcentagem da mistura à gasolina, no caso do anidro".

Para Carvalho, o fato de o setor ter sido penalizado com o congelamento do preço da gasolina pelo governo, para evitar pressão sobre a inflação, não foi exclusividade dos brasileiros. "A presidente Dilma não foi a única a adotar essa estratégia, pois ela ocorreu na história inúmeras vezes. Isso faz parte do risco do setor de combustíveis". (Globo Rural 11/12/2015)

 

Investimento da Odebrecht Agroindustrial cairá de R$ 300 a R$ 400 milhões em 2016/17

A Odebrecht Agroindustrial, braço sucroenergético do conglomerado empresarial brasileiro, pretende reduzir os investimentos na safra 2016/17, que se inicia em abril do ano que vem.

Em entrevista ao Broadcast Agro, o vice-presidente de Operações em Engenharia da companhia, Celso Ferreira, afirmou que o objetivo no próximo ano é "tirar o máximo de valor das operações" e que não há novas aquisições no radar. De acordo com ele, o capex deve cair dos R$ 800 milhões a R$ 1 bilhão observados nos últimos ciclos para algo entre R$ 500 milhões e R$ 600 milhões, com parte considerável desse montante direcionada à manutenção dos canaviais.

Ferreira mencionou, ainda, que a empresa busca chegar no próximo ano com a renegociação da dívida, de mais de R$ 7 bilhões, concluída. "Hoje a renegociação está em andamento e esperamos que seja resolvida o quanto antes", disse.

Em novembro, a Odebrecht Agroindustrial conseguiu junto aos credores uma trégua de 60 dias para carregar as dívidas de curto para médio ou longo prazos, bem como para buscar o aporte da controladora, cujo valor ainda não foi definido, segundo o executivo.

Com relação aos aspectos operacionais e agrícolas, Ferreira disse que a próxima temporada deverá alcançar processamento de 29,6 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, aumento de 2% na comparação com as 29 milhões de toneladas previstas para o atual ciclo.

"O clima ajudou e vamos ter um canavial com rendimento melhor. Ganhamos aprendizado e houve amadurecimento das equipes. E temos também a Eldorado operando em sua plenitude", explicou, citando a unidade de Mato Grosso do Sul, que recebeu investimentos de R$ 550 milhões e teve a capacidade instalada elevada a 3,5 milhões de toneladas.

Em relação aos produtos, Ferreira afirmou que as previsões na empresa são de fabricação de 1,38 bilhão de litros de etanol hidratado (+7%) em 2016/17, de 703 milhões de litros de anidro (+10%) e 596 mil toneladas de açúcar, volume este que representa aumento de 36,3%.

O plantio e a renovação para o próximo ciclo alcançaram 62 mil hectares, totalizando um canavial próprio de 450 mil hectares.

A Odebrecht Agroindustrial deve encerrar os trabalhos da safra vigente em 20 de dezembro e retomar as atividades em março do ano que vem. As 29 milhões de toneladas esperadas para este ciclo superam as 28 milhões de toneladas inicialmente previstas.

"Em termos operacionais, foi a melhor safra da nossa história. Tivemos um trabalho grande de melhoria de produtividade, para buscar esse salto de moagem", disse o executivo.

Ainda segundo ele, a Operação Lava Jato, da Polícia Federal, que atingiu a cúpula do grupo Odebrecht, não afetou o braço sucroenergético. "Do ponto de vista operacional, não teve nenhum impacto, porque os negócios são descentralizados", afirmou.

A Odebrecht Agroindustrial opera nove usinas nos Estados de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo. A empresa tem capacidade instalada para processar 36,8 milhões de toneladas por safra. (Agência Estado 11/12/2015)

 

Guarani prevê moer 20,55 mi de toneladas de cana em 2016/2017

A Guarani, controlada pela Tereos Internacional, espera processar 20,55 milhões de toneladas de cana-de-açúcar na safra 2016/2017 nas sete usinas da companhia localizadas no Estado de São Paulo, alta de 4,3% sobre as 19,7 milhões de toneladas moídas na safra 2015/2016. As projeções foram feitas nesta sexta-feira, 11, pelo diretor agrícola da companhia, Jaime Stupiello, no evento de encerramento do atual período, em Barretos (SP).

