Setor sucroenergético

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Cade analisa formação de joint venture entre Raízen e Wilmar

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) está analisando a criação de uma joint venture entre a Raízen Energia e a Wilmar Sugar, subsidiária da Wilmar International, de Cingapura, para a originação e comercialização de açúcar VHP brasileiro. A informação consta no Diário Oficial da União (DOU).
A nova empresa também deve estudar oportunidades para o desenvolvimento de negócios na área de logística para exportação de açúcar, conforme documentos entregues ao Cade. O ato de concentração entrou no conselho em 26 de novembro.
Atualmente, a Raízen estabelece um contrato de fornecimento com as tradings, com destaque para a Wilmar e a Sucden, para entregar açúcar no Porto de Santos através da Rumo, principalmente, enquanto a Wilmar adquire o açúcar no modelo “free on board” (FOB). Com a formação da joint venture, a entrega do açúcar da Raízen seria exclusivamente para a Wilmar, sem necessidade de um contrato.
Segundo documento entregue ao Cade pelas duas companhias, esse modelo “não acarreta concentração horizontal de nenhuma natureza e é incapaz de gerar qualquer tipo de preocupação concorrencial nos mercados de produção de açúcar ou de exportação de açúcar”.
A Wilmar respondeu na safra de 2014/15 atualmente por 13,66% da exportação de açúcar a partir do Centro­Sul do Brasil, segundo dados levantados a partir da agência Williams. Só no Porto de Santos, sua participação na temporada passada foi de 15,19%. (Valor Econômico 23/12/2015 à 12h: 49m)
 

Dívida de usinas de cana deve somar R$ 95 bi e superar receita do setor

Vão sobreviver à crise as usinas que fizerem boa gestão de risco.
As usinas de açúcar e etanol devem encerrar a safra 2015/16 (de abril a março) com endividamento recorde de R$ 95 bilhões, um crescimento de 18% sobre o ciclo anterior, 2014/15, quando as dívidas somaram cerca de R$ 80 bilhões. “Houve uma reação dos preços do açúcar e do etanol, sobretudo a partir de setembro, mas o mesmo câmbio que favorece as exportações (de açúcar) também eleva a dívida do setor”, afirmou Alexandre Figliolino, diretor do Itaú BBA. Estimativa da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica) mostra que a receita do setor deve atingir nesta safra cerca de R$ 84 bilhões, um aumento de 17% sobre o período anterior.
Com a recuperação do açúcar no mercado internacional nos últimos meses, como reflexo da expectativa de déficit de produção global após cinco anos de excedente, e demanda mais aquecida por etanol no mercado interno, as usinas ganharam um fôlego, mas não o suficiente para reverter à situação financeira delicada de boa parte das empresas, segundo fontes ouvidas pelo Estado.
“Nem todas as usinas vão se beneficiar do aumento dos preços”, disse Antonio de Pádua Rodrigues, diretor técnico da Unica. Das 450 usinas instaladas no País, 80 delas estão desativadas e cerca de 70 estão em recuperação judicial.
Para fazer caixa, muitas usinas moeram a cana para vender o etanol durante a safra a preços mais baixos. Já os grupos mais capitalizados conseguiram segurar sua produção para vender durante a entressafra, que tem preços mais atrativos.
São poucos os grupos que devem aumentar os investimentos para expansão de seus canaviais. Uma das exceções é o grupo São Martinho. Na semana passada, o empresa anunciou que vai investir R$ 42 milhões na Usina Santa Cruz, em Américo Brasiliense (SP), para aumentar sua produção de 4,5 milhões para 5,2 milhões de toneladas de cana. O grupo tem quatro usinas e capacidade total de 22 milhões de toneladas. “O setor passou por um momento de euforia entre 2005 e 2008. Em 2009, com a crise financeira global, muitas empresas foram afetadas”, lembrou Fábio Venturelli, presidente do grupo. O São Martinho foi um dos poucos que reduziu seus custos e manteve rigidez financeira para atravessar a fase mais difícil do setor.
Longa jornada
Apesar de ter começado o ano com notícias favoráveis, como a volta da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) e o aumento da mistura de etanol na gasolina de 25% para 27%, o setor terá uma jornada longa para “arrumar a casa”, avaliam analistas. “A recuperação de preços vai ajudar a fazer com que as empresas comecem a gerar resultados para, lentamente, reduzirem o endividamento”, afirma Plínio Nastari, presidente da Datagro. Para Júlio Maria Martins Borges, da Job Economia, vão sobreviver à crise as usinas que fizerem boa gestão de risco. “O setor voltará a viver um movimento de consolidação”, disse Borges.
As chuvas constantes no Estado de São Paulo e no Centro­Sul do País levaram a Guarani a antecipar o processamento da safra, com uma moagem total de 19,7 milhões de toneladas. “Encerramos a safra mais cedo com alguma cana em pé, entre 400 a 500 mil toneladas”, afirmou Jacyr Costa, diretor do Brasil da Tereos, controladora da Guarani. A empresa também realizou uma política de retenção de estoques e, no final de novembro, estava com 56% de etanol estocado.
Luiz Mendonça, presidente da Odebrecht Agroindustrial, disse que a empresa teve avanços já neste ano. “Tivemos aumento de 15% em produtividade e de quase 20% na moagem, com a ampliação da usina Eldorado de 2 milhões para 3,5 milhões de toneladas.” Ele vê boas perspectivas para 2016, mas pleiteia decisões no governo que tragam melhor remuneração para o etanol. “Precisa haver sinalizações claras e de longo prazo para que voltem os investimentos”.(O Estado de S. Paulo 24/12/2015)
 

