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Grupo Virgolino de Oliveira faz acordo de R$ 40 milhões para encerrar ação coletiva

O GVO (Grupo Virgolino de Oliveira) entrou em acordo com diversos sindicatos para colocar fim à ação coletiva que envolve funcionários das quatro unidades da empresa – as usinas de Itapira (Nossa Senhora Aparecida), Catanduva (SP), José Bonifácio (SP) e Ariranha (SP).

O compromisso foi selado junto ao TRT (Tribunal Regional do Trabalho), eu audiência realizada no último dia 11, na sede regional do órgão em Campinas (SP). No acordo, as empresas do GVO se comprometeram a quitar os débitos judiciais trabalhistas incorporados na ação coletiva, que totalizam R$ 40 milhões. Os pagamentos envolvem as pendências financeiras com todos os trabalhadores e sindicatos devidos até o mês de abril de 2015, já considerados os juros e correção monetária. O acordo não envolve, contudo, as contribuições ao FGTS (Fundo de Garantia Por Tempo de Serviço), cujo saldo devedor já foi negociado diretamente entre o GVO e a CEF (Caixa Econômica Federal).

Segundo os sindicatos autores da ação coletiva, o acordo encerrará um problema que afetava, ao todo, 6.478 trabalhadores, sendo que a maioria ainda trabalha nas empresas do GVO. No compromisso firmado na audiência presidida pela desembargadora Maria Inês Corrêa de Cerqueira César Targa, as empresas que compõem a companhia sucroalcooleira deverão iniciar os pagamentos a partir de 25 de fevereiro, com os R$ 40 milhões sendo divididos em 20 parcelas de R$ 2 mi. Caso as parcelas sejam atrasadas, a empresa deverá arcar com multa de 20% sobre o valor das mensalidades em atraso.

Para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação de Itapira – uma das entidades autoras da ação – José Emílio Contessoto, o acordo é positivo para manter a empresa funcionando e evitar paralisações como as ocorridas entre o fim de 2014 e o início deste ano. “Vejo essa decisão como uma forma de garantir que a empresa vá continuar trabalhando e pagando as indenizações dos trabalhadores, tanto os ex-funcionários que fizeram rescisão indireta como os que continuam na empresa e que não receberam seus direitos”, comentou o sindicalista.

Outra parte dos acertos, que não entra na conta da ação coletiva, já está sendo quitada com a venda de parte de uma fazenda do GVO em Catanduva, leiloada por R$ 27 milhões. Segundo comunicado emitido pelos sindicatos, os trabalhadores já cinco parcelas, sendo que os valores ainda pendentes deverão ser distribuídos em janeiro. “Venderam parte da fazenda, e a outra parte era muito cara e os leilões não atraíram interessados. Por isso teve essa audiência de conciliação e os advogados das partes chegaram a um consenso”, comentou Contessoto.

O processo permanecerá suspenso até o efetivo cumprimento do acordo. O sindicalista enfatizou que o GVO tem cumprido os compromissos com seus funcionários. “O salário está em dia e o décimo terceiro foi pago até antecipadamente. O sindicato está acompanhando tudo. É importante lembrar que as ações individuais, que são bastante, ainda continuam correndo”, frisou. A reportagem tentou contato com a direção da Usina Nossa Senhora Aparecida e do próprio GVO, mas ninguém foi encontrado para comentar o assunto. (Itapira News 04/01/2015)

 

Açúcar: Turbulência externa

Os contratos futuros do açúcar demerara tombaram ontem na bolsa de Nova York, acompanhando a tendência das demais commodities e do mercado acionário.

Os lotes do produto com vencimento em março fecharam em queda de 1,77%, ou 27 pontos, a 14,97 centavos de dólar a libra-peso.

O sentimento negativo foi ditado pelos dados fracos da economia da China.

O receio dos investidores é de que o país caminhe para mais um ano de desaceleração econômica, o que pode afetar a demanda global por commodities. Isso pode prejudicar a demanda por açúcar, já que a China lidera as importações globais do produto.

No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo teve alta de 0,58%, para R$ 82,64 a saca de 50 quilos. (Valor Econômico 05/01/2015)

 

Preço do açúcar em dezembro é o maior desde janeiro de 2012

Indicador registrou média mensal de R$ 80,57 a saca de 50 kg. Valor é 40,3% superior na comparação anual e 5,4% maior na mensal.

