Setor sucroenergético

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Dívida de usinas de cana deve somar R$ 95 bi e superar receita do setor

São poucos os grupos que devem aumentar os investimentos para expansão de seus canaviais.

As usinas de açúcar e etanol devem encerra a safra 2015/16 (de abril a março) com endividamento recorde de R$ 95 bilhões, um crescimento de 18% sobre o ciclo anterior, 2014/15, quando as dívidas somaram cerca de R$ 80 bilhões.

Estimativa da União da indústria da Cana-de-Açúcar (Unica/SP) mostra que a receita do setor deve atingir nesta safra cerca de R$ 84 bilhões, um aumento de 17% sobre o período anterior.

Com a recuperação do açúcar no mercado internacional nos últimos meses de 2015, como reflexo da expectativa de déficit de produção global após cinco anos de excedente, e demanda mais aquecida por etanol no mercado interno, as usinas ganharam fôlego, mas não o suficiente para reverter a situação financeira delicada de boa parte das empresas.

Das 450 usinas instaladas no País, 80 delas estão desativadas e cerca de 70 estão em recuperação judicial.

Para fazer caixa, muitas usinas moeram a cana para vender o etanol durante a safra a preços mais baixos. Já os grupos mais capitalizados conseguiram segurar sua produção para vender durante a entressafra, que tem preços mais atrativos.

São poucos os grupos que devem aumentar os investimentos para expansão de seus canaviais.

Apesar de ter começado o ano de 2015 com notícias favoráveis, como a volta da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) e o aumento da mistura de etanol na gasolina de 25% para 27%, o setor terá uma jornada longa para “arrumar a casa”, avaliam analistas. “O setor voltará a viver um movimento de consolidação”. (MGO Consultoria 13/01/2015)

 

Usinas de cana do grupo Balbo extinguem cogeradora

Conheça detalhes da cisão da empresa de geração de eletricidade da cana.

Está oficializada a cisão e extinção da Bioenergia Cogeradora S.A., companhia cogeradora de eletricidade da cana-de-açúcar controlada pelas usinas Santo Antônio e São Francisco, ambas do Grupo Balbo e localizadas no município de Sertãozinho (SP).

A cisão e a extinção da cogeradora foi oficializada em assembléia geral extraordinária presidida por Waldemar Balbo Júnior, diretor agrícola da usina sucroenergética São Francisco, e tendo como representante da usina Santo Antônio Jairo Meses Balbo, diretor industrial da companhia. (Jornal Cana 12/01/2016)

 

Açúcar: Efeito China

Os preços futuros do açúcar subiram ontem na bolsa de Nova York refletindo o arrefecimento da tensão internacional com a China, o receio de redução do plantio de cana na Índia e da alta de preços do produto refinado.

Os papéis para maio subiram 33 pontos, a 14,11 centavos de dólar a libra-peso.

Ontem, o serviço alfandegário chinês informou que as importações bateram recorde em 2015, reduzindo os temores com a economia do país.

Há ainda preocupação de que o tempo seco na Índia afete o plantio de cana em algumas regiões.

Também pesou a alta de 30% do prêmio do produto refinado sobre o bruto, indicando que está mais rentável para as refinarias comprar açúcar bruto.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal subiu 0,48%, a R$ 84,43 a saca. (Valor Econômico 14/01/2016)

 

Centro de Tecnologia Canavieira dá mais um passo para abrir capital

CTC se prepara para entrar na listagem Bovespa Mais.

O Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), empresa de pesquisa que tem em seu bloco de controle as gigantes Copersucar e Raízen (Cosan/Shell), além do BNDESPar, dá mais um passo para se tornar companhia de capital aberto.

Os integrantes do Conselho de Administração do CTC deram sinal verde para a empresa avançar em seu pedido de registro junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) como companhia aberta emissora de valores mobiliários “Categoria A”, nos termos da Instrução CVM nº 480, e a adesão ao segmento de listagem Bovespa Mais da BM&FBovespa.

O Bovespa Mais é categoria da BM&FBovespa destinada às Sociedades Anônimas de pequeno e médio portes, sem capital aberto. (Jornal Cana 13/01/2016)

 

Tonelada de cana vai a R$ 97 em Pernambuco Previsão leva em conta a alta do ATR neste mês

O valor referencial da tonelada de cana-de-açúcar padrão no estado de Pernambuco deve fechar em R$ 96,64 neste mês de janeiro. A previsão é do Informe ATR, divulgado pela Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco (AFCP).

Conforme o informe, que detalha valores do Açúcar Total Recuperável (ATR) em Pernambuco, a estimativa do valor referencial do kg do ATR para esse mês de janeiro é de R$ 0,8289, que aponta para um valor referencial de R$ 98,64 por tonelada de cana.

