Setor sucroenergético

Notícias

Abengoa enfrenta revés na Justiça

Os produtores rurais de Santa Cruz das Palmeiras (SP) obtiveram na Justiça uma liminar que permite o arresto de bens das três usinas de cana-de-açúcar da Abengoa Bioenergia, controlada da holding espanhola Abengoa, que entrou no fim de novembro com um pedido de recuperação judicial no exterior. A decisão, do juiz Jose Alfredo de Andrade Filho, da vara cível do município, também determinou o bloqueio de remessa de recursos da empresa ao exterior.

Conforme o advogado que representa o Sindicato Rural de Santa Cruz das Palmeiras, Luiz Fernando Felício, os produtores de cana que fornecem a matéria­prima para as usinas do grupo não recebem da Abengoa desde agosto. A dívida está estimada em R$ 200 milhões e tem como credores cerca de 200 produtores de cana do município. Procurado, o advogado da Abengoa não retornou.

A situação de inadimplência da espanhola, segundo Felício, afeta também fornecedores de cana em outros 15 municípios do entorno das três usinas da empresa, localizadas em Pirassununga, São João da Boa Vista e Santo Antonio de Posse, no Estado de São Paulo. Conforme ele, outros sindicatos rurais da região ­ São João da Boa Vista, Casa Branca, Santa Rosa de Viterbo, Cajuru, entre outros, estão trilhando o mesmo caminho.

O escritório pretende entrar com uma ação coletiva de arresto de bens contra a Abengoa Bioenergia envolvendo todos os sindicatos, logo após o retorno do recesso do Judiciário, em 20 de janeiro. O advogado estima que os produtores de cana de todas essas regiões tenham juntos R$ 500 milhões a receber da empresa.

Ainda neste ano, o advogado dará prosseguimento à ação do sindicato de Santa Cruz das Palmeiras, por meio de um pedido de alienação dos bens que estão sendo arrestados, maquinários, veículos, estoques de açúcar e etanol, etc. O objetivo é conseguir autorização judicial para vender os ativos e pagar os fornecedores. "Neste momento, os bens estão sendo avaliados para que nenhum ativo que comprometa a operação das usinas seja alienado", explicou Felício.

Conforme o advogado, duas usinas da Abengoa estão em operação nesta safra, com uma moagem conjunta de 6 milhões de toneladas de cana. No exercício encerrado em 31 de dezembro de 2014, a divisão sucroalcooleira no Brasil teve um prejuízo líquido de R$ 140,9 milhões e um resultado operacional antes do resultado financeiro negativo em R$ 88,6 milhões. Em 31 de dezembro do ano passado, a dívida líquida da empresa somava R$ 714,8 milhões. (Valor Econômico 17/12/2015)

 

Syngenta tem sinal verde para avançar na cana transgênica

A Syngenta Seeds Ltda. acaba de obter aval da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), do Ministério da Ciência e Tecnologia.

A companhia de pesquisa de origem suíça, também ligada ao setor sucroenergético, obteve sinal verde (deferimento) da CTNBio.

Conforme o Parecer, Técnico 4.864/2015, assinado pelo presidente da Comissão, Edivaldo Domingues Velini, a Syngenta solicitava liberação planejada no meio ambiente.

“A CTNBio, após análise da proposta, concluiu deferimento em liberação planejada no meio­ ambiente de experimento com cana­-de-­açúcar geneticamente modificada expressando genes que conferem aumento no teor de sacarose e produtividade”, explica o presidente da Comissão.

Os experimentos serão realizados em Uberlândia (MG) Gleba 8A e ocuparão uma área total de 5.027,4 m2 e área com OGM será de 2.613 m2. (Jornal Cana 16/12/2015)

 

Usinas de cana da Noble fazem acordo com MPT

As usinas de cana-de-açúcar da Noble (atual Noble Agri) fez um acordo com o Ministério Público do Trabalho (MPT) por meio do qual vai destinar R$ 1,5 milhão a entidades sem fins lucrativos e em benefício de seus empregados. O acordo, homologado pelo Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região, põe fim à ação civil pública movida pelo MPT, na qual a empresa era acusada de fraudes no registro de ponto de funcionários.

