Setor sucroenergético

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São Martinho fará aportes em etanol

Em um anúncio pouco usual nos últimos anos no setor sucroalcooleiro, o grupo São Martinho comunicou ontem ao mercado que vai investir R$ 41,7 milhões para ampliar sua produção de etanol. Os recursos serão aplicados na unidade Santa Cruz, localizada em Américo Brasiliense (SP), e vão reforçar a sinergia com a maior usina do grupo, a São Martinho, localizada em Pradópolis (SP), a cerca de 40 km da Santa Cruz.

Adquirida em maio de 2014 com capacidade para processar 4,5 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, a Santa Cruz será ampliada para moer, em 2017/18, 5,2 milhões de toneladas, elevando a moagem do grupo em 700 mil toneladas, para 21 milhões. Praticamente todo o aumento será destinado à produção de etanol. Com isso, a fabricação do biocombustível nessa unidade será ampliada em 58 milhões de litros, saindo dos atuais 142 milhões para 200 milhões de litros. A produção de açúcar vai aumentar marginalmente em 6 mil toneladas, para 353 mil toneladas, e a cogeração subirá 38 mil Megawatt/hora (MW/h), para 258 mil MW/h.

Nos cálculos do diretor financeiro e de relações com investidores da companhia, Felipe Vichiatto, a São Martinho obterá o retorno do capital investido em menos de dois anos. "Trata-se de um valor pequeno perto da capacidade adicional que vamos ganhar. O múltiplo desta operação é de US$ 15 por tonelada de cana", acrescentou Vichiatto.

O presidente da São Martinho, Fábio Venturelli, afirmou que a decisão de investir no aumento da produção de etanol na Santa Cruz foi tomada depois de a empresa ter verificado que a indústria tinha gargalos. E que baixos investimentos poderiam permitir o aumento da capacidade.

Houve também oportunidades de arrendamento de terras na região que, juntamente com ganhos de produtividade nas áreas de cana já existentes, vão garantir a oferta da matériaprima para atender à nova demanda da Santa Cruz em 2017/18. "Foi uma combinação de fatores que viabilizou o investimento. Os preços mais altos do etanol só foram a cereja do bolo", disse o presidente da São Martinho. (Valor Econômico 15/12/2015)

 

São Martinho mostra capacidade de moagem da Santa Cruz após expansão

Capacidade sai de 4,5 para de para 5,2 milhões de toneladas.

O São Martinho, um dos maiores produtores de açúcar e etanol do Brasil, anunciou nesta segunda-feira, que o Conselho de Administração autorizou a expansão da capacidade de processamento de cana da usina Santa Cruz, dos atuais 4,5 milhões de toneladas para 5,2 milhões de toneladas.

O projeto de expansão da unidade prevê um investimento de R$ 41,7 milhões, destinados à compra de máquinas e equipamentos agrícolas e industriais, que resultarão no aumento da capacidade de produção, principalmente, de etanol e energia elétrica.

Santa Cruz, antes da expansão:

Moagem de cana 4,5 (m m tons); produção de açúcar (mil tons)., 347; Produção de etanol (mil m³), 142; e cogeração de energia (mil MWh), 220.

Santa Cruz, depois da expansão:

Moagem de cana (m m tons), 5,2; produção de açúcar (mil tons), 353; produção de etanol (mil m³), 200; e cogeração de energia (mil MWh), 258.

Os aportes para a expansão deverão ocorrer ao longo da safra atual e da safra 16/17, e a utilização da nova capacidade operacional da Santa Cruz se dará somente a partir da safra 17/18. (Setor Energético 14/12/2015)

 

Açúcar: Em busca de lucros

Os preços futuros do açúcar cederam ontem na bolsa de Nova York com a realização de lucros estimulada por fatores técnicos e externos.

Os lotes do açúcar demerara para março recuaram 7 pontos, a 14,51 centavos de dólar a libra-peso.

Na semana encerrada dia 8, os fundos aumentaram seu saldo líquido comprado para 156.451 lotes, conforme relatório da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC, na sigla em inglês).