O valor representa 7,6 % de acréscimo em relação ao do mês de dezembro de 2015, conforme tendência com base nos dados acumulados até o dia 08 desse mês de janeiro.

Padrão

O valor referencial do kg de ATR para dezembro de 2015 é de R$ 0,7659, que aponta para um valor referencial de R$ 91,14 por tonelada de cana padrão (119,0063Kg de ATR/ton.). O valor representou 0,61 % de acréscimo com relação ao mês de novembro que foi de R$ 90,59. (Jornal Cana 13/01/2016)

 

Açúcar: exportação na Índia deve ficar abaixo do fixado pelo governo

As exportações de açúcar na Índia devem atingir a marca de 1,5 milhão de toneladas neste ano comercial, bem abaixo do alvo estipulado pelo governo do país, aponta a firma de auditoria BMI.

A ideia do governo era exportar 4 milhões de toneladas neste ciclo. Num esforço para aumentar as exportações, foi criado em novembro um subsídio para ajudar os fazendeiros que destinassem suas produções a refinarias exportadoras. Apesar disso, os produtores seguiram evitando negociar com o exterior, pois o mercado doméstico oferece retornos mais atrativos, aponta o BMI.

Os preços locais na Índia subiram mais rapidamente diante da expectativa de uma colheita menor neste ano. (Down Jones 13/01/2016)

 

Grande fluxo de açúcar branco para Mianmar indica contrabando para China

Fortes fluxos de açúcar branco estão viajando da Índia e Tailândia para Mianmar, e acredita-se que boa parte do volume importado pelo país da Ásia deva ser contrabandeado para a China, disseram operadores.

Eles disseram que a repressão às licenças de importação de açúcar bruto pelas autoridades chinesas, um início decepcionante da colheita na China devido à adversidades climáticas e altas margens de importação para a China estimularam o negócio.

A forte demanda chinesa contribuiu para elevar o prêmio do açúcar branco ante o bruto na bolsa Intercontinental Exchange para mais de 100 dólares por tonelada esta semana, uma margem muito confortável para as refinarias.

Acredita-se que o açúcar branco também seja contrabandeado para China via Laos e Camboja, disseram operadores.

"Embarques da Tailândia para Mianmar e Laos têm sido muito pesados nos últimos meses", disse um analista ocidental. "Esta é outra rota para a China."

Operadores europeus disseram que mais de 300 mil toneladas de açúcar branco foram exportadas da Índia para Mianmar em dezembro e o fluxo deve permanecer forte este mês devido às enormes margens de importação para a China. (Reuters 13/01/2016)

 

CTC define pedido de registro como companhia aberta

O Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), principal instituição privada de pesquisa em cana-de-açúcar, etanol e açúcar do País, realiza assembléia na quinta-feira, 14, para aprovar pedido para registro de companhia aberta junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), bem como autorizar a adesão da empresa ao segmento de listagem Bovespa Mais da BM&FBovespa.

Após a aprovação, já feita no conselho da entidade, o CTC terá as mesmas obrigações das companhias abertas e ainda um prazo de até sete anos para optar por uma Oferta Pública Inicial de Ações (IPO em inglês).

O presidente do conselho de administração do CTC e também da Copersucar, Luís Roberto Pogetti, disse ao Broadcast Agro (serviço de notícias em tempo real da Agência Estado) que o registro como companhia aberta e a listagem no Bovespa Mais integram o acordo feito em março de 2014 com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Pelo acordo, a instituição de fomento se tornou sócia do CTC e se propôs a injetar R$ 300 milhões na instituição de pesquisa até 2015, para assumir 20% de participação no capital acionário. Hoje, o BNDES tem 10%. Até março de 2016 fará um novo aporte e chegará a 15% e atingirá os 20% com um aporte final previsto para março de 2017. "O acordo de capitalização previa a listagem em dois anos e estamos cumprindo essa etapa", disse Pogetti.

O restante do capital do CTC é dividido em 120 acionistas, sendo que o grupo principal de controle é formado pelos gigantes do setor sucroenergético Copersucar, Raízen, Bunge, São Martinho, Guarani e Coruripe.

De acordo com o presidente do CTC, a abertura de capital, com a negociação de ações na bolsa, ainda não está nos planos da companhia agrícola no curto prazo. "O projeto está indo bem, o CTC alcançou os objetivos, mas ainda está na fase inicial. A abertura de capital ainda leva uns cinco anos", concluiu Pogetti. (Agência Estado 13/01/2016)

 

Grupo invade usina para cobrar acertos trabalhistas

Parte dos funcionários está sem receber desde dezembro e outra está há dois meses sem salário.