Ele relembrou que chuvas constantes a partir de novembro deste ano no Estado de São Paulo prejudicaram a colheita da atual safra e que a meta de moagem, de 20,1 milhões de toneladas, não foi atingida em 2015/2016. No entanto, as cerca de 400 mil toneladas que ficarão nas lavouras serão utilizadas para antecipar o processamento da safra 2016/2017.

O calendário prevê o início da moagem no dia 1º de abril nas usinas Tanabi, Vertente, Mandu e São José. As usinas Cruz Alta e Andrade iniciarão a safra em 15 de abril e a unidade Severínia, em 24 abril de 2016.

Stupiello espera que o Açúcar Total Recuperável (ATR) fique em 139 quilos por tonelada (kg/t) processada em 2016/2017 nas usinas da Guarani, ante 135 kg/t em 2015/2016. Ele avaliou ainda que os canaviais têm um "potencial vigoroso" para a próxima safra, por conta das chuvas.

O diretor da Guarani alertou, no entanto, que a umidade tem favorecido o avanço da cigarrinha, uma das principais pragas dos canaviais. Outra praga que preocupa o agrônomo é a larva do besouro Sphenophorus levis, que causa prejuízo de até 30% nas lavouras. (Agência Estado 11/12/2015)

 

A máquina do atraso de Dilma – Editorial Veja

Como a presidente fez a indústria retroceder 65 anos, a política econômica voltar ao tempo do estatismo militar, a recessão punir os brasileiros como não ocorria desde 1981 e a inflação de 10% rugir depois de treze anos domada.

“Dilma conseguiu pegar o pior de cada governo que já tivemos. O excesso de estatismo de Geisel, o voluntarismo e isolamento de Jânio e de Collor, a incompetência política de João Goulart, os erros de avaliação econômica e protecionismo de José Sarney, a tentativa de se perpetuar no poder pelo PT, à lá Getúlio. Para gerar a recessão histórica pela qual estamos passando, os erros não foram poucos” – Sergio Vale, economista da MB Associa.

Uma reportagem especial de Veja toma o estado da economia brasileira como amostra do poder de destruição do caos, do descontrole e da paralisia no Planalto Central sobre o país. É arrasador. O colapso do sistema político potencializou os efeitos de um tosco experimento estatal arrogantemente chamado por Dilma Rousseff de “nova matriz econômica”.

Essa estratégia nada tinha de nova. Nem de matriz. Era a mesma igrejinha da arcaica seita econômica voluntarista e intervencionista que tanto sofrimento já provocou antes nos brasileiros.

Irresponsavelmente imposta ao país, essa política anulou conquistas modernizadoras e está custando aos brasileiros uma viagem forçada rumo ao passado.

A reportagem de Veja mostra como a máquina do atraso do governo nos fez retroceder no tempo. Em termos de participação do PIB, a indústria nacional voltou aos patamares de 1950 – isso mesmo, 65 anos atrás. O regime de exploração energética da região do pré-sal tem a cegueira ideológica nacionalista de 1953.

Concentrou poder e riqueza nas mãos de burocratas e políticos corruptos e deu origem ao petrolão, o maior escândalo de corrupção da era moderna. O centralismo, com protecionismo, controle de preços e gigantismo estatal, remonta a 1974, início do governo do general Ernesto Geisel, que quebrou o Brasil.

Desde 1981 os brasileiros não eram submetidos aos rigores de uma depressão econômica profunda como a atual. Não sofríamos com o aumento do desemprego com essa intensidade desde 2002 , por último, mas não menos crucial, há treze anos não sabíamos o que era viver sob uma inflação acima de 10%.