A empresa, que possui unidades em Catanduva, Meridiano, Potirendaba e Sebastianópolis, destinará R$ 280 mil à Associação dos Ostomizados de Campinas e Região (OSTOCAMPRE) na forma de bens e para o término da obra de ampliação da entidade; realizará a doação de 120 leitos ao Hospital “Lar Santa Catarina”, em Jaci (SP), gerido pela Associação Lar São Francisco de Assis na Providência de Jesus, com investimento de R$ 539.280,00; e fornecerá um motor gerador no valor de R$ 151.807,00 também ao “Lar Santa Catarina”.

Além disso, a empresa se comprometeu a investir R$ 300 mil em um programa de prevenção e tratamento dentário em benefício de seus 5.924 empregados e 16.587 dependentes nas cidades de Catanduva, Potirendaba, São José do Rio Preto, Sebastianópolis e Votuporanga.

Ficou definido no acordo a obrigação da Noble S/A de efetuar o registro de ponto eletrônico dos seus empregados, sob pena de multa estabelecida na decisão. (Valor Econômico 16/12/2015)

 

Grupo argelino Cevital quer investir US$ 750 milhões em planta de etanol de milho no MT

Representantes do grupo Cevital, com sede na Argélia, apresentaram ao governador do Mato Grosso, Pedro Taques, o projeto de instalação de uma indústria de etanol de milho no município de Vera. O projeto prevê também, em um segundo momento, a instalação de outras agroindústrias, como uma esmagadora de soja e milho e uma fábrica de ração. A expectativa de investimentos na região é de 750 milhões de dólares, gerando três mil empregos, sendo mil diretos e dois mil indiretos. O complexo industriário será dividido em três etapas, com duração entre três e cinco anos para desenvolvimento.

A empresa trará uma tecnologia pouco utilizada no Brasil, o etanol de milho, mas muito difundida e utilizada em países como os Estados Unidos, gerando divisas e insumos para agropecuária, explicou o representante da Cevital no país, Paulo Hegg, durante reunião nesta terça-feira (15) no Palácio Paiaguás. “Queremos com isso agregar valor à matéria prima produzida no estado, gerando novos empregos e formando mão de obra mais especializada”, afirmou o executivo.

Vale lembrar que o etanol de milho não é inédito no país. Um exemplo é a unidade flex Usina Rio Verde, em Goiás. O projeto é uma joint venture entre a Usina São João, da USJ Açúcar e Álcool, e da norte-americana Cargill.

Investimento em Mato Grosso

Uma das principais razões do investimento da Cevital é o estado do Mato Grosso ser um grande produtor agrícola. O grupo já compra do Brasil, segundo Paulo Hegg, R$ 1,6 bilhões de dólares por ano de produtos como açúcar, soja e milho por meio de trades internacionais do Japão, Suíça, França e Inglaterra. “Chegamos à conclusão que devíamos estar mais próximos dos produtores e a maior parte destes produtos estão em Mato Grosso. Desta forma resolvemos priorizar o estado dentro da implantação no Brasil”, afirma.

O governador Pedro Taques agradeceu a presença dos executivos da Cevital e destacou que Mato Grosso tem um ambiente propício para atrair investimentos. “O interesse de uma empresa do nível da Cevital em investir em Mato Grosso ajudará a abrir portas para outros investidores estrangeiros e para novos mercados, como o africano”. Taques ofereceu todo apoio necessário ao grupo, destacando que a Secretaria de Desenvolvimento Econômico estará em contato direto com os empreendedores buscando agilidade e viabilidade nos processos de licenciamento, energia, incentivos fiscais e financiamento de forma a trazer este investimento o mais rápido possível para o estado.

Novos mercados

O projeto, além de trazer agregação de valor com o processo de industrialização do milho e da soja, é importante por sair dos grandes centros e abrir novos mercados, destaca o secretário de Desenvolvimento Econômico, Seneri Paludo, que está à frente da negociação com o grupo argelino. “É um investimento extremamente significativo para Mato Grosso que trará crescimento para um município pequeno, uma região que ainda precisa ser desenvolvida e abrirá para produtores e empreendedores do estado um mercado de negociação com o norte africano”.

A parceria com o Legislativo por meio de leis que proporcionem condições jurídicas para os investimentos de grupos internacionais foi um ponto importante levantando por Seneri. Representando a Assembleia, o deputado Dilmar Dal Bosco, que ressaltou a seriedade do governador Pedro Taques no empenho de trazer ao estado grandes empreendedores. “É uma gestão que se preocupa com questões ambientais, de energia elétrica e no desenvolvimento e industrialização do interior. O Governo está no caminho certo para gerar empregos, promovendo o desenvolvimento econômico e preservação ambiental”.