Cerca de 100 trabalhadores rurais da Usina Companhia Flórida invadiram a empresa na manhã de ontem, 11, para reivindicar salários atrasados e uma série de direitos trabalhistas.

Os funcionários permaneceram dentro da empresa por cerca de seis horas, até a emissão de uma reintegração de posse por parte da justiça, por volta de 15h, o que permitiu que a Polícia Militar interviesse para liberar a área.

Cerca de nove viaturas foram até o local para conter o grupo, que estaria causando transtornos no interior da empresa. No início das manifestações o grupo soltou bombas e quebrou o vidro de duas janelas. Ninguém foi detido, segundo a PM.

De acordo com a presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Roseli Carlos de Melo Esposo, parte dos funcionários estão sem receber desde dezembro e outra parte está há dois meses sem salário. A segunda parcela do 13º também não foi paga e conforme o Sindicato, os trabalhadores foram dispensados sem que a usina pagasse seus direitos e agora a empresa estaria contratando novos funcionários. “A revolta deles é essa. Além de não pagar os funcionários, ainda contratam novas pessoas”, disse.

Segundo Roseli, a usina não abriu diálogo nem mesmo com o Sindicato. Na tarde de ontem ela procurou o Ministério do Trabalho e o Ministério Público para tomar as medidas cabíveis.
“Os funcionários querem respostas, mas a usina não tem dado nenhuma”, explicou.

A Usina Companhia Flórida ficou um ano sem funcionar e deu início a safra de 2015 em setembro.

A reportagem do Jornal Regional procurou a empresa para saber seu posicionamento, mas não obtivemos êxito. (Jornal Regional 12/01/2016)

 

Produtores reduzem plantio de cana na Índia para economizar água

Produtores indianos de Maharashtra, Estado líder na produção de açúcar, estão sendo forçados a substituir a cana por cultivos com menos necessidade de água, com uma seca abrasadora levando as autoridades a reter a água nas represas.

A queda nos plantios para a temporada 2016/17 --que uma autoridade estimou ser de cerca de um terço-- vem após a falta de chuvas atingir milhares de hectares de cana no segundo maior produtor de mundial.

A produção de açúcar da Índia arrisca cair abaixo do consumo pela primeira vez em sete anos, ameaçando cortar exportações e elevar os preços globais, particularmente se as importações forem necessárias pela primeira vez desde 2008/09

Após uma série de colheitas recordes, os Estados foram atingidos pela primeira seca recorrente em quase três décadas, levando as autoridades a desviar água da agricultura.

Os principais reservatórios da Índia estão com 44 por cento da capacidade, ante uma média de dez anos de 58 por cento. Alguns reservatórios em Maharashtra possuem apenas 8 por cento da capacidade, ante uma média de dez anos de 50 por cento.

"Pela atual tendência, parece que a área cultivada com cana será pelo menos 35 por cento menor na próxima temporada. Teremos uma ideia melhor somente em março, quando produtores finalizarem o plantio", disse uma autoridade sênior no governo do Estado de Maharashtra, que não quis ser identificada. (Reuters 13/01/2016)

 

Enquanto a eletricidade da cana fica de lado, governo foca a energia nuclear

Usinas de cana têm condições de mais que dobrar a oferta de energia feita hoje.

Apesar da retração no consumo e na geração de energia elétrica no País, por conta da crise econômica, o governo brasileiro avança em busca de implantação de novos parques geradores. A intenção é garantir fornecimento de eletricidade no médio prazo, quando, espera-se, haja a retomada do crescimento econômico e, com ele, o consumo de energia volte a crescer.

A questão é o tipo de geração de eletricidade. A base hidrelétrica, principal fornecedora de energia do País, vivencia fase vigorosa por conta das chuvas, que ampliaram a oferta de água nas usinas. Mas essa base depende de novas hidrelétricas, como a polêmica Belo Monte, que segue envolta em uma polêmica implantação.

Há as gerações eólica e solar. A primeira avança, principalmente nos leilões públicos, que garantem a compra da eletricidade do vento por 20 anos, reajustada anualmente pelo indicador oficial da inflação, o IPCA. Isso dá garantias para o investidor, mas esse tipo de geração está confinado a determinadas regiões do País beneficiadas por bons regimes de ventos.

Tirando-se fontes poluentes, como óleo e carvão, há o gás natural, fonte que o Brasil não é auto-suficiente, e precisa do gás natural da Bolívia, por exemplo, vendido em dólar, para complementar a oferta.