Quem teme perder o mandato por causa de “pedaladas” deveria mesmo estar preocupado com os efeitos das “atropeladas” da razão, do senso comum, da álgebra, da lógica comezinha e da língua portugesa. A política econômica de Dilma Rousseff não tinha a menor chance de dar certo. Por isso deu errado (Veja, edição nº 2.456)

 

Fusão da Dow Chemical e DuPont vai criar gigante química de US$130 bi

As gigantes do setor químico DuPont e Dow Chemical chegaram a acordo para fusão num negócio que avalia as companhias combinadas em 130 bilhões de dólares, numa vitória de investidores que pode gerar economias com impostos e disparar mais consolidação na indústria agroquímica, enquanto atrai a atenção de reguladores.

O "acordo de três séculos", como o analista da Wells Fargo Frank Mitsch o apelidou, combinará duas das maiores e mais antigas fabricantes de produtos químicos, negócio que resultará na listagem de três empresas em bolsa, focando em produtos agrícolas, materiais e especiais.

As ações de ambas caíram nesta sexta-feira após dispararem na semana, seguindo os relatos de negociações entre as duas.

O acordo anunciado nesta sexta-feira enfrentará criteriosa observação de reguladores, disseram analistas, especialmente sobre a combinação dos negócios agrícolas, os quais vendem sementes e defensores agrícolas, como inseticidas e pesticidas.

Executivos de ambas as empresas disseram que os negócios agrícolas têm pouca sobreposição e que quaisquer vendas de ativos provavelmente seriam pequenas.

A potencial economia com impostos foi uma das razões para o complicado acordo de fusão e posterior cisão, segundo analistas. "Elas precisam se unir para que as cisões subsequentes possam se qualificar como transações livres de impostos nos EUA", disse James Sheehan, analista do SunTrust Robinson Humphrey.

Os acionistas da Dow teriam 52 por cento na nova empresa, após conversão da ações preferenciais, enquanto os da DuPont teriam as 48 por cento restantes, disseram as empresas.

O presidente executivo da DuPont, Ed Breen, que ajudou a fazer a engenharia da ruptura do conglomerado Tyco International durante sua passagem na liderança da empresa, seria o presidente-executivo da nova companhia e o presidente executivo da Dow, Andrew Liveris, seria o presidente do conselho.

A Dow e a DuPont têm lutado para lidar com o recuo na demanda por químicos agrícolas devido à queda nos preços das commodities e o dólar forte, mesmo com seus negócios de plásticos prosperando graças aos preços baixos do gás natural.

As duas grandes empresas de produtos químicos se sentiram impulsionadas a fazer a fusão devido às poucas oportunidades de crescimento, disse o analista do Key Private Bank Rob Plaza.

"Eu acho que o grande catalisador seria a entrada de Breen, seu histórico de extrair valor de companhias e a luta que a DuPont enfrentou com Nelson Peltz", disse Plaza. "Podemos ver mais consolidações". (Reuters 11/12/2015)

 

CNA: 2015 teve retomada da competitividade do etanol

O superintendente técnico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Bruno Lucchi, avaliou há pouco que não haverá muita margem para aumento de preços em virtude da demanda mundial contraída. Ele citou que, este ano, além dos grãos, outro setor que se beneficiou da alta do dólar foi o sucroenergético. Isso porque houve incremento da Contribuição sobre Intervenção no Domínio Econômico (Cide)e o retorno do PIS/Cofins.

"Então, o controle no preço da gasolina feito desde 2010 começou a ser retirado este ano e proporcionou retorno da competitividade do etanol", disse. Esse fenômeno fez com que houvesse ampliação das cotações do etanol, junto com o açúcar. Além do câmbio, oaçúcar foi influenciado também pela oferta mundial. "Esperamos recomposição das margens desse segmento", disse.

