Setor sucroenergético

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Cresce a produção de açúcar na região Centro-Sul do país

As usinas sucroalcooleiras do Centro-Sul do Brasil aumentaram a quantidade de cana processada na primeira quinzena de dezembro em relação a igual período de 2014, o que permitiu um crescimento tanto da produção de açúcar como de etanol na mesma comparação.
De acordo com dados divulgados ontem pela União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica), a moagem de cana alcançou 17,995 milhões de toneladas, um aumento de 77% na comparação entre as quinzenas. Desde o início da safra 2015/16, em abril, o volume chegou a 581,346 milhões de toneladas, 3% mais que no mesmo intervalo de 2014/15.
A produção de açúcar na primeira metade deste mês subiu 66% na comparação anual, para 636 mil toneladas. Esse incremento reduziu a diferença negativa registrada no acumulado da safra. Desde o início da moagem de 2015/16, a produção de açúcar chegou a 30,057 milhões de toneladas, 5,5% menor que no mesmo período do ciclo anterior.
Já a produção de etanol totalizou 790 mil toneladas na primeira quinzena de dezembro, aumento de 58% na comparação anual. Desde o início da safra, foram produzidas 26,577 milhões de litros, alta de 3,4%. (Valor Econômico 23/12/2015)
 

Açúcar: Produção brasileira

O aumento da produção de açúcar no Centro-Sul do Brasil na primeira quinzena de dezembro limitou a alta das cotações dá commodity ontem na bolsa de Nova York, mas a queda do volume acumulado nesta safra 2015/16 na região ainda garantiu que os contratos futuros da commodity fechassem no azul.
Maio subiu 3 pontos, para 14,65 centavos de dólar por libra-peso.
Conforme a Unica, que representa as usinas do Centro-Sul brasileiro, a produção de açúcar aumentou 66% na primeira metade deste mês em relação ao mesmo intervalo de 2014, para 636 mil toneladas.
No acumulado da safra, o volume caiu 5,5% a 30,1 milhões (ver página B10).
No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 50 quilos do açúcar cristal registrou alta de 0,07%, para R$ 81,64. (Valor Econômico 23/12/2015)
 