Cana

E há a eletricidade feita da biomassa, da qual a cana-de-açúcar é o principal personagem. Entre o começo de 2010 a novembro de 2015, a geração por bioeletricidade gerou 20 mil gigawatts-hora (GWh). O volume representa menos de 10% do potencial de 177 mil GWh de bioeletricidade projetado para 2023.

Mas por que a bioeletricidade não avança?

O Portal Jornal Cana fez esta pergunta tanto para agentes do governo federal, como para profissionais de mercado ligado ao setor sucroenergético. De forma bem simples, a resposta é que os custos de implantação de linhas de transmissão são altos e ninguém quer assumi-los. Será?

Pois o governo federal, por meio de sua Eletrobras Eletronuclear, se dispõe a ajudar empresas interessadas em investir em usinas de um tipo de energia combatido em boa parte do mundo: a nuclear.

Não há divulgação de como serão os subsídios para essas empresas, nem se eles existem. Mas o fato é de que no começo deste janeiro representantes da Eletrobras Eletronuclear acompanharam equipe de técnicos da estatal chinesa Chinese National Nuclear Corporation (CNNC) em visita ao estado do Sergipe.

É que Sergipe está na rota de regiões potenciais para abrigar futuros sítios de novas usinas nucleares.

“Temos convidado os potenciais fornecedores para essas viagens de reconhecimento de áreas candidatas, o que permite uma avaliação técnica mais profunda das potencialidades dos locais em estudo. Assim, a Westinghouse e a Atmea nos acompanharam em Minas e Pernambuco, e contaremos com outras empresas nas próximas viagens”, explica, em relato distribuído pela assessoria da Eletrobras, engenheiro Marcelo Gomes, chefe da Assessoria para Desenvolvimento de Novas Centrais Nucleares da estatal.

Durante a visita, foi exposto que Sergipe pode abrigar um complexo de usinas de energia nuclear, com capacidade de até seis unidades, na área do Baixo São Francisco. A construção deve ter capacidade de 7.200 megawatts (MW) de energia, movimentar um valor equivalente a US$ 5 bilhões para cada usina, podendo atingir até U$ 30 bilhões de investimento, com geração de, aproximadamente, 2 mil empregos.

Assim como o encontro em Sergipe, visitas similares já foram realizadas nos estados de Minas Gerais, Pernambuco e Alagoas.

A pergunta que segue exigindo resposta é: por que buscar investidores para fincar usinas reconhecidamente polêmicas, combatidas mundialmente, enquanto um oceano potencial de energia elétrica, existente no entorno das 400 usinas de cana­de­açúcar do País, segue de lado? (Jornal Cana 13/01/2016)

 

Petróleo chegando a US$ 20: Petrobras terá que diminuir o preço da gasolina?

Governo tem uma verdadeira "escolha de Sofia" entre sacrificar o caixa da Petrobras e deixar a inflação extrapolar a meta.

Os acionistas da Petrobras (PETR3; PETR4) reclamaram durante muito tempo da defasagem entre os preços dos combustíveis praticados no Brasil e os do exterior. Muito se denunciou que o governo usava a estatal para fazer política de preços e derrubar a inflação artificialmente à revelia do desempenho da petroleira, que se endividava e não conseguia obter receitas que fizessem frente a esse endividamento. Bom, pelo menos neste front, os investidores não têm mais o que reclamar, mas os brasileiros em geral sim.

Atualmente, os preços do petróleo estão a US$ 31, batendo suas mínimas em 12 anos, porém a gasolina e o diesel no Brasil estão mais caros do que estavam na primeira metade de 2014, quando um barril de petróleo custava mais de US$ 100. É por conta desta nova defasagem, desta vez em benefício da estatal, que a Petrobras conseguiu engatar trimestres consecutivos de fluxo de caixa positivo em 2015, mesmo em meio à crise econômica.

No entanto, já há quem veja no radar a possibilidade de que o governo pressione a petroleira para que ela reduza o preço da gasolina e ajude a combater a inflação. Atualmente, um dos elementos que mais pressionam o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) é justamente a inflação dos combustíveis. "O governo está em uma escolha de Sofia. Se ele repassar para o consumidor um preço menor, a ação da Petrobras vai despencar mais ainda do que ela despencou ontem com o plano de negócios, mas se ele não mexer no preço, vai desagradar ao consumidor e terá que fazer um esforço maior no ajuste fiscal", afirma o diretor do CBIE (Centro Brasileiro de Infra Estrutura), Adriano Pires.