O técnico da CNA ressaltou que em 2015 houve demora da liberação do crédito para pré-custeio da safra 2015/16, o que atrapalhou a produção doméstica. Para o ano que vem, há expectativa ainda de aumento do Valor Bruto da Produção (VBP) mas, ao contrário do que ocorreu este ano, a elevação deve ser puxada mais por agricultura do que pela pecuária.

Lucchi disse também que o setor ajudou a amenizar o resultado negativo do Produto Interno Bruto (PIB) do País. "O PIB do agronegócio deve ficar estável ou cair menos e o setor que vai mais crescer dentro do agronegócio é o de insumos", considerou. Para ele, o baque do desemprego promete ser forte no próximo ano para o setor e, com a inflação ainda alta, produtos de maior valor agregado, como queijos, carnes, iogurtes e algumas frutas podem sofrer com o menor poder de compra da população.

O superintende comentou, ainda, que o El Niño atual é um dos piores para o setor. "Ele já foi chamado de Bruce Lee e agora, de monstro", ilustrou. Para ele, o dólar pode continuar sendo uma vantagem competitiva, mas, em compensação, os custos serão mais absorvidos. "Por último, esperamos fim do impasse político para que Brasil recupere seu crescimento", concluiu. (Agência Estado 10/12/2015)

 

Preço do biocombustível continua em alta no país

Em menos de três meses, o preço do etanol hidratado, que é usado diretamente nos tanques dos veículos, subiu, em média, 36% ao consumidor do Estado de São Paulo. Mas a "paulada", que acertou em cheio o bolso do motorista, não foi suficiente para reduzir a demanda pelo biocombustível. Por isso, especialistas avaliam que o preço do hidratado nos postos terá que continuar em alta nos próximos meses para frear as vendas e ajustá-las à oferta disponível.

A alta no varejo, facilitada pelos reajustes da gasolina, está em linha com a valorização ocorrida na usina, que no Estado de São Paulo foi de 35% no período, segundo o indicador Cepea/Esalq. "O consumo mensal precisa cair para o patamar de 1,1 bilhão de litros para se equilibrar com a oferta", disse Plinio Nastari, presidente da consultoria Datagro.

Em outubro, a demanda mensal por etanol hidratado bateu o recorde de 1,747 bilhão de litros no país, conforme dados da Agência Nacional de Petróleo (ANP). Não há ainda dados oficiais da agência sobre novembro, mas o levantamento da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) sobre as vendas das usinas do Centro-Sul, que funcionam como um "termômetro", indicam que essa demanda no mês que passou vai ficar entre 1,45 bilhão a 1,5 bilhão de litros, conforme cálculos da Datagro.

Em novembro, as usinas do Centro-Sul venderam às distribuidoras 1,439 bilhão de litros de hidratado, 15% menos que em outubro, mas ainda insuficiente para se equilibrar com a demanda. "A questão é que ainda está prevalecendo o efeito renda. Abastecer com o biocombustível significa um desembolso menor do que encher o tanque com a gasolina", disse Nastari. Ele calcula que uma retração mais forte do consumo virá apenas quando a paridade entre os dois produtos, atualmente em 73%, for a 75% ou 76%.

O analista da consultoria FG Agro William Hernandez afirma que o etanol hidratado pode atingir, na usina em São Paulo, o patamar de R$ 2 o litro. Esse valor pode ser até maior e chegar a R$ 2,20, caso haja um reajuste de 6% na gasolina A, como vem sendo esperado pelo mercado. Também cresce a expectativa de que o governo federal eleve a incidência da Cide na gasolina em janeiro de 2016 para ajudar a fechar as contas públicas.