Queda do petróleo torna urgente política para o etanol, diz setor

O governo apostou no uso das fontes renováveis de energia para auxiliar na meta de descarbonização da economia, aprovada na COP-21.
O cenário para um dos principais itens desse segmento, o etanol, ainda é incerto. A produção nacional atual está próxima de 30 bilhões de litros, mas o governo coloca em suas metas 50 bilhões para 2030.
Há uma conscientização sobre os benefícios desse combustível, com efeitos ambientais e sobre a saúde. Não há, porém, uma política de longo prazo que garanta esses 50 bilhões de litros.
A Petrobras está em um momento de fragilidade, e a distribuição de combustíveis vai passar por mudanças.
A empresa acumulou elevados prejuízos na produção e na distribuição de combustíveis nos últimos anos, o que não deverá ocorrer a partir de agora. A estatal vai entregar os combustíveis na refinaria, e o ônus da distribuição passa a ser das distribuidoras.
Um dos efeitos será o fim da equalização de preços da gasolina, o que permite, por exemplo, que os preços atuais do combustível em Roraima tenham similaridade com os do Nordeste e do Sul.
A Petrobras não deverá arcar mais também com as perdas da importação de gasolina, o que ocorreu nos anos recentes para que o produto não pressionasse a inflação.
Essa política jogou o setor sucroenergético no chão. A vantagem para o setor, agora, é que as importações -tanto da Petrobras como das demais distribuidoras- vão manter uma correlação maior com os preços externos.
Isso é bom para o setor de etanol se o petróleo voltar a subir. O custo maior da gasolina dá maior margem para o derivado de cana.
O cenário de queda externa do petróleo, no entanto, vai colocar ainda mais em evidência a falta de uma política que garanta a sobrevivência do setor sucroenergético.
O país precisa aproveitar o momento para adotar uma política tributária reguladora para o setor, segundo Luiz Carlos Corrêa Carvalho, presidente da Abag (Associação Brasileira do Agronegócio).
Sem ela, não haverá investimentos tanto no setor de produção de etanol como no de bens de capital, que também sofre as consequências da crise desses últimos anos, acrescenta ele.
Antonio Pádua Rodrigues, diretor da Unica, diz que essa política tem de contemplar avaliações sobre preços internacionais do petróleo, câmbio e incentivos para que o etanol cumpra o seu papel na matriz limpa de energia.
As medidas têm de ser de longo prazo, para que o setor tenha uma diretriz. Mas podem ser ajustadas conforme ocorra a entrada de novos produtos vindos da biomassa, tomando com base produtividade e custos do setor.
Para Carvalho, o governo deveria construir um programa de complementaridade entre energia das hidrelétricas e da biomassa.
Para um melhor aproveitamento do potencial da biomassa como energia, o governo teria de buscar uma viabilidade técnica e de investimentos para a conexão dos sistemas à rede de transmissão e distribuição de energia elétrica.
Além disso, fazer leilões exclusivos e regionais voltados para as fontes renováveis descentralizadas, de acordo com Carvalho. (Folha de São Paulo 22/12/2015)
Açúcar: Câmbio e valorização externa sustentam preço do cristal no BR
Na atual safra (2015/16), os valores do açúcar cristal no mercado spot paulista começaram a reagir na última semana de agosto, quando as exportações voltaram a remunerar mais que as vendas domésticas, o que não era observado desde meados de fevereiro, segundo cálculos do Cepea. Entre os fatores que justificaram a maior rentabilidade das exportações estiveram a valorização do dólar frente ao Real e as altas nas cotações do açúcar demerara na Bolsa de Nova York (ICE Futures), que saíram dos 10 centavos de dólar por libra-peso para a casa dos 14 centavos de dólar por libra-peso.
Esse cenário foi decisivo para inverter a tendência dos preços do açúcar, que atingem neste final de ano patamar recorde. O Indicador CEPEA/ESALQ do açúcar cristal, cor Icumsa entre 130 e 180, fechou a R$ 81,58/sc de 50kg no dia 21, segundo maior valor nominal da série do Cepea, ficando atrás somente do dia anterior (R$ 81,69/sc). (Cepea / ESALQ 22/12/2015)
 

Etanol: Produção aumenta e consumo é recorde; cotação segue estável

O ano teve aumento de produção e também demanda recorde. No balanço, os preços médios desta temporada pouco se alteram em relação à anterior, em termos reais (deflacionadas pelo IGP-M de nov/15), fazendo deste o quarto ano seguido de estabilidade. Muitas usinas, no entanto, não têm conseguido compatibilizar preços estáveis com custos crescentes e, segundo a Unica, ao final desta safra, ao menos mais dez empresas do setor devem encerrar atividades.
Na média da atual temporada (abril-novembro), o valor do hidratado (Indicador semanal CEPEA/ESALQ, referente ao estado de São Paulo) esteve em R$ 1,3737/litro, um pouco acima (1,2%) do registrado para igual intervalo do ano passado (em termos reais) – somente na parcial de 2010/11, houve uma média bem menor que esta, de R$ 1,2002/l, em termos reais. Para o anidro, a cotação até novembro foi de R$ 1,5094/l, baixa de 1% no comparativo anual. No mesmo período de 2010, a média desse combustível foi de R$ 1,3965/l, também deflacionando-se os indicadores semanais pelo IGP-M de nov/15. (Cepea / ESALQ 22/12/2015)
 