Cevital

É uma empresa familiar privada, criada em 1971 na Argélia e dirigida pelo pai e cinco filhos. Até 1998, a empresa tinha como ponto central os setores siderúrgicos e metalúrgicos. Há 16 anos, se tornou uma das principais empresas do ramo agropecuário do mundo, sendo que hoje 60% do faturamento do grupo, em um total de US$ 5 bilhões de dólares por ano, vem da agroindústria.

Além da refinaria de açúcar na Argélia, com estrutura de um porto próprio e a produção de 2,7 milhões de toneladas por ano, a empresa atua em outros setores como óleo refinado e margarina. Após inserir no mercado europeu, com a implementação, dentre outros empreendimentos, de uma siderúrgica na Itália com um porto, que terá uma plataforma de recebimento de produtos brasileiros para distribuição na Europa, o próximo passo da empresa é investir no Brasil, em especial em Mato Grosso, e avançar as negociações com países africanos, como Sudão, Costa do Marfim, Angola e Moçambique (CGCOM-MT 17/12/2015)

 

Créditos de biocombustíveis dos EUA estão próximos de meta de agência ambiental

As companhias de combustíveis dos Estados Unidos estão a caminho de superar as metas do governo para o uso de etanol e outros combustíveis renováveis, mesmo com poucos créditos de conformidade produzidos em novembro, mostraram dados da Agência de Proteção Ambiental dos EUA nesta terça-feira.

Os créditos, conhecidos como Números de Identificação Renováveis (RIN's, na sigla em inglês), são gerados quando um galão de combustível renovável é produzido para o mercado norte-americano.

A produção de etanol ou de crédito de mistura de combustíveis renováveis nos EUA caiu 3 por cento no mês passado para 1,23 bilhão de créditos ante 1,27 bilhão em outubro, mostraram os dados, mesmo com um forte aumento da produção de etanol.

Mas nos 11 meses até novembro a produção dos créditos aumentou para 16,29 bilhões de galões, deixando os EUA a caminho de ultrapassar os requerimentos do governo norte-americano de 16,93 bilhões de galões.

As refinarias de petróleo e outras empresas de combustíveis podem misturar galões de combustíveis renováveis ou comprar RINs para atender determinações do governo para o uso de biocombustíveis.

A grande produção de RIN's coloca os EUA no ritmo para ultrapassar o recorde do ano passado de 17,2 bilhões de créditos. (Reuters 16/12/2015)

 

Déficit dá suporte, mas futuros ainda respeitam os 15 cents

Os futuros de açúcar demerara reverteram as perdas de segunda-feira e fecharam em alta ontem na Bolsa de Nova York (ICE Futures US). As cotações foram sustentadas pela perspectiva de um déficit global maior na safra 2015/16. Os contratos, entretanto, não tiveram força suficiente para romper os 15 cents por libra-peso, que tendem a se manter como resistência nas próximas sessões.

Nesta terça-feira, a Platts Kingsman elevou sua projeção de déficit na temporada iniciada em outubro, de 3,31 milhões para 5,26 milhões de toneladas. "No Centro-Sul do Brasil, a safra continua a surpreender negativamente, contrariando a expectativa das usinas de processar o maior volume de cana possível", afirmou, em nota. Para o longo prazo, a Platts também traçou um cenário construtivo para os preços ao estimar déficit de 7,81 milhões de toneladas em 2017/18, acima do de 6,44 milhões de toneladas previstos anteriormente.

Os números da consultoria influenciaram o pregão de ontem, atenuando a pressão gerada pela recente liquidação de posições compradas. A alta do petróleo e o dólar mais calmo contribuíram para a valorização. Ao fim do dia, a moeda norte-americana ficou em R$ 3,8783 (-0,14%).

Para analistas, o fato de os futuros não terem conseguido romper os 15 cents/lb sinaliza que a demanda ainda patina para além desse patamar de resistência. O suporte, por sua vez, permanece nos psicológicos 14,50 cents/lb.

Ontem, março subiu 8 pontos (0,55%) e fechou em 14,59 cents/lb, com máxima de 14,95 cents/lb (mais 44 pontos) e mínima de 14,56 cents/lb (mais 5 pontos). Maio avançou 10 pontos (0,71%) e terminou em 14,24 cents/lb. O spread março/maio variou de 37 para 35 pontos de prêmio para o primeiro contrato da tela.