Na última semana, depois de quatro semanas de quedas consecutivas, o preço do etanol hidratado na usina em São Paulo voltou a reagir. O indicador Cepea/Esalq para o produto encerrou a semana entre 7 e 11 de novembro em R$ 1,7002 o litro, uma valorização de 0,17% em relação à semana anterior. (Valor Econômico 14/12/2015)

 

Unica e Governo de São Paulo firmam acordo para incentivar redução das emissões de GEE

Nesta última terça-feira (8), a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) deu mais um passo na luta contra o aquecimento global durante a 21ª Conferência das Partes (COP-21). A entidade assinou um Memorando de Entendimento em parceria com o Governo do Estado de São Paulo, cujo objetivo é incentivar suas usinas associadas a reduzir as emissões de Gases de Efeito de Estufa (GEE). O acordo entrou em vigor a partir da data de assinatura e tem validade de 90 dias.

A iniciativa faz parte da Coalizão pelo Clima, que já conta com o documento do Protocolo Climático Do Estado De São Paulo, acordo voltado a todos os segmentos da economia paulista e que tem o mesmo objetivo: promover a redução das emissões de GEE.

“Hoje, a indústria sucroenergética é uma das mais sustentáveis no setor produtivo, ocupando o segundo lugar na geração de fonte de energia renovável mais usada no Brasil. O Memorando é a segunda parceria da UNICA com o Governo de São Paulo, reafirmando nosso compromisso e preocupação com o meio ambiente”, afirma a presidente da entidade, Elizabeth Farina.

Em 2007, a Unica assinou o Protocolo Agroambiental do Estado de São Paulo, documento que antecipou os prazos legais paulistas para a eliminação da prática da colheita de cana-de-açúcar por meio da queima, de 2021 para 2014, nas áreas que permitiam a colheita mecanizada. O acordo também prevê outras medidas de proteção ao meio ambiente, como conservação do solo e de recursos hídricos, proteção de matas ciliares e recuperação de nascentes. (Unica 11/12/2015)

 

Com safra em curso, MS já iguala produção de etanol do ciclo passado

O excesso de chuva nas principais regiões produtoras de cana-de-açúcar de Mato Grosso do Sulna segunda quinzena de novembro deve provocar um prolongamento da safra 2015/2016, segundo previsão da Associação dos Produtores de Bioenergia do estado (Biosul).

“A chuva continua atrapalhando a safra. Em novembro, choveu mais que o dobro da média histórica e isso fez com que as usinas do estado tivessem baixo aproveitamento, com vários dias paradas, a consequência desse atraso é que muitas unidades continuarão em atividade [em dezembro], quando o normal seria que já estivessem encerrado a safra”, destaca o presidente da Biosul, Roberto Hollanda.

Mesmo com o processamento sendo prejudicado pelo excesso de chuva na segunda metade de novembro, no acumulado do ciclo, que começou em abril, o volume de etanol produzido em Mato Grosso do Sul nesta temporada iguala o de toda a safra passada, 2,45 bilhões de litros.

Desse combustível, 594,2 milhões de litros foram de etanol anidro, que é misturado a gasolina na proporção de 27%, e 1,86 bilhão de litros foi de etanol hidratado, que é comercializado diretamente nas bombas dos postos. (G1 10/12/2015)

 

Açúcar: Mercado mais vulnerável acende luz de alerta

O mercado de açúcar em NY pesou bastante esta semana, amargando uma expressiva queda de 90 pontos no vencimento março de 2016, que encerrou o pregão de sexta-feira a 14.58 centavos de dólar por libra-peso. Os meses seguintes de negociação na bolsa também conheceram quedas pesadas que oscilaram entre 80 pontos para os vencimentos mais curtos e 48 pontos para os mais longos. No cômputo geral o preço caiu entre 10 e 20 dólares por tonelada na semana.

A queda brusca nas cotações do açúcar preocupa pelo volume fraco negociado, isto é, o mercado caiu fortemente com pouco volume mostrando que não existem novos compradores aos níveis atuais de preço e que, como já mencionamos aqui na semana passada, os fundos podem estar no limite de sua capacidade. Os fundos devem ter liquidado entre 15 e 20 mil contratos durante a semana, mas a bolsa divulgou na sexta-feira que baseado na posição de terça-feira passada, os fundos estavam comprados 218.000 contratos. Qual será a reação do mercado na segunda-feira ao saber que mesmo 130 pontos abaixo da máxima alcançada (15.85 centavos de dólar por libra-peso dia 4 de dezembro), os fundos estão massivamente comprados?

