Setor sucroenergético

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Após 'ano do etanol', cana terá 630 milhões de toneladas na próxima safra

O ano de 2015 foi o do etanol. O consumo de janeiro a novembro atingiu 26,1 bilhões de litros, 21% mais do que em igual período anterior.

O consumo foi puxado basicamente pelo etanol hidratado (o que vai diretamente no tanque, sem ser misturado à gasolina). Foram 16,3 bilhões de litros desse tipo de combustível, 40% mais do que o de janeiro a novembro de 2014.

Em novembro, no entanto, com a chegada da entressafra e uma recuperação dos preços do produto, a alta do consumo já tem ritmo menor. O consumo de hidratado supera em 21% o de igual período de 2014.

A oferta maior de álcool ocorreu porque 59% da cana moída na região centro-sul nesta safra 2015/16 foi destinada para a produção do combustível. Na safra 2014/15, o percentual havia sido de 56,7%.

E este ano também poderá ser um período de aumento de consumo, mas não de maneira tão intensa com foi em 2015.

A consultoria Datagro, especializada no setor sucroenergético, estima que a produção total de etanol da região centro-sul poderá chegar a 28,6 bilhões de litros em 2016/17. As previsões para a safra 2015/16, que se encerra em março, indicam 27,8 bilhões.

Incluindo as regiões Norte e Nordeste, a produção total de etanol do país deverá ser de 29,8 bilhões de litros em 2015/16.

A moagem de cana-de-açúcar deve ficar entre 610 milhões e 630 milhões de toneladas na região centro-sul na próxima safra. Já a produção de açúcar subiria para até 34,5 milhões de toneladas, ante 30,7 milhões na safra que se encerra.

Plinio Nastari, da Datagro, acredita que a safra 2016/17 será melhor porque, devido ao clima, de 35 milhões a 37 milhões de toneladas de cana serão deixados para 2016/17.

As chuvas que ocorreram nesta safra permitiram um melhor desenvolvimento fisiológico do canavial. Além disso, há a perspectiva de um melhor aproveitamento do tempo na safra 2016/17.

Nesta safra que se encerra, os dias de trabalho parados nas usinas somaram 50 até o final de dezembro.

As usinas ainda devem moer 14 milhões de toneladas até o final de março, segundo Nastari.

Um dos pontos favoráveis para o açúcar será a ocorrência do primeiro deficit mundial de produção, em relação ao consumo.

A safra 2015/16, que vai de outubro a setembro, terá um deficit de 3,87 milhões de toneladas de açúcar. Esta será a primeira vez que o consumo mundial supera a produção desde 2010. Naquele ano, a produção ficou 1,66 milhão de toneladas abaixo do consumo.

Máquina agrícola tem pior desempenho em 8 anos

A indústria de máquinas agrícolas e rodoviárias comercializou apenas 44,9 mil unidades no ano passado.

Este desempenho está bem distante do recorde de 83 mil unidades vendidas em 2013 e só é melhor do que o de 2007, quando o setor havia comercializado 38,3 mil unidades, conforme dados da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores).

Os produtores já vinham pisando no freio nas compras devido à boa renovação da frota feita desde 2010.

A queda nos preços das commodities e a crise político-econômica vivida pelo país fez o setor frear ainda mais as compras.

Um componente importante também nessa redução de compras foi a dificuldade de crédito e juros mais elevados.

Ao cair para 44,9 mil unidades, as vendas totais do setor no ano passado ficaram 34,5% inferiores às de 2014.

A redução no setor de tratores de rodas foi de 33%, com as vendas caindo para 37,3 mil unidades.

Uma queda ainda maior ocorreu no setor de colheitadeiras. Embora o país venha acumulando recorde sobre recorde na produção de grãos, as compras dessas máquinas se restringiram a 3.917 unidades no ano passado, 39% menos do que em 2014. (Folha de São Paulo 08/01/2016)

 

Açúcar: Fora da curva

O mercado do açúcar nadou contra a corrente ontem e apresentou ganhos robustos na bolsa de Nova York, reflexo de recompras técnicas e em meio a um cenário de déficit de oferta.

Os papéis do açúcar demerara para maio subiram 33 pontos e fecharam a 14,45 centavos de dólar a libra-peso.