O Indicador de Açúcar calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) encerrou a terça-feira em R$ 81,04/saca, alta de 0,36% ante a véspera. Em dólar, o índice ficou em US$ 20,88/saca (+0,58%). (Agência Estado 16/12/2015)

 

Unida quer emenda para garantir subvenção da cana em 2016

Apesar do governo federal garantir uma cota especial de exportação do açúcar nordestino aos Estados Unidos, baseada na situação produtiva da região por conta de critérios socioeconômicos adversos e problemas com a seca e o relevo acidentado, a União Nordestina dos Produtores de Cana (Unida) alega que a União não concedeu ainda a subvenção da safra 2012/13, conforme define a lei 12.999/14.

A fim de corrigir esta situação, o deputado federal, Givaldo Carimbão (Pros/AL), enviou ontem (15) uma emenda à Medida Provisória (MP) 701/15, que trata da cota americana do açúcar do NE ao mercado dos EUA. A emenda pede o pagamento da subvenção da cana nordestina em 2016, através da prorrogação da referida lei, que não foi paga este ano. A emenda foi reivindicada pela Unida.

A expectativa da Unida é grande diante desta emenda, uma vez que 21 mil produtores de cana aguardam uma medida para amenizar os efeitos negativos da maior seca do NE dos últimos 50 anos na Região, mesmo com a lei da subvenção sancionada. E, para piorar, estão sofrendo com uma nova seca em fase do El Niño.

"O deputado Carimbão foi solidário ao problema do canavieiro", diz Alexandre Andrade Lima, presidente da Unida. O político entende que a emenda deve ser aceita no texto da MP 701, visto que, em face das condições adversas da produção na região, a medida visa conceder crédito bancário ao produtor de açúcar do NE que está no programa de cota para os EUA, portanto, é incongruente não garantir a execução de uma lei, já sancionada, para este público.

A previsão é de que em fevereiro de 2016, após o recesso parlamentar, caso se confirme, a Comissão Mista da MP 701 inicie os debates sobre a validade da prorrogação da lei da subvenção na Medida Provisória. Se aprovada, segue para avaliação do plenário da Câmara dos Deputados e, se avançar, segue para votação dos senadores e depois para análise presidencial. A lei 12.999/14 garante o pagamento de R$ 12 por tonelada de cana fornecida na safra 2012/13 - período auge da estiagem anterior. A legislação também beneficia os produtores de cana do Rio de Janeiro. (Unida 16/12/2015)

 

Estoques de açúcar da Índia cairão com aumento das exportações

A Índia deve começar o ano comercial 2016/17 com 6,7 milhões de toneladas em estoques, queda de 26,4 por cento ante o volume registrado no início do ano atual, com o aumento das exportações reduzindo o volume estocado no segundo produtor mundial do adoçante.

As exportações indianas mais fortes podem colocar pressão sobre os preços globais, mas fortaleceriam o mercado local, ajudando as usinas a pagar aos agricultores os preços de suporte estabelecidos pelo Estado para a cana-de-açúcar.

A Índia começou o ano 2015/16 em 1º de outubro com 9,1 milhões de toneladas de estoques de açúcar.

"Nós certamente podemos exportar 1 milhão a 1,2 milhão de toneladas de açúcar branco... Nós também podemos exportar até 2 milhões de toneladas de açúcar bruto", afirmou A Vellayan, presidente da associação das usinas da Índia.

O país concorre com o Brasil, Tailândia e Paquistão no mercado mundial.

As usinas ainda deverão dobrar a oferta de etanol para até 1,3 bilhão de litros em 2015/16, disse Vellayan.

Para dar um impulso ao consumo de etanol, o governo está considerando permitir que as montadoras fabriquem veículos que podem ser movidos com o biocombustível, disse o ministro dos Transportes, Nitin Gadkari. (Reuters 16/12/2015)

 

Índia: Alcançar meta de exportação de açúcar será "desafio", diz Isma

A nova legislação da Índia, que torna compulsória a exportação de pelo menos 4 milhões de toneladas de açúcar nesta temporada, vai ser um "desafio" para o setor, por causa da fraca demanda dos principais países importadores da commodity, afirmou a Associação das Usinas de Cana-de-Açúcar do país (Isma, na sigla em inglês).

Os grandes compradores de açúcar do mercado internacional - China, Indonésia, Bangladesh, Malásia, reduziram as importações em virtude da desaceleração de suas economias.

Após cinco anos de produção superavitária, a Índia acumulou estoques de 9,6 milhões de toneladas de açúcar. Agora, o governo do país tenta forçar os produtores a exportar parte do volume armazenado e fazer com que as usinas usem essa receita para reduzir suas dívidas com os agricultores. Entretanto, os preços internacionais permanecem baixos, tornando as vendas externas pouco atrativas. "É uma meta desafiadora e a indústria está tentando responder da melhor forma possível", disse A Vellayan, presidente da Isma.

Ainda nesta quarta-feira, o ministro dos Transportes da Índia, Nitin Gadkari, afirmou que o país considera permitir a fabricação de veículos movidos exclusivamente a etanol, para lidar com o excedente de produção de açúcar. O anúncio oficial da medida deve ser feito até 26 de janeiro. O governo indiano vem tentando promover a mistura de etanol à gasolina. Além de ajudar a reduzir a oferta de açúcar, a medida deve reduzir a dependência das importações de petróleo. (Reuters 16/12/2015)

 

Commodities Agrícolas

Cacau: Pressão do câmbio: As apostas dos investidores de que o Fed elevaria a taxa básica de juros já vinha impulsionando o dólar ante diversas moedas desde a manhã, o que ditou a queda do cacau na bolsa de Nova York. Os lotes para maio caíram US$ 47, a US$ 3.286 a tonelada. A alta do dólar tem particular influência no mercado do cacau quando ocorre sobre o euro, já que encarece o custo da matéria-prima para as indústrias dos países da zona do euro, que respondem por um terço do processamento global da amêndoa. O traders, porém, seguem preocupados com o avanço dos ventos Harmattan, secos e carregados de areia, sobre as lavouras do oeste da África. Em Ilhéus e Itabuna, o preço do cacau na terça-feira (última data com dados disponíveis) ficou em R$ 159 a arroba, segundo a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Soja: Queda em Chicago: A valorização do dólar em relação a outras moedas, derivada da decisão do banco central dos Estados Unidos (Fed) de elevar a taxa básica de juros no país, pressionou as cotações da soja ontem na bolsa de Chicago. Ainda que a decisão do Fed já fosse esperada, os contratos do grão com vencimento em março caíram 4,5 centavos de dólar, para US$ 8,6325 por bushel. Segundo analistas, a queda do petróleo ­ mais uma ­ também colaborou para a retração dos preços da oleaginosa, que pode ser usada como matéria-prima na produção de biodiesel. Nas principais praças de Mato Grosso, a saca de 60 quilos continua a ser negociada entre cerca de R$ 63 e R$ 72, de acordo com levantamento realizado pelo Instituto Mato­grossense de Economia Agropecuária (Imea).

Milho: Na onda de baixa: Os preços do milho também não resistiram à confirmação da decisão do Fed de elevar a taxa básica de juros dos EUA e caíram ontem em Chicago. Os contratos com vencimento em maio encerraram a sessão negociados a US$ 3,7525 por bushel, em baixa de 7 centavos de dólar. E, também como no caso da soja (ver ao lado), a queda dos preços do petróleo exerceu pressão sobre o milho, principal matéria-prima para a produção de etanol nos EUA. A produção do biocombustível vinha em alta no país. Na semana encerrada no dia 11, chegou a 1 milhão de barris por dia, ante 993 mil na semana anterior. No Paraná, a saca de 60 quilos do cereal foi negociada, em média, por R$ 25,34, de acordo com levantamento do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura.

Trigo: Efeito global: Confirmada ontem, a esperada decisão do Federal Reserve (Fed) de aumentar os juros nos EUA também afetou os preços do trigo nas bolsas americanas. Os lotes da commodity com entrega para maio fecharam o pregão de ontem cotados a US$ 4,90 o bushel na bolsa de Chicago, desvalorização de 10,5 centavos. Na bolsa de Kansas, onde é negociado o cereal de melhor qualidade, os papéis de mesmo vencimento também caíram 10,50 centavos, para US$ 4,915 o bushel. De maneira geral, a alta do dólar já vem afetando as exportações de trigo dos EUA, e a confirmação da alta dos juros tende a fortalecer a moeda americana ainda mais. No mercado brasileiro, a cotação médio do trigo no Estado do Paraná recuou 0,47%, para R$ 37,39 por saca de 60 quilos, de acordo com levantamento feito pelo Dera. (Valor Econômico 17/12/2015)