Setor sucroenergético

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Setor de cana começa a sair da crise em 2015 com retomada de preços de etanol e açúcar

Mais de 80 usinas encerraram atividades no país nos últimos anos, mas a cadeia sucroenergética deve voltar a crescer em 2016.

O setor sucroenergético brasileiro começou a viver uma mudança de cenário em 2015, após enfrentar uma das piores crises da história. Em anos recentes, mais de 80 usinas encerraram atividades no país. No ano recém terminado, os preços do etanol e do açúcar tiveram recuperação e movimentaram a cadeia produtiva da cana-de-açúcar, que deve voltar a crescer em 2016.

Logo início do ano, as lavouras sinalizavam que 2015 seria diferente, pois as chuvas ajudaram o desenvolvimento dos canaviais. A área de cana do produtor Ademir Ferreira de Melo Júnior não foi beneficiada por chuvas em janeiro, mas, a partir de fevereiro, recebeu muita umidade. Melo Júnior investiu pesado para recuperar o prejuízo das últimas safras, e, neste ano, estimou uma produtividade superior a 100 toneladas por hectare.

Etanol

Assim como o aumento de produtividade, o preço dos combustíveis também animou o setor. Em Minas Gerais, a redução da alíquota sobre o etanol hidratado, de 19% para 14%, e o reajuste no preço da gasolina estimularam o consumo no mercado interno.

Com a mudança, o estado deve computar quase 2 bilhões de litros consumidos em 2015, o triplo do que foi inicialmente projetado. A expectativa foi superada principalmente pelo processamento da primeira parte da safra, obtida entre abril e agosto, de acordo com o presidente da Associação das Indústrias Sucroenergéticas de Minas Gerais (Siamig), Mário Campos.

“O produtor foi obrigado a vender o produto por um valor muito baixo e isso refletiu em uma relação muito próxima de 60% na bomba. O consumidor, dentro do contexto econômico no país, optou pelo combustível mais barato” , diz o representante das usinas mineiras.

Açúcar

A elevação das cotações de açúcar foi a boa notícia do segundo semestre do ano para o setor de cana. Em dezembro, a saca de 50 kg do produto foi comercializada a R$ 80,19, maior valor registrado desde 2012.

De acordo com o diretor da Archer Consulting Arnaldo Corrêa, durante muito tempo o mercado internacional de açúcar demonstrou uma correlação muito estreita com a flutuação do dólar. Toda vez que a moeda americana se valorizava em relação ao real, o preço do açúcar lá fora em dólar caía.

“Isso foi abandonado a partir de setembro, com a entrada dos fundos comprando agressivamente no mercado de açúcar lá fora e isso elevou os patamares. Para o exportador, a usina, o preço foi de R$ 1.000 para R$ 1.300 por tonelada”, afirma Corrêa.

Dívida

Mesmo com a retomada dos preços do açúcar e do etanol, o setor ainda enfrentou dificuldades. Algumas usinas a fecharam as portas, como reflexo da má administração e de prejuízos acumulados em anos anteriores.

O diretor da Archer Consulting calcula que o setor sucroalcooleiro deva hoje cerca de R$ 90 bilhões, que é aproximadamente o mesmo valor faturado anualmente, se contabilizada também a energia.

“Imagine você ter uma dívida que é o tamanho do seu faturamento em um ano. Isso porque está melhorando, porque, se a gente pegar de uns tempos atrás, iria falar de uma dívida em torno de 120% a 130% da receita”.

ATR

No último trimestre do ano, as chuvas prejudicaram a colheita da cana em diversas regiões do país. No interior paulista, usinas interromperam atividades por três semanas. O atraso reduziu a quantidade de açúcar total recuperável da cana (ATR), e comprometeu a rentabilidade dos produtores.

Os meses em que o índice de ATR atinge o pico vão de junho a agosto, afirma o engenheiro agrônomo Pedro Carvalho Wiezel. “Se a chuvas se antecipa, como ocorreu esse ano, acaba prejudicando tanto a colheita como a maturação da cana que estava no pico de ATR e volta a vegetar, perdendo assim um pouco de qualidade do produto na indústria” , explica.