Índia dobra meta de mistura de etanol para ajudar usinas de açúcar

A Índia dobrou sua meta de mistura de etanol à gasolina em 10 por cento, disse um ministro nesta terça-feira, com o governo tentando promover o combustível renovável para reduzir poluição e ajudar companhias deficitárias de açúcar.
As petroleiras nunca atingiram a atual meta de mistura de 5 por cento de etanol, uma vez que o biocombustível produzido a partir de cana custa mais que a gasolina sem incluir impostos. A Índia não permite importações de etanol.
O ministro dos alimentos, Ram Vilas Paswan, reconheceu o problema, mas disse aos parlamentares que para melhorar a oferta e manter os preços baixos, o governo ampliou os empréstimos em até 40 por cento para encorajar as usinas a montar destilarias de etanol, fixou "preços lucrativos do etanol" e dispensou alguns impostos para empresas.
Ele não disse quando a nova meta será aplicável e quais ações serão tomadas em caso de não cumprimento.
"A produção de etanol e seu abastecimento sob o programa de misturas de etanol em preços lucrativos devem melhorar a posição de liquidez das usinas, permitindo que quitem dívidas junto aos produtores", disse Paswan. (Reuters 22/12/2015)
 

BNDES pede a falência imediata de empresas de Bumlai por calote

Há um ano sem receber do grupo empresarial de José Carlos Bumlai, o amigo de Lula que está preso e virou réu na Operação Lava Jato, o BNDES ingressou com um pedido de falência "imediata" das empresas dele.
As dívidas do grupo São Fernando, que está em recuperação judicial desde abril de 2013, somam R$ 1,2 bilhão. O BNDES é o maior credor das empresas de Bumlai: o grupo deve ao banco cerca de R$ 300 milhões, o equivalente a um quarto da dívida total.
Integram o grupo de Bumlai usina de álcool e açúcar e empresa que produz energia a partir de bagaço de cana, entre outros negócios. Todas as empresas estão em nome dos filhos do pecuarista e ficam no Mato Grosso do Sul.
O banco já havia pedido a falência do grupo São Fernando em junho deste ano. Como o grupo não cumpriu o que havia acertado em seu plano de recuperação, o BNDES ingressou com uma nova petição.
No novo pedido, feito à Justiça de Dourados (MS) no último mês, os advogados do banco argumentam que "o processo de recuperação judicial, neste momento, visa tão somente a procrastinar providência inevitável, qual seja, a decretação de falência".
O BNDES afirma ainda que a procrastinação pode comprometer as garantias oferecidas por Bumlai. "Os efeitos do tempo podem ser nefastos às garantias reais, notadamente quando estas são agregados parques industriais."
O BNDES informou em nota que "o risco de procrastinação só se fez presente quando ficou claro que o grupo não seria capaz de honrar os acordos feitos".
O BNDES fez dois tipos de financiamentos para Bumlai.
Entre 2008 e 2009, emprestou sem intermediários R$ 395,2 milhões para a usina de álcool e açúcar do empresário. Em 2012, o BNDES fez duas operações intermediadas pelo Banco do Brasil e BTG Pactual, no valor de R$ 101,5 milhões para a empresa de Bumlai que produz energia a partir de bagaço de cana, a São Fernando Energia.
Como o grupo já passava por dificuldades em 2012, inclusive com um pedido de falência, os empréstimos de 2012 faziam parte de um plano para tentar salvar o grupo.
Ao todo, o BNDES concedeu empréstimos de quase R$ 500 milhões às empresas do pecuarista. Esse montante não contempla os juros cobrados pelos atrasos, os quais o banco não informa por questões de sigilo bancário.
O banco disse à Folha que os calotes só ocorreram nos empréstimos feitos diretamente. Nos financiamentos repassados pelo Banco do Brasil e BTG, não há inadimplência, segundo o BNDES, porque as duas instituições estão fazendo os pagamentos ao banco de fomento.
Por conta da inadimplência, o banco diz que já executou garantias oferecidas pelas empresas de Bumlai no valor de R$ 250 milhões.