A expectativa dos traders era de uma redução, o que desencadeou vendas técnicas para ajustar posições e embolsar os ganhos recentes.

A queda do petróleo e a alta do dólar ante o real também favoreceram o movimento de liquidação de posições.

No mercado interno, o indicador Cepea/ Esalq para o açúcar cristal subiu 0,7%, para R$ 80,75 a saca de 50 quilos. (Valor Econômico 15/12/2015)

 

Usinas reduzem dívidas com alta nos preços domésticos do açúcar

Muitas empresas do segmento fecharam após vários anos de desvalorização no mercado mundial.

As usinas de açúcar brasileiras, que têm enfrentado dificuldades financeiras por anos devido aos baixos preços do açúcar causados por um excesso de produção global, disseram que estão agora buscando aproveitar uma elevação dos preços domésticos para reduzir dívidas.

O mercado doméstico de açúcar está com menor oferta no Brasil após chuvas reduzirem o conteúdo de açúcar na cana, enquanto o mercado global caminha para um déficit após anos de excesso de produção, levando os preços mundiais dos contratos futuros do açúcar bruto para perto de máximas de 10 meses.

Muitas usinas no Brasil, o maior produtor e exportador de açúcar do mundo, fecharam após anos de preços baixos.

Na semana passada, a produtora brasileira de açúcar e etanol Tonon Bioenergia, que opera três usinas, entrou com pedido de recuperação judicial.

O açúcar branco de baixa qualidade, chamado açúcar cristal, foi negociado no mercado doméstico brasileiro a 80,19 reais por saca (50 kg) na sexta-feira, o maior preço desde janeiro de 2012, de acordo com um relatório de mercado divulgado pela Cepea/Esalq nesta segunda-feira.

"Não temos nenhum investimento em expansão. Todos os recursos estão sendo dirigidos para plantio, tratos e manutenção (da safra)", disse Paulo Prignolato, diretor financeiro da Biosev, segunda maior processadora de cana do mundo.

"Estamos focando na gestão da divida", disse.

A visão é semelhante na processadora Cosan.

"Não prevemos uma reação do setor de etanol e açúcar do Brasil em termos de aumento de capacidade devido à situação geral de endividamento do setor", disse o presidente executivo da empresa, Marcos Lutz, sobre a recuperação do mercado doméstico.

O presidente do Conselho da Cosan, Rubens Ometto, disse que a retomada dos investimentos será analisada "caso a caso" entre as empresas. "Acredito que a maioria vai trabalhar para pagar as dívidas que vieram carregando por algum tempo".

As usinas estão intensificando a produção do etanol, mais rentável, em vez do açúcar, abrindo caminho para uma oferta mais reduzida de ambos produtos-- etanol e açúcar-- no período de entressafra que vai de dezembro/janeiro até abril.

Levando em consideração a chuva das recentes semanas, o Rabobank cortou sua estimativa para produção no Centro-Sul do Brasil em 2015/16 para 30,7 milhões de toneladas, com conteúdo de açúcar de 131,8 kg por tonelada, ante estimativas anteriores feitas em setembro de 31,5 milhões de toneladas e 134 kg por tonelada.

A Green Pool também reduziu a estimativa de açúcar na cana para o Centro-Sul do Brasil.

"Nós achamos agora que não será possível alcançar 132 kg/tonelada e ajustamos para baixo, em 131,7 kg/tonelada", disse a consultoria australiana em seu último relatório semanal.

"Altos níveis de dívidas em dólar estão prejudicando muitas usinas (brasileiras), apesar dos inacreditavelmente fortes retornos do açúcar em real/tonelada e de retornos muito bons para o etanol". (Reuters 14/12/2015)

 

Cade aprova aquisição das usinas do Grupo Ruette pela Black River

A compra das duas usinas sucroalcooleiras do Grupo Ruette pela gestora americana Black River está perto de sua conclusão. Ontem, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) publicou no Diário Oficial da União decisão na qual aprova sem restrições a operação. Por meio do fundo Black River Agriculture Fund 2 LP, a gestora deverá pagar pelas unidades R$ 680 milhões, conforme o Valor antecipou em setembro. A expectativa é que a transação seja concluída ainda este mês.