O Brasil deve encerrar 2015 com uma moagem superior a 600 milhões de tonelada, aumento de 3,8% em relação à safra passada, de acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Mais da metade do volume total processado deve ser destinado à fabricação de etanol. O restante foi utilizado na produção de açúcar, devendo somar 34,06 milhões de toneladas, uma redução de 2,7% sobre 2014.

Perspectivas

O fator positivo de 2015, segundo o secretário de Política Agrícola Ministério Agricultura, André Nassar, é que houve recuperação de produtividade no Centro-Sul. “É muito relevante, porque a produtividade está baixa há alguns anos e isso afeta a rentabilidade. Acho que as perspectivas de mercado são boas”, disse.

O ano foi de recuperação para a usina Alta Mogiana. A empresa encerrou a safra com 5,3 milhões de cana processadas, 3% a mais do que a estimativa inicial. O diretor comercial da usina, Luiz Gustavo Junqueira, se o câmbio não apresentar grandes mudanças, é possível acreditar no início do declínio do endividamento das usinas, o que traria novos investimentos para o setor no futuro.

Para 2016, a expectativa do setor é positiva. As empresas de consultoria esperam um déficit de 5 milhões de toneladas de açúcar, o que deve elevar as cotações do produto. Já o etanol deve manter os preços atualmente praticados no mercado interno.

Segundo a presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Elizabeth Farina, o compromisso que o Brasil levou para a conferência do clima em Paris (COP­21), de reduzir emissões entre 2020 e 2030, coloca uma grande responsabilidade no setor de energias renováveis, tanto em relação à produção de biocombustíveis quanto à geração de energia elétrica. (Canal Rural 05/01/2016)

 

Açúcar: Mau humor

Os preços do açúcar prolongaram ontem as perdas de segunda-feira na bolsa de Nova York, ainda com a postura retraída dos investidores diante das incertezas com relação à economia da China.

Os papéis do açúcar demerara para maio caíram 40 pontos e fecharam a 14,25 centavos de dólar a libra-peso.

Os traders ainda temem que um redução do ritmo de crescimento do país asiático, maior importador de açúcar do mundo, possa afetar seu consumo do produto.

As leituras fracas do setor industrial chinês continuaram azedando o humor dos mercados em geral.

Para analistas, porém, a queda dos preços no mercado de açúcar foi exagerada. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo teve alta de 0,52% para R$ 83,07 a saca de 50 quilos. (Valor Econômico 06/01/216)

 

Chuvas de 2015 obrigam usinas a prolongar moagem em Araçatuba (SP)

O regime de chuvas em 2015 prolongou o período de moagem de usinas sucroalcooleiras da região de Araçatuba (SP). O processamento de cana-de-açúcar que normalmente segue até meados de novembro, se estendeu até final de dezembro, na maioria das unidades produtoras.

Pelo menos cinco plantas da região estenderão as operações até o próximo mês, sendo que três delas planejam emendar as safras 2015/2016 e 2016/2017. Antes da safra atual, a temporada 2008/2009 foi chamada de a mais longa da história na região. Na época, cinco usinas locais continuaram a moer na virada de 2008 para o ano seguinte.

As cinco empresas que informaram os números totais da safra atual estimam superar, juntas, em 1,472 milhão de toneladas a produção, ante a temporada anterior. Elas devem somar 9,321 milhões de toneladas de cana esmagada, contra 7,849 milhões de toneladas do ano agrícola passado. Isso porque a mesma chuva que obrigou parte da agroindústria a adiar o fim da moagem beneficiou a lavoura. No ano retrasado, a produção do Centro-Sul foi castigada pela estiagem prolongada.

Sem entressafra

Funcionários da usina Diana, localizada em Avanhandava, não terão entressafra, segundo o diretor industrial João Roberto Amaral. "É a primeira vez que isso acontece na unidade". Até março deste ano, a expectativa da unidade é moer 1,5 milhão/t, das quais 1,212 milhão já foi esmagada. O volume estimado representa alta de 36% na comparação com o 1,1 milhão de toneladas da safra anterior.

A produtividade dos canaviais em 2015 teve uma recuperação em relação a 2014, devido à melhora climática. Para processar toda a cana disponível, a equipe da Diana irá alternar o uso das moendas, permitindo uma pausa para manutenção das estruturas industriais de tempo em tempo. Aproximadamente 210 pessoas trabalham na área industrial, segundo Amaral.