Acionistas da Rumo ALL aprovam aumento de capital privado da companhia

Os acionistas da concessionária de ferrovias Rumo ALL, reunidos em assembléia nesta quarta-feira (23-dez-15), aprovaram proposta de aumento do capital social da companhia, por meio de subscrição privada de novas ações, no valor de até R$ 650 milhões.
Segundo a Rumo, o aporte de recursos tem como objetivo reforço de caixa, redução dos níveis de endividamento e a continuidade da implementação do plano de investimentos da empresa.
O aumento será feito mediante a emissão de até 107,4 milhões de ações ordinárias, ao preço de emissão de R$ 6,05 por ação, com a emissão de 107,4 bônus de subscrição a serem conferidos como vantagem adicional aos subscritores de ações no âmbito do aumento de capital. Cada bônus dará direito à subscrição de uma nova ação ordinária.
Caso a operação seja integralmente realizada, o capital social da companhia passará a ser de R$ 6,1 bilhões. No entanto, o aumento de capital poderá ser homologado parcialmente caso sejam subscritas 57,9 milhões de ações, suficientes para assegurar a captação de R$ 350 milhões.
A Cosan Logística, principal acionista da empresa com 26% do capital, comprometeu-se a aportar até R$ 250 milhões no âmbito do aumento de capital e a não vender as ações que venha a subscrever por um período de 180 dias após a homologação do aumento.
Caso o aumento de capital venha a ser integralmente subscrito e integralizado, o percentual de diluição será de 26,43%. No caso do montante mínimo, a diluição potencial seria de 16,21%.
Será assegurado aos acionistas da companhia direito de preferência para subscrição de novas ações emitidas no aumento de capital, na proporção da quantidade de ações ordinárias de que eram titulares no dia 23 de dezembro. Assim, cada uma ação ordinária conferirá ao seu titular o direito à subscrição de 0,359 nova ação ordinária.
A partir de 28 de dezembro as ações da Rumo ALL serão negociadas “ex-direitos de subscrição. (Valor Econômico 23/12/2015)
 