Os fundos de índice começam hoje a reavaliar seus portfólios, o que deve aumentar a volatilidade do mercado.

Apesar das incertezas com a demanda internacional, a perspectiva de produção reduzida no Centro-Sul do Brasil, na América Central e as dúvidas com a oferta do sudeste da Ásia têm impedido que quedas especulativas se prolonguem por muito tempo.

No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal subiu 0,23%, para R$ 82,95 a saca de 50 quilos. (Valor Econômico 08/01/2016)

 

Após pico em dezembro, exportação de etanol deve diminuir

 

As exportações de etanol pelo Brasil, que surpreenderam em dezembro, devem começar a cair a partir de agora, na avaliação de Martinho Ono, CEO da trading SCA. A necessidade de abastecimento interno e o período de entressafra de cana-de-açúcar, que se estende até março, tendem a reduzir a oferta do produto, principalmente de anidro, o mais embarcado pelo País. "A disponibilidade no spot é muito estreita. Não é tendência ficarmos nesses números (de vendas)", afirmou ele ao Broadcast Agro.

Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) mostram que o Brasil exportou no mês passado 286,7 milhões de litros de etanol, o melhor resultado mensal desde outubro de 2013, quando foram embarcados para o exterior 336 milhões de litros. De lá para cá, a demanda internacional pelo biocombustível não foi das melhores, e o País chegou a registrar vendas externas de apenas 21 milhões de litros em abril deste ano.

O cenário só se alterou na segunda metade de 2015, com a disparada do dólar para R$ 4. "Houve arbitragem no segundo semestre do ano passado. O mercado externo pagava melhor e, na média, vendemos 200 milhões de litros por mês", destacou Ono. Dezembro foi o melhor mês do ano. Os mais de 285 milhões de litros representaram aumento de 47% sobre novembro e de 115% na comparação anual, empurrando o acumulado de 2015 para 1,86 bilhão de litros (+33,5%).

O executivo da SCA comentou ainda que, tomando-se apenas o período da safra 2015/16, iniciada em abril, até dezembro, as exportações atingem 1,52 bilhão de litros. "Faltam uns 400 milhões de litros para exportar, o que daria 130 milhões de litros por mês nos próximos três meses", projetou, com base na estimativa de embarques da SCA para a temporada, de 1,90 bilhão a 2 bilhões de litros.

Para Ono, mesmo que o dólar continue subindo não há espaço para que as exportações aumentem para além dos atuais níveis na safra 2016/17, que se inicia em abril. Conforme ele, as obrigações quanto ao abastecimento interno, estipuladas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), impedem que as vendas ao exterior disparem. "O ´cobertor´ de abastecimento interno é muito curto", disse. (Agência Estado 07/01/2016)

 

Déficit mundial e câmbio devem manter preço do açúcar firme

Após cinco temporadas consecutivas com superávit na oferta mundial de açúcar, as projeções para a safra 2015/16 indicam mudança de cenário, baseada em menores produção e estoques globais. Essa perspectiva aliada ao Real desvalorizado e a uma temporada brasileira novamente mais alcooleira devem favorecer os preços internos do açúcar em 2016, que apresentam altas desde o segundo semestre deste ano.

Embora exista consenso quanto a déficit entre as consultorias, a magnitude ainda se apresenta bastante variável, entre 2,5 milhões e 8,2 milhões de toneladas. A Organização Internacional do Açúcar (OIA), por exemplo, prevê déficit mundial de 3,53 milhões de toneladas. Entre os fundamentos das projeções estão aumento nos custos de produção da commodity, a baixa nos preços mundiais, fatores climáticos e demanda global recorde por açúcar.

Influência do clima

No Brasil, o fenômeno El Niño já aumentou o volume de chuvas no Centro-Sul e o reduziu na região Nordeste. Isso vem atrasando o término da safra (normalmente de abril a novembro) no Centro-Sul, comprometendo pontualmente a oferta. Algumas usinas consultadas pelo Cepea sinalizam que devem encerrar a moagem apenas em janeiro/2016, enquanto outras planejam mesmo emendar a colheita das duas temporadas (2016/17). Isso pode aliviar um pouco os efeitos de um maior direcionamento da cana para etanol e reduzir a pressão altista sobre os preços.