A Renuka do Brasil também irá emendar a moagem da safra em suas unidades Revati (em Brejo Alegre) e Madhu (Promissão), como confirmou o diretor comercial da empresa, Ricardo Aquino. "Nossa intenção é continuar moendo ininterruptamente até março para colher o máximo possível de cana de fornecedores".

Segundo o diretor jurídico do grupo, Tony Rivera, a decisão de continuar a moagem foi motivada pelo fato de a empresa, além de cortar a própria cana, usa a de terceiros e a Renuka preferiu não deixar o cultivo disponível passar de um ano para o outro sem colheita, evitando prejuízos para si e para os fornecedores, além de gerar caixa.

Próximo mês

A Figueira, unidade do grupo Nova Aralco, instalada em Buritama, teve sua safra estendida até fevereiro. "De acordo com nossas análises, no decorrer da safra, 80% do nosso tempo parado foi por motivo de chuva", disse a empresa, por meio da assessoria de imprensa.

Com 1,6 mil colaboradores no período de safra, o grupo - que também tem usinas em General Salgado e Araçatuba - prevê iniciar o processamento de cana da próxima safra no final de fevereiro, meados de março e início de abril, dependendo da unidade. As usinas do grupo devem acumular na temporada 2015/2016 4,3 milhões de toneladas de cana esmagada, das quais, 4,1 milhões já foram moídas.

O crescimento na comparação com a safra 2014, quando foram processadas 2,9 milhões de toneladas, é de 48,27%. "Em 2015, o grupo teve condições de moer mais, com mão de obra mais capacitada. Modernizamos nossos processos, automatizamos nossas estruturas e estamos em franca expansão de nossas metas."

A usina Unialco, de Guararapes, continuará suas atividades até o próximo dia 15, segundo o empresário Luiz Guilherme Zancaner, acionista controlador do grupo. "Teve muita chuva no ano passado, por isso ficamos muito tempo parado, o que adiou o encerramento da safra".

Até lá, a produção da empresa deve totalizar 2,2 milhões de toneladas de cana esmagada, volume 30% maior que o processado na safra 2014/2015 (1,682 milhão/t). O crescimento se deve ao clima e à expansão da área de plantio. Do total esperado para a temporada atual, aproximadamente 1,98 milhão de toneladas já foi moído. Zancaner prevê começar a moagem da próxima temporada em março, com expectativa de processar 2,5 milhões de toneladas. A Unialco possui 1,6 mil empregados diretos.

Grupo Raízen parou em 30 de dezembro

As unidades da Raízen - grupo que possui plantas produtoras em Andradina, Araçatuba, Bento de Abreu, Mirandópolis e Valparaíso - não viraram o ano com o processamento de cana em andamento. Porém, o término da moagem do grupo na safra 2015/2016 também foi postergado em algumas semanas em relação à previsão anterior e ocorreu em 30 de dezembro.

Por motivos estratégicos, a empresa não divulga números relativos à produção individual das regiões onde opera. No entanto, afirma que todas suas unidades irão processar juntas entre 57 e 60 milhões de toneladas, volume superior ao da safra anterior. Só na região de Araçatuba, as unidades da Raízen empregam 4.350 funcionários (agrícolas, industriais e administrativos).

Sem dispensa

O presidente do Sindalco (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas, Farmacêuticas, e na Fabricação de Álcool, Etanol, Bioetanol, e Biocombustível de Araçatuba e Região), José Roberto da Cunha, relata que para a maioria das usinas localizadas na área de abrangência da entidade a entressafra que normalmente leva quatro meses, deve durar de 45 dias a dois meses. Em função do prolongamento da moagem, funcionários que seriam dispensados em novembro e dezembro, permanecem por mais tempo em atividade nas usinas. ART

Encerramento de safra no mês passado também não estava previsto.

O término da moagem na unidade Ipê da Pedra Agroindustrial, situada em Nova Independência, foi adiado em 10 dias. O processamento de cana da safra 2015/2016 parou em 21 de dezembro. A atividade será retomada em 7 de março devido ao excesso de cana que o grupo terá em 2016. A estimativa da empresa é de que a unidade de Nova Independência tenha esmagado em torno de 2,175 milhões de toneladas de cana, volume utilizado na produção de álcool hidratado e energia. A moagem da safra atual é 7,7% maior do que as 2,019 milhões/toneladas da anterior. A Ipê emprega aproximadamente 850 funcionários.