A ideia de cortar inflação via redução no preço da gasolina está longe de ter muitos adeptos entre os especialistas. Para Thiago Biscuola, economista da RC Consultores, uma intervenção do Planalto neste sentido será vista como um mau sinal pelo mercado. "A Petrobras vive um momento de demonstração de credibilidade e não seria bom para a sua imagem se ela cedesse a pressões", afirma.

Vale lembrar que além do problema credibilidade, uma parte do ganho da petroleira com a defasagem é corroída pela depreciação do real. A relação é simples: a estatal possui uma receita maior porque compra combustível barato lá fora e revende caro no mercado doméstico, contudo, o petróleo importado fica mais caro por conta do dólar. Isso sem contar no custo da dívida da companhia, que já chega a R$ 500 bilhões, dos quais a maior parte é em moeda norte-americana. Ou seja, se a Petrobras cortar os preços, o impacto no fluxo de caixa da empresa será considerável.

Para o estrategista-chefe da XP Investimentos, Celson Plácido, a única coisa que salva a geração de caixa da petroleira hoje é a defasagem dos combustíveis, então um corte seria fatal. Algo que o governo poderia fazer como alternativa a simplesmente obrigar a estatal a baixar o preço para conter a inflação seria fazer a redução, mas reintroduzindo a Cide para aumentar a arrecadação. "É mais provável e faria sentido, já que a Cide pode ser aprovada por decreto e o governo não consegue aprovar nada no Congresso", explica.

Adriano Pires discorda. Para ele, se o preço continuar alto, mesmo que via aumento de imposto e não por política da empresa, a pressão política pode vir. Nem tanto do Legislativo, mas das ruas. "Se você tiver um grande movimento de rua reclamando de passagem de ônibus e uma greve de caminhoneiros, o governo pode acabar sendo obrigado a reduzir o preço dos combustíveis", explica. Na sua avaliação, uma saída arriscada, mas que teria impacto menor do que as sugeridas até agora seria baixar apenas o preço do diesel, deixando a gasolina como está.

"A defasagem do diesel está bem superior à da gasolina, então se houver alguma mudança no preço será nele", explica. A diferença, para o diretor da CBIE, é que a medida bateria sim no caixa da Petrobras, mas não seria um impacto tão grave quanto uma redução na gasolina e ainda reduziria a pressão inflacionária principalmente em termos de custos para o transporte público e de carga. Mesmo que enfraqueça a petroleira, a medida faria mais sentido do que ficar de braços cruzados enquanto a inflação extrapola, e muito, a meta do Banco Central. (Info Money 13/01/2016)

 

Especialistas divergem sobre futuro do preço do petróleo; veja opiniões

O desempenho horrível do petróleo no começo do novo ano continuou nesta terça-feira (12), com o petróleo cru padrão Brent e o West Texas Intermediate (WTI), referencial do mercado dos Estados Unidos, flertando com a cotação de US$ 30 por barril.

Preocupações com a economia da China, cujo crescimento puxou a disparada na demanda pelo petróleo mundial nos 10 últimos anos, somadas à produção ainda robusta nos Estados Unidos e a um salto na produção dos integrantes da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) levou os preços a cotações que não eram vistas há uma década. Mas para onde eles irão, daqui?

Veja, a seguir, as opiniões de dois especialistas:

Argumentos em favor de uma queda nos preços

Por Ed Morse, diretor de pesquisa mundial de commodities do Citigroup

Seria necessária uma série incomum de perturbações na oferta para mudar o rumo do comportamento dos preços. Em curto prazo, a perspectiva do mercado de petróleo é bastante sombria. Depois de um ano no qual os estoques cresceram em ritmo provável de 1,4 milhão de barris ao dia, as reservas continuam a crescer já que a demanda permanece lenta diante de um cenário de crescimento mais lento que o antecipado para a economia mundial, e de uma desaceleração na demanda chinesa por derivados de petróleo.

Na ponta da oferta, nos países que não são parte da Opep e respondem pela maior parte do aumento na oferta de 2010 para cá, a produção continua robusta. Ela continua a crescer no Canadá e Brasil e mal declinou nos Estados Unidos. Entre os países da Opep, a Arábia Saudita decidiu escorar sua fatia de mercado, em longo prazo, apesar do crescimento da concorrência, com a disparada na produção iraquiana e o Irã a ponto de reingressar nos mercados, já que as sanções contra o país devem ser suspensas a qualquer momento, agora.

Já que os estoques mundiais de petróleo cru e derivados continuam a crescer, o setor de energia parece estar esgotando o espaço disponível para armazenagem, o que provavelmente enfraquecerá ainda mais os preços do petróleo, que podem cair até a marca dos US$ 20.