Os preços internos do açúcar cristal atingiram em dezembro o maior patamar desde janeiro de 2012, de acordo com cálculos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP). O Indicador Cepea/Esalq registrou média mensal de R$ 80,57 a saca de 50 kg, 5,4% maior que a de novembro (R$ 76,44/saca) e 40,3% superior na comparação anual. Em janeiro de 2012, o índice, que tem como base o spot paulista, foi de R$ 80,70/saca, os valores foram deflacionados pelo IGP-DI de novembro.

A firmeza no mês passado deu continuidade a um movimento iniciado em agosto. "Ainda que a movimentação tenha caído no mês - como tradicionalmente acontece, devido ao período de férias coletivas e às festas de fim de ano, representantes de usinas elevaram os valores de suas ofertas", destacaram os analistas do Cepea, em relatório enviado ao Broadcast Agro, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado. Além disso, chuvas nas principais regiões produtoras dificultaram a produção dos tipos mais claros de açúcar, acrescentou o centro de estudos.

Na última semana de dezembro, a remuneração com as vendas de açúcar cristal no spot paulista foi 14,22% superior à das vendas externas. Enquanto a média semanal do Indicador de Açúcar Cristal Cepea/Esalq foi de R$ 82,12/saca, as cotações do contrato com vencimento em março na bolsa de Nova York equivaleriam a R$ 71,89/saca (Agência Estado 04/01/2016)

 

Manifesto para tentar barrar gigante da indústria de açúcar

O movimento “Quero Japaraíba Mais Verde” tenta barrar os planos da usina Biosev S/A, a segunda maior processadora de cana-de-açúcar do mundo, que teve receita líquida de R$ 1,33 bilhão em 2014 e cultiva 1.700 hectares no município de 3.900 habitantes. Um manifesto com assinaturas de 683 moradores contra a expansão dos canaviais, que ocupam 70% do território municipal, foi entregue à empresa, Ministério Público Estadual (MPE) e outras autoridades.

Contra a vontade da população, segundo o guarda civil e ambientalista Wiliam Moura, de 39 anos, a Biosev projeta sua expansão em 97 hectares de Cerrado, área com nascentes do rio Santana, afluente do São Francisco. Também pretende investir sobre o que resta de áreas da agricultura familiar.

Japaraíba oferece encantos naturais que podem gerar renda com o turismo: torneios de mountain bike e de motociclismo não mais ocorrerão se os canaviais tomarem o que resta desse cenário.

Resposta

Em resposta, a Biosev afirmou que respeita as determinações dos órgãos ambientais e que só planta cana-de-açúcar em locais autorizados e licenciados. Informou que desenvolve projetos de educação ambiental, plantio de mudas e revitalização das margens dos rios. Com outorga da Agência Nacional de Águas (ANA), destaca o vice-presidente da Associação Ambientalista dos Pescadores do Alto São Francisco (AAPA), Saulo de Castro, a empresa retira água do São Francisco 24 horas, ao custo de R$ 0,01 por mil litros, enquanto a sociedade civil paga R$ 1,96 pela mesma quantidade e alguns bairros de cidades da região, como Arcos, ficam sem abastecimento.

Em Lagoa da Prata, onde os canaviais cercam o perímetro urbano, a monocultura traz problemas como as “chuvas de cinzas” causadas pela queima da palhada da cana e o mau-cheiro do vinhoto. Castro lamenta os efeitos danosos aos berçários de peixes do São Francisco. “Em um breve espaço de tempo, temos o privilégio de ver as ‘Mães do Rio’ em todo seu esplendor, que é quando o rio transborda inundando suas várzeas, onde se encontram as lagoas. Mas, como os canais de drenagem continuam abertos, assim que o volume de água abaixa, as lagoas vão junto”.

Documentário

Em 2013, a AAPA produziu o filme “Rio Interrompido”, minidocumentário que narra a história do desvio que matou oito quilômetros do São Francisco. Considerado pelo MPE o maior crime contra o curso d’água, há também os impactos sobre as lagoas marginais e a destruição da mata ciliar.