As precipitações podem ser benéficas para a safra 2016/17 do Centro-Sul, que pode começar em março de 2016. Consultorias têm indicado que, em face da expectativa de aumento da produção na região Centro-Sul, algumas usinas já teriam, em dezembro, fixado os preços de um volume maior de açúcar que em mesmo período do ano passado.

Safra no Nordeste

Já no Nordeste brasileiro, a expectativa para a safra 2015/16 (normalmente de novembro a abril) é de produção menor em decorrência da forte seca que atinge as principais regiões canavieiras da região. Em Alagoas e Pernambuco, os dois principais estados produtores do Nordeste, a queda na produção de açúcar deve ficar próxima dos 10%.

Além disso, a temporada deve ter mix mais alcooleiro, puxado pela demanda elevada pelo biocombustível, assim como ocorreu no Centro-Sul. Com isso, os preços do açúcar nordestino podem permanecer elevados, também favorecidos pela valorização do produto goiano, forte concorrente.

Exportações

No que tange às exportações brasileiras de açúcar, parece plausível esperar que, no próximo ano, os volumes sejam superiores aos da presente safra, em face da tendência de preços crescentes e que deve se sustentar devido ao déficit global previsto para a commodity. A esse fator deve-se somar o efeito de uma taxa de câmbio relativamente elevada, o que também deve favorecer as exportações.

No mercado internacional, segundo o USDA, grandes players como China, Índia e UE deverão produzir menos, sustentando a reversão de tendência já iniciada no final de 2015. No caso da China, que assumiu o papel de maior importador da commodity, espera-se queda na produção de 3,82% e redução de 20,1% nos estoques, na comparação com a última safra (2014/15). Assim, a expectativa é de que a China aumente as importações de açúcar em cerca de 9%, podendo chegar a 5,5 milhões toneladas. O consumo chinês deve permanecer estável, em torno de 17,5 milhões de toneladas.

Para a Índia, segundo maior produtor e maior consumidor de açúcar, o USDA estima produção de 28,53 milhões de toneladas para a safra 2015/16, o que representaria 6% a menos que na temporada passada, devido a prejuízos causados pelo El Niño nas principais regiões produtoras. Durante o ano safra 2015/16, o consumo no país deverá ser de 28 milhões de toneladas, aumento de 2,96% em relação a 2014/15.

A União Europeia deve produzir 16,1 milhões de toneladas de açúcar no período, volume 4% menor que o da temporada anterior, de 16,75 milhões de toneladas, segundo dados do USDA. Os baixos preços do açúcar praticados na última safra nos mercados europeu e internacional desencorajaram os agricultores a ampliar ou manter as áreas cultivadas com a beterraba açucareira na safra 2015/16. (Cepea / ESALQ 07/01/2016)

 

Lucro líquido da Cargill no 2º tri fiscal de 2016 sobe 77%

A multinacional americana Cargill, maior companhia de agronegócios do mundo, reportou um lucro líquido de US$ 1,39 bilhão no segundo trimestre fiscal de 2016, encerrado em 30 de novembro. Em relação ao mesmo período do ano anterior, quando o resultado líquido havia sido de US$ 784 milhões, houve um aumento de 77%.

Já a receita apresentou queda de 10% no segundo trimestre fiscal, para US$ 27,3 bilhões, refletindo a queda nos preços das commodities e o enfraquecimento da demanda em alguns mercados. O lucro operacional ajustado, por sua vez, recuou 13%, para US$ 574 milhões.

Segundo o CEO e chairman da Cargill, David MacLennan, o resultado reflete as mudanças no portfólio de negócios da companhia.

“Nós já vemos um negócio forte de chocolate emergindo da integração de nossa compra no primeiro trimestre das operações de chocolate da ADM”, afirmou, em nota, acrescentando que a aquisição da produtora de salmão EWOS “traz novos mercados e aprofunda a experiência em nutrição e espécies de água fria”.

MacLennan destacou também a venda da divisão americana de suínos para a JBS nos Estados Unidos, concluída no fim de outubro, e metade da participação na North Star BlueScope Steel para a Australia’s BlueScope Steel.