Não significa que o mercado mundial de petróleo não venha um dia a encontrar um novo ponto de equilíbrio, mas quando isso acontecer as condições parecerão dramaticamente diferentes das atuais. Os altos preços no início do século 21 estimularam a exploração em areias oleaginosas, em águas profundas e nas rochas de xisto betuminoso. Cada uma dessas bases de recursos provou ser incrivelmente extensa, e novas tecnologias para reduzir os custos de serviços geraram um período de grande deflação de custos que não deve desaparecer tão cedo.

Do lado da demanda, a intensidade de uso da energia mundial, em geral, e a do petróleo em particular, está rapidamente declinando como proporção do Produto Interno Bruto (PIB). O petróleo rapidamente está perdendo seu monopólio como combustível de transporte, em um mundo mais sensível à ecologia. A despeito de um planeta repleto de recursos petroleiros, e a custo mais baixo, o valor do produto para um petroestado agora parece maior quando extraído do que quando deixado no subsolo. Uma parte chave desse novo balanço deriva da dinâmica das novas fontes de petróleo e gás natural no xisto betuminoso.

Argumentos em favor de uma alta nos preços

Por Paul Horsnell, diretor de pesquisa de commodities no banco Standard Chartered.

O mercado não está operando com base em fundamento algum, e por isso não existe um piso sólido para a queda, em curto prazo. O petróleo pode cair para até US$ 10 por barril. Isso seria suficientemente absurdo para todos.

Mas existe uma reserva muito baixa de capacidade excedente sustentável - da ordem de 1% - e um nível elevado de interrupções inesperadas de suprimento, entre as quais a Líbia é a peça mais importante. Mas o mercado parece mais preocupado com o retorno dessa oferta, e por isso o ágio geopolítico sobre os preços está perto do zero. Antecipamos que a velocidade e a dimensão do retorno desse petróleo que ficou fora do mercado sejam decepcionantes.

A Arábia Saudita poderia reequilibrar o mercado instantaneamente, mas não deseja fazê-lo sem uma coalizão entre produtores da Opep e de fora da Opep. Na ausência disso, o suprimento de fora da Opep terá de reequilibrar sozinho o mercado, que antecipamos venha a cair em mais de um milhão de barris diários em 2016, com a maior fatia cabendo ao petróleo de xisto betuminoso dos Estados Unidos. A produção de petróleo cru dos Estados Unidos já caiu em 500 mil barris ao dia ante seu pico de abril de 2015 e deve ajudar a reequilibrar o mercado até abril, e depois gerar um déficit significativo na segunda metade do ano.

Mas a dramática redução na produção convencional de petróleo nos países de fora da Opep significará que serão necessários muitos anos para que ela seja reativada. Será uma contração maior que de que costume, e resultará em um boom igualmente maior quando o legado dos US$ 300 bilhões em cortes de investimentos vier a se fazer sentir plenamente, em 2017 e depois.

A velocidade da queda de produção nos Estados Unidos poderia surpreender a todos, da mesma forma que a demora para que a produção do petróleo de xisto betuminoso norte-americano volte a atingir seu pico anterior de produção. Produzir petróleo de xisto betuminoso não é a mesma coisa que acender ou apagar a luz. Também acreditamos que a relativa falta de produção extra de petróleo fora da Opep virá a ser uma surpresa. Na frente geopolítica, o mercado não acredita, no momento, que a oferta possa cair tanto quanto subir, e seria apanhado de surpresa por qualquer interrupção significativa no suprimento.

Um ano atrás, as expectativas quanto à demanda chinesa por petróleo eram muito pessimistas, com a maioria das estimativas prevendo uma desaceleração acentuada em 2015, para um crescimento de demanda de cerca de 2%. O crescimento real da demanda chinesa foi de 6%. Antecipamos que o crescimento da demanda chinesa volte a superar a expectativa este ano. (Financial Times 13/01/2016)

 

Shell vai construir nova planta de demonstrações de biocombustíveis na Índia

Shell Índia vai construir, operar e controlar a planta de demonstração em alta escala.

Shell Índia Markets, o braço indiano da Royal Dutch Shell, anunciou planos para construir uma planta de demonstração de tecnologia IH2, com capacidade de produção de 5 mil litros por dia. A unidade ficará em seu novo Centro de Tecnologia em Bangalore, Índia.

IH2 tecnologia é um processo termoquímico catalítico contínuo que transforma uma ampla gama de resíduos agrícolas/florestais e resíduos municipais diretamente em combustíveis de transporte de hidrocarbonetos renováveis.