Temos insistido veementemente aqui já há algum tempo sobre a clara dicotomia que existe entre o mercado futuro de açúcar em NY, cuja trajetória de alta tem sido alimentada pelos fundos não indexados, e o mercado físico, cujos descontos nos negócios à vista mostram que a demanda está longe de ser considerada construtiva. Poucas vezes vi no mercado de commodities situações tão paradoxais como as que estamos presenciando no açúcar. A maioria concorda que os fundamentos são construtivos, mas que também os preços em reais estão muito altos, a primeira afirmativa leva-nos a pensar em comprar enquanto a segunda nos compele a vender. Os fundos estão comprados mais de 200.000 lotes, mas o físico negocia a passos de tartaruga. Como ponderar tais pontos conflitantes?

Note que apesar dessa queda, tomando por base o fechamento de NY em centavos de dólar por libra-peso vezes a taxa de câmbio divulgada pelo Banco Central, o mercado fechou a R$ 1.299 por tonelada contra R$ 1.325 por tonelada na sexta-feira anterior e 5% abaixo do recorde de preço alcançado em 1º de dezembro de R$ 1.368 por tonelada. Os preços em reais continuam muito bons.

O petróleo bateu o preço mais baixo dos últimos sete anos (desde a crise de 2008 que culminou com a quebra do Lehman Brothers) negociando 35.67 dólares por barril. O real desvalorizou-se ainda mais em relação ao dólar fechando a 3,8740 na semana. O rompimento do nível de 40 dólares por barril de petróleo tem efeito corrosivo na formação de preço do açúcar no mercado internacional.

O que pode fazer o mercado cair mais? a) a percepção, por parte dos fundos, de que o mercado esgotou a alta e talvez seja o momento de tomar lucro e liquidar a posição; b) o petróleo continua sua trajetória de baixa sinalizando que na próxima safra mais cana deverá ser destinada à produção de açúcar uma vez que o etanol perde competitividade em relação à gasolina; c) o quadro político piora ainda mais acelerando a desvalorização do real, pressionando as cotações do açúcar em NY que voltam a se correlacionar com a moeda brasileira pela fragilidade dos fundamentos do açúcar.

O que pode fazer o mercado continuar a subir? a) o aumento da CIDE (imposto sobre o combustível), que está no orçamento, mas encontra resistência por parte da presidente Dilma; b) o impeachment da presidente Dilma deve fortalecer o real com impacto favorável nas cotações do açúcar. Infelizmente, se aprovado o processo, não se espera que a presidente seja afastada antes do final do primeiro trimestre de 2016.

Nem há o que discutir sobre o peso e a probabilidade dos argumentos acima favoráveis a uma recuperação ou queda do mercado. É fácil ver para onde o pêndulo está virando. Por isso, uma vez mais, é importante não perder a oportunidade de fixar bons preços em reais, pois estes sim ainda estão muito acima da média dos últimos cinco anos em valores nominais. Vale o mesmo para a safra 2017/2018 que mostra preços médios acima de 1.500 reais.

O preço médio dos fechamentos diários do contrato março/2016 de NY neste mês é de 15,15 centavos de dólar por libra-peso, 1.75% melhor do que os 14,89 centavos de dólar por libra-peso no mês passado.

Obrigado, Dilma. Depois de 12 anos, finalmente a inflação brasileira atingiu dois dígitos. Mais uma proeza da pior presidente da história republicana. A propósito, esqueci-me de mencionar na semana passada a declaração da digníssima mandatária sobre o setor sucroalcooleiro. Defendendo a volta da CPMF para o orçamento do ano que vem, a presidente nem quis discutir com seus assessores amestrados a volta da CIDE pois, segundo ela, o setor não tem do que reclamar.