Degradação gerada pelo cultivo de cana e criação de gado

A Associação Ambientalista dos Pescadores do Alto São Francisco (AAPA) fez os mapas das lagoas destruídas. O documento foi anexado aos laudos do Ibama, material que também reúne depoimentos de pescadores. Os defensores do rio esperam que as autoridades ajam com rigor contra as empresas agrícolas responsáveis pela degradação ambiental.

“Tem um tanto de gente a favor da revitalização das lagoas, os únicos contrários são proprietários de terra, que arrendam 30 mil hectares para a produção de cana. O Ibama exige a preservação de 50 metros de mata nativa no entorno das Áreas de Proteção Permanente, mas os donos não querem abrir mão dessa renda fácil. Com isso, eles colocaram gado para comer o capim”, lamenta o arquiteto urbanista Carlos Guadalupe, conhecido como Lalinho.

Integrante do Conselho Municipal de Meio Ambiente (Codema) e do Conselho da Cidade de Lagoa da Prata, Lalinho é categórico em relação à luta por justiça ambiental na região.

“Tem que haver uma solução, nem que seja daqui a 50 anos. O Alto São Francisco tem mais de 50 lagoas, algumas de até 200 hectares, lindas. Álcool e açúcar são enviados para São Paulo e exportados a outros países sem que a população mineira ganhe algo com isso”, critica.

Injustiça

O professor Saulo de Castro, vice-presidente da AAPA, afirma que denúncias são feitas desde 2001 e vários inquéritos civis foram instaurados para apurar os fatos. Porém, nenhum foi concluído. “Alguns foram arquivados, julgados improcedentes, apesar de embasados em autuações até do Ibama, com multas pesadas para o infrator. Todavia, nosso Judiciário não acatou a denúncia. É frustrante, mas é a realidade”.

Segundo ele, a recuperação de todas as lagoas do Alto Rio São Francisco é viável. “Estas lagoas são importantes para o ecossistema da região e fundamentais para a reprodução de peixes. Não é à toa que são chamadas de berçário natural. É nelas que acontece o fenômeno da piracema. Sem elas, não há como o rio repor seu estoque de peixes. A fauna silvestre prospera em seu entorno. Mas, infelizmente, alguns preferem produzir biocombustível e carne para churrasco do que preservar este potencial hidrológico”, queixa-se Castro.

O ambientalista afirma que os canaviais tomaram conta de 70% do território dos municípios de Lagoa da Prata, Japaraíba, Arcos, Luz, Moema e Santo Antônio do Monte. Sobram 30% de Cerrado. “Há pouco espaço para a fauna, que morre queimada junto com as extensas quadras de cana-de-açúcar. Todos os anos ocorrem incêndios na época da safra”. O gado, destaca Castro, pisoteia e destrói as nascentes e Áreas de Preservação Permanente (APPs). (Hoje Em Dia 04/01/2016)

 

Usina convoca acionistas para analisar plano de recuperação judicial

A usina de açúcar de álcool Alcoovale, que possui unidade em Aparecida do Taboado - distante 481 km de Campo Grande, fará uma Assembleia Geral Extraordinária para debater sobre o plano de recuperação judicial, no próximo dia 13.

A unidade que recebe o nome de Unialco em MS, está em recuperação judicial desde o início de novembro de 2015, quando apresentou dívida superior a R$ 700 milhões. A empresa alegou passar por dificuldades financeiras há anos e ter débitos com fornecedores.

No diário oficial do Estado de hoje, o Diretor Superintendente Rogério Nogueira Alves assinou uma nota de convocação dos acionistas da empresa, onde os convida a participar da Assembleia Geral extraordinária que será realizada no dia 13 de janeiro, às 16h, no Parque Industrial Fazenda Santa Inês.

Na oportunidade eles vão discutir sobre o plano de recuperação judicial e votá-lo para decidir se ele entrará em vigor ou não.

A Alcoovale em Aparecida do Taboado foi construída em 1981 como destilaria autônoma de produção de álcool etílico extraído da biomassa de cana-de-açúcar. Em 2000 foi adquirida pelo grupo agroindustrial sucroalcooleiro capitaneado pela Unialco S/A. (Campo Grande News 04/01/2016)

 

Camex reduz para 2% imposto de importação do anidro

A Câmara de Comércio Exterior (Camex) concedeu redução temporária da alíquota do imposto de importação para anidro, classificado no código 2833.11.10 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), com destaque tarifário para "fabricação de detergentes em pó por secagem em torre spray e por Dry mix".