O negócio vem sendo considerado um "case" de sucesso em meio a tantas usinas à venda sem comprador. Conforme fontes do mercado consultadas pela reportagem, além de ter uma dívida mais "próxima" do valor dos seus ativos, as unidades da Ruette não tinham dívida fiscal, algo raro no segmento.

No início de dezembro, as duas empresas assinaram o contrato de compra e venda, sujeito a duas condições principais: a aprovação pelo Cade, publicada ontem, e a assinatura do contrato de repactuação da dívida com os credores, o que deve ocorrer nos próximos dias, conforme disseram fontes a par do assunto.

As duas usinas do Grupo Ruette estão em São Paulo e somam capacidade para processar 3,7 milhões de toneladas de cana por ano. Do valor total do negócio (R$ 680 milhões), R$ 530 milhões serão usados para a assunção de dívida e R$ 150 milhões, para investimentos na operação. O contrato de repactuação da dívida vai oficializar o redimensionamento dos débitos ­ houve desconto por parte dos bancos, pois a dívida original girava em torno de R$ 850 milhões e sua transferência para o novo proprietário, a gestora Black River.

O Grupo Ruette, que tem assessoria jurídica do escritório Dias Carneiro Advogados, chegou a pedir recuperação judicial em fevereiro deste ano, mas voltou atrás e assinou, em março, um acordo com credores que previa a "entrega" das usinas para venda e liquidação dos débitos. À época, quando as usinas foram colocadas à venda, além da Black River, outros quatro players assinaram acordos de confidencialidade e entraram na disputa. Mas a proposta da Black River foi a escolhida. As terras da família controladora do grupo, liderado pelo septuagenário Antonio Ruette, não entraram no acordo. O mercado estima que o valor do ativo, cerca de 2 mil hectares cultivados com cana-de-açúcar, seja de cerca de R$ 120 milhões.

As negociações, que começaram no primeiro semestre deste ano, envolvem um grupo de 30 instituições credoras. Além do Santander, principal credor e mandatário da venda das usinas, estão na negociação o fundo americano Amerra Agri Opportunity, o banco holandês ABN Amro e a ED&F Man Capital Markets, além de BTG Pactual, Banco BBM e Banco do Brasil.

O Grupo Ruette causou grande desconforto no mercado financeiro quando protocolou seu pedido de recuperação judicial. Meses antes, havia recebido novos aportes de fundos e bancos, e não apresentava dívidas vencidas. Além disso, às vésperas de acionar a Justiça, suspendeu contratos de exportação de açúcar que haviam sido dados em garantias de alguns empréstimos.

Conforme apurou o Valor, as duas usinas adquiridas do Grupo Ruette ficarão sob a gestão da Black River, com operação da americana Cargill, da qual a Black River era subsidiária e neste ano foi desmembrada. No Brasil, a Cargill já detém participação em três usinas que moeram em 2014/15 9,2 milhões de toneladas de cana. (Valor Econômico 15/12/2015)

 

Açúcar e café reduzem perdas com recuperação de mercados guiada pelo petróleo

Os contratos futuros de açúcar bruto na bolsa ICE mantiveram-se praticamente estáveis após caírem para uma mínima de cinco semanas nesta segunda-feira, reduzindo perdas conforme os preços do petróleo subiram e a moeda brasileira saiu de mínimas, com ligeira elevação.

O açúcar bruto para março encerrou em queda de 0,07 centavo de dólar, ou 0,5 por cento, a 14,51 centavos de dólar por libra-peso, após ter caído para 14,23 centavos, a mínima desde 10 de novembro.

Os contratos futuros do açúcar branco encerraram em alta de 2,20 dólares, ou 0,6 por cento, a 401,40 dólares por tonelada.