Marque na sua agenda para 2016. O Curso Noturno de Opções vai ocorrer dias 22, 23, 24 e 25 de fevereiro em São Paulo. Em março, dias 29, 30 e 31 ocorre o XXV Curso Intensivo de Futuros, Opções e Derivativos em Commodities Agrícolas.

Caso você queira receber nossos comentários semanais de açúcar diretamente no seu e-mail basta cadastrar-se no nosso site acessando o link http://archerconsulting.com.br/cadastro/ (Arnaldo Luiz Corrêa é diretor da Archer Consulting - Assessoria em Mercados de Futuros, Opções e Derivativos Ltda.)

 

Commodities Agrícolas

Café: Sem sustentação: Os contratos futuros do café arábica exibiram perdas expressivas na sexta-feira na bolsa de Nova York diante da valorização do dólar em relação ao real e dos receios com uma demanda fraca. Os papéis para março caíram 515 pontos, a US$ 1,212 a libra-peso. A nova rodada de fortalecimento da moeda americana favorece as exportações brasileiras. Na outra mão, os investidores temem que a demanda perca força após o Brasil exportar volumes recorde por dois meses seguidos, abastecendo os centros consumidores. Em novembro, o país exportou 3,3 milhões de sacas, o que resultou em 33,520 milhões de sacas embarcadas no ano. No mercado interno, o café de boa qualidade oscilou entre R$ 500 a R$ 510 a saca de 60,5 quilos, segundo o Escritório Carvalhaes.

Suco de laranja: Aperto na produção: Os preços do suco de laranja avançaram na bolsa de Nova York na sexta-feira em meio a sinais negativos sobre a oferta. Os lotes para março subiram 175 pontos, a US$ 1,5010 a libra­peso. Na quarta­feira, o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) cortou sua projeção para a colheita da Flórida em 2015/16 para 69 milhões de caixas. "A doença do greening continua a deixar sua marca nas lavouras, e as perdas neste ano são agora altas", disse Jack Scoville, da Price Futures Group. No polo produtor do Sudeste do Brasil, a colheita deve crescer para 286,14 milhões de caixas, mas com produtividade menor, indicou o Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus). Em São Paulo, o preço da laranja à indústria apurado pelo Cepea/Esalq seguiu em R$ 11 a caixa de 40,8 quilos.

Soja: América do Sul em foco: As perspectivas de uma grande safra de soja do Brasil e da entrada de uma robusta oferta argentina no mercado global derrubaram as cotações do grão na bolsa de Chicago. Na sexta-feira, os papéis para março caíram 7,5 centavos, para US$ 8,7375 o bushel. Exerceu influência o cálculo atualizado da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) de que a safra no Brasil será de 102,46 milhões de toneladas. Se confirmada a projeção, a safra será 6,5% maior que a anterior. Na Argentina, os produtores podem começar a desovar em breve seus estoques caso o novo presidente cumpra suas promessas de campanha e reduza a taxa para exportação do grão. No mercado interno, o indicador Cepea/ Esalq para a soja em Paranaguá, no Paraná, subiu 0,32%, para R$ 80,27 a saca.

Milho: Em busca de lucros: Após três altas consecutivas, os preços do milho tombaram na sexta-feira na bolsa de Chicago, em uma realização de lucros impulsionada pelo forte declínio nas cotações do petróleo e pelo avanço do dólar perante diversas divisas. Os lotes do cereal para março caíram 4 centavos, a US$ 3,7525 o bushel. Nos dias anteriores, as cotações ganharam impulso diante das novas projeções de oferta divulgadas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que ficaram aquém do esperado. No entanto, o cenário externo foi desfavorável para uma nova alta na sexta­feira e desencadeou uma onda de liquidações de posições dos traders, em busca de uma realização de lucros. No mercado doméstico, o indicador Esalq/BM&FBovespa teve alta de 0,94%, para R$ 35,44 a saca. (Valor Econômico 14/12/2015)