Comissão de cana-de-açúcar faz balanço positivo do setor

Grupo se reuniu da sede da Faeg, destacou suas ações durante este ano e fez projeções para o ano que vem.
Na última quarta-feira (16), a Comissão de Cana-de-açúcar e Bioenergia da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg) se reuniu na sede da entidade para fazer um balanço do ano de 2015 e projeções para 2016. Os produtores também destacaram alguns pontos que os incomodaram durante este ano, em especial problemas de inadimplência com fornecedores arrendantes de terras para usinas em Goiás.
Sobre este gargalo, os produtores propuseram entrar com recursos que suspendam os benefícios fiscais das empresas em caso de inadimplência, sobretudo quando estão em recuperação judicial. O entrave deles, segundo Edson Novaes, gerente de assuntos técnicos e econômicos da Faeg, é que quando se entra neste estado judicial, que é um último fôlego para evitar a falência, não se pode tirar nenhum subsídio.
A idéia, conforme discutido pelos produtores e pelo presidente da Comissão, Alexandre Sardinha, é criar um projeto de lei que possa amenizar a situação. “Só no setor da cana-de-açúcar, em Goiás, há quase cinco usinas nessa situação. Nos outros setores deve haver muito mais. Esta medida atenderá toda a cadeia produtiva”, explicou.
No último mês, os produtores têm se reunido para tratar deste assunto. Em dezembro, a pauta recorrente era a Usina Anicuns S/A Álcool e Derivados, que, segundo eles, não têm cumprido as medidas estabelecidas em contrato, além da falta de pagamento a quem arrenda suas terras. Medidas políticas também já vinham sido decididas desde o início do mês.
Os produtores comemoraram a continuação de um representante goiano no cargo máximo da Comissão de cana-de-açúcar da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e a participação ativa no andamento dos projetos de produção de etanol de milho no estado, que envolve grãos e cana. Durante este ano, também comemorou-se um significativo avanço no projeto Faeg Seguros para a cana. “Conseguimos aumento nos valores dos prêmios pagos por hectare ao produtor, em caso de sinistros, e também a continuidade da carteira de negócios no estado”, contou Sardinha.
Além disso, está a todo vapor a articulação em Brasília para implementar o programa Agricultura de Baixo Carbono (ABC), que contempla a cana nos moldes da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). “Até então a Embrapa estava alheia ao ABC”, informou Sardinha. Os produtores discutiram a necessidade de se fazer pesquisas imparciais em sua área de produção e, alinhados à Embrapa, poderão ter mais visibilidade em todo o estado. “Vamos rodar as regiões, fazendo pesquisas de respaldo”, disse. A interferência da empresa, segundo eles, também trará novas tecnologias para as lavouras de cana-de-açúcar.
Planejamento
Para o ano que vem, deseja-se mais envolvimento das associações e ainda mais aproximação com a Federação. “Vejo que a comissão trabalha muito em prol dos produtores e isso me inspira muito”, afirmou o produtor Wesley Rodrigues. “O maior erro é se distanciar das entidades”, alegou Sardinha, que salientou a importância do encontro e a discussão das atividades realizadas em 2015. “Vamos colar na Faeg, cobrar e participar”, finalizou. (Faeg 23/12/2015)
 

À espera dos carros de luxo da Mercedes

Fábrica da Mercedes-Benz será concluída até março.
Rodeada por canaviais e com grande parte de sua economia dependente da Usina Iracema, maior empregadora e maior geradora de impostos do município, Iracemápolis, no interior de São Paulo, está a três meses da inauguração da fábrica de carros de luxo da Mercedes-Benz, programada para março.
A expectativa é que a montadora mude a economia da cidade de 24 mil habitantes, com a chegada de empresas fornecedoras de peças e serviços e até de um hotel de bandeira internacional, empreendimento inexistente na cidade. O orçamento local, que este ano deve girar em torno de R$ 54 milhões, deve dobrar até 2018, “só com a fábrica da Mercedes”, prevê o prefeito Valmir Gonçalves de Almeida (PSD).
A busca por uma vaga na montadora movimenta moradores que querem escapar da sina de pais e avós de trabalhar com a cana. A empresa deve iniciar operações com 500 a 600 funcionários, mas planeja gerar mil vagas quando operar com capacidade produtiva de 20 mil carros por ano.
O Senai, que funciona em instalações provisórias, já formou 540 alunos num curso para montador de sistemas automotivos. Novas turmas serão criadas no próximo ano, quando será aberta uma unidade própria do Senai na cidade. Hoje, a coordenação do curso técnico é da filial de Limeira.
“Meu pai puxava cana para a usina”, conta Luis Henrique Dellariva, de 41 anos. Casado e pai de três filhos, está desempregado há quatro meses, após dois anos de trabalho numa fábrica de capacetes. A família se vira com o salário da esposa, funcionária de um escritório de advocacia. Trabalhar na Mercedes “é uma chance de subir na vida, por ser uma grande multinacional”, diz Dellariva. “O salário é bom e ainda tem os benefícios”, diz ele, que no último emprego recebia R$ 1,3 mil por mês. A Mercedes deve pagar cerca de R$ 1,7 mil.
O casal Lidervando Araújo Silva e Denivalda Dias Neri, ambos de 32 anos e desempregados, veem na multinacional “uma possibilidade de crescer e se desenvolver profissionalmente”, diz Silva. Ele foi operador de logística por sete anos e, enquanto aguarda uma vaga, faz bicos de cabeleireiro. Ela trabalhava numa autopeça.
Dar continuidade aos estudos e cursar uma faculdade é o sonho de Paulo Roberto Cardoso, de 31 anos. Ele perdeu o emprego em uma metalúrgica de Limeira em maio, “por causa da crise”. Por enquanto, se vira com bicos de pedreiro e personal trainer para ajudar a cuidar do pai, que está doente.
Aulas de alemão
“Sempre quis montar um carro e faço muitas pesquisas na internet sobre o tema”, conta Leandro Martinelli, de 30 anos, portador de necessidades especiais. “Tentei uma vaga na Hyundai, em Piracicaba, mas não consegui”. Atualmente ele trabalha como repositor de estoques em um supermercado e mudou o horário de expediente para poder fazer o curso de montador e se habilitar a uma vaga na Mercedes.
A montadora já contratou cerca de 200 funcionários. Entre eles está Ivete Aparecida de Almeida Campos, de 52 anos, cujo pai trabalhou na usina local por 20 anos. “Quero buscar novos cursos para crescer na empresa”, diz ela, contratada como inspetora de qualidade em setembro, depois de trabalhar por dez anos no comércio. Ela tem segundo grau e se inscreveu em um curso de inglês para o próximo ano. “Depois quero estudar alemão”.
Empregos
Ao contrário de quase todo o País, Iracemápolis registra, até novembro, saldo positivo de 407 postos de trabalho, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). No ano passado, em igual período, o estoque era de 30 postos negativos.
“A base da economia local é a usina de açúcar e álcool”, confirma o presidente da Associação Comercial, Industrial e Agrícola de Iracemápolis, Carlos José Fedato. A Usina Iracema, pertencente ao Grupo São Martinho, criada há mais de 70 anos, emprega 2 mil funcionários.
A própria área onde está a fábrica da Mercedes era um canavial. Com investimento de R$ 500 milhões, o grupo ergueu uma fábrica compacta e moderna, a terceira da marca alemã no País, que já produz caminhões e ônibus em São Bernardo do Campo (SP) e Juiz de Fora (MG). As obras estão em fase de acabamento na parte externa.
A fábrica iniciará operações com a produção do sedã Classe C (que custa a partir de R$ 143 mil) e, no segundo semestre, deve entrar em linha o utilitário GLA (hoje vendido a partir de R$ 129 mil).
Na cidade, os moradores conhecem apenas dois proprietários de modelos importados da Mercedes, um deles o empresário Paulo César Demarchi. Dono da fabricante de peças plásticas Iraplast, ele tenta obter contratos com a montadora. “Como filho de Iracemápolis, gostaria muito de fornecer para eles”. (O Estado de São Paulo 26/12/2015)
 