A usina Santa Adélia, de Sud Mennucci, também operou até dia 20 de dezembro, como informado à Folha da Região, contrariando a tradição da unidade de encerrar a moagem em meados de novembro. A previsão do coordenador de processo da usina Edson Aizza Meira, é de que a cana da próxima safra comece a ser esmagada em 20 de março. Ele calcula que na temporada 2015/2016, a unidade processou 1,4 milhão de toneladas de cana, 7,7% a mais que no período anterior (1,3 milhão de toneladas). Só na área industrial da usina trabalham cerca de 230 funcionários.

Colheita mecanizada é prejudicada por chuvas

A Viralcool, de Castilho, concluiu a safra atual em 12 de dezembro, de acordo com o gerente industrial José Miguel de Azevedo. Segundo ele, as chuvas fizeram unidade parar a produção durante 47 dias ao longo do ano. Quando chove, a colheita mecanizada é atrapalhada e por isso a moagem é atrasada.

O gerente industrial calcula que a produção da planta nesta safra avançou 11,8% quando comparada à da temporada passada. Na safra 2015/2016, a unidade processou 2,046 milhões de toneladas de cana, ante 1,830 milhão de toneladas do ano agrícola 2014/2015.

O grupo Clealco, com unidades em Clementina e Penápolis, preferiu não divulgar dados sobre moagem no momento. A reportagem também tentou consultar a usina Da Mata (com sede em Valparaíso), porém a informação é de que os porta-vozes da empresa estavam em férias. (Folha da Região 05/01/2016)

 

NY recua com dólar e resistência do açúcar volta para 15 cents/lb

Os futuros de açúcar demerara iniciaram o ano com fortes perdas na Bolsa de Nova York (ICE Futures US). A apreciação do dólar ante o real limitou o suporte dado pelas chuvas no Centro-Sul do Brasil, e os contratos trabalham novamente abaixo dos 15 cents por libra-peso, patamar que figura como resistência inicial.

Ontem, a moeda norte-americana encerrou a R$ 4,0344, alta de 1,88%. Além das incertezas quanto à economia e à política no Brasil, deu gás à divisa o cenário externo pouco favorável. Nos Estados Unidos, o índice de atividade do setor industrial (PMI) caiu em dezembro para o menor patamar desde outubro de 2012. Na China, o mesmo indicador registrou o 10º mês consecutivo abaixo da marca de 50, o que indica contração de atividade na manufatura local.

Com esse câmbio, o clima no Centro-Sul do País deu pouco suporte. Na última semana, as chuvas foram intensas em todo o Estado de São Paulo, impedindo a conclusão da safra 2015/16 para algumas usinas. Há ainda quantidade razoável de empresas processando, e a umidade tende a alterar o resultado final da temporada. Para os próximos dias, porém, a Climatempo projeta precipitações irregulares no território paulista, na casa dos 30 mm.

Março caiu 27 pontos (1,77%) e fechou a segunda-feira em 14,97 cents/lb, com máxima de 15,24 cents/lb (estável) e mínima de 14,80 cents/lb (menos 44 pontos). Maio recuou 27 pontos (1,81%) e terminou em 14,65 cents/lb. O spread março/maio permanece em 32 pontos de prêmio para o primeiro contrato da tela.

Nos gráficos, o primeiro suporte aparece em 14,80 cents/lb, mínima de ontem. Já a resistência segue em 15 cents/lb.

Pelo mais recente relatório da Comissão de Comércio de Futuros de Commodities (CFTC), divulgado ontem, fundos reduziram o saldo comprado em açúcar em 11.198 lotes na semana encerrada em 29 de dezembro. A posição passou de 212.219 para 201.021 lotes.

O Indicador de Açúcar calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) encerrou a segunda-feira em R$ 82,64/saca, alta de 0,58% ante a véspera. Em dólar, o índice ficou em US$ 20,42/saca (-1,59%).

Conforme o centro de estudos, os preços internos do açúcar cristal atingiram em dezembro o maior patamar desde janeiro de 2012. O Indicador Cepea/Esalq registrou média mensal de R$ 80,57 por saca de 50 kg, 5,4% maior que a de novembro (R$ 76,44/saca) e 40,3% superior na comparação anual.