OUTRO LADO
O BNDES diz que segue a Lei de Falências.
A instituição diz que tenta resolver os problemas das empresas desde 2012, quando participou de empréstimos indiretos.
Procurados, os advogados do grupo São Fernando que atuam na recuperação judicial não foram localizados.
Na Justiça, eles dizem que o BNDES parte de "premissa equivocada" ao ver um cenário falimentar e procrastinação por parte das empresas. "O grupo São Fernando tem envidado seus melhores esforços no cumprimento de seu Plano de Recuperação Judicial", dizem em petição.
Segundo os advogados, o grupo já quitou R$ 320 milhões da dívida. (Folha de São Paulo 23/12/2015)
 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Produção brasileira: O aumento da produção de açúcar no Centro-Sul do Brasil na primeira quinzena de dezembro limitou a alta das cotações dá commodity ontem na bolsa de Nova York, mas a queda do volume acumulado nesta safra 2015/16 na região ainda garantiu que os contratos futuros da commodity fechassem no azul. Maio subiu 3 pontos, para 14,65 centavos de dólar por libra-peso. Conforme a Unica, que representa as usinas do Centro-Sul brasileiro, a produção de açúcar aumentou 66% na primeira metade deste mês em relação ao mesmo intervalo de 2014, para 636 mil toneladas. No acumulado da safra, o volume caiu 5,5% a 30,1 milhões (ver página B10). No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 50 quilos do açúcar cristal registrou alta de 0,07%, para R$ 81,64.
Soja: Chuva no Centro Oeste: Perspectivas mais otimistas em relação ao clima em regiões produtoras do Brasil pressionaram as cotações da soja ontem na bolsa de Chicago. Também influenciados por vendas técnicas, os contratos com vencimento em março encerraram a sessão a US$ 8,8550 por bushel, em baixa de 6 centavos de dólar. As previsões meteorológicas mais recentes confirmam que haverá chuvas no Centro­Oeste brasileiro em janeiro, o que tende a melhorar a produtividade das lavouras da região. Nos próximos dias, contudo, as precipitações deverão continuar abaixo da média. Nas principais praças de Mato Grosso, o levantamento mais recente do Instituto Mato­grossense de Economia Agropecuária (Imea) indica que a saca de 60 quilos vinha sendo negociada entre cerca de R$ 65 e R$ 73.
Milho: Argentina no mercado: Influenciados pela queda das cotações do trigo, pelas perspectivas de aumento da oferta da Argentina e por vendas técnicas, os contratos futuros do milho fecharam em queda ontem na bolsa de Chicago. Os papéis para entrega em maio recuaram 5,50 centavos de dólar, para US$ 3,7250 por bushel. Segundo analistas, o milho argentino tem sido ofertado no mercado em condições mais vantajosas que o dos Estados Unidos, o que poderá inclusive provocar uma "depressão" mais profunda no mercado americano. Vale lembrar que os exportadores do país já vinham enfrentando uma concorrência mais acirrada do Brasil. No Paraná, a saca de 60 quilos foi negociada, em média, por R$ 25,89, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura.
Trigo: Oferta folgada: A ampla oferta no mercado internacional, fortalecida por Rússia e Argentina, voltou a determinar a queda das cotações do trigo ontem nas bolsas americanas. Em Chicago, março recuou 7,25 centavos de dólar, para US$ 4,79 por bushel; em Kansas, onde é negociado um cereal de melhor qualidade, o mesmo vencimento caiu 3,25 centavos de dólar, para US$ 4,81 por bushel. Os pregões de ontem foram quase uma continuação das sessões de segunda-feira, quando os preços caíram diante dos sinais de que a Rússia deverá reduzir ou eliminar, em 2016, a tarifa sobre as exportações de trigo. No Paraná, a saca de 60 quilos foi negociada, em média, por R$ 37,65, segundo levantamento do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura. (Valor Econômico 23/12/2015)