Total define nichos para crescer e evita briga por volumes

Em um mercado no qual as três maiores empresas dominam 50% das vendas, ser pequeno é quase regra e exige um modelo de negócio diferenciado. É este cenário que o francês Olivier Bellion encontrou no Brasil ao assumir, há dois meses, a presidência da Total Lubrificantes no país. A divisão da petroleira francesa Total tem pouco mais de 2% desse segmento e seus planos, apesar de ambiciosos, não projetam um crescimento significativo em termos de participação de mercado.
"Não vamos comprar participação de mercado a qualquer preço", afirma Bellion em um esforçado português carregado de sotaque francês. "Temos um modelo de negócio diferenciado. Não vamos trabalhar os mesmos segmentos das líderes [BR, Ipiranga e Cosan]", completa o executivo há 18 anos no grupo e com passagem por diferentes países como Gana, França, Hong Kong, Venezuela e República Dominicana.
Longe da briga por volumes, o grupo investe em produtos específicos às necessidades dos clientes e na prestação de serviços. Esses são os dois pilares do modelo de negócio definido por Bellion. E dois segmentos vão receber atenção especial em 2016: indústria e caminhões. Das vendas anuais no Brasil da ordem de R$ 300 milhões, o segmento automotivo leve responde por 65%, seguido por caminhões (15%), indústria (15%) e motos (5%). O fato de não ter uma rede própria de postos, justamente o ponto forte dos líderes de mercado, cria dificuldades para crescer no segmento de veículos leves, onde os volumes são maiores, mas por outro lado as margens são mais apertadas.
Nos segmentos industrial e de caminhões, principalmente os frotistas, as margens podem ser bem melhores. Bellion acredita que possa atingir 40% da sua receita no segmento industrial em quatro ou cinco anos. Há seis meses o também francês Arnaud Bourhis assumiu a diretoria de especialidades e começou um trabalho focado nos segmentos de autopeças, alimentos, siderurgia e madeira/papel.
De forma bem resumida, a Total prepara uma análise técnica das necessidades do cliente e implementa as mudanças, agregando serviço à venda dos produtos. A empresa pode, inclusive, assumir a área de lubrificação da empresa, colocando funcionários dela dentro das fábricas.
"Queremos fidelizar o cliente no longo prazo. Mostramos como é possível reduzir custos usando melhor os produtos. O desempenho dos equipamentos melhora e o cliente sente o ganho de produtividade", diz Bellion. Ele exemplifica com o caso da Duratex, que conseguiu economia de 5% no uso de lubrificantes e de 7% no consumo de energia após adotar as mudanças sugeridas pela Total. Entre os grandes clientes da companhia estão a CBA, JBS, Valeo, ADM, InterCement e LafargeHolcim.
No segmento de caminhões a estratégia é semelhante. A companhia francesa faz um levantamento das necessidades dos grandes frotistas e oferece soluções para redução de custos e aumento da produtividade da frota. Ela estima que consiga oferecer entre 5% e 6% de economia, por exemplo, no uso de diesel usando o lubrificante correto.
A Total pode ser considerada a caçula do setor no Brasil. Chegou ao país em 1998 acompanhando as montadoras francesas Renault, Citroën e Peugeot, parceiras de longa data que começavam a atuar no país. Ela tem uma fábrica em Pindamonhangada (SP), 150 empregados e produz 90% dos lubrificantes vendidos no país. Os 10% importados são produtos específicos e sem volumes que justifiquem a produção local. A capacidade de produção atual é de 25 mil toneladas anuais, com um turno de trabalho. Segundo o presidente, é possível duplicar a capacidade produtiva sem a necessidade de grandes investimentos.
São Paulo, Rio de Janeiro e a região Centro­Oeste concentram 60% das vendas em volumes. Não brigar por volumes não significa abrir mão dos veículos leves. A Total tem hoje 36 unidades de troca rápida de óleo e pretende montar mais 20 até o fim de 2016. Essas unidades são instaladas em postos que não fazem parte das grandes redes e o investimento é todo da Total, com logotipo, equipamento e pessoal próprio. (Valor Econômico 28/12/2015)
 