Os contratos futuros do café arábica tiveram um segundo dia consecutivo de quedas acentuadas, pressionados pelo real fraco e previsões de chuva que devem ajudar o desenvolvimento dos grãos no Brasil. Os preços, no entanto, saíram das mínimas seguindo uma recuperação dos mercados de commodities em geral.

O café arábica para março encerrou em queda de 1,3 centavo de dólar, ou 1,1 por cento, a 1,199 dólar por libra-peso.

Os contratos futuros do café robusta também caíram, com o contrato para janeiro encerrando em queda de 24 dólares, ou 1,6 por cento, a 1.475 dólares por tonelada, caindo pela sexta sessão consecutiva.

O índice Thomson Reuters CoreCommodity Index, que acompanha 19 mercados, começou o dia caminhando para tocar mínimas em mais de 13 anos pela segunda sessão seguida, mas recuperou perdas conforme o petróleo passou a subir.

"Os preços da energia estavam caindo e todos mercados estavam focando nisso. Foi o que empurrou os mercados", disse James Kirkup, chefe de operações com açúcar na ABN Amro Markets em Londres, ao explicar a fraqueza dos mercados no início da sessão. (Reuters 14/12/2015)

 

Preço interno de açúcar atinge maior patamar desde 2012

O preço interno do açúcar cristal atingiu na semana passada o maior patamar desde janeiro de 2012. De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP), a saca de 50 kg do produto fechou sexta-feira, 11, em R$ 80,19 no spot paulista, maior patamar desde a média de R$ 80,70 por saca registrada há quase quatro anos. Os valores são deflacionados pelo IGP-DI, tendo por base novembro de 2015.

"Mesmo com a movimentação no mercado spot paulista mais calma, representantes de usinas se mantêm firmes nos preços de venda. A maioria das usinas de São Paulo ainda está moendo, mas as chuvas e as consequentes interrupções dos trabalhos têm dificultado a obtenção do açúcar cristal, limitando, assim, a disponibilidade no mercado spot", explicou o Cepea, em relatório repassado antecipadamente ao Broadcast Agro, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado.

Com isso, de 7 a 11 de dezembro a remuneração das vendas de açúcar cristal no mercado interno foi 17,85% superior à das externas. Enquanto a média semanal do Indicador de Açúcar Cristal Cepea/Esalq foi de R$ 79,78/saca, as cotações do contrato março de açúcar na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) equivaleriam a R$ 67,70/saca. (Agência Estado 14/12/2015)

 

Chuva antecipa fim da safra e moagem da Tereos atinge 19,7 mi de t em 2015/16

As chuvas constantes no Estado de São Paulo e no Centro-Sul do País desde o início de novembro obrigaram a Guarani a encerrar o processamento da safra 2015/2016 de cana-de-açúcar com uma moagem total de 19,7 milhões de toneladas nas sete usinas sucroenergética.

O volume deve ficar um pouco abaixo das 20 milhões de toneladas moídas na safra anterior, mas as cerca de 400 mil toneladas "de cana em pé", que não foram cortadas, farão com que a companhia, controlada pela Tereos Internacional e pela Petrobras, antecipe para abril o início da safra 2016/2017.

"A safra transcorreu muito bem até o início de novembro, quando começaram as chuvas em excesso e decidimos encerrá-la. Vamos deixar um pouco de cana em pé para começar mais cedo a safra no ano que vem", disse ao Broadcast Agro o diretor da divisão Brasil da Tereos Internacional, Jacyr Costa Filho.

Indagado sobre a intenção de fechamento de capital da Tereos Internacional na BMF&Bovespa, Costa se limitou afirmar que decisão nada impactará no conglomerado de usinas e emendou: "Nós acreditamos no Brasil e vamos seguir investindo no País", explicou o executivo durante o evento que marca o encerramento da safra da Guarani, em Barretos (SP).