A resolução foi publicada no Diário Oficial da União e reduz de 10% para 2% a alíquota do imposto, pelo prazo de 180 dias, sendo essa importação, com imposto reduzido, limitada a 455 mil toneladas.

Segundo o texto da resolução, a medida leva em conta a situação de desabastecimento do produto, que ainda persiste no mercado nacional. Essa alíquota do imposto de importação do anidro já vem sendo reduzida periodicamente pela Camex. (Agência Estado 04/01/2016)

 

Em 11 meses de 2015, registra maior venda de etanol da sua história

Em 11 meses de 2015, os postos de combustível de Mato Grosso do Sul quebram o recorde de venda de etanol de toda a história do estado. Segundo a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, entre janeiro e novembro do ano passado foram vendidos 214,099 milhões de litros.

Mesmo que ainda parcial, já que ainda não conta com o número de dezembro, esse volume supera em 6,122 milhões de litros o patamar atingido durante todo o ano de 2009, que até então era a maior marca registrada no estado, com 207,976 milhões de litros.

Quando analisados os mesmos períodos dos dois anos, ou seja, de janeiro a novembro, o crescimento no consumo do biocombustível no estado fica ainda mais evidente. Nestes 11 meses de 2014, a venda de etanol atingiu 136,117 milhões de litros, o que indica que no mesmo intervalo de tempo de 2015 o incremento na comercialização foi de 57,29%.

Durante 2015, um dos motivos que foi apontado pela Associação dos Produtores de Bioenergia de Mato Grosso do Sul (Biosul) para o aumento das vendas de etanol em relação a 2014, foi a competitividade do biocombustível perante a gasolina.

Em razão da diferença de poder calorífico dos combustíveis, o uso de biocombustível é vantajoso nos motores flex somente se o preço do seu litro estiver abaixo de 70% do valor do litro do combustível fóssil.

A ANP aponta que considerando os preços médios do litro dos dois combustíveis, o etanolfoi competitivo perante a gasolina em 8 dos 11 meses da parcial de 2015. Neste intervalo de tempo, só não foi vantajoso economicamente abastecer com o biocombustível no estado nos meses de março, outubro e novembro.

A Biosul também procurou destacar que as vantagens do uso do em relação a gasolina vão muito além das questões econômicas. Entre elas está também o aspecto ambiental, já que ao abastecer um veículo flex com o biocombustível em vez do combustível fóssil, o consumidor também colabora com o meio ambiente, reduzindo em até 90% a emissão de gases do efeito estufa pelo seu veículo. (G1 04/01/2016)

 

Sudão vira centro regional para o comércio de açúcar

Quando o preço do açúcar subiu 40% no Sudão em 2015, Hussein Adawi temporariamente deixou de lado sua empresa de roupas para tentar a sorte com a importação da commodity. Agora, desfrutando dos lucros e da alta demanda, pretende seguir no ramo. "Certas vezes, não damos conta das encomendas", disse o importador, que recebe o açúcar da Tailândia via Porto Sudão, cidade na costa sudanesa no Mar Vermelho.

O Sudão está emergindo como centro regional de negociação de açúcar, e a commodity virou um raio de esperança em uma economia assolada por décadas de conflitos armados e pela queda do preço do petróleo. Ao mesmo tempo, as importações sudanesas de açúcar refinado, ingrediente fundamental na indústria alimentícia, em um país desértico que carece de adoçantes naturais, como as frutas, vêm contribuindo para a recuperação do preço internacional do produto, segundo analistas e o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

A mudança de cenário para o açúcar no Sudão é impulsionada pela combinação de liberalização do mercado, de demanda em países vizinhos onde o preço é mais alto e de aumento no consumo doméstico decorrente da chegada de refugiados em números recorde. A situação dos refugiados elevou a demanda sudanesa por açúcar refinado de menos de 900 mil toneladas, em 2014, para mais de 1,5 milhão em 2015, de acordo com a Organização Internacional do Açúcar (OIA).

Segundo o USDA, o Sudão caminha para ser responsável por quase 30% da nova demanda mundial por importações de açúcar na temporada 2015/16, que deve crescer cerca de 2,5 milhões de toneladas. Embora a demanda mundial por importações de açúcar tenha caído quase 2% para 50 milhões de toneladas em 2015, as importações do Sudão dobraram, segundo o USDA.