O lucro operacional ajustado da divisão de nutrição animal e proteínas teve leve queda no trimestre, puxado principalmente pelo segmento de carne bovina. Segundo a companhia, dificuldades econômicas na ração para gado e a queda na oferta de gado que já era antecipada na Austrália afetou os ganhos no setor. Em contrapartida, os custos mais favoráveis com commodities e uma segmentação mais efetiva da multinacional sustentaram os ganhos no trimestre.

No segmento de originação e processamento, houve queda moderada no lucro operacional ajustado. A normalização da oferta de grãos no Canadá, após duas safras muito grandes, e o comportamento fraco no mercado de algodão, esmagamento de sementes e de açúcar, pesaram no resultado.

Na divisão de ingredientes alimentares, o lucro operacional ajustado também ficou abaixo do mesmo trimestre do ano fiscal anterior, enquanto o resultado no segmento industrial e de serviços financeiros teve declínio significativo, refletindo em parte a liquidação de certos fundos de hedge em uma subsidiária de gestão de ativos, segundo a Cargill. (Valor Econômico 07/01/2016)

 

Consumo e tributação podem sustentar recuperação do setor de etanol

Mesmo com perspectivas de continuidade da crise econômica no País, o mercado de etanol espera cenário um pouco mais positivo em 2016. O consumo aquecido no correr de 2015 e os aumentos de preços no acumulado do ano podem representar o início, ainda que de forma gradativa, de uma retomada da rentabilidade do setor, que há alguns anos amarga custos de produção em alta e prejuízos financeiros. Por outro lado, como há expectativa de crescimento no volume produzido, é preciso planejamento ao longo da safra para manter a cadeia sustentável.

A possibilidade de aumento da Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) incidente sobre a gasolina acima dos atuais R$ 0,10 por litro também é vista como reforço à competitividade do biocombustível (hidratado), que se mostrou vantajoso frente ao derivado fóssil nos postos durante praticamente todo o ano de 2015.

Do lado da oferta, usinas devem continuar priorizando a produção de etanol em detrimento do açúcar na safra 2016/17, que começa oficialmente em abril deste ano. Preliminarmente, a moagem de cana-de-açúcar em 2016/17 no Centro-Sul é estimada entre 615 milhões e 630 milhões de toneladas pela consultoria Agroconsult, o que representaria aumento de até 5% sobre o volume projetado para a temporada atual, de 600 milhões de toneladas.

De abril até a primeira quinzena de dezembro/15, o volume processado de cana também na região Centro-Sul somou 581,3 milhões de toneladas, crescimento de 3% frente às 564,4 milhões de toneladas registradas em igual período do ciclo anterior, conforme a Unica (União da Indústria de Cana-de-açúcar). Em maio, a projeção era de 590 milhões de toneladas para a safra toda, ante as 571,34 milhões de toneladas da temporada anterior (2014/15). A produção de etanol já soma 26,6 bilhões de litros (16,3 bilhões de litros de hidratado e 10,3 bilhões de litros de anidro) também de abril até a primeira metade de dezembro, 3,4% superior à do mesmo intervalo de 2014 (25,7 bilhões de litros). Para a safra completa, a Unica projetava em maio 27,277 bilhões de litros.

Para o início da próxima temporada, o contrato do etanol hidratado na BM&FBovespa com vencimento em maio/16 aponta R$ 1.455,00/m3 (fechamento de 23 de dezembro/15), 27,4% acima do valor de liquidação do contrato Maio/2015, de R$ 1.142,00/m3. Vale ressaltar que os efeitos do clima têm importante peso no andamento das atividades da safra e, consequentemente, nos preços.

No front externo, o dólar valorizado frente ao Real deve continuar favorecendo as exportações brasileiras de etanol, tanto em volume como em receita. O setor também espera manter as negociações com o mercado norte-americano. Recentemente, o país anunciou, por meio da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA), nova regulamentação que estabelece que em 2016 serão misturados 68,5 bilhões de litros de combustíveis renováveis à gasolina em território norte-americano.

De janeiro a novembro deste ano, o Brasil exportou 781 milhões de litros de etanol aos EUA, 13,6% a mais que em igual intervalo de 2014, segundo dados da Secex. (Cepea / ESALQ 07/01/2016)

 

Abengoa derruba liminar parcialmente e afasta risco de paralisação de suas atividades

Empresa traça cronograma com objetivo de honrar compromissos com seus credores.