Aporte da Petrobras na Guarani

Jacyr Costa Filho também afirmou que o aporte feito em outubro pela Petrobras na Guarani, de R$ 268,1 milhões, "foi um sinal claro" que a estatal "quer continuar na Guarani". O aporte, feito em outubro, foi o último da Petrobras na subscrição de ações e garantiu a participação de 45,9% na empresa sucroenergética. A Tereos Internacional tem os 54,1% restantes. "O resto é especulação", emendou Costa sobre o possível interesse da Petrobras sem se desfazer de ativos que não sejam da área de petróleo.

O executivo avaliou, ainda, que o cenário de preços do açúcar e do etanol é muito positivo e deve continuar assim no próximo ano. "O etanol tem demanda recorde, o consumo chegou a atingir 1,7 bilhão de litros mês de consumos só de hidratado e devemos ter boa safra no ano que vem tanto de demanda quanto remuneração ao produtor. O açúcar tem um déficit mundial depois de cinco anos, o câmbio melhorou e o cenário é de reversão de expectativa", disse. "A expectativa não é a melhor possível, mas é muito melhor que a que tínhamos no ano passado", concluiu. (Agência Estado 14/12/2015)

 

Preço do MWh no spot vale 18% menos

Vender energia da biomassa da cana vale no máximo R$ 110,10/MW.

Vender o megawatt-hora (MWh) produzido pela biomassa da cana-de-açúcar vale 18% menos nesta semana para as usinas sucroenergéticas localizadas nos estados das regiões Sudeste/Centro-Oeste do país.

A queda de 18% é no teto semanal do Preço de Liquidação das Diferenças (PLD), que até a próxima sexta­feira (18/12) está fixado em R$ 110,10/MWh no submercado Sudeste/Centro-Oeste.

O PLD é definido pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).

Demais mercados No sub-mercado Sul, o preço do PLD caiu 27% e ficou abaixo dos cem reais (R$ 98,39/MWh). O PLD no Nordeste foi fixado em R$ 309,97/MWh, o que significa uma redução de 4%. Apenas no submercado Norte houve aumento (+10%) do preço, passando de R$ 159,61/MWh para R$ 175,70/MWh.

As afluências previstas para o SIN em dezembro foram revistas para de 111% para 118% da Média de Longo Termo (MLT) com acréscimo de 4.400 MWmédios de energia ao Sistema e destaque para a região Sul com afluências esperadas em 250% da média histórica.

As ENAs previstas para o Sudeste também subiram (123% para 126% da MLT), assim como as do Nordeste (38% para 41% da MLT) enquanto o submercado Norte (47% para 34%) foi o único com decréscimo na revisão.

Os limites de recebimento de energia do Nordeste e do Norte foram atingidos, assim como os de envio de energia pelo Sul, resultando na diferença entre os preços desses sub-mercados e os demais.

Houve aumento de 270 MW médios nos níveis de armazenamento esperados para os reservatórios do SIN. Os níveis do Sudeste permaneceram estáveis e foram elevados no Sul (+400 MWmédios). A reduções foram de 50 MW médios no Nordeste e 80 MW médios no Norte.

A carga de energia prevista para a próxima semana não sofreu alteração.

O fator de ajuste do MRE esperado para dezembro é de 92,3% com ESS estimado para o período de R$ 858 milhões, sendo R$ 774 milhões referentes à segurança energética. (Jornal Cana 14/12/2015)

 

CNA espera mudanças no processo de reavaliação toxicológica de defensivos agrícolas pela Anvisa

O ingrediente ativo parationa metílica foi afastado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Em 2008, o ativo entrou em reavaliação toxicológica e, na semana passada, a Agência decidiu pelo banimento progressivo da parationa. A partir de 1º de junho de 2016 é proibida a comercialização no Brasil e em 1º de setembro, a utilização. Para o consultor da Área de Tecnologia da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Reginaldo Minaré  a decisão, já prevista, mostra mais uma vez a necessidade de mudança no processo de reavaliação toxicológica da Anvisa.

O consultor reforçou que o setor agropecuário não é contra o instituto da reavaliação, mas critica a forma como o processo é conduzido. Por se tratar de insumo estratégico e fundamental para a atividade agrícola, o embasamento científico de qualquer ação de reavaliação deveria ser precedido de estudo científico, realizado por múltiplas instituições. “No Brasil, temos diversas universidades com prática de excelência e que deveriam ser convidadas a participar desse processo. É preciso compartilhar os fundamentos com um colegiado de cientistas de diversas instituições”, frisou. “Estamos falando de um mercado anual bilionário. A retirada de um ingrediente ativo que está em domínio público, pode abrir mercado para produto patenteado com custo muito superior para o agricultor e para o consumidor”.

Em seu parecer, a Anvisa assegura que a decisão baseia-se em resultados da consulta pública, à qual o tema foi submetido, às evidências científicas, que demonstram a extrema toxicidade deste ingrediente ativo, e de parecer da Fundação Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz), que elaborou nota técnica para subsidiar a proposição de regulamento técnico para a substância.

A agência frisa que consolidou as contribuições recebidas na consulta pública e as informações da Fiocruz, complementando-as com dados e referências internacionais atualizadas. A instituição também ressalta que, no cenário regulatório internacional, a parationa metílica foi banida ou teve o registro cancelado em 34 dos 45 países pesquisados. Sua proibição nos Estados Unidos, por exemplo, ocorreu em 2013. E mesmo nos países em que ainda persiste, a autorização de uso se dá somente mediante severas restrições. (CNA 14/12/2015)

 

Comissão quer votar parecer sobre mudanças na Lei de Cultivares nesta terça-feira

A comissão especial da Câmara dos Deputados que analisa projeto que altera a Lei de Proteção de Cultivares (PL 827/15) reúne-se nesta terça-feira, dia 15, às 14h30, para discussão e votação do parecer do relator, deputado Nilson Leitão (PSDB-MT).

A Lei de Cultivares (Lei 9.456/97) regulamenta a propriedade intelectual sobre vegetais desenvolvidos no país. Atualmente, a lei veda apenas a produção e não proíbe a venda sem a autorização do detentor da patente da cultivar.

Entre outros pontos, o projeto de lei em análise na comissão torna obrigatória a autorização pelos obtentores de cultivares para a comercialização do produto obtido na colheita.

O objetivo é ampliar as possibilidades de controle e fiscalização sobre o uso de sementes melhoradas, garantindo a devida remuneração ao obtentor ou seu licenciado. Obtentor é a pessoa ou empresa que cria e desenvolve uma cultivar. (Aprosmat 14/12/2015)

 

Odebrecht Agroindustrial: Investimento cairá para cerca de de R$ 300 mi

A Odebrecht Agroindustrial, braço sucroenergético do conglomerado empresarial brasileiro, pretende reduzir os investimentos na safra 2016/17, que se inicia em abril do ano que vem.

Em entrevista ao Broadcast Agro, o vice-presidente de Operações em Engenharia da companhia, Celso Ferreira, afirmou que o objetivo no próximo ano é "tirar o máximo de valor das operações" e que não há novas aquisições no radar. De acordo com ele, o capex deve cair dos R$ 800 milhões a R$ 1 bilhão observados nos últimos ciclos para algo entre R$ 500 milhões e R$ 600 milhões, com parte considerável desse montante direcionada à manutenção dos canaviais.

Ferreira mencionou, ainda, que a empresa busca chegar no próximo ano com a renegociação da dívida, de mais de R$ 7 bilhões, concluída.

Em novembro, a Odebrecht Agroindustrial conseguiu junto aos credores uma trégua de 60 dias para carregar as dívidas de curto para médio ou longo prazos, bem como para buscar o aporte da controladora, cujo valor ainda não foi definido, segundo o executivo.

Com relação aos aspectos operacionais e agrícolas, Ferreira disse que a próxima temporada deverá alcançar processamento de 29,6 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, aumento de 2% na comparação com as 29 milhões de toneladas previstas para o atual ciclo.

Em relação aos produtos, Ferreira afirmou que as previsões na empresa são de fabricação de 1,38 bilhão de litros de etanol hidratado (+7%) em 2016/17, de 703 milhões de litros de anidro (+10%) e 596 mil toneladas de açúcar, volume este que representa aumento de 36,3%.

O plantio e a renovação para o próximo ciclo alcançaram 62 mil hectares, totalizando um canavial próprio de 450 mil hectares.

A Odebrecht Agroindustrial deve encerrar os trabalhos da safra vigente em 20 de dezembro e retomar as atividades em março do ano que vem. As 29 milhões de toneladas esperadas para este ciclo superam as 28 milhões de toneladas inicialmente previstas.

Ainda segundo ele, a Operação Lava Jato, da Polícia Federal, que atingiu a cúpula do grupo Odebrecht, não afetou o braço sucroenergético.

A Odebrecht Agroindustrial opera nove usinas nos Estados de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo. A empresa tem capacidade instalada para processar 36,8 milhões de toneladas por safra. (Agência Estado 14/12/2015)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Em busca de lucros: Os preços futuros do açúcar cederam ontem na bolsa de Nova York com a realização de lucros estimulada por fatores técnicos e externos. Os lotes do açúcar demerara para março recuaram 7 pontos, a 14,51 centavos de dólar a libra-peso. Na semana encerrada dia 8, os fundos aumentaram seu saldo líquido comprado para 156.451 lotes, conforme relatório da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC, na sigla em inglês). A expectativa dos traders era de uma redução, o que desencadeou vendas técnicas para ajustar posições e embolsar os ganhos recentes. A queda do petróleo e a alta do dólar ante o real também favoreceram o movimento de liquidação de posições. No mercado interno, o indicador Cepea/ Esalq para o açúcar cristal subiu 0,7%, para R$ 80,75 a saca de 50 quilos.

Café: Depreciação do real: Em meio à valorização do dólar ante o real e ao contexto global de aversão ao risco, os preços do café arábica caíram ontem na bolsa de Nova York. Os lotes com entrega para março encerraram o pregão a US$ 1,1990 por libra-peso, recuo de 130 pontos. De acordo com analistas, a depreciação do real estimula as exportações do Brasil, o maior exportador global de café, elevando a oferta do grão. Além disso, o clima no Brasil também pressiona as cotações. Segundo Marcus Magalhães, da Maros Corretora, as chuvas no cinturão produtivo do Sudeste do Brasil, o dólar em forte alta em função do estresse elevado em Brasília e o mau humor externo serviram de base para novas vendas. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o grão caiu 0,21%, a R$ 475,78 por saca de 60 quilos.

Soja: Safra no Brasil: Apesar do clima de incertezas e aversão ao risco que dominou o mercado de commodities em geral, os preços da soja subiram ontem na bolsa de Chicago, refletindo compras técnicas e receios com a oferta brasileira. Os papéis da oleaginosa para março subiram 2,25 centavos, a US$ 8,76 o bushel. Os investidores dão como certo que o Federal Reserve elevará os juros americanos em sua reunião nesta quarta-feira, mas ainda há incerteza com o ritmo posterior de elevação. Apesar da cautela, os traders realizaram mais compras no mercado da soja, diante das incertezas que ainda rondam a safra brasileira com volume mais baixo que o normal de chuvas. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a oleaginosa subiu 0,49%, a R$ 80,66 a saca.

Trigo: Demanda aquecida: Os preços do trigo no mercado futuro registraram elevação ontem nas bolsas americanas, impulsionados por recompras técnicas generalizadas nos mercados de grãos e pelo aumento dos embarques semanais americanos. Em Chicago, os contratos para março fecharam em alta de 3 centavos, a US$ 4,9350 por bushel. Em Kansas, onde se negocia o cereal de melhor qualidade, os lotes de mesmo vencimento subiram 5,50 centavos, a US$ 4,88 por bushel. Conforme o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), os exportadores americanos embarcaram na semana encerrada no dia 10 de dezembro 434 mil toneladas de trigo, quase o dobro da semana anterior. No Paraná, a saca de 60 quilos do cereal ficou à média de R$ 37,96, em ligeira baixa de 0,03%, segundo o Deral/Seab. (Valor Econômico 15/12/2015)