Depois de atingirem a menor cotação em seis anos em agosto na bolsa ICE Futures Europe, os contratos futuros de açúcar branco subiram 23%, de US$ 333,60 para US$ 410,60 por tonelada, na última terça-feira, antecipando-se à previsão de produção insuficiente, conforme analistas.

Jodie Gunzberg, chefe mundial de commodities na S&P Dow Jones Indices, disse que as importações pelo Sudão representaram "uma das principais forças que influenciaram na recente alta do açúcar".

As altas recentes do açúcar foram puxadas principalmente pelas condições climáticas instáveis no Brasil e na Índia, os dois maiores produtores, e intensificados pelos esforços de muitas usinas brasileiras para trocar a produção de açúcar pela de etanol. Como resultado, a produção deverá ficar abaixo da demanda neste ano pela primeira vez desde 2010, segundo a OIA. Atribui-se às fortes chuvas a diminuição do conteúdo de sacarose na cana, de forma que fica mais lucrativo para os processadores produzirem etanol.

Um dos motivos para a demanda recorde no Sudão é a quantidade de refugiados que fogem de países vizinhos assolados por guerras ou que estão entre os milhões, vindos de países como Eritreia e Somália, rumo à Europa. Mais de 500 mil desses migrantes entraram no Sudão neste ano, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), e seu apetite por pão e suco impulsiona a demanda por açúcar. "Meus clientes não param de aumentar", disse Abdullahi Nimeri, padeiro em Cartum.

O Sudão agora abriga 2,5 milhões de refugiados, segundo a ONU. O aumento na demanda vem enchendo os cofres de empresas como Adawi e Nimeri. Enquanto isso, indústrias de alimentos como a Al Ghurair Resources LLC, de Dubai, expandem as operações no país para alimentar a população cada vez maior.

O aumento no número de refugiados aprofundou o impacto de mudanças no mercado do Sudão que também haviam ajudado a elevar a demanda: a aceleração do crescimento da economia, que impulsionou o consumo, e a remoção do Sudão de listas negras comerciais, que facilitou as importações.

Há três anos, o Sudão cortou impostos de importação do açúcar para resolver problemas de escassez do produto. O incentivo atraiu importadores, o que ajudou o país a se transformar em centro regional. O Ministério da Indústria do Sudão estima que entre 20% e 25% do açúcar importado agora é reexportado para países como Eritreia, Sudão do Sul e Somália, o quádruplo do que em meados de 2014. Alguns analistas e operadores dizem que parte do estoque é contrabandeada para mercados regionais, o que o governo nega.

Outras mudanças ajudaram ainda mais os importadores. Em outubro, a Força­Tarefa de Ação Financeira, órgão internacional que determina padrões para combater a lavagem de dinheiro e o financiamento a terroristas, removeu o Sudão de sua lista suja, facilitando a transferência de dinheiro para dentro e fora do país. Como resultado, os importadores sudaneses passaram a ter acesso mais fácil a cartas de crédito para importar produtos.

Até quando essa onda vai durar é uma incógnita. O operador de açúcar de Dubai disse que a diferença de preços entre o açúcar no Sudão e em seus vizinhos vai cair gradualmente.

Por enquanto, pelo menos, pessoas como o dono de restaurante Meriam Oya não precisam mais esperar em longas filas pelo escasso açúcar produzido localmente. "O fornecimento constante vem ajudando a atender nossos clientes e nossas margens de lucro vêm melhorando", disse Oya. "Isso está deixando nossa vida muito mais fácil". (Valor Econômico 05/01/2016)

 

IMA interdita estoque de matéria-prima da GranBio após terceiro incêndio em dois meses

Empresa havia sido multada em R$ 570 mil por descumprir recomendações de prevenção a incêndios.

O Instituto do Meio Ambiente (IMA) interditou, nesta segunda-feira (4), o Centro de Distribuição de Palhas da empresa de biomassa GranBio, em São Miguel dos Campos, após o terceiro incêndio registrado no local em menos de três meses.

Os fiscais decidiram pela interdição após avaliarem os prejuízos ambientais provocados pelos seguidos incêndios. Antes, a empresa havia sido multada em R$ 570 mil por não conseguir evitar a propagação das chamas.

Na manhã desta segunda-feira, bombeiros civis tentavam controlar pequenos focos de fogo que tiveram início nesse domingo e faziam o resfriamento da biomassa. Na entrada do local era possível observar que havia bastante fumaça.

A principal hipótese para o incêndio é de que ele tenha sido decorrente da queimada de cana-de-açúcar na região.

O IMA informou só será permitido o acesso de máquinas. "Não serão permitidas que palhas de cana sejam depositadas ou saiam do local até que tudo seja esclarecido", explicou o técnico do Instituto Genival Pulcino da Silva.

No domingo (3), a GranBio enviou nota, na qual informava que as chamas tiveram início na noite do último sábado (2), em uma das pilhas do Centro de Distribuição, em São Miguel dos Campos, e que ninguém se feriu.

O gerente de matérias primas da empresa, Sérgio Godoy, informou que a GranBio deixará de utilizar o espaço temporariamente e que não descarta nenhuma hipótese para o início das chamas: desde o clima seco até incêndio criminoso.

Incêndios anteriores

O primeiro incêndio a atingir à empresa GranBio foi registrado no dia 10 de novembro. O fogo atingiu de 10% a 15% da palha de cana que havia no local. Um novo incêndio foi registrado no dia 3 de dezembro.

Após fiscalização, o IMA constatou que, pelo menos, doze ações preventivas que poderiam evitar ou minimizar incêndios na área de estoque deixaram de ser tomadas pela empresa GranBio. (Gazeta de Alagoas 04/01/2016)

 

País perde US$ 15 bi com queda no preço da soja e do minério de ferro

O ritmo das exportações de commodities foi bom em 2015. O problema foram os preços internacionais. Os dois carros-chefes da balança comercial mostram bem esse cenário.

As exportações de soja em grão devem ter ficado em 54 milhões de toneladas, 17% mais que em 2014.

As receitas obtidas com esse produto, no entanto, recuaram para US$ 21 bilhões no ano passado, 10% menos do que no anterior.

Outro grande desfalque na balança comercial de commodities veio do minério de ferro. A Secex (Secretaria de Comércio Exterior) aponta que saíram dos portos brasileiros 349 milhões de toneladas em 2015, volume praticamente igual ao de 2014 -344 milhões.

As receitas obtidas nesses dois anos têm uma grande diferença. Em 2015, o minério rendeu US$ 14,1 bilhões, 45% menos do que o valor financeiro atingido em 2014.

Essa perda de divisas dos dois produtos para o país vêm se acentuando, mas não terá espaço para novas quedas tão intensas como as verificadas recentemente.

Em janeiro de 2014, a Secex registrou que as exportações de soja em grãos foram feitas a US$ 582 por toneladas. A demanda mundial pelo produto continua aquecida, mas supersafras nas principais regiões produtoras e recuperação de estoques derrubaram os preços para US$ 385 no mês passado. O recuo foi de 34% no período.

A situação do minério de ferro é ainda pior. Negociado a US$ 100 por tonelada no início de 2014, o valor médio do produto esteve em US$ 32 em dezembro último. A queda no período é de 68%.

As exportações do complexo soja -que inclui, além do grão, o farelo e o óleo de soja- recuaram para US$ 28 bilhões no ano passado, ante US$ 31,3 bilhões em 2014.

As carnes, também importantes no saldo da balança comercial, perderam receitas em dólar no ano passado.

As exportações desse item recuaram para US$ 12 bilhões, 15% abaixo do valor de 2014, segundo dados da Secex. Os dados do órgão federal incluem apenas as carnes "in natura", não considerando o produto industrializado e salgado.

Apesar da queda em dólar, as carnes tiveram receitas maiores em reais, devido à alta da moeda dos Estados Unidos, em relação à brasileira.

As receitas dos dez principais produtos do agronegócio renderam US$ 70 bilhões no ano passado, 9% menos do que em 2014.

O açúcar também cooperou para essa queda. Com estoques mundiais elevados e consumo abaixo da oferta mundial, os preços perderam força de 2014 para 2015.

O resultado foi que as exportações renderam US$ 7,6 bilhões em 2015, 19% menos do as do ano anterior.

O cenário para esse produto deverá ser outro neste ano. A demanda mundial por açúcar voltou a ser superior à produção, o que já se reflete nos preços internacionais.

O milho, ao atingir o recorde de 27 milhões de toneladas exportadas no ano passado, foi um dos pontos positivos da balança comercial. As receitas, que haviam somado US$ 3,9 bilhões em 2014, subiram para US$ 4,9 bilhões no ano passado.

O milho também teve queda no preço médio de negociações -de 9% em 12 meses-, mas o aumento no volume comercializado permitiu receitas maiores.

O aumento da produção da safrinha e o dólar favorável às exportações brasileiras fizeram o país ganhar mercado com o cereal.

Recorde no mês

O Brasil nunca exportou tanto milho como em dezembro. Foram 6,3 milhões de toneladas, 84% acima do volume de igual período de 2014.

Recorde no ano

Com o bom desempenho do mês passado, o volume total de 2015 subiu para 27 milhões de toneladas. O maior volume até então era o de 2013, com 26,6 milhões de toneladas, segundo dados da Secex.

Petróleo

As exportações do produto bruto recuaram para US$ 11,8 bilhões no ano passado, 28% menos do em igual período do ano anterior.

Celulose

As exportações do ano passado renderam US$ 5,6 bilhões, 6% mais do que em 2014. Os preços médios da tonelada subiram de US$ 444, em dezembro de 2014, para US$ 483 no último mês do ano passado. (Folha de São Paulo 05/01/2015)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Turbulência externa: Os contratos futuros do açúcar demerara tombaram ontem na bolsa de Nova York, acompanhando a tendência das demais commodities e do mercado acionário. Os lotes do produto com vencimento em março fecharam em queda de 1,77%, ou 27 pontos, a 14,97 centavos de dólar a libra-peso. O sentimento negativo foi ditado pelos dados fracos da economia da China. O receio dos investidores é de que o país caminhe para mais um ano de desaceleração econômica, o que pode afetar a demanda global por commodities. Isso pode prejudicar a demanda por açúcar, já que a China lidera as importações globais do produto. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo teve alta de 0,58%, para R$ 82,64 a saca de 50 quilos.

Café: Recuo moderado: O mercado conteve as perdas dos futuros do café na segunda metade do pregão na bolsa de Nova York ontem, mas a commodity não escapou da queda, na esteira das perdas nos mercados financeiros globais. Os contratos do arábica para maio caíram 280 pontos, a US$ 1,26 a libra-peso. Para Marcus Magalhães, da Maros Corretora, a queda mais modesta frente a outras commodities indica que, "tecnicamente, os níveis [de preço do café] estão consolidados". No campo dos fundamentos, o ano começa para o café de forma muito semelhante como 2015 terminou: com chuvas nas regiões produtoras do Brasil e produtores do Vietnã retendo vendas de robusta à espera de preços melhores. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o grão subiu 0,27%, para R$ 496,87 a saca.

Cacau: Influência macro: Os preços do cacau registraram forte recuo ontem, primeiro pregão do ano na bolsa de Nova York, pressionados pelo ambiente baixista nos mercados financeiros globais e pelos dados de entrega da amêndoa na Costa do Marfim, maior produtor mundial. Os papéis com vencimento em maio fecharam em queda de US$ 83, a US$ 3.124 por tonelada. Dados fracos da economia da China pesaram ontem sobre as cotações das commodities e das ações. Por outro lado, relatos indicam bons volumes de cacau sendo entregues nos portos marfinenses. Ainda assim, permanecem as tensões com os ventos Harmattan, carregados de areia do deserto do Saara. Em Ilhéus e Itabuna (BA), a arroba foi negociada à média de R$ 156, conforme a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Algodão: Liquidação de posições: Os preços futuros do algodão acompanharam a toada dos mercados financeiros globais e caíram na primeira sessão de 2016 na bolsa de Nova York. Os contratos para maio recuaram 64 pontos, a 63,47 centavos de dólar por libra-peso. Um movimento de liquidação de ativos contaminou os mercados globais ontem depois da divulgação de que o índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) da China ficou abaixo de 50, tanto na leitura do governo como da iniciativa privada. Além disso, o governo chinês desvalorizou o yuan ao menor nível desde 2011. O quadro é preocupante no mercado de algodão, já que a China é o maior importador global da commodity. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a pluma recuou 0,07%, a R$ 2,2394 a libra-peso. (Valor Econômico 05/01/2015)