Como a tecnologia IH2 converte um amplo leque de biomassa residual, a instalação em Bangalore irá ser concebida para permitir variação de matéria-prima. Segundo a empresa, matérias-primas comerciais altamente relevantes, como a biomassa lenhosa e resíduos agrícolas e municipais poderiam ser usados.

A tecnologia foi desenvolvida pela US­based Gas Technology Institute em 2009 e está sendo desenvolvida em colaboração com a CRI Catalisador Company, empresa Catalisadora da Shell. (Jornal Cana 13/01/2016)

 

Collor queria que empresa comprasse R$ 1 bilhão em etanol, diz Cerveró

Segundo ele, material teria que ser adquirido de usinas de Alagoas pela BR Distribuidora

Em acordo de delação premiada, o ex-diretor da Petrobras e da BR Distribuidora Nestor Cerveró relata uma reunião com o senador Fernando Collor (PTB-AL). Segundo ele, a realização do encontro, da qual também participaram o presidente e todos os diretores da BR, além do usineiro e político alagoano João Lyra, foi uma sugestão do então presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Collor queria que a empresa fizesse uma compra antecipada de safra, no valor de R$ 1 bilhão, adquirindo etanol de usinas de Alagoas. O pedido não foi atendido, mas depois, segundo Cerveró, Lyra conseguiu um empréstimo de R$ 50 milhões com o Banco do Brasil. Após conversa com o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), Cerveró entendeu que o dinheiro seria para a campanha de Collor ao governo de Alagoas em 2010.

A instituição financeira negou ter feito tal empréstimo. “O Banco do Brasil esclarece que não aprovou qualquer operação de crédito para a usina citada em 2010 ou nos anos seguintes. O BB reafirma que analisa todas as operações de crédito de acordo com critérios técnicos. A aprovação cabe sempre a instâncias colegiadas, que consideram as características das operações e os riscos de cada cliente e de seus acionistas”, diz a nota.

A Petrobras, presidida por Bendine, negou, em nota, irregularidades em sua atuação no BB. “Todas as propostas apresentadas por clientes ao Banco do Brasil sempre têm tratamento absolutamente técnico, seguindo as diretrizes corporativas da instituição financeira. Uma destas normas prevê que todas as operações financeiras precisam ser apresentadas através da agência de origem para serem avaliadas e aprovadas de maneira colegiada pelas áreas competentes do banco. Aldemir Bendine desconhece a operação de crédito mencionada”.

Cerveró disse “que na prática se tratava de uma concessão de crédito às usinas; que, de acordo com Fernando Collor de Mello, naquele ano uma grande enchente havia acometido o Estado de Alagoas e causado muitos danos; que Fernando Collor de Mello disse que tinha inclusive levado Lula para ver pessoalmente a situação do estado de Alagoas, tendo Lula ficado chocado”. Mas o pedido não foi atendido, porque, segundo Cerveró, havia uma norma da BR Distribuidora proibindo a compra antecipada de safra. Além disso, não havia disponibilidade financeira para o negócio.

De acordo com Cerveró, Collor justificou a presença de Lyra, como “exemplo de usineiro alagoano altruísta que estava ajudando na recuperação dos prejuízos causados pelas enchentes em Alagoas”. Isso porque ele “teria cedido imóveis para fins de reconstrução das cidades, minimizando os danos”.

Após a negativa da BR, Cerveró relatou que soube que o Banco do Brasil (BB), na época presidido por Aldemir Bendine, hoje presidente da Petrobras, concedeu um crédito de R$ 50 milhões à usina de João Lyra. Além disso, afirmou que o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) cobrou explicações por não ter recebido dinheiro também, demonstrando estar chateado com a situação. Cerveró contou então a Renan que foi o BB quem liberou o empréstimo, e não a BR, tendo ouvido como reposta: “Ah, agora eu entendi, então é por isso que a campanha do Collor está deslanchando”.

Segundo Cerveró, o operador de Collor na BR Distribuidora era Pedro Paulo Leoni Ramos. Pedro Paulo foi inclusive ministro no período em que Collor foi presidente da República (1990-1992).

Cerveró disse também que José Eduardo Dutra, já falecido, deixou a presidência da BR Distribuidora em 2009 para articular o esvaziamento de uma CPI da Petrobras no Congresso. Foi indicado para substituí-lo José de Lima Andrade Neto. Segundo Cerveró, com apoio do PT (Dutra), PMDB (o então ministro de Minas e Energia, Edison Lobão) e PTB (Collor). De acordo com ele, Lula concedeu a Collor influência política sobre a BR Distribuidora, mas não soube dizer o motivo. Entre os indicados de Collor para a BR estavam José Zonis, para a Diretoria de Operações e Logística, e Luís Cláudio Caseira Sanches, para a Diretoria de Rede de Postos de Serviço.