A Abengoa Bioenergia, braço no Brasil do grupo espanhol Abengoa, com operações nas Usinas São Luiz e São João localizadas, respectivamente, em Pirassununga e São João da Boa Vista, poderá continuar suas atividades normalmente após derrubar parcialmente a liminar que determinava a indisponibilidade patrimonial dos ativos da empresa, com arresto de bens. Com essa decisão, a Abengoa, além de não correr riscos de paralisação, também está liberada para movimentar suas aplicações financeiras e acessar seu fluxo de caixa para cumprir suas obrigações cotidianas.

“Nosso Departamento Jurídico agiu rapidamente contra a decisão judicial que praticamente interrompia todas as nossas operações e o desembargador Correia Lima, da 20ª Câmara de Direito Privado, limitou o arresto e as restrições a remessas de bens e valores para o exterior, alienação de imóveis e alteração do controle acionário. Porém, afastou a constrição sobre todos os demais bens e valores de propriedade da Abengoa Bioenergia até que o colegiado analise o tema. Segundo ele, o objetivo é evitar dano de difícil reparação, o que de fato estávamos sofrendo, com, por exemplo, a impossibilidade de pagarmos salários de funcionários por conta do bloqueio das contas ou de comercializar nossos produtos, em decorrência do arresto de estoque.”, explica o Rogério Ribeiro Abreu dos Santos, diretor da Abengoa.

Em sua alegação, a Abengoa declarou que tem autonomia gerencial em relação à sócia espanhola e negocia sistematicamente suas obrigações financeiras diante da atual crise econômica brasileira. Afirmou ainda que a decisão inviabilizaria suas atividades, pois ficaria impedida de movimentar aplicações financeiras e gerar recursos necessários para adimplemento de obrigações. "Nosso principal objetivo neste momento e traçar um cronograma de reestruturação das atividades e implementação de ações positivas para aumentarmos nosso fluxo de caixa e, a partir disso, honrar todos os nossos compromissos", projeta Abreu dos Santos.

Na liminar concedida em 11 de dezembro do ano passado ao Sindicato Rural de Santa Cruz das Palmeiras, o juiz José Alfredo de Andrade Filho argumentou um “possível encerramento das atividades em detrimento do pagamento dos credores”. Já em seu pedido de liminar, o Sindicato alegou que a empresa brasileira passou a “dilapidar bens” e “desviar estoque” com o objetivo de deixar o país. Essas duas hipóteses, no entanto, são totalmente descartadas e vão na direção oposta dos objetivos da Abengoa. “Não vamos, de maneira alguma, encerrar nossas atividades. Também não existe a menor intenção de deixarmos o país, acreditamos no Brasil”, garante o diretor Abreu dos Santos.

Sobre a empresa

A Abengoa foi fundada em 1941, em Sevilha, para montagens elétricas. Na década de 1960, começou a se internacionalizar e hoje tem em torno de 24 mil trabalhadores, em 80 países, focada em engenharia e tecnologia industrial. Seus principais mercados são Espanha, Brasil e Estados Unidos. É uma empresa de soluções tecnológicas de energia renovável e opera as usinas de produção de açúcar, etanol e cogeração de energia no interior de São Paulo desde 2007. (Al Abengoa 07/01/2016)

 

Monsanto cortará mais 1.000 empregos, elevando demissões a 3.600

A Monsanto planeja cortar mais mil postos de trabalho globalmente, levando seu plano de redução de empregos para um total de 3.600, ou cerca de 16 por cento da força de trabalho da empresa, de acordo com um documento apresentado nesta quarta-feira à Securities and Exchange Commission (SEC) dos Estados Unidos, órgão regulador no país.

O Conselho de Administração da empresa também aprovou o restante de seu plano previamente anunciado para atingir 500 milhões de dólares de economias anuais até o fim do ano fiscal de 2018, de acordo com o documento.

O corte de empregos, que é apenas parte deste plano, irá variar de país para país e deve continuar ao longo do ano fiscal de 2018, disse a companhia. (Reuters 06/01/2016)

 

Preços de alimentos despencam 19% em 2015, diz FAO

Os preços globais de alimentos despencaram 19 por cento em 2015, com a contribuição de um novo recuo mensal em dezembro, pressionados pela oferta abundante e pela desaceleração da economia global, informou nesta quinta-feira a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).