Commodities Agrícolas

Café: Oferta confortável: Melhores perspectivas para a oferta global e ajustes de posições antes do feriado do dia 25 determinaram a queda das cotações do café arábica na quinta-feira (24) na bolsa de Nova York. Os contratos com vencimento em maio encerraram a sessão negociados a US$ 1,2595 por libra-peso, em baixa de 115 pontos. Jack Scoville, analista do Price Futures Group, observou que as mais recentes estimativas do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) para o mercado de café ainda pesaram sobre as cotações, uma vez que apontaram estoques capazes de manter o mundo "bem cafeinado". No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 60 quilos subiu 0,11% na quarta-feira (23), para R$ 485,31. Com isso, a alta acumulada do indicador em dezembro chegou a 4,25%.
Cacau: Liquidação em NY: Um movimento de liquidação de posições típico de véspera de feriado levou os contratos futuros do cacau a fecharem em queda na quinta-feira (24) na bolsa de Nova York. Os papéis para entrega em maio encerraram o pregão a US$ 3.205 por tonelada, uma retração de US$ 48. Apesar do "ajuste", as cotações poderão encontrar suporte nas próximas semanas na intensificação dos ventos Harmattan nos oeste da África, que lidera a produção e a exportação globais da amêndoa. A adversidade poderá afetar o fim da colheita da safra principal da região e poderá ter reflexos inclusive sobre o início da colheita da safra temporã, em abril. Em Ilhéus e Itabuna, na Bahia, a arroba da amêndoa saiu, em média, por R$ 157, conforme a Central Nacional de Produtores de Cacau.
Algodão: De olho na demanda: Sinais contraditórios em relação à demanda por algodão americanos abriram espaço para que a commodity fechasse em alta na quinta-feira (24) na bolsa de Nova York. Os contratos com vencimento em maio encerraram a sessão negociados a 64,34 por libra-peso, em alta de 79 pontos. Conforme o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), na semana terminada no dia 17 os embarques de algodão do país cresceram 39% em relação à semana anterior e foi o que garantiu a valorização em Nova York, mesmo que, na comparação com a média das quatro semanas anteriores tenha havido uma retração de 23%. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq permaneceu em R$ 2,2409 por libra-peso no dia 23, com queda acumulada de 0,45% em dezembro.
 
Soja: Realização de lucros: Um movimento de realização de lucros determinou a queda das cotações da soja na quinta-feira (24) na bolsa de Chicago. Os contratos com vencimento em março fecharam a US$ 8,73 por bushel, uma retração de 7,75 centavos de dólar em relação à véspera. A realização de lucros prevaleceu mesmo diante das boas exportações americanas na semana encerrada no dia 17. Conforme o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), os embarques do país alcançaram 2,1 milhões de toneladas, 233% mais que na semana imediatamente anterior Em relação à média das quatro semana anteriores, houve aumento de 99%. No mercado doméstico, o indicador Esalq/BM&FBovespa para a saca de 60 quilos negociada em Paranaguá (PR) caiu 0,1% no dia 23, para 81,37. (Valor Econômico 28/12/2015)