Collor teria recebido propina de empresa de João Lyra

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, tratou como propina ao senador Fernando Collor (PTB-AL) um repasse de R$ 300 mil feito pela empresa Laginha Agro Industrial, do ex-deputado João Lyra (PSD-AL), à Gazeta de Alagoas Ltda, de propriedade do ex-presidente. A afirmação foi feita por Janot em trecho da denúncia contra o deputado Vander Loubet (PT-MS). A transferência aparece em um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) que trata de movimentações atípicas realizadas pela empresa do senador.

“No caso, existem inclusive fortes indícios do pagamento de propina; de forma disfarçada, em favor do Senador Fernando Affonso Collor de Mello. Com efeito, o Relatório de Inteligência Financeira - RIF n. 15.615 do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Does. 6, anexo à cota de encaminhamento da denúncia), em seu item 2.3.1, aponta como operação suspeita de lavagem de dinheiro exatamente uma transferência de R$ 300.000,00 (trezentos mil reais), em 2014, da Laginha Agro Industrial S.A. em favor da Gazeta de Alagoas Ltda., uma das empresas do parlamentar usadas para recebimento oculto de valores ilícitos”, escreveu Janot.

O diretor-executivo da Gazeta de Alagoas, Luís Amorim, afirmou que “todos os créditos recebidos pela empresa Gazeta de Alagoas referem-se a atividades comerciais”. (O Globo 13/01/2016)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Efeito China: Os preços futuros do açúcar subiram ontem na bolsa de Nova York refletindo o arrefecimento da tensão internacional com a China, o receio de redução do plantio de cana na Índia e da alta de preços do produto refinado. Os papéis para maio subiram 33 pontos, a 14,11 centavos de dólar a libra-peso. Ontem, o serviço alfandegário chinês informou que as importações bateram recorde em 2015, reduzindo os temores com a economia do país. Há ainda preocupação de que o tempo seco na Índia afete o plantio de cana em algumas regiões. Também pesou a alta de 30% do prêmio do produto refinado sobre o bruto, indicando que está mais rentável para as refinarias comprar açúcar bruto. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal subiu 0,48%, a R$ 84,43 a saca.

Algodão: Produção menor: Os contratos futuros do algodão subiram ontem pela terceira sessão seguida na bolsa de Nova York, puxados pelas novas projeções do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) que reduziram a estimativa para a produção global. Os papéis da pluma para maio subiram 44 pontos, a 62,60 centavos de dólar por libra-peso. Segundo Jack Scoville, analista da Price Futures Group, o corte na projeção do USDA para a produção e os estoques finais em escala global devem continuar sustentando os preços nos próximos dias. A estimativa para a produção foi reduzida para 22,58 milhões de toneladas, enquanto a projeção para os estoques finais foi cortada para 22,39 milhões. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a pluma subiu 1,22%, a R$ 2,3841 a libra-peso.

Soja: Correção em curso: Os futuros de soja continuaram ontem a sofrer movimentos de correção de posições dos investidores, após o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) apresentar projeções abaixo do esperado para a oferta do grão americano. Os contratos para março fecharam com alta de 5,5 centavos, a US$ 8,80 o bushel. Apesar do corte pelo USDA na estimativa da safra de soja já colhida nos Estados Unidos, o volume de 106,95 milhões de toneladas continua sendo recorde. Também pesou no pregão a divulgação de informações da alfândega chinesa de que a China importou 81,69 milhões de toneladas de soja em 2015, alta de 14% em relação a 2014, marcando novo recorde. No Paraná, a saca da oleaginosa foi negociada ontem em alta de 1,82%, a R$ 71,42, segundo o Deral/Seab.

Trigo: Realização de lucros: Após baterem na terça-feira o maior valor em três semanas, os preços futuros do trigo cederam ontem nas bolsas americanas, em um movimento de realização de lucros estimulado pela perspectiva de uma oferta mais folgada do cereal. Os lotes do trigo para maio caíram 3,75 centavos na bolsa de Chicago, a US$ 4,8275 o bushel. Em Kansas, onde se negocia o cereal de melhor qualidade, o mesmo vencimento recuou 4,25 centavos, a US$ 4,8650 o bushel. As novas projeções de oferta divulgadas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) foram muito maiores tanto para o país como para o mundo, aumentando a pressão sobre as cotações. No Paraná, a saca do trigo foi negociada ontem em alta de 0,5%, a R$ 38,21, conforme o Dereal/Seab. (Valor Econômico 14/01/2016)