Na última semana do mês passado, a remuneração com as vendas de açúcar cristal no spot paulista foi 14,22% superior à das vendas externas. Enquanto a média semanal do Indicador de Açúcar Cristal Cepea/Esalq foi de R$ 82,12/saca, as cotações de março na ICE Futures US equivaleriam a R$ 71,89/saca. (Agência Estado 05/01/2016)

 

Chuvas sustentam preços do etanol em SP no fechamento de 2015, diz Cepea

Apesar da baixa liquidez, o mercado paulista de etanol encerrou 2015 com preços em alta. O principal motivo foi a redução no volume ofertado por usinas que ainda estão em atividade, em decorrência das chuvas que limitam a colheita da cana no Centro-Sul do País.

Entre 28 e 30 de dezembro, o Indicador Cepea/Esalq do hidratado (estado de São Paulo) foi de R$ 1,7258/litro (sem impostos), aumento de 1,3% frente ao da semana anterior e de 1,7% no acumulado do mês. Para o anidro, as variações também foram positivas, mas se limitaram a 0,3% e 0,2%, respectivamente, com o Indicador da última semana a R$ 1,9526/litro (sem impostos).

O Indicador diário do etanol hidratado Esalq/BM&FBovespa posto Paulínia, por sua vez, fechou a R$ 1.658,00/m3 na quarta-feira, 30, praticamente estável frente à quarta anterior – por conta das festas de final de ano, não houve Indicadores nos dias 24, 25 e 31 de dezembro e no dia 1º de janeiro.

Os negócios no mercado spot foram lentos nas duas últimas semanas do ano, com distribuidoras fazendo apenas compras pontuais. A expectativa de parte dos agentes é que haja maior interesse de compra nos próximos dias, visando à reposição do produto comercializado entre o Natal e o Ano-Novo.

A possibilidade de elevação da Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) sobre a gasolina poderá contribuir para uma melhora na competitividade do biocombustível (hidratado), cujo valor supera os 70% do combustível fóssil nos postos de todos os estados brasileiros, incluindo Mato Grosso. Naquele estado, até meados de dezembro, o preço do etanol vinha se mantendo abaixo desse percentual, tido como referência por grande parte dos proprietários de carros flex para avaliar a competitividade de um ou outro combustível.

Segundo dados da ANP referentes ao intervalo de 20 a 26 de dezembro, a cotação média do hidratado foi de R$ 2,668/l naquele estado, correspondendo a 71,8% do valor da gasolina (R$ 3,746/l). Em São Paulo, a relação foi de 72,8% – os números da última semana ainda não haviam sido divulgados pela ANP até o fechamento desta análise.

Do ponto de vista das unidades produtoras de açúcar e etanol, cálculos do Cepea mostram que o açúcar cristal remunerou 41% a mais que o anidro e 50% a mais que o hidratado na semana passada (de 28 a 30 de dezembro). Comparando-se os dois tipos de etanol, o anidro remunerou 7% a mais que o hidratado.

O preço médio do etanol anidro que seria equivalente ao do açúcar cristal foi calculado em R$ 2,747/litro (sem impostos) em igual intervalo. Para obter equiparação com o açúcar, o hidratado precisaria ter tido média de R$ 2,5843/litro (sem impostos) e, com o anidro, de R$ 1,8416/litro (sem impostos).

No mercado internacional, o contrato de etanol anidro combustível desnaturado (primeiro vencimento – Janeiro/16), na Bolsa de Chicago (CME/CBOT), permaneceu praticamente estável entre 24 e 31 de dezembro (leve queda de 0,07%), com a média semanal a US$ 1,3930/galão (US$ 368,03/m3). Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o contrato futuro de crude oil com vencimento em Fevereiro/16 teve média semanal de US$ 37,08/barril, baixa de 2,8% comparando-se as últimas duas quintas-feiras. (Cepea / ESALQ 05/01/2016)

 

Etanol teve alta de 29% nos postos em 2015

Os reajustes da gasolina feitos pela Petrobras neste ano e a forte migração do consumidor para o etanol hidratado, que é usado diretamente no tanque dos veículos, fortaleceram os preços do biocombustível em 2015. O resultado é que, nos postos de todo o país, o hidratado subiu mais que a gasolina ao longo do último ano.

Conforme dados da Agência Nacional de Petróleo (ANP), em dezembro passado, o preço médio do etanol hidratado nos postos de combustíveis do Brasil foi de R$ 2,659 o litro, 29% acima dos R$ 2,061 registrados na média de janeiro do mesmo ano. O concorrente fóssil subiu bem menos em igual comparação. O preço médio do litro da gasolina C (que contém 25% de anidro) para o consumidor final atingiu R$ 3,633 em dezembro, 20% acima da média mensal de janeiro de 2015, de R$ 3,032.

Com isso, ao fim de 2015 estava mais vantajoso para o consumidor brasileiro abastecer com gasolina em vez de etanol. Isso porque, em dezembro, o preço médio do hidratado equivaleu a 73% do da gasolina C. Só é vantajoso usar etanol quando essa relação equivale a menos de 70%, conforme o parâmetro mais aceito pelo mercado. Quando o ano de 2015 começou, em janeiro, essa paridade estava em 67,9%.

No Estado de São Paulo, maior centro consumidor de combustíveis do país, o preço médio do hidratado ao consumidor em dezembro foi de R$ 2,551 por litro, 31,8% acima dos R$ 1,935 da média de janeiro de 2015. Já o preço médio da gasolina nos postos paulistas se valorizou 20% em igual comparação, para R$ 3,504 o litro.

Por conta dessa relação desfavorável, inclusive em São Paulo, o consumo do biocombustível vem caindo. Em novembro, as usinas do Centro­Sul venderam 300 milhões de litros a menos do que em outubro, segundo dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica). Os dados de dezembro ainda não foram divulgados, mas o mercado projeta nova queda. (Valor Econômico 06/01/2016)

 

Preço do etanol cai em 7 Estados e sobe em 15

Os preços do etanol hidratado nos postos brasileiros caíram em sete Estados, subiram em outros 15 e ficaram estáveis em mais quatro e no Distrito Federal na semana encerrada no sábado, 2.

Os dados são da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). No período de um mês, os preços subiram em 23 Estados, caíram em três e não se alteraram no Amapá.

Em São Paulo, principal Estado produtor e consumidor, a cotação caiu 0,27% na semana, para R$ 2,551 o litro. No período de um mês, acumula valorização de 0,47%.

Na semana, a maior alta ocorreu no Piauí (+1,19%) e o maior recuo, no Amazonas (-0,99%). No mês, o etanol subiu mais em Roraima (10,29%) e caiu mais em Goiás (-1,38%).

No Brasil, o preço mínimo registrado para o etanol foi de R$ 2,179 o litro, em São Paulo, e o máximo foi de R$ 3,79 o litro, no Acre.

Na média, o menor preço foi de R$ 2,551 o litro, em São Paulo. O maior preço médio foi verificado em Roraima, de R$ 3,643 o litro.

Etanol x gasolina

De acordo com os dados da ANP, compilados pelo AE-Taxas, o etanol continua em desvantagem ante a gasolina em todos os Estados do País.

Segundo o levantamento, o biocombustível tem a menor vantagem em Roraima (94,09%) - a relação é favorável ao etanol quando está abaixo de 70%.

Em São Paulo, a gasolina tem cotação média de R$ 3,508 o litro, enquanto o etanol hidratado, de R$ 2,551 o litro. (Agência Estado 05/01/2016)

 

Fundos de investimento se afastam dos agrícolas

Os fundos de investimentos continuam saindo do mercado agrícola. E eles, por ora, não têm motivos para voltar. A avaliação é de Daniele Siqueira, analista da AgRural, de Curitiba.

Sem os fundos, os preços das commodities não terão forças para uma reação no mercado externo.

Essa volta dos fundos ocorreria apenas se houvesse uma quebra muito grande na produção de grãos da América do Sul, região que está com a safra em andamento.

Não há motivos para a volta deles tanto pelos chamados fundamentos agrícolas como pelos dados macroeconômicos.

Do lado agrícola, a safra de grãos estadunidense foi grande, elevando os estoques de soja e de milho.

Os estoques do país de soja e de milho estão próximos de 12,5% do consumo, um percentual que não traz preocupação.

Do lado macroeconômico, são grandes os motivos para uma aposta na manutenção da elevação dos juros pelo Fed (banco central dos Estados Unidos).

Essa alta retira ainda mais os investidores das commodities e os leva para ativos com menor risco e mais rentabilidade.

Em algum momento, os fundos podem até olhar novamente para as commodities neste ano, segundo Siqueira.

Isso vai depender do rali climático que os produtores dos Estados Unidos deverão enfrentar nos próximos meses, quando se preparam para a safra 2016/17.

Além desse rali, os fundos vão ficar de olho no término da safra de grãos dos principais produtores da América do Sul.

Os estoques mundiais de milho não são tão elevados quanto os da soja. Mas isso não chega a preocupar, uma vez que o cereal não tem a presença constante da China no mercado de importações, segundo Siqueira.

POSIÇÃO

Os fundos de gestão ativa passaram a maior parte de 2015 com posição líquida negativa (ou seja, vendida). Terminaram o ano com posição equivalente a menos 8,6 milhões de toneladas de soja, a maior posição líquida negativa desde junho. A maior já registrada foi de 14,1 milhões de toneladas, em maio de 2015, segundo Siqueira.

No caso do milho, os fundos terminaram o ano com posição líquida vendida de 17,3 milhões de toneladas, a maior desde maio de 2015. A maior já registrada foi de 22,9 milhões de toneladas, em outubro de 2013.

A relação estoque-consumo de soja nos Estados Unidos é de 12,4% na safra 2015/16, acima dos 4,9% de 2014/15, segundo o Usda (Departamento de Agricultura dos EUA). Já a relação estoque-consumo no mundo é de 26,4%, próxima da de 2014/15, que era de 25,9%.

A relação estoque-consumo de milho nos EUA para a safra 2015/16 é de 13,1%, ante 12,6% na safra 2014/15. A relação mundial é de 21,8%, próxima dos 21,3% de 2014/15, segundo o Usda.

Produção mundial de algodão cai, mas estoque é elevado

O consumo mundial de algodão deverá atingir 24,3 milhões de toneladas na safra 2015/16, superando a produção de 22,9 milhões para o mesmo período. Em 2014/15, a produção havia sido de 26,2 milhões de toneladas.

O deficit da produção, em relação ao consumo, não trará, no entanto, grandes mudanças no mercado internacional neste ano.

Os estoques mundiais continuam elevados, atingindo 20,6 milhões de toneladas, segundo o Icac (um comitê consultivo internacional do algodão). E pelo menos 58% desse estoque está na China.

Ou seja, os chineses devem participar pouco do mercado neste ano. As importações chinesas deverão cair para 1,2 milhão de toneladas, 34% inferiores às da safra anterior.

A produção de 2015/16 no hemisfério Sul, que normalmente representa de 8% a 10% do total mundial, subirá para 11% nesta safra, segundo o Icac.

País tem recorde na exportação de frango; receita cai em dólar

O ano passado foi um período de consolidação da posição do Brasil no mercado internacional de carne de frango. O país exportou o recorde de 4,3 milhões de toneladas, manteve a liderança internacional e elevou a participação mundial para 37%.

Ao registrar esse volume embarcado, o setor conseguiu uma alta de 5% em relação a 2014. Os valores em dólares, no entanto, caíram 11% no ano passado, devido à redução média dos preços internacionais do frango.

Segundo a ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal), a receita do setor somou US$ 7,2 bilhões.

A desvalorização do dólar, porém, fez a receita em reais atingir R$ 23,9 bilhões, 26% mais do que em 2014.

Recuperação

O mercado agrícola se recuperou nesta terça-feira em Chicago. Embora com evoluções pequenas, soja, trigo, milho e farelo de soja fecharam o pregão em alta. O aumento mais representativo foi o do farelo, cuja alta atingiu 0,8%.

Em queda

Já em Nova York, o mercado registrou tendência de queda, com recuos de 2,7% para o açúcar e de 2,1% para o cacau. O café recuou 0,7%, mas o algodão subiu 0,11%.

Suínos para a Coréia

A Coreia do Sul, após muitos anos de resistência e avaliações, permitirá a entrada de carne suína brasileira "in natura". Inicialmente a carne sairá de Santa Catarina, um dos principais produtores nacionais e Estado livre de febre aftosa sem vacinação. O potencial de exportação é de 33 mil toneladas, no valor de US$ 108 milhões, avalia o Ministério da Agricultura. (Folha de São Paulo 06/01/2015)

 

Produção de açúcar na Índia avança 6,5% entre outubro e dezembro

A produção de açúcar na Índia avançou 6,5% entre outubro e dezembro de 2015, para 7,9 milhões de toneladas, ante 7,5 milhões de toneladas em igual período em 2014, segundo a Associação das Usinas de Cana-de-açúcar do país (Isma, na sigla em inglês).

O avanço da produção é ruim para o setor açucareiro do país, que vem sendo pressionado pelos fartos estoques do produto. Cinco anos seguidos de boas colheitas levaram a um excedente de 9 milhões de toneladas na Índia, pressionando os preços.

O governo pediu que as usinas liberem pelo menos 4 milhões de toneladas para o mercado global até setembro, o que deve pressionar as cotações mundiais do produto. (Down Jones 05/01/2016)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Mau humor: Os preços do açúcar prolongaram ontem as perdas de segunda-feira na bolsa de Nova York, ainda com a postura retraída dos investidores diante das incertezas com relação à economia da China. Os papéis do açúcar demerara para maio caíram 40 pontos e fecharam a 14,25 centavos de dólar a libra-peso. Os traders ainda temem que um redução do ritmo de crescimento do país asiático, maior importador de açúcar do mundo, possa afetar seu consumo do produto. As leituras fracas do setor industrial chinês continuaram azedando o humor dos mercados em geral. Para analistas, porém, a queda dos preços no mercado de açúcar foi exagerada. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo teve alta de 0,52% para R$ 83,07 a saca de 50 quilos.

Cacau: Na onda externa: As cotações do café arábica voltaram a perder terreno ontem na bolsa de Nova York em meio às incertezas que pairam a respeito da economia da China. Os papéis com vencimento em maio caíram 90 pontos, para US$ 1,2510 a libra-peso. O movimento foi mais uma vez ditado pelos fundos especulativos, enquanto os operadores comerciais seguem fora do mercado. Muitos analistas acreditam que as cotações podem reverter as perdas recentes tanto por causa de fatores técnicos como de fundamento. Para Rodrigo Costa, do Société Générale, os produtores estão com pouco estoque e não precisam de caixa, o que deve diminuir as ofertas. No mercado doméstico, o café de boa qualidade oscilou entre R$ 500 e R$ 520 a saca de 60,5 quilos, segundo o Escritório Carvalhaes, em Santos.

Café: Atenção à China: Os preços do cacau voltaram a registrar queda expressiva na bolsa de Nova York ontem, refletindo o comportamento ainda retraído dos investidores, receosos com os sinais negativos da China. Os lotes para maio fecharam com recuo de US$ 63, a US$ 3.061 a tonelada. Os traders continuam cautelosos com a perspectiva de que a economia chinesa permaneça em desaceleração neste ano. Por isso, a queda nas entregas de cacau nos portos da Costa do Marfim não se refletiu nas negociações. Na semana encerrada no domingo, as entregas da commodity nos portos do país somaram 5 mil toneladas, ante 16 mil toneladas na mesma época da safra passada. Em Ilhéus e Itabuna, na Bahia, o preço médio da arroba ficou em R$ 156 ontem, conforme a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Trigo: Recompras técnicas: Diferentemente das soft commodities, o trigo exibiu ganhos ontem nas bolsas americanas, refletindo cobertura de posições vendidas dos fundos. Em Chicago, os papéis para maio subiram 2,25 centavos, a US$ 4,6675 o bushel. Em Kansas, onde se negocia o cereal de melhor qualidade, os papéis com igual vencimento fecharam com alta de 4,75 centavos, a US$ 4,6925 o bushel. Os fundos especulativos cobriram posições depois do forte recuo dos preços ocorrido na segunda-feira e do saldo líquido vendido divulgado pela Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC, na sigla em inglês), mais elevado que os analistas estavam esperando. No mercado interno, o preço médio do trigo no Rio Grande do Sul apurado pelo Cepea/Esalq subiu 0,63% para R$ 631,16 a tonelada. (Valor Econômico 06/01/2016)