Foi a quarta queda anual consecutiva nos preços dos alimentos.

O índice de preços de alimentos da FAO, que mede as alterações mensais nos valores de uma cesta composta por cereais, oleaginosas, laticínios, carnes e açúcar, ficou na média de 154,1 pontos em dezembro, ante 155,6 pontos (revisados) do mês anterior, uma queda de cerca de 1 por cento.

"As ofertas abundantes em meio a uma demanda global tímida e uma valorização do dólar são as principais razões para a fraqueza geral que dominou os preços dos alimentos em 2015", disse o economista sênior da FAO Abdolreza Abbassian.

As expectativas de uma grande oferta de cereais, após a remoção de tarifas de exportações na Argentina, pesaram sobre os preços do trigo. As cotações do milho caíram devido a uma maior competição nas exportações, enquanto a demanda internacional manteve-se fraca. (Reuters 07/01/2016)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Fora da curva: O mercado do açúcar nadou contra a corrente ontem e apresentou ganhos robustos na bolsa de Nova York, reflexo de recompras técnicas e em meio a um cenário de déficit de oferta. Os papéis do açúcar demerara para maio subiram 33 pontos e fecharam a 14,45 centavos de dólar a libra-peso. Os fundos de índice começam hoje a reavaliar seus portfólios, o que deve aumentar a volatilidade do mercado. Apesar das incertezas com a demanda internacional, a perspectiva de produção reduzida no Centro-Sul do Brasil, na América Central e as dúvidas com a oferta do sudeste da Ásia têm impedido que quedas especulativas se prolonguem por muito tempo. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal subiu 0,23%, para R$ 82,95 a saca de 50 quilos.

Cacau: Incertezas no ar: O mercado do cacau voltou a tombar na bolsa de Nova York ontem com as incertezas com a economia global. Os lotes para maio caíram US$ 18, a US$ 2.966 a tonelada. A nova queda das ações da China retomou uma onda de aversão ao risco que atingiu o cacau em cheio. Há receio com a demanda da Ásia, que até então era uma promessa para o setor do cacau. Mas também há incertezas em relação à oferta. O Ecobank calculou que a safra 2015/16 de Gana ficará em 800 mil toneladas por causa dos ventos do deserto. O conselho estatal de cacau, o Cocobod, projeta uma safra de 850 mil a 900 mil toneladas. No mercado interno, o preço médio do cacau em Ilhéus e Itabuna ficou estável em R$ 147 a arroba, de acordo com dados da Central Nacional de Produtores de Cacau.

Algodão: China em xeque: Maior importador mundial de algodão, a China voltou a ser o epicentro das turbulências nos mercados globais ontem e tumultuou as negociações dos futuros da pluma na bolsa de Nova York. Os papéis para maio recuaram 63 pontos, para 62,12 centavos de dólar a libra-peso. O temor agora é que, além da China estar apresentando dados macroeconômicos fracos, possa haver um contágio sobre outras economias do sudeste asiático. "Novas fraquezas econômicas [na China] podem atingir as economias do Sudeste da Ásia, que têm sido grandes compradoras dos EUA e do mundo", disse Jack Scoville, da Price Futures Group, em nota. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o algodão com pagamento em oito dias subiu 0,57%, para R$ 2,2803 a libra-peso, acumulando alta de 1,76% no mês.

Trigo: Fôlego técnico: Enquanto os traders da maior parte das commodities arrancam os cabelos com as quedas nas ações chinesas, os fundos que atuam no mercado de trigo buscam recuperar perdas recentes, o que ontem sustentou novamente as cotações nas bolsas americanas. Em Chicago, os lotes para maio fecharam a US$ 4,7325 o bushel, alta de 5 centavos. Na bolsa de Kansas, onde se oferta o trigo de melhor qualidade, o mesmo contrato subiu 2 centavos, para US$ 4,725 o bushel. Os fundos cobriram posições vendidas em um movimento que ofuscou os dados fracos das vendas externas americanas. Na semana até 31 de dezembro, foram vendidas 76,5 mil toneladas de trigo dos EUA ao exterior, o menor volume semanal para a safra 2015/16 até agora. No Paraná, o preço médio ficou estável em R$ 37,80 a saca, conforme o Deral/Seab. (Valor Econômico 08/01/2016)