Setor sucroenergético

Notícias

Terra Fertil

A operação de agribusiness descolou de vez dos demais negócios da Bayer no Brasil, incluindo a tradicional área farmacêutica.

A divisão de CropScience vai fechar o ano com um crescimento de 20% em relação a 2014, rompendo, pela primeira vez, a marca dos R$ 7 bilhões.

Em cinco anos, a participação do agronegócio na receita do grupo saltou de 50% para 65%. (Jornal Relatório Reservado 15/12/2015)

 

Cooperativas

O Credit Suisse, um dos principais credores da Imcopa, vestiu o figurino de adviser e saiu em busca de um comprador para a cooperativa agrícola.

Entre os candidatos, está a chinesa Cofco, uma das maiores tradings de grãos da Ásia.

A Imcopa, no entanto, é uma lavoura cercada de riscos.

A companhia paranaense carrega uma dívida de R$ 1 bilhão.

Além disso, está no meio de um rumoroso litígio. Seus credores tentam provar na Justiça que a cervejaria Petrópolis comprou, na calada da noite, uma participação na cooperativa e, por esta razão, é responsável por uma parcela do passivo – ver RR edição de 8 de outubro. (Jornal Relatório Reservado 15/12/2015)

 

Equipe analisa reflexos das inovações no sistema de produção da cana

A equipe de pesquisadores da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios – APTA (Tietê, SP) e da Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna, SP) participam de projeto que propõe a construção de métricas para avaliar a sustentabilidade do sistema de produção de cana-de-açúcar no centro-sul do país (Projeto SustenAgro). Dentre esses resultados, foi dado destaque à análise dos dados da produção e suas condicionantes, no estado de São Paulo, maior produtor nacional, 56,2% da produção e, na safra 2013/14, 83,7% da sua área com cana foi colhida sem queima.

A cana-de-açúcar é o principal produto do Valor da Produção Agropecuária (VPA) paulista. Seu valor da produção para 2011 resultou em renda bruta estimada em cerca de R$21 bilhões.

Com os avanços tecnológicos, a modernização do setor e a disseminação da informação para sociedade, o uso da queima como método de despalha tem sido substituído pela mecanização da colheita. Dessa forma, houve pressão da sociedade e do Ministério Público Federal para a erradicação da queima para fins de pré-colheita por meio da adoção de políticas públicas que regularam o tema.

A Lei Estadual 11.241/2002 estabeleceu prazos para o fim dessa prática. Assim, o governo do estado de São Paulo, por meio das secretarias do Meio Ambiente e de Agricultura e Abastecimento, com o objetivo de antecipar os limites estabelecidos pela lei, assinou um protocolo de intenções em 2007, com a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) e em 2008, com a Organização de Plantadores de Cana da Região centro-sul do Brasil (Orplana), denominado Protocolo Agroambiental do Setor Sucroenergético Paulista, criando um cronograma de eliminação da queima, com a ampliação da mecanização da colheita para os signatários (usinas e fornecedores), dentre outras diretivas agroambientais.

Conforme a pesquisadora Kátia de Jesus, da Embrapa Meio Ambiente, "esse estudo desenvolvido a partir do levantamento de dados e informações, junto às usinas signatárias como também aos agentes que atuam na cadeia de produção, tinha como objetivo, principalmente, elucidar o processo de mudança no sistema de produção a partir da colheita manual versus a colheita mecânica e os impactos desta mudança para os fornecedores da região de Piracicaba (SP)".

A alteração no sistema demandou adequações profundas da gestão no campo, resultando em novas formas de sistematização do solo para ajustar o uso intensivo de máquinas.

Embora as perspectivas do setor sejam favoráveis, em função do potencial de suprir uma demanda crescente de energia de modo mais sustentável, o setor tem sentido os impactos das mudanças climáticas globais, as dificuldades impostas pela nova forma de plantar e colher, as oscilações nos preços, carecendo de uma reestruturação operacional para que volte aos patamares de produção condizentes com o seu grau de importância. Para isso, são necessárias novas estratégias e ferramentas que possibilitem orientar políticas públicas que possam corrigir o percurso e possibilitar que tanto fornecedores quanto usinas retomem o crescimento de modo sustentável.

Esses resultados foram publicados na revista Informações Econômicas, SP. (v. 45, n. 2, mar./abr. 2015) com autoria de Sérgio Torquato, pesquisador da APTA (Tietê, SP), Catiana Zorzo, da UFSCar e Embrapa Meio Ambiente e Katia Jesus, da Embrapa Meio Ambiente. (Brasil Agro 16/12/2015)

 

Liminar bloqueia bens da Abengoa no Brasil

O Sindicato Rural de Santa Cruz das Palmeiras conseguiu uma liminar na justiça, na sexta-feira (11), contra a Abengoa Bioenergia Agroindustrial Ltda, alegando que a empresa deixou de cumprir seus compromissos financeiros e legais junto a seus fornecedores de cana-de-açúcar.

De acordo com a ação, os representantes legais da Abengoa estão dilapidando bens e planejando deixar o Brasil, o que causaria prejuízo aos filiados do sindicato, produtores rurais que têm na multinacional sua única fonte de sustento e não teriam garantia de um possível ressarcimento no futuro. O impacto atingiria mais de 100 agricultores, muitos deles sem receber pela matéria-prima desde agosto deste ano e outros com a cana ainda no campo aguardando serem colhidas.

A justiça definiu o arresto (apreensão) dos bens da Abengoa nas unidades de Santa Cruz das Palmeiras, Pirassununga, São José da Boa Vista e Santo Antônio das Posses, “decretando a indisponibilidade patrimonial da empresa e o arresto de tantos bens quantos batem à garantia da futura execução, abrangendo bens imóveis, veículos, parque fabril, estoques de açúcar e etanol, safras (ativo biológico), numerário depositado em contas bancárias correntes, poupanças, aplicações ou investimentos financeiros, de sua titularidade, bem como bloqueio de remessa de valores ao exterior”.

Desde que foi anunciado o pedido de proteção contra credores pelo grupo na Espanha, uma onda de especulações ronda o setor sucroenergético sobre suas atividades no Brasil, onde a Abengoa administra três usinas, além de outros projetos. Procurada, a empresa espanhola não quis se manifestar a respeito da decisão do Tribunal de Justiça. (Revista Canavieiros 15/12/2015)

 

CTC está liberado para fazer ensaios de cana transgênica

Autorização acaba de ser feita pela CTNBio

O Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), empresa de pesquisas que tem entre os sócios a Copersucar e a Raízen (joint venture da Shell e da Cosan), está oficialmente liberado pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) a realizar ensaios com variedade de cana-de-açúcar geneticamente modificada.

Saiba a seguir onde serão realizados os ensaios:

Segundo parecer técnico assinado pelo presidente do CTNBio, Edivaldo Domingues Velini, o CTC está autorizado a realizarde liberação planejada no meio ambiente de cana-de-açúcar geneticamente modificada em estações experimentais localizadas em:

1) Barrinha (SP)

2) Piracicaba (SP)

3) Valparaíso (SP)

4) Quirinópolis (GO)

Conforme a decisão oficial, “no âmbito das competências do art. 14 da Lei 11.105/05, a CTNBio considerou que as medidas de biossegurança propostas atendem às normas e à legislação pertinente que visam garantir a biossegurança do meio ambiente, agricultura, saúde humana e animal.

Como observado, o OGM (organismo geneticamente modificado) “será plantado em condições experimentais controladas, evitando eventuais danos ao meio ambiente.” Leia mais: Opiniões do presidente da Orplana sobre cana transgênica Conforme a CTNBio, “assim, atendidas às condições descritas no processo e neste parecer técnico, essa atividade não é potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente ou saúde humana.”

Em tempo: a CTNBio “esclarece que este extrato não exime a requerente do cumprimento das demais legislações vigentes no país, aplicáveis ao objeto do requerimento. (Jornal Cana 15/12/2015)

 

Noble tenta vender fatia restante de área agrícola

O Noble Group, uma das maiores tradings de commodities da Ásia, confirmou ontem que está em conversas avançadas para vender sua participação restante na Noble Agri, braço agrícola do qual já vendeu uma fatia majoritária de 51% para a chinesa Cofco em 2014.

Listada na bolsa de Cingapura, a trading tem lutado para entregar resultados em meio à queda internacional dos preços das commodities. A companhia também é acusada de irregularidades em práticas contábeis.

Em novembro, a Noble relatou perda de 84% em seu lucro líquido devido ao mau desempenho nos segmentos agrícola e de metais. À época, o CEO Yusuf Alireza explicou que "o ambiente operacional tem sido difícil e ainda mais imprevisível que o usual".

"Confirmamos que estamos em negociações avançadas com potenciais compradores tanto deste negócio como de outras transações estratégicas, mas não temos nada definido", afirmou a companhia, em nota. A declaração foi divulgada após informações veiculadas pela mídia de que a Noble teria colocado à venda os 49% restantes que detém na Noble Agri.

Não foram revelados detalhes da negociação, mas fontes do mercado acreditam que a própria Cofco deve ficar com o restante das ações da divisão, que comercializa de açúcar a trigo. (Valor Econômico 16/12/2015)

 

Geração de caixa da São Martinho pode dobrar em 2016/17, para R$ 1 bilhão

O grupo sucroalcooleiro São Martinho calcula ter potencial para gerar um caixa operacional (Ebit) de R$ 1 bilhão na próxima temporada de cana-de-açúcar no CentroSul, a 2016/17, que começa em abril do ano que vem. O diretor financeiro e de relações com investidores da companhia, Felipe Vicchiato, disse a investidores, em evento realizado ontem em São Paulo, que não se trata de uma projeção, mas de um cálculo simples, considerando o mesmo volume de produção deste ciclo 2015/16 e a manutenção dos preços atuais do açúcar e do etanol na próxima temporada.

Se esse cenário se confirmar, a geração de caixa operacional da empresa em 2016/17 vai dobrar ante os R$ 492 milhões de 2014/15, último número anual publicado pela companhia. "O potencial de gerar caixa com açúcar é de R$ 500 milhões no próximo ciclo. Com etanol, R$ 400 milhões, e com energia, R$ 120 milhões", detalhou o executivo. Ele considera nesses cálculos que os preços do açúcar vão permanecer no patamar de R$ 1,2 mil por tonelada e os do etanol (hidratado), de R$ 1,7 mil por metro cúbico. Até 30 de setembro deste ano, o grupo já havia vendido no mercado futuro 40% de sua produção de açúcar de 2016/17 ao preço médio de R$ 1,250 mil por tonelada.

"Também vemos um cenário muito bom para o etanol. Ainda que as cotações do petróleo estejam baixas, nossa visão é de que não há espaço para a Petrobras reduzir preços da gasolina no mercado interno, o que dará sustentação ao etanol", avaliou.

De qualquer forma, Vicchiato reconheceu que a previsibilidade de receita existente no mercado futuro de açúcar é muito maior do que a possível no mercado de etanol. Por isso, ele acredita que a safra 2016/17 terá um perfil de produção muito parecida com esta, mas com um viés um pouco mais açucareiro.

O presidente da São Martinho, Fábio Venturelli, pontuou, no entanto, que as usinas em situação financeira mais delicada tendem a continuar fabricando mais etanol, produto que gera receita mais imediata.

Sobre o movimento consolidação do setor sucroalcooleiro, Venturrelli observou que, ainda que o caixa da São Martinho ganhe mais robustez, a companhia não tem intenção de alocar recursos em aquisições de usinas. "Não há nada neste momento ativos que façam sentido, que tragam sinergia". A prioridade, reafirmou ele a investidores, é reduzir dívida e distribuir dividendos. (Valor Econômico 16/12/2015)

 

BrasilAgro faz planos de aquisições

A BrasilAgro, empresa com foco no desenvolvimento de terras agrícolas, pretende fazer novas aquisições de fazendas no curto prazo. "Eu ficaria um pouco surpreso se em três meses não houver uma nova aquisição. E muito surpreso se isso não acontecer dentro de seis meses", disse Julio Toledo Piza, CEO da companhia, em evento que reuniu investidores e analistas ontem. "Estão acontecendo negociações o tempo inteiro. Esperem aquisições interessantes", adiantou.

O executivo reiterou que a BrasilAgro está em um momento mais "seletivo" em termos de desenvolvimento de terras e de venda do portfólio. "Mas as compras começam a parecer interessantes, e nossa alocação de capital passa a mirar nessa direção", disse.

Os arrendamentos também entraram no radar, tanto que a empresa aumentou a área arrendada de cana-de-açúcar. A BrasilAgro encerrou há três dias a safra de cana, com a produção de um milhão de toneladas. "A cana vinha perdendo rentabilidade para soja e milho em Goiás, sul de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Hoje o jogo virou, e a cana entrega margens superiores".

Ao todo, a companhia já obteve R$ 500 milhões em vendas de fazendas e tem o portfólio avaliado em R$ 1,05 bilhão. Em junho, vendeu por R$ 270 milhões os 27.745 hectares da fazenda Cremaq, em Baixa Grande do Ribeiro (PI), pertencente à nova fronteira agrícola do país. Agora, a BrasilAgro está mais interessada em áreas consolidadas, a exemplo de Mato Grosso. "Hoje, áreas novas têm margens negativas ou próximo de negativas. Então, faz mais sentido, para o momento de mercado que vivemos, áreas consolidadas".

Com o caixa reforçado e a ausência de dívidas em dólar, a BrasilAgro sente-se confortável para aproveitar oportunidades de aquisições. "Toda a cadeia de valor passa por um momento crítico do ponto de vista do balanço [financeiro]. Podemos entrar e ajudar esses balanços estressados", afirmou o executivo. No ano fiscal de 2015, encerrado em 30 de junho, a BrasilAgro teve um lucro líquido de R$ 180,8 milhões.

A Bahia, onde a BrasilAgro tem parte importante de suas operações, tem "sofrido barbaridade" com o clima nos últimos anos, avaliou o CEO. Segundo ele, a produtividade da companhia na região tem variado de 12 a 53 sacas de soja por hectare. "Mas essas 50 e poucas sacas me levam a crer que toda a fazenda pode produzir isso. É o tempo de aguentar o tranco até lá".

O Piauí vem de bons anos, assim como Mato Grosso, avaliou Piza. Mas o executivo segue particularmente entusiasmado com o Paraguai ­ uma região "bárbara", classificou. "Estamos descobrindo como produzir no Chaco. O custo é infinitamente menor que no Brasil". Tomando como base a perspectiva de um rendimento "módico" de pouco mais de 30 sacas de soja por hectare, detalhou Piza, a previsão é de uma margem de US$ 150 por hectare em 2015/16. "Mas temos o desafio de seca, logística e mão de obra". (Valor Econômico 16/12/2015)

 

Chuva no Brasil dá suporte em meio a liquidação de posições

Os futuros de açúcar demerara fecharam em queda ontem na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), refletindo o posicionamento de fundos. Durante o pregão, as cotações chegaram a desabar mais de 2%, mas terminaram com perdas menos expressivas, sinalizando que o clima chuvoso no Centro-Sul do Brasil ainda dá suporte.

De acordo com o commitments de sexta-feira, divulgado pela Comissão de Comércio de Futuros de Commodities (CFTC), fundos elevaram em mais de 5 mil lotes o saldo comprado em açúcar na semana encerrada em 8 de novembro, para quase 218 mil lotes. Participantes, contudo, apostavam em um corte nessa posição, já que o período foi marcado por contratos em baixa. Como isso não ocorreu, a liquidação acabou postergada para o pregão desta segunda-feira.

O recuo do petróleo e a apreciação do dólar ante o real também contribuíram para o movimento de ontem. A moeda norte-americana terminou em R$ 3,8839 (+0,28%), o que estimula exportações brasileiras.

Analistas divergem sobre o rumo que os contratos podem tomar. Em relatório, o diretor da Archer Consulting, Arnaldo Luiz Corrêa, por exemplo, cita que os fundos, o petróleo e o quadro político no Brasil podem pressionar. Ao mesmo tempo, avalia ele, um "aumento da Cide (...) e o impeachment da presidente Dilma (Rousseff)", que poderia fortalecer o real, estão entre os fatores que dariam sustentação às cotações.

No curtíssimo prazo, contudo, o que se vê são preços no terreno de 14 cents/lb. Vale lembrar que acima dos 15 cents/lb há considerável retração da demanda, enquanto abaixo dos 14 cents/lb, resistência dos produtores em vender. O suporte de 14,50 cents/lb se mantém, com participantes atentos aos atrasos de colheita e moagem no Centro-Sul do Brasil. A União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) já informou que seu tradicional balanço de safra ficará para janeiro, uma vez que ainda há muitas usinas operando.

Março caiu 7 pontos (0,48%) e fechou a segunda-feira em 14,51 cents/lb, com máxima de 14,65 cents/lb (mais 7 pontos) e mínima de 14,23 cents/lb (menos 35 pontos). Maio recuou 8 pontos (0,56%) e terminou em 14,14 cents/lb. O spread março/maio variou de 36 para 37 pontos de prêmio para o primeiro contrato da tela.

O Indicador de Açúcar calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) encerrou a segunda-feira em R$ 80,75/saca, alta 0,70% ante a véspera. Em dólar, o índice ficou em US$ 20,76/saca (+0,10%).

Conforme o centro de estudos, o preço interno do açúcar cristal atingiu na semana passada o maior patamar desde janeiro de 2012. A saca de 50 kg do produto fechou sexta-feira em R$ 80,19 no spot paulista, maior nível desde a média de R$ 80,70 por saca registrada há quase quatro anos. "A maioria das usinas de São Paulo ainda está moendo, mas as chuvas e as consequentes interrupções dos trabalhos têm dificultado a obtenção do açúcar cristal, limitando, assim, a disponibilidade no mercado spot", explicou o Cepea.

Com isso, de 7 a 11 de dezembro a remuneração das vendas de açúcar cristal no mercado interno foi 17,85% superior à das externas. Enquanto a média semanal do Indicador de Açúcar Cristal Cepea/Esalq foi de R$ 79,78/saca, as cotações de março na ICE Futures US equivaleriam a R$ 67,70/saca.

 

Analistas reduzem estimativas para produção de açúcar no Brasil na entressafra

Analistas cortaram suas previsões para produção e conteúdo de açúcar para a safra 2015/16 do centro-sul do Brasil por causa das fortes chuvas no quarto trimestre, assinalando a escassa disponibilidade no período de entressafras, de dezembro a março.

A fornecedora da dados Platts Kingsman cortou nesta terça-feira sua estimativa de produção para o ano de safra de 2015/16 (abril/março) para 594,0 milhões de toneladas, ante sua estimativa anterior de 599,1 milhões de toneladas.

"Nós vemos agora os níveis de ATR (conteúdo de açúcar) em direção a 132 kg/tonelada de cana, representando uma queda de 4,6 kg/tonelada em comparação anual e cerca de 1 kg/tonelada a menos do que em nossa estimativa anterior", disse a Platts Kingsman.

A empresa previu que o déficit global de açúcar aumentará para 7,8 milhões de toneladas em 2016/17 (outubro/setembro), por causa do consumo maior que o esperado.

Para 2015/16 a Platts Kingsman elevou sua estimativa de déficit em quase 2 milhões de toneladas, ante uma estimativa do mês passado para um déficit de 3,3 milhões de toneladas, levando em consideração o consumo maior na Índia e na Tailândia e a produção reduzida no centro-sul do Brasil, especialmente no quarto trimestre de 2015.

A empresa de análises australiana Green Pool reduziu sua estimativa de produção no centro-sul do Brasil em 2015/16 para 30,25 milhões de toneladas, ante sua estimativa prévia de 30,65 milhões de dólares.

O Rabobank cortou sua estimativa para a previsão de açúcar no centro-sul do Brasil para 30,7 milhões de toneladas, ante 31,5 milhões de toneladas anteriormente.

O Rabobank também diminuiu a previsão de ATR para 131,8 kg/tonelada, ante a estimativa anterior de 134 kg/tonelada.

A Sucden, em seu mais recente relatório trimestral nesta terça-feira, estimou que 599 milhões de toneladas de cana seriam processadas no centro-sul do Brasil em 2015/16.

"Até 615 milhões de toneladas poderiam ter sido processadas se novembro e dezembro não tivessem sido atingidos por fortes chuvas", disse.

"O ATR ficará baixo devido à florada e às condições chuvosas", disse a Sucden.

"A produção de açúcar de 30,5 milhões de toneladas é a mais baixa em seis anos."

O diretor da consultoria brasileira de açúcar e etanol Job Economia Julio Maria Borges disse que está bem claro agora que a produção de açúcar do centro-sul será menor que o esperado.

"Haverá uma oferta de açúcar limitada do Brasil no período entressafras. Nós exportamos mais que o esperado (nos meses anteriores e a produção de açúcar provavelmente será menor que o projetado", disse.

A INTL FCStone disse recentemente em um relatório para clientes que a produção de açúcar no centro-sul pode cair cerca de 1 milhão de toneladas ante estimativas anteriores. (Reuters 16/12/2015)

 

Platts Kingsman prevê aumento do déficit global de açúcar em 2016/17

A Platts Kingsman estimou nesta terça-feira que o déficit global de açúcar aumentará para 7,8 milhões de toneladas em 2016/17 (outubro-setembro), devido a um consumo maior do que o esperado.

A provedora de informações estimou o déficit global de açúcar em 5,3 milhões de toneladas em 2015/16 (outubro/setembro).

A empresa de análises elevou sua previsão para o déficit 2016/17 em 1,37 milhão de toneladas, principalmente devido ao maior consumo no sudeste da África, dizendo que suas estimativas anteriores estavam demasiadamente baixas.

Para 2015/16, Platts Kingsman elevou sua previsão de déficit em quase 2 milhões de toneladas, em comparação com previsão do mês passado de déficit de 3,3 milhões de toneladas, tendo em conta um maior consumo na Índia e Tailândia, mas também uma produção menor no centro-sul do Brasil, especialmente no quarto trimestre de 2015. (Reuters 15/12/2015)

 

Após acordo, funcionários da Dedini retomam atividades em Piracicaba

Audiência entre representantes da categoria foi realizada na segunda (14).

Empresa pagará benefícios; entidade prevê greve se houver descumprimento.

Após assinatura de acordo no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), os funcionários da metalúrgica Dedini Indústria de Base S/A, de Piracicaba (SP), retornaram às atividades nesta terça-feira (15). Os trabalhadores estavam paralisados desde 9 de dezembro, em protesto pela falta e atraso de pagamentos.

O sindicato da categoria adiantou, entretanto, que outra greve pode ser iniciada, caso haja qualquer descumprimento.

No acordo, assinado na segunda-feira (14), ficou acertado, entre as cláusulas, que os trabalhadores receberão o pagamento integral da segunda parcela do 13° até o dia 21 de dezembro, segundo a entidade. Procurada, a direção da companhia não se pronunciou sobre o assunto.

Segundo o diretor do sindicato da categoria, João Carlos Ribeiro, a empresa se comprometou a pagar o vale-compra de dezembro, de R$ 260, no dia 18 de dezembro e 27% no vale especial de natal até o dia 24. "Além disso, os funcionários horistas receberão os salários no dia 5 de janeiro, os mensalistas de fábrica e os cooperativos também serão pagos no mesmo mês. Os dias parados também não serão descontados", completou.

Protesto

No dia 9 de dezembro, os funcionários queimaram pneus e atearam fogo na guarita de recepção da empresa, em uma manifestação contra a falta de pagamento de salários e de verbas para os trabalhadores demitidos. O ato foi um protesto contra as demissões de pelo menos 200 trabalhadores - sendo 100 em Sertãozinho (SP) - e a falta de cumprimento de um acordo para pagar verbas rescisórias para 468 demitidos.

Os trabalhadores das quatro áreas da companhia, o administrativo, mecânica, fundição, caldeiraria.

Fogo na guarita

Sobre o ataque à guarita da empresa, o diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de Piracicaba, João Carlos Ribeiro, afirmou que havia pessoas no protesto que não tinham relação com a entidade e que podem ter provocado a depredação. "Tinha muita gente lá e não conseguimos ter controle sobre todos."

No inicio de dezembro desse ano, 200 trabalhadores das unidades de Piracicaba (SP) e Sertãozinho (SP) foram dispensados. Desde fevereiro de 2014, foram cerca de 1,6 mil funcionários dispensados nas duas cidades, segundo o sindicato. "Reivindicamos o pagamentos de salários atrasados, de férias, o cumprimento de acordos, demissões", disse o diretor.

Recuperação Judicial

Em agosto deste ano, a Dedini já havia demitido cerca de 650 funcionários em Piracicaba (SP) e Sertãozinho (SP). No mesmo mês, a empresa entrou com pedido de recuperação judicial para tentar evitar a falência, e recebeu prazo para retomar a saúde financeira dos negócios.

Acordo

Ainda segundo a entidade sindical, a empresa não cumpre acordo feito na Justiça do Trabalho, em 11 de novembro, que determina o pagamento de R$ 1 mil e cesta básica, todo dia 29 de cada mês aos demitidos. A medida é válida até a realização da assembleia que será marcada pelo juiz que analisa o processo de recuperação judicial.

"Ao todo, 468 trabalhadores deste processo rescisório são prejudicados. A empresa também não cumpre com pagamento de férias, FGTS, há atrasos de salários, dentre tantos outros problemas", afirmou o sindicato em nota. (G1 15/12/2015)

 

Usineiro amigo de Lula e mais 10 viram réus por corrupção

José Carlos Bumlai, preso desde 24 de novembro, é o pivô do polêmico empréstimo de R$ 12 milhões concedido a ele pelo Banco Schahin, cujo destinatário final teria sido o PT.

O juiz federal Sérgio Moro, da Operação Lava Jato, abriu ação penal contra o empresário e pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Lula, e outros 10 investigados. Bumlai é acusado de corrupção e gestão fraudulenta (Lei do Colarinho Branco). Ele é o principal protagonista do polêmico empréstimo de R$ 12 milhões tomado junto ao Banco Schahin, que teria como destinatário final o PT.

A denúncia contra Bumlai foi protocolada na Justiça Federal nesta segunda-feira, 14, pela força-tarefa do Ministério Público Federal. Além do amigo de Lula, tornaram-se réus o clã Schahin – os irmãos Salim e Milton Schahin e Fernando Schahin -, o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, os ex-diretores da área Internacional da Petrobrás Nestor Cerveró e Jorge Zelada, o ex-gerente executivo da estatal Eduardo Musa e o lobista Fernando Falcão Soares, o Fernando Baiano.

Moro também recebeu a denúncia contra o filho de Bumlai, Maurício de Barros Bumlai, e a nora do pecuarista, Cristiane Dodero Bumlai.

Segundo a acusação do Ministério Público Federal, o Banco Schahin concedeu, em 14 de outubro de 2004, empréstimo de R$ 12.176.850,80 a Bumlai. “O empréstimo teria como destinatário real o Partido dos Trabalhadores, tendo José Carlos Bumlai sido utilizado somente como pessoa interposta.”

O empréstimo, com vencimento previsto para 3 de novembro de 2005, não foi pago e nem possuía garantia. Foi ele sucessivamente aditado. Ao final de 2015, foram concedidos pelo Banco Schahin empréstimos de R$ 18.204.036,81 a AgroCaieras, empresa constituída por Bumlai para quitar o empréstimo.

Em 28 de março de 2007, o Banco Schahin cedeu o crédito, no montante de R$ 21.267.675,99 à Schahin Securitizadora de Crédito. A divída, sem que tivesse havido qualquer pagamento até então, foi quitada em 27 de janeiro de 2009, mediante contrato de transação, liquidação e dação em pagamento de embriões de gado bovino por Bumlai para empresas do Grupo Schahin.

Segundo a Procuradoria da República, a verdadeira causa para a quitação da dívida seria a contratação da Schahin pela Petrobrás para operação do navio-sonda Vitoria 10.000, ao preço de US$ 1,6 bilhão em 28 de janeiro de 2009, ‘com memorando de entendimento entre a Petrobrás e a Schahin tendo se iniciado em 2007′.

O contrato da Petrobrás com a Schahin foi celebrado pelo prazo de dez anos, prorrogáveis por mais dez anos, com valor mensal de pagamento de US$ 6.333.365,91 e valor global de pagamento de US$ 1,562 bilhão.

“Presentes indícios suficientes de autoria e materialidade, recebo a denúncia contra os acusados acima nominados”, afirmou Moro ao abrir a ação penal. (O Estado de São Paulo 16/12/2015

 

Argélia abre nova refinaria de açúcar com capacidade para 350 mil t

Uma refinaria de açúcar na Argélia, administrada pela francesa Cristal Union e a companhia local La Belle, iniciou a produção com uma capacidade de 350 mil toneladas por ano, disse uma autoridade do Ministério da Indústria nesta terça-feira.

A autoridade disse à Reuters que a capacidade de produção deve dobrar para 700 mil toneladas por ano "dentro de meses".

A produção da refinaria deve servir o mercado doméstico da Argélia, que tem expectativa de consumo de 1,2 milhões de toneladas por ano.

A empresa familiar Cevital era proprietária da única refinaria de açúcar do país do Norte da África, com capacidade de cerca de 1 milhão de toneladas por ano. Ela importa a maior parte de seu açúcar bruto do Brasil. (Reuters 15/12/2015)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Déficit maior: A consultoria Platts Kingsman, sediada em Londres, elevou sua estimativa para o déficit de oferta de açúcar nesta safra global de 2015/16. O volume passou de 3,31 milhões de toneladas, projetados no mês passado, para 5,26 milhões de toneladas, o que motivou a alta do açúcar ontem na bolsa de Nova York. Os papéis do demerara para maio avançaram 10 pontos, para 14,24 centavos de dólar a libra-peso. A revisão da consultoria refletiu o aumento da previsão para o consumo na Índia e na Tailândia e uma redução da projeção de produção no Brasil. A Platts Kingsman estima que 70% a 90% da cana que será moída neste fim de safra no Centro-Sul do Brasil irá para o etanol. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal subiu 0,36%, para R$ 81,04 a saca de 50 quilos.

Cacau: Recuo em NY: Os preços do cacau cederam ontem na bolsa de Nova York reflexo de um movimento de realização de lucros, favorecido pela alta do dólar ante várias moedas. Os lotes para março caíram US$ 36, a US$ 3.339 a tonelada. A elevação do dólar, principalmente ante o euro, eleva o custo do cacau para as indústrias processadoras, que estão concentradas nos países da zona do euro. Porém, os sinais sobre a oferta do oeste da África começam a confirmar as expectativas pessimistas. Na semana até o dia 13, o volume entregue nos portos da Costa do Marfim ficou 11 mil toneladas abaixo do mesmo período de 2014. Desde o início da safra, as entregas estão 13 mil toneladas menores. Em Ilhéus e Itabuna, o preço médio seguiu em R$ 159 a arroba, de acordo com a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Soja: Dólar e demanda: Os contratos futuros da soja recuaram ontem na bolsa de Chicago em decorrência da alta do dólar e da redução da demanda americana. Os papéis para março tiveram queda de 8,25 centavos, a US$ 8,6775 o bushel. A alta da moeda americana, que reagiu às expectativas de que o Federal Reserve eleve os juros americanos hoje, teve efeito negativo sobre as commodities de forma generalizada. Além disso, a Associação Nacional de Processadoras de Oleaginosas informou que as indústrias americanas utilizaram 4,24 milhões de toneladas de soja em novembro, abaixo das 4,32 milhões de toneladas em outubro. Houve menos dias de atividade, o que contribuiu para o declínio. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a soja em Paranaguá subiu 0,14%, para R$ 80,77 a saca.

Milho: Efeito cambial: Os contratos futuros do milho recuaram nesta terça-feira na bolsa de Chicago, influenciados pela apreciação do dólar em escala global e pela baixa demanda no mercado. Os papéis do cereal para maio fecharam com desvalorização de 3,25 centavos de dólar, a US$ 3,8225 o bushel. Os preços recuaram após a alta em seis semanas alcançada na sessão anterior. Ontem, porém, a valorização do dólar, que refletiu as expectativas de que o Federal Reserve eleve os juros americanos em sua reunião, exerceu pressão no mercado. A alta do dólar reduz a competitividade das exportações americanas. As vendas externas de milho já têm sentido esse impacto nesta safra. No mercado doméstico, o indicador Esalq/ BM&FBovespa teve queda de 0,17%, para R$ 35,54 a saca. (Valor Econômico 